Se Max Weber entrasse num grupo de WhatsApp hoje, ele não ia perguntar "o que está acontecendo". Ele ia perguntar "qual o sentido que cada um dá ao que está acontecendo".
Essa é a sociologia compreensiva: entender a ação social pelo motivo de quem age.
No Brasil atual isso dói e explica. O político que posta vídeo chorando não quer só governar. Ele quer ser visto como pai, salvador, porta-voz de Deus.
O jovem que entrega iFood 14 horas por dia não quer só dinheiro. Ele quer autonomia, mesmo sem CLT.
Ação tem sentido, mesmo quando o sentido é a desesperança. Weber usava o tipo ideal pra isso. Não é perfeito, é uma régua. Tipo ideal de político honesto. Tipo ideal de concurso público. Tipo ideal de escola pública.
A gente mede a realidade nessa régua e vê o quanto estamos tortos. Serve pra criticar sem romantizar, pra comparar sem dizer que "era melhor antes".
E aí entra o direito como dominação.
Pra Weber, lei não é só justiça. É um jeito legítimo de mandar. Hoje vemos isso todo dia: lei de fake news que vira censura pra uns e liberdade pra outros. Lei trabalhista que protege, mas também empurra gente pra informalidade. Lei que demora 10 anos e domina pela espera. O brasileiro vive entre três dominações: a tradicional do "você sabe com quem está falando", a carismática do líder que "fala a nossa língua", e a racional-legal da burocracia que te pede 3 comprovantes.
Vivemos as três ao mesmo tempo e por isso o país parece esquizofrênico.
No fim, Weber diria: o Brasil não é irracional. Ele é racional demais, só que cada grupo com sua racionalidade.
E até a gente entender o sentido do outro, a dominação continua vestida de lei.
Nenhum comentário:
Postar um comentário