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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Direito como dominação: A legitimidade do poder na sociedade moderna

No Ocidente contemporâneo, o direito ocupa um importante papel na organização da vida social. Diante de um conflito, de uma injustiça ou de uma violação de direitos, é comum que o indivíduo busque instituições jurídicas para uma determinada solução. Dessa maneira, o direito passou a ocupar um espaço privilegiado como mecanismo reconhecido para a realizar a justiça. Entretanto, a própria ideia de direito muda de acordo com a sociedade e com o período histórico observado. Em diferentes sociedades, os conflitos podem ser resolvidos por meio da conciliação, dos costumes ou de outras formas de organização social, sem que se recorra ao direito. Assim, a posição central que o direito ocupa atualmente não é natural ou universal, mas resultado de um determinado processo histórico de organização da sociedade.

É nesse contexto que a reflexão de Max Weber sobre a dominação se torna importante. Na sociedade moderna, a dominação racional-legal prevalece, sendo baseada na crença da legalidade das normas  e na legitimidade daqueles que exercem suas funções. Assim, o direito moderno, não atua apenas como um conjunto de regras para solucionar problemas: ele também define formas legítimas de autoridade e coloca os limites dentro dos quais os indivíduos devem agir.

Ainda assim, a dominação exercida pelo direito, não se manifesta da mesma maneira para todos as pessoas. Embora a lei seja apresentada como universal, o acesso aos instrumentos jurídicos é influenciado pela posição ocupada pelo indivíduo na sociedade. Pessoas que possuem maior acesso à informação, recursos financeiros e conhecimento têm, em geral, maiores possibilidades de compreender e usar o direito em seu próprio benefício. Essa diferença pode ser percebida, por exemplo, na maneira como conflitos e práticas consideradas criminosas são tratados em diferentes lugares. A experiência de uma pessoa pertencente a uma região periférica pode ser significativamente diferente daquela vivenciada por alguém  em uma região privilegiada. Da mesma forma, a capacidade de um indivíduo de contratar um advogado, compreender seus direitos ou recorrer às instituições impacta diretamente na forma como ele experimenta o direito.

Além disso, a própria autoridade do Estado depende da capacidade de fazer com que suas normas sejam reconhecidas e obedecidas. O indivíduo não precisa ser submetido à força física para obedecer, cabe apenas reconhecer a validade da ordem jurídica e a autoridade daqueles que estão legitimados a aplicá-la. É justamente nesse ponto que o direito se aproxima da ideia weberiana de dominação.

Portanto, pode-se afirmar que o direito constitui uma forma de dominação, especialmente quando compreendido a partir da dominação racional-legal de Weber. Isso, porém, não significa afirmar que todo direito seja injusto ou que sua existência seja sobre opressão. Compreender o direito como forma de dominação permite ir além da ideia de que ele é simplesmente sinônimo de justiça e perceber que, ao mesmo tempo em que organiza e protege a sociedade, o direito também participa da estruturação das relações de poder existentes nela.

José Augusto Faijão - Noturno

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