O filósofo francês Auguste Comte, fundador do positivismo e considerado por muitos como o "pai" da Sociologia, viveu na primeira metade do século XIX, durante a Segunda Revolução Industrial, período o qual a burguesia buscava hegemonia política e ideológica sobre a sociedade, enquanto a classe operária ia se consolidando como grupo social diante das inúmeras inovações tecnológicas, revolucionando tanto o modo de produção quanto o modo de vida do trabalhador e do burguês.
No âmbito social, o período conhecido como "primavera dos povos" modificou as estruturas vigentes no Antigo Regime, tornando a vida política e social instável e incerto. Diante disso, nasceu-se uma necessidade de análise das relações sociais e convertê-las em leis invariáveis, tornando seu estudo semelhante ao das Ciências Naturais. Assim que o positivismo se torna uma corrente ideológica que, tendo como ideia central "empacotar" as sociedades sob aspectos evolutivos e de conhecimento, possui como lema a ordem e o progresso. Consequentemente, ele legitima a relação de dominância das classes que detém os meios de produção sobre o proletariado, visto que, sob esse regime de ordem instaurado na sociedade, o progresso da sociedade se dará de forma natural sob leis, como a moral, consideradas inalteráveis em função do tempo.
Sendo assim, um positivista assistindo a uma palestra apresentada pelo Centro Acadêmico de Direito da UNESP discordaria de todos as pautas comentadas, visto que todas elas contestam pontos que essa corrente ideológica afirma como ideal, como o capitalismo como forma ideal de sistema político e econômico e a meritocracia (o trabalho é a principal forma de se ascender socialmente). Além disso, como a principal classe defensora do positivismo é a burguesia, trazer questionamentos que promovam manutenções que não a beneficiam torna a palestra uma manifestação reacionária e que contradiz os bons costumes e fragiliza as leis já impostas por ela. Além do mais, o capitalismo não enxerga o trabalhador como um humano com necessidades básicas, e sim uma parte do produto de sua empresa que gerará, futuramente, lucro e capital para si. Ou seja, não é conveniente a ele garantir a flexibilização do trabalho, pois sua mão-de-obra é proporcional ao nível de exploração sobre o trabalhador.