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domingo, 21 de abril de 2019

A pseudo ordem de Carvalho

No início do século XIX na França, o filósofo Auguste Comte foi o responsável por fundar o Positivismo, corrente de pensamento que tinha como objetivo descobrir e estabelecer leis gerais para a sociedade baseando-se na sucessão de fenômenos e suas similaridades, assim como existem leis para as ciências da natureza. Além disso, o pensamento positivista busca diagnosticar problemas nas instituições sociais que danifiquem a ordem, a fim de restabelecê-la assim que possível. 
À luz desse pensamento é possível estabelecer uma relação com as ideias do ensaísta brasileiro Olavo de Carvalho. Em sua obra "O Imbecil Coletivo", texto "Mentiras Gays", o escritor utiliza de uma lógica positivista de manutenção da ordem para explicar características da realidade dos homossexuais e tentar desmistificar o que ele chama de inverdades.
Olavo tenta convencer o leitor de que os homossexuais estiveram em posições de opressão diversas vezes ao longo da história, através de uma inversão de papeis e utilização de exemplos de ditadores cruéis supostamente gays. Ele também atribui caráter natural e necessário à heterossexualidade e coloca a homossexualidade no patamar de uma simples escolha, e dessa forma, defende que o preconceito é uma mera expressão de opinião que deve ser aceito por se tratar de algo inerente a essa opção sexual. Além disso, Olavo de Carvalho utiliza de uma argumentação baseada em conceitos biológicos de amadurecimento do corpo humano para fazer uma analogia desonesta entre homossexualidade e pedofilia.
Contudo, o discurso do escritor ignora completamente toda a discriminação sofrida por homossexuais ao longo da história e no cotidiano. A dificuldade de aceitação da sociedade brasileira em relação à população LGBTQ+ é demonstrada pela baixa representatividade de homossexuais em cargos políticos, ataques homofóbicos nas redes sociais e principalmente nos altos índices de homicídios de pessoas gays e trans. Olavo defende que o preconceito é apenas um exercício da liberdade de expressão, porém, esse preconceito é responsável por ceifar milhares de vidas apenas por uma opção sexual fora dos padrões da "ordem" social. Olavo alega que a homossexualidade é uma mera escolha, mas quem escolheria ser discriminado todos os dias apenas por se relacionar com um indivíduo do mesmo sexo?
Falta a Olavo compreender de que não se trata de uma escolha, um capricho e ou uma mentira, homossexualidade se trata de diversidade, afeto e principalmente, resistência.


Mariana Paz Formigoni Puentedura (Matutino) 
Olavo e o positivismo de Comte 
Olavo de Carvalho é um pensador brasileiro conhecido por defender a corrente ideológica positivista. O positivismo é uma ideológica que ao ser inspirada pela revolução industrial dos anos de 1760 foi criada pelo francês Augusto Comte (1798-1857).  Essa consiste na defesa de ideais que acreditam que apenas seja possível alcançar o verdadeiro conhecimento através da ciência, defendendo o pensamento progressista. Essa corrente ideológica também é bastante criticada por ser contrária à ideologias que pregam a teologia e a metafísica. Além disso é extremamente popular entre os representantes do exército, tanto que é retratada na bandeira nacional brasileira através dos disseres ordem e progresso, lemas da corrente. 
O pensador Olavo de Carvalho também é bastante criticado por se posicionar contrário à movimentos sociais como o movimento LGBTQ+. Em sua obra “ O Imbecil Coletivo”, Carvalho critica a homossexualidade, dizendo que apenas a heterossexualidade possui um valor e um finalidade para a sociedade, que seria o de reprodução e perpetuação da espécie. Dessa forma, a homossexualidade seria apenas um deseja carnal de parte da sociedade, pois não apresenta vantagem para o conjunto. Entretanto, mesmo não sendo algo de valor para a sociedade, todos os indivíduos devem ser respeitados pelo fato de estarem e viverem em comunidade. 

Giovanna Lopes - 1º ano Direito Matutino 

A "imbecialização" do intelectualismo contemporâneo


O Positivismo foi uma corrente filosófica fomentada no século XIX por Auguste Comte (1798-1857), a qual consistia no estudo das ciências humanas a fim de colaborar para o progresso científico, fazendo com que indivíduos obtivessem uma nova forma de pensar progressivamente visto o contexto de Revolução Industrial. Essa ideologia consiste na formação de uma sociedade positiva através da concepção de que a natureza se sobrepõe às ações humanas, ou seja, existe uma ordem natural para o estudo de comportamentos humanos, a qual seria uma forma de estudar cientificamente a sociedade.
Concomitantemente, o historiador contemporâneo Olavo de Carvalho em sua obra “O Imbecil Coletivo” (1996) critica o intelectualismo na contemporaneidade brasileira em que, para ele, distorceu fatos científicos graças aos novos intelectuais que “imbecializaram uns aos outros” e geraram o “imbecil coletivo”, gerando um retrocesso intelectual. Nota-se como exemplo do filósofo o capítulo de seu livro denominado como “Mentiras Gays”, em que o autor demonstra supostas falácias ditas por homossexuais afim desta comunidade conquistar direitos além do que necessitam, segundo o autor. Para ele, os direitos aos homossexuais devem ser os mesmos direitos dados a qualquer outro ser humano, já que aqueles querem ser tratados em igualdade. Sendo assim, algumas das “mentiras” da comunidade apontadas pelo escritor é a de que esta é inferiorizada, discriminada e injustiçada. Entretanto, Olavo “desmente” essa falácia com o argumento de que grandes opressores da História eram gays ou tinham, no mínimo, atração por pessoas do mesmo sexo, como os tiranos Calígula e Mao Tsé-Tung. Ademais, Olavo também acusa o fato de que a homossexualidade não se trata de uma condição inerente ao ser humano, mas sim de uma opção, pois a heterossexualidade se limita à necessidade natural do ser humano de reprodução e, consequentemente, sobrevivência, enquanto a homossexualidade não passa de um desejo. Dessa forma, de forma positivista o autor analisa tal situação como problemática, pois a natureza sobrepõe as ações humanas e, sendo tais ações homossexuais divergentes da ordem natural, estas são errôneas. Consoante, o filósofo determina “O homossexualismo é uma opção; a heterossexualidade é um dado. [...] A prioridade determina a hierarquia. Querer nivelar essas duas coisas é um delírio infantil de onipotência.” (página 236, L: 3 ; 10).
A luz dos pontos citados, pode-se concluir que Olavo de Carvalho segue uma visão positivista, hierarquizada e crítica ao intelectualismo contemporâneo que, para o autor, foi “imbecializado” com mentiras coletivas.

Giovana Silva Francisco - 1º Direito - NOTURNO

Vitimas opressoras


A situação de guerra, para os positivistas, não é analisada como uma circunstância favorável, uma vez que esses pensadores inseridos no liberalismo do final do século XVIII e início do XIX tinham por objetivo o lucro. Nesse contexto, segundo o sociólogo Comte a diversidade no geral é um dos fatores que prejudicam o convívio social e implica em conflitos com chances de envolver materiais bélicos que limitariam a produtividade e, portanto, o reduziria o rendimento financeiro. Dessa forma, segundo essa ideia, a variedade de comportamentos indica que o corpo social foi incapaz de atingir o conhecimento ou que ainda está em elaboração. Esse assunto foi abordado pelo escritor Olavo de Carvalho cuja obra O Imbecil Coletivo (mitos gay) retrata que a diversidade de opção sexual fora do padrão é capaz de desequilibrar a harmonia da sociedade e inclusive instigar a comercialização de humanos. Tal questão pode ser analisada no seguinte trecho do livro “Alguns países islâmicos, onde a instituição do dote para a noiva dificultava o casamento para os homens pobres, tornaram-se paraísos para os homossexuais europeus ricos, (...)”. Dessa forma, além da diversidade de gêneros ser capaz de criar outros tipos de comércios que podem ser configurados como vítimas opressoras também desmistifica a antiga ideia de que a sociedade industrial europeia era um exemplo a ser seguido.

   O filósofo Comte descreve que não há função positiva inferior ou superior, ou seja, a moral social é medido pelo sucesso no exercício da função social. Assim, um milionário que furta e prejudica outro indivíduo (como a compra de meninos para finalidades sexuais) tem menos moral se comparado com um agricultor humilde que abastece alimento para uma cidade. Consequentemente, não se mede alguém  pelo dinheiro, mas mede-se pelo comprometimento e com a obediência às leis naturais positivas sociológicas, isto é, a ordem social é mais importante se confrontado com a ordem material.

Marisa Seiko Endo, Direito noturno. (proposta da atividade: defender a obra de Olavo de Carvalho)

Lei heteronormativa da (falsa) ordem

Auguste Comte, no seu Curso de Filosofia Positiva (1830), desenvolveu o positivismo, corrente filosófica que pregava a utilização de critérios das ciências biológicas e exatas — isto é, o uso do método científico — para o estudo da sociedade, esta vista por ele como um “organismo”. A corrente comtista exaltava a ciência como a única via adequada para a resolução de conflitos humanos e sociais, além de que, enquanto pautada em princípios científicos, buscava por leis que regessem o funcionamento da sociedade com o intuito de compreendê-la e, a partir disso, reorganizá-la; “só o conhecimento das leis dos fenômenos, cujo resultado constante é o de fazer com que possamos prevê-los, evidentemente pode nos levar, na vida ativa, a modificá-los em nosso benefício” (Comte, 1988*), ou seja, sob a perspectiva positivista, as leis são de vital importância para que o ser discirna como mais bem se conduzir em sociedade — “ciência, logo previsão; previsão, logo ação” (Comte, 1988) — e, desta forma, mantê-la em ordem para rumar ao progresso — “a ordem como base; o progresso como meta” (Comte, 1988).

Estes ideais positivistas se difundiram até, posteriormente, atingirem as terras brasileiras com vigor suficiente para que o Brasil seja considerado a segunda pátria do positivismo, tendo este começado a surgir no país a partir de 1850 para, em 1889, alcançar sua preponderância máxima durante a Proclamação da República. A influência deste movimento, entretanto, perseverou durante as rebeliões tenentistas e durante o primeiro governo de Getúlio Vargas, nas décadas de 20 e 30. Verdade seja dita, mesmo na contemporaneidade o positivismo segue a influenciar, inspirando governos como o de Michel Temer e pensadores como Olavo de Carvalho.

Tomando como exemplo este último, Olavo de Carvalho, em seu livro O Imbecil Coletivo (1996), no capítulo “Mentiras gays”, descreve a heterossexualidade não como uma opção livre, mas como uma necessidade, pois a ab-rogação dessa traria a extinção da humanidade e, a isso, acrescenta que “homossexualismo não é uma necessidade de maneira alguma, mas apenas um desejo.” (Carvalho, 1999**). Neste sentido, é plausível afirmar que a heterossexualidade, para Carvalho, é equiparável à uma lei positivista, uma vez que essa representa, no pensamento dele, a ordem que mantém a sociedade viva e em progresso.

Contudo, é imprescindível ressaltar que Carvalho, ultraconservador e preconceituoso, vale-se de argumentos “científicos” falaciosos, como o de que a homossexualidade é uma deficiente, para justificar seu “pensamento filosófico” — ou melhor dizendo, justificar seu próprio preconceito — e incentivar a intolerância contra homossexuais. Em razão disso, sua obra diverge do positivismo e configura, ao mesmo tempo, um desserviço teórico, pois, sendo seus argumentos inverdades, eles são consequentemente ilógicos, contrariando a premissa racionalista do positivismo e depreciando a verdade científica.

* COMTE, A. Curso de Filosofia Positiva. São Paulo: Nova Cultural, 1988.
** CARVALHO, O. Imbecil Coletivo. São Paulo: É Realizações, 1999.

Thayná R. de Miranda - Matutino

Amor? Ordem e Progresso!

Amor? Ordem e Progresso!

Olavo de Carvalho defende o pragmatismo
O direito de expressão do (pre)conceito contra homossexuais
Os gays não precisam de direitos a mais
Só porque são anormais por não terem desejos heterossexuais
É necessário o pragmatismo da relação entre homem e mulher
O positivismo nos argumentos
Ordem nos relacionamentos
Praticidade
Utilidade
Progresso na espécie e na sociedade

Poder se relacionar com quem você quiser?
Pra quê?
Poder sair na rua com quem ama e não ser xingado ou espancado?
Pra que proteção a mais?
Poder não ser julgado simplesmente por sentir desejo por alguém do mesmo sexo?
Pra quê?
Mentira gays

Isabel de O. Antonio – Direito Matutino

Uma andorinha só não faz verão

Uma andorinha só não faz verão

O que fazer
Para superar o paradigma da ciência moderna
E subverter o fascismo?
Deixar de ter uma visão mecanicista
Deixar de ter uma visão racionalista
Unir o que se sabe
Unir o que se sente
Não olhar apenas o presente

Para mudar a ciência e a política
É preciso mais que uma crítica
Passado presente
Causa inconsequente
Não mecanizar a gente

A natureza não é uma máquina
O ser humano não é uma máquina
É onde a ciência e o fascismo erram
Método científico é preciso demais
Futurismo maquinista demais
Descartes criou o mecanismo
Marinetti apoiou o fascismo

A ciência é um organismo
Um ecossistema
Apenas todas as ciências unidas
São capazes de superar o fascismo
Apenas todas as ciências unidas
Superam o paradigma da ciência moderna

Isabel de O. Antonio – Direito Matutino

Razão Irracional

Penso, logo existo
Disse Descartes
A lógica é o fundamento de tudo
Existem verdades absolutas
Uma verdade: todos são iguais perante a lei
São?
A lógica diz que sim
O pensamento diz que sim
A realidade diz que não

A lei não trata todos como iguais
Enquanto um negro tem medo da polícia
Um branco não tem
O branco não sofre racismo das instituições
O negro toma o dobro de cuidado
Quantos casos de policiais incriminando negros sem razão?
Onde está a razão de Bacon?
Onde está a razão de Descartes?

Devemos livrar-nos dos ídolos
Sermos iconoclastas
Disse Bacon
Devemos livrar-nos dos preconceitos
Eles limitam nossos pensamentos
Limitam nossa razão
Quantos casos de policiais incriminando negros sem razão?
Onde está a razão de Descartes?
Onde está a razão de Bacon?

Isabel de O. Antonio – Direito Matutino
Olavo de Carvalho, auto-intitulado filósofo, explora em seu livro “O Imbecil Coletivo” a
homossexualidade em um viés positivista, no capítulo nomeado “Mentiras gays”. O autor
afirma que apenas a heterossexualidade é plenamente normal no âmbito social, visto que
todas as relações dos indivíduos são, de alguma forma, heterossexuais; cita que o
nascimento, por exemplo, é fruto de uma relação heterossexual, mesmo que essa seja
realizada in vitro.
Além de não ser considerada “normal”, Olavo declara que também concebe uma doença,
ao utilizar a nomenclatura “homossexualismo”. Assim, afirma que a designação de “opção
sexual” é errônea, uma vez que a atração pelo mesmo sexo é uma questão de gosto, e,
portanto, nunca pauta relações essenciais para o funcionamento da sociedade – enquanto
sem os héteros haveria extinção da espécie, a não existência dos gays implicaria apenas na
insatisfação de determinados grupos.
Como seu trabalho é pautado na filosofia positivista, a manutenção da ordem para que se
atinja o progresso é observada na sua argumentação. A alegação de que, independente do
“gosto” pessoal, o indivíduo não deve ser impedido de trabalhar implica a necessidade do
funcionamento social. Ademais, apesar de ser uma anomalia, os direitos dos indivíduos
devem ser preservados, mas não devem ser dados benefícios específicos, pois implicaria
no privilégio desse grupo seleto.
Assim, Olavo admite que, embora a homossexualidade não seja normal, deve ser aceita e
tolerada dentro do possível – desde que não sejam cometidos delitos – para que a
sociedade consiga permanecer no seu funcionamento íntegro, garantindo o
desenvolvimento.


Natalia Minotti - Direito matutino
René Descartes, nascido no final do século XVI, foi o grande filósofo idealizador do método
que nortearia a ciência na sua obtenção de conhecimento. O atualmente denominado
“método cartesiano” foi de enorme importância para o advento do entendimento na forma
que conhecemos hoje.
Contudo, a lógica de Descartes não é mais suficiente nos dias atuais. No filme “Ponto de
Mutação”, sua metodologia é criticada por ser mecanicista e nada humanizada – o
progresso sobrepôe o bem estar dos indivíduos, visto que não abrange a totalidade e suas
conexões, e sim a particularidade das coisas.
Ademais, é possível relacionar a priorização do avanço com o fascismo que emergiu no
século XX: o desenvolvimento da nação sempre foi privilegiado, até mesmo em detrimento
à vidas humanas, desde que essas estivessem prejudicando o crescimento.
Assim, é necessário destacar que o método elaborado por Descartes foi de imensa
relevância para que a ciência chegasse até os parâmetros atuais. Todavia, continuar a usar
unicamente esse método, pensando na realidade social e econômica atual, é inviável. É
preciso que o sistema seja estudado de forma integrada, para que depois as
particularidades possam ser entendidas.


Natalia Minotti - Direito matutino
“‘Mas quem iria carregar uma nota fiscal?’ ‘Aqui, senhor!’” Esse diálogo, além de
exemplificar o racismo estrutural presente no Brasil, também evidência o que Francis Bacon
chamou de ídolos da caverna, cuja origem está na constituição da alma e do corpo de cada
um, sendo, portanto, fonte do egoísmo dos homens.
Para Bacon, os ídolos constituem-se em noções falsas que compõem o intelecto humano e
atrapalham o acesso à verdade, podendo, assim, impedir o advento das ciências.
Trazendo-os à tirinha, podemos interpretar os ídolos como maior mina da existência do
racismo: o corrompimento da luz proveniente da verdade de que todos os indivíduos são
iguais causa a discriminação representada pela cor, como notada na situação.
O empirismo também é evidenciado pelas tirinhas. A obtenção do conhecimento pela
experiência ocorre uma vez que, para Dinho, a corrida é vista de forma inocente mesmo
com a presença do policial, e, para Camilo, a mesma se torna perigosa.
Destarte, é possível notar que o preconceito tem raízes presentes no próprio intelecto
humano, embora não seja representado pela racionalidade presente. Os ídolos, segundo
Bacon, precisam ser afastados, para que alcancemos a potencialidade do conhecimento.


Natalia Minotti - Direito matutino

Mentiras Gays e o positivismo


        O positivismo é uma corrente filosófica que surgiu no início do século XIX e um dos seus maiores pensadores foi Auguste Comte. A teoria positivista busca analisar de maneira estritamente cientificamente os fenômenos do mundo. Além disso, afirma a existência de leis invariáveis que ordenam o meio social.
         Olavo de Carvalho é um professor brasileiro que encontrou, na teoria positivista, inspiração para escrever seu livro “O Imbecil Coletivo”. Dentro do volume há o texto “mentiras gays”, no qual o autor busca justificar os motivos pelos quais a homossexualidade não pode ser comparada a heterossexualidade.
         A busca pela análise estritamente científica pode levar ao equívoco ao examinar fenômenos sociais, como no texto de Olavo de Carvalho. Neste, o autor busca justificar que a heterossexualidade é superior a homossexualidade, pois aquela é, aparentemente, necessária para a manutenção da espécie humana. No entanto, isso se dá pois o professor ignora os fatores psicológicos e na tentativa cega de provar seu posicionamento, chega a justificar como a pedofilia é incentivada pela homossexualidade.
          De fato, o positivismo foi muito importante para o desenvolvimento do pensamento científico. Contudo, essa corrente pode ser mal interpretada e usada para justificar posicionamentos preconceituosos, presente em “mentiras gays”. Dessa forma, é necessário ter cuidado ao interpretar a realidade sob as perspectivas científicas, afinal, a sociedade não pode ser considerada algo estático e igual.

Beatriz Falchi Corrêa - matutino

 O Pensamento de Olavo de Carvalho perante o Positivismo


   Olavo de Carvalho, autor de diversos livros e importante representante do pensamento conservador brasileiro contemporâneo, em sua obra “O Imbecil Coletivo”, faz duras criticas à maneira como alguns estudiosos e setores da sociedade têm abordado a questão da aceitação da homossexualidade e as lutas pelos direitos LGBTQ+, colocando-as como sendo exigências por privilégios e requisições ilegítimas.
Olavo conceitua neste livro que o comportamento homossexual é exclusivamente um desejo e um fetiche, além de ser uma escolha, diferente da heterossexualidade, que é uma necessidade natural para a sobrevivência e perpetuação da humanidade, colocando as relações homo afetivas  como egoístas e que não trariam nenhum tipo de beneficio para a sociedade, tendo função apenas de satisfazer supostos fetiches de alguns indivíduos. Ademais, o autor discorda da ideia de colocar os homossexuais como uma minoria, já que ocuparam inúmeras posições de poder e influência no decorrer da história e utilizaram-se delas para perpetuar maldades e desejos pessoais. A partir disso o autor descaracteriza as lutas da comunidade LGBTQ+ como sendo uma busca por igualdade, e sim por regalias injustas.
   Parte de seu pensamento vai de acordo com o pensamento Positivista do filósofo francês Auguste Comte, pois ambos colocam comportamentos diferentes dos habituais como uma afronta ao ordenamento natural da sociedade, que tem sua manutenção como sendo de extrema importância para o avanço da humanidade rumo a um estado mais evoluído. A homossexualidade seria uma quebra do “equilíbrio social”. No entanto, o pensamento de Olavo de Carvalho não concorda com o positivismo em vários aspectos, inclusive com um de seus principais pilares, o método positivista, já que não se utiliza do mesmo para a formulação de suas teses. O método do positivismo de Comte propõe que as ciências humanas devem ter o mesmo rigor cientifico e de neutralidade que as ciências exatas, como física e química, mas Olavo utiliza um embasamento pouco sólido e que é muito mais influenciado por suas de opiniões e crenças pessoais do que em dados e pesquisas acadêmicas sérias. Ele utiliza-se de uma linguagem técnica e supostamente cientifica apenas para justificar e disfarçar suas próprias convicções e preconceitos.
   Embora concorde em Comte em alguns pontos, Olavo falha em relação ao método positivista, já que se utiliza de uma abordagem totalmente arbitrária e partidária enquanto ignora uma série de fatos, se encaixando em uma critica que Friedrich Nietzsche faz a alguns filósofos em seu livro “Além do bem e do mal”: “E ainda que o neguem, são advogados e frequentemente astutos defensores de seus preconceitos que eles chamam de verdades”.

João Lucas Albuquerque Vieira
UNESP Franca

Direito Matutino
   

ficcção homossexual

Primeiro levaram os negros


Mas não me importei com isso

Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Por fim, bateram em gays
E eu não me importei, eu também os ajudei, 
Eu não era gay.
E assim, deixo aqui registrado
Essa geração mimimi muito tem falado
Hedonistas, ateus, comunistas, vítimas, cotistas
Sempre querendo o caminho mais fácil...


Texto adaptado do poema "É preciso agir" de Bertolt Brecht.

             Grande influenciador da contemporaneidade, Olavo de Carvalho é citado hoje como uma notável figura formadora de opinião pública. Com fundamentos positivistas, é claro em suas ideias que preconizam o conhecimento científico como o único verdadeiro, permeando do meio teológico, metafísico até por fim chegar à verdade: o positivo, o comprvado. No capítulo "Mentiras gays", de seu livro publicado em 1996 "O imbecil coletivo", refuta as grotescas afirmações vitimistas de homossexuais. Discursos baseados em falácias, tendendo-se a explicação metafísica da coisa, como muito se diz em violência contra tal grupo, são reproduzidos em redes sociais como uma verdade absoluta quando, na verdade, são totalmente infundados em face de estudos comprovados cientificamente.
               É importante enfatizar também uma grande questão elaborada: se todos, gozando de nossos direitos temos a possibilidade de expressar-nos com liberdade, os homossexuais expondo "livremente seus desejos, por mais arbitrários e irracionais", nas palavras de Olavo, por que outros que não os compactuam, não podem expressar seu descontentamento? Ora, se todos tem-se tal exercício garantido, é completa ignorância considerar o "anti-homossexualismo" um crime. Não existindo comprovação científica para sua "aderência", como a relação heterossexual é embasada no bem sucedido processo de reprodução da espécie, o homossexualismo é apenas uma preferência, meramente ilustrativa: sua prática de nada serve, não tem utilidade e portanto, no mínimo tola. 
               Sendo assim, é notória a "ficção" escrita por muitos homossexuais, e não só desse grupo como também outras minorias, para defender um estilo de vida que não vem a se adequar aos padrões sociais, buscando o caos social - fazendo uso de falácias e muito senso comum, ausentes de veracidade ou cientificismo.   
              
OBSERVAÇÃO: O texto está escrito em caixa alta apenas em decorrência de problemas técnicos no blog pois já fiz as alterações necessárias e não parece mudar.            
Direito UNESP XXXVI (noturno)
Júlia Rodrigues Alves da Silva

O discurso de ódio camuflado de cientificismo

O pensamento positivista surgiu no início do século XIX, no contexto da Revolução Industrial, e teve como precursor o filósofo francês Augusto Comte. Nessa época, muitos filósofos buscavam a reforma das instituições modernas, porém, na visão de Comte, antes disso, era necessária uma reforma intelectual dos homens, que permitisse um novo pensamento, condizente com o progresso científico. O filósofo deu, a essa nova forma de pensar, o nome de positivismo.
Essa corrente é dividida em três temas: a filosofia da história, sintetizada na lei dos três estados, a fundamentação e classificação das ciências baseadas no positivismo, e por fim, uma sociologia que permitisse a reforma prática das instituições, definindo a estrutura e os processos de modificação da sociedade, tornando-a coletiva.
A partir disso, Comte define que o pensamento positivo deve ser baseado na “subordinação da imaginação e da argumentação à observação”, sendo assim, a construção do conhecimento deve ter como base os fatos e buscar não mais o “por quê’ das coisas, mas sim, o “como”.
No mundo contemporâneo, há muitos críticos desse pensamento, sendo um deles, o “filósofo” Olavo de Carvalho. Porém, há uma contradição entre as críticas de Olavo e o texto “Mentiras Gays”, que se encontra na obra “O imbecil coletivo”, já que essa possui alguns traços positivistas, como a metodologia.
          O texto tem por objetivo a deslegitimação da luta por direitos pela comunidade LGBT, e o autor utiliza-se de fatos descontextualizados e de dados que carecem de fontes para construir seus argumentos. Logo no primeiro parágrafo do texto, onde Olavo expõe aquilo que ele chama de “mitos”, e no qual ele coloca que a comunidade afirma possuir uma superioridade intelectual, há a manipulação de informações para que ele consiga desenvolver sua crítica. O autor também se utiliza de fatos biológicos e os distorce para conseguir “comprovar” suas teses.
         É possível perceber que a “física social”, uma das propriedades fundamentais do positivismo, faz parte do pensamento conservador de Olavo, pois ele trata a homossexualidade como uma deficiência, algo que foge do normal, da ordem. Além disso, as conclusões do “filósofo” também são feitas a partir das relações que o autor faz entre os fatos e a realidade que ele próprio cria.
         Ademais, há de se entender que, por mais que seu pensamento tenha traços, ele não compreende a máxima do positivismo: a sociologia, a ciência voltada para o coletivo. Todos os argumentos de Olavo remontam a um pensamento extremamente conservador, demonstrando que ele não aceita, nem ao menos entende, o pluralismo da sociedade e nem o diferente.
     Com isso, é possível concluir que Olavo não pode ser considerado positivista, pois seu pensamento defende uma sociedade que não progride nas questões sociais, uma sociedade estática em relação a isso. Além disso, é necessário entender que a construção de sua obra é um tipo de texto dissertativo-argumentativo que não articula com a realidade concreta, mas com fatos distorcidos, buscando o convencer os leitores, para que eles tomem aquilo como a verdade. É o sucesso de obras e autores desse tipo que demonstram a sociedade em que vivemos: individualista e detentora pensamentos retrógrados. Isso é um importante alerta para a necessidade de senso crítico na contemporaneidade.     

Daiana Li Zhao - Direito Matutino - 1º Ano

A influência do positivismo na atualidade


O positivismo teve suas raízes na França principalmente através de Auguste Comte que trouxe a sociologia em estudo autônomo, saindo das indagações antigas da filosofia e trazendo a filosofia sob a perspectiva empirista a partir de fenômenos observáveis. O positivismo para Comte seria a única forma de conhecimento válido, a partir desse método a sociedade seria capaz de responder e solucionar os problemas do corpo social, alcançando o progresso e um estágio de superação.
Comte apresenta em seu curso de filosofia positiva três estados em que ocorre a evolução do pensamento humano, a saber, o teológico onde busca interpretação do surgimento do mundo, de todas as coisas, que é respondido por elementos supranaturais como os deuses e os espíritos, o segundo estado chamado metafísico onde os deuses são transformados em forças abstratas (concepções da natureza) para a explicação dos fatos da realidade, e por último o estado positivo onde não se busca responder o porquê de tudo, ou sua origem, e sim utiliza a razão para entender as leis, e as relações da sociedade, e somente nesse estado os seres humanos alcançaria a indenidade intelectual. O positivismo se preocupa em estudar a fundo o desenvolvimento da sociedade, da moral, de suas regras, com o objetivo de colocar em ordem o mundo e reorganizar a sua estrutura visando o interesse coletivo.
Olavo de Carvalho seguidor da corrente positivista acredita assim como Comte que a ordem tem um valor supremo, Olavo exterioriza seus pensamentos conservadores em várias obras, em especial no livro “O imbecil coletivo”.  Acerca do capítulo “mentiras gays” podemos observar a problemática evidenciada pelo autor ao constatar que a classe homossexual almeja fugir da organização do interesse público, buscando direitos que sobressaem aos heterossexuais. Para ele a elite intelectual atual está precisando recuperar os princípios morais de ordem lógica para retomar o curso de uma sociedade progressista. Olavo defende a procriação (concepção) como valor superior a opção sexual, e qualquer pensamento que fuja dessa composição estará desassociando a diretriz legítima da condição humana. A finalidade da ciência positiva está caracterizada na organização única e autêntica do corpo social, as mudanças que escapam das instituições sociais tradicionais trazem indisciplina ao bem-estar dos indivíduos. 
Joyce Mariano Santos
Direito - Matutino

O General Progresso e seu muro


Eu tenho um sonho, assim como Martin Luther King. Eu sonho com o dia em que a marcha da História chegará ao fim. Isso parece absurdo, mas não. É inevitável, pois o General Progresso continua mesmo que precise deixar seus soldados mais fracos para trás. São poucas perdas, se comparadas a conquista do avanço máximo que a sociedade pode chegar (um verdadeiro Paraíso na Terra).
Um exemplo são os homossexuais. Esse grupo é uma divergência, portanto, é um elo mais fraco. O diferente é um obstáculo. Suas diversas vozes gritam, cada uma tentando urrar mais alto que a outra, com suas opiniões diversas. Isso é o caos. Uma voz mais forte e correta precisa emergir desse caos, e as outras vozes devem unir-se a essa, formando o coral angelical da unidade. Segundo Auguste Comte, o fundador do Positivismo, é preciso alcançar um “estado de coisas verdadeiramente normal”, ou seja, há uma prevalência de um comportamento sobre outro. Nas palavras de Jair Bolsonaro, “a minoria tem de se adequar a maioria”.
Porém, como definir o comportamento dito normal? A partir da comprovação pelos fatos. Por exemplo, é um fato que a reprodução só se dá entre casais heterossexuais, portanto, esse é o padrão. Não é preciso procurar a causa dessa conclusão, pois, além de ser evidente, procurar as causas é uma busca sem sentido, e o mundo não tem espaço para algo que não possui propósito ou utilidade.
Cada ideia que é confirmada é como um tijolo. Firme, sólido. Vários tijolos constroem um muro, que se reduz de muitos a um só. E sobre esse muro encontram-se os fortes, contemplando a paisagem do Paraíso, enquanto os fracos que se negaram a mudar permanecem lá em baixo, em um tipo de inferno no qual escolheram estar...
Observação: esse texto é meramente ilustrativo, com o propósito de relacionar as ideias de Olavo de Carvalho com as de Auguste Comte. Eu, pessoalmente, não acredito em nada disso.
Sofia Foresti Pequeno, Direito Noturno

Positivismo classista

Olavo de Carvalho em sua obra “O imbecil coletivo”, mais especificamente no capitulo “mentiras gays”, trás por meio de uma visão positivista sua opinião a respeito da homossexualidade.  Com dados e personagens históricos, Olavo põem questionamentos sobre a luta por direitos dos homossexuais, deixando claro seu posicionamento contrário a tal grupo. O autor representa uma classe burguesa que prega costumes cristãos e defende uma família tradicional, trazendo em seu discurso falas presentes no dia a dia da família brasileira.
Apesar da fala politicamente incorreta de Olavo, é errôneo desqualificar seu discurso como se ele fosse muito distante da realidade, afinal, como já citado acima, ele é a representação de uma classe existente e em ascensão nos últimos anos, sendo necessário ouvi-la para compreender e tentar desconstruir determinados tipos de crenças.
Pensando na teoria positivista de Comte, Olavo defende a ideia de “Ordem e progresso”, onde uma família heterossexual é um dos métodos mais eficazes de se alcançar esses objetivos, o que justifica trechos como “os héteros falam em nome da espécie humana ( que inclui os homos ), e os homossexuais falam em nome dos desejos do grupo”.
Os textos de Olavo de Carvalho servem para colocar nossos pés no chão ao mostrar que, apesar das grandes evoluções na quebra de tabus e preconceitos, é só o começo do caminho. Expondo seus pensamentos á critica, o autor da voz a uma parte da população que ainda precisa ser conscientizada e educada segundo os moldes do século XXI, sendo necessária a divulgação desse tipo de ideologia.
Barbara Vitoria Medeiros Verissimo – 1 ano – Direito noturno

Superficialidade positivista

A Ciência Positivista seria aquela que busca descobrir as leis efetivas dos fenômenos, isto é, suas relações invariáveis de sucessão e similitude. Afirma Auguste Comte que sua ciência é aquela que estabelece "o real frente ao quimérico, o útil frente ao inútil, o certo frente ao incerto". Porém, até que ponto esse modo de posicionamento é verossímil à realidade que aborda? Quero dizer, será que essa ciência proposta por Comte e adotada por diversos pesquisadores não objetivaria apenas reduzir a realidade àquilo que de primeiro relance aparenta ser, subvertendo fatos importantes mesmo que estes sejam de fácil compreensão? Seria o positivismo, então, a Ciência do 'querer ser' e não do 'ser de fato'?

A teoria Positivista encontrou em Olavo de Carvalho um de seus grandes adeptos. A problemática acima apontada recebe resposta na forma de pensar desse estudioso acerca do tema homossexualidade, compilada na obra intitulada "Mentiras Gays", pertencente ao livro O Imbecil Coletivo (Atualidades Inculturais Brasileiras). Ao abordar as relações homoafetivas e heteroafetivas como frutos de leis físico-naturais, uma extrema generalização é cometida por Carvalho, sendo que ele as fundamenta da seguinte forma: "ou o homossexualismo é uma opção, revogável a qualquer momento por um ato de vontade, ou o contrário, uma privação da capacidade heterossexual".

Em vista disso, o anseio positivista por leis gerais dos fenômenos levou Olavo de Carvalho a um equivocado entendimento sobre a sexualidade existente a sua volta. Generalizou-se o que é relativo, simplificou-se o complexo, impôs mais preconceito ao que já é envolvido por severos tabus. A busca pelo entendimento da homossexualidade - pela ótica de Carvalho - desencadeou o que se conhece pelo errôneo nome 'homossexualismo', dotado de caráter patológico, discriminatório e infeliz.

Sustentado pela máxima comtiana "ordem e progresso", Olavo se perde entre o teor estático do primeiro substantivo e o teor dinâmico do segundo. Mais fácil foi se encontrar no que lhe conveio, nas mentiras longínquas acerca do assunto, deixando verdades e casos concretos ao logo do caminho do saber, tomando como rumo não o 'ser de fato' que abrange a sexualidade dos indivíduos, mas o 'querer ser' próprio de Carvalho, em seu auge positivista, assumindo a carapaça do PRECONCEITO, que se atenta aos fins, mas raramente aos meios; e que se contradiz ao pregar constantemente a desordem e o retrocesso.

Marco Alexandre Pacheco da Fonseca Filho - Direito Matutino

Desordem e regresso

  O pensamento positivista de Augusto Comte está muito presente na obra “O Imbecil Coletivo” de Olavo de Carvalho, a análise sobre a homossexualidade e a vida das pessoas da comunidade LGBT no ensaio “Mentiras gays” corroboram com essa corrente de pensamento conservadora.
  De acordo com o positivismo os fenômenos sociais são entendidos como as ciências naturais, existem leis invariáveis que regem e ordenam o meio social e o conhecimento é construído por meio dos estudos científicos apenas, desconsiderando a metafisica e a espiritualidade humana.
  O professor Olavo de Carvalho, ao seguir essas diretrizes faz afirmações absurdas e relativiza fatos observados cotidianamente no contemporâneo brasileiro, o preconceito e o ataque aos homossexuais é real e os desafios são cada vez maiores, vivemos no país que mais mata pessoas da comunidade LGBT e atualmente observa-se uma explosão de ódio em todas as esferas sociais que intensificam a homofobia e a violência.
  Tratar questões da psiquê humana genérica e generalizadamente produz equívocos e afirmações estupidas, como em: “O homossexualismo é e será sempre uma questão de gosto, e o heterossexualismo uma questão de vida ou morte”. Não se trata da manifestação pessoal de preferencia a algo, são traços da personalidade e da individualidade de cada ser, que devem ser respeitadas e toleradas por todos, a luta por direitos é legitima, pois não há igualdade entre os homo e os heterossexuais.
  Outrossim, à luz da ciência moderna e do desenvolvimento da psicanálise, nivelar a homossexualidade à pedofilia evidência o embasamento raso e preconceituoso do autor, o pensamento simplista positivista da obra e caracteriza também um insulto a própria natureza humana. 



Gabriella Natalino - direito matutino  
Que horas ele volta?
Pedro acorda, despertador tocando. Levanta da cama.
Toma um café forte, troca de roupa. Trânsito. Trabalho. Trânsito.
Final de semana. Hoje é dia de encontrar o amor. Mas existe amor em SP?
Um sorriso e um beijo.
Um soco.
O que aconteceu?
16 horas.
Esse é o tempo que demora para que um homossexual seja morto no país.
O amor tem preço de sangue.
A ordem e o progresso, parecem retrocesso quando se veem os números.
Olavo foi um legitimador da homofobia.
Disse que era errado, feio, contra a natureza.
Condenou o amor.
Abraçou o positivismo e constatou – para manter a ordem
Era melhor fingir.
Nega a ti mesmo – vira homem!
Procria.
Cria uma sociedade machista e homofóbica.
Deixa assim.
16 horas.
Era melhor não ter saído hoje Pedro.
Hoje, você nunca mais vai voltar.
Maria Júlia Fontes Fávero- Direito Matutino

Olavo de Carvalho e sua não relação com a realidade contemporânea.

     Antes de se discutir textos como "Mentiras Gays",de Olavo de Carvalho, por uma visão positivista, tem-se que analisar o real significado desta palavra. Simplificadamente, tem-se o positivismo de Comte como um fator de interpretação de fatos por meio de uma hermenêutica empírica e concreta. Uma verdade científica e absoluta, sem restrição de expressão de reais conhecimentos.
     Entretanto, com a leitura do capítulo deste livro o qual me refiro neste texto nota-se que o Olavo de Carvalho não utiliza de conhecimentos concretos de percepção da realidade atual e ainda abusa, absurdamente, de questões "positivistas" de sua própria interpretação de mundo e de seus conceitos sobre sexualidade humana, de forma que, por vezes, vem a ofender a homossexualidade na sociedade.
     Pode-se dizer, é claro, que a liberdade de expressão é um fator de extrema importância na realidade atual, porém, até que ponto pode-se utilizar desse fator para repugnar e ofender pessoas pelo simples fato de sua opção sexual? Para o autor do livro, isso é completamente normal. As pessoas na sociedade tem total direito de "aderir" à práticas preconceituosas desde que não haja agressão aos oprimidos ou minorias.
     Olavo descreve, neste capítulo, que pessoas homossexuais são um grande problema para sociedade e se vitimizam ao procurar adquirir mais direitos por conta de suas opções. Utiliza, ainda, argumentos como: "Alguns dos tiranos mais sanguinários da história foram gays, entre outros Calígula e Mao Tsé-tung", para criar uma ilusão de inversão de papéis, com o objetivo de convencer o leitor a acreditar em uma ideia de repressão dos homossexuais com a sociedade, os colocando em uma posição favorável em relação à heterossexuais.
     Tendo em vista tudo o que vos foi apresentado neste texto, é de suma importância destacar que, com a leitura do capítulo vê-se que, claramente, o autor ignora muitos aspectos históricos e, até mesmo, contemporâneos relacionados à questões de preconceito, homofobia e agressões a estas minorias. Com isso, pode-se dizer que as visões preconceituosas do autor se distanciam, por vezes, dos conceitos positivistas de Comte já que este tratava tais ideias como o verdadeiro conhecimento adquirido na concretude dos fatos e, Olavo de Carvalho, não passa a impressão de estar atento as verdades atuais e aos fatos que estão a acontecer durante todos os dias em nossa sociedade contemporânea.
   

OBS: Para finalizar, não posso deixar de destacar que as ideias de suposto filósofo Olavo de Carvalho são repugnantes e seus conceitos são extremamente "pré-históricos" pois não levam em consideração, em momento algum, o quão complicada é a luta diária que a população LGBTQ+  tende a enfrentar no meio social em que vivemos atualmente. Além disso, deve-se criticar a opinião do autor pelo fato de que os diversos tipos de preconceitos tendem a ser abolidos da sociedade e de maneiro alguma incentivados.

Tomás do Vale Cerqueira Barreto - Direito noturno - 1°ano

Homofobia: invenção metafísica.

   A atribuição da homossexualidade a um caráter congênito pode ser compreendida, no âmbito da ciência positiva, como um tipo de pensamento metafísico. Os gays alegam que os seus gostos sexuais independem de preferências adquiridas (de qualquer modo que seja), ignorando a importância biológica do ser humano. Considerando as características dos chamados "pensamentos primitivos" desenvolvidos pelo francês Augusto Comte, um dos fundadores da escola positivista, pode-se afirmar que os discursos do movimento LGBT são estruturados em moldes totalmente metafísicos, pois indicam a natureza como responsável por "serem quem são" e desprezam as relações biológicas e sociais baseadas na ciência positiva que permeiam o mundo.
   Um exemplo disso é a suposição de que a homofobia deve ser criminalizada. Ora, se a expressão pelos gostos particulares deve ser um direito, por que, como indagou Olavo Carvalho em sua obra O Imbecil Coletivo, a repugnância por esses mesmos gostos deve ser um crime? Na lógica da ciência jurídica, ambas as manifestações deveriam ser tratadas com equidade desde que nenhuma delas resulte em situações de violência e discriminação evidentes, como agressões físicas ou impedimentos à coexistência de homossexuais e antihomossexuais.
   Com a ascensão do movimento gay, o que inclui a extensão de direitos específicos para esse grupo (a exemplo da união homoafetiva), invertem-se relações biológicas necessárias para a manutenção da vida humana na Terra, como a reprodução, essencial para a formação das novas gerações. E se, por outro lado, defende-se que este problema de decréscimo da população poderia ser solucionado, como exemplificou o autor, pela inseminação artificial, não haveria sentido na promoção desse movimento, uma vez que tratar-se-ia novamente de uma ação com caráter heterossexual.
   Em síntese, os "preconceitos" que alegam sofrer os gays, lésbicas, transexuais e demais indivíduos que destoam do modelo de relação heterossexual não são opressões direcionadas que têm como objetivo a violação de direitos dessa comunidade, mas sim o exercício da liberdade de expressão garantido no ordenamento jurídico brasileiro. A sociedade, portanto, deve aceitar e respeitar-lhes enquanto cidadãos, mas nunca deve ser repreendida por defender costumes e valores que persistem por séculos como patrimônio cultural.


Comentário: Gostaria de esclarecer, desde já, que não concordo nem mesmo com uma premissa elaborada por Olavo de Carvalho no capítulo Mentiras Gays de seu livro O Imbecil Coletivo. O objetivo do texto é exemplificar um modo possível de interpretação favorável ao que foi proposto pelo autointitulado filósofo, o qual inter-relaciona de uma maneira absurda as fundamentações Augusto Comte para desqualificar de maneira desonesta e errônea o público LGBT.

 Luiz Carlos Ribeiro Júnior (Noturno)