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sábado, 9 de abril de 2011

Um cientificismo e uma racionalidade tão exagerados que se tornam irracionais.

O filme aborda uma discussão saudável entre três pessoas com profissões e ideologias completamente diferentes. Sonia, uma dos protagonistas, expõe a tese de um método cartesiano ultrapassado, assim como um relógio mecânico, e confia na ideia de que a humanidade vive, atualmente, uma crise de percepção, que as pessoas, influenciadas por metodologias como a de Descartes e a de Bacon, tendem a picotar as coisas, analisar parte por parte, e não percebem que elas estão interligadas, que há conexões entre tudo e todos, e por isso é preciso ter um olhar focado no sistema, no geral, no todo.

Acredita em uma teia de relações, e que se essa fosse perceptível a maioria, não haveria a necessidade de se resolver problemas, já que esses teriam sido anteriormente evitados, se as idéias, hábitos e ações que os provocaram tivessem sido diferentes, se houvesse uma maior preocupação em evitar as causas do que em solucionar suas consequências. Crê que o sonho cartesiano de um mundo como uma máquina perfeita tornou-se realidade com as leis de Newton, e que essas ferramentas físicas e intelectuais criadas pelo homem causaram um desequilíbrio na natureza.

Por fim, apresenta uma reflexão sobre a frase: “saber é poder” considerando o conhecimento como algo perigoso, porque ao mesmo tempo em que esse traz muitos benefícios à vida, também é o responsável por bombas, ferramentas e armas mortíferas causadoras de dor e danos irremediáveis. E, do mesmo modo, julga ser necessário ter cuidado com o poder alcançado, pois esse deve ser um poder pessoal, usado em benefício próprio, mas também do outro e não um poder que permita apenas dominação de um sobre o outro.

Com o fim dessa abordagem, pode concluir-se que por mais diferentes que sejam as pessoas, suas crenças e suas ideologias, é bastante importante saber ouvir, conviver e aprender com o outro, com o novo, com o diferente. Porque é através dessas diferentes posições pessoais, sociais e culturais que se pode buscar um maior desenvolvimento e usá-lo em benefício de todos.



Assim como ocorre com essa figura, o conhecimento adquirido é interpretado por cada um de forma diferente, resultando na emissão de comportamentos singulares que podem ser usados tanto para o bem quanto para o mal.

Dobram por ti

“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente [...]. E por isso, não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti.” [ John Donne, "Devotions upon Emergent Occasions”, 1624]

Essa é uma das citações literárias feitas no filme “Ponto de Mutação”, de Bernt Capra; e, em minha opinião, a mais bonita. Quero fazer aqui uma reflexão sobre o filme, a partir desta mesma citação. O enredo é simples, sendo apenas um diálogo filosófico entre três personagens. Um poeta, que em diversos momentos trás à conversa citações como à que vimos anteriormente; um político, que procura soluções para a sociedade, mas sempre contrapondo as medidas que devem ser tomadas às medidas que agradariam a opinião pública; e, por fim, uma física nuclear, que durante todo o diálogo demonstra o quanto nossa ciência e nosso conceito de progresso estão enganados.

O filme discute o quanto nós, seres humanos e natureza, dependemos uns dos outros. Interessar-nos-á, agora, apenas tratar da relação entre os indivíduos, deixando a relação indivíduo-natureza para outro momento. A grande chave está em entender que tudo que fazemos afeta toda a humanidade. Não me refiro ao famoso “Efeito Borboleta”, mas à interligação que temos. Nenhum indivíduo pode viver sozinho, todos precisamos de relacionamentos, sem importar sua espécie.

Hoje, o mundo todo está em contato direto. A globalização deixou de ser um conceito, e se consolidou como realidade em todos os territórios. Diziam alguns anos atrás que a tecnologia nos transformaria em seres isolados, que o capitalismo desejava sugar o proletário, que os meios de comunicação nos alienariam. Vemos então as redes sociais crescendo vertiginosamente. O maior investimento do último ano foi o Facebook. Vemos a massificação do uso de eletrônicos; a população em geral passou a consumir produtos industrializados, privilégio antes apenas de uma elite. O acesso à informação é amplo e ilimitado através da internet, televisão e jornais, que estão em contato com todos os países do mundo. Nossa sociedade está cansada da frieza das máquinas polivalentes. Ela busca o calor da amizade, do carinho que apenas uma pessoa pode dar.

Voltando para a citação com que iniciamos este artigo, quando um indivíduo morre, morre uma parte do todo. Sentimos isso. Haiti, Rio de Janeiro, Chile, Japão. Ajuda humanitária internacional. Nós sentimos a dor. A desgraça nos angustia. “Não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti.”

Além da demagogia, aquém da necessidade

Quando pensamos nos problemas do mundo, logo nos vem à mente aquilo que as políticas públicas poderiam fazer e não fazem. O filme nos mostrou problemas mundiais como a destruição ambiental, olhados tanto pela ótica de uma estudiosa (alguém que teria soluções sensatas) quanto pela de um candidato à presidência dos EUA (alguém que teria soluções demagógicas).
Ficou claro que as soluções, apesar de serem possíveis, encontram uma barreira firme, solidificada nos interesses econômicos dos grupos de pressão, principalmente. Também tornam-se difíceis as soluções viáveis pois nos acostumamos a estudar e ver o mundo fragmentado, estudando as partes cartesianamente e não o todo sistematicamente. Tal visão, ao mesmo tempo que busca soluções para um problema, pela falta de integração, acaba prejudicando ainda mais outro. Exemplificando essa afirmação, podemos citar a inserção de elementos estranhos na cadeia alimentar: para acabar com uma praga, inserem em grande volume o seu predador. Mas e depois? Quem dará cabo à esse predador? Somente criamos uma nova praga.
É assim que em geral funciona o mundo, desestabilizamos o meio para solucionar um problema que nós mesmos criamos, aumentando e criando novos problemas que consequentemente também precisarão de soluções. Geramos um "efeito-dominó gigante". Algo como um câncer que vai se ramificando e destruindo as células boas.
O método cartesiano de análise é bom, se visto como forma de estudo para sistemas fechados, mas se analisamos a biosfera ou as relações humanas, vemos que tudo se encadeia e se estudamos cartesianamente esse todo, sempre há algo que fica de fora. Esse elemento excluído é o que gera os problemas futuros.
As soluções para os problemas mundiais vão muito além do discurso dos palanques e está muito aquém das reais necessidades. Somente na visão utópica é fácil a solução: só encontrarmos um político que efetive as políticas públicas. Mas, como ele será eleito senão pela ajuda dos grupos de pressão? Não adianta encher um discurso demagógico falando em "conscientização popular" se aqueles que realmente detém o "cabresto" do mundo não se preocupam se no mundo dos filhos deles o ar será um lixo ou se a água não será potável.
O filme deixa claro, enfim, que não há uma solução efetiva, somente as infinitas possibilidades (cartesianas) de resolver os problemas localizados.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Parte de um todo.

Desde muito pequenos, somos educados para sermos os melhores: o mais inteligente da classe , o mais bonito, o mais competente, o mais simpático, o mais popular. Nosso olhar é sutilmente distorcido e, assim, vemos todos aqueles que nos cercam como adversários, obstáculos que devem ser superados na incansável busca pelo sucesso, reconhecimento. Generosidade, solidariedade, prestação de favores receram ordem de despejo de nossa rotina frenética, passando a habitar o reino da utopia. tornamo-nos insensíveis às angústias alheias, somos incapazes de perceber as necessidades do outro, já que estamos trancafiados em nosso próprio mundo. Figura-se como impossível conquistar notoriedade e ao mesmo tempo atender os clamores de quem está ao nosso lado. Arquipélagos estão praticamente extintos, somos inúmeras ilhas isoladas pelos abismos do individualismo." Tudo podemos, tudo conseguimos, sem precisar de ninguém", este é o alicerce de nossa mentalidade. O imediatismo, tão parte de nós, nos faz dar pequenos passos. Queremos colher prontamente os frutos de nossa ações e também lutamos apenas em prol do bem pessoal. "Para que poupar água e energia elétrica? Para que reciclar o lixo produzido? naõ estaremos mais aqui para ver o planeta agonizar". Estas são as sementes que já germinam em muitos de nós. Porém, se desta forma fosse,as grandes descobertas não existiria,os raios da democracia não se deixariam , a igualdade racial e sexual ( mesmo não plenas) ainda seriam um sonho se seus ideralizadores pensassem em si mesmos.Então quem seria Mandela? E Newton? Os jovens brasileiros de 1922 seriam apenas jovens rebeldes. É preciso entender que somos parte de um todo e que nos completamos nas diferenças presentes no outro.Não somos simples máquinas, acabadas e estagnadas; crescemos, aprendemos e a partir de nossa relações de interdependência alcançamos o caminho rumo à plenitude .

segunda-feira, 4 de abril de 2011

ALICERCE PARA O REAL

Em meio a um período de ascensão política e econômica da Inglaterra, e por consequência, um período de grandes avanços, Francis Bacon escreve sua obra mais famosa: Novum Organum.

Em tal publicação o autor disserta sobre a necessidade de um novo método científico, que baseado na interpretação, experimentação e observação da natureza, substituiria os métodos vigentes (dedutivo e indutivo), isso graças à improdutividade de tais métodos.

O novo método proposto pelo autor também consistia em ter a certeza como base e objetivo primordiais. Dessa Forma seriam afastados o que Bacon chama de ídolos, idéias distorcidas que acabam por prejudicar o pensamento humano, evitando assim o sucesso das ciências.

Portanto, ao atuar promovendo a união entre ciência e técnica, Bacon lança as bases para a ciência moderna (uma ciência empírica). Esta é o alicerce para um conhecimento sólido, princípio necessário em todas as áreas do conhecimento, pois sem este correríamos o risco de viver entre descobertas pouco aprofundadas e de cunho meramente imaginativo.

Uma nova postura frente à natureza

Francis Bacon, em seus aforismos na obra Novum Organum, coloca o Homem como intérprete e ministro da natureza. Ele, ao invés da dialética escolástica, deveria utilizar o método (o organum ou ferramenta do intelecto) que mais favorecesse o trabalho intelectual, e que envolveria recolher o maior número de dados acerca de certo fenômeno por meio dos sentidos e compará-los para encontrar um axioma geral. Porém, haveria os vícios do intelecto, que deveriam ser evitados: os ídolos da tribo, distorções da mente de todo ser humano; os ídolos da caverna (alusão ao mito da caverna de Platão), próprios de cada indivíduo; ídolos do foro, criados a partir do uso impróprio das palavras; e os ídolos do teatro, discursos falsos frutos de filosofias baseadas em número reduzido de experimentos, experimento mal comprovados ou na mescla da filosofia com a fé. Evitados os vícios do intelecto, a verdadeira ciência possibilitaria a interpretação da natureza e, assim, a das reais intenções divinas. Bacon, como um dos formadores das bases da ciência moderna, nos apresenta um mundo, antes cercado de mistério, senão de medo, desmistificado, podendo ser dominado e utilizado para o bem do Homem. Deste modo, pode-se dizer que a natureza acabou por ser reduzida a simples degrau de ascensão do Homem, assim como o feito científico passou a ter importância reconhecida apenas no momento em que produz algo. Porém, o que Bacon faz é pregar um utilitarismo humanista para se opor à ciência contemplativa. Ele deu liberdade ao ser humano frente à natureza, transformando-o em sujeito ativo e autônomo.

A razão em par com a ação

Em sua obra "Novum Organum", Francis Bacon apresenta um novo método de desenvolvimento do conhecimento. Tal método baseia-se em não só na construção teórica, como previa Descartes, mas também e fundamentalmente no uso de instrumentos para que o conhecimento saia do campo superficial e lúdico do teórico e passe para o campo sólido e conciso do empírico.
O simples teorizar pode nos levar a pensamentos fantasiosos e antecipações da verdade, sem a experiência e os devidos instrumentos para a mesma, não se pode afirmar ter alcançado uma verdade pura, uma vez que não há comprovação dela.
A não limitação do pensamento pelo mundo terreno, de René Descartes, é contestada por Bacon prevendo uma formação científica pautada na observação e manipulação da natureza e esta tornou-se a base para a ciência moderna, assim como Descartes é uma base para a filosofia.

A Eficiente e revolucionária busca da razão de Descartes

Em Discurso do Método, René Descartes apresenta, de forma bem articulada, um método de obter o conhecimento em uma forma geral, o que possibilitou a evolução do mundo de maneira nunca vista antes.

Ele deixa claro no discurso que seu objetivo é mostrar como se esforçou para conduzir seu estudo, o que poderia ser útil para muitos conduzirem um de própria autoria.

Decepcionado com o estudo tradicional de sua época, Descartes mostra-se mais comprometido a reconhecer a razão do que aceitar o “sobrenatural”, o conhecimento concebido pelo hábito, e não pela lógica.

Valorizando a razão, René defende que, para chegar até ela, é necessário, primeiramente, duvidar das coisas que já foram ditas sem um propósito fundamentado. Concluiu-se então que a duvida no faz enxergar a clareza, e que a clareza nos permite ver a verdade.

O filósofo argumenta que a presunção deve ser deixada de lado para então partir de um estudo mais simples do objeto, e depois, com o tempo, levá-lo à complexidade.

Descartes dá um valor tão importante ao estudo das ciências e à ciência em si, que a destaca como de extrema importância para o “bem do homem”, favorecendo, com isso, a importância de compartilhá-lo com os outros. Ele também parte do princípio que o conhecimento mais profundo da natureza é um meio para usufruir de seus benefícios, de “possuí-la”.

Da mesma maneira que a medicina se mostra importante para a saúde física das pessoas, o estudo das ciências humanas e matemáticas mantêm a saúde do espírito e equilibra o corpo e alma. O ponto fundamental, portanto, é manter uma comunicação e haver uma coletividade entre todas as ciências.

Descartes, por fim, destaca a importância do estudo individual, mostrando o perigo que há em partir de um conhecimento não próprio para desenvolver um estudo e também de transmitir um conhecimento alheio para outra pessoa, já que as probabilidades de se haver falhas e más interpretações durante a transição são grandes.

A importância da ação sobre a natureza

Francis Bacon, na obra Novum Organum, analisa os estudos criados até sua época, conluindo que, na verdade, os resultados das pequisas anteriormente feitas teriam vindo ao acaso, que as ciências atuais eram advindas, na verdadem, de um conjunto de descobertas anteirores.
O filósofo valoriza o uso da experimentação como ponto principal de uma pesquisa, para que a prática pudesse mostrar a clareza do evento, e então ser feita a interpretação das ciências da natureza. Francis acreditava que deveria haver "a vitória sobre a natureza pela ação". De acordo com Bacon, o método consiste em "estabelecer os gruas de certeza, determinar o alcance exato dos sentidos e rejeitar, na maior parte dos casos, o labor da mente, calcado muito de perto sobre aqueles, abrindo e promovendo, assim, a nova e certa via da mente, que, de resto, provém das próprias percepções sensíveis".
Bacon faz crítica à dialética, discorrendo sobre como ela não modificara o andamento das coisas, e que serviu mais para "afirmar erros que descerrar a verdade". A partitr desta crítica, trouxe como única salvação dar princípio à cura da mente.
Bacon dicorre que para a ciência deveriam ser propostos dois métodos: o do cultivo das ciências e a descoberta científica, o empirismo, ou seja a "Antecipação da Mente" e a "Interpretação da Natureza", respectivamente.
Como antangonismo dos estudas das ciências, há a fantasia, que afasta o homem da ciência e de seus objetivos claros. Deve-se eliminar os hábitos arraigados na mente, pervetidos para esse tipo de estudo.
Como complementos dessa antagonia e obstáculo da verdadedira ciência, Bacon destaca a existência dos ídolos, que proporcionam ao homem uma falsa impressão à sua mente em relação ao mundo que o envolve, afastando-o assim, da verdade e da clareza.


Pequenez entrada de luz

Certamente ficariam vaidosos autores que há séculos escreveram obras extremamente aplicáveis aos dias atuais e também aqueles que nos legaram objetos sobre os quais nos debruçamos em trabalho árduo para extrair a melhor interpretação. Nesse sentido, há nomes como Aristóteles, Platão, Maquiavel, Marx, Hobbes, Francis Bacon e uma infinidade de outros pensadores.
Bacon, por exemplo, em Novo Organum descreve um novo paradigma de ciência, a pautada na experimentação. Ele desenvolve essa temática abordando inúmeros dos seus vértices, inclusive, o dos elementos capazes de impedir o desenvolvimento dela. Um deles é o Ídolo da Caverna, que faz alusão ao Mito da Caverna de Platão e afirma, nas palavras do próprio autor que cada indivíduo possui " sua própria caverna particular, que interpreta e distorce a luz da natureza", ou seja, cada um possui premissas, pré-conceitos que obstruem a real avaliação dos objetos. E é nesse aspecto que o autor revela sua modernidade nesta sociedade em que está em evidência assuntos polêmicos que tangem a sexualidade, educação, a cor da pele, extremismos políticos e religiosos, os quais orientam debates, críticas e avaliações pragmatizadas, não raro, pela caverna de cada homem.
É nessa questão que retomo o esdrúxulo depoimento proferido, na última semana por um parlamentar brasileiro, o deputado Jair Bolsonaro do PP-RJ, que em uma entrevista ao programa CQC da TV Bandeirantes afirmou a pequenez entrada de luz da sua caverna. O programa contava com a presença de Preta Gil, filha de Gilberto Gil, a qual indagou ao deputado qual a reação deste se um filho namorasse uma negra e a resposta, nas palavras do parlamentar, foi "Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu." Além disso, ele ainda afirmou que " não iria à desfiles gays porque não promove 'maus costumes', que daria porrada se pegasse um filho fumando maconha e que sente saudades dos generais que presidiram o país durante a ditadura." Este é somente um dos exemplos de práticas que atacam direitos defendidos pela Constituição como os Direitos Humanos, como a isonomia. No caso, provenientes de um homem de vida pública que tem a missão de atuar no ordenamento do Estado e que certamente envergonha a mim como brasileira que, desde já, defendo sua inépcia somente ao ouvir essas poucas idéias.
Este fato atual, portanto, é um exemplo do comentado, por Francis Bacon, Ídolo da Caverna em 1620 no Novo Organum e revela a importância de ler obras clássicas, de ampliar o conhecimento através de pesquisas e estudos para que não sejamos reconhecidos como medíocres, tal qual o senhor deputado Jair Bolsonaro, ao qual desejo que sejam efetivadas as devidas sanções.

Metodologia Científica na Visão de Bacon

Francis Bacon apresenta e defende, em seu livro “Novum Organum” o método empírico de fazer ciência. Para ele, a produção cientifica até então, século XVI, havia sido fruto ou do acaso ou da combinação de descobertas anteriores - “Mesmo os resultados até agora alcançados devem-se muito mais ao acaso... Com efeito, as ciências que ora possuímos nada mais são que combinações de descobertas anteriores...”. O homem ainda não havia buscado auxilio para sua mente na tarefa de interpretar a natureza, ao invés disto, ficava a admirar o grandioso intelecto humano e sua capacidade racional. Ficavam todos, os considerados produtores de ciência, na atividade de contemplação e observação, característicos da filosofia tradicional, e não se dedicavam a pesquisa e experimentação, a fim de produzir conhecimento. Isto, na opinião de Bacon, foi o responsável por nunca haver tido grandes descobertas na humanidade até então.

O caminho certo pelo qual todos estudiosos deveriam recorrer na ciência é aquele onde o homem usa ferramentas para guiar a sua mente na missão de interpretar o mundo e de descobrir a verdade, utilizando-se, principalmente, da experimentação e da coleta de dados – “recolher os axiomas dos dados dos sentidos e particulares... Este é o verdadeiro caminho, porém ainda não instaurado”.

Bacon e seu legado para a Ciência Moderna

Ao longo da obra Novum Organum (Francis Bacon) nos deparamos com uma série de ideias do autor acerca da forma como o homem deve buscar o conhecimento sobre a natureza (ciência), com excepcional destaque em retratar todos os cuidados que devem ser tomados e os costumeiros erros cometidos nessa busca, não sendo poupados, nesse sentido, nem mesmo filósofos consagrados, como Aristóteles.
Trabalhando o conceito de antecipação da mente, apresentado na obra, Bacon nos mostra que apenas a utilização do intelecto e dos sentidos, sem estarem esses permanentemente regulados, "como que por mecanismos", estando a mente "entregue a si mesma", leva o homem ao que o autor chama de cultivo da ciência, gerando noções mal definidas e sem nenhuma solidez ("o intelecto não regulado e sem apoio é irregular e de todo inábil para superar a obscuridade das coisas"), atrapalhando, assim, o desenvolvimento da ciência. Ao contrário, o método da interpretação da natureza é defendido pelo autor como a maneira de "conhecer a verdade de forma clara e manifesta", método esse que consiste na utilização do intelecto e dos sentidos, auxiliados pela exploração regulada desses e pelo método empírico ("lhes inventamos e subministramos auxílios" - autoridade dos sentidos e intelecto) aliado ao afastamento dos chamados ídolos (noções falsas sobre o mundo), que bloqueiam a mente humana, chegando, assim, à descoberta científica.
Ao avaliar o que a obra de Bacon representou para a posteridade, notamos que, apesar de muitas noções tidas por ele como "aberrações", que "não foram abstraídas e levantadas das coisas por procedimentos devidos" terem se mantido e se consagrado com o tempo, sua visão pioneira quanto a inovação da ciência relacionada a busca pelas coisas e aspectos não visíveis da natureza pode ser encontrada em inúmeros avanços científicos (por exemplo, no campo da biologia, o descobrimento do reino das bactérias, dos protozoários e dos fungos), fazendo do autor um grande contribuinte da Ciência Moderna.

Caminhos para o conhecimento

Francis Bacon, em Novo Organum, defende a necessidade de outros métodos para a construção de conhecimentos. Diante de gerações apoiadas em métodos dedutivos - silogismo aristotélico - Bacon aponta ideais de caminhos baseados não só na razão, mas principalmente na experiência e nas próprias percepções sensíveis. Para o filósofo, isso era fundamental para o desenvolvimento da ciência.

Para isso, o homem não deve permitir que a sua mente se guie por si mesma, uma vez que tradições e costumes se impõem ao intelecto e dificultam a obtenção de verdades. À esses bloqueios da mente humana, Bacon denominou ídolos. São eles: ídolos da tribo (falsas noções da espécie humana), ídolos da caverna (falsas noções do ser humano como indivíduo – alusão ao mito da caverna de Platão), ídolos do mercado ou do foro ( falsas noções provenientes da linguagem e da comunicação) e ídolos do teatro (falsas noções provenientes das concepções vigentes). Esses seriam os responsáveis pelos insucessos da ciência.

Superados esses entraves, Bacon propõe dois métodos para a ciência: o cultivo das ciências, que consiste em conhecimentos elaborados a partir da contemplação (antecipação da mente) e a descoberta científica, que consiste na busca por conhecimentos a partir da exploração e experimentação sem limites (interpretação da natureza). Para as descobertas científicas, o filósofo propôs o método indutivo da investigação, baseado na observação rigorosa dos fenômenos naturais. Tal método propõe etapas como a observação da natureza para a coleta de informações; organização racional dos dados recolhidos empiricamente; formulação de explicações gerais (hipóteses) destinadas à compreensão do fenômeno estudado; comprovação da hipótese formulada mediante experimentações repetidas, em novas circunstâncias e outras.

Bacon, portanto, mesmo propondo um novo e poderoso método científico baseado em experiências sensíveis, não descarta a importância e o papel do pensar na conquista do saber – ‘’Nem a mão nua nem o intelecto, deixados a si mesmos, logram muito...dependem em igual medida...’'

Assim, a grande contribuição de Francis Bacon foi apresentar um método de investigação capaz de conciliar a observação, o experimento e a razão, tendo como resultado os alicerces de conhecimentos científicos imprescindíveis para o homem.

A conciliação entre razão e experiência

Francis Bacon preocupou-se em estudar qual a melhor maneira de alcançar o verdadeiro conhecimento, e nessa busca distanciou-se do que mais tarde seria proposto por Descartes.Diferentemente de Descartes, Bancon acreditava que o conhecimento é fruto da conciliação entre experiência e razão.
Bacon em sua obra, Novum Organum,afirmou que a busca pela verdade que é conduzida apena com o auxílido da razão, pode nos conduzir a pensamentos fantasiosos, ou seja,frutos da antecipação da mente.A experimentação seria, para ele, uma forma de comprovarmos se aquilo que nossa razão concebe, é, de fato, real ou apenas ilusão.Portanto, a experiência, para Bacon, é um aparato imprescindível no exercício do conhecimento, pois atua como um "policial" de nossa razão.
O autor também diferenciou-se dos filósofos gregos, pois propôs uma ciência prática. Bacon criticou filósofos como Aristóteles, pois acreditava que a busca pela verdade deveria ser acompanhada por obras e não servir apenas para a especulação como faziam os gregos.
A teorização de Francis Bacon foi muito importante para a ciência moderna e até hoje influencia os campos que se dedicam ao conhecimento. Acredito que essa grande influência reside no fato, dentre outras coisas, de esse autor tonar o conhecimento mais palpável e prático ao considerar a experimentação um mecanismo seguro para auxiliar na busca pela verdade.

Penso que o Direito, enquanto ciência, vale-se do método baconiano para compreender a sociedade, propor normas e verificar o cumprimento e eficácia das mesmas. E é, portanto, prova concreta de que esse autor continua sendo fundamental para a sociedade atual.

A sistematização da ciência

Através de sua obra-prima "Novum Organum", Francis Bacon enaltece o Empirismo como forma ideal de se encontrar a real ciência. Antes dele, Tomás de Aquino, através da Escolástica, e Aristóteles afirmavam que a melhor forma de se atingir o conhecimento era através da indução. O pensamento baconiano refuta essas idéias ao acreditar que a experimentação seria o método ideal para se guiar a mente.
Bacon cria esse novo método, conhecido como "cura da mente", que tem a função de disciplinar e regular a mente para que não seja influenciada por diversos fatores, tais como a fantasia, a magia ou a fé. Além disso também apresenta dois métodos, sendo um baseado na antecipação da mente (pelo cultivo de idéias anteriormente formadas e assimiladas), e outro baseado na descoberta científica (que propõe a interpretação da natureza para a busca de um novo conhecimento). Acredita que o segundo método seria mais eficiente, pois através da pesquisa e observação dos fatos pode-se chegar à realidade pretendida.
A mente humana pode ser facilmente influenciada. Assim acreditava Bacon, que dizia haver quatro tipos de ídolos responsáveis pelos erros cometidos na analise das idéias. As paixões e os sentidos; a formação do individuo, as relações sociais e as representações teatralizadas induzem o individuo ao erro e à falsa percepção do mundo.
O autor pode ser considerado o precursor da tecnologia e da ciência moderna, pois ao incentivar a pesquisa para o alcance do bem estar comum, o homem se livrou de antigos métodos que não melhoravam a condição humana realmente.

A cura da mente em benefício do homem

No início do século XVII, é publicado uma das mais importantes obras filosóficas de Francis Bacon para descrever seu novo método de pesquisa que, mais tarde, viria a substituir o Organon aristotélico.

Em sua obra “Novum Organum” são criticados os resultados práticos defendidos por filósofos escolásticos, sendo estes inteligentes, no entanto, alheios à realidade. Segundo Bacon, a descoberta de fatos verdadeiros depende da experimentação e da observação regulada pelo raciocínio indutivo, constituindo uma nova maneira de estudar os fenômenos naturais. O real conhecimento é resultado da concordância e variação dos fenômenos devidamente observados, havendo a necessidade de descrever os fatos de modo pormenorizados.

Bacon buscava uma mudança total do conhecimento humano, almejando um progresso do saber. Ressaltava constantemente o fato de que, até a sua época, os filósofos anteriores não trilhavam o caminho de uma ciência em benefício do homem, criticando-a como mero exercício da mente. Logo, o seu novo método pode ser sintetizado como a cura da mente por mecanismos da experiência, já que as antecipações são bases para o senso comum, tendo mais valia que as interpretações, que “não podem, súbito, tocar o intelecto, de tal modo que, à opinião comum, podem parecer quase tão duras e dissonantes quanto os mistérios da fé”.

Pode-se, então, ressaltar o contraste frisante entre Bacon e Descartes, pois enquanto o primeiro busca o conhecimento novo por meio da exploração sem limites, o outro eleva a razão como instrumento para dominar e transformar a natureza. Eis as contribuições de cada método para o advento da ciência moderna, capazes de influenciar a sociedade e desenvolver possíveis aplicabilidades até os dias atuais.

Ciência como forma de melhorar a condição humana

Francis Bacon em sua obra "Novum Organum" preocupa-se em demonstrar que os métodos vigentes, o dedutivo na filosofia e o indutivo por enumeração em algumas ciências eram improdutivos. Associado a isso havia também os bloqueadores da razão que ele chamava de ídolos e por fim apresenta um novo método que visa à produção de conhecimentos mais coerentes. O problema da dedução é que ela em vez de interpretar a natureza, procura antecipá-la, deixando de lado o experimento, e assim constrói noções prematuras da natureza por utilizar um método inadequado. Por isso, conclui ele que, a lógica tradicional era inútil para a pesquisa das ciências e para a filosofia. Além de criticar o método vigente da época, apresentou os bloqueadores da razão humana, para o filósofo, aqueles que se detinham as especulações científicas e as reflexões filosóficas deveriam ter cuidado com os deturpadores da verdade que ele chama de ídolos. Esses são falsas noções que invadem o intelecto humano, tornando difícil o acesso à verdade. Bacon também afirma que há a necessidade de um auxílio para a razão, por isso, estabelece uma nova lógica indutiva por eliminação. Esta consiste em extrair dos fatos particulares axiomas (médios) interpretativos da natureza, afim de, obter conhecimentos gerais mais seguros. A indução proposta por Bacon é chamada de eliminação, pois visa a partir de uma idéia básica de determinado fenômeno eliminar as hipóteses falsas com o intuito de fazer valer uma teoria verdadeira. Por tanto estes são as três temáticas trabalhadas por Bacon na primeira parte, criticar os métodos vigentes, expor os bloqueadores da razão e apresentar um novo método para a filosofia.

Crítica, razão e experimentação.

Francis Bacon demonstra em sua obra-prima filosófica ter um agudo senso critico e uma mente lógica e perspicaz. Apesar de estar inserido no contexto renascentista, não se curva e assume como verdades absolutas as proposições feitas pelos antigos. Tal afirmação é facilmente observada na passagem retirada de seu livro “Novum Organum”: “A verdade não deve, porém, ser buscada na boa fortuna de uma época, que é inconstante, mas à luz da natureza e da experiência, que é eterna”; esta é a passagem mais importante do livro, pois dela se desprendem as mais importantes teorias de Bacon – a consideração das teorias até então feitas como falhas e a experimentação.

Assim como Descartes, o filósofo inglês parte do método de desconstrução do universo para o maior compreendimento da natureza. Seu pensamento, porém, difere de Descartes em certo ponto, pois para Bacon, a verdade só seria encontrada partindo das sensações e chegando a um axioma particular, e dele indo para os axiomas gerais e, a seguir, aos princípios de inamovível verdade. Sua filosofia empirista envolvia as sensações e a experimentação, pois para ele os sentidos e a razão são dependentes para a realização de qualquer feito.

Francis Bacon toma como base a filosofia de Demócrito de tomar a natureza em partes para penetrar em seus segredos. O inglês prega a submissão do homem à força da natureza para melhor se utilizar dela. Nesse ponto chega a ir mais além do que Descartes e defende a ideia da escravização da natureza para o beneficio humano.

É defendido também no “Novum Organum” que o intelecto humano não é luz pura, pois recebe influência da vontade e dos afetos. A partir deste ponto, Bacon discorre sobre os ídolos e noções falsas que obstruem o acesso à verdade pelo homem, tais como: os Ídolos da Tribo (erros fundados na espécie humana); os Ídolos da Caverna (erros nos homens enquanto indivíduos – e há aqui menção ao mito da caverna de Platão); os Ídolos do Foro (erros que ocorrem na associação reciproca dos indivíduos) e, nos Ídolos do Teatro (erros que ocorrem pela invasão do espirito dos homens por regras viciosas).

Todas suas contribuições, seja com métodos ou ideais, o fizeram ser cunhado como o pai da ciência, tomando o posto de Aristóteles e reinventando os métodos de pesquisa e comprovação de teorias.

Nova maneira de pensar

Francis Bacon constrói um método novo de pensar: A cura da mente. Nesse, ele procura não se basear nem na filosofia clássica nem de sua época, apesar de não as condenar. Não se preocupa em fazer algo que seja fácil das pessoas entenderem tampouco que seja útil.
O autor defende a existência de dois caminhos diferentes da filosofia:"um destinado ao cultivo das ciências e outro destinado à descoberta científica". A escolha de qual do dois caminhos a pessoa deve seguir é detectada pro suas características. Ele ressalta a importância de cada um caminho use seu próprio método. O primeiro é chamado de Antecipação da mente enquanto o segundo é Interpretação da natureza.
Bacon também faz um alerta em sua obra-prima, no qual nos avisa do perigo e erro de deixarmos a mente guiar-se sozinha. Além desse aviso, ele faz outro. Nesse, afima que não devemos confiar nos ídolos, pois suas visões de mundo não são verdadeiras.
Ele divide os ídolos em quatro categorias: os da tribos,da caverna, do foro e do teatro. Os ídolos da tribo erram pois usam os sentidos como se nunca estivessem errados: os ídolos da caverna veem um mundo,através de sua cova, distorcido; os ídolos do foro são comerciantes e usam a oratória; enquanto que os ídolos do teatro usam a filosofia.

Francis Bacon e a arte de interpretar a Natureza

Na obra "Novo Organum", em meio a críticas aos gregos e ao modo como as ciências eram conduzidas, Francis Bacon apresenta um novo método para a pesquisa científica e a expansão do conhecimento, o qual foi formulado para substituir o "Organon" aristotélico. Bacon entendia a ciência em geral como a arte de interpretar a natureza, e considerava como função do homem desmistificá-la. O homem, como ser racional, é o único realmente capaz de realizar tal tarefa, e a sua inesgotável curiosidade é o principal motivo pelo qual se dedica arduamente à esse dever. Porém, essa busca pela verdade por trás da natureza não deve ser feita de qualquer maneira. Para que seja eficiente em seus resultados, Bacon prega como melhor método de pesquisa o que "... recolhe os axiomas dos dados dos sentidos e particulares, ascendendo contínua e gradualmente até alcançar em último lugar os princípios de máxima generalidade". (aforismo XIX) Mesmo seguindo esse método, Bacon já dá a entender anteriormente na obra que seu uso não fará ao homem um dia chegar a todas as verdades da natureza, pois ela "... supera em muito, em complexidade, os sentidos e os intelectos". (aforismo X) Na obra, segundo o aforismo XXXI, Francis Bacon também incentiva os cientistas a experimentarem coisas novas, uma vez que nenhum avanço será observado tentando achar algo novo sobre o velho. Ele aconselha olhar o velho de uma outra maneira, reinventá-lo, para assim poder encontrar algo novo. Para finalizar, gostaria de citar o aforismo XXVII, o que me chamou mais a atenção devido à seu potencial poético: "... se todos os homens se tornassem da mesma forma insanos, poderiam razoavelmente entender-se entre si". Talvez por ser a mais bela frase da obra, é a que considero mais equivocada, uma vez que, no mundo atual, no meio de tantas crises e caos, não existe um homem são e, mesmo assim, a sociedade não se entende.

O filósofo da justa medida, o guia da ciência moderna.

A valorização da experiência e a contestação da indulção vulgar trouxeram retidão, aprofundamento e ,claro, exatidão a diversos fundamentos das ciências que antes, situavam-se sobre fracas e incompletas bases.
Outro aspecto que evidencia a riqueza e a importância da obra de Bacon é que o filósofo não refuta totalmente as ideias e conceitos dos antigos pensadores. Contrariamente, Bacon ressalta que não seria possível caminhar pelas trilhas da ciência se antes não houvessem sido abertas. Contudo, lembra também que a ciência estaria condenada à estagnação caso não se empregasse a decisiva inovação nas ideias e métodos sobretudo.
É interessante notarmos que Bacon coloca o ser humano como parte integrante da natureza que , na maioria das vezes, não consegue entender as forças e dinâmicas presentes no universo a seu redor. Prova disso, segundo o autor, é a grande quantidade de associações e paralelismos errôneos apontados pelo homem ao analisar os fenômenos naturais.
Cabe dizer também que o filósofo faz certas ressalvas em relação à capacidade e à fragilidade da mente humana. Nota-se tal constatação em dois momentos: quando se trata dos sentimentos e sua interferência no raciocínio humano, e na necessidade de haver agentes que auxiliem o pensamento do cientista, visto que este pode facilmente desviar-se de seus objetivos caso seu único instrumento de análise seja sua mente.
A constante renovação das tecnologias e as novas descobertas científicas que surgem diariamente deixam evidente que o método e as ideias de Bacon são utilizados na ciência moderna com grande força e tornaram-se ,além de tudo, fundamentais.

domingo, 3 de abril de 2011

A transparência do olhar

Para Francis Bacon, a verdade deve ser buscada à luz da natureza e da experiência e não somente à luz da razão. Ele critica a ciência como mero exercício da mente e, ainda, propõe uma espécie de cura da mente que se dá como única salvação, sendo essa cura uma regulação da mente por mecanismos da experiência.

Além do uso único da razão para as descobertas científicas, Bacon alerta para os ídolos e noções falsas que dificultam o acesso da verdade e também podem ser obstáculos à própria instauração das ciências. Interessante perceber que esses ídolos também influenciam na nossa maneira de observar o mundo. A nossa mente provoca distorções ao receber interferência das paixões ou dos sentidos, as nossas relações com o mundo ao nosso redor – desde a nossa formação como indivíduo às leituras que fazemos, dentre outros ídolos. Cada olhar que temos está repleto de influências externas ou internas e isso pode prejudicar as nossas percepções de mundo. Isso só não ocorre se os homens estiverem precavidos contra essa possibilidade de interferência nas descobertas. Portanto, assim como antes, é preciso acabarmos com os ídolos a fim de atingirmos a neutralidade para a busca da ciência útil e para a análise do mundo como ele é.


Bacon: intérprete da natureza

A era moderna foi um período de grandes descobertas e grandes avanços principalmente no que diz respeito à ciência. Bacon, com o método que nos foi apresentado em Novum Organum pode considerar-se um dos que contribuíram grandemente para que o povo de seu tempo pudesse assistir à evolução científica vista nos anos que seguiram à sua obra.
Francis Bacon inovou a maneira como se estudava o mundo, voltando seu método para uma observação concreta da natureza, em contraposição com o que se fazia antes, que Bacon chama em seu livro de “antecipação da mente”. O método antes utilizado era mais contemplativo da natureza, e Bacon o refuta com a ideia de que para se alcançar o domínio e o entendimento não bastava a contemplação, era necessário experimentar para poder realmente interpretar a natureza.
Em sua obra, Bacon cita a importância de não deixar a mente guiar-se por si mesma, atrapalhando na compreensão das matérias. Devia-se aliar a razão à experiência para que o conhecimento tivesse mais clareza, devia-se ligar o que se pensava com o que se observava.
Cita-se na obra o termo “cura da mente”. A experimentação deveria guiar a mente, mesmo que o entusiasmo, as paixões, a angústia ou as falsas percepções do mundo guiassem em outro sentido.
Se o que Bacon buscava era a vitória sobre a natureza em prol da vida humana, as descobertas e inovações surgidas após o seu estudo hão de garantir que havia em seu método, no mínimo, uma grande aplicabilidade.

Provado, então aprovado.

Bacon, diferentemente da filosofia vigente até sua época, reivindicava a aplicação do método indutivo, diferentemente do que acreditavam os pensadores da Escolástica. Para ele, o que importa é a interpretação da natureza, através da qual ele julga ser possível dominá-la não apenas no sentido de conhecê-la e compreender seus fenômenos e seu funcionamento, mas no intuito de, na prática, fazer uso dos seus recursos. Isso deve ser feito vigorando o empirismo, no qual as percepções adquiridas pela experimentação, varolizando o caráter materialista do método.


Isso realça o que vinha crescendo na sua época, que opondo-se às conclusões da metafísica, baseava-se nos dados reais evidenciados por experimentos, o que até indubitavelmente marca de maneira muito forte o conceito da ciência moderna e o seu processo de formação. Bacon tomava muito cuidado para não cair em ideias errôneas que eventualmente podem ser tomadas como verdades pelos seres humanos quando alicerçam a base para a obtenção do conhecimento apenas na sua própria razão. É nesse ponto que tem-se a divergência entre o método cartesiano e o baconiano. Bacon inclusive ressaltou e classificou no formato de "ídolos" os fatores que podem levar a esse enganos (da tribo, da caverna, do teatro e do foro).


Enfim, o que mais chama a atenção no método desse filósofo é a busca por uma ciência detentora de utilidade prática, que traga melhorias concretas para a vida em sociedade. Esse era um aspecto que faltava aos pensadores anteriores e que foi marcante para a diferenciação das metodologias. De fato, a partir daí tonrou-se ainda mais perceptível a importância da ciência aplicada, já que essa encaminha o desenvolvimento de diversas áreas da vida humana sem depositar sua segurança na falibilidade do pensamento meramente racional desligado de comprovações e evidências.

Francis Bacon e a Filosofia Moderna

Francis Bacon como iniciador do Empirimo, acredita e defende as experiências como únicas (ou principais) formadoras de ideias, discordando, portanto, das noções de ideias inatas. Ao criar um esboço racional de metodologia ciêntifica, tal filósofo cria a possibilidade da implantação de uma pensamento científico que não visa meramente o conhecimento pelo conhecimento, mas tem como objetivo o conhecimento aplicado.

Por acreditar nos progressos que as experiências poderiam trazer, Francis Bacon critíca o método grego de filosofia, o qual o autor aponta como tendo uma "sabedoria farta em palavras, mas estéril em obras". Assim, Bacon considera tal método filosófico como mero exercício da mente, ou seja, a filosofia pela filosofia.

Embora Francis Bacon não tenha realizado nenhum progresso nas ciências naturais, ele possibilitou as futuras descobertas nesse campo, uma vez que preconiza a ideia de utilização das descobertas e pesquisas científicas, o qual move nossa ciência até hoje.

As pequisas cientícas necessitam de investimentos que só são feitos se as descobertas visadas por essa pesquisa tiverem potêncial de gerar lucros. O lucro, por sua vez, só é alcançado se a descoberta for útil à sociedade que terá a necessidade (ou ilusão de necessidade) de obter essa inovação, ou seja, essa nova mercadoria. Tal ideia de ciência é a ideia de utilidade, ciência como meio de obtenção de bem-estar.

Conclui-se que é clara a influência dos métodos de estudo de Francis Bacon contemporaneamente, mostrando a importância de sua obra, a genialidade e a visão inerentes a esse pensador.

Um novo método para uma nova ciência.

Francis Bacon tem por objetivo com "Novum Organum" restaurar o domínio do homem sobre a natureza, propõe uma reforma tanto na política quanto na filosofia; essa reforma do conhecimento é justificada em uma crítica à filosofia grega,que não proporcionava ao homem uma perspectiva de melhoria de vida e de sua natureza.
Para Bacon,o verdadeiro filósofo natural deveria fazer a acumulação sistemática de conhecimentos não apenas lógicos, mas práticos ("saber é poder"), sobretudo basear estes conhecimentos na experimentação ciêntifica ("não há nada no intelecto que não tenha passado pelos sentidos").
A ciência tem por finalidade melhorar a condição humana, expor uma representação do mundo, antecipar o acaso... A exploração e experimentação devem ser sem limites ("A exploração da natureza constitui a única forma de compreendê-la, interpretá-la e vencê-la") assim como, para se alcançar a verdade, é necessário se afastar dos preconceitos.
Como para Descartes, o Método também é importante em Bacon para o desenvolvimento do conhecimento.Porém, com Bacon, o Método será conhecido como Empirismo, enquanto que em Descartes teremos o Racionalismo.
Ao que parece,o período envolto à invenções e experiências é o firmamento da ciência.

Uma nova idiossincrasia

Durante o final do século XVI e início do século XVII foram surgindo novas tendências de pensamento em função do rompimento da ciência com a ESCOLÁSTICA, além de outros fatores como a renovação política e econômica da sociedade até então. Um dos colaboradores do advento da ciência moderna ou até mesmo fundador desta é o VISCONDE DE SAINT ALBAN, ou, Francis Bacon. Sua mais conhecida obra é o Novo Organum em que são defendidos , em suma , o empirismo e uma nova concepção de metodologia científica. Seria , então , este novo método a Cura da Mente? Barão de verulam explica duas propostas : O Cultivo das Ciências e a Descoberta Científica. A priemira consistiria na idéia de conhecimento contemplativo, própria da filosofia tradicional; já a segunda , na busca do conhecimento novo por meio da exploração e experimentação sem limites . Ou seja , segundo ele , o homem deveria buscar o conhecimento( sem as antecipações da mente [ pressupostos ]) , a partir da interpretação da natureza com suas causas e efeitos e efeitos e causas. Seguindo tal raciocínio , Bacon enfatiza que não podemos deixar que a mente se guie por si mesma pois formará fantasias e falsas percepções do mundo , os chamados ÍDOLOS: da tribo ( distorções provocadas pela mente humana ) ;da caverna (relações entre o homem e suas "realidades") ; do foro (o indivíduo e suas associações ) e do teatro (interpretações equivocadas do indivíduo sobre o " mundo"). Em um de seus excertos diz : " mas em geral supõe-se para a matéria da filosofia ou muito a partir de pouco ou pouco a partir de muito .Assim, a filosofia se acha fundada , em ambos os casos , numa base de experiência e história natural excessivamente estreita e se decide a partir de um número de dados muito menor que o desejável. Assim, a escola racional se apodera de um grande número de experimentos vulgares , não bem comprovados e nem diligentemente examinados e pensados , e o mais entrega à meditação ao revolver do engenho ". Quem estaria certo, então, nessa época : DESCARTES e seu método racional ; BACON e seu método empirista-racional ; ou os dois ?

O empirismo de Bacon

Em sua obra "Novum Organum" francis bacon defende a experiencia como forma correta da filosofia, contestando o silogismo grego e afirmando o raciocínio indutivo.
Bacon se utiliza de "ídolos" para tecer criticas específicas aos maiores obstaculos ao raciocinio humano sendo eles :
1) ìdolos da tribo: referem-se principalmente a facilidade da generalizção nos humanos, aceiutando apenas os casos favoraveis e omitindo os desfavoraveis

2)ídolos da caverna: referem-se aos casos particulares da vioda de cada individuo, pois uma educação diferenciada leva a diferntes conceitos e maneiras de enxergar as coisas, deturpando sua visão cientifica

3)ídolos do foro: derivam da ambiguidade das palavras pelos homens utilizadas

4)ídolos do teatro: referem-se a aceitação plena de certos dogmas

Bacon foi o autor do primeiro esboço racional de uma metodologia científica.



Leonardo Lima 1º DN

Homem: animal pensante.


O homem se diferencia dos demais animais pela sua racionalidade e pelo modo como, através desta, lida com o meio no qual se insere. Nesse sentido, ele busca adaptar condições naturais a seu favor e tornar-se menos limitado. E é aí que a humanidade adentra em processos de criação, por meio dos quais os indivíduos amenizam suas incapacidades e determinam facilidades. Isso pode ser notado desde o princípio da existência humana: quando a necessidade principal era a caça, fez-se de pedras, lanças; diante das distorções da visão, criou-se o óculos; tendo surgido o ímpeto de exploração, projetou-se embarcações e mais tarde a caravela. E assim continuadamente, à medida que evolui e explora o meio em que vive, o homem estabelece esse ciclo de colocação de uma necessidade e superação desta, seguida por uma nova necessidade e assim por diante. Frente a esses processos adaptativos há uma importante ferramenta, que é também combustível e suporte: a ciência. Para Francis Bacon, é justamente nesse sentido que as pesquisas e buscas científicas devem caminhar, visando a geração do bem comum e o melhoramento da condição humana. Bacon aponta ainda a verdadeira ciência como atuante na representação das reais intenções divinas. Resta-nos então compreender do que se trata, para ele, tal veracidade. Esta, se dá a partir da cura da mente, que consiste em disciplinar nossas idéias, rejeitando o labor do intelecto e regulando-o por meio de mecanismos da experiência. Nesse sentido, para alcançar a verdade científica, o homem precisa manter e fortalecer o vínculo estabelecido desde o seu surgimento com a natureza, que permite que o homem não só sane suas necessidades primordiais, como também que estabeleça novas perspectivas. Para assim não simplesmente sobreviver, mas viver melhor.

Francis Bacon, arauto da ciência moderna

Francis Bacon, considerado o arauto da "Ciência Moderna", destaca sua obra enfatizando a visão de que a ciência deve ser exaltada quando benéfica para o homem, baseando-se no empirismo e na metodologia científica. Tecendo críticas fervorosas a filosofia anteriormente utilizada, principalmente a Escolástica, considerada pelo autor como estéril por não apresentar resultado prático para a vida do ser humano.
O objetivo do método de Bacon é constituir uma maneira nova de estudar os fenômenos naturais e conquistar o poder sobre os mesmos, regulado principalmente pelo raciocínio indutivo.



Guilherme Campos de Moraes

Contra a contemplação e o racionalismo

Entre os séculos XVI e XVII, um político, filósofo e alquimista inglês, naquilo que ele próprio denominava, em sua primeira obra, Instauratio magna, cria os parâmetros primordiais da ciência moderna. A restauração proposta por Francis Bacon também em Novum Organum visa, assim como o método cartesiano, substituir o pensamento aristotélico e a filosofia contemplativa vigente na época, por uma ciência confiável e prática, capaz de auxiliar na elevação da qualidade de vida de toda uma humanidade, dando-lhe o domínio sobre a natureza. 


Uma divergência crucial, porém, marca os estudos dos referidos filósofos: enquanto Descartes primava pela razão pura, sem qualquer intervenção dos sentidos, Bacon alega a falibilidade de tal racionalismo. Segundo o inglês, “ [...] o intelecto não regulado e sem apoio é irregular e de todo inábil para superar a obscuridade das coisas”. Estaria a mente humana, de acordo com Bacon, sujeita a inúmeras fragilidades, inseguranças e paixões que influenciariam negativamente na busca do conhecimento, da verdade. O autor cita as causas dos erros comuns da mente sob a forma de ídolos, sendo eles de quatro espécies: Ídolos da tribo (falhas inerentes à natureza humana, que generaliza as percepções de seus sentidos e sua mente), Ídolos da caverna (gerados pela assimilação da educação e dos costumes do meio), Ídolos do foro (resultados da imperfeição ou má utilização da linguagem) e Ídolos do teatro (decorrentes da subjugação total às escolas filosóficas em voga, sem contestação). Deste modo, a busca do conhecimento máximo, segundo o empirista Bacon, inclui, além do uso do intelecto, a observação dos fenômenos naturais, a experimentação, utilizando-se do raciocínio indutivo.



É visível, portanto, a influência magna da filosofia baconiana no desenvolvimento científico tal como o identificamos hoje em muitos de seus aspectos. É ela a responsável pela defesa da fundamental experimentação, da observação dos meios naturais, e também a que rejeita não só os princípios da filosofia tradicional, mas também a utilização única da razão, do intelecto.


Francis Bacon: O "não-grego"

Em sua obra 'Novum Organum' Francis Bacon tece críticas circunstânciais aos filósofos gregos. De forma equivocada afirma que nao houve qualquer experimento realizado por eles que tenham contribuido para a humanidade. Mas o que seria da matemática sem o número "pi"? Ou mesmo da física sem o princípio de alavancas?
Mas a verdade eh que Bacon revolucionou a maneira de se fazer ciência, defendendo a experiência como maneira praticamente única de se formar opiniões, ideias. Em 'Novum Organum' Bacon aprimora o velho sistema lógico utilizado pelos gregos.
Por ser intitulado muitas vezes como o fundador da ciência moderna Francis Bacon tenha destinado parte de sua obra para criticar o pensamento grego antigo. Porém, deve-se lembrar que tanto os filósofos gregos quando Bacon foram importantes para a humanidade: os gregos no que diz respeito as mais variadas formas de produção intelectual e cultural, e Bacon ao enaltecer o empirismo e influenciar as descobertas científicas posteriores ao seu tempo.

Instauratio magna – A grande restauração.

Francis Bacon desejava por sua filosofia realizar uma série de tratados que pudessem modificar a ciência e criar um novo método de estudos que substituísse o de Aristóteles. Essa era a grande restauração, o modo de se investigar os fatos passavam para o mundo dos fatos, do empirismo.

Francis, em sua mais célebre obra, Novum Organum, propõe a experimentação ilimitada como forma de se obter o conhecimento. Nesse novo método, as antecipações da mente e as falsas percepções do mundo, os chamados por ele ídolos, deveriam ser controlados por mecanismos científicos para não interferirem na construção da ciência.

Foi por meio do Novum Organum que a ciência moderna se configurou da forma que é hoje, muito especializada e usada como mercadoria, como por exemplo, no desenvolvimento de remédios apenas para doentes que possam pagar pelo tratamento, fazendo com que a margem de lucro valha toda a pesquisa envolvida. Existe todo um mercado por trás das descobertas e áreas de estudos enfocadas, mas o método da confirmação por experiências de Bacon ainda permeia o ambiente científico.

Inovação: motor do mundo


Lendo "Novum Organum" de Francis Bacon, o autor discorre sobre seu método de "conhecer a verdade de forma clara e manifesta". A busca pela clareza científica deve estar livre de fantasias (como a magia, a religião, e ideias abstratas), livre da filosofia (que só nos remete a discussões sem objetivo), livre do senso comum (quando aceitamos a opnião majoritária) e principalmente, livre dos ídolos (que nos impedem de enxergamos a verdade). Mas o porquê se despreender de tudo isso para atingir a verdadeira ciência? Bacon denuncia toda ciência baseada somente na mente humana. Esta é um território frágil e instável, sujeito a desejos, angústias, alegrias, medos, opiniões alheias, e de tantas outras coisas. A mente humana é sensível e portanto não pode ser guia da ciência. Podemos fazer referência a Descartes, que tem por base a racionalidade para atingir a verdade. Ambos os autores possuem este ponto em comum que gera a ciência moderna: a libertação do sensível, do miraculoso e da especulação sem comprovação.


Porém, sem a mente e nossa inteligência, o homem não é nada. A mente humana deve passar pela cura, através da experiência. Este é onde se baseia o método de Francis Bacon: a experiência. A experiência é o retrato da ciência útil. É uma tentativa, é uma forma de explorar e achar a verdade. Sempre acha-se a verdade? Talvez não. Porém é um caminho seguro, onde há a possibilidade de corrigir erros, retomar outros princípios e transformar o que foi falho. E para experimentar, é necessário deixar de lado até mesmo limites morais ou religiosos, pois ela não pode ter limites. Não pode-se barrar o conhecimento.


Conhecimento gera conhecimento. Um é base para outro. E assim, gera-se uma dinâmica de inovação permanente. Este é o instrumento guia da ciência: INOVAÇÃO. Isto move o mundo, move o intelecto humano, move pesquisas, move a medicina, move a sociedade... E beneficia a humanidade sempre mais...


Ana Beatriz Bachur 1º ano diurno

Consciência e Experiência


Em ‘Novum Organum’, Francis Bacon (1561-1626) debate sobre o verdadeiro conhecimento. Discute sobre o novo método científico que substituirá o antigo de Aristóteles. Critica o sofismo, a antiga filosofia grega. Pretende alcançar o novo através da interpretação da natureza, que é eterna. Preocupou-se em analisar os responsáveis pelos erros da ciência e falsas noções, ídolos. A prepotência e o egocentrismo – ídolos da tribo; os costumes e a imposição – ídolos da caverna; o mau uso da linguagem – ídolos da vida pública; a invenção filosófica, fantasia – ídolos do teatro.

O homem deve buscar a verdade através do conhecimento científico, que lhe servirá de guia, e da interpretação da natureza. Pensar e observar. Somente a razão é insuficiente para tal conhecimento, perde-se em caminhos ilusórios e fantasiosos por basear-se em percepções sensíveis. “Os axiomas ora em uso decorrem de experiência rasa e estreita e a partir de poucos fatos particulares, que ocorrem com frequência; e estão adstritos à sua extensão.” Assim como Pinocchio, usar-se-á a consciência e a experiência para conseguir-se o verdadeiro. Ser “menino de verdade”, conhecendo e construindo a ciência da natureza, o real.

O ‘novo instrumento’ gera novas perspectivas e cura a mente humana. A busca do novo, do real conhecimento. Incessante. Inovação!

O Advento da Ciência Moderna

Em meio à efervescência cultural de ideias da sua época, Francis Bacon desponta como o "fundador da ciência moderna". Seu apogeu se dá com a obra "Novum Organum", sobre a qual aqui discorremos. Nela, nos é apresentada uma ciência voltada para o desenvolvimento gradativo do saber, tendo em vista as inovações, que surgem a partir da combinação de diversos conhecimentos. Em confronto com o chamado "cultivo das ciências", típico da filosofia tradicional, o autor assume a defesa da "descoberta científica". Se aquela constituía-se por tagarelices especulativas que se perdiam no vácuo, não raro resultando em não mais do que dúvidas disfarçadas de conclusões, essa interpreta a natureza de forma lúcida. Lucidez. Essa é a característica da ciência proposta pelo barão de Verulam. Tal qualidade radica na experimentação. Essa deve ser utilizada para desvendar a natureza. Mas não só isso. Para que as descobertas possam ser entendidas como verdadeiras, é necessária a supressão da tendência fantasiosa do pensamento humano, pois essa é a causa da corrupção na busca de razões quando se quer comprovar algo. Essas não devem ser produzidas, mas descobertas através da experimentação. As luzes da ciência acendem-se quando esgotadas as chamas da fantasia. Cumpre notar que os chamados ídolos tem papel categórico na formação das fantasias, pois que são paradigmas gerados pela formação. Assim, influenciam os pensamentos. Conclui-se que uma das chaves para aplicar-se a ciência de Bacon é desenvolver uma auto-consciência muitíssimo aguçada, pois é necessário desenvolver uma capacidade imparcial de pensar acerca dos próprios pensamentos. Enfim, nessa linha, a mente humana parece ter de se tornar algo como uma lupa, através da qual se enxerga verdades que antes eram omissas e, até por isso, poderiam ter sido tidas como inverdades.

Homem, Ser ingênuo


Fazer uma crítica à filosofia tradicional grega é um ato surpreendente, já que ela tem um enorme status intelectual ao seu entorno, mas é exatamente isso o que Francis Bacon fez a quase quatro séculos em sua obra Novum Organum (Novo Instrumento). Esse filósofo inglês da Idade Moderna afirma que aquela filosofia não serve ao bem-estar social do homem, não sendo, portanto, uma forma verdadeira de ciência, mas um mero conhecimento contemplativo.


Há inúmeras outras proposições e críticas feitas por Bacon nessa sua obra que nos ajuda a entender o curso filosófico ao longo da história ocidental, mais precisamente entre os pensadores antigos e modernos. Como por exemplo, a necessidade de se impor limites ao labor da mente (que é ela se guiar por si mesma), uma vez que, segundo o autor, existem dois métodos para a ciência: o já citado Cultivo das Ciências (antecipação/ contemplação da mente), usado pelos gregos e pelo senso comum; e a Descoberta Científica (interpretação da natureza), que é exaustivamente defendida e usada por Bacon e se opõe àquele labor.


Esse segundo método da ciência tem como fonte a idéia de que o homem é facilmente influenciável e, consequentemente, é enganado por meios internos e externos. Isso está sintetizado na notável proposição dos Ídolos, que são justamente aquelas falsas percepções humanas do mundo. Segundo Bacon, somente a experiência e a experimentação possibilitam ao homem descobrir a verdade por trás de sua vida e, assim, de seu universo.


A contradição entre o limitar e o expandir o conhecimento humano

Crítico convicto de filosofias como a Escolástica e a aristotélica, por não apresentarem resultados úteis e práticos ao ser humano e seu desenvolvimento, Francis Bacon elabora sua obra "Novum Organum" e propõe por meio dela a reforma do conhecimento, com o propósito de servir o homem e dar a ele o poder sobre a natureza. Para ele o sentido da ciência é promover o bem estar, o que a filosofia tradicional não conseguiu fazer.

Acredita que apenas o uso da razão não é suficiente para se fazer ciência, afirmando que devemos parar de fazer conjecturas racionais, para assim gerar novas perspectivas. Para o autor é necessário domar a nossa mente pela experimentação, disciplinando as nossas ideias, evitando que nos levem a valores equivocados, que tornam falsas as nossas conclusões. De acordo com ele, a própria natureza imprime o conhecimento. Porém, essa sua visão acaba por limitar o ser humano, que impedido de pensar e se expressar sem obedecer aos métodos, em meu ver, não permitem o adquirir de um senso crítico e desse modo, expandir o próprio conhecimento.

Bacon critica os métodos vigentes, propondo outros (pela experimentação e observação), e expõe através das falsas noções (ídolos) o que considera ser a causa dos erros cometidos pela ciência. No entanto, o que o autor chama de ídolos, podem ser considerados em uma visão crítica, instrumentos de ajuda para se chegar aos fundamentos da verdade, como, por exemplo, o que considera ser o ídolo da caverna, que é a influência das leituras, educação.

Os ídolos e a alienação social

Em o "Novum Organum" Francis Bacon explica seu método de se fazer ciência,o qual consiste em aplicar a certeza a todo o instante,rejeitando as construções que a mente faz por ela mesma,que quase sempre são influenciadas pelos nossos sentidos,também duvidosos.

Este método,exatamente por isso,denomina-se "cura da mente" pois seu pois seu mecanismo é a regulação da mente através da experiência.As chamadas "antecipações da mente" são as formadoras do "senso comum" sendo por isso nocivas à prática da ciência em sua forma pura.
É interessante notar que Bacon aponta quatro tipos de "ídolos" que seriam as percepções falsas que temos do mundo: Ídolos da tribo(vinculados às distorções da mente humana),Ídolos da Caverna(vinculados à formação do indivíduo,sua leituras e educação),Ídolos do Foro(vinculados à influência das associações do indivíduo) e Ídolos do Teatro(que dizem respeito às superstições,astrologia e magia).

Esses ídolos correspondem, perfeitamente, aos fatores que causam alienação social na nossa sociedade contemporânea, mostrando que sua obra ainda pode ser considerada atual ,nesse sentido de identificar vários tipos de uma mesma alienação,hoje causada pelos programas de televisão,novelas ou vícios da nossa mente que nos impedem de enxergar as coisas tais como elas seriam.

Experimentar é preciso


Bacon entra em cena, discordando com o modo de pensar grego, no âmbito em que é considerado por ele que a filosofia dos mesmos não gera, apenas discute, sem o efeito de criar ou aliviar a condição humana, assumindo a função de mero exercício da mente. Para não apenas criticar e com a intenção de fazer uma renovação no método de ciência da época, Bacon busca em sua obra, "Novum Organum" , demonstrar que a experimentação é a melhor maneira de se regular a mente quando de trata da busca por novos conhecimentos, procurando a inovação sem limites para dar ao homem o poder sobre a natureza.
Aplicando as idéias propostas por Bacon, durante o decorrer da história diversos dos inventores buscaram aplicar o uso intenso de experiências, num método de tentativas e erros para chegar a descobertas de indiscutível importância para a vida do homem, seu bem estar e seu domínio sobre a natureza, podemos destacar o exemplo de Thomas Edson, criador da lâmpada elétrica que afirma : "Nunca fiz nada dar certo por acidente; nem nenhuma das minhas invenções surgiu por acidente; elas vieram do meu trabalho." e " Talento é 1% inspiração e 99% transpiração."
Porém devemos nos manter atentos para criar uma linha de segurança para que se possa aplicar os métodos propostos por Bacon, com o intuito de inovar, mas sempre levando em conta que existe uma ética a ser pensada quando se envolve nos experimentos realizados formas de vida quaisquer que sejam, de humanos à animais e também o uso de tais invenções, buscando aliar os direitos de todos com a necessidade de não se desistir da busca por uma melhor condição humana.

A verdadeira ciência

No livro Novo Organum, Francis Bacon diz 'A verdadeira causa e raiz de todos os males que afetam as ciências é uma única: enquanto admiramos e exaltamos de modo falso os poderes da mente humana,não lhe buscamos auxílios adequados', ou seja, os homens por confiarem demasiadamente na razão, pensam que esta é suficiente para se alcançar a verdade, no entanto, a verdade deve ser buscada e estudada na natureza.
Quando deixamos a mente ser guiada por ela mesma, acabamos criando fantasias, e uma vez que consideramos uma fantasia como uma verdade, tentamos defendê-la a todo custo, fazendo com que essas afirmações erradas permaneçam invioladas.
Entretanto, buscar a verdade, para Bacon, não é o único objetivo. Além de buscar um conhecimento confiável, devemos achar um que alivie e melhore a condição humana, pois Francis achava que era hora de parar de fazer conjecturas intelectuais e agir (por isso ele afirmava que a filosofia tradicional não servia para o bem-estar do homem).