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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Como fazem os pássaros


            “Twitter”, é o que os pássaros fazem quando "tweet" (gorjeiam),para manter o contato uns com os outros. De forma análoga, nomeou o website criado por um estudante universitário em 2006, considerado na época o serviço ideal para comunicação e conexão entre amigos, família, trabalho por atender suas necessidades e objetivos de forma eficiente e rápida. Isto é, o fato de obter uma resposta veloz, frequente, fácil de digerir, concisa e curta- dentro de 140 caracteres- faz desse site o meio ideal para a sociedade moderna racionalizada.
            Na sociologia de Weber, racionalização refere-se a um processo no qual um número de ações sociais baseiam-se em considerações de eficiência teleológica ou de cálculo, que se manifestou especialmente na sociedade ocidental, em aspectos como o comportamento no mercado capitalista, a administração racional do Estado e a expansão da ciência e tecnologia modernas.
O processo de racionalização ao qual Weber refere-se está relacionado com as mudanças estruturais, culturais e sociais que as sociedades modernas passaram no decorrer do tempo. Essas mudanças geraram grandes impactos, como a gradual construção do capitalismo e a explosão do crescimento dos meios urbanos. Nesse sentido, caracteriza-se essa tendência pela eficiência, isto é, o melhor método para realizar uma tarefa, o método mais rápido para atingir seu objetivo, significa que todos os aspectos de determinada organização se voltam para a minimização do tempo empregado em uma tarefa. Também, a medição, que são metas quantificáveis ao invés de subjetivas.
Para Weber grande parte da vida social havia sido reduzida à lógica racional. Explicações e questionamentos baseados na utilização da razão instrumental quebraram noções preconcebidas e ancoradas no núcleo religioso tradicional. Contudo, alguns teóricos argumentam que os impactos desse processo estão indicados na impessoalidade e apatia do processo burocrático, que, apesar de necessário nas complexas organizações que temos hoje, exacerba o crescente sentimento de abandono e apatia do sujeito moderno em função do desolamento causado pelo fatalismo de um mundo ultrarracionalizado. De forma ilustrativa, nota-se a substituição do contato face a face pelo contato tela a tela. O Twitter é o meio preferido em nossa vida agitada, uma realidade cheia de oportunidades, que logo se extinguem. O que se perde, portanto, é a intimidade, durabilidade e profundidade das relações.



Giovanna Menato Pasquini, 1º Direito, Matutino

Rerfoma Capital Social


O século XVI marcou-se, majoritariamente, pela reforma protestante.  Deu-se aí, junto com a propagação de uma nova doutrina religiosa e a decadência do feudalismo no século XV, a disseminação do instinto acumulador de capital e de consumo. O ideal protestante estava intrinsecamente relacionado com essa forma de capitalismo da época. O trabalho se dava como algo inerente ao homem e o capitalismo apenas uma consequência da ética protestante que faria com que os homens alcançassem a salvação eterna.
A influência desse ideal protestante no mundo ocidental faz com que as nações sejam embasadas nesse modo de vida, as instituições tornam-se reflexo disso, o direito acaba por ter a função de legitimar a doutrina e legalizar o que seria chamado por Max Weber de uma espécie de dominação legal na sociedade. As ações individuais são ponderadas a partir deste raciocínio dominante, chamado por, também, Weber, isto é, de ação social; quando os indivíduos são influenciados a agir em um molde comum.
Ademais, na atualidade, vê-se a burocracia como um instrumento de legitimação interligado ao direito, uma vez que os meios contratuais burocráticos que regem a sociedade são determinados pelo direito, que por sua vez é determinado pelo pensamento capitalista. Contratos de aluguel, de compra e venda, entre outros, ao serem ratificados garantem ao dono o lucro de seu desejo.
O pressuposto de ação social, de Weber, é visto na atualidade nos meios de consumo. Comprar algo que esteja em ascensão, bem como atualizar o modelo de iphone, comprar um novo modelo de tênis, ou seja, sempre se atualizar nas formas de consumo. O capitalismo interligado ao movimento protestante que predomina o mundo ocidental é responsável por isso.

Pode-se, ainda, ver de forma análoga ao conceito de ação social, a indústria cultural. Os meios midiáticos, repassam todo o espirito consumista aos indivíduos. A busca do meio social de estar sempre atualizado nas formas de consumo revela a influência que o pensamento protestante originado no século XVI que se atrela ao espirito capitalista e rege os modos de consumo da atualidade. A cultura, que é o meio próprio do homem de produzir algo novo, encontra-se delimitada a tais pressupostos citados. O predomínio do pensamento capitalista burguês que se fundou em uma doutrina religiosa faz-se ainda atual.
Pedro Henrique Lourenço Pereira - Direito 1º ano - Matutino 

A dominação do direito

     Acerca dos fins e dos meios do direito há e sempre houve muita divergência entre os mais renomados cientistas jurídicos e sociais. Seja ele uma ciência pura ou uma instituição enviesada, um preceito natural ou construído, o fato é que ao longo da história tem se constatado cada vez mais que o direito serve de instrumento de manutenção do poder nas mãos de uma classe minoritária, a qual cria as leis, e, por conseguinte, de favorecimento aos interesses de uma elite privilegiada. Isso pode ser comprovado ao observar-se os inúmeros casos de corrupção em alta por toda a mídia na história recente do Brasil, quando, por exemplo, o procurador-geral da República Rodrigo Janot diz que o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, teria negociado propina com o banqueiro André Esteves, do banco BTG, e o empresário Edson Bueno, do grupo Amil, em troca da aprovação da Medida Provisória 656/2014, que liberou a participação de capital estrangeiro, em percentual majoritário, em hospitais, laboratórios médicos e planos de saúde. Ou ainda, nos Estados Unidos, ao observar o American Legislative Exchange Council (ALEC), uma organização sem fins lucrativos na qual participam membros do legislativo e representantes do setor privado que abarca diversas denúncias de prática de lobby e exercício de grande influência na criação e aprovação de leis.
     Portanto, é inegável que o direito é, nos moldes weberianos, um instrumento de dominação, ou seja, representa a incidência de estímulos externos sobre o modo de conduzir a ação social. Isso fica ainda mais evidente no momento em que Weber analisa que a situação de dominação ideal é rara, sendo a instabilidade permanente, não obstante os esforços do dominante, o que pode ser constatado em vários momentos da história nos quais a dominação do direito foi ameaçada e, em muitos casos, até mesmo quebrada, como na Revolução Russa ou na Revolução Haitiana. Dessa constante instabilidade, decorre a importância da legitimidade da dominação que, no caso jurídico, pode ser exemplificada pelos momentos em que o direito "concede" garantias, melhorias na vida social, como no caso da CLT, aprovada durante o Estado Novo, que apesar de representar um avanço no âmbito dos direito trabalhistas, serviu também para manter atrelada a classe trabalhadora aos interesses do Estado.
     É evidente que a dominação exercida pelo direito não é sempre nociva, uma vez que é necessária para a manutenção da ordem social. Contudo, a crítica tem de ser feita quando essa dominação começa a ter lado, isto é, quando ela começa a atender somente os interesses da elite dominante em detrimento do bem-estar da maioria desfavorecida.

Fontes: http://www.valor.com.br/politica/5120428/cunha-negociou-propina-com-btg-e-amil-para-aprovacao-de-mp-diz-janot;
"A 13ª emenda" de Ava DuVernay;

Gustavo Lobato Del' Alamo - Direito diurno - 1º ano