Total de visualizações de página (desde out/2009)

domingo, 3 de abril de 2011

Contra a contemplação e o racionalismo

Entre os séculos XVI e XVII, um político, filósofo e alquimista inglês, naquilo que ele próprio denominava, em sua primeira obra, Instauratio magna, cria os parâmetros primordiais da ciência moderna. A restauração proposta por Francis Bacon também em Novum Organum visa, assim como o método cartesiano, substituir o pensamento aristotélico e a filosofia contemplativa vigente na época, por uma ciência confiável e prática, capaz de auxiliar na elevação da qualidade de vida de toda uma humanidade, dando-lhe o domínio sobre a natureza. 


Uma divergência crucial, porém, marca os estudos dos referidos filósofos: enquanto Descartes primava pela razão pura, sem qualquer intervenção dos sentidos, Bacon alega a falibilidade de tal racionalismo. Segundo o inglês, “ [...] o intelecto não regulado e sem apoio é irregular e de todo inábil para superar a obscuridade das coisas”. Estaria a mente humana, de acordo com Bacon, sujeita a inúmeras fragilidades, inseguranças e paixões que influenciariam negativamente na busca do conhecimento, da verdade. O autor cita as causas dos erros comuns da mente sob a forma de ídolos, sendo eles de quatro espécies: Ídolos da tribo (falhas inerentes à natureza humana, que generaliza as percepções de seus sentidos e sua mente), Ídolos da caverna (gerados pela assimilação da educação e dos costumes do meio), Ídolos do foro (resultados da imperfeição ou má utilização da linguagem) e Ídolos do teatro (decorrentes da subjugação total às escolas filosóficas em voga, sem contestação). Deste modo, a busca do conhecimento máximo, segundo o empirista Bacon, inclui, além do uso do intelecto, a observação dos fenômenos naturais, a experimentação, utilizando-se do raciocínio indutivo.



É visível, portanto, a influência magna da filosofia baconiana no desenvolvimento científico tal como o identificamos hoje em muitos de seus aspectos. É ela a responsável pela defesa da fundamental experimentação, da observação dos meios naturais, e também a que rejeita não só os princípios da filosofia tradicional, mas também a utilização única da razão, do intelecto.


Nenhum comentário:

Postar um comentário