Para Durkheim o papel da divisão do trabalho tem como consequência o aumento simultâneo da força produtiva e da destreza do trabalhador, e seria ela a fonte da civilização, e a civilização teria fraca influência sobre a moral.
Para o autor a imoralidade coletiva se expandiria na medida em que se ampliam as artes, e na medida em que as ciências e as indústrias progridem.
Ao retratar a imoralidade coletiva Durkheim pensa no grupo, na sociedade, pois para ele é esse o ponto de ápice da moral, é o princípio absoluto, portanto ele é contrário ao individualismo, chamando-o inclusive de degeneração moral.
Émile D. diz que os aperfeiçoamentos industriais são úteis e possuem sua “razão de ser”, porém não são obrigatórios, não são necessidades morais. Assim como para ele é a arte, que apesar de ser o “domínio da liberdade” ninguém é obrigado a adquirir, e ela não possui nenhum tipo de objetivo, apenas serve para expandir nossa criatividade. Ele complementa ainda que de todos os elementos da civilização a ciência é o único que apresenta caráter moral, e seria por isso que as pessoas seriam obrigadas, as vezes por lei, a não permanecerem ignorantes, porém o conhecimento seria acessível apenas à uma elite, pois apenas eles seriam capazes de sua compreensão. Apesar de tudo isso ele ainda diz que não é obrigatório entrar nesse campo.
A divisão do trabalho em si não possui caráter moral. Se sua função fosse apenas manter a civilização ela seria considerada neutra, porém o que lhe confere importância é que ela supre certas necessidades da sociedade.
Para o sociólogo é necessário ver a divisão do trabalho pelo prisma da solidariedade. Tanto é que ele diz em seu livro que a divisão do trabalho tem como principal função é criar o sentimento de solidariedade entre as pessoas, e que os serviços econômicos que ela pode prestar são poucos comparados ao efeito moral que pode produzir. Essa vertente explicaria porque as pessoas se submetem a empregos de baixa remuneração e de baixo prestígio; por que elas estariam fazendo isso de forma solidária para a sociedade, para que ela se mantenha sob “harmonia”, assim cada um se mantinha em seu papel social. O sistema dessa forma pode até ser considerado injusto, mas para Durkheim ele só seria considerado assim pelas pessoas individualistas, pois elas não abririam mão de seu bem individual para o todo, que por ser maior e mais representativo, deveria ser então ouvido. Assim, pode se entender que a divisão do trabalho garante o equilíbrio social através da especialização das tarefas e é o principal fator de integração e unidade, através da solidariedade, do corpo social.
Ele diz ainda que o casamento seria uma micro sociedade. Antes ele faz uma ressalva dizendo que as únicas diferenças que faz duas pessoas se apaixonarem são as diferenças que se complementam. Seria a divisão do trabalho sexual a primeira forma de aperfeiçoamento da solidariedade, já que pelo bem comum duas pessoas diferentes, mas que se complementam, passariam a viver juntas. e que as diferenças sexuais anteriores à divisão sexual eram pouco significativas
Outro ponto abordado por Durkheim é em relação à diferenciação, e para ele ela deve ser aceita, desde que ela se mantenha ocupando sua função social, ou seja, deve se inserir esses grupos tidos como diferentes para serem incorporados pela sociedade.