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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Influenciadores digitais: carisma ou estratégia? A dominação carismática nas redes sociais

Na era da informação, da internet e da conectividade, os influenciadores digitais tornaram-se figuras centrais na divulgação cultural, ditando tendências e moldando comportamentos. Sob a ótica da sociologia de Max Weber, a adesão a esses agentes pode ser interpretada, inicialmente, como uma forma de dominação carismática. Nesse modelo, a autoridade não deriva de leis formais ou da ocupação de cargos institucionais, mas sim por qualidades extraordinárias percebidas pelo público, como estética, inteligência, oratória e uma aparente autenticidade.

Ocorre que o carisma clássico weberiano é uma força espontânea e quase mística. Essa definição entra em contradição direta com o ecossistema digital contemporâneo, no qual a imagem pública é meticulosamente projetada por meio de ferramentas como storytelling, métricas de algoritmos, estratégias de engajamento e equipes especializadas em comunicação. Diante disso, surge o questionamentoum carisma friamente planejado e mercantilizado ainda pode ser considerado carisma?

Percebe-se que muitos influenciadores não são líderes carismáticos autênticos, mas sim produtos de uma sociedade profundamente racionalizada. A racionalização, processo que Weber descreve como a organização da vida social com base na eficiência, no cálculo e na previsibilidade, converte a afeição e a conexão humana em métricas quantificáveis de curtidas, alcance e taxas de conversão. O que deveria ser uma vocação individual transforma-se em uma estratégia fria de mercado.

A consequência mais grave desse processo é a substituição da autoridade técnica pela autoridade performática. Graças à manipulação dessas engrenagens de visibilidade, indivíduos sem formação acadêmica ou validação científica passam a ditar regras sobre áreas complexas do conhecimento. Casos como o de Maíra Cardi na nutrição, de perfis como o "Menino da Lei" na consultoria jurídica, ou de criadores de conteúdo que prescrevem treinos e dietas sem registro profissional, ilustram como a engrenagem do engajamento sobrepõe a notoriedade algorítmica ao conhecimento especializado.

Assim, o ambiente digital consolida um cenário paradoxal: a ilusão da proximidade carismática é vendida como mercadoria, enquanto o saber científico e a responsabilidade técnica são obscurecidos pela estética do convencimento diário nas redes.


Amanda Akemy Henrique Takii - Direito matutino

O tipo ideal do Poder Judiciário

         No âmbito jurídico, existem diversos auxiliares da Justiça e agentes responsáveis pelo funcionamento do Poder Judiciário. Entre eles, destaca-se o juiz, cuja principal função é exercer a jurisdição, aplicando a lei e solucionando conflitos. Nesse contexto do ordenamento jurídico, espera-se que esse profissional atue de forma imparcial em suas decisões. Assim, a própria estrutura normativa estabelece um modelo de conduta para o exercício da magistratura. 

Diante desse cenário, à luz da sociologia compreensiva de Max Weber, esse modelo pode ser compreendido como um tipo ideal, isto é, uma construção teórica que reúne as características essenciais para o desempenho da função. Por isso, o “juiz ideal” decide com base exclusivamente na lei, nas provas produzidas nos autos e na fundamentação jurídica, sem permitir que interesses pessoais ou influências externas interfiram em suas decisões. Entretanto, na realidade, o trabalho dos magistrados nem sempre acontece da forma prevista pelo tipo ideal, visto que questões como o adiamento de audiências, a insuficiência de provas, o elevado volume de processos e a demora das sentenças demonstram que a prática nem sempre se aproxima do tipo ideal.

Portanto, o tipo ideal não descreve exatamente a realidade, mas funciona como um parâmetro que permite comparar a atuação dos magistrados concretos com o modelo de imparcialidade e racionalidade esperado pelo ordenamento jurídico. Ademais, o tipo ideal não corresponde à realidade cotidiana em sua totalidade, pois consiste em uma construção teórica que enfatiza determinadas características de um fenômeno social para possibilitar sua compreensão e análise. Dessa forma, ao comparar esse modelo com a realidade, torna-se possível identificar as diferenças entre o comportamento esperado e a prática efetivamente observada na sociedade.


Renata Alves Castilho - 1° ano - matutino


Blog 30/07 - Caroline Hellwig Travassos - O fanatismo sob a perspectiva da Sociologia Compreensiva.

O fanatismo é definido pela adesão cega, apaixonada e irracional a uma causa, ideia, religião, partido político. O indivíduo fanático perde o seu senso crítico e acredita fielmente que suas crenças são absolutas e inquestionáveis, se fechando para a pluralidade por sustentar uma visão de que os seus ideais são os certos/ do bem e os ideais contrários aos seus são errados/ do mal e podendo reagir até de forma violenta à diversidade.

 A partir de uma visão simplista podemos encarar esse tipo de pessoa apenas como irracional, preconceituosa ou até mesmo considerar uma falta de caráter por parte dessa, entretanto, ao analisar esse cenário a partir da perspectiva da Sociologia Compreensiva de Max Weber, somos capazes de entender esse indivíduo fanático por completo e até compreender a racionalidade por trás de seu comportamento.

 Por exemplo, ao analisarmos a partir da teoria de Weber uma situação real como a acontecida em 2022 em Irati(PR), na qual durante uma manifestação a favor do ex-presidente Jair Bolsonaro alguns manifestantes fanáticos passam a realizar uma espécie de culto a um pneu de caminhão, podemos chegar a conclusão de que na verdade essas pessoas estão desacreditadas e até mesmo desesperadas com o cenário político brasileiro e ficaram suscetíveis à dominação carismática de um líder messiânico e estão sendo manipulados por uma ação afetiva a aderirem cegamente a uma causa que possuem a convicção de ser pura e de ser a melhor opção para o país.