O estudo da obra de Émile Durkheim, da sua metologia científica funcionalista, redefinem o conceito de sociologia anteriormente apresentado por Comte. A busca pela análise dos fatos sociais como "coisas" e do seu reconhecimento em razão da coerção a qual exercem sobre os indivíduos demonstra a metodologia durkheimniana de estudo das coisas para sua transformação em ideias, racionalizando-as. Diferente da análise ideológica que prevalecia em sua época.
A definição de "fato social" proposta por Durkheim traz consigo todo o desenvolvimento de sua teoria, pois é sua base. O sociólogo demonstra como as atitudes do indivíduos são quase em sua totalidade consequências e influências diretas da coerção exercida pelos fatos sociais - que, em suma, independe do indivíduo e tem como essência o agir do homem em sociedade.
Essa constatação permite o entendimento mais profundo e próximo do real do conjunto social. Entretanto, faz-se necessária uma experiência bastante avançada no exercício do pensamento sociológico para obtenção da sagacidade de se constatar todos os fatos sociais que têm ou podem ter influência em determinado comportamento social sendo analisado. Havendo assim, apesar de não ser foco da sociologia, uma abertura para diversas reflexões ontológicas, do que é realmente o comportamento humano essencial, fora do convívio em sociedade, e em que pontos tal convívio é maléfico ou benéfico para a existência da humanidade.
Uma reflexão relevante que o funcionalismo durkheimniano possibilita é acerca da arte e todas as suas manifestações - um fenômeno presente desde os primórdios da existência humana e com abrangência a todos os povos e tipos de sociedades já constatados. Seria a arte - tanto a sua opressão quanto sua liberdade, tanto sua forte presença quanto sua quase ausência - a manifestação das consequências dos fatos sociais tanto no indivíduo quanto na coletividade?
Devido a particularidade de cada artista, que representa de sua própria maneira a sua intrínseca visão do mundo, ao mesmo tempo que tal visão pode ser coletivizada, constituindo assim os movimentos artísticos, pelas obras que demonstram de maneira bastante específica as realidades contemporâneas a si, ao mesmo tempo que podem mostrar-se atemporais.
Para mim, a resposta para tal questionamento parece trazer consigo mais perguntas do que conclusões, continuando assim o ciclo infinito da busca dos homens pelo auto-conhecimento.
Laís Machado Ribeiro - Direito Diurno
Este é um espaço para as discussões da disciplina de Sociologia Geral e Jurídica do curso de Direito da UNESP/Franca. É um espaço dedicado à iniciação à "ciência da sociedade". Os textos e visões de mundo aqui presentes não representam a opinião do professor da disciplina e coordenador do blog. Refletem, com efeito, a diversidade de opiniões que devem caracterizar o "fazer científico" e a Universidade. (Coordenação: Prof. Dr. Agnaldo de Sousa Barbosa)
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sábado, 25 de maio de 2013
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Dialética e Direito
Fredrich
Engels não pode ser titulado como um pensador de menor importância quando
comparado a Marx. Engels foi capaz de elaborar efetivamente o substrato para o
socialismo científico, contribuindo de maneira ativa para a elaboração da
teoria de Karl Marx.
Dessa
forma, os dois pensadores, Engels e Marx, foram capazes de consolidar
concepções que penduram e são de suma relevância para as ciências sociais e os
demais ramos do conhecimento científico. A base de seus pensamentos está
contida na organização da Dialética Materialista. Esta centra seus esforços na
busca da observação concreta do real, com base na experiência histórica e
prática, de um modo totalmente oposto da dialética hegeliana.
Segundo
essa compreensão, de partir do real para o campo das ideias, a Dialética
Materialista demostra que há uma afirmação, uma tese e que historicamente
haverá uma negação, uma antítese em resposta a essa tese. Com o choque desses
dois pares de opostos, é possível produzir uma realidade nova, uma síntese
surgida desse enfrentamento. Com isso, pode-se fazer uso da Dialética para se
pensar diversos elementos da vida humana, inclusive, no que tange ao
entendimento do Direito.
O
Direito é uma ciência, sobretudo, uma ciência dinâmica, que está ou deveria
estar em constante contato com a realidade social e todos seus processos de transformações.
Ao longo da história, diversos foram os acontecimentos e impulsos que foram
modificando a maneira de pensar e de se aplicar o Direito.
Em um passado não muito distante, teóricos e
juristas como Rui Barbosa, Clovis Bevilacqua, Franco Montoro, Miguel Reale utilizavam-se
de diferentes e contraditórios métodos para compreender a ciência do Direito e
não viam isso como um problema. O que predominava era uma concepção dogmática e
formal do Direito, fundamentada em um complexo normativo positivado.
Em
tempos atuais, embora a percepção dogmática continue pendurando na metodologia jurídica,
percebe-se como conflitos e reivindicações sociais são capazes de moldar o
Direito: movimentos feministas foram fundamentais para a Lei Maria da Penha, a
luta dos homoafetivos estabeleceu alguns avanços jurídicos para essa parcela da
sociedade, sobretudo no campo do Direito Civil, os direitos trabalhistas foram
se consolidando no decorrer da história, e recentemente, foram instituídos
direitos e proteções às empregadas domésticas.
Com
todos esses casos e os demais exemplos existentes na realidade social demonstram
com veemência a Dialética Materialista: uma negação, uma reação a algo já estabelecido
foi capaz de proporcionar uma nova situação, uma modificação na estrutura até
então vigente no Direito.
Juliana Galina ( Direito diurno)
A ética da igualdade e o espírito do capital
A ética da igualdade e o espírito do capital
Foi-se o tempo em que possuir terras significava ter riqueza. Com o advento do capitalismo, toda e qualquer forma de riqueza passou a ser medida por meio do capital, do acúmulo de moedas, do dinheiro. Neste sentido, temos Marx e Engels tentando discutir a respeito dessa mudança substancial em relação a forma de riqueza e consequentemente, a forma de trabalho.
Tudo teve início com a ascensão da burguesia, que como não possuía terras, buscava o reconhecimento de sua batalha por meio de seu acúmulo de capital. Com o passar do tempo houve a concretização da burguesia como uma das classes mais influentes na sociedade e, portanto, o comércio e o acúmulo de riqueza por meio do dinheiro se tornaram imprescindíveis. Além dessa mudança no modo de riqueza, a burguesia também trouxe à tona a luta de classes para a melhoria da sociedade como um todo. No entanto, percebeu-se que a burguesia queria esse conflito apenas para conquistar seus objetivos individuais, pois não estavam nem um pouco preocupados com o bem-estar geral das massas.
Os burgueses, juntamente com as ideias de Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen, passaram a cada vez mais explorar e alienar as massas. Esses pensadores acreditavam que os governos deveriam estar nas mãos dos industriais pois eles detinham todo o conhecimento, já que os proletariados não conseguiriam mover-se por si mesmos por serem alheios ao saber.
Encontra-se aí a chamada contradição burguesa. Inicialmente eles almejavam o poder para deixarem de ser oprimidos pelos nobres e quando se concretizam como classe dominante passam a sufocar os proletariados. Caberia aqui, portanto, qualificar o poder como algo que corrompe, pois quem não o tem o quer e quem o tem não quer perder.
É nessa transição também que surge a apropriação do trabalho dos operários como forma de enriquecimento, a tão comentada mais-valia. Além da mais-valia, o advento da máquina e da sociedade burguesa ainda trouxe para os trabalhadores a alienação a respeito do produto final produzido. O trabalho passou a ser algo mecânico, destituído de consciência e sem uma racionalidade definida.
Nessa sociedade surge também o alto padrão competitivo, em que impera o constante aperfeiçoamento das máquinas, a busca pelo alto grau de especificação dos trabalhadores e a grande contradição entre a abundância da produção capitalista e a miséria de seus trabalhadores.
Marx quis, portanto, cada vez mais estudar e entender essa sociedade tão desigual em que sempre haverá antíteses que se contrapõem às teses e que nunca chegarão a uma síntese absoluta. Ou seja, sempre haverá uma classe oprimida contrária à classe dominante vigente que buscará por reformas. Essas reformas, no marxismo chamadas de sínteses, nunca teriam fim e a sociedade viveria em uma constante fase de transição.
Ana Carolina Alberganti Zanquetta, 1º ano Direito Noturno.
Foi-se o tempo em que possuir terras significava ter riqueza. Com o advento do capitalismo, toda e qualquer forma de riqueza passou a ser medida por meio do capital, do acúmulo de moedas, do dinheiro. Neste sentido, temos Marx e Engels tentando discutir a respeito dessa mudança substancial em relação a forma de riqueza e consequentemente, a forma de trabalho.
Tudo teve início com a ascensão da burguesia, que como não possuía terras, buscava o reconhecimento de sua batalha por meio de seu acúmulo de capital. Com o passar do tempo houve a concretização da burguesia como uma das classes mais influentes na sociedade e, portanto, o comércio e o acúmulo de riqueza por meio do dinheiro se tornaram imprescindíveis. Além dessa mudança no modo de riqueza, a burguesia também trouxe à tona a luta de classes para a melhoria da sociedade como um todo. No entanto, percebeu-se que a burguesia queria esse conflito apenas para conquistar seus objetivos individuais, pois não estavam nem um pouco preocupados com o bem-estar geral das massas.
Os burgueses, juntamente com as ideias de Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen, passaram a cada vez mais explorar e alienar as massas. Esses pensadores acreditavam que os governos deveriam estar nas mãos dos industriais pois eles detinham todo o conhecimento, já que os proletariados não conseguiriam mover-se por si mesmos por serem alheios ao saber.
Encontra-se aí a chamada contradição burguesa. Inicialmente eles almejavam o poder para deixarem de ser oprimidos pelos nobres e quando se concretizam como classe dominante passam a sufocar os proletariados. Caberia aqui, portanto, qualificar o poder como algo que corrompe, pois quem não o tem o quer e quem o tem não quer perder.
É nessa transição também que surge a apropriação do trabalho dos operários como forma de enriquecimento, a tão comentada mais-valia. Além da mais-valia, o advento da máquina e da sociedade burguesa ainda trouxe para os trabalhadores a alienação a respeito do produto final produzido. O trabalho passou a ser algo mecânico, destituído de consciência e sem uma racionalidade definida.
Nessa sociedade surge também o alto padrão competitivo, em que impera o constante aperfeiçoamento das máquinas, a busca pelo alto grau de especificação dos trabalhadores e a grande contradição entre a abundância da produção capitalista e a miséria de seus trabalhadores.
Marx quis, portanto, cada vez mais estudar e entender essa sociedade tão desigual em que sempre haverá antíteses que se contrapõem às teses e que nunca chegarão a uma síntese absoluta. Ou seja, sempre haverá uma classe oprimida contrária à classe dominante vigente que buscará por reformas. Essas reformas, no marxismo chamadas de sínteses, nunca teriam fim e a sociedade viveria em uma constante fase de transição.
Ana Carolina Alberganti Zanquetta, 1º ano Direito Noturno.
Do socialismo utópico ao socialismo científico
O
socialismo moderno é fruto dos antagonismos de classe e da anarquia que reina
na produção, a manifestação da teoria socialista, porém, no seu estado
primitivo, era utópica, propunha não só abolir os privilégios, mas também
destruir as diferenças de classe. Esta primeira forma de socialismo não teve
como representante o proletariado, que ainda era incapaz de desenvolver uma
ação política própria, dessa forma os três grandes utopistas foram: Saint-Simon,
Charles Fourier e Robert Owen, que não eram representantes dos interesses do
proletariado.
Em
sua obra Engels traz um elogio ao iluminismo e aos revolucionários franceses,
que contribuíram para uma ruptura com o passado, propondo o império da razão,
que em sua teoria promovia o fim da injustiça, do privilégio e da opressão. Sua
crítica, porém, se deve ao fato de que a razão iluminista se converteu em
racionalidade burguesa, que manteve os antagonismos entre exploradores e
explorados e instalou uma república democrática burguesa.
Engels
ao explicar o método metafísico, caracterizado pela fixidez, investigação
isolada e pelas antíteses, faz uma crítica a esse método que ao fragmentar o
objeto para obter maior clareza acaba perdendo a visão do todo. Segundo ele, é
o método dialético que traz a concepção exata do universo, do seu
desenvolvimento e do desenvolvimento da humanidade, a história natural está em
transformação permanente, sendo assim é necessário observar os fenômenos em suas
conexões, concatenações, dinâmica, em seus processos de nascimento e caducidade.
A dialética que se desenvolveu na Alemanha, com Hegel, porém, foi marcada por
uma contradição, pois mesmo libertando a concepção histórica da metafísica, sua
interpretação histórica era extremamente idealista. A consciência dessa
inversão acabou levando ao materialismo, que tem a missão de desvendar as leis
do desenvolvimento histórico, a resposta dos acontecimentos de qualquer época
está na própria história.
Uma
revisão de toda a história leva à conclusão que as lutas de classes são a
explicação da realidade histórica, sendo assim, o socialismo é um produto das
lutas de classe entre o proletariado e a burguesia, e não obra do gênio humano.
Esse “novo socialismo” tem o objetivo de investigar o processo histórico e
econômico no qual surgiram essas classes e o conflito, descobrindo meios para a
sua solução. Essa investigação levou a descoberta da mais-valia, principal
mecanismo de exploração da classe trabalhadora.
A
produção é a base da ordem social, sendo assim, as causas das transformações de
cada época devem ser buscadas no seu modo de produção e troca. O capitalismo
produz de um lado acumulação de riquezas e de outro miséria, o socialismo surge
como a superação do modo de produção capitalista, através da apropriação do
Estado burguês pelo proletariado, desse modo os meios de produção se tornam
meios de vida e proveito de todos os homens e não só restrito a uma classe. Com
o fim dos antagonismos de classe o Estado se torna supérfluo. Neste contexto, é
o socialismo que tem o papel de pesquisar as condições históricas para a ação
do proletariado.
Leonor Pereira Rabelo- Direito Noturno
quinta-feira, 23 de maio de 2013
A Dialética
Engels define a dialética como sendo “ a
ciência das leis gerais do movimento, tanto do mundo externo quanto do
pensamento humano”
A dialética passa por três fases: tese, antítese
e a síntese. A realidade teria seu movimento explicado pelo antagonismo entre a
tese e a antítese e suas contradições resolvidas pela síntese. Para sua melhor compreensão é importante também
ressaltar a relevância do TODO, que predomina sobre as partes constituintes. Ou
seja, nenhum fenômeno poderia ser entendido isoladamente fora dos fatos que o
rodeiam.
Hegel se contrapôs a lógica dialética
tradicional. Ele diz que o ser é a ideia
exteriorizada,sendo manifestado nas obras que produz e se interiorizando para
reconhecer a produção. Sua dialética caminha para uma novo entendimento de história.
Ao contrário da visão idealista de Hegel,
Marx e Engels são materialistas. Ou seja, o dado primeiro para eles é o mundo
material e as contradições surgem entre os homens reais, em condições históricas
e sociais reais.
Em suma, para eles o mundo material é dialético
e está em movimento. As mudanças na história ocorrem em função das contradições
que aparecem a partir das oposições das classes no processo de produção social.
Graziela da Silva Rosa - Direito Noturno
Graziela da Silva Rosa - Direito Noturno
Materialismo dialético
Para Friedrich
Engels todos se encontram em constante conflito entre a afirmação(tese) e a
negação(antítese), sendo um o contrapeso do outro. A antítese funciona como o
elemento que questiona a tese, por exemplo, na sociedade pode-se questionar a
forma de governo, as ações governamentais, a legitimidade de determinado poder,
etc.
Historicamente, pode-se observar que a
antítese, composta por grupos sociais oprimidos pelo governo, tende a se
fortalecer e, as vezes, tomar o poder, formando uma nova tese. Assim ocorreu o
fim do Antigo Regime, por exemplo, a burguesia(antiga antítese) ao se
fortalecer economicamente passou a querer participar do poder politico, até que
derrubaram o poder despótico, implantando o governo burguês em seu lugar. Desta
forma, a antítese sempre suprimiria a tese passado algum tempo, até que se
implantasse um governo onde todos são iguais.
Engels acreditava,
portanto, que a próxima revolução derrubaria o governo burguês, que tem na
classe operaria sua antítese. Isto seria ressaltado pelo fato que durante a
revolução industrial houveram diversas lutas sociais reivindicando maior
valorização do trabalho, como por exemplo, o movimento ludista e o movimento
cartista.
terça-feira, 14 de maio de 2013
A sociedade anda por si só
Num debate clássico, contrapõe-se as concepções das possíveis origens da sociedade. Para Durkheim, a sociedade como um emaranhado de instituições, é fruto da necessidade humana. Assim, não bastam os desejos, nem mesmo a unanimidade para o surgimento de tais instituições. é necessário um condicionamento dos fenômenos e, então, a necessidade as realiza, institui, justifica.
Desse modo, a consciência coletiva é esculpida e passa a atuar imperativamente nos fatos sociais. Numa consequência direta, florescem as leis, escritas ou não, que buscam constantemente o estado de harmonia social. Assim nasceram as sanções: a necessidade criou instituições que impregnaram-se na consciência dos indivíduos e, desenvolvendo-se, legitima tais instituições por meio de leis.
Depara-se, pois, com um sociedade já regrada e consolidada, alterando-se com um dinamismo rastejante. Nesse lento modificar, a sociedade mantém-se pela coerção que suas leis provocam e assim, ao contrário de Hobbes, a sociedade não é guiada pelas vontades individuais, mas por suas próprias tendências. Nessa conjuntura, Durkheim demonstra o homem ultrapassado pela realidade social, na qual é impelido a adequar-se em sua função social. Assim, é possível sintetizar o fato social como uma realidade que mantém e assegura a continuidade de toda a divisão e ordenamento social.
Durkheim e os Direitos Humanos
Durkheim, em
sua obra As Regras Do Método Sociológico, mostra que ao contrário do que a
maioria dos sociólogos acreditam, a explicação dos fatos sociais não está apenas
em sua função desempenhada, sua finalidade, e sim também em suas causas
eficientes, pois estas surgem ao longo da história e exercem pressões sobre os
homens de forma que forcem o surgimento ou modificação da função dos fatos
sociais, determinantes do estabelecimento da harmonia social.
Usando como
exemplo a construção de hospitais e a funcionalidade de convênios médicos. De
acordo com os Direitos Humanos, o homem tem direito à saúde, consequentemente,
é dever do Estado prove-la, abrindo espaço para que se esse provimento for
ineficiente os cidadãos tenham direito de resistência, combatendo o governo com
revoltas e greves. Assim, constantemente em campanhas eleitorais e propagandas
de governo, o tema da saúde é abordado, para garantir que esse direito seja
cumprido e a harmonia social seja mantida.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
A sociedade se auto-constitui?
O
pensamento de Durkheim acerca dos comportamentos e instituições organizados
pela sociedade vem da análise das funções e necessidades que essa cria. Toda a
funcionalidade de uma organização de indivíduos seria, portanto, fruto da sua
própria criação, atendendo a interesses coletivos e privados, que possam
alcançar um maior número de indivíduos – no caso, o “bem comum”.
Ao
mesmo tempo em que essas instituições são criadas pela própria sociedade, fica
cada vez mais difícil a criação de novos hábitos e costumes. Ao nascer, o
indivíduo já tem o nome, o estilo de vida, a sua classe social, sua língua,
enfim, todo o aparato do corpo social em que ele estará submergido. Dessa
forma, cria-se uma contradição: é a própria sociedade que cria os seus
mecanismos e as suas necessidades, ou as instituições são impostas por classes
dominantes, atendendo a interesses políticos e comerciais?
Yasmim Silva Fortes - 1º ano noturno
As Baratas Durkheiminianas
Gregor Samsa
era um homem normal, caixeiro-viajante, trabalhador, sustentava sua família com
suas atividades laborais. Suas responsabilidades familiares não eram nada mais
do que sua obrigação quanto cidadão de boa moral, mesmo que isso lhe custasse à
renúncia de seus desejos e de suas expectativas pessoais. Tudo mudou em uma
manhã qualquer, quando, após um sonho agitado, viu que se transformara em um
inseto monstruoso. Suas pernas foram transformadas em inúmeras articuladas
patas, suas costas agora estavam duras como couraça e o seu corpo se resumia a
um todo asqueroso de quitina marrom. A família desesperada não entendia a
mutação, procuraram ajuda, chamaram médicos, precisavam trazer de volta o seu
querido Samsa. Não houve jeito, a mutação estava completa e imutável, o que
restava era abandonar aquela aberração em
seu quarto, esquecido e escondido como um escândalo familiar. Com o tempo Gregor
foi esquecido, permanecia vivo apenas pela ajuda de sua irmã que lhe levava
algum alimento esporádico. Era uma aberração, nada além disso.
A obra
kafkaniana metaforiza com excelência o estado de anomia social descrito pelo
sociólogo Émile Durkheim. A negação da individualidade em detrimento ao bem
estar coletivo configura um fato social, pois o indivíduo sente-se coagido pelo
pensamento massivo que lhe impõem regras sociais a serem cumpridas. Dessa forma,
muitas vezes a normalidade não é algo natural, mesmo que para o indivíduo possa
parecer como tal. A normalidade seria, por sua vez, um estado de consciência coletiva,
que dita às normas sócias a serem seguida; e qualquer indivíduo que ouse
infringir essas normas é castigado pela crítica coletiva ou até mesmo pelos
ordenamentos jurídicos, já que, segundo durkheim, a maioria dos fatos sociais
tendem a serem normatizados.
A sociedade
assume, assim, uma forma organicista. Os indivíduos são partes de um corpo
social, cada um exercendo uma função especializada, que, na somatória das
partes, surgiria como um todo funcional e equilibrado. Essa visão organicista,
apesar de fornecer uma análise funcional e objetiva ao ordenamento social,
enquadra o diferente como um tumor. Outrossim, cada indivíduo estaria reduzido
a uma engrenagem de uma máquina,isto é, uma célula de um corpo social.
Gregor Samsa
ao deixar de cumprir sua função de trabalhador e mantenedor da família,
torna-se um tumor social, pois desrespeita os ditames da consciência coletiva.
Assim, assume a forma de barata, um ser repulsivo, a excreção desse corpo
social consolidado. Contudo, a quitina que lhe enrijece o corpo serve como um
instrumento de libertação da alma. Ao senti-se abandonado pela família e pelos
amigos, Samsa analisa, depois de muito tempo de trabalho robótico, o sentido e
a veracidade de sua vida anterior.
Dessa forma
surge o questionamento: Valeria a pena a negação de sua individualidade para a
manutenção de uma ordem estabelecida? O personagem de Kafka morre sozinho,
escondido e esquecido, mas mantém a sua forma de inseto. Talvez seja realmente
essa a resposta: Antes ser essa mutação asquerosa que desafia a normalidade, do
que apenas seguir a moralidade imposta por uma sociedade caduca.
José Roberto Bernardo Bettarello - Direito Noturno
Autossuficiência do Corpo Social
Conectando as ideias da
existência de um organismo social – que seria o conjunto completo formador da
sociedade – com a existência de “causas eficientes”, que, na visão
durkheiminiana, é a verdadeira causa de reprodução de acontecimentos dos fatos
sociais, encontra-se uma já montada planilha sobre a qual a sociedade se
desenvolve.
As instituições e as práticas
sociais surgem das “causas eficientes” durkheiminianas, que se vinculam ao
ordenamento geral do organismo social. Um belo exemplo que completa essa teoria
é a origem do Direito. Este surge da necessidade de haver um equilíbrio no
corpo social, isso é, na sociedade, não simplesmente da vontade – individual ou
não - de sua existência.
É interessante notar que muitas
de nossas características que rotulamos como base do que é o homem, ou seja,
rotulamos como inatas do ser humano são, na verdade, resultados dessa organização
social, podendo até ser explicados como resultado de certa impressão de
maneiras de agir, pensar e viver da sociedade. Dessa maneira, aquele pensamento
de que nossas ações são a base do corpo social, pode também ser rotulado como
mais um originado do próprio pensamento coletivo.
Assim, pois, podemos afirmar a
existência de uma dinâmica social responsável por linhas de raciocínio e
atitudes diferentes das que seriam tomadas pelos edificadores desse corpo
social, isto é, a coletividade não representa a junção do pensamento individual
das pessoas que a compõem. O pensamento coletivo é, por si só, autossuficiente no
quesito de existir.
Restabelecimento da harmonia
O sociólogo, para Durkheim, não pode se valer de finalismos para a construção de suas análises. Ele deve buscar incessantemente as causas eficientes, isto é, as necessidades, que se vinculam ao ordenamento geral e ao organismo social, pelas quais os fatos sociais, a fim de supri-las, surgem. Além disso, deve-se evitar as explicações sociais baseadas puramente na psicologia.
As necessidades gerais dão margem à origem de práticas e instituições cujas funções sejam referentes ao restabelecimento da harmonia social. Dessa forma, tais práticas e instituições acabam consolidando-se de maneira a perpetuar a existência das causas de que derivam. Nota-se, nesse contexto, que o cumprimento das funções não é intencional, como uma abordagem finalista pode aparentar, mas instintivo aos indivíduos.
O tempo pode fornecer base para que as práticas se modifiquem. Isso ocorre de tal forma que a mudança seja estritamente relativa à funcionalidade, ou seja, de modo que a aparência do fato social permaneça inalterada.
A sociedade consiste na expressão da consciência coletiva. Esta não representa, entretanto, a soma das consciências individuais, já que as individualidades podem se combinar de infinitas maneiras. Cada uma dessas formas apresenta, portanto, características únicas que a distingue das demais. Assim, é impossível que se explique acertadamente fatos sociais por meio de acepções psicológicas, pois isso elimina a especificidade dos fenômenos.
Moldes mentais
“Não
podemos escolher a forma de nossas casas, nem nossas roupas, pois uma é tão
obrigatória quanto a outra.” Durkheim defendia que o indivíduo é fruto das
imposições sociais, logo tudo aquilo que lhe parece característico, individual
e psicológico nada mais é do que disposições engendradas pelo social. Ora,
muitos dos costumes de uma determinada sociedade são evidentemente moldados
para determinados fins: o ciúme é incutido em sociedades monogâmicas, a “profissão
de fé” é imposta desde a infância, a própria opção sexual é determinada desde o
nascimento quando defini-se que o quarto de um menino é de todo azul, ao passo
que uma garota é permeado pelo rosa.
Desta
forma, segundo o pai da sociologia moderna, a sociedade não representaria a
soma das consciências individuais, mas sim a “expressão de uma consciência de
outra natureza, com outro conteúdo, a consciência coletiva.” Ou seja, as
disposições individuais não explicam o caráter geral dos fenômenos sociais.
Flexibilização saudável
O disciplinamento desde o nosso nascimento objetiva o enquadramento em papéis específicos, os quais são denominados “solidários” por Durkheim. Solidariedade a qual devemos compreender como orgânica. Agir em prol de sua realização significa evitar a “anomia”, ou seja, um colapso de todas as regras vigentes. E cabe ao Direito a reparação dos tendenciosos ao caos. Contudo, após essa acepção durkheiminiana, abre-se um leque de questionamentos: existe a possibilidade de optar por qual papel específico seguir? A anomia, é realmente inválida em quaisquer circunstâncias? O Direito, ao opor-se ao “colapso”, poderá sufocar expressões revolucionárias, porém oportunas?
Na área da saúde, constantemente deparamos com novidades, as quais podem até mesmo refutar anúncios anteriores. O ovo já passou de vilão para mocinho na alimentação. O famoso “Biotônico Fontoura” receitado por inúmeros médicos foi banido até alterar uma nova formulação, a qual excluísse o álcool etílico. Aproveitando a linha de raciocínio organicista de Durkheim, alcançar a verdadeira saúde do organismo social também implica em constantes renovações.
Portanto, se a medicina também está sujeita a alterações na busca pela saúde, assim também está a sociedade ao almejar seu bem-estar. Mulheres com isonomia salarial, possibilidade de uniões estáveis homoafetivas, o homem exercendo funções domésticas, o negro conquistando seu espaço na universidade. O não admissível passou, agora – mesmo que engatinhando –a ser admissível. A sociedade, bem como sua solidariedade, necessitam de flexibilidade e esse caráter deve refletir-se também no Direito, fazendo com que ele não seja sinônimo de dominação, e sim de ponderação. Assim, a sociedade poderá usufruir de plena saúde.
Daniele Zilioti de Sousa - 1º ano Direito Noturno
Força coercitiva da sociedade
Émile Durkheim nos mostra seu entendimento acerca do funcionamento da sociedade em sua obra: As Regras do Método Sociológico. Nessa obra, ele apresenta um novo objeto de estudo para a sociologia - os fatos sociais.
Para Durkheim, o indivíduo é coagido a seguir as regras impostas pela sociedade em que ele vive, fatos sociais, portanto, suas ações são originadas a partir de um pensar coletivo, e não individual. Segundo ele, o fato social é algo que está implícito em nossa formação. É o que forja, a partir do indivíduo, o ser social
Com a finalidade de melhor entender a força coercitiva exercida pela sociedade, ele procura encontrar suas origens. Segundo Durkheim, as instituições sociais não surgem do nada, elas resultam das necessidades, de causas eficientes,que se vinculam ao ordenamento geral do organismo social.
Amanda Silva Trevisan,
1º ano - direito noturno.
Em seu livro As Regras do método Sociológico, Émile Durkheim compreende a sociedade como um corpo social, em que os indivíduos são as células formadoras.
Segundo Durkheim, quando há colapso das regras, das normas estabelecidas, começamos a viver em uma sociedade em que vale tudo, em estado de anomia. Desse modo, a sociedade quando se organiza constrói mecanismos para a sua manutenção.
Para Durkheim, a sociologia consiste em entender o que gera o fato social, ou seja, a sua causa eficiente, vital para a existência do corpo social. Os fatos socias nascem da necessidade do organismo social de equilíbrio e derivam de maneira imediata da natureza humana, seja ela primitiva ou derivada.
A sociedade é dinâmica segundo Durkheim, e a divisão do trabalho é um exemplo desse condicionamento interno. A divisão do trabalho é fruto de perspectiva social e não econômica, nasce das modificações do comportamento coletivo no âmbito da luta pela vida e estabelece que os homens dependam uns dos outros.
De acordo com Durkheim, a sociedade não representa a soma das consciências individuais. A sociedade é a expressão de uma consciência de outra natureza, a consciência coletiva. As consciências individuais são geradas pelas emoções e por isso não prevalecem, pois gerariam o caos.
Se é bom para a sociedade, é bom para o indivíduo
Com
base nas ferramentas que Durkheim deixou em “As regras do método sociológico”,
é possível se fazer uma breve análise a respeito da grande divulgação e
reviravolta que o homossexualismo e, até mesmo, o casamento homoafetivo vêm
tomando com lugares de destaque no mundo atual, trazendo uma nova visão a esta
sociedade.
EH importante citar que cada indivíduo de um ambiente pode agir diferentemente frente a um mesmo fato, um tentando modificar o primeiro e o outro tentando modificar a si mesmo. Partindo-se do pressuposto de que é preciso entender a causa e a finalidade do novo fato social, mas o trabalho de maior importância é saber se há correspondência entre o fato considerado e as necessidades gerais do organismo social. Segundo o próprio autor, torna-se mais eficaz o início pelas causas e posteriormente, os efeitos.
Primeiramente, um tópico amplamente divulgado, com a ascensão de Marcos Feliciano à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, é a forma com que a raça ou grupos étnicos afetam a evolução social. Durkheim nega explicitamente tal afirmação usando o argumento de que certos acontecimentos ocorrem em grupos étnicos totalmente dessemelhantes, demonstrando que não se pode atribuir à raça.
Já os efeitos devem ser analisados segundo, principalmente, a sociedade e não de naturezas individuais, já que elas são apenas a matéria indeterminada que o fator social determina e transforma. Ademais, as lutas individuais nunca poderiam adquirir as formas definidas e complexas que caracterizam os fenômenos sociais.
Portanto, é mister utilizar-se deste novo fato social e saber, principalmente, se a sociedade o estimula ou refuta, podendo, assim, evoluir-se, uma vez que individualismos não têm vez nesse segmento.
EH importante citar que cada indivíduo de um ambiente pode agir diferentemente frente a um mesmo fato, um tentando modificar o primeiro e o outro tentando modificar a si mesmo. Partindo-se do pressuposto de que é preciso entender a causa e a finalidade do novo fato social, mas o trabalho de maior importância é saber se há correspondência entre o fato considerado e as necessidades gerais do organismo social. Segundo o próprio autor, torna-se mais eficaz o início pelas causas e posteriormente, os efeitos.
Primeiramente, um tópico amplamente divulgado, com a ascensão de Marcos Feliciano à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, é a forma com que a raça ou grupos étnicos afetam a evolução social. Durkheim nega explicitamente tal afirmação usando o argumento de que certos acontecimentos ocorrem em grupos étnicos totalmente dessemelhantes, demonstrando que não se pode atribuir à raça.
Já os efeitos devem ser analisados segundo, principalmente, a sociedade e não de naturezas individuais, já que elas são apenas a matéria indeterminada que o fator social determina e transforma. Ademais, as lutas individuais nunca poderiam adquirir as formas definidas e complexas que caracterizam os fenômenos sociais.
Portanto, é mister utilizar-se deste novo fato social e saber, principalmente, se a sociedade o estimula ou refuta, podendo, assim, evoluir-se, uma vez que individualismos não têm vez nesse segmento.
Análise pragmática do fato social
A análise do fato social proposta por Durkheim, tendo em
vista a anterior definição e abrangência do conceito de fato social, assume um
papel intrigante.
Posto tudo aquilo que o fato social pode conter, e descritas
as suas diversas formas de manifestação é possível olhar para o fato social de
forma pragmática. Apesar de ser um conceito criado para suplantar um método
sociológico, é possível observar numa óptica mais concreta e prática o que o
fato social resulta em sim.
Para tanto Durkheim propõe várias formas de fato social, analisando
a função que determinada relação social, por exemplo, exerce na sociedade num
todo. Não só relações sociais, como papéis sociais, comportamentos, tudo está intrínseco
no fato social. Dessa forma, pode-se distinguir com mais clareza os motivos e
causas de determinada ação social, além de tornar-se mais fácil enxergar as implicâncias
de um fato social.
Portanto, nota-se que o caráter intrigante que assume o
papel do fato social embasa-se no seu caráter selecionador. Durkheim não
discrimina nenhum tipo de fato social por mais que pareça negativo,
prejudicial, como roubos, ou até o suicídio. A partir de uma visão de certa
forma calculista, o método durkheiminiano propõe ressaltar o fato em sim, em seguida
as possíveis causas motivadoras, logo após os reflexos sociais que isso trará. Sendo assim, não se deve primeiramente julgar
um fato social sem antes saber qual função ele exerce na sociedade. Uma determinada
ação social, mesmo que essencialmente negativa, pode assumir um papel
importante na sociedade causando, por exemplo, um equilíbrio de forças.
Outro ponto a ser destacado é o caráter pragmático, ou seja,
tudo aquilo que o fato social engloba e todas em tentativas de negligenciar
determinado fato social (por exemplo, um médico renegar-se a trabalhar) relacionam-se
em si. E tais tentativas de negligência só se tornar válidas a partir do
momento que determinada ação não afetará o funcionamento e o andamento da sociedade,
do contrário é ilegítimo um profissional burlar suas responsabilidades
(anomias).
Ademais, Durkheim coloca de certa forma as anomias sociais
como fator que desanda e prejudica todo o andamento da sociedade. Além disso,
coloca desvios sociais como algo “normal” à medida que é impossível viver em
uma sociedade perfeita. Todavia, se há um exagero, um contingente exacerbado de
tais desvios isso afetará o funcionamento da sociedade em si, podendo gerar a
anomia, neste caso tais desvios devem ser combatidos e assim se justifica
determinadas punições sociais.
Feios, perfeitos, chips e fatos
As obras da série “Feios”, escritas por Scott Westerfeld,
descrevem uma sociedade que exemplifica perfeitamente as idéias de Durkheim e
pode ser comparada de forma assustadora com a nossa. No mundo fictício
existente no livro, todos os adolescentes são considerados feios e vivem
isolados até que completem 16 anos e ganhem uma “maravilhosa” cirurgia plástica
que elimina toda e qualquer imperfeição, inserindo-os em um novo ambiente.
Há, logo no início, a imposição de um padrão, uma regra de
conduta já tão presente na sociedade que mal abre espaço para dúvidas e críticas,
como o fato social de Durkheim. Claro, ao longo das obras também é mostrada a
existência de um motivo e a verdadeira função dessa cirurgia obrigatória, que
tem conseqüências que vão muito além de questões estéticas. Outro ponto
interessante é como esta permite a vida em sociedade, a aceitação, e chega a
moldar até mesmo a personalidade dos novos “perfeitos”. Esse suposto equilíbrio
pode ser relacionado com o conceito de densidade dinâmica.
Também é possível notar o poder coercitivo do fato social,
pois aqueles que se recusam a fazer a cirurgia são completamente excluídos da
sociedade. Eles perceberam que havia algo estranho no sistema, ao contrário dos
perfeitos, que estavam ocupados demais se divertindo. Até mesmo as regras
burladas por estes já são atitudes esperadas que se tornaram perfeitamente normais,
não um início de revolução, mas apenas mais um fato social. Enfim, os livros apresentam
um tema que, mesmo envolvendo estética, aborda de certa forma mais o contexto político e social
do que a natureza humana em si.
"Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Aonde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido
Eu sempre achei que era vivo
Parafuso e fluído em lugar de articulação
Até achava que aqui batia um coração
Nada é orgânico, é tudo programado
E eu achando que tinha me libertado
Mas lá vem eles novamente
E eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema"
Admirável Chip Novo - Pitty
O indivíduo moldado pela sociedade
Durkhein
acredita que o indivíduo é fruto das pressões da sociedade, logo, muito daquilo
que ele faz, pensa ou sente tem origem não individual, mas social. Essas regras
impostas são por si só coercitivas, uma vez que a pressão social é tão grande
que o indivíduo, mesmo quando nem chegar a quebrar uma delas, prefere na
maioria das vezes aceitar a imposição e se sentir incluído no grupo a sofrer
constantemente com esses atos coercitivos.
É
a partir da educação que o ser social é forjado, e aos poucos, as regras que
lhe são impelidas são interiorizadas, de modo que o raciocínio lógico e o tipo
adequado de comportamento são enraizados sem que o indivíduo chegue por conta
própria de que aquilo é a melhor atitude a se tomar. As formas de
comportamento, mesmo que expressadas por um único ser, são hábitos forjados na
dimensão do coletivo. Segundo o pensador, a própria estrutura política de um
país é um reflexo das decisões coletivas sobre as formas de sociabilidade.
Contudo,
onde o Estado não está presente, ocorre algo caracterizado por Durkhein como
“estado de anomia”, em que a lei que rege esses locais é a consuetudinária,
algo semelhante ao que ocorre nas favelas cariocas.
A
grande dúvida que surge, no entanto, é o que cria esse fato social? Eles não
surgem do nada, mas da necessidade de causas eficientes, vinculadas ao
ordenamento geral do organismo social. Para tal é necessário que os indivíduos
possuam condições internas que impliquem nesses fenômenos, como por exemplo a
divisão do trabalho, que resulta em modificações do modo de vida coletivo na
luta pela vida.
Enfim,
ele acredita que a sociedade não representa a soma das consciências
individuais, mas a expressão de uma consciência de outra natureza, a
consciência coletiva.
O fato social
Pela obra de Émile Durkheim, As Regras do Método Sociológico, podemos ter uma ideia de como funcionam os mecanismos de nossa sociedade.
Durkheim afirma que os aspectos psicológicos influenciam na constituição dos fatos sociais, porém não são suficientes para explicá-los.
As práticas sociais não surgem do nada, mas sim da necessidades, ou seja, devem haver implicações dentro da sociedade que condicionem os fenômenos sociais.
O fato social representa as necessidades do organismo social, precisando a sociedade de uma resposta para a ação de um ou mais indivíduos que possam interferir na paz da mesma.
Além disso podemos constatar que um fato social explica o outro, ou seja o que ocorre na sociedade está sempre na vida em sociedade.
Otavio Meneghel Bastos - 1º ano direito diurno
A engrenagem social
Émile Durkheim, ao conceituar o fato social como "todo aquele que independe do indivíduo e tem como substrato agir do homem em sociedade, de acordo com as regras sociais", mostra que cada cidadão tem seu papel bem delineado dentro do corpo social, independente de sua vontade particular. É a força do todo em detrimento do indivíduo.
Assim sendo, a sociedade apresenta-se como uma verdadeira engrenagem social, haja vista a necessidade de que todas as personagens estejam em consonância para seu perfeito funcionamento. O encaixe defeituso entre as engrenagens é chamado por Durkheim de anomia, ou seja, quando um indivíduo ou instituição não desempenha o papel a eles atribuídos, causado prejuízo para o funcionamento de toda a sociedade.
A anomia, portanto, deve ser combatida pela mão forte do Estado, que é o responsável por manter em pleno funcionamento dessa engrenagem, que é a própria sociedade. E, para que isso seja possível, as individualidades devem ser cada vez mais sufocadas em nome do funcionamento das instituições sociais, como sintetizado nas palavras do próprio autor: "O grupo pensa, sente, age diferentemente da maneira de pensar, sentir e agir de seus membros quando isolados"
A anomia, portanto, deve ser combatida pela mão forte do Estado, que é o responsável por manter em pleno funcionamento dessa engrenagem, que é a própria sociedade. E, para que isso seja possível, as individualidades devem ser cada vez mais sufocadas em nome do funcionamento das instituições sociais, como sintetizado nas palavras do próprio autor: "O grupo pensa, sente, age diferentemente da maneira de pensar, sentir e agir de seus membros quando isolados"
A falsa impressão da sociedade
Sobre a observação dos fatos sociais, segundo Durkheim, podemos concluir que estes se estabelecem a partir da coerção externa que existe sob os indivíduos a partir do momento que se inserem na vida em sociedade. Isto se diz respeito a valores, hábitos e conceitos que são impostos sobre todos nos sem que percebamos, e acreditamos que isto partiu da própria consciência.
Estas situações são impostas inconscientemente, mas são necessárias para continuar o funcionamento do organismo social. Desta maneira esta imposição entra em conflito a idéia de livre-arbítrio, que se cria ilusoriamente a sensação de podermos fazer, e de que fazemos somente o que nos convém segundo a nossa própria consciência, o que esta diretamente ligada a influencia externa na qual estamos submetidos.
Estes costumes não são datados no tempo, mas são próprios de cada sociedade. Por isto, o pensamento de Durkheim foi importantíssimo para entendermos a nossa própria maneira de se comportar diante dos fatos cotidianos e as demais ações da sociedade. No entanto, este comportamento pode entrar em conflito com transformações que ocorreram através do tempo, e causam grande impacto em uma sociedade, ou então, gerar a alienação de uma sociedade inteira e desta maneira sua estagnação.
Ricardo de Carvalho Mendes Jr. Direito - Diurno
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