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terça-feira, 24 de março de 2026

Um positivista, assistindo à palestra do CADIR, diria que...

 O Positivismo é uma corrente filosófica fundada por Auguste Comte no século XIX que tinha como principais vertentes a crença na ciência experimental e na ordem social , não abrindo espaço para opiniões subjetivas, como pontos de vista pessoais sobre certo assunto, e sim acreditando na experimentação e objetividade.

Nesse contexto, uma pessoa que se diz positivista, seria alguém que seguiria essas crenças, isto é, acreditaria na ciência experimental como única forma de resolver questões humanas, na ordem e disciplina como único método para o alcance do progresso e veria a sociedade a partir de uma visão objetiva e rigorosa que desconsideraria os diferentes pontos de vista e subjetividades por serem interpretados como erudição.

Assim, alguém que que siga essa corrente filosófica, ao assistir à palestra do CADIR do dia 19/03, com certeza diria que se tratava de algo erudito e sem valor científico, visto que foi uma palestra que se tratou majoritariamente de experiências pessoais dos palestrantes Matheus Rigonatti e Débora de Araújo, Coordenador Estadual do movimento VAT e mestranda da USP, respectivamente, sobre as questões da precarização do trabalho, exploração capitalista e formas de reagir a esses abusos, sendo muito subjetivo para os positivistas.

A precarização do trabalho pela automação

    No contexto do século XXI, a automação, juntamente com a IA (Inteligência Artificial), passou a ocupar espaços em empresas e em funções antes desempenhadas por pessoas. Inicialmente, tarefas realizadas por humanos foram substituídas por máquinas, o que gerou a expectativa de redução da jornada de trabalho e de melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores. Contudo, a realidade revelou uma maior precarização do trabalho, prejudicando os trabalhadores em razão dessas automações falhas presentes nos processos produtivos, devido à ausência do fator social humano nessas máquinas, que não contabilizam riscos e outros fatores.

Diante desse cenário, vale ressaltar o positivismo, defendido por Auguste Comte, que estabelece a ciência como a forma de conhecimento para compreender e organizar a sociedade, propõe que, por meio da ordem social, seria possível alcançar o progresso, promovendo, assim, a evolução social e política. Na prática, observa-se que, em muitos casos, trabalhadores são submetidos a jornadas exaustivas, como na escala 6x1, com a necessidade de poucos empregados atuando por longas horas e dias. Além disso, há situações em que esses trabalhadores atuam fora do regime da CLT, sendo privados de direitos trabalhistas, como o registro formal, apesar de cumprirem todas as exigências de um vínculo empregatício.

Portanto, a ideia de que as máquinas facilitariam a vida dos trabalhadores mostra-se, em muitos casos, ilusória, funcionando como um pretexto para a fragilização dos direitos trabalhistas, sendo que diversos trabalhadores sequer conseguem acesso ao regime celetista, permanecendo à margem de garantias legais, mesmo ao exercerem funções típicas de emprego formal. Assim, sob a perspectiva do Auguste Comte, seria possível afirmar que a sociedade enfrenta um quadro de desordem, uma vez que há um desequilíbrio nas relações de trabalho, evidenciado pela precarização e pela ausência de direitos básicos.


Renata Alves Castilho - 1° ano - Matutino 

O Positivista e a Escala

 

 Na noite da última quinta-feira, um amigo me convidou para uma palestra. Apenas ao chegar, descobri do que se tratava. Acontece que o movimento estudantil da faculdade de minha cidade estava doutrinando os estudantes acerca do combate à “abominável” escala 6x1. Essas crianças não sabem o que falam, praticam desserviços a essa cidade. Arrisco-me a dizer que esses discursos comunistas são os responsáveis pela decadência das indústrias da cidade. Elas simplesmente não conseguem encontrar mais mão de obra, pois os proletas estão enfeitiçados por essas ideias comunistas; ninguém mais quer trabalhar!

Sobre a palestra, num primeiro momento, estavam comentando sobre a questão das IAs e explicando sobre a queda nas vagas de empregos que elas vão gerar. Até esse ponto, concordei quase que plenamente — também abomino esses malditos robôs —, mas o que seguiu esse comentário foi asqueroso. Passaram a explicar a importância de assegurar o emprego de pessoas que tiveram seus trabalhos “automatizados”. Como fariam isso? Você pode estar se perguntando. A resposta: aumentando os impostos dos empresários! Isso é um ultraje. Como é possível que os bilionários sejam obrigados a pagar? Simplesmente porque encontraram uma forma de se esquivar dos trabalhadores preguiçosos criados pela esquerda? Dessa forma, ainda mais dinheiro será desviado para fora da economia nacional, para alguma indústria chinesa! Isso é inadmissível.

Depois disso, já irado, mal consegui acompanhar o resto da palestra. No entanto, o que recordo me desperta ainda mais cólera. Passaram, então, a explicar como o trabalho em escala 6x1 é “desumano”. Gostaria de saber de onde tiram esses dados. Todos os meus conhecidos trabalharam 6x1 e viveram até os 50 anos (e muito bem, eu diria). Atacam de todas as formas a boa e velha meritocracia, como se existisse outra força capaz de trazer o sucesso além do trabalho duro e incessante. Mal sabem eles que não há pobreza no mundo que resista a 16 horas de trabalho! No entanto, ao invés de trabalhar de verdade, só se preocupam com baboseiras como saúde mental e burnout.

Desse modo, sinceramente, estou desacreditado com o futuro desse país. Com esse pensamento preguiçoso, não sei de que maneira esses jovens vão conseguir continuar o progresso que minha geração buscou com tanto afinco. Ficam inventando doenças e transtornos simplesmente para não precisarem trabalhar. Não sei até que ponto irão conseguir sustentar essa maluquice. Por sorte, diante dos meus pesados 53 anos de idade, não vou ficar por aqui por muito tempo para ver qual o resultado desse caos.
 

João Pedro Hernandes dos Santos | Direito Noturno