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quinta-feira, 1 de julho de 2021

Ídolos e racionalidade: antônimos na ciência?

     

A ciência moderna parte do princípio de que ela deve ser liberta de sentimentos, guiada pela razão e pela experiência, sendo que, para Descartes, a ciência é vista como uma forma de transformação, voltada para o bem do homem. Nesse sentido, a ciência, nessa realidade pandêmica atual, por meio de estudos e da formulação da vacina para combate da COVID-19, surge, nesse viés cartesiano, como uma maneira de mudar o cenário. Entretanto, são percebidos desafios nessa mudança.

Observando por um plano cartesiano, tendo a cidade de Serrana no estado de São Paulo como referência, a qual foi utilizada para realização de um projeto de vacinação em massa, ao analisar estritamente os dados obtidos após o experimento, constatou-se uma diminuição radical no número de mortes e de hospitalizações. Logo, é notório que a ciência cumpriu seu papel de promover o bem do homem. Todavia, alguma parte dos brasileiros insistem em negar a ciência.

Movidos por falsas percepções do mundo, os ídolos, como Francis Bacon denominou, contestam a ciência e sua eficácia comprovada por estarem entregues a uma interferência guiada por suas paixões, especialmente políticas. Com o próprio presidente da República promovendo o uso de remédios, que não possuem a comprovação científica de efetividade, como a cloroquina e a hidroxicloroquina, seus apoiadores ignoram a comunidade científica e desviam-se da racionalidade.

Infere-se, portanto, que a ciência moderna visa o bem humano, como defendido por Descartes e explícito na ação realizada na cidade de Serrana. Contudo, ela tem seu papel limitado quando alguns orientam-se fora da esfera racional e guiam-se por suas paixões, tais como afinidades políticas, constatando, assim, os ídolos, conforme exposto por Bacon. Por conseguinte, a razão perde o posto para princípios próprios, os quais implicam uma visão parcial subjetiva da verdade, atuando, desse modo, como antônimos da racionalidade.

     Anna Beatriz Hashioka- Primeiro ano matutino

Conhecimento voltado para o bem da sociedade?

 Como disse Bacon e Descartes, o conhecimento deve ser voltado para o bem da sociedade, deve ter um utilitarismo, a ciência deve evoluir pensando no progresso e desenvolvimento social, deve fazer com que o homem “domine” a natureza. Até certa época esse pensamento foi sim utilizado, não se pode negar os avanços que houve desde a antiguidade, porém agora o conhecimento científico se encontra concentrado nas mãos de poucas pessoas e só são utilizados por minorias privilegiadas, como mostra o filme Ponto de mutação.  

A tecnologia está concentrada nas mãos de poucos que só se preocupam em fazer dinheiro e não em melhorar a vida da sociedade, das minorias, a prioridade é só vender e proporcionar tecnologia “de verdade” pra quem pode pagar, podemos exemplificar isso com a medicina, enquanto pessoas ricas com doenças raras se curam rapidamente em hospitais de ponta, pobres morrem na fila de um hospital público por doenças “simples”. Pode se ver este abismo também nesta pandemia do corona vírus em que os pobres sofrem muito mais com esta doença do que os ricos. “A letalidade explodiu nas regiões mais carentes, com Índice de Desenvolvimento Social (IDS) mais baixo”, constata o economista André Luiz Marques, coordenador de programas de gestão e políticas públicas do Insper. 

Vale ressaltar um ponto citado pela personagem do filme, Sônia, que a maioria das doenças existentes hoje em dia são causados pela alimentação da sociedade, com alimentos ultraprocessados, industrializados, cheio de agrotóxicos, entre outros. “As evidências acumuladas nos últimos anos indicam que o consumo desses produtos está consistentemente ligado a danos, como obesidade, hipertensão, diabetes, síndrome metabólica, câncer de mama e outros tumores, cólon irritável, asma, depressão e, agora, infarto e acidente vascular cerebral”, comenta Carlos Monteiro, professor titular no Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP. 

Portanto, vê-se que não há uma preocupação com a população e o seu bem-estar, hoje tudo é movido por dinheiro, e o princípio de fazer ciência para transformar a realidade social, aliviar e melhorar a condição humana ficou pra trás. Quem consegue se utilizar dos benefícios dessa escassa ciência são os que possuem condições financeiras.


Fontes: https://extra.globo.com/noticias/rio/abismo-entre-ricos-pobres-se-reflete-nas-mortes-por-coronavirus-24407597.html

https://saude.abril.com.br/alimentacao/alimentos-ultraprocessados-elevam-risco-de-doencas-cardiovasculares/


NOME: Izabella Duarte de Sá Morillo - DIREITO DIURNO - 1° semestre 


O pensamento cartesiano e sua relação com um ideal de sociedade eco democrática

O mundo, como o conhecemos hoje, é fruto de uma revolução tecnológica iniciada décadas atrás. Os meios de comunicação atuais, por exemplo, bem como tudo que necessite de algum tipo conhecimento científico para sua existência, pressupõe uma interação com o homem e a sociedade, mas até onde essa intersecção é válida para todos e não somente destinada a uma parcela privilegiada da população? Essa é uma das questões levantadas no filme “O Ponto de Mutação”, de Bernt Capra, 1990, no qual uma cientista apresenta a um candidato democrata e seu amigo poeta uma nova visão sobre os paradigmas do futuro, decorrentes do uso inadequado da ciência como uma arma para a dita “evolução” do planeta.

Tomando o pensamento de Descartes quanto à ideia da ciência como elemento voltado para o bem do homem, surge daí a necessidade de buscar seus fins práticos, por meio da transformação e dominação da natureza. Esse posicionamento é adotado, muitas vezes, como justificativa para a exploração desenfreada do meio ambiente, a qualquer custo. Desse modo, é colocado à margem um ponto fundamental: essa transformação não pode ser restritiva, deve alcançar toda a humanidade, caso contrário seria legitimada a exploração dos recursos até as últimas consequências, o que levaria ao esgotamento de recursos e uma crise socioambiental sem precedentes. Além disso, esse novo cenário de modificações deve contemplar um desenvolvido racionalizado, visando não só o presente, mas também o que ficará de legado (e subsistência) para as próximas gerações.

O filme descreve, sob a perspectiva da cientista, um ideal de sociedade eco democrática, onde a justiça social ganha uma plenitude maior do que a que vivenciamos atualmente. A interação dos indivíduos com o ambiente à sua volta é, ou ao menos deveria ser, intrínseca a todos os seres vivos. O “ ambiental” não pode ser entendido como socialista, ele é basicamente vida, uma vez que é essencial à existência dos seres. Estabelecer uma relação equilibrada entre sociedade-natureza, individuo-ambiente, faz parte de uma justiça social mais abrangente do que meramente ambiental, e isso é perceptível quando vemos a preocupação com a sobrevivência do capitalismo a longo prazo permeando os pensamentos do candidato à presidência, uma vez que o conhecimento originado desse pensamento vem de um homem que não é necessariamente socialista.

Fica evidenciado, na obra cinematográfica, que a sobrevivência humana é ameaçada por várias ações igualmente humanas, originadas de uma visão de mundo mecanicista e fragmentada. O único meio capaz de garantir a essa sobrevivência é a capacidade de mudarmos de forma radical os valores relativos à nossa individualidade e o modo como nos relacionamos o meio ambiente. Nesse ponto, é primordial que a sociedade se conscientize do que já refletia o racionalista francês do século XVII: em última instância, a ciência deve ser utilizada em prol do homem, mas que também possamos refletir e entender até que ponto essa reflexão atinge nossa sobrevivência e nossa relação com o mundo que nos cerca.

Laredo Silva e Oliveira – 1º Ano Noturno