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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Velhos problemas para ciência

       Francis Bacon foi um filósofo que viveu entre no século XVI e XVII e tem grande importância para a ciência moderna principalmente por ter começado a desenvolver um método cientifico que contrapunha o pensamento aristotélico dando valor principalmente a observação e a experimentação que resultavam no raciocínio dedutivo, tais ações são pilares que constituem o estudos de diversos fenômenos ainda nos dias de hoje.
        A teoria dos ídolos de Francis Bacon também mostra como um cientista deve agir e se furtar de certas ações que prejudicam os resultados finais da ciência. Bacon já alertava para problemas que seriam vistos por muito tempo na ciência como por exemplo as generalizações, e preceitos advindos de costumes ou da educação do investigador, atualmente ainda vemos constantes pesquisas que são formuladas conforme visão pessoal ou que se deixam influenciar por gostos pessoais do investigador.
      Portanto apesar de se passarem séculos as teorias de Francis Bacon se mostram muito atuais e deveriam ser estudadas e seguidas por todos que planejam fazer ciência, pois problemas que foram abordados há 400 anos ainda são obstáculos para o desenvolvimento de pesquisas e projetos científicos ainda hoje.

Luan Maturano Dutra – 1° ano direito noturno


From London with Bacon

O aristotelismo não era mais suficiente para explicar o mundo. A ciência se desvencilhava cada vez mais da metafísica e o silogismo perdia força. Precisava-se de novos métodos de investigação e Francis Bacon é um dos que mergulham na tarefa. Filósofo, ensaísta e político, desenvolve sua teoria baseada na experiência e a batiza de “Novum Organum”, um novo instrumento para buscar a verdade científica.
O autor inicia sua obra criticando a obscuridade dos métodos convencionais, incertos, centrados no intelecto dos filósofos e na abstração da natureza.  Defende a descoberta científica em contraposição ao cultivo das ciências. Aquela seria a tentativa de vitória pela argumentação, esta a vitória sobre a natureza,  pela ação. O homem não poderia conhecer nada se não experimentasse, se não interpretasse a natureza usando meios científicos.
O digno da ciência era o que existia, criticava assim os diferentes tipos de ídolos.  Para unificar as explicações da realidade, defendia seu método e a ciência. Eles antecipariam o acaso e permitiriam o consenso científico. A dificuldade em comprovar experimentalmente as teses investigadas tirou o sono de cientistas. Como os sentidos são falhos, a causa de muitos fenômenos poderia ser invisível aos olhos humanos.  Bacon notou esse fato, sendo a criação dos microscópios produto de sua filosofia. 
Percebe-se que as ciências como biologia, física, química e até o positivismo foram influenciados pelo filósofo. Seu método pode não ser de todo original, porém ao criticar os filósofos que disputariam apenas o posto de melhor argumentação e defender a ação do empirismo, explorando a natureza em busca do conhecimento, rejeitando certezas pré-estabelecidas, Francis Bacon foi também pai da ciência moderna. 

FRANCIS BACON E O PROGRESSO CIENTÍFICO

Francis Bacon (1561-1626), foi um pensador inglês de grande importância para a ciência moderna, pois elaborou uma nova metodologia que baseava-se no empirismo filosófico e no uso do raciocínio indutivo; essas características em conjunto formam o chamado método baconiano. A filosofia de Bacon explorou uma nova perspectiva que foi capaz de abrir os olhos do homem para horizontes mais distantes que precisavam ser explorados, e que para tal, era necessário desenvolver um processo para desvendar os fenômenos naturais; este era o método baconiano.
No passado, a ciência confundia-se com outras práticas, como a astrologia, magia e alquimia (este último, mesmo possuindo semelhanças com a química moderna, está mais próximo do misticismo  do que da ciência empírica), pois, além de empregar um método de pesquisa que por vezes inspirava-se no sobrenatural, não tinha-se ideia da dimensão do objeto a ser estudado, ou seja, o homem pouco conhecia da natureza que o cercava.
Bacon define a ciência como uma ferramenta capaz de conciliar uma convivência harmônica entre o homem e a natureza. Quanto maior é o progresso científico, maior é o poder da humanidade perante a natureza, e com tal poder, é possível controlar certos fenômenos naturais e realizar feitos que desafiavam a imaginação dos homens antigos. Desse modo, os seres humanos tornariam-se os "senhores da natureza", que, segundo Bacon, era o objetivo final da existência humana.

Pedro Neves da Cruz Júnior - Direito - noturno - semestre 1

A necessidade do Método

     O filósofo Francis Bacon (1561-1626), inovou o modo de pensas e constatar cientificamente ao defender o Método científico. O filósofo inglês rompeu com a filosofia tradicional ao contrariar o pensamento aristotélico e defender a observação da natureza como forma de progressão, a partir da exploração com a finalidade de gerar conhecimentos.
     Bacon acreditava que a observação, seguida da experimentação, seria a melhor forma de desenvolver o conhecimento, afim de constatar a existência de padrões que definiriam leis naturais. Essa forma de desenvolvimento da pesquisa é o método pelo qual se produz ciência.
     Para o inglês, fazer ciência é a única forma de atingir-se o bem-estar do homem, rompendo assim com os dogmas tradicionais como o pensamento intuitivo de Aristóteles. O desenvolvimento do método é, portanto, o melhor caminho para se produzir conhecimentos úteis à vida humana, de modo a alcançar-se avanços.
     Ao introduzir o método científico, Bacon mostrava que a ciência consiste em sucessíveis avanços e inovações, nunca chegando, pois, a um patamar máximo de evolução do conhecimento, uma vez que há, sempre, algo novo a ser descoberto, observado, experimentado e constatado. A lógica do filósofo é facilmente observada na vida prática, como, por exemplo, os constantes avanços tecnológicos da atualidade. 

Gustavo Valente Pompílio - 1ª ano Direito diurno.

A constante inovação

Francis Bacon (1561-1626), estudioso das ciências experimentais, rompeu com a filosofia tradicional pelo fato dessa não ser útil ao bem estar do homem. Ao citar “Saber é poder”, defendia que a natureza deveria ser usada para promover o progresso e a prosperidade, assim como sua dominação deveria ser feita através da exploração, já que essa seria a única forma de compreendê-la, interpretá-la e vencê-la.
Apesar de reconhecer a importância dos racionalistas em relação à sua estruturação, acreditava que faltava contato com a realidade externa e, para isso, estabeleceu um novo método, o qual consistia na observação dos fatos, registro das observações e a união de dados confiáveis, pois, a partir disso, seriam encontrados padrões, que revelariam conexões causais, criando a possibilidade de se chegar à lei natural.
Além disso, o pensamento poderia exercer influências, de modo a criar falsas noções, denominadas ídolos, havendo quatro tipos: os ídolos da tribo, os quais estão relacionados às distorções provocadas pela mente humana, já que há uma ilusão causada pelos sentidos, provida também dos sentimentos e paixões; ídolos da caverna, referência ao mito de Platão, os quais se vinculam às relações do homem com o mundo que o cerca; ídolos do foro, os quais vêm das associações entre os indivíduos e os ídolos do teatro, que são representações sistemáticas da realidade, impregnadas de superstição e equívocos, ou seja, não são reais. Bacon teve grande importância ao trazer um novo método, além de defender que a ciência consiste numa constante inovação para que se tenha o conhecimento sobre o mundo.

Isabela Dias Magnani - 1º ano Direito noturno

Distintas vias de pensamento,mas apenas uma de solução.

  Um encontro ao acaso pode gerar uma discussão espetacular sobre as dististas formas de pensamento de cada ser humano frente aos seus aprendizados e visão de mundo singular construída ao longo de sua vida. Isso se dá ao decorrer de  todo o filme ‘Ponto de Mutação’, onde num castelo medieval da França discorre uma longa e interessante conversa entre dois amigos – um poeta e um ex candidato à presidência dos Estados Unidos da América – e posteriormente com uma cientista que provoca uma indagação no modo atual de se encarar o homem e seus respectivos problemas.
   É feita uma crítica forte da cientista às limitações do pensamento cartesiano, – e que ainda estão presente na sociedade atual - o qual compara o homem a uma máquina,gerando assim,uma necessidade cada vez mais urgente de um novo modo de pensamento para superar essa ‘crise de percepção’ humana do mundo. Em seguida,ela ainda defende que todo e qualquer problema seja ele social,político ou econômico de algum país está interligado com algo muito maior, ‘tudo está conectado’,e que precisa ser tratado como uma peça de um imenso quebra cabeça e não somente como um acontecimento único e independente,como defende o ex candidato à presidência  – ela ainda sustenta seus argumentos com inúmeros fatos : ‘’40 mil crianças morrem anualmente não somente pela falta de comida, mas pelo ‘desinteresse’ do governo por este minimizar as mortes em prol de algo maior; O desmatamento no Brasil e a corrida armamentista nos EUA estão de alguma forma acontecendo consequentemente pela frieza dos seres humanos atualmente..  
   O discurso contra as ideologias de Newton, Descartes entre outros grandes filósofos do século XVII da cientista enfatiza o individualismo vigente na sociedade, deixando clara a mensagem tanto da personagem quanto até possivelmente do próprio autor do livro adaptado (Mindwalk) de que  ‘(...) todos fazemos parte de uma teia inseparável de relações’ explicitando a necessidade de uma mudança urgente no comportamento humano atual para que assim as mazelas sociais existentes em todo o mundo possam ser tratados conjunta e eficientemente por todos em prol de uma idealizada sociedade mais harmoniosa e menos desigual.
  Maiara Lima – 1° ano Direito noturno.

A Atualidade de Bacon


            Francis Bacon, reconhecido por quebrar com a linha de pensamento cartesiana, marca suas teorias pelo empirismo. Ao buscar um método para atingir o conhecimento, tal como Descartes e outros tantos filósofos fizeram, Bacon baseia-se no pressuposto de que a mente por si só não é capaz de levar à comprovação científica, devendo estar em convergência com a observação. Com esse raciocínio, o pensador modifica o que até então era concebido como verdade, uma vez que a racionalidade deixa de ser suficiente para atingir a ciência.
            A partir deste ponto, Bacon cria um método que fundamenta a ciência até os dias de hoje, no qual a exploração e a experimentação passam a ser o meio ideal na busca pelo conhecimento. Bacon justifica seu ponto de vista explicando a existência dos “ídolos”, que são, em sua concepção, as falsas percepções do mundo ocasionadas pelo labor da mente. Tais ídolos são as representações das diversas situações nas quais a mente interfere na objetividade do conhecimento, mostrando afinal que a mente humana de fato interfere nas interpretações da realidade.
            Em suma, têm-se que o avanço da ciência é retardado pelas fantasias criadas pela mente humana, uma vez que o conhecimento científico não pode ser atingido com uma ferramenta que permite falsas interpretações. O empirismo de Francis Bacon garantiu-lhe o reconhecimento como “pai” da ciência moderna, visto que seu método impulsionou as descobertas científicas desde a publicação das teorias baconianas, mostrando a importância e atualidade do pensador.

Júlia Costa Lourenço - Direito Diurno, Turma XXXI

A experiência como base da ciência moderna

Francis Bacon foi um filosofo inglês empírico, considerado por muitos o fundador da ciência moderna. Em sua filosofia Bacon defende que todo o conhecimento adquirido pelo homem necessita tomar como base experiências. Com esse pensamento o filósofo rompe ma linha de pensamento criada por Aristóteles, na qual o ser humano já nascia com algumas verdades inatas.
Por considerar válido apenas o conhecimento obtido por meio de experiencias, Bacon desconsidera todos os outros tipos de conhecimento. À esses conhecimentos o filósofo dá o nome de ídolos, falsas percepções de mundo, que sofrem interferências de paixões e são limitadas pelos sentidos, pois os sentidos são incompetentes. Os mecanismos da experiência servem de reguladores da mente.
Esse método científico deve ser usado para uma inovação permanente. A ciência não pode ser usada como mero exercício da mente, a mente não pode guiar-se por si mesma. Como exemplo, desse exercício vazio da mente, Francis Bacon critica os gregos e sua filosofia.
A filosofia baconiana apresenta a necessidade  de se buscar a observação do que é invisível aos olhos. Esse novo método mudou o rumo da obtenção de conhecimento juntamente com a teoria cartesiana. Hoje em dia esse sistema encontra-se ultrapassado, o conhecimento necessita acompanhar o desenvolvimento da sociedade.


Tiago Paes Barbosa Borges, 1º ano - Direito Diurno

Bacon em nossas vidas

Avaliando a evolução do modo de vida do homem, percebemos nitidamente que nos últimos séculos o desenvolvimento foi muito mais intenso e significativo, principalmente por causa do reconhecimento e da conceituação da ciência e seu papel na sociedade. Muito disso se deve ao pensamento de Francis Bacon.
Esse filósofo teorizava que a ciência sempre devia focar o bem-estar e por isso também tinha como papel intervir de alguma forma na vida do homem, ou seja, ter uma utilidade prática. O pensamento, nesse sentido, tem que ser teorizado mas posteriormente sujeitado a comprovação empírica. Assim, o que interessa para a reflexão é o mundo real, aquilo que realmente é e não aquilo que devia ser, como os filósofos gregos preconizavam, para tanto o que for pensado deve partir do senso comum.
          A partir do momento que esse pensamento passou a ser considerado e a ciência praticada em concordância tal princípio, os avanços começaram a se mostrar rapidamente e de forma revolucionária, chegando até os dias atuais onde nossas vidas são totalmente ligadas, se não dependentes da tecnologia e suas fontes de comunicação. 

Helionora Mª C. Jacinto

Ídolo da Ciência

   Francis Bacon foi um político e filósofo inglês, cujos ideais lhe renderam o prestigioso título de “pai da ciência moderna”. Assim como René Descartes, ele via a necessidade da ciência ser usada em prol da transformação do mundo, bem como da melhoria da qualidade de vida da população e, não, com sentido de contemplação. Bacon interpretava a realidade, indo em contramão ao pensamento da época que antecipava a mesma, utilizando a dedução e a indução para levá-lo às respostas.

   Altamente influenciado pelo Empirismo de John Locke, no que tange a ciência jurídica, Bacon afirmava a predominância das provas e da razão. Exímio crítico do denominado “Labor da Mente”, ou seja, o pensamento prévio, a teoria sem comprovação, defendia que a mente não deveria ser guiada por si mesma. Criticava a filosofia grega (metafísica), afirmando esta não servir para o bem-estar do homem.

   A burguesia da época, embebida nos conhecimentos baconianos, utilizou o seu “novo método” para alterar a própria condição de existência dessa classe social, por meio da valorização da experiência. Já que “Saber é Poder”, para Francis Bacon, o que tornaria possível a interpretação e compreensão da natureza é a exploração da mesma.

   Bacon severamente criticava os “ídolos”, que para ele seriam as falsas percepções do mundo. Esses poderiam ser “da tribo” (influência dos sentidos e das paixões); “da caverna” (formação do indivíduo); “da feira” (influência das associações) e “do teatro” (equívocos e superstições).

   Francis Bacon via na ciência duas qualidades inatas: a inovação e a infinidade. Conforme esta necessita ser útil e prática, também deve ser mutável para adquirir novas formas e propiciar novos avanços. Bacon ao tentar observar o que é invisível aos olhos e compreender o que é invisível aos sentidos, tornou-se um ídolo “da ciência”.

Víctor Macedo Samegima Paizan - Direito Matutino - 1º Ano

Mutação interior

     O filme "Ponto de Mutação", baseado no livro "The Turning Point" do escritor e físico austríaco Fritjof Capra, é uma viagem filosófica pela visão de mundo contemporânea. A história em si é pouco importante: um poeta em crise de meia idade, um político desacreditado com a própria política e uma física que abandonou suas pesquisas para não se envolver com militares, divagam acerca do efeito do cientificismo cartesiano na forma como as pessoas encaram a vida. O ponto alto do filme é a discussão entre esses três arquétipos.
     A espinha dorsal do debate gira entorno da crítica que Sonia, a física norueguesa, faz contra a forma Cartesiana com que as pessoas enxergam as coisas. A personagem teoriza sobre como o a visão essencialmente racionalista reduz o quanto o indivíduo pode enxergar de fato: compreendem-se as partes e presume-se seu funcionamento como um todo, mas nem sempre isso se verifica como verdadeiro. Sonia prossegue: é essa interpretação da realidade a causa das crises sociais, econômicas e ambientais que se alastram pelo globo.
     Sem enxergar a conexão das partes que formam o panorama geral, a solução para um problema pode gerar outro. Desse modo, a película critica a destruição do meio ambiente, a ineficiência dos políticos para sanar os problemas sociais dos países e o desrespeito que a ciência tem pela natureza. Fica ao fim do filme uma mensagem um tanto quanto esperançosa: uma visão mais humanista do mundo e das várias conexões que existem dentro da natureza, da sociedade, etc, pode prevenir o homem de consumir a si mesmo.

André Luis Sonnemaker Silva - 1º ano Direito Diurno - Turma XXXI

A regulação da mente

Ao propor um novo método de obtenção do conhecimento, o filósofo Francis Bacon buscava não só o conhecimento em si, mas também a cura da mente humana, aspecto que considerava uma forma de salvação para o homem da época. Essa cura ou regulação se daria por meio de mecanismos da experiência, e o método consistiria em estabelecer os graus de certeza, determinar o alcance dos sentidos e rejeitar, por fim, o labor da mente. A interpretação do mundo, para o filósofo, deveria provir da experimentação, opondo a clareza científica à fantasia.
Aliada ao culto à experiência encontra-se a crítica de Bacon à ciência como mero exercício da mente, ou seja, não se deve deixar, segundo ele, que a mente se guie por si mesma, visto que a partir daí são construídas as idealizações. A verdadeira ciência atua como representação das reais intenções divinas, e se deve buscar uma ciência útil na luta contra a natureza (dinâmica de inovação permanente).
O filósofo defende, ainda, a rejeição a qualquer forma de ídolo (da tribo, da caverna, do foro ou do teatro), conceito que designou para as percepções do mundo que são falsas por terem sido influenciadas pelas paixões. Pelo seu ponto de vista, estes são distorções que podem gerar falsas teorias, devendo, portanto, serem evitados.
Assim, Francis Bacon rompe com a filosofia clássica, que em sua visão não tinha aspecto prático, e propõe ideias inéditas cuja importância no campo científico é reconhecida até os dias atuais.


Julia Bernardes- Direito diurno

Ou a filosofia ou o método


          Remetendo à Grécia antiga, Demócrito e Leucipo, talvez em uma caminhada pela praia, especulavam sobre o que tudo seria feito, tiveram um momento de epifania e propuseram que todas as coisas seriam como a faixa de areia na costa do mar: vista de longe, numa macroesfera, seria um todo; porém vista bem de perto, em uma microesfera, se revelaria composta por pequenos “grãozinhos”, os quais chamaram átomos.

Porém, nessa história poetizada há um problema, os filósofos, como sempre, propuseram, mas não provaram. De tal questão chave partem as críticas e os estudos de Francis Bacon, que apresentava no século XVII um novo método, o empirismo. Contudo para que este pudesse ser realizado, as pessoas teriam que abandonar seus ídolos.

Esses ídolos seriam entendidos como as falsas percepções de mundo e foram caracterizadas pelo inglês em quatro tipos: os da tribo, que se referem às interferências da mente humana, como as paixões; os da caverna, que viriam de nossa formação primeira (familiar/religiosa); os da feira, entendidos como aqueles provenientes de relações sociais; e por fim, os do teatro, vinculados aos sistemas filosóficos e místicos.

Numa consideração final, Bacon preconizava o completo abandono com tudo o que norteava os pensamentos e concepções das pessoas, a fim de que pudessem entregar-se puramente à experiência sensorial, isto é, ao novo método empírico. De forma que a ciência não fosse só filosofia e especulação, como a de Leucipo e Demócrito, mas fosse como a que conhecemos hoje, capaz de descobrir e provar o que “não se produziu, nem pelas vicissitudes naturais, [...], nem pelo próprio acaso”.

Letícia Raquel de Lava Granjeia – 1º Ano Direito Noturno

O microcosmo e o macrocosmo,tangenciam-se?

A mente humana não difere unicamente das dos demais seres por sua vigorosa aptidão interpretativa, por sua apurada argúcia ou até mesmo pela sobranceira força cognitiva, mas, sim, pela capacidade de divagar, imaginar, fantasiar e valorar. Abstrair os fatos e  os objetos, dar molde ao mundo segundo uma visão própria,são distinções que competem à natureza da mente humana.

É esta condição de modular a qualidade das coisas,juntando outras que não lhes são próprias,que Francis Bacon critica em sua principal obra, Novum Organum. Pois, para o filósofo, esta disposição da mente constitui erro radical inviabilizando um conhecimento verdadeiro.Ou melhor,em sua própria definição: "É falsa a asserção de que os sentidos dos homens são a natureza das coisas.Muito ao contrário,todas as percepções,tanto dos sentidos quanto da mente,guardam analogia com a natureza humana e não com o universo".

Bacon propõe como método corretivo o empirismo,o uso de experimentos práticos como evidência da natureza e única forma validada de conhecimento,contrapondo-se ao racionalismo de Descartes que abria margens para a intervenção de elementos do universo próprio, de valores e idealizações do cientista.

Mas, até que ponto o julgamento empírico, da experiência, estaria livre das imprecauções da mente humana? A busca das ciências por fórmulas e relações exatas e irredutíveis não seria  encabeçadas por uma noção idealística advinda da mente humana? Não são as figuras geométricas, em sua perfeita forma, inexistentes no mundo concreto, portanto, mera idealização do homem?

Em suma,apesar da relevância do método científico ou empírico na medida  das coisas e na construção do saber, deve-se sempre ter em conta a perspectiva da mente humana. Pois, se a esta está vetada a participação no processo de construção conhecimento, não deixa de ser fio condutor  da ciência, arquitetando suas ferramentas e métodos.

Felipe Ravasio,1° Direito Diurno,Turma XXXI


A vida é infinitamente mais


     O filme "Ponto de mutação" levanta a questão de como vemos/interpretamos o mundo, dando inicio ao debate descrevendo o modo cartesiano de analisar a natureza, que consiste em reduzir tudo a peças e explorá-las separadamente para entender o todo, afirma-se que esse método foi ótimo, mas para seu tempo e que agora é preciso encontrar uma nova visão, que se encaixe nos dias de hoje.
     Três personagens dominam todo o enredo: uma cientista frustada com o destinos de seus estudos, um poeta, na crise da meia idade e um político desmotivado. Os três possuem pensamentos muito distintos o que torna a conversa intensa e diversificada.
     A discussão aborda diversos campos do conhecimento, como a política, a física e a filosofia, tendo como objetivo demonstrar que tudo está interligado e que é necessário quebrar a visão cartesiana do mundo, para resolvermos os problemas globais (todos os problemas fazem parte de uma crise de percepção-Sônia), mas numa sociedade onde a busca pelo poder está acima do resto fica difícil de se fazer compreender essa rede.
      No fim do filme o político adquire uma nova maneira de pensar, quebrando a burocracia e a sistematização impostas em sua formação e percebe que para mudar o mundo é isso o que falta, se cada um saísse de sua bolha e se visse inserido numa sociedade todos fariam melhor, entendendo que não é possível tirar vantagem de algo, sem prejudicar a si mesmo, como é citada na questão ambiental, todos vivem no mesmo planeta, no mesmo ambiente.
      O poeta fecha o filme mostrando que a vida é muito mais complexa do que formulas e leis, tomando como exemplos os homens que apesar de seus conflitos, angustias e medos amam-se, quebrando qualquer ordem lógica.

Bruna Midori Yassuda Yotumoto, 1º ano diurno

Funcionalidade da teoria

Vivemos em um mundo em que a ação é algo extremamente importante. Onde o prático é melhor que o teórico. Esse mesma ideologia foi defendida pelo filósofo do século XVII, Francis Bacon. Bacon criticava de uma forma forte as filosofias clássicas por não ter um conceito prático e pregava a experimentação para o desenvolvimento.

O que Bacon defendia há séculos atrás, é o que predomina atualmente, pois a base da ciência, nosso instrumento de desenvolvimento, é a experimentação e a prática. E de uma perspectiva social, como dito acima, as pessoas apreciam mais o que pode ser posto em ação, do que algo que é apenas teoria.
Mas de qualquer não é válido menosprezar o que é só tem função teórica, pois há sim valor. Não é só importante para o exercício da mente, mas também para a criação de teorias que revolucionem a prática.

1º ano, Noturno

As Relações



O filme “Ponto de Mutação” discorre sobre questões científicas, filosóficas e sociológicas de maneira inteligente e densa, propondo quebra de paradigmas a partir dos quais observamos o mundo, as ciências e as nossas relações tanto sociais quanto com a natureza. As noções a serem superadas não são quaisquer, mas sim noções impregnadas nas mentes das pessoas desde Descartes e seu método científico.

Passando por várias questões importantes e atuais, a personagem Sonia propõe novas maneiras de enxergar o mundo, dizendo que a maior crise que enfrentamos é uma “crise de percepção”, e que se essa visão for modificada, os problemas da sociedade poderiam ser atenuados. O posicionamento de Sonia poderia ser comparado à posição de Francis Bacon que, em sua época, propôs um novo método científico, que viria “curar a mente” e construir um conhecimento “verdadeiro”. Porém as semelhanças terminam por aí, já que as ideias em si são completamente diferentes. Sonia chega a expressar aspectos nocivos nas ideias de Bacon. A insistência de Bacon em transformar, interferir e controlar a natureza pode se relacionar com a atual problemática ambiental que a Terra enfrenta hoje, afinal, de certa forma conseguimos o que Bacon tanto queria, fazer com a natureza o que quiséssemos, controlá-la, usá-la a nosso favor. Porém aonde isto nos trouxe?

Alguém que enxergue o mundo atual a partir de uma visão cartesiana, de fragmentação do objeto a ser estudado, jamais poderá entender a natureza, pois nela tudo está conectado, relacionado. Enxergar pelo método cartesiano descaracterizaria a natureza segundo tal definição. Tal visão fragmentada, além de limitar a ciência em si, também tem efeitos negativos na sociedade, como bem exemplifica Sonia durante a discussão.

Um exemplo válido de tal lógica aplicada à nossa sociedade pode ser a questão da criminalidade: se o problema fosse encarado não como uma questão isolada a ser remediada, mas sim como fruto de um problema no sistema como um todo, haveria uma preocupação maior em resolver os problemas de desigualdade social presentes na sociedade, resultando assim numa diminuição da criminalidade, melhorando a qualidade de vida de toda a população e fazendo com que o governo gastasse menos com o sistema penitenciário, revertendo esses gastos para quaisquer outras obras sociais. Ou seja, é melhorar a nutrição de uma pessoa para que ela não fique doente, não somente pensar num coração artificial para quando a pessoa ficar de fato doente e precisar algo assim, como dito durante o filme.

A possibilidade de relacionar o exemplo acima com o que foi discutido pelos personagens do filme mostra a abrangência das ideias ali presentes. A aplicabilidade de tais ideais no nosso mundo é algo bastante complexo, porém é inegável que há valor tanto científico, quanto filosófico e sociológico nas divagações feitas por aquelas pessoas numa isolada ilha da França.

Lucas Mota Plaza - 1 ano Direito Diurno

domingo, 6 de abril de 2014


Proposta de uma “máquina” para a mente




Com crítica assídua a ciência produzida até sua época e também uma boa dose de pretensão, Bacon propõe um novo método para se fazer ciência, um método que permitiria não só o entendimento e interpretação da natureza, mas também a intervenção do homem no mundo, transformando-o. Bacon critica o que chama de “errático e perpétuo revolver da mente”, dizendo que muitos dos que se dedicaram a ciência e filosofia se limitavam a essa maneira de pensar, que peca pela falta de um método verdadeiramente correto.

Bacon exagera em suas críticas, mas isso se deve provavelmente à sua ânsia pelo novo, pela descoberta, e não somente pelo cultivo do conhecimento acumulado. A intenção de Bacon é louvável e sem dúvida seus escritos são importantes para o desenvolvimento do pensamento até os dias atuais, mas Bacon propõe que seu método sirva para descobrir a verdade, porém o que seria tal “verdade”? Toda ciência, por mais “verdadeira” que se intitule, será uma construção humana, não o que a natureza de fato é. Não há verdade alguma nas ciências, o que há é somente o trabalho humano de tentar entender o que acontece a sua volta, mas chamar isso de verdade é, no mínimo, arrogância.

Algumas das ideias apresentadas por Bacon são muito interessantes para nortear e tornar mais correta a forma de pensarmos. Trata-se de uma importante contribuição filosófica do autor, por exemplo, a questão dos ídolos que nublam o pensamento e a capacidade humana de pensar o mundo. Todos os ídolos citados por Bacon estão de fato presentes na mente das pessoas, sendo muito difícil a neutralização de tais influências.

Bacon foi importante como pensador da ciência por defender o empirismo e a experiência como forma de legitimar o conhecimento construído e por mostrar insatisfação com grande parte do que via no mundo intelectual de seu tempo. Essa característica de inquietação e sede por inovação é saudável e essencial para os que praticam a ciência e para ela vivem.

Lucas Mota Plaza - 1 ano Direito Diurno


  

Quando Bacon encontra o Direito

Bacon fora um filósofo empirista que acreditava na interpretação da natureza e que essa, por sua vez, levava à experimentação concreta. Para o autor, a ciência somente era clara quando as hipóteses formuladas racionalmente eram comprovadas pela experimentação; para ele, a mente, deixada para ao seu próprio e livre labor, sem embasamento na experiência, levava ao erro.  O filósofo critica a ciência sem aplicações práticas.
Assim, considerando suas teorias no estudo jurídico, nós devemos nos indagar: como deve ser a postura do direito? Será que ele deve ser uma ciência focada no que é positivado sem aplicações mais concretas? O que é mais válido para o direito: a legislação ou sua aplicação?
Considerando a função social do direito, sua história e reafirmação como a voz da maioria, na criação de uma sociedade equilibrada e justa, ele deve ser uma ciência plausível, com respaldo filosófico, mas de efetiva ação na sociedade. Conforme a teoria do filósofo, a ciência jurídica deveria ser, de fato, positivada (formulada perante hipóteses), mas que também tenha um experimentação na sociedade, pois de que valeriam constituições, códigos, decretos, regulamentos, artigos, parágrafos e incisos, sem que pudessem de fato representar e defender o povo e a justiça?

Portanto, a teoria de Bacon se encaixaria no estudo jurídico para formar um direito ideal, composto pela racionalização das leis, mas que tivesse aplicações práticas e efetivas.

Carlos Eduardo Milani Neme- 1º ano de direito matutino (turma XXXI) 

Teoria baconiana e convergência econômica.

   Francis Bacon compartilha de uma visão semelhante a de Descartes no ponto em que estabelecem métodos, isto é, um padrão de precisão ao alcance do conhecimento. A diferença metodológica, contudo, é notável. O Racionalismo não é mais suficiente para Bacon, exige-se portanto como ratificação de veracidade o uso da experimentação. Enquanto Descartes se utilizava princípios dedutivos de raciocínio, Bacon utilizou-se em suma de observações empíricas. Bacon também fez dura crítica à filosofia grega visto que, para ele, a clareza científica opõe-se ao pensamento místico concebido pelos gregos, bem como à abstração filosófica. O método baconiano era estabelecido em três pontos: a imposição de graus de certeza, o alcance dos sentidos e a rejeição do labor da mente. 
   Outro ponto importante da teoria do autor é a rejeição da presença de ídolos. Para ele, essa caracterização promulgava uma falsa noção de mundo pois está ligada à aspectos passionais que levavam a mente humana a afastar-se da verdade e não agir motivado pela razão. Sua posição com relação à religiosidade, a qual a importância no período não pode ser rejeitada, evidencia-se nesse momento pois, segundo Bacon, a existência do Criador em nada estava relacionado com a existência de ídolos, visto que sua imagem sagrada é eterna, real e imutavelmente verdadeira. 
   Pode-se dizer que a ciência baconiana foi intensamente utilizada pela burguesia no processo de enriquecimento. Isto deve-se ao fato de que Bacon se prestou à manutenção do bem-estar do homem, o que significa dizer que o objetivo máximo da ciência era o progresso científico e, portanto, o seu grau de influência na "evolução" da vida humana. Segundo esse método era possível um avanço técnico que aumentasse quantitativamente a produção e gerasse maior obtenção de capital. Há portando uma convergência em Bacon entre a ciência e a economia. 
Além da razão
  O filme ”Ponto de Mutação” mostra uma conversa entre três intelectuais, sendo um político, um poeta e uma cientista. Os assuntos abordados são de cunho, principalmente, filosófico e sociológico, nos quais cada personagem é capaz de deixar transparecer suas convicções.
      Em primeiro lugar, eles discutem acerca do mecanicismo cartesiano que postula que o universo todo, inclusive pessoas e animais, funcionaria como um relógio, com leis naturais reguladoras; mais tarde, Isaac Newton comprova essa afirmação através de suas famosas leis.
      Posteriormente, é comentada a questão da Amazônia e seu desmatamento para a criação de gado que é amplamente comercializado e, ironicamente, pode causar danos à saúde das pessoas que consomem a carne vermelha. Além disso, também é discutido o fato de que a madeira não é nem vendida, mas queimada, o que inutiliza o material e prejudica a qualidade do ar.
     Outro tema abordado é o pensamento de Francis Bacon, que diz que a natureza deve ser escravizada pelo homem, e ainda, que saber é poder. Segue então, um debate a respeito dos átomos que, mesmo que compostos de núcleo e eletrosfera, possuem um enorme vazio, concluindo-se que as coisas fossem formadas por um “nada”.
     Por fim, trata-se da Teoria dos Sistemas segundo a qual nada existe por si só, tudo está interligado numa enorme teia da vida, todos os seres vivos e não vivos são interdependentes. Então, faz-se um questionamento à cientista: o que é a vida? E ela responde que a essência da vida é a auto-organização, e isso abre brecha para o desfecho do poeta, que diz que a vida é muito mais complexa que isso, e que não pode ser interpretada através de leis e formulas, pois as pessoas são dotadas de paixões, medos, angústias e defeitos e que, mesmo assim, são capazes de se amar.

Letícia de Oliveira e Souza, Direito Matutino.

Fragmentos unidos

      "Ponto de Mutação" é filme que nos leva a uma conversa entre um político, um poeta e uma física sobre os mais variados assuntos, como política, meio ambiente, relações pessoais etc.
       O viés principal da discussão é pautado no método cartesiano de avaliar as coisas do mundo ao nosso redor. Ou seja, como existe uma tendencia de o homem separar, em ramos, algum determinado estudo.
A exemplo da medicina a qual se diz que cada vez se sabe mais sobre menos. Cada vez há mais estudos e pesquisas voltadas para um assunto restrito, dentro de um assunto maior. Com isso, há cada vez mais especialistas em assuntos limitados e poucos que veem o problema como um todo.
       Tudo, hoje em dia, é tratado de forma fragmentada. Cada um cuida do seu. E inserido nesse contexto, o homem vive a sua vida, concentrando-se apenas nela, focado em seu individualismo. Sem uma consciência social, sem avaliar as opiniões que encontram-se ao redor dele, sem pensar no próximo.A exemplo disso, temos a questão ambiental, na qual poderia, caso houvesse uma visão integrada, levar o homem a um maior desenvolvimento de forma sustentável.



A origem da ciência moderna

Francis Bacon é considerado o fundador da ciência moderna, uma vez que revolucionou todas as ciências ao criticar o método de sua época e sugerir um novo, empirista, realista e prático. Seu método se baseava na razão, em experimentos reais, palpáveis, diferentes daqueles utilizados até então e no uso de “ferramentas” para auxiliar a mente. Para ele, a ciência visava alcançar o bem estar humano, assim como aumentar as capacidades do homem e auxiliá-lo no confronto com as forcas da natureza. Devido a essa constante busca por melhoras, sua metodologia foi muito bem aceita pela burguesia, na época em ascensão, que visava meios de aumentar a eficiência de seus negócios.
Atualmente suas influencias são vistas nos experimentos que as mais diversas ciências praticam em busca de novas descobertas, no vínculo que existe entre desenvolvimento e poder, na necessidade de separar as ciências das opiniões pessoais e das crenças, na busca incessante por conhecimento e no desejo que o homem tem de vencer a natureza.
Por fim, quanto ao Direito, Bacon influenciou na separação deste com as paixões, as crenças e os preconceitos e fez com que este se fundamentasse na realidade e na experiência, além de contribuir para que ele sempre busque melhorar a sociedade, e consequentemente, a vida do homem.

Felipe Reolon - 1º ano Direito Noturno.

Menos discurso e mais prática

                Imerso em uma realidade na qual o conhecimento provinha das reflexões filosóficas dos pensadores clássicos, Bacon propõe que aqueles que pretendem obter algum conhecimento científico procurem-no nas próprias experiências, convergindo razão e observação. Para ele, a observação desprovida de paixões levaria ao conhecimento pretendido pelos homens.
                O filósofo pregava que através das situações vividas, o homem poderia levar uma sabedoria do campo metafísico (psicológico, filosófico, além do mundo físico) para o mundo empírico (real, material), ou seja, aproveitar uma experiência que poderia não ter valor científico, para uma análise mais profunda, que lhe permitisse concluir algo sobre a situação vivida.
                Para Bacon, a influência das paixões nas análises dos homens leva à incompetência dos seus sentidos. As paixões levam à criação de ídolos, que são imagens criadas sem relação verdadeira com a realidade por ter sido fruto de uma idealização que não sofreu a influência necessária da razão. Essa paixão distancia do conhecimento verdadeiro por distorcer a percepção adquirida pelos sentidos.
                Outro ponto debatido por Bacon refere-se à limitação da ciência. Segundo o filósofo, a ciência não reconhece fronteiras, podendo abarcar qualquer campo do conhecimento humano. Seu objetivo deve ser sempre inovar, transformar o que já existe.
                Por acrescentar aspectos inéditos no campo científico, Francis Bacon é reconhecido até hoje como um dos filósofos que rompeu barreiras de seu tempo contribuindo para a evolução da ciência.

Ana Luiza Pastorelli e Pacífico - 1º ano Direito Diurno

As diferentes formas de compreender o mundo

O filme “O ponto de mutação” apresenta três personagens distintos que debatem sobre as questões políticas, sociais, físicas, culturais, econômicas entre outras que cercam as relações humanas. No entanto, o filme foca principalmente no discurso da personagem Sonia Hoffmann, uma física que defende mudanças urgentes em diversos âmbitos como o político, o ambiental e o cientifico principalmente no que se refere ao interesse econômico em volta dessas áreas. O desmatamento da floresta amazônica para a criação de gado e a utilização da ciência para o desenvolvimento militar são exemplos dos quais a crítica da personagem é direcionada.
Mas o ponto central da discussão entre as três personagens está na questão da visão mecanicista que domina diversos aspectos da vida humana e também da natureza. É feito uma analogia com relação a um relógio antigo, onde se questiona a mecanização da vida e da natureza, como se verifica na fala de Sonia sobre a natureza: “Você desmonta, reduz a um monte de peças simples e fáceis de entender, analisa-as e ai passa a entender o todo”. Esse discurso é uma crítica a delimitação da análise de um assunto sobre um único aspecto, ou seja, é preciso ter uma visão global sobre a questão analisada e principalmente é preciso buscar entender as conexões de um assunto com outro.
Essa ideia do mundo como uma máquina perfeita está presente no pensamento cartesiano no qual Sonia combate com o “pensamento ecológico”. No pensamento ecológico defende-se uma visão cientificista sobre os aspectos da vida, propõe uma sociedade sustentável que não diminui as possibilidades das próximas gerações.
No filme tem-se constantemente a contraposição de ideias acerca dos mais variados assuntos. Porém, o que se busca entender é se diversos aspectos políticos, econômicos, sociais entre outros são válidos na realidade atual. 

Júnior Henrique de Campos - 1º Direito noturno.

Sobre a retórica visão cartesiana.

  O título do filme "Ponto de mutação" remete intrinsecamente à mudança que as personagens esperam do mundo, remete, em especial, a nova ótica que advém dessa transformação ou que, de certa forma, a torna possível.
  O encontro entre as personagens evidencia pontos de vistas e realidades distintas em conflito durante todo o desenrolar da trama. A personagem Sonia Hoffmann é a responsável por expor a necessidade da evolução do pensamento político e que esta mudança ha de transformar todo o contexto social. Segundo a cientista, o pensamento do homem atual funciona sobre mecanismos cartesianos, isto é, pensa os eventos isoladamente quando seria importante um olhar contextualizado que compreendesse o todo. Politicamente falando, é impossível alcançar esse "novo olhar" se analisa-se os problemas sociais separadamente, sem considerar que eles estão interligados. O exemplo concebido está relacionado ao avanço na medicina que em contrapartida fez com que essa passasse a ser efetivamente concedida apenas à classe dominante. 
  A suposta evolução é na verdade uma regressão mascarada, isto justifica-se pelo fato de o sistema ótimo não ser popular, e mais, justifica-se pelo fato de o governo buscar métodos interventivos ao invés de ocupar-se da prevenção dos problemas. A prevenção neste caso está diretamente ligada à preservação do meio ambiente e à sustentabilidade e coloca em xeque práticas como o uso de agrotóxicos.
  O ponto retórico, contudo, é que esse sistema, proposto pela cientista, esse modelo político perfeito é de certa forma inviável pois é vantajoso ao sistema a manutenção dos problemas que leva diretamente às medidas interventivas e, portanto, dentro da política tem poder apenas aqueles que relutam no pensamento fragmentista e cartesiano. E em fato isso mantém a ordem patriarcal e assistencialista. 

Saber é poder

      Francis Bacon era defensor da interpretação do mundo através de experiências e refutava a filosofia clássica, a qual se utilizava muito do plano das ideias, de um mundo metafísico. Criticava pois dizia que ela não havia contribuído em nada para alguma mudança significativa da condição humana.
      Afirmava que à medida que se sabia mais, detinha-se mais poder. Ou seja, o poder, seja ele econômico, político estava vinculado à sabedoria.
      Todos os dias, notificações advindas das mídias evidenciam a proporcionalidade entre poder e ciência. É evidente que quanto mais se investe em pesquisas, estudos e projetos, mais obtêm-se o retorno em qualquer que seja o campo de trabalho. Seja na informática, nos equipamentos bélicos, na medicina ou no cuidado ambiental. Os estudos mostram-se sempre essenciais já que só é possível evoluir em determinados assuntos, quando há um interesse por eles e um grande debruçamento sobre os estudos naquela área.
      Com objetivo da obtenção de poder, observa-se cada dia mais a competição de países em busca de novas tecnologias, inovações. Contudo percebe-se que não são todos os países que disputam essa corrida igualmente. Os que possuem maiores verbas destinadas à pesquisa, destacam-se no campo, devido ao maior incentivo. Já em países, como o Brasil, nos quais as verbas voltadas a esses destinos são diminutas, as pesquisas são escassas e pouco valorizadas, apesar da ânsia dos alunos pelo reconhecimento e valorização.
      Estabelecendo essa correlação pode-se concluir como os estudos de Bacon ainda permanecem atuais.
Que apesar de séculos terem se passado, desde sua época até hoje, nações corriam, correm e correrão em busca de poder.

O que há de desconexo com a humanidade

É da autoria de William Blake (1757-1827) a seguinte fase:” Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito”. Assim, ele afirma que o homem não tem uma percepção clara das coisas a sua volta e analisa, metaforicamente,  a sociedade, o mundo, o universo, como um grande relógio, estudando cada parte separadamente, sob uma óptica cartesiana. Sua percepção do que ocorre ao seu redor é desconexa, separando política, ciência e artes humanas.

As atividades políticas que o homem realiza são egocêntricas e não coletivas. Cada nação pensa no que é bom para sua própria população sem sequer se importar com as consequências disso num nível mundial. Cada país possui políticas individualistas no cenário internacional, e usa a tecnologia de modo imediatista sem ponderar os efeitos que poderão ser causados no futuro num frenesi que procura suprir a demanda que, paradoxalmente, é criada para ele mesmo.

A ciência é tomada como ferramenta dessa política. Porém,  sem representar um estudo consciente que procura criar o melhor futuro para o homem, entender o cosmos e a vida, mas sim  apenas proporcionar armamento bélico ou agrotoxicos danosos ao solo. Logo, a ciência não é tida como uma fonte de reflexão e conhecimento; é vista de modo desconexo à nossa participação humana no planeta.

Por fim, as artes humanas são desprezadas no mundo contemporâneo. A arte, literatura e poesia não são nada mais que meros “pendulicários” do homem moderno, enquanto que deveriam representar uma reflexão profunda sobre o nosso agir em consequência com toda a vida na Terra.


De fato, o método de análise cartesiano foi de notável contribuição para o homem. Contudo, não basta mais analisar cada fator de nossa vida desconexamente, como partes de um grande relógio, mas estabelecer um ponto de mutação de nossa sociedade: a aplicação de um pensamento político dotado de responsabilidades científicas guiados pela ética e e reflexão humanas.

Carlos Eduardo Milani Neme - 1º ano direito matutino (turma XXXI)

O Real Pelo Real

Francis Bacon(1561-1626) foi intelectual, filósofo,político e é considerado um dos pais da ciência moderna.Assim como seu contemporâneo  Descartes,Bacon teve como objetivo romper os dogmas da ciência de sua época,dogmas estes que fizeram o conhecimento humano se arrastar durante os séculos da idade média.
Para Bacon a experiencia devia ser o modo máximo de analise.As clássicas divagações do pensamento grego/aristotélico eram para ele atrasos no caminho da descoberta da verdade.O empirismo,a observação da realidade  através da experimentação e a analise dessas experiencias era o método a ser seguido para atingir a verdade cientifica proposta por Bacon.
Em sua obra Novum Organum,Bacon descreve a presença de "ídolos",falsos modos de analise que levam aos erros científicos.Suas formas são variadas mas derivam da faltas de analise do mundo real e dos devaneios imaginativos,que se desviam da analise empírica do mundo real,tão prezada por Bacon.
Através da obra de Francis Bacon a ciência a partir dele foi mudada,com a quebra dos dogmas aristotélicos medievais foi possível avançar em vários campos e analisar o mundo de uma forma mais precisa,definindo o mundo real atraves da analise da realidade.


Ciência verdadeira

     Francis Bacon, considerado como fundador da ciência moderna, criticava a dialética, que para ele mais servia para firmar os erros do que para encontrar a verdade, criticava também os gregos, que praticavam o exercício da mente sem que houvesse construção de conhecimentos factíveis (a mente guiava a si própria). Afirmava que não se lograria grande progresso nas ciências através de antecipações.
     Para o pensador a ciência deveria ser um instrumento útil na luta contra a natureza, que não pode ser vencida, se não quando lhe obedece, a interpretação da mesma constitui a única forma de compreendê-la. Assim o exercício da mente deveria ser feito através da experiência e da racionalidade, defendia o empirismo.
     Pelo método baconiano, que consistia num nova maneira de estudar os fenômenos naturais, a mente humana seria bloqueada pelos "ídolos", sendo eles os da tribo, que são as distorções provocadas pela própria mente humana, provocadas pela interferência das paixões e incompetência dos sentido; os da caverna, que são os homens enquanto indivíduos, suas relações estabelecidas com o mundo, como a educação, a formação, as leituras e etc; os do teatro, que são as doutrinas filosóficas, representações impregnadas de equívocos e superstições. Apenas após a desvinculação desses ídolos é que seria possível chegar a verdadeira ciência.
      
Bruna Midori Yassuda Yotumoto- 1º ano diurno

Problemas interligados

O filme Ponto de Mutação, baseado na obra de Fritjof Capra, retrata o casual encontro de três personagens e suas diferentes formas de pensar. Durante o enredo, a personagem Sonia Hoffmann relata sobre a extrema necessidade de mudar a maneira de ver o mundo, fato que permanece atual na sociedade, deixando de lado o paradigma cartesiano de que a natureza funciona como uma máquina ou um relógio e de que os problemas sociais estão fragmentados.
A falta de perspectiva no mundo não permite que o homem veja as conexões de todos os problemas e pendencias presentes. Além disso, a crise de percepção dificulta as possíveis resoluções já que a solução de apenas um dos problemas será efêmera e temporária por estar relacionado a outro problema ainda não resolvido. Por exemplo, os problemas ecológicos e os problemas na alimentação afetam a saúde humana o que acarreta em uma menor qualidade do sistema de saúde pública visto que é necessário desviar recursos que seriam disponibilizados para problemas de saúde de caráter natural; ou seja, a tentativa de solucionar apenas um desses problemas será inútil e desgastante uma vez que aqueles que não foram solucionados reativarão a questão anteriormente resolvida.
Por tanto, é imprescindível alterar as ideias, as instituições e os valores concomitantemente, desapegar-se de pensamentos obsoletos e individualistas visando à percepção de que a natureza é viva e nela tudo se encontra fortemente ligado - sem começo e sem final -, colocando fim à crise da percepção e promovendo a resolução dos problemas sociais.


Gabriela Mosna – 1º ano Direito Noturno

“Saia da caixa”

 O sentimento generalizado que habita os indivíduos do mundo contemporâneo é de que não se tem tempo para mais nada, o de que Cronus acelerou o relógio para nos punir por algo e assim termos, muitas vezes, que deixar de lado aquilo que gostamos de fazer por algo que a sociedade exige de nós. Não temos tempo nem para perceber que os únicos culpados disso somo nós mesmos. O pensamento fragmentista de Descartes, como apresentado no filme “Ponto de mutação”, nos levou olhar o mundo em pedaços e em muito influenciou o nosso modo de vida atual.
O homem sistematizou o mundo, desumanizou a si mesmo e individualizou tudo. Criamos um sistema no qual estamos fadados ao esgotamento de tudo, sejam dos recursos naturais, seja de nós mesmo, com a finalidade única de nutrir a si próprio. Na proposta inicial de entender o que é, de enxergar a realidade do mundo em que vivemos, caímos em uma armadilha e nos desconectamos do próprio.

Para alterar esse estado, respirar o ar da liberdade, ter tempo de fazer “tudo e mais um pouco” precisamos olhar para o que existe fora desse nosso “sistema”, ou seja, o mundo real e nos reconectar com a nossa natureza, ver as coisa de forma completa, analisá-las como um todo, com o todo.


Helionora Mª C. Jacinto

Uma nova forma de ver o mundo

Um encontro entre uma ex-física, um político e um poeta no filme “Ponto de Mutação” gera várias discussões e questionamentos, desde a política até a física moderna. A ex-física tenta mudar o jeito de o político ver o mundo. Mostra que os problemas mundiais não devem mais ser vistos sob uma visão mecanicista, baseada no método de Descartes, no qual os problemas devem ser fragmentados e resolvidos isoladamente. Para ela, hoje esse método está ultrapassado, chegando a ser nocivo, e precisamos de uma nova maneira de entender a vida, mais ampla, pois todos os problemas estão ligados. Precisamos mudar nossa maneira de ver o mundo para depois tentarmos resolver os problemas, que estão conectados a uma crise de percepção. Como exemplo temos a medicina mecanicista que apenas bloqueia os mecanismos da doença, mas não cura. O certo seriam políticas para aumentar o preço da carne, o que diminuiria o consumo dela, causando menos problemas à saúde, mas essa ação iria contra os frigoríferos e os Estados que dependem da exportação da carne pra economia. Assim, o político mostra que essa ação seria inviável atualmente, pois a política está tão ligada à economia, que qualquer político que vá contra esta, não consegue se eleger. Com essa e outras discussões, o filme levanta várias reflexões sobre a vida e o mundo.

À procura do verdadeiro conhecimento

Francis Bacon (1561-1626), famoso filósofo inglês, questionou a filosofia tradicional além de criticar a metafisica em sua obra “Novum Organum” na qual busca um novo método de obtenção de conhecimento verdadeiro e de investigação dos fatos. Analisou também os denominados ídolos os quais são considerados, pelo autor, os responsáveis pela falsa compreensão dos fatos.
O questionamento à filosofia tradicional está pautado no empirismo. Bacon era contra a ciência como mero exercício da mente à medida que argumentava só existir verdade, clareza, certidão naquilo que se pode experimentar e observar e nunca permitir que a mente se guie sozinha, sem provas reais. A crítica à metafísica se estabelece no fato de que esta é o estudo do ser e das coisas a partir da dimensão das ideias o que contraria claramente a atitude empirista do filósofo.
Já os ídolos são de quatro categorias: da tribo, da caverna, do foro e do teatro. O primeiro compreende nos erros provocados pelas distorções da mente humano com relação aos sentidos o que influenciou a psicologia. O segundo vincula-se ao conhecimento, à formação e às relações do indivíduo com o mundo em que vive. O terceiro pauta-se no falso conhecimento apreendido nas associações do indivíduo decorrente do comércio e do consórcio já que se baseia no discurso que muitas vezes usa de palavras utilizadas de forma incorreta, forçando e perturbando o intelecto. O último refere-se ao completo consentimento de muitos indivíduos com filosofias, princípios e axiomas da ciência que apenas relatam mundos fictícios sem qualquer comprometimento com a realidade.
Dessa forma, Francis Bacon revolucionou uma nova forma de busca pelo conhecimento verdadeiro a partir de seu método que se chocava com as ideias tradicionais de que a verdade pode ser conquistada por meio do raciocínio com quase ausência de empirismo. Além disso, conseguiu pautar quatro interferências negativas, que permanecem assombrando a atualidade, para o alcance do verdadeiro conhecimento.

Gabriela Mosna – 1º ano Direito Noturno

Relativa Revolução

                Por muito tempo, filósofos como Descartes e Bacon foram tidos como portadores da verdade universal. Por inserirem o conceito de uma ciência desvinculada de religião, misticismos e crenças que não pudessem ser provadas, foram tidos como grandes revolucionários. E foram. Mas até que ponto pode-se afirmar que essas ideias ainda são revolucionárias?
                De acordo com a personagem Sonia, do filme “Ponto de Mutação”, ícones da ciência como os filósofos citados, tiveram sua grande contribuição para a sociedade, mas é preciso reconhecer que assim como um relógio é útil e inovador até certo ponto, pode ser considerado obsoleto se comparado às tecnologias que permitem acoplá-lo a tecnologias ainda mais avançadas.
                A percepção de que algumas ideias já não são convenientes, da possibilidade de evoluir dentro de um sistema maior compreende um “ponto de mutação”. Esse momento é quando as certezas são questionadas e surge a possibilidade de novas percepções, novas concepções e consequentemente, atitudes inovadoras.

Ana Luiza Pastorelli e Pacífico - 1º ano Direito - Diurno

Um trabalho interior

"Sentir o universo é um trabalho interior" 


Monte Saint-Michel é parte de um conjunto de fortificações que, na Idade Média, marcavam o limite entre as fronteiras feudais. Por conta da sua localização e de seu relativo isolamento, servia como centro de defesa e convivência dos mais diferentes setores sociais, o que deu origem à heterogeneidade das cidades burguesas. De maneira análoga, a ilha francesa serviu ao filme Ponto de Mutação (direção: Bern Capra) como um foco ao qual diferentes histórias e ideias se encontram, entram em conflito e aprendem a conviver, isolando a si mesmos das influências externas e focalizando nas diferentes teorias, interpretações e percepções acerca da relação entre os seres humanos e entre estes e a natureza.
O filme trabalha a questão da parte e do todo. De um lado há a concepção que se inicia com os estudos de Descartes, criador do método dedutivo racional, e que se concretiza com as pesquisas de Isaac Newton. O paradigma Newtoniano-Cartesiano aponta que, para que o todo seja conhecido, faz-se necessário fragmentá-lo, o que criou as bases para a "especialização" do conhecimento, ou o saber que fica cada dia mais técnico, restrito. De outro lado, há o paradigma holístico (do grego "holos", todo), a ideia de que um sistema não pode ser limitado à soma de seus componentes.
A grande crítica de Ponto de Mutação está na necessidade de uma mudança de valores. Se a ciência representa a incerteza, o incompleto e o impreciso, há a urgência de deixá-la de lado e pensar no universo como um organismo vivo, o qual é sim composto por partes, porém interdependentes. Assim, Capra propõe uma nova forma de enxergar o mundo: não se pode pensar a economia distante da esfera social, ou esta aparte do âmbito da natureza. A teoria indica que os problemas de sistemas como a humanidade, da natureza, ou mesmo dos indivíduos está na falta de percepção do todo, uma vez que, na tentativa de trabalhar apenas uma das partes, não se leva em consideração o feito geral e a longo prazo. Com isso, o filme utiliza como metáfora as "partes" diferentes - a física (ciência), a poesia (arte) ou a política - interagindo depois de muito tempo isolados em suas próprias realidades, solidificando o que aponta a teoria holística: juntos sanam seus problemas, juntos se completam.

Sofia Lopes Andrade - Noturno

Bacon com ovos

Dentro de capelas e monastérios,
entre defuntos gregos e romanos,
resolve a Igreja os mistérios
que tem atormentado nós humanos.

"Deus é a resposta universal!
Decorre na Terra Sua vontade!
Não questiones se paradoxal!
Comei, rezai, praticai a bondade."

Porém, essas verdades absolutas
atormentaram alguns pensadores
e estes tiveram de questionar.

Bacon proclamou a experiência
como o instrumento da verdade.
Fundamentou as bases da ciência:
racionalismo na veracidade.

Ao atestar qualquer fato, dizia
o filósofo, era a razão
quem guiava através de sombrias
águas, como capitão.

Confiou à mente e aos sentidos
que obtenham da natureza tudo
quanto seja informação empírica.

Saudaram-lhe homens do empirismo
apertaram cientistas sua mão
pois minou as forças do teocentrismo
sem ignorar Deus, fonte da razão.

Foi feito pai da ciência moderna,
e junto dessa tão ilustre filha
morreu sozinho, sem nenhum herdeiro.
Mas a primogênita perdurou.

Homens viram pó; cidades, ruína
mas algumas ideias atravessam
os séculos; assim Bacon viverá.

André Luis Sonnemaker Silva - 1º ano Direito Diurno - Turma XXXI

A presença da Antiguidade na mundo hordierno

    Quando falamos em ciência, a citação de Descartes é inevitável: criador da ciência moderna, rompeu com a forma de pensamento até então, questionando a veracidade de seu conhecimento como forma de reformulá-lo, livrando-se de dogmas.  Em seu método defende a fragmentação do objeto de estudo para compreender cada mínima relação, o que, de fato, ocorre hoje, visto que especializações são cada vez mais presentes em nossa sociedade.
    Para ele, a ciência é um instrumento de promoção do progresso humano, visando fazer do Homem o princípio do conhecimento, afastando-se das formas sobrenaturais e convencionais de conhecer, em que o Homem é mera ferramenta pela qual o conhecimento flui vindo de um plano superior.  Não obstante, mantém sua crença na religião, alegando usar a ciência para desvendar os enigmas divinos, utilizando para isso a idéia bíblica de que o Homem é senhor do universo.
   Sua presença na atualidade faz-se marcante em inúmeros campos do conhecimento, entre eles o Direito: sua lógica contribuiu para a superação do Direito Canônico para o Direito Laico, além de contribuir para o desenvolvimento deste com seu método, visto que cada vez mais o judiciário necessita inovar com diferentes formas de julgamento, já que o Direito torna-se obsoleto com grande rapidez.

A fundamentação da ciência moderna

   Assim como Descartes, Francis Bacon mostrava-se calcado em uma razão com fins úteis, também criticando a falta de fins da filosofia grega; porém enquanto para Descartes o Homem existia devido à razão, para Bacon a razão existia devido ao Homem.
   Segundo Bacon, só existe clareza no que pode ser obtido pela experiência, logo, não há clareza em deduções; esta perspectiva está enraizada na ciência jurídica, visto que a presença de provas é imprescindível em um julgamento.
   Tal filósofo influenciou também a classe burguesa, já que o conhecer, segundo sua visão, deveria ser instrumentalizado para a modificação da situação humana, que nada mais foi do que a Revolução Industrial, responsável por fundamentar um novo processo civilizatório.
   Além disso, via a exploração da natureza como a única forma de interpretá-la e vencê-la, o que nos mostra, mais uma vez, a atualidade do pensamento baconiano, já que a exploramos interminavelmente, enxergando-a como mera servidora da humanidade.
   Por fim, sua idéia de método também é muito importante, visto que defende que a ciência e sua metodologia poderiam antecipar o acaso, como ocorre hoje ao anteciparmos os fenômenos naturais; desta forma, seu método consista no estabelecimento de graus de certeza, separando o alcance dos sentidos, que era o conhecimento empírico, do labor da mente, impregnado de concepções próprias.

Metodologia experimental

Francis Bacon foi um filósofo e político inglês nascido em 1561. Com sua metodologia experimental, Bacon quis mudar a ciência de seu tempo, opondo-se a filosofia de Aristóteles e de vários filósofos gregos, por achar que elas não serviam para melhorar o bem-estar do homem. 
Em sua obra "Novum Organum", ele propõe um novo meio para chegar a verdade, no qual a mente não poderá mais guiar-se por si mesma, mas sim ajustar-se a mecanismos da experiência. O homem deveria explorar a natureza buscando interpretá-la e vencê-la, a fim de chegar a uma ciência útil. Ele propõe dois métodos para isso: cultivar as ciências já existentes ou buscar novos conhecimentos através da exploração da natureza.
Para Bacon, se quisermos chegar a uma verdadeira ciência, precisaríamos abandonar nossos ídolos, que ele dividiu em quatro: ídolos da tribo, ídolos da caverna, ídolos do foro e ídolos do teatro. O primeiro se refere a distorções na leitura de mundo através das nossas paixões e sentidos; o segundo a distorções causadas pela nossa formação educacional, por autores que já lemos, por livros com os quais nos identificamos; o terceiro a distorções causadas pelas relações com outras pessoas ou grupos, que aconteciam na sua época nas feiras e em festas da nobreza; a quarta a distorções vinculadas a superstições, como naquela época a influência da astrologia e da magia era forte.

A ciência na luta contra a natureza

       Francis Bacon defendia a necessidade de uma ciência que fosse capaz de transformar, e portanto criticava a filosofia clássica, que segundo ele não servia ao bem estar do homem. Além disso, acreditava que os sentidos são enganadores, visto que "o homem se inclina a ter por verdade o que prefere".
        Dessa forma, Bacon desenvolve um metódo que busca alterar esse modo de ciência até então conhecido, para isso utiliza-se do Empirismo, valorizando a pesquisa experimental. Primeiramente, deveria-se observar a natureza para coletar dados, os quais seriam então organizados para que a partir deles fosse possível a formulação de hipóteses, as quais buscaria-se posteriormente, através de experimentações, comprová-las.
        Ele buscava com isso, um conhecimento que fosse útil, capaz de empreender grandes obras na natureza. Assim, nota-se que Francis Bacon teve grande importância na construção da ciência, tal como conhecemos hoje, sendo um dos pioneiros na sistematização dessa. 

                        Vitória Vieira Guidi - 1º ano Direito Diurno

Constante interligação


                O filme “Ponto de Mutação” é composto por uma discussão entre três pessoas atuantes em diferentes áreas: um físico, um político e um poeta. É responsável por levantar diversos questionamentos acerca da vida humana, bem como incitar determinadas reflexões. Abordando diversificadas ponderações, possui como foco principalmente a questão ambiental atrelada ao desenvolvimento econômico em voga.
                Levando em consideração o progresso da humanidade, fala a respeito do desenvolvimento de um pensamento pautado no método cartesiano, no qual as pessoas têm a tendência de observar os problemas separadamente.
                Coberto, portanto, de uma crítica ao modelo econômico vigente, passa a ideia de que se deve olhar os problemas humanos como um todo, e não dividi-los. Deve-se também pensar nos recursos naturais como limitados, sendo necessário o desenvolvimento de um pensamento sustentável.

                Partindo da observação das ações individuais e seus efeitos e consequências no mundo sob diferentes pontos de vista, nota-se que as respectivas ações humanas encontram-se todas interligadas, não possuindo um efeito isolado. Desta forma, é necessário pensar em um mundo cujas próximas gerações estejam passíveis de boa convivência aliada a um uso coerente e controlado dos recursos ambientais.

A Teia

Ao abordar três pensamentos distintos, através de um político, uma cientista e um poeta, o filme "Ponto de Mutação" leva à uma viagem pelo mundo da Filosofia e da Ciência, trazendo questões e considerações de extrema importância.
Critica-se assim, a Política, por criar uma imagem falsa do candidato, que buscando se eleger, passa a ser tudo aquilo que a população almeja, além dela utilizar-se do método Cartesiano, buscando analisar de forma fragmentada a realidade , não conseguindo portanto compreendê-la,  nem transformá-la efetivamente. Porém, essa fragmentação do pensamento não é, de modo algum, restrita ao campo da Política, atingindo a Ciência e a sociedade como um todo.
A Ciência também sofre duras críticas por não prevenir os cientistas das possíveis aplicações de suas pesquisas e sua influência na vida das pessoas e no planeta, o que faz com que estas novas descobertas sejam muitas vezes utilizadas de forma equivocada, para fins completamente distintos daqueles inicialmente propostos (sendo grande parte direcionada a fins bélicos). Até mesmo a Poesia, quando utilizada apenas como forma de fuga e isolamento, é questionada.
As três formas de pensamento, por mais distintas que possam parecer, acabam de certa forma se convergindo, mostrando que deve-se sempre questionar, buscando conhecer realmente o mundo ao nosso redor, não esquecendo-se contudo que o homem é um ser social e necessita do contanto, do convívio com outros seres humanos, também nota-se a necessidade de um desenvolvimento sustentável e de ações concretas, pois apenas teorias não são capazes de transformar.
Com isso, fica evidente a necessidade de mudar, alterar a percepção vigente de mundo , deixando para trás o individualismo e o imediatismo, passando a observar que tudo se relaciona e portanto, para resolver os problemas globais, deve-se primeiramente entender as ligações, conexões entre eles, só assim torna-se possível resolvê-los, melhorando de fato o mundo em que vivemos.
Vitória Vieira Guidi - 1º ano Direito Diurno

A ação me faz falta

René Descartes contribuiu significativamente para a valorização da razão e questionamento dos fatos mundanos, em detrimento da filosofia contemplativa, isenta de fundamentos científicos. Contudo, ele não ressaltou a importância da experiência, de forma a transformar toda a sua teoria em prática. Essa, por sua vez, foi a grande contribuição de Francis Bacon, empirista inglês chamado de “o fundador da ciência moderna”.
Bacon refutou o método científico de antecipação da mente e defendeu o da interpretação da natureza, o qual consiste na experimentação ilimitada em busca do conhecimento. A ideia de que é real apenas o que pode ser provado empiricamente obteve grande importância na área do Direito, uma vez que a prova é fator determinante para o julgamento dos cidadãos. Ele ressaltou o quão perigosa é a falácia dos sentidos, por isso a necessidade de rejeição do labor da mente por si mesma. Se, ao julgar um crime, o juiz fosse influenciado por suas paixões, educação e filosofias, é indubitável que inseriria total parcialidade no caso, aumentando, assim, a injustiça nos tribunais.
Não somente na área do Direito, a influência de Bacon apresentou-se também no ideal de transformação da realidade, a qual foi inserida na mente da burguesia em ascensão, sendo  primordial para a alteração de sua condição social.  No mundo contemporâneo, essa ideia conservou-se: não há sentido algum em se apegar a doutrinas e teorias, sem valorizar a prática. De que adianta uma Constituição “Cidadã”, pregadora da igualdade e justiça, se a realidade denuncia a pobreza, miséria e corrupção?  As manifestações de 2013 demonstraram a quebra da inércia da população, a qual estava, até então, apegada somente a ideias e estéril de ações.
A ciência, segundo Bacon, é infinita, uma vez que serve de alicerce para mais ciência. O principal obstáculo nessa busca interminável por conhecimento é a ilusão sensorial, a qual deve ser refutada e substituída pela experiência. É preciso inovar e explorar a todo instante, a fim de que a práxis cumpra seu papel transformador da realidade e engrandecedor do homem. Como diria Patrícia Rehder Galvão, “a insatisfação intelectual não me basta... a ação me faz falta!”.
Nathalia Nunes Fernandes, Direito Diurno

O relógio humano não traz mudanças

A forma com que as pessoas enxergam o mundo é, indubitavelmente, fator determinante para os fins que este levará. O filme “Ponto de Mutação” aborda diferentes visões por meio de um debate entre uma cientista – defensora de uma ótica funcional – , um poeta que tende a concordar com ela e um político portador de uma visão cartesiana. Cada um deles, ao julgarem o trabalho de um relógio e caminharem pelos arredores de um castelo medieval, debatem arduamente sobre como o mundo deve ser julgado.
Se analisado sob um prisma cartesiano, no qual todas as coisas e relações funcionam como uma máquina, o indivíduo será preponderante ao todo e, dessa forma, para analisar o mundo seria necessário “desmontá-lo” em pequenas seções e analisá-las independentemente umas das outras. Já sob uma ótica funcionalista, as relações mundanas seriam consideradas como um todo, no qual cada parte dele está interligada e depende de outras. Esta última faz com que se crie uma relação em cadeia, originando uma espécie de “teia da vida”. Nela, por exemplo, o problema da miséria e da fome não deve ser analisado isoladamente, mas sim dependente de fatores econômicos, ambientais e políticos, para que seja enfrentado.
Segundo a cientista do filme, Sonia Hoffmann, a população hodierna vive uma “crise de percepção”, sendo a mudança de visão de mundo o primeiro passo para combatê-la. Para ela, os políticos possuem em sua cabeça um relógio que faz com que, ao analisarem uma situação de forma individualista, um problema se torne outro. Assim, ela defende que a criatividade – capacidade de transcender-se – é a principal característica evolutiva do homem e que é necessário a defesa de uma sociedade sustentável, preocupada com os fins que uma relação em cadeia pode causar para gerações futuras.
Sonia, pautada em todos os estudos e reflexões que fizera, demonstrou-se uma mulher farta de conhecimento e preocupação com o andamento das ações antrópicas. Se há tantos problemas no mundo moderno, como a fome, catástrofes naturais, desemprego e precariedade dos sistemas públicos de saúde e educação é porque analisá-lo sob uma concepção individualista não está sendo benéfico em perspectiva alguma. Considerar o todo e a “teia da vida” é a melhor maneira para principiar a melhora nas relações humanas e livrar o planeta de uma catástrofe irreversível. Para isso é necessária coragem para quebrar o paradigma individualista que adoece e atrasa moralmente o homem moderno.
Nathalia Nunes Fernandes, Direito Diurno