Frases como “controle o seu destino ou alguém controlará” (Jack Welch) ou “emprego é prisão disfarçada de segurança” (Pablo Marçal) tornaram-se cada vez mais comuns no cotidiano sendo amplamente difundidas entre jovens e adultos, acompanhando uma valorização do empreendedorismo em oposição à CLT. No entanto, por trás dessas narrativas frequentemente reforçadas por slogans de “parceria” utilizadas por grandes plataformas digitais, esconde-se a reconfiguração de uma antiga relação de exploração, agora revestida de novos significados.
No
cenário contemporâneo, o crescimento do trabalho por aplicativos é apresentado
como o auge da modernidade, da flexibilidade e da autonomia. Motoristas e
entregadores são retratados como “donos de si”, livres para escolher quando e
como trabalhar. Entretanto, essa chamada “uberização” oculta o fato de que o
trabalhador não detém controle real sobre o processo produtivo. Ele se submete
a regras rígidas, estabelecidas por algoritmos opacos, que organizam sua
rotina, definem sua remuneração e avaliam seu desempenho. O aplicativo, nesse
contexto, torna-se um sofisticado instrumento de controle, e a suposta
autonomia entra em conflito direto com a necessidade de sobrevivência,
revelando uma relação de subordinação profunda, ainda que disfarçada por uma
linguagem moderna e individualizante.
À
luz das reflexões de Marx e Engels em A Ideologia Alemã, esse fenômeno pode ser
compreendido como mais uma forma de ideologia que naturaliza e legitima as
relações materiais de exploração. Ao transformar trabalhadores em
“empreendedores de si mesmos”, o discurso dominante desloca a atenção das
estruturas econômicas para a responsabilidade individual, ocultando as
condições reais de trabalho, sendo assim uma atualização de mecanismos
históricos de dominação, agora adaptados às exigências do capitalismo
contemporâneo.
Amanda Akemy Henrique Takii - Direito Matutino