O funcionalismo é uma corrente sociológica do século XX que compreende a sociedade como um organismo vivo. Para Émile Durkheim, um dos principais expoentes dessa corrente, o objeto central de estudo são os fatos sociais, que correspondem a tudo aquilo que é produto das relações sociais. Nesse sentido, as instituições exercem função regulatória com o objetivo de manter a ordem e a coesão social. Um exemplo é o direito, que adapta normas às mudanças sociais, preserva o equilíbrio coletivo e protege a saúde pública.
Exemplificando a correlação entre o funcionalismo e o direito, toma-se como objeto de estudo o fato social. Este é exterior, coercitivo e geral, estando tão engendrado nas estruturas sociais que, por vezes, confunde-se com a própria vontade do indivíduo. Como exemplo, o ato de jovens fumarem cigarros e vapes, em uma análise simplista, pode ser considerado como vontade individual motivada pelo interesse dos usuários. O funcionalismo o compreende para além disso: não se trata de escolha aparentemente individual, mas do resultado de inúmeras influências externas, como as redes sociais, o mercado, a sensação de pertencimento e a ideia propagada de jovens revolucionários, transgressores e cools ao consumirem.
Nesse cenário, o direito, em sociedades mais complexas e no contexto capitalista de solidariedade orgânica, não se concentra majoritariamente em punir, mas em um direito restitutivo que regule relações e trocas entre indivíduos com funções diferentes, preservando a estabilidade social. Ademais, o direito tende fortemente a influenciar, moldar e incutir comportamentos na coletividade.
Recentemente, o Parlamento do Reino Unido aprovou lei que impede a venda de cigarros e vapes para pessoas nascidas a partir de 1º de janeiro de 2009, objetivando criar uma geração livre de tabaco. O direito valeu-se, assim, de uma arquitetura normativa para infundir determinada conduta humana. Ainda nesse sentido, pesquisas demonstraram que os gastos com o tratamento de doenças relacionadas ao tabagismo custam ao Sistema Nacional de Saúde, o NHS do Reino Unido, aproximadamente £1,82 bilhão a £2,4 bilhões anualmente. Desse modo, o direito atuou também frente aos impactos econômicos e sanitários relacionados à prática tabagista.
Diante do exposto, é notório que a função do direito consiste em manter o equilíbrio social e a coesão, apresentando mutabilidade frente ao contexto em que está inserido e sendo instrumento central da ordem coletiva.