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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Apelo de retorno


Quinta-feira, 30 de agosto de 2012.

Caro Sr. Bom Senso,

Venho por meio dessa carta apenas questioná-lo sobre os – tristes - acontecimentos da semana. Sim, senhor. Digo tristes. Tristes, porque, para mim, nesses últimos dias, o senhor desapareceu. Deixou-se ser encoberto por um manto. Um manto que tinha costurado em sua superfície grandes pedaços de pano, de extremismos, intolerância e até hipocrisia.
Como o senhor bem sabe, apesar de não estar presente, a Unesp –Franca ia receber, para palestrar em evento sobre a monarquia, o “Príncipe”, descendente da casa de Orleans e Bragança. O conhecimento do discurso do “Príncipe” gerou um ato-debate entre os mais variados grupos contra a criminalização dos movimentos sociais. E, assim, foi organizada uma manifestação. Manifestação, essa, que fugiu do controle e culminou na implosão do evento, que foi transferido para outra Faculdade da cidade. Para quem assistia o ocorrido, facilmente se lembraria da aula de Sociologia sobre Durkheim e do exemplo do vídeo da Uniban.
E foi na repercussão do acontecido que realmente achei que o Sr. tinha falecido! De um lado, alguns comemoravam a vitória, o êxito! De outro, quase um “cortem-lhe as cabeças!”. Ambos defendendo a democracia. E eu realmente comecei a me perguntar se estávamos todos realmente em uma Universidade. Depois de refletir um pouco e adicionar as experiências vividas até agora neste ano, comecei a me perguntar o que realmente é a Universidade, na prática.  Ah, como eu era ingênua em meu Ensino Médio. Ah, como eu sonhava em conhecer, em discutir, debater. Mas, cada vez mais, apenas sopros de uma verdadeira construção de conhecimento sobrevivem na Faculdade.
Vitória!? Vitória por não ouvir!? Vitória por, em vez de quebrar ideologias com argumentos, quebrá-las no grito!? E falar que isso vem de pensadores e futuros responsáveis por um país?! Ah, por favor! Ou ainda pedir o “corte da cabeça” dos responsáveis!? Muito simples, muito fácil apenas culpar um grupo de alunos, e outros se isentarem do ocorrido, sem considerar toda a profundidade do problema, e toda a podridão que mantém o Sistema do modo em que se encontra.
O problema é muito maior do que um “simples” acontecimento. O problema já está na própria estrutura das Universidades, que um dia, já foram principais formadoras de opinião da sociedade; e até na própria relação sociedade-universidade. Um exemplo disso é o modo como o Universitário é visto hoje em dia. Como uma possibilidade de crescimento para cidade, ou como investimento para o futuro do país? Não. Como o bêbado destruidor da cidade em que estuda.
É por tudo isso, Sr. Bom Senso, que  peço que reconsidere nossas ações e retorne ao nosso convívio. Precisamos do senhor na mesma proporção em que, como seres sociais, precisamos de nossas relações humanas. E, enquanto isso, temo. Temo pela sociedade, temo por mim mesma. Temo porque, se realmente o senhor está em seus últimos suspiros de vida, nossa sociedade também está.




domingo, 1 de maio de 2011

Pensamento positivo como alavanca para o progresso

Partindo de Bacon e Descartes, hoje chegamos a Augusto Comte e a sua filosofia positiva. Essa filosofia é o marco do amadurecimento do espírito e do pensamento humano, o homem pensando positivamente deve deixar o estágio teólogico e o metafísico para atingir o verdadeiro conhecimento do mundo e suas relações, sem influências da religião e do misticismo. Esses primeiros estágios têm sua importância também, que é de dar base e progressivamente levar a mente humana ao último e mais essencial deles, que é o estado positivio. Comte define o positivismo como algo real, útil e certo, sendo capaz até mesmo de corrigir a anarquia social e reestabelecer a ordem. E daí surge a frase que temos estampada em nossa bandeira: "Ordem e progresso"... estes são dois príncipios interligados e o segredo para o bom andamento da sociedade.






Por ordem se entende que cada indivíduo ou mesmo cada parcela da população está em seu devido ligar e cumpre sua função que lhe é designada. Metaforicamente, pensando na sociedade como corpo, cada membro e cada orgão aceita sua posição e finalidade, não querendo tentar ser uma outra parte, pois assim nasce a desordem e a patologia social, e como consequência disso surge as revoluções, protestos e a estagnação. Por exemplo, um operário não pode querer ser patrão, se assim for deixará de cumprir suas obrigaçõese ainda prejudicará quem ocupa este cargo. Um ponto muito importante de se ressaltar é que Comte não quer transformar drasticamente o mundo, mas quer curá-lo para que ele possa progredir. E esse progresso se dá, como já ficou claro, quando cada membro ocupa seu lugar e dessa forma a sociedade evoluiu naturalmente, se desenvolve e gera benefícios a todos, inclusive novas invenções, descobertas científicas, novas curas e remédios, etc.




Nessa sociedade ideal positiva deve existir também a solidariedade como âncora dessa ordem. Onde uns ajudam os outros no desempenho de seus encargos. A concorrência não tem vez, já que incentiva a buscar sempre mais do que lhe é devido, o que pode interferir e prejudicar outros membros do corpo social.




Comte ressalta ainda outro ponto para a melhora do individuo tanto socialmente tanto como ser pensante, que é a reforma na educação de forma ampla e universal. O sistema positivo prevê uma quebra do isolamento das ciências, e uma então combinação delas. Para que esse pensamento não seja fragmentado e nem concentrado em uma só parte, é necessário se conhecer tudo pra se ter noção da importância do todo, o positivismo não pressupõe nunca o individual, já que assim a ordem não pode ser estabelecida. Ademais, a ciência deve ter uma relação muito íntima com a técnica, para que não seja atingido somento o fim prático, mas também a interpretação do mundo. O objetivo é gerar uma reforma mental para introduzir-se o positivismo, como forma de substituir a agitação que as outras filosofias, religiosa e metafísica, promovem.




O saber positivo desperta o gosto pelo seu trabalho, a filosofia positiva é concentra-se na vida real, e afasta o homem das ambições, das ilusões e da não-aceitação de seu papel social. E principalmente, que o homem crie dentro de si sua própria noção de moral, baseada na felicidade e bem estar do todo, como um bem público, e não aquela imposta por outras filosofias, que tendem a ser individuais e onde as pessoas tentam buscar a felicidade e a salvação somente para si.




Com tudo isso que foi exposto a respeito de Comte, que é somente uma pincelada, pode-se dizer que sua intenção de manter o pensamento do homem no coletivo e como parte de um corpo social; além de procurar uma transformação através da educação, são ideiais louváveis porque assim a sociedade verdadeiramente se transforma, sem guerras, onde cada um tem uma importância vital e desempenha sua função se preocupando com o bom andamento e felicidade de todo o corpo, que será benéfico para todos.

Ana Beatriz Taveira Bachur 1º ano diurno


Após Descartes e Bacon, finalmente Comte


Augusto Comte vem unir e potencializar os preceitos de Bacon, as concepções de Descartes e as decobertas de Galileu. Nesse momento o que Comte chama de filosofia positiva pronuncia-se no mundo em oposição ao espírito teológico e metafísico.


Entretanto, como se chega ao estágio positivo? Este sendo o último estágio, necessita que a nossa mente passe antes por outros para que se amadureça e esteja pronta.


O primeiro dos estágios e aquele chamado teológico, em que os fenômenos apresentam-se produzidos por agentes sobrenaturais.


O segundo seria o estágio metafisico, considerado como um estágio de transição. Neste as entidades sobrenaturais são substituidas por forças abstratas, sendo que para cada fenômeno é determinada uma entidade correspondente.


O estágio ultimo e máximo é o Positivo, e neste a preocupação maior é conhecer as leis que regem o universo. A filosofia positiva preocupada em estudar tais leis que regem os fenômenos naturais, dividiu-os em quatro categorias: astronômicos, físicos, quimicos e fisiológicos.


Entretanto ainda faltava os estudo dos fenômenos sociais, destacados pela dificuldade em seu estudo, sendo eles mais particulares, mais complicados e dependentes de todos os outros.


Para o positivismo cada ser tem o seu lugar e desempenha seu própio papel no universo, assim como cada planeta do sistema solar. Só desse modo é que a sociedade pode se desenvolver e trilhar um caminho rumo ao bem estar total desejado.


A sociedade e os seus integrantes são como o corpo e os seus orgão: se tudo funciona bem e cada um desempenha com excelência a sua função, o corpo é saudável e se desenvolve sem problema. Sendo assim, a preocupação da filosofia positiva não é mudar a sociedade, e sim resolver seus problemas de modo que tudo fique como está, e funcionando bem.


Daí surgem duas máximas do positivismo: a ordem e o progresso, observadas também na nossa bandeira nacional. Ordem: cada um cumpre o que lhe foi determinado e dessa forma chega-se ao Progresso. Na sociedade então, existem aqueles que são o cérebro e aqueles que são as mãos numa analogia com o corpo humano. Os primeiros reponsáveis pela criação, e os últimos pela ação.


Assim surgem duas ordens de inteligências: a dos empreendedores(cérebro, intelectuais) e a dos operadores diretos(mãos, operários).


Sendo o positivismo preocupado com uma visão mais prática dos fenômenos, os proletários apresentam uma maior predisposição a assimila-lo, ja que, ao contrário das classes mais altas, não foram doutrinados pelo ensino metafísico e literário.


A prática mais valorizada, faz do positivismo uma arma do capitalismo, pois o saber positivo reforça o gosto pelo trabalho prático e a aceitação dos lugares sociais determinados. Assim o saber positivo afasta os trabalhadores da anarquia e das ambições materias, fazendo com que a máquina capitalista continue funcionando a todo vapor.


A Sociedade Harmônica

Em um relógio, cada engrenagem funciona ligada a outra, cada peça em seu lugar exato, realizando um trabalho perfeitamente rítmico. Em uma melodia, várias notas, escolhidas não de forma aleatória, quando juntas, formam um acorde; que, em uma sequência definida, desenvolvem um arranjo. Por último, em uma obra de arte (um quadro, por exemplo), as cores que ali são postas devem ser previamente escolhidas e não podem ser misturadas de qualquer forma; deve haver uma moderação, um bom-senso, que criará a perfeita combinação, definindo imagens e sensações a serem passadas. Em todos estes exemplos, cada unidade menor está ligada à outra, de forma a trabalharem juntas, harmonicamente, co-operando para que a unidade maior seja eficiente.

De acordo com Comte, é dessa forma que deve agir a sociedade. Cada peça é de extrema importância, devendo ocupar sua posição para o bem-comum, que será, por consequência, o melhor para si mesmo. É com esse pensamento que Comte classifica a sociedade em duas ordens: Empreendedores e Operadores Diretos. Os empreendedores seriam aqueles que exercem cargos administrativos, executivos, ou que necessitem de qualquer preparo intelectual profundo para o desenrolar do processo (ex: o engenheiro e seu projeto). Os operadores são os trabalhadores braçais, responsáveis pela parte material (ex: o pedreiro e o edifício). Um não pode operar sem o outro. Dessa forma, cada indivíduo possui seu lugar na sociedade, sendo todos extremamente necessários.

É feita então a crítica: “Como pode alguém justificar a diferença de classes utilizando de um método tão frio? Como pode alguém justificar a desigualdade e a exploração?”. É interessante pensarmos que a teoria Marxista está tão arraigada em nossos pensamentos, que não somos capazes de olhar para o assunto sem pensarmos que o patrão é um explorador, sugador de mais-valia. Não se trata de uma exploração, muito menos uma “seleção natural”, apenas deve-se entender que cada indivíduo é apto para um tipo de trabalho. Nem todos podem ser o ponteiro, ou o Fá menor, ou ainda o vermelho. Não há vagas suficientes para todos na universidade, e nem seria viável criá-las. Tal experiência já foi realizada na Alemanha e na Argentina, mostrando-se uma catástrofe. Nem todos podem ser patrões, e nem todos podem ser empregados. Apenas com um mínimo de diferenciação haverá harmonia. Auguste Comte olha para a realidade e avalia que diferentes necessidades clamam por diferentes elementos capazes de supri-las.

Por fim, ainda é relevante registrar que Comte não considera o proletário como a classe que mais se desgasta. Enquanto um pedreiro realiza grande esforço físico ao edificar uma parede, um engenheiro é responsável por toda a obra de uma só vez. As responsabilidades do patrão são tão maiores, exigindo tremendo esforço mental e dedicação, que este acaba por entregar maior vigor na produção. Tal fato justifica o salário deste ser superior ao daquele. Outro exemplo poderia ser o de um balconista de supermercado e seu patrão. Enquanto o balconista deve trabalhar 6,7,8 horas por dia, o dono do supermercado, ainda que faça um horário fixo, acaba por se concentrar nos problemas da empresa além de seu expediente. Basta vermos qual grupo costuma levar trabalho para casa, ou está mais vulnerável a sofrer de estresse e problemas cardíacos.

É com esta análise que chegamos à conclusão de que a sociedade só será próspera com a organização harmônica de seus indivíduos. Cada elemento encaixado em seu devido espaço, podendo realizar aquilo que melhor sabe fazer. Não podem todos realizar a mesma função. Vale reforçar, há diferentes necessidades, com diferentes indivíduos capazes para supri-las. Essa diversidade é essencial. É ela que cria a precisão do relógio, a sonoridade da melodia e a beleza do quadro.

Em Defesa de Comte

Alguns podem dizer que farei o papel de “advogado do Diabo”, os demais dirão que nem mesmo o Diabo o aceita como filho. Independentemente do julgamento a ser feito do meu posicionamento, ressalto que o faço por livre e espontânea vontade. Podem até me chamar de positivista, mas o que eu realmente acredito é no “bom-senso”.

Augusto Comte, em seu livro “Curso de Filosofia Positiva”, defende uma reorganização da sociedade, com vistas para o estabelecimento de uma ordem que, finalmente, traria pleno progresso. Sua máxima é: O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim (em francês: "L'amour pour principe et l'ordre pour base; le progrès pour but"). O que vemos em nossa bandeira é a abreviação dessa máxima. Eu tenho a convicção de que Comte não está errado. Basta analisar que todos os governos onde a palavra do Estado é obedecida sem contestação (sem desvio da ordem), o progresso é notável. O Brasil cresceu astronomicamente em dois momentos (Era Vargas e Governo Militar de 64). O Japão se tornou a grande potência que é hoje, graças à total dedicação de seus habitantes ao mando do Imperador. A incrível China de Deng XiaoPing. A Argentina de Perón. A França de Luis XV. O México de Porfirio Díaz. Tantos exemplos que podemos citar. Não digo que esses governos todos respeitaram os Direitos Humanos, liberdades individuais ou simples manifestações do pensamento; digo apenas que eles foram eficientes e alcançaram seus objetivos propostos.

A grande confusão que há está acerca do autoritarismo. Não defendo a violação dos direitos individuais. Os governos totalitários árabes estão desmoronando por terem gasto grande quantidade de riqueza do país, sem produzir nada em prol de sua população. Essa derrubada é necessária, e defendida por Comte. A realidade nesses países era de anarquia política, e é essencial que esse governo seja deposto para o estabelecimento de uma nova ordem, capaz de trazer o progresso tão esperado. Portanto, o autoritarismo não é uma característica natural do Positivismo, mas um instrumento utilizado em muitas das vezes. Uma coisa não está necessariamente ligada à outra, ainda que alguns o digam.

Por fim, concluo que o Positivismo não é a solução para todos os problemas da sociedade, mas seu empirismo faz com que seja uma teoria muito mais palpável, próxima do que vivemos; diferente da Teologia e Metafísica, que são, de acordo com Comte, estágios iniciais da construção do conhecimento. O Positivismo, por pregar a aplicabilidade das teorias, mantém-se sempre firmada no real, fugindo de utopias e sonhos.

O Positivismo é um pensamento lógico, simples, prático. Não é bonito, nem mesmo popular entre os “intelectuais” e “pseudo-intelectuais”. O mais importante: Não é cínico, como certas ideologias.

domingo, 10 de abril de 2011

Partes interligadas

Revolução Industrial, Conferência de Berlim, Guerras Mundiais. Vários são os momentos históricos reveladores de um individualismo humano. Hoje, ainda, ideologias como a consumista e a de (apenas) “eu ser feliz” reforçam essa característica. Todavia, conseqüências dessas atitudes chegaram a tal ponto que provocaram “mutações” no pensar de parte da população. Ao mesmo tempo em que persiste o individualismo, estão em alta debates educacionais a respeito do contato entre as pessoas - convivência que se mostra de maneira intensa em sites de relacionamento (orkut, twitter) e, de certa forma, de modo relativo no mundo concreto.


O filme “Ponto de Mutação”, por sua vez, baseado no livro de Fritjof Capra, vai de encontro a esse tema. Trata-se, basicamente, de uma conversa entre um político, um poeta e uma cientista. Esta defende uma nova percepção do mundo na “teoria dos sistemas vivos”: a vida seria uma probabilidade de conexões em que todos (homens e natureza) fariam parte de uma teia de relações, sendo interdependentes. Assim, propõe a análise de um todo, a coletividade. Segundo a cientista, tal método opõe-se ao de Descartes, que restringe os problemas, provocando a eliminação de outros fatos, considerações importantes ao focar-se em apenas um. No que se refere a tal comparação, ela exemplifica de modo simples a impossibilidade de analisar apenas a "parte", com uma árvore: é preciso relacionar seus diversos componentes juntamente com fungos, pássaros, as trocas gasosas que realiza para entender todo seu funcionamento.

Diante dessas considerações, acredita-se que, a respeito do método cartesiano, ele não é de todo inválido, sendo muito útil no conhecimento científico. Contudo, também é fundamental a análise do “todo”, cujas partes estão interligadas. Dessa maneira, sob esta última perspectiva, promove-se maior atenção ao o meio em que se vive, bem como valorizam-se os relacionamentos pessoais, gera-se o altruísmo, contribuindo, assim, para um movimento a favor da trajetória humana.

sábado, 9 de abril de 2011

Dobram por ti

“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente [...]. E por isso, não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti.” [ John Donne, "Devotions upon Emergent Occasions”, 1624]

Essa é uma das citações literárias feitas no filme “Ponto de Mutação”, de Bernt Capra; e, em minha opinião, a mais bonita. Quero fazer aqui uma reflexão sobre o filme, a partir desta mesma citação. O enredo é simples, sendo apenas um diálogo filosófico entre três personagens. Um poeta, que em diversos momentos trás à conversa citações como à que vimos anteriormente; um político, que procura soluções para a sociedade, mas sempre contrapondo as medidas que devem ser tomadas às medidas que agradariam a opinião pública; e, por fim, uma física nuclear, que durante todo o diálogo demonstra o quanto nossa ciência e nosso conceito de progresso estão enganados.

O filme discute o quanto nós, seres humanos e natureza, dependemos uns dos outros. Interessar-nos-á, agora, apenas tratar da relação entre os indivíduos, deixando a relação indivíduo-natureza para outro momento. A grande chave está em entender que tudo que fazemos afeta toda a humanidade. Não me refiro ao famoso “Efeito Borboleta”, mas à interligação que temos. Nenhum indivíduo pode viver sozinho, todos precisamos de relacionamentos, sem importar sua espécie.

Hoje, o mundo todo está em contato direto. A globalização deixou de ser um conceito, e se consolidou como realidade em todos os territórios. Diziam alguns anos atrás que a tecnologia nos transformaria em seres isolados, que o capitalismo desejava sugar o proletário, que os meios de comunicação nos alienariam. Vemos então as redes sociais crescendo vertiginosamente. O maior investimento do último ano foi o Facebook. Vemos a massificação do uso de eletrônicos; a população em geral passou a consumir produtos industrializados, privilégio antes apenas de uma elite. O acesso à informação é amplo e ilimitado através da internet, televisão e jornais, que estão em contato com todos os países do mundo. Nossa sociedade está cansada da frieza das máquinas polivalentes. Ela busca o calor da amizade, do carinho que apenas uma pessoa pode dar.

Voltando para a citação com que iniciamos este artigo, quando um indivíduo morre, morre uma parte do todo. Sentimos isso. Haiti, Rio de Janeiro, Chile, Japão. Ajuda humanitária internacional. Nós sentimos a dor. A desgraça nos angustia. “Não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti.”

sábado, 2 de abril de 2011

Experiências, Análises, Inovações.

"Mas aqueles dentre os mortais, mais animados e interessados, não nos uso presente das descobertas já feitas, mas em ir mais além; que estejam preocupados, não com a vitória sobre os adversários por meio de argumentos, mas na vitória sobre a natureza, pela ação; não em emitir opniões elegantes e prováveis, mas em conhecer a verdade de forma clara e manifesta" (Francis Bacon, "Novum Organum").

No passado, filósofos se prenderam à imaginação e à adoração dos elementos naturais. Dessa forma, alguns avanços foram obtidos nas ciências. Mas o que se vê no trecho acima, da obra de Francis Bacon, é uma mudança radical no método. Não basta descobrirmos e admirarmos a natureza, precisamos dominá-la. Muito menos se trata de convencimento pelos argumentos, mas de uma minunciosa análise dos fenômenos naturais. Busca-se inovações, não falatórios. Outro trecho da obra que pode nos mostrar esse pensamento é:

"Desse modo, é de se esperar que há ainda recônditas, no seio da natureza, muitas coisas de grande utilidade, que não guardam qualquer espécie de relação ou paralelismo com as já conhecidas, mas que estão fora das rotas da imaginação. Até agora não foram descobertas..."

A ciência não nasce da retórica, mas da análise e experimentação. Para Bacon, todo estudo deve ser empírico. A retórica pode ser útil em outros momentos, mas é desprovida de valor científico. Só os fatos são reais, não as ideias.

Bacon também alerta quanto às distorções que nossas análises podem sofrer devido a fatores que ele classifica como ídolos. A neutralidade é improvável. Esses ídolos podem ser nossas paixões, nossa formação, relações interpessoais que mantemos, ideologias, etc.

É, por fim, relevante considerar que "Novum Organum" foi publicado em 1620. Após o século XVII, surgiram os maiores avanços da história, que em milênios anteriores não haviam sido, se quer, sonhados. Podemos ter a certeza de que surtiu efeito essa nova forma de pensar ciência.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Discipline a mente

Bacon, em sua obra, critica a ciência como apenas um mero exercício da mente, considerando que essa é eficaz e verdadeira quando possibilita a compreensão da natureza e se traduz em resultados que favorecem ao bem-estar do homem. Entretanto quando fazemos nossa análise e compreensão não podemos deixar que a nossa mente se guie por seus próprios caminhos. É necessário que a disciplinemos afim de que não nos deixemos levar por valores e idéias equivocadas que podem tornar falsas as nossas conclusões. Bacon propõe que para disciplinar a mente, é preciso que ela seja guiada pelos mecanismos de experiências do que se deseja observar. Então se propõe dois métodos: o primeiro seria aquele que consiste da antecipação da mente, ou seja, seria baseado no conhecimento contemplativo, em que bastaria que as afirmações fizessem o mínimo sentido para que fossem tomadas por verdades; o segundo seria aquele considerado ideal, no qual a busca pelo conhecimento se daria por meio da experimentação, chamando-se assim interpretação da natureza. Hoje, sem dúvida, o método mais observado é o da antecipação da mente, pois é a base para o senso comum, devido a sua "ingenuidade" e sendo assim de facil aceitação pela maioria das pessoas. Essa experimentação sem limites proposta por Bacon, aliada ao método cartesiano formam as bases primordias da ciência moderna, que consiste, assim como mencionei na minha última postagem, em: análise das categorias mais primárias do estudo segundo experiências, e dessa forma ir progredindo na complexidade das análises, afim de se chegar a uma formulação de novos conhecimentos que possam contribuir de modo eficaz no bem-estar humano.

domingo, 27 de março de 2011

Não sei, logo duvido. Duvido, logo sei.

René Descartes, influência e inspiração do pensamento ocidental moderno, foi o precursor de um pensamento inovador para sua época, na qual o mundo ainda estava sob forte domínio da Igreja e, por conseguinte, marcado pelo misticismo, pelas crenças e pelo subjetivismo. Rompeu com a exaltação da metafísica pregando a autoridade da razão como melhor condutora à verdade.
Um homem que muito conheceu, tanto por interesse próprio como por fruto das situações em que se envolvia mundo afora, não conseguiria mais acreditar em quaisquer afirmações que lhes fossem feitas, pois vira a diversidade de opiniões entre filósofos e as disparidades entre habitantes de diferentes países. Diante disso foi que surgiu-lhe o método cartesiano, que constitui-se essencialmente em duvidar de tudo, até chegar no que é inquestionável e irrefutável.
Tendo compartilhado essa sua ideia, Descartes acabou por influenciar muito no que posteriormente aconteceria com relação ao desenvolvimento de conhecimentos. Representou o estopim, ou pelo menos um fator de impulso para o pensamento em que a racionalidade é reinante; em que o objetivismo exclui as conclusões tiradas a partir de sensações e dogmatismos sem fundamentos provados e arraigados à metafísica.
Neste, temos as bases para o que hoje leva a humanidade a atribuir tamanha importância à Ciência e à necessidade de ter provas lógicas a respeito de tudo aquilo em que se deve acreditar. Isso inclusive pode ser percebido na medida em que até mesmo o conceito de Deus, que geralmente é associado à religião e à fé, o autor do Discurso intenciona explicar seguindo uma linha de raciocínio firmada em conclusões já provadas como verdadeiras.
Descartes é considerado o pai do racionalismo, e também pode ser considerado o pai do ceticismo, já que suas afirmações alicerçam, direta ou indiretamente, percebida ou despercebidamente, a necessidade do homem atual de ver, entender e ter evidências a respeito de tudo para só então, confirmar a sua veracidade.
Um silogismo um tanto paradoxal pode ser aplicado: é preciso desfazer-se de muitas (possíveis) verdades, para que, através de questionamentos, se encontrem (possivelmente) as verdades.

sábado, 26 de março de 2011

Fé x Razão

Podemos o considerar um clássico, estudá-lo como grande obra de sua época e dizer ser ele essencial para a formação acadêmica; mas não conseguimos suportar sua dedução de Deus. O "Discurso do Método", de René Descartes, é uma referência global para os estudos de todas as áreas do conhecimento, pois ensina o leitor à lançar fora todo preconceito já existente e alcançar a verdade através da razão. Enfim, por meio do racionalismo, Descartes prova a existência de Deus. Mas como pode isso acontecer? Após apelar tanto à razão, Descartes esbarra na metafísica!

Vários argumentos são tecidos acerca disso. Primeiro, poderíamos considerar que para Descartes, a existência de Deus é inquestionável, por ter ele vivido em um período medieval, onde o Cristianismo controlava todo o conhecimento. É válida tal afirmação, contudo, limitada. Descartes não foi o único que chegou a tal conclusão de modo racional. Para Aristóteles (antes de surgir Cristianismo), o mundo precisava de um primeiro motor, sendo então Deus um "ato puro". Sir. Isaac Newton, outro grande pensador, disse: "Os movimentos que os planetas têm hoje, não puderam originar-se através de causas naturais isoladas, mas, sim, lhe foram impostos por um agente inteligente". Atualmente, nos Estados Unidos, são ministradas aulas sobre Criacionismo, e não evolucionismo. Diferente do que se pode pensar, as crianças não usam bíblias nas aulas, mas livros científicos baseados nas mais recentes descobertas. Alguns brasileiros, que se acham erudítos, ousam dizer que o "Gigante do Norte" retrocedeu no ensino infantil; cegos não veem que o Brasil, em suas melhores escolas, utiliza pesquisas (quando recentes) com atraso de trinta anos.

Retomando Descartes, podemos afirmar que na impossibilidade de racionalizar, seu recurso final é a fé. Errado! Hoje, a ciência estuda um novo ramo, chamado "Desing Inteligente". Entende-se que apenas um "ser inteligente" pode criar "vida inteligente". Fé seria crer que um universo imenso, com toda sua complexidade e leis perfeitas, surgiu sem que alguem perfeito o tivesse planejado. Não se trata de um critério subjetivo, mas de uma impossibilidade de negar.

Entendam que meu intento não é prova que Deus existe, mentes superiores já o fizeram ao longo da História. Meu desejo é apenas levantar uma questão: "Por que, após tantos pensadores explicarem, é ainda tão difícil tratar desse assunto?". Falar sobre Deus é polêmico, sendo impossível para alguns, simplesmente, escutar qualquer afirmação. Talvez, ouvir falar sobre o Criacionismo fira a sua fé.

domingo, 20 de março de 2011

Gradação para compreensão

Todos somos dotados de bom senso, sendo essa a característica que nos diferencia dos outros seres. Entretanto o que nos leva a divergir em nossas opiniões são os rumos que tomam os pensamentos de cada um.
Ao tomarmos tudo que se afirma diante de nós como falso, não nos limitando a aceitar tudo que se aprensenta como verdadeiro para os outros e isso nos exige ke nós adotemos uma visão mais crítica e mais analítica com relações as questões.
Desse modo, se decompormos os problema até que estes se apresentem em sua forma mais simples e elementar, nos ajuda na compreensão dele. A medida que avançamos gradativamente na análise, obteremos enunciados cada vez mais pertinentes, até que se atinja o máximo da gradação, onde alcançamos o que chamamos de uma verdade absoluta, sendo esta clara e evidente.
É dessa forma que se aprensenta a análise cientifica, onde se desenvolve uma teoria, e esta sendo cofrontada tende a cada vez ser mais completa e perfeita.
O método desenvolvido por Descartes nos auxilia na analise dos assuntos mais cotidianos, fazendo com que saiamos do censo comum e possuamos uma visão mais crítica, facilitando a compreensão do mundo e das "verdades" que se apresentam.

sábado, 19 de março de 2011

Herança do Método

Estudar é uma arte. Sim, disso não há dúvida. Necessita de paciência e insistência. São conceitos em desuso em nossa sociedade imediatista. Mas ainda existe uma problemática mais específica nos estudos das ciências humanas, que não está presente nas demais. Essa problemática consiste no fato do observador estar inserido no objeto analisado, de forma que dele não se pode desligar. É impossível um intelectual analisar uma sociedade, por exemplo, sem fazer uso de seus valores.
Descartes, em sua obra “Discurso sobre o Método”, procura estabelecer uma linha de raciocínio mecanicista para os estudos filosóficos. A partir de técnicas das ciências exatas, busca criar um novo modo de “fazer o saber”. Em suas palavras: “Assim, o meu desígnio não é ensinar aqui o método que cada qual deve seguir para bem conduzir sua razão, mas apenas mostrar de que maneira me esforcei por conduzir a minha” (“Discurso do Método”, René Descartes, 1637). Não se trata de uma regra engessada, mas um ótimo ponto de partida. Uma herança, a nós, deixada pelo filósofo.
O método? Essa é a parte principal de todo trabalho ou pesquisa. O estudioso mais eficiente não é aquele que lê tudo de forma voraz; e, sim, o metódico, aquele que estabelece um projeto e procura segui-lo com exatidão, à risca. Portanto, o trabalho de Descartes trata sobre o essencial de toda e qualquer pesquisa. Sua proposta é formada por: uma seleção inicial do material analisado, julgando o que realmente é verdadeiro e o que deve ser descartado; seguido de uma decomposição, com o fim de simplificar as problemáticas; posteriormente, a resolução das questões levantadas e a definição de cada elemento encontrado.
Retornando ao discurso do parágrafo segundo, certa vez, Isaac Newton disse: “Se vi mais longe, foi porque estava sobre os ombros de gigantes”. Se quisermos alcançar grandes avanços em nossas pesquisas, devemos aproveitar todo progresso já conquistado. Descartes já nos mostrou um caminho, um bom plano. Essa é a nossa herança, usemo-na da melhor forma.