Um levantamento realizado pelo software de recrutamento Pandapé em parceria com a consultoria global de RH Adecco estima que, em 2025, 70% das empresas usaram IA - Inteligência Artificial - para recrutar seus funcionários. Apesar de pontual, esse levantamento retrata uma realidade brasileira: a expansão do uso de algoritmos e IA em processos de seleção. Dessa forma, é necessário analisar essa situação e como ela representa o ápice da racionalização e da burocracia.
A princípio, vale ressaltar como o uso de algoritmos e IA em processos de seleção é um exemplo da racionalização da sociedade. Segundo o sociólogo alemão Max Weber, em seu livro "Economia e Sociedade", no capitalismo, a ação social - a forma que os indivíduos agem cotidianamente - é movida por uma racionalidade cada vez maior, o que torna o sujeito moderno frio e calculista. Nesse viés, devido a essa racionalização, as empresas utilizam algoritmos e IA para encontrar o candidato que gere mais lucro ou se adapte mais rápido, ignorando a ação racional com relação a valores, como ética, diversidade real ou justiça social.
Além disso, é importante destacar como essa utilização de IA em processos de recrutamento representa o ápice da burocracia. Weber descreveu a burocracia como a forma mais racional de exercer domínio, pois trata todos de forma impessoal. No entanto, essa impessoalidade da burocracia algorítmica provoca uma desumanização: ela reduz o indivíduo a dados quantificáveis, uma vez que o algoritmo não tem favoritos, mas também não tem empatia.
Em suma, o uso de algoritmos e IA em processos de seleção tem se tornado cada vez mais comum, pois as empresas acreditam que existe uma "neutralidade científica" nessas ferramentas e que, por esse motivo, elas farão a melhor escolha. Entretanto, essa prática revela a racionalização e a burocratização da sociedade, ignorando o indivíduo e provocando sua desumanização.
Giulia Ribaldo - Primeiro ano de Direito (matutino)