Dentre os inúmeros debates filosóficos, ao longo da história de formação do pensamento ocidental, pensar a ética, antes mesmo da sociologia compreensiva, surge como um caminho interessante para o entendimento acerca da força da lei sobre o indivíduo e como ele, impulsionado por ela, determina seu modo de agir e sua convivência em comunidade. Nesse sentido, parece cativante pensar em dois grandes autores que, embora separados por linhas de tempo e pensamento, garantem uma análise "atraente" para essa situação: Kant e Weber.
Diante desse contexto, podemos focar em uma situação rotineira para uma análise: uma pessoa, tendo terminado de fumar seu cigarro, está sozinha na rua e tem a forte "tentação" de jogar sua bituca no chão, já que, em um raso primeiro pensamento, ninguém a vigia. Sob essa ótica, Kant traria à tona seu grande conceito de "imperativo categórico", já que, à luz desse termo, toda pessoa deveria tomar suas ações como uma máxima a ser seguida e, dessa maneira, julgá-la moral ou não. Ou seja, "jogar a bituca no chão" implica, segundo Kant, considerar o ato aceitável e, com isso, podendo ser seguido de forma universal. Já que, seguindo essa linha de pensamento, o indivíduo, ao entender o problema dessa conduta e sem precisar de uma autoridade de coerção, torna-se seu próprio "juiz" e decide, teoricamente, por não fazê-lo.
Por um outro lado, Weber traz uma outra análise e que, de forma exemplar, difere o debate sociológico do filosófico. Sob esse aspecto, podemos trazer dois conceitos weberianos para essa situação: a ação social, motivada por seu respectivo sentido subjetivo, e, além disso, os dois tipos de dominação presente nesse ato (tradicional e legal). Nesse sentido, enquanto uma "ação social", jogar a bituca no chão carrega um claro sentido subjetivo: é mais "fácil" e ninguém o observa, logo, certamente, não sofrerá uma sanção. Entretanto, uma questão se faz interessante nesse meio: sempre que a situação permitir, devo optar pelo caminho mais fácil? Embora seja uma pergunta um tanto rasa, Weber traz à tona a força da tradição desse ato: quase de maneira cultural, essa é quase uma "tradição" consolidada entre os fumantes. Estaria sob nosso poder, na teoria compreensiva, dizer se a lei é ou não maior que a tradição e, além disso, responder se ela só pode ser respeitada caso o indivíduo veja nitidamente sua força e, assim, faça cumpri-la.
Em suma, analisar atos pequenos e rotineiros pode servir de grandes objetos de análise e mostrar, ao mesmo tempo, a complexidade de uma ação e como um indivíduo, dentro de uma sociedade, responde as suas demandas e analisa sua influência no meio. É uma tarefa um tanto difícil dizer se Kant ou Weber está certo ou, mais ainda, dizer quem interpreta melhor a situação: a filosofia ou a sociologia. Por enquanto, não jogar sua bituca no chão parece a medida mais razoável.
Antonio Gabriel Costa Quaglio, 1° Ano, Direito-Matutino.
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