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quarta-feira, 27 de março de 2019

Descrições, rótulos, desigualdades e o medo

        Descrições, rótulos, desigualdades e medo presentes na vida de um jovem negro. Segundo o filósofo empirista, Francis Bacon, o método dedutivo que perpetuava pelas entranhas do meio social da época era o caminho mais duvidoso para a verdade. Assim, a experiência e a razão era o método para atingir e chegar ao conhecimento verdadeiro. Entretando, a diversidade impossibilita a equiparação das múltiplas realidades existentes. Assim, a dedução corrobora para o preconceito enraizado e a permanência de ideologias que rasgam e destroem milhares de vidas negras todos os dias.
      Descrições, rótulos, desigualdades e medo ainda presente na realidade do jovem negro. A experiência vivida e presenciada por falas segregadoras - como deduzir que exista um critério de cor de pele   para a realização de crimes- leva a pessoas pardas e negras a tomarem medidas que o indivíduo branco não teria. Nisso, a exemplo de uma situação, a autoridade de segurança banhanda em pré-conceitos realizados pela a antecipação da mente se torna imparcial na sua conduta. "E a nota fiscal?". As mãos trêmulas ao tocarem aquele simples papel de  comprovante, se torna valioso na pele de quem o carrega. Vale a sua vida. Assim, acreditasse que para o filósofo inglês não exista uma verdade universal, mas muitas que derivam da prática vivenciada por cada pessoa.
        Descrições, rótulos, desigualdades  e medo ainda estão muito presentes na vida de um jovem negro. Nesse sentido, a simples ação de acordar e ir à escola para o elemento  branco e classe média é o medo do jovem negro e pobre, não apenas dele, mas de toda sua família. Nisso, a dor da perda e o aperto no coração penetra no peito dos familiares do jovem de 14 anos. Marcos Vinicius. Foi baleado e morto na região do Complexo da Maré a caminho da sala de aula em 2018. Nesse instante, o jovem que, pleiteava por socorros ainda com consciência proferiu a seguinte fala " ele nao viu que eu estava com roupas da escola mãe?" cenas como essa ocorrem diariamente em comunidades periféricas pelo Brasil. Assim, o medo e a instabilidade de não voltar para a casa  alastra-se por todos os cidadãos negros e torna notas fiscais tangente a uma vida.
     Descrições, rótulos, desigualdades e medo presentes na vida de um jovem negro continuarão  existindo quando a população acreditar que brancos e negros apresentam realidades paralelas e igualitárias. É ignorar todos os dias o sofrimento. É corroborar para uma sociedade embaralhada em discriminação. É corresponder aos idolos da caverna, que para Bacon era um bloqueador da mente humana, é a individualidade e a influência do meio. As falsas percepções do mundo ainda assombram os tecidos sociais.




Ana Laura Albano, Direito - Noturno 

A institucionalização do racismo sob o viés empírico de Bacon e racional de Descartes

   As tirinhas apresentadas denunciam claramente o racismo, um assunto de grande discussão na sociedade moderna. Versando um prisma fortemente crítico em relação à essa problemática, cabem-se, a partir da interpretação da tira, duas análises diferentes em relação à posição social ocupada por cada personagem da tira: um primeiro à luz excepcionalmente racional de René Descartes e outro sobre o empirismo de Francis Bacon.
   Nesse sentido, Armandinho, Camilo, Fê e o policial, os personagens de ambas as tiras, vivenciam diferentes situações que retratam de forma implícita o racismo institucionalizado em estruturas estatais presentes no cotidiano da população tais como a polícia.
   Na primeira tirinha é retratada uma abordagem policial feita com duas crianças em seus brinquedos, na qual o policial que os abordou pede a nota fiscal que comprove que os brinquedos realmente são dos meninos. Claramente, o ocorrido deixa Armandinho, personagem branco, perplexo com tamanha suspeita em relação à duas crianças brincando, o que não impede seu amigo, Camilo, personagem negro, de mostrar o comprovante de compra de seu brinquedo.
   Na segunda tira, Armandinho propõem a Camilo uma brincadeira de correr até a Fê,também branca,amiga dos meninos. As crianças se empolgam, porém, a única presença de um policial próximo à menina faz com que Camilo desista do jogo temporariamente.
   Com efeito, torna-se claro as mensagens implícitas nas tiras ao analisar a persistência do racismo na sociedade brasileira ainda hoje, sendo que, nos casos supracitados, a primeira tira mostra a contínua suspeita em relação à pessoas negras e no segundo caso é mostrado, além da suspeita, a ação repressivo imposta ao grupo negro presente na fala do personagem Camilo: '' Pra mim, não é seguro!''. Nesse sentido, nota-se nas tiras as personificações das duas teorias filosóficas citadas na introdução: Armandinho como o racionalismo ufânico e Camilo como o empirismo e representação experimental da realidade.
   Com isso, o prisma racional, representado por Armandinho, denota a falta de lógica, tal qual a indignação da personagem, frente às ações racistas cometidas pelo policial (a qual interpreta o todo aparato social racista institucionalizado) e o prisma empírico, computado a Camilo, denota a experiência fatídica vivida pela população negra, os quais, apesar da falta de racionalidade no racismo e suas derivações, ainda sofrem com a persistência de medidas repressivas e ostensivas, que não só quebram direitos básicos desses como também os levam a carregarem notas fiscais de simples bicicletas.

Racismo e suas bases irracionais


Após a ruptura com a ciência antiga, motivada por pensadores como René Descartes e Francis Bacon, a ciência moderna nasce tendo como base a razão e a experiência, liberta de sentimentos e posicionamentos. Tal metodologia cientifica se espalhou para todo o resto da sociedade da época e hoje tem uma influência ainda maior nas nossas vidas mesmo sem percebemos.
Podemos observar na tirinha do personagem “Armandinho” um exemplo prático dessa metodologia antiga  que Bacon criticava quando,  Armandinho uma criança negra  e seu amigo Camilo branco estão com suas bicicletas e são questionados por um policial, aparentemente devido a seu uniforme , sobre a nota fiscal da bicicleta, nesse caso o ele avalia a criança negra como suspeita devido a ideias já concebidas, adquiridas em um convívio em uma sociedade racista. Já Camilo por nunca ter passado por essa experiência acha essa pergunta um absurdo enquanto Armandinho mostra a nota fiscal e podemos entender que ele já tenha passado por algo similar. Bacon afirma que todos nós estamos influenciados por ídolos, que seriam essas pré-noções, e devemos extingui-los para que o pensamento racional não seja prejudicado.
Na segunda tirinha de “Armandinho” Camilo o desafia o amigo para uma corrida até sua amiga Fê que esta do lado de um suposto policial, Armadinho demonstra que irá aceitar mas rapidamente muda de ideia ao ver o policial e diz a Camilo que não pode correr agora, e o amigo o questiona : “ué? por quê?” e Armandinho reponde: “pra min, não é seguro!”. Podemos observar que Armandinho através da lógica e da experiência sabe que não seguro pra ele correr devido pré-conceitos presentes na sociedade e que isso continuará existir independente de sua vontade então ele deve se adaptar a essa realidade e se abster de fazer algumas ações, Descartes caracterizou isso como a “vontade do mundo” se sobrepondo a vontade pessoal.
Concluo afirmando que apesar de estarmos na era da ciência moderna que tem como bases epistemólogicas: a razão e experiências ainda estamos infestados por pré-noções e ídolos em   nossa sociedade e devemos fazer o possível para acabar com elas ou pelo menos diminuir suas influências os máximo possível principalmente no âmbito do direito para que as pessoas sejam tratadas verdadeiramente como iguais.

Danilo Braga Vicentini   1º Ano Direito Noturno

A moral provisória e os ídolos como fundamentadores do preconceito e da violência

René Descartes, o pai do racionalismo moderno, é conhecido por, além de suas muitas contribuições nas áreas da física e da matemática, seu método para a organização do conhecimento, chamado por ele de regras para a orientação do espírito. A aquisição do verdadeiro conhecimento para Descartes passaria pelo processo da dúvida, que eliminaria as impressões incertas. Levando essa lógica ao seu máximo, o pensador francês propôs a dúvida hiperbólica, e, ao questionar toda a existência o autor chegou à conclusão que ao questionar ele próprio teria sua existência confirmada: “Cogito ergo sum”
Descartes debate, na terceira parte do Discurso do método que se aplicada na vida civil em sua integridade a dúvida hiperbólica poderia ser inconveniente, um indivíduo que aplicasse a dúvida a todo momento, ao ver, por exemplo uma multidão com guarda-chuvas, de cima, de forma que não visse as pessoas, não deveria assumir que elas estão ali. O próprio autor concorda que isso seria disfuncional e propõe a ideia de uma moral provisória, baseada na moderação: “...para não permanecer irresoluto em minhas ações, enquanto a razão me obrigasse a sê-lo, em meus juízos, e de não deixar de viver desde então de o mais felizmente possível, formei para mim mesmo uma moral provisória (...) segundo as opiniões mais moderadas e as mais distanciadas do excesso...”
Toda essa introdução do pensamento cartesiano, o relaciona com uma tirinha de Alexandre Beck, onde um guarda pede a nota fiscal de bicicletas que estavam na posse de duas crianças, uma negra e uma branca. Enquanto a criança branca questiona a situação, perguntando a razão de alguém andar com a nota fiscal de algo que comprou, a criança negra prontamente entrega sua nota, mostrando que, para ela, aquela situação já havia se tornado habitual. A reação das duas crianças, e até mesmo a do guarda se referem a “moral provisória” que cada uma criou para si mesma, baseadas em suas convivências, experiências e na própria forma como o sistema impõe certos preceitos a cada pessoa. A moral provisória pode ser entendida dessa forma, como a raiz dos preconceitos na medida em que ao adotar as opiniões que nos parecem moderadas, estamos, na verdade, legitimando preconceitos infundados, como a própria ideia da discriminação racial. Ao não questionarmos o porquê de uma pessoa negra ter de provar que suas posses não são frutos de roubo e uma pessoa branca não, nos tornamos perpetuadores do racismo, disfarçado de moral provisória.
Se de um lado no debate epistemológico da idade moderna se encontrava Descartes, propondo que as verdades se davam no juízo analítico a priori, do outro lado do debate se encontrava, entre outros o inglês Francis Bacon propondo que o conhecimento vinha do juízo sintético a posteriori (Tomando licença cronológica para usar os termos de Kant, visto que este nasceu no século posterior às mortes de Descartes e Bacon). Considerado o pai do empirismo, Bacon tem como sua obra prima o Novo Organum, um contraponto ao Órganon de Aristóteles. Nessa obra de cunho cientificista, Bacon defende que só a partir das experiências pode se chegar às verdades de fato, propondo inclusive a ideia de que a mente possui falsos ídolos que na verdade dificultam a busca pela verdade seriam eles: o ídolo da tribo, caverna, foro e teatro que abrangem a Generalização, o inferir sem reflexão, a distorção e a imposição, motivadas respectivamente por cada um dos ídolos.

Na segunda tirinha de Alexandre Beck os mesmos personagens da primeira planejam apostar uma corrida até sua amiga, a criança negra, porém desiste, ao ver que perto de sua amiga está um guarda, este que, é considerado pelo senso comum, ou ídolo da caverna, um símbolo de segurança é para a criança negra, devido a suas experiências, justamente o contrário, ela afirma que o ambiente perto dele não é seguro para ela, levando ao entendimento de que ele é a própria insegurança dela. O próprio conflito entre as forças de segurança e a população negra é frequentemente motivado pelo ídolo do foro, ou seja, da linguagem usada pelos homens. A medida que se popularizam as falas que associam os negros ao crime e que dizem que: ”Bandido bom é bandido morto” a população negra tende a reagir as forças de segurança, nas quais veem seus algozes e as forças policiais abusam da violência contra essa população em contrapartida. Assim, age o ídolo da caverna que coloca cada um dos seres humanos em uma cova que corrompe a luz da natureza e da verdade. O ciclo de violência se perpetua na escuridão de luz corrompida que cada um tem por sua verdade absoluta e inquestionável.

Pedro Augusto Ferreira Bisinotto
Direito Noturno

O racionalismo e o empirismo nas formações da conduta humana.

O que há de glamoroso nos conceitos da ciência moderna são suas finalidades visando evidenciar a existência de ideias intrínsecas a psique humana, essas que servem como vícios de conduta que ao serem localizados e constatados através do racionalismo de René Descartes ou do empirismo de Francis Bacon, podem demonstrar o quão longe da clareza precisa uma análise de determinada situação pode se encontrar.


Armandinho, na tirinha acima, regado a sua formação de indivíduo pautado em segurança e relacionamentos sociais saudáveis, tem modulado em si um ídolo da caverna no qual possuir medo em uma simples corrida não consta em suas percepções. Camilo, por outro lado, embora aceite a corrida em um primeiro momento, ao se deparar com o policial, vale-se de seu racionalismo e talvez até de experiências passadas para dizer que essa atividade, na verdade, o colocaria em perigo, demonstrando que o ídolo estabelecido em Armandinho já fora vencido por Camilo devido muito a sua realidade social contraria.

Importante destacar também é a possível ampliação de percepção do mundo que ocorrera em Armandinho após sua pergunta “ ué? Por que?”.  Nesse momento, a personagem ativa o mecanismo da dúvida, princípio fundamental do método cientifico cartesiano, possibilitando a aproximação de uma clareza na questão das relações sociais.



Fenômeno similar ocorre nessa outra tirinha.  

Nessa, o destaque está na dualidade da resposta dos dois personagens frente a mesma indagação. Enquanto a razão e as experiências de Armandinho resultam em uma resposta na qual o questionamento pela nota fiscal da bicicleta é um absurdo. Camilo, por outro lado, tem suas perspectivas moldadas para encarar esse tipo de situação como corriqueira visto que já a presume estando com a nota fiscal em mãos.
Portanto, é nítido como a formação dos indivíduos é pluralizada refletindo em diferentes tipos de conduta no cotidiano. As tirinhas expostas, exaltaram como as diferentes realidades sociais atuam na formação racional e desenvolvem-se em experiências que formam o indivíduo. O que fica evidente é o ainda pouco esclarecido e ainda inerente a realidade humana, o preconceito racial, que ainda perpetua de maneira viciosa nas relações do homem com a sociedade.
Matheus de Vilhena Moraes / Direito (noturno)   







Mazelas do pensamento rasteiro.


Muito comum, na contemporaneidade, ainda existir opiniões contrárias aos pensadores de séculos passados. Tidos como “ultrapassados” ou míseros “filhos de seu tempo”, pensadores que engradeceram sua época são postos de lado, principio esse antagônico citado por Descartes
“...a leitura de todos os bons livros é igual a uma conversação com as pessoas mais qualificadas dos séculos passados, que foram seus autores, e até uma conversação premeditada, na qual eles nos revelam apenas seus melhores pensamentos.’’(Pag 3 Discurso do Método).
 À luz dessa controvérsia, ressalta-se o valor crítico de autores atuais acerca dessa dualidade , sobretudo nas obras de Armandinho como em:

Nessa tirinha, é subentendido uma crítica típica ao julgamento raso, uma vez que, mesmo não tendo cometido algum delito, a personagem negra teme correr próxima ao policial pelo fato de que sua cor de pele ,infelizmente, ainda é causa comum para a suposição de que ela esteja fugindo de um possível crime. Assim, o autor chama a atenção do leitor  ao trabalhar com crianças e apresenta-las em contextos cotidianos , isto é , até uma simples brincadeira de correr traz insegurança a quem apresenta cútis negra. Outrossim , há outra obra próxima:
Semelhantemente a tirinha já abordada, Armandinho continua ressaltando, ironicamente o dualismo entre o comum/cotidiano e as mazelas dos pensamentos preconceituosos. Assim sendo, elucida como a personagem negra é resignada com a situação de sua etnia perante as autoridades ao ponto de levar uma nota fiscal para comprovar o não delito. Em suma, Armandinho ratifica como pensamentos rasos, neste caso o preconceito racial, são severamente danosos à sociedade contemporânea. Dessa forma , o resgate de pensadores do século XVII , como Descartes e Francis Bacon, presumem-se não tolo, mas fundamental.
Consoante ao abordado , Descartes em “O Discurso do método” expõe a dualidade entre a cegueira do senso-comum (uso do termo “bom-senso”) em:
“O bom senso é a coisa do mundo mais bem distribuída: todos pensamos tê-lo em tal medida que até os mais difíceis de contentar nas outras coisas não costumam desejar mais bom senso do que aquele que têm.” (Descartes, Discurso do Método pg 1)
.Porém , o autor não finda sua analise apenas na crítica , mas propõe uma forma de escaparmos dessas verdade superficiais. Para tanto , Descartes julga como necessário instrumentalizarmos nossa razão com o propósito dos nossos sentidos não serem passiveis de engano em
eu procure inclinar-me mais para o lado da desconfiança do que para o da presunção, e que, observando com um olhar de filósofo as variadas ações e empreendimentos de todos os homens, não exista quase nenhum que não me pareça fútil e inútil ’’ (Discurso do Método pg 2).
 Ademais, a fuga do senso comum também foi alvo de estudo de Francis Bacon. No entanto , o pensador aborda as falhas dentre o próprio intelecto humano que são capazes de erros ao afirmar que
“ A lógica tal como é hoje usada mais vale para consolidar e perpetuar erros, fundados em noções vulgares, que para a indagação da verdade, de sorte que é mais danosa que útil. ” (Pag 8 Novum Organum).
Assim, Bacon julga também necessário instrumentalizarmos nosso próprio intelecto ao exaltar que 
"procure habituar-se à complexidade das coisas, tal como é revelada pela experiência; procure, enfim, eliminar, com serenidade e paciência, os hábitos pervertidos, já profundamente arraigados na mente”.
Em suma, a união dos meios propostos pelos pensadores do século XVII é fundamental para esquivarmos dos equívocos, dos vícios e, neste caso, dos preconceitos. Dessa forma, caso o ego das autoridades citadas fosse passível de flexibilidade , isto é , esquivar-se da assimilação rasa entre cor de pele e ser criminoso , os danos sociais seriam menores. Não obstante , isso de pouco aproxima-se de uma realidade psicológica sintetizada na frase do filosofo grego Heráclito “os homens buscam em seus pequenos mundos e não no grande ou universal”.

Superar paradigmas


  Hodiernamente, é crescente e evidente a violência e os desafios que a população negra sofre no cotidiano, como representado na charge de Alexandre Beck. O panorama atual é de medo das autoridades e dos abusos cometidos por quem deveria ter a função de proteger todos os cidadãos. Ademais, crianças com o tom de pele mais escuro acabam sofrendo mais precocemente, elas ainda não materializaram o racismo e as que já são conscientes de sua realidade social é devido experiências anteriores.
  Desse modo, sem apoio, acreditam que essa situação é normal e aceitam como se fosse algo pertencente à sua condição natural a diferença de tratamentos e de privilégios entre negros e brancos, criando assim um paradigma de auto inferiorização e desvalorização de sua identidade.
   Somado a isso, os estereótipos enraizados na realidade brasileira relacionam a cor da pele negra com a criminalidade e com situações socioeconômicas miseráveis, esses não possuem fundamentos científicos e são provenientes da mentalidade social pouco desenvolvida e herdada da escravocracia dos séculos anteriores.
  Para quem está distante dessa realidade ou não possui a cor do medo, é insólito imaginar-se nessas situações, porém, corroborando com o pensamento exposto na obra “Novo Organum” de Francis Bacon, é necessário despir-se dos ídolos, que contribuem para manutenção da realidade atual, e iniciar o questionamento do mundo que nos cerca.
  Portanto, para Rene Descartes e Francis Bacon é necessário questionar o cosmo, desnaturalizar e despir-se de preconceitos, sair do senso comum e das generalizações mecânicas para construir uma nova realidade, pautada em verdades cientificas, que devem ser usadas em favor do desenvolvimento humano e em benefício do bem estar coletivo.

Gabriella Natalino - 1º ano, Direito Matutino


A importância da razão e da experiência na sociedade moderna


A razão e a experiência são as bases da ciência moderna. Sem a razão, não há experiência. Sem a experiência, a razão não é capaz de chegar a conclusões reais. Do mesmo modo, se não praticarmos nossas ideias, nunca saberemos se estas são capazes de gerar melhorias na sociedade. A partir disso, nos surge a importância das experiências. Estas, porém, não são as mesmas para todas as pessoas e esse contexto tende a piorar cada vez mais de acordo com o tom da sua pele.
Crianças negras não possuem o mesmo direito de brincar das crianças brancas. Na sociedade, aquelas não são vistas com o mesmo olhar que estas e, muito menos, não vivem a vida que estas vivem pelo simples fato da quantidade de melanina na sua pele. O cenário piora ainda mais diante da falta de representatividade social, a má conduta das autoridades tanto na questão de abordagem quanto na falta de efetividade das leis antirracismo, a depreciação da cultura afro-brasileira e da consequente falta de perspectiva dessa parcela da população.
Após tantas tentativas de constituições, enfim, a nossa população teve seus direitos garantidos pela Constituição de 1988, conhecida por tal motivo como a Constituição Cidadã. No entanto, da mesma forma que Francis Bacon, filósofo inglês, se viu no poder de criticar a filosofia grega, uma vez que esta era “farta em palavras, mas estéril em obras”, nossa constituição também pode ser criticada. De nada adianta tantas leis se, as mesmas, não possuem a efetividade que deveriam ter e não garantem de fato os direitos da população.
René Descartes, filósofo francês, decepcionado com o ensino tradicional e religioso a que era submetido em sua época, decidiu a partir disso, criar seu próprio método, o qual de início buscava questionar a tudo e todos que tinha como verdade. Talvez através do seu método, a miopia social que ocorre diariamente pudesse ser questionada e a luta negra então, vista com sua devida importância.
Mais uma vez, a relevância, não só da experiência, mas também da razão, é esclarecida e, talvez, esse seja o único caminho para que a diferença de dignidade de vida entre uma pessoa branca e uma pessoa negra possa ser enxergada por toda uma sociedade, a qual tem o racismo enraizado desde seu início.

Eduarda Queiroz Fonte
Direito Matutino 

Somos todos iguais


Nossa Constituição Federal traz em seu artigo quinto que todos somos iguais perante a lei, a tirinha de Armandinho criada por Alexandre Beck traz a triste realidade que não somos tão iguais assim. Por que um negro precisa adquirir um comportamento distinto do branco? O que faz um ser humano tomar medidas para se proteger de “pessoas” que deveriam fazer esse papel? O negro anda intimidado, com medo de ser confundido com criminosos, e essas cenas de racismo estão se apresentando cotidianamente no Brasil.
Adentrando nessa temática sob o olhar filosófico Francis Bacon em Novum Organum descreve acerca da teoria dos ídolos, trazendo que: “O intelecto humano é semelhante a um espelho que reflete desigualmente os raios das coisas e, dessa forma, as distorce e corrompe.” O filósofo mostra que os ídolos da tribo estão fundados nas experiências pessoais, estão inseridos no próprio ser humano e suas experiências vividas, ao longo da história os negros foram excluídos da sociedade e receberam tratamento distinto dos brancos como é mostrado na tirinha, esse resguardo pelo personagem Camilo ao mostrar a nota fiscal para o policial denota que o problema do preconceito racial foi vivenciado nas experiências de um povo marginalizado,  presumindo  assim que o corpo social desvirtua a verdade de que somos todos iguais.
Na visão de René Descartes o método Científico busca como fundamento da verdade a razão, que nos faz questionarmos as crenças habituais e corriqueiras que possuímos como certas, Descartes declara o que é a autonomia da mente, ou seja, faz procurarmos a verdade através do questionamento. Não precisamos que pensem por nós, temos independência para criticar tudo que acreditamos ser verdade absoluta. Na segunda tirinha o personagem Armandinho convida Camilo para brincar de correr, uma simples brincadeira entre crianças, Camilo poderia aceitar a corrida porém usando seu raciocínio (razão) não se sente seguro, pois o olhar do policial para a cena poderá ser preenchida de receio por ver um negro correndo, não analisando as circunstâncias de uma simples brincadeira, mas julgando a condição de Camilo pela cor de sua pele.
O ciclo de opressão será findado quando a sociedade começar a tratar igualmente cada ser humano, respeitando sua origem, sua história, suas particularidades, enfim, quando renunciarem as ideias advindas desde a escravatura, os brancos nunca foram melhores que os negros.

Joyce Mariano Santos
Direito Noturno

Racismo estrutural e suas perspectivas


As tiras abordam a constante vigilância, preocupação e cuidados que pessoas negras precisam ter para não serem confundidas com criminosos, como por exemplo passar pelo constrangimento de apresentar uma nota fiscal para que uma autoridade reconheça sua propriedade sobre aquele patrimônio. Nota-se também que a menina negra não questiona a atitude do policial direcionada exclusivamente a ela, e também não se arrisca a correr, pois sabe que estaria submetendo-se à violência policial. Tudo isso é consequência do racismo estrutural no qual a sociedade brasileira está imersa, desde a fundação dessa nação as autoridades desrespeitam e desumanizam negros, sempre com a justificativa de que é para um bem maior (como por exemplo trabalho escravo, ou homicídio de homens com guarda-chuva que um policial confundiu com arma), e embora pareça espantoso todas essas autoridades não são punidas e nossa sociedade ao normalizar essas atitudes deixa "passar batido" e coloca pessoas brancas como ingênuas.

Porém existe mais uma perspectiva a ser abordada, a do policial. Descartes diz em O Método que “Não é suficiente ter o espírito bom, o principal é aplica-lo bem” antes de julgamentos do porquê tal policial viria a menina negra como ameaça, faz-se necessária uma análise do contexto em que aquele policial está inserido. A maioria dos que aceitam cargos nas Guardas Municipais, Polícias ou Exército, fazem isso pois enxergam nobreza em tal profissão, em sua maior parte têm um espírito bom, mas não o aplicam bem. Quando pessoas brancas assumem tais cargos, certamente não passaram pela vivência que negros ou pessoas em situação vulnerável passam e também não tiveram uma educação que os conscientizou, não desenvolvem compaixão pela comunidade que defendem. Como no caso da tira, certamente o policial crê que seu papel é proteger o patrimônio das pessoas e acredita que isso o assegura de ter bom espírito (coloca-o na posição de herói), porém o patrimônio é o mais superficial da sociedade e há muito mais a ser cuidado, ou seja maneiras muito melhores de colocar o espírito bom em prática. Descartes reconhece a imperfeição do homem, não pode-se esperar que todos tenham consciência social (embora fosse o ideal), mas a sociedade precisa ser educada, conscientizada e a elite precisa reconhecer seus privilégios, usar sua capacidade de fazer o bem. O policial deveria zelar para que a menina ande em sua bicicleta com tranquilidade e não questionar sem nenhum embasamento a integridade da mesma. 

Pode-se fazer uma ponte também entre o caráter questionador de Armandinho e a natureza também questionadora de Bacon e Descartes, porém com maior destaque a Descartes que possui um questionamento mais existencialista, enquanto Francis tem um questionamento científico mais técnico/moderno.




Lívia dos Santos P. Cavaglieri 1°Ano Direito - Matutino

O questionamento

      De acordo com Descartes, não basta apenas ter um espírito bom, é necessário aplicar o espírito bom no mundo. René acreditava e defendia a distinção do verdadeiro e do falso, além da absorção de pensamentos, no qual após erros possamos aprender e cessar dúvidas, tendo o bom senso como a coisa no mundo melhor partilhada.
      Evidências nas tirinhas de Alexandre Beck demonstram claramente que o homem ainda não foi capaz de aprender com os erros e possuir o bom senso de acabar com pensamentos racistas.
      Bacon escreve na parte XXIV de seu livro Novo Organum sobre as novas verdades críticas e a profundidade da natureza. Armandinho, criança, puro de natureza. Observa o medo de seu amigo Camilo perante à um policial e por não ter vivenciado nada como antes, questiona tal fato. Medo que varios negros possuem em seu cotidiano nos dias atuais. Dinho não entende o verdadeiro motivo de tal atitude pois não enxerga nenhuma diferença entre ele e seu amigo. Ele possui o discernimento que muitas pessoas perdem com o decorrer da vida. Em pleno século XXI, seres humanos não reconhecem a verdade de que todos são iguais, independe de etnia, gênero e classe social.
      Descartes e Bacon acreditavam no estabelecimento de uma interlocução, de forma a questionar as perspectivas, tal fato é apresentado na tirinha através das perguntas de Dinho, pois ele não compreende o motivo de tal medo.
      Sendo assim, deixo aqui um questionamento: Poderiam as crianças mudar a verdade que os adultos consideram absolutas apenas com o espírito bom delas?  Ou seriam elas totalmente influênciadas pelos pensamentos oriundos que circulam a sociedade atual?

                                                                                                                  Amanda Zandonaide
                                                                                                     Turma XXXVI, direito matutino.

           Alexandre Beck, em suas tiras, faz uma crítica ao racismo estrutural presente em nossa sociedade, exemplificando situações rotineiras na vida da população negra. O personagem Camilo, jovem negro, se vê colocado em situações de constrangimento e demonstra receio da polícia, órgão, teoricamente, designado fazer a proteção da população.
          Na obra Discurso de Método de René Descartes, o autor atenta para a necessidade da razão e dos questionamentos para a produção científica. Fazendo um paralelo com as tiras de Alexandre, nota-se que o policial, imerso em uma sociedade preconceituosa, não busca a reflexão e nem o questionamento de seus atos e continua seguindo um estereótipo elitista e eurocêntrico para designar o perfil dos “criminosos” da sociedade.
         Francis Bacon, na obra Novo Organum, propõem a ideia de ídolos, falsas percepções do mundo, e atenta para a necessidade de análise de casos particulares e específicos das experiências cotidianas para a formação do conhecimento. Nas tiras, os personagens têm diferentes atitudes diante das ações policiais, enquanto Armandinho, jovem branco, assume uma postura questionadora, Camilo assume uma postura cautelosa. Tal diferença nas condutas, é fruto da diferença nas experiências de vida de cada um.
         Assim sendo, ambos autores em suas obras apresentam uma nova lógica científica baseada na razão e na experiência empírica como partes essenciais para a validação de resultados científicos. Desta forma, é necessário que nos libertemos do senso comum para que tenhamos, de fato, uma sociedade justa e igualitária.


Camilla Garcia - Direito Noturno - 1º ano

Racismo, crítica social e as similaridades entre as limitações dos sentidos e das vivências

Semelhante à maneira como René Descartes e Francis Bacon consideraram os sentidos, ainda que por razões distintas e se utilizando de argumentos controversos, como insuficientes para alcançar a verdade pura, a vivência dos não negros, sozinha, é insuficiente para compreender o racismo com minuciosidade e exatidão.

Bacon, no célebre Novum Organum (1620), coloca os sentidos por si só — ou melhor dizendo, os sentidos desassociados da experimentação científica — como dubitáveis, enquanto Descartes, em seu consagrado Discurso sobre o Método (1637), descreve os sentidos como enganosos e os critica por nos induzir ao erro no decorrer da busca pela verdade pura. Neste seguimento, a vivência de Armandinho, enquanto uma criança branca, é, similarmente, ineficiente para que ele compreenda a discriminação racial que Camilo, seu amigo e uma criança negra, sofre nas tiras cômicas a seguir, de autoria do cartunista Alexandre Beck. Isto é, do mesmo modo que os sentidos são questionáveis para a constatação da verdade, a vivência é, do mesmo modo, dubitável no momento de interpretar a realidade porque, individualmente, cada ser humano vive numa [realidade] e se baseia essencialmente nela para conceber seus parâmetros acerca do real.

Tira 1



Tira 2


Ademais, Bacon, também no Novum Organum, tipifica os “ídolos”, as falsas noções que bloqueiam a mente, em quatro gêneros: ídolos da tribo, que equivalem às falsas noções advindas do nosso próprio pensamento; ídolos da caverna, que correspondem às falsas noções procedentes da natureza singular do ser humano; ídolos do foro, que são as falsas noções derivadas da linguagem e da comunicação e ídolos do teatro, que constituem nas falsas noções provenientes dos conceitos filosóficos, científicos e culturais em vigência na época. A teoria dos ídolos de Bacon tinha como propósito libertar o ser humano dos preconceitos, das crendices e dos asceticismos que impossibilitaram o alcance da verdade pura e, neste contexto, cabe uma crítica à sociedade contemporânea que, contrariamente a Bacon, persiste em se manter preconceituosa.

Isto posto, é dedutível que, independentemente de pertencentes ao período moderno e de divergirem entre si, ambos os autores demonstram-se valorosos na análise de questões e discussões na pós-modernidade e é dedutível, também, a indispensabilidade de que os outros grupos étnicos-raciais escutem os negros a fim de entender, por meio da fala, o racismo que não vivenciam na pele.

Thayná R. de Miranda - Matutino

O racismo e a experiência na sociedade brasileira

Segundo o filósofo e matemático René Descartes, em sua obra "Discurso do Método", publicada no século XVII, a verdade pode ser alcançada a partir da dúvida, ou seja, tudo deve ser questionado até que nada mais seja incontestável e, assim, originou-se o Método Científico, que tem a razão como filtro para que a verdade seja atingida. Nesse prisma, esse método entrou em conflito com o pensamento teológico da época, que consistia na aceitação das verdades impostas pela Igreja sem nenhuma contestação, baseando-se apenas na fé religiosa. Ademais, o filósofo Francis Bacon, em "Novum Organum", diz que a verdade pode ser diferente para cada pessoa pois ela existe em decorrência das experiências e vivências de cada um. 
A partir desses pontos de vista, é possível analisar o racismo na sociedade brasileira, sendo este estrutural, pois, devido ao longo período de escravidão, acompanhou a história do país e já está naturalizado para muitos. Assim, quanto ao tratamento da população negra, o pensamento cartesiano, fundamentado na dúvida, não é bem explorado, já que atitudes racistas ocorrem diariamente e não são questionadas pela sociedade. Além disso, os que não lidam com o racismo em seu cotidiano não podem compreender ou reconhecer plenamente a sua existência, visto que, como afirma Bacon, para ter conhecimento é necessário a experiência.
Nesse sentido, o ilustrador Alexandre Beck é autor de duas tirinhas que exemplificam o caráter estrutural do racismo: em uma delas, ele mostra Armandinho, branco, sugerindo a Camilo, negro, que apostassem uma corrida até a amiga deles, mas, ao ver um policial, este diz que é perigoso para ele correr; na outra, os dois personagens são parados por um policial, que pede às crianças - que estão carregando bicicletas - que mostrem a nota fiscal dos brinquedos. Em ambos os casos, Camilo precisou ter cuidados que não são exigidos de pessoas brancas e, portanto, Armandinho, por não sofrer racismo, não os compreende. 
Dessa forma, o pensamento cartesiano não é devidamente aplicado para com a questão racial, pois a naturalização do racismo está inerente à sociedade, além de ficar claro que a experiência é fundamental para a obtenção do conhecimento.

Giovanna Marques Guimarães - 1° ano - Direito (Matutino)

A Ciência Moderna como base para o século XXI

A partir do século XVI, com o surgimento da Ciência Moderna, há uma importante ruptura em conceitos pré-estabelecidos, principalmente com bases metafísicas, a respeito do indivíduo e da própria ciência. Os principais expoentes dessa quebra de conceitos foram os filósofos Francis Bacon e René Descartes, que com seus métodos de emancipação do ser humano, trouxeram uma diferente perspectiva para humanidade sobre a forma como o indivíduo se relaciona consigo mesmo e com o mundo.
Bacon criou o método empírico-indutivo, em que o ser humano, através da experiência, chega ao conhecimento e é capaz de controlar a natureza e usá-la a seu favor. Contudo, o indivíduo deve ''limpar a sua mente'' e desfazer-se dos ídolos que tem dentro de si. Nesse texto, focaremos apenas nos ídolos da tribo e nos ídolos da caverna. que são o senso comum ou conceitos atrelados em bases da sociedade e os preconceitos, respectivamente. Por outro lado, Descartes afirma que o ser humano pode emancipar-se pela razão, utilizando o método cartesiano, que tem como epicentro a dúvida. É apenas através da dúvida que o indivíduo pode chegar a plena consciência e usar a natureza a seu favor, assim como propunha Bacon. Apesar de ambos os filósofos divergirem na forma como adquire-se o conhecimento, ambos afunilam para o mesmo ponto: o conhecimento humano.
Diante desse contexto, relacionamos o empirismo e a dúvida na forma como o policial trata a criança negra Camilo na tira. Analisando pelo empirismo, o policial, que representa na tira as forças armadas, não ''limpou'' sua mente dos ídolos da tribo e da caverna, isto é, associou Camilo ao crime ao desconfiar da procedência da bicicleta, pedindo que a comprovasse pela nota fiscal, evidenciando o preconceito e conceitos errôneos atrelados na sociedade sobre o negro, o qual acarreta na permanência do racismo estrutural na sociedade brasileira. Analisando pelo método cartesiano, não houve o questionamento por parte do policial se Camilo, que é uma criança, de fato fosse um infrator, mas sim uma certeza, destoando de Descartes que defende a dúvida como princípio da busca pelo conhecimento.
Compreende-se, assim que a Ciência Moderna, com bases no século XVI é atual no século XXI, já que preconceitos são tão atuais quanto os ídolos de Bacon, que dizia há mais de 400 anos atrás que a emancipação humana começa pelo descolamento do senso comum e dos preconceitos da mente, assim como Descartes dizia que a dúvida deve ser o princípio da emancipação e não a certeza, contribuindo para uma melhor vivência entre os indivíduos consigo mesmo e com outros indivíduos, para que acontecimentos evidenciados pela tira não tenham mais espaço na sociedade.

Lucas Gomes Granero - Direito Noturno (1° ano)

                                                DICIONÁRIO DA VIDA


Razão, substantivo feminino que é empreendido, necessariamente, na produção de conhecimento, imprescindível para a ciência empirista. No entanto esta “ciência” vem acompanhada pelo substantivo masculino “empirismo”, de modo que para a ciência empirista  o “pensar” – sendo o pensar uma ação que serve a propósito fúteis e impráticos por não terem ação direta na realidade, segundo os filósofos empiristas Bacon e Descartes – deve estar atrelado a “experiência". 
A experiencia é a pedra angular do processo de conhecimento, um substantivo feminino de grande relevância. Apesar de ser verdade que a ciência empirista exige o questionar – verbo, uma ação reservada a razão - que utilidade teria o raciocínio que não segue a nenhum propósito? A razão divaga, enquanto que a experiência direciona para o real.
         O texto acima foi redigido em um formato que se assemelha a explicação de um dicionário. Esta alusão busca demonstrar que por mais que as palavras tenham seus significados universais – representando o mesmo para todos os cidadãos brasileiros, tendo semelhante significação nos dicionários – a experiencia prática demonstra que os significados das palavras mudam conforme a raça da pessoa envolvida.
        Assim conceitos como igualdade e dignidade social têm seus significados subvertidos a uma ordem preconceituosa, quando se trata de pessoas negras. Este raciocínio é bem exemplificado pela tirinha, no qual são representadas duas crianças – uma negra e a outra branca – que querem exercer seu direito de brincar. Ambas as crianças entendem, através da razão, que podem correr, no entanto Camilo sabe que seu ato de correr poderia ser mal interpretado pelo policial, de forma que este poderia encarar Camilo como um ladrão. Camilo sabe por sua experiência de vida - enquanto pessoa negra, marginalizada socialmente, julgada por um país com uma longa história escravocrata – que a racionalidade por si só não rege o mundo. Ele entende que direitos que têm o papel de servir a todos os cidadãos, e que deveriam significar proteção jurídica, são subvertidos para subjuga-lo a uma ordem racista.


Érika Nery Duarte
Primeiro ano
Direito Matutino

O racismo fundamentado na experiência empírica


Na obra “Novum Organum” de Francis Bacon e em “Discurso do Método” de René Descartes, ambos abordam a importância da experiência empírica para a validação do resultado de uma investigação científica, abordando também como essa experiência empírica é regida por preconceitos e ideias pré estimuladas, que afetam no julgamento e na visão de mundo. Bacon ainda propõe o conceito de Ídolos, falsas projeções de mundo, que dificultam a enxergar a realidade de forma neutra.
Nas tirinhas de “Armandinho” de Alexandre Beck é evidenciado como a experiência empírica nos afeta nos dia-a-dia e nas atitudes que tomamos. Armandinho convida Camilo, um personagem negro, para apostar uma corrida, Camilo rapidamente aceita, mas ao perceber que existe um policial fardado no lugar onde eles deveriam correr desiste, evidenciando como a população negra desde criança é ensinada a temer os policias, por conta do histórico de violência policial contra negros que existe no Brasil e em grande parte do mundo. Ao mesmo tempo, Armandinho não consegue enxergar o motivo pelo qual seu amigo desiste, pois, por ele ser branco, aquele policial não apresenta uma ameaça para ele. Essa segurança do personagem pode ser compreendida pelo Ídolo da caverna de Bacon, quando o indivíduo não reconhece uma realidade que não é a sua como existente.
A segunda tirinha mostra que a desconfiança de Camilo estava correta pois, ao passar por um policial de bicicleta, em uma situação inesperada para Armandinho, eles são abordados e o policial pede para que apresentem uma nota fiscal, enquanto Armandinho fica sem reação, Camilo prontamente retira do seu bolso a nota fiscal do veículo. Isso mostra que com base na experiência de Camilo ele já está acostumado a ser acusado de situações, como furto, simplesmente por ser negro, sem haver nenhuma prova ou evidência, o que para Armandinho é uma experiência desconhecida.
Essa tirinha se apresenta apenas como uma metonímia da realidade, pois casos de racismo policial são muito comuns atualmente. Um mais recente que pode ser usado para contextualização, é o do jovem negro de 19 anos estrangulado até a morte por um segurança no supermercado Extra no Rio de Janeiro, simplesmente porque o segurança desconfiou que ele estava furtando algo do estabelecimento. Desse modo vemos como para a população negra confiar em pessoas que deveriam promover sua segurança se torna uma tarefa quase impossível, pois a experiência de anos mostra como o racismo está presente no julgamento desses policiais.



Isabella Stevanato Frolini
Direito Noturno,primeiro ano

A Prática da Moral Provisória

 O filósofo e economista Karl Marx estabelece uma relação entre o conhecimento e o posicionamento das classes sociais em que esse é utilizado como instrumento de dominação, tendo o pensamento parecido com o de Francis Bacon que ao escrever o “Novum Organum” afirma, pela primeira vez na história, que saber é poder, sendo o conhecimento empregado pela burguesia como forma de domínio, criando uma civilização à sua imagem e semelhança.
Essa civilização se baseia em verdades tidas como absolutas que subjugam grupos sociais, incorporadas no senso comum, o que dificulta a prática de dúvidas e questionamentos. No Rio de Janeiro, Leonardo Nascimento foi erroneamente preso no início de 2019, vítima de uma atitude equivocada e racista baseada no senso comum estabelecido pela elite, pelo assassinato de Matheus dos Santos Lesa. Tal situação poderia ter sido evitada se os policiais exercessem o Ceticismo Descartesiano, em que tem se como totalmente falso tudo aquilo que haja até mesmo uma remota dúvida. Além disso, se a cura da mente proposta por Bacon, em que se privilegia a experiência frente às próprias concepções e antecipações da mente, fosse praticada o aprisionamento desnecessário do Leonardo não haveria ocorrido.
Para Bacon , o conhecimento verdadeiro é alcançado justamente através da experiência, quebra de preconceitos e emancipação dos ídolos da mente, que prejudicam sua análise e visão sobre o mundo. Para Descartes, o conhecimento real não se dá apenas pela formação acadêmica e estudos de livros, mas sim pela consciência adquirida ao analisar diferentes culturas e costumes que possam parecer contrários à razão e “atrasados” quando vistos através de uma lente etnocêntrica.
Apesar da busca pelo real conhecimento de Descartes e Bacon terem sido propostas no século XVII, ainda há uma forte influência e necessidade sobre a sociedade contemporânea, já que se em situações como a de Leonardo Nascimento e mesmo na infância, como ilustrado pelo cartunista Alexandre Beck em uma de suas tirinhas de “Armandinho” que exemplifica a situação de desigualdade em que Camilo (o amigo negro) precisa andar com uma nota fiscal para comprovar que a bicicleta o pertence, haveria dúvida sobre a ação a ser feita e interesse em conhecer experiências distintas de suas próprias.
A prática de reflexões filosóficas propostas pelos dois filósofos e da moral provisória (utilizar a ciência já produzida mesmo que haja inovações) levaria ao objetivo dos mesmos: para Bacon, a ciência seria útil e transformadora, alterando o cotidiano de muitos, já para Descartes a ciência seria empregada para atingir um bem maior comum.






Monique S. Fontes

1 ano Direito Noturno

A dicotômica realidade



Francis Bacon, um dos percursores do método indutivo de investigação científica, acreditava no poder da pesquisa experimental e da observação na procura de saberes objetivos ao homem e abordou essa perspectiva na obra Novo Organum por meio da apresentação dos ídolos (da tribo, da caverna, do foro e do teatro) como falsas percepções da realidade. Em contraste, René Descartes baseou seus pensamentos sob uma abordagem dedutiva fundamentada na razão como a forma de se alcançar o conhecimento verdadeiro e propôs o questionamento dos sentidos uma vez que estes levam o próprio homem ao erro.
Sendo assim, ao analisar a tirinha de Alexandre Beck, é notória a influência das diferentes vivências, como aponta Bacon, no modo de agir e pensar das personagens Dinho e Camilo quando este reage de forma inusitada, pelo ponto de vista de seu amigo, sem ao menos questionar o por quê de ser solicitada a nota fiscal e de prontidão apresentá-la, já que está habituado à repressão e tratamento diferenciado observados também no medo de correr com a visão do policial como uma ameaça a sua segurança, o que configura uma enorme problemática uma vez que, em tese, esse é encarregador de zelar pela segurança da sociedade.
Ainda que abordados de maneira simples nos quadrinhos, tais acontecimentos configuram uma problemática extremamente presente na sociedade hodierna: O racismo estrutural, enraizado e irracional enfrentado todos os dias pela parcela negra da população.

Gabriela Makiyama
Direito Noturno


O racismo pela ótica baconiana e cartesiana.

      O ilustrador Alexandre Beck,em algumas de suas brilhantes tiras,retrata a realidade racista da sociedade,bem como as dificuldades vivenciadas pela população negra.Como exemplo,tem-se os quadrinhos do personagem Armandinho,no qual seu amigo Camilo,por diversos momentos,mostra-se privado do direito de ir e vir com total liberdade,demonstrando receio e medo de orgãos estatais responsáveis por trazer segurança para os cidadãos,somente pelo fato de ser negro.
      Em sua obra ''Discurso do Método'',René Descartes discorre sobre a forma de se produzir e absorver conhecimento,promovendo um novo método científico baseado na razão e na experiência.O autor afirma que é inviável aceitar qualquer informação sem antes por em dúvida sua veracidade,e ainda buscar comprová-la através de experimentações sistemáticas.Desse modo,é clara a relação entre seu pensamento e a realidade presente nos quadrinhos de Armandinho,na qual os policiais,imersos em uma sociedade extremamente preconceituosa,não buscam questionar-se e refletir acerca de suas ações e pensamentos,ficando a mercê de ideais infundáveis e incabíveis.
      Com pensamento semelhante,Francis Bacon,em sua obra ''Novum Organum'',formulou a denominada teoria dos idolos,criada para buscar conscientizar os homens acerca de suas falsas percepções de mundo.Segundo o filósofo,os idolos referem-se aos preconceitos e as noções infundadas que permeiam a mente humana.Exemplificando o conceito,o racismo encaixa-se perfeitamente,como é o caso da situação representada por Alexandre em seus quadrinhos,na qual Camilo apresenta medo em passar próximo de policiais,bem como está acostumado a ter sua honestidade posto a prova devido a quantidade de melanina em sua pele.
      Dessa forma,tanto Descartes como Bacon,em suas obras,apresentam um novo método científico baseado na razão e experiência,além de dissertarem a respeito das formas de obtenção do conhecimento.Assim,é totalmente válido relacionar suas teorias com situações encontradas nas sociedades atuais,como é o caso do racismo e o preconceito,também denunciados nas tirinhas de Alexandre Beck.

Luan Mendes Menegão - 1° ano Direito - Matutino.

A experiência e a cor da pele

   O conhecimento, sendo extremamente individual, é composto por diversas fontes. Uma das mais importantes e individuais é a experiencia, muitas vezes atingida pela vivência: cada pessoa possui uma história, e com ela formamos ideias que nos acompanham por toda a vida. Essas ideias sempre nos guiarão nas tomadas de decisão, da mais corriqueira à mais sofisticada. E para Francis Bacon, a mente deve ser sempre auxiliada pelos mecanismos da experiência, que protege a razão das falsas percepções, os diversos ídolos.
  Nas tiras de Alexandre Beck, vemos como a experiência regula os comportamentos das pessoas, sempre de formas muito distintas. Na primeira tira, ao serem confrontados pelo policial sobre a nota fiscal, Armandinho começa a tomar uma postura contestadora: sua vivência não o preparou para uma situação como aquela. Já Camilo, seu amigo negro, é testado com muito mais frequência e, provavelmente, ouve de sua família histórias de preconceito racial. Sabe, portanto, que caso tenha a mesma postura de seu amigo pode ser punido com rigidez. Da mesma forma, na segunda tira Camilo evita apostar uma corrida com Armandinho ao ver um policial, já que sempre ouve-se falar de jovens negros que simplesmente por correrem são presos ou mortos.
  Em ambos os casos, percebe-se que diferentes vivências levam a diferentes atitudes. Em uma realidade racista como a brasileira, a cor de pele já se coloca como uma decisiva experiência, pois carrega todo um passado elitista arraigado nas relações sociais em todos os níveis. 

Gustavo Carneiro Pinto 
1º ano - Direito (Noturno)

A ciência teleológica moderna e a prova contra o racismo

     A ciência pela ciência dissipou-se. O sistema capitalista fragmentou aquilo que conhecíamos como produção científica em prol do conhecimento, tornando o conhecimento científico uma mercadoria a ser vendida, ou um instrumento de lucro exacerbado. A busca pelo enriquecimento na sociedade moderna é materializada pelo lema estadunidense que foi eternizado pela propaganda exaustiva do “American Way of Life”. “Time is Money”, conclusão e frase concebida pelo revolucionário norte americano Benjamin Franklin, tornou-se um paradigma da comunidade global, que acidentalmente (ou não), adere à esta frase um sentido de vida, um norte, uma motivação de viver, tornando-a um estilo de vida, típico e extremamente necessário ao sistema capitalista moderno e à todas as outras formas de sustentá-lo, como o consumismo.
     Descartes e Bacon criticaram e hostilizaram a falta de finalidade da ciência de seu tempo, em favor do bem-estar do homem proporcionado pelos avanços científicos. Expuseram a esterilidade da ciência e da filosofia antiga, e em seu contexto renascentista a ciência ganhou um propósito, e a filosofia ganhou um motivo para explicar fenômenos e questões, além da finalidade de melhorar a sociedade, bem como sua forma de pensar. Talvez fosse desconhecido por eles a proporção que a ciência teleológica ganharia em meio ao contexto econômico global. É fato que tinham razão, a ciência na antiguidade era uma forma de vangloriar e reforçar o antropocentrismo, pouco servia à humanidade, porém, atualmente o desenvolvimento científico serve não só à humanidade, mas também ao sistema econômico vigente.  
    O processo de instrumentalização do conhecimento a fim de torná-lo útil favoreceu aspectos independentes de fatores econômicos, tal como dito anteriormente, através de um método mais racional e independente da indução, Bacon e Descartes destacaram que as concepções que provinham de conjecturas e costumes não eram válidas à ciência, o que  possibilitou que a igualdade entre os grupos sociais fosse reconhecida cientificamente, como ocorria no entendimento de que a homossexualidade configurava uma doença ou um distúrbio psicológico, outro exemplo claro desta mudança está na concepção da sociedade relacionada ao racismo. Com o desenvolvimento da ciência provou-se aos incrédulos racistas que o negro é um ser humano como qualquer outro, o que passou a deslegitimar qualquer forma de preconceito baseado no argumento que alega inferioridade. A quebra desse paradigma parcialmente favoreceu a concessão de direitos às minorias antes reprimidas pelo pensamento conservador e arcaico da sociedade, que ainda persiste em confrontar as provas contra o racismo.


- Jonathan Toshio Maciel da Silva
Direito (noturno)

A importância da experimentação na convivência em sociedade


A construção da sociedade brasileira contemporânea se pauta no princípio da isonomia. Foram necessários muitos séculos para que esse ideal se concretizasse, e ainda assim, muitos negros ainda sofrem com a realidade na qual o preconceito racial é latente. 
No início da formação da sociedade brasileira, os negros eram vistos como seres “sujos” e inferiores, e por muito tempo, eles foram subjugados e postos em condições sub-humanas. A conquista da liberdade física só ocorreu no final do século XIX, com a promulgação da Lei Áurea, porém, não houve auxílio do governo e aquela sociedade com um ideal já estruturado não ofereceria emprego a ex-escravos, sendo assim, a população negra continuou aprisionada ao racismo.
Além disso, a reforma urbana que visava a “adequação” da cidade do Rio de Janeiro para os imigrantes europeus fez com que a população negra fosse realocada para a periferia. Em situação de vulnerabilidade econômica, muitos se impuseram a contribuir com a violência urbana, aprofundando ainda mais o ideal marginalizado do negro.
Isso foi se arrastando através das gerações, sendo visto como algo comum, até que no século XX, com o avanço no sistema de comunicação, figuras de representatividade começaram a surgir e a darem voz ao início do processo de luta pela igualdade. Um dos maiores progressos do Brasil em relação a isso foi o artigo 5° da Constituição Federal de 1988 onde declara que todos são iguais perante a lei.
A luta pela igualdade social continua sendo travada, pois o trabalho da mídia de reproduzir as notícias que marginalizam a população negra é constante, e somada ao treinamento da segurança pública, o racismo se difunde ainda mais na sociedade. A forma como a visão do negro foi construída é explicada pelas teses debatidas pelos filósofos René Descartes e Francis Bacon acerca da razão e da experiência na interpretação do mundo, e o entendimento da raiz da questão é o gatilho para mudanças efetivas.
Muitas obras contemporâneas expõem e questionam a conduta retrógrada da sociedade. O autor Alexandre Beck retrata, em duas tiras de Armandinho, situações cotidianas em que o racismo está presente.
Na linha de pensamento de Descartes, todo o ser humano, em sua essência, possui razão, porém, o caminho pelo qual direcionamos nosso pensamento é diferente, ou seja, relacionando com a primeira tira, a atitude do policial em relação à Camilo é irracional, pois o tratamento para com os dois garotos deveria ser equivalente. E na segunda tira, Camilo seguiu por um caminho também irracional, levado pela suposição – advinda da experiência – do que o policial poderia interpretar ao vê-lo correndo até a colega.
Porém, pelo empirismo Baconiano, existe aquilo que o filósofo nomeia de ídolos (falsas percepções do mundo). Isso é exemplificado nas tiras, onde pode-se interpretar que, ao pedir a nota fiscal, a construção do pensamento do policial foi influenciada pelos “ídolos do foro” – influência da associação dos indivíduos –, e ao mostrar a nota fiscal na primeira tira e evitar a corrida até a colega na segunda, Camilo demonstra a atuação dos “ídolos da caverna”, que são aqueles que se vinculam à formação e educação do indivíduo, pois crescendo nessa sociedade que marginaliza a cor de sua pele, o garoto consegue ter uma imagem do pensamento do policial.
Além disso, a tese de Bacon da necessidade da razão com a experimentação também é presente na tira, pois Camilo já tinha conhecimento prévio das consequências da interpretação do agente, enquanto Armandinho não tinha uma visão dessa realidade, e já dizia Aristóteles, filósofo da Grécia Antiga, que "nada está no intelecto sem antes ter passado pelos sentidos”.
Desta forma, é possível concluir que a tese de Descartes pode auxiliar no combate ao preconceito racial, porém a convivência em sociedade e o desenvolvimento da mesma exige algo além do racionalismo, pois o uso apenas da razão torna as ações e o mundo insensíveis. Com o empirismo de Bacon é possível acreditar que, um dia, será surreal imaginar que uma criança, muito antes dela se descobrir, já possui a noção das maldades que terá de enfrentar por simplesmente dispor de mais melanina do que outros indivíduos.

Daiana Li Zhao 
1º ano - Direito Matutino


Diferentes realidades sociais   


Descartes estabelece, no Discurso do Método, um modo de se aproximar à verdade baseado no uso da razão, utilizando-se da dúvida para alcançar um conhecimento sólido. Nessa perspectiva, a clareza do pensamento seria o critério para determinar algo como verdadeiro.

Através desse pensamento pode-se compreender o comportamento de Armandinho nas duas tirinhas, ao estranhar o pedido para que mostre a nota fiscal e de não entender por que não seria seguro para seu amigo correr, na outra situação. Na visão do menino, a função do policial é a de garantir a segurança das pessoas e como ele não fez nada ilegal não haveria motivo para temer qualquer outra coisa. Essa construção de pensamento se dá pois Armandinho provavelmente nunca teve contato com a violência ou a acusação injusta de um policial antes.

Bacon, ao criticar a forma de como o conhecimento era produzido até sua época, cria um método próprio para isto, que seria o método indutivo. Nesse método a análise de casos particulares e específicos das experiências cotidianas levariam a formação do conhecimento.

Aproxima-se dessa forma de pensar o personagem Camilo, que lida de maneira diferente da de Armandinho com as situações envolvendo o policial. As atitudes de Camilo parecem ser advindas de uma experiência pessoal do personagem envolvendo a polícia, dessa forma a criança tem medo e age com cautela diante da autoridade para evitar um possível conflito.

Certamente que nenhum dos garotos teria a capacidade de levar à fundo a metodologia proposta pelos filósofos, no entanto é interessante comparar as perspectivas completamente diferentes de cada um deles. Há implicitamente na tirinha uma crítica a violência policial de caráter racial, pois Camilo, personagem negro, aparenta ter vivido um conflito anterior, muito diferente de seu amigo Armandinho que através de sua fala demonstra nunca ter vivenciado algo assim anteriormente.

Gustavo Dias Polini (Direito - Noturno)