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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Uma análise weberiana sobre a concepção brasileira de uma Argentina racista em Copas do Mundo.

 A sociologia compreensiva de Max Weber baseia-se no esforço de captar o sentido subjetivo que os atores atribuem às próprias ações, além de analisar as ações propriamente. Conforme explicitado no trecho "Quanto mais radicalmente se diferenciam de nossos próprios valores últimos, mais difícil se torna para nós entendê-los por participação empática", quanto mais algo ou alguém se distancia de nós, mais difícil será compreender suas ações. Essa advertência é central para pensar a rivalidade Brasil-Argentina. 

Um observador externo, ou mesmo um torcedor de um dos dois países, pode ter dificuldade em compreender porque o outro lado interpreta certas provocações como racismo, e não como simples parte do folclore da rivalidade esportiva. A compreensão exige reconstruir historicamente os valores últimos em jogo: de um lado, memórias de exclusão racial e uma sensibilidade brasileira moldada por debates sobre miscigenação; de outro, uma narrativa identitária argentina historicamente construída em torno da branquitude europeia. 

Dessa forma, para entender a visão que o Brasil possui da Argentina (de modo geral), é preciso, inicialmente buscar compreender o tipo ideal de um torcedor de futebol - sobre isso, vale ressaltar que tipo ideal não é sinônimo de algo positivo e idealizado, mas sim algo que possui como único princípio e motivação, o racional, sem estar sujeito a implicações subjetivas. Após isso, deve-se indagar sobre o que, culturalmente, levou a alegação de racismo e, sobretudo, como se desenrolou a cultura racista no futebol. Antes da ação, Weber afirmava que vinha a motivação, do interior de cada um para a vida em sociedade. 

Nessa correlação está o desenvolvimento deum pensamento sólido, de modo que é necessário comparar o tipo ideal e a ação real, tornando assim possível a resposta de algumas principais questões:

  • Por que o Brasil torce contra a Argentina? A alegação de que o motivo é o racismo é abarca toda a questão ou apenas parte doproblema?
  • Por que o Brasil acusa a Argentina de racismo?
  • O Brasil não é racista? A crítica ao outro país é, portanto, justificada?
  • Por que a Argentina é racista?

Assim, a tarefa do sociólogo weberiano diante desse fenômeno não é validar ou desmentir moralmente as acusações de racismo, mas reconstruir, com rigor conceitual, os valores últimos que tornam essa interpretação compreensível para quem a formula - mesmo quando esses valores diferem radicalmente dos nossos. Com isso, compreende-se que Weber, ou mesmo um sociólogo competente (em sua visão) deve ser objetivo, mas jamais neutro, pois ele acreditava que a neutralidade é a escolha pelo mais forte.

Ana Clara Cestari Diniz

Direito matutino - 1º semestre em 2026