Em tudo há Arte. De um cisne negro pode surgir Arte, da mais bela à melancólica, aterrorizante, musical, triste e sufocante. E talvez seja por isso que há tantas pessoas vivas ainda, em oito bilhões de humanos, não existe um que viveria sem a Arte; mesmo que diga o contrário, esse indivíduo não entende o conceito de Arte nem como sua presença define, molda e influencia sua vida. Os próprios lugares são arte, a natureza, a cidade, o mar, a dor, a mente doída. O nada e o tudo.
Sem a Arte, nem sei o que seria de mim. Tudo bem, ela pode não ser tão relevante quanto a ciência, mas isso não é motivo para descartá-la. Ela tem uma função ímpar, uma função social, contribui para a ordem, a coesão, o progresso da sociedade e muito mais. Porém, ela também está no sal que escorre pela bochecha, nas cordas vocais vibrando e sangrando, nas subjetividades individuais, na tinta puramente abstrata.
Você não concorda? Ah, tudo bem, mas sou eu que não te entendo. Claro, Ela educa, pode transmitir valores, reforçar a harmonia social, ser útil e objetiva. Mas a Arte, a verdadeira, que explode em minhas veias, está em muito mais do que isso, nas violetas, nas abelhas, no ar que me sufoca. Excessivamente irracional e transcendental.
Você pode até discordar; sua arte positivista pode até mesmo me tocar, mas eu preciso de uma Arte que me amasse. Enfim, acho que vamos morrer brigando.
João Vitor Bueno Pereira, 1º ano de Direito noturno.