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quarta-feira, 11 de maio de 2011

A mudança pelo Positivismo

Após as Revoluções Burguesas Liberais - quando governos absolutistas caíram pela força das armas e deram lugar a governos constitucionais – populações carentes dos países europeus, em meio à miséria e a uma exploração imensa ocasionadas pela Revolução Industrial e sob a influência de novas idéias sociais – como o anarquismo e o socialismo –, se rebelaram. Neste cenário caótico, denominado Primavera dos Povos, o século XIX viu um novo viés filosófico surgir: o Positivismo de Auguste Comte.

Pensado como um meio sistemático de se mudar a sociedade, o positivismo se autodenomina o último estágio da construção do conhecimento. Após a superação dos estágios anteriores, que são o teológico e o metafísico – em que o uso de mistificação e da psicologia respectivamente é feito a fim de obterem-se as causas dos mais diversos fenômenos –, a sociedade estaria pronta para usufruir as benesses positivistas. Mas de que modo e com que condições a filosofia positivista seria posta em prática em sociedades reais?

Comte responde a essas indagações nos textos do seu Curso de Filosofia Positiva. O positivismo visa a tornar a humanidade em uma sociedade harmônica, científica e técnica; além de requerer o conhecimento das leis do universo com a interpretação das leis dos fenômenos, não só um mero vislumbramento do mundo concreto. Assim, propõe uma reforma de mentalidade, em que as discussões e indagações metafísicas seriam rejeitadas e substituídas pelas positivas, ou seja, concretas / reais. A fragmentação do conhecimento é muito criticada, sendo requerida uma visão sistêmica educacional, uma visão una das diversas disciplinas.

Nesta mudança na educação, Comte afirma que a camada social proletária estaria mais apta a compreender o positivismo que outra, pois ela tem contato direto com a natureza e não recebeu a formação das elites, majoritariamente metafísica, literária e estética. Essa instrução pública positivista de uma educação universal busca despertar uma visão de conjunto em seus aprendizes. Tal visão se encaixa na idéia de corpo social de Comte, na qual cada integrante da sociedade teria seu determinado papel a ser cumprido. Tendo cada parte operando bem e nenhuma dela buscando o lugar da outra, a sociedade alcançaria os bônus das ciências estática e dinâmica – a ordem e o progresso, respectivamente –, os mesmos presentes no lema da bandeira brasileira, já que, quando mudada na época republicana, o positivismo exercia enorme influência na sociedade deste país.

Pode-se afirmar que o positivismo é a conclusão da revolução crítica iniciada por Bacon e Descartes, visando tornar-se uma ciência da sociedade. Embora haja várias criticas a serem feitas de seu pensamento – como a continuação da exploração e alienação da população pobre –, Comte se instala como um divisor de águas na filosofia ocidental moderna, com sua nova visão de transformação social. Sendo essencial, portanto, a compreensão de suas idéias, a fim de se entender o mundo atual.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Consciência coletiva como algo voluntário

Na teoria pós-positivista de Émile Durkheim há uma concepção de que fato social é o ato que não se vincula a vontade do individuo, mas a maneira como age quando se encontra em sociedade.

Além disso, para o verdadeiro estudo deste fato social deve-se partir do fato em si, ou seja, tratar este como coisa. Deste modo, ele considera que o fato social tem a mesma natureza que objetos orgânicos, por exemplo, e que, portanto tem de ser estudado assim como aquele. Ele contraria a tese de que é necessário partir das idéias para chegar à essência do objeto. Então, o correto seria partir das “coisas” para chegar nas “idéias”, somente desta forma seria considerado ciência.

Para ele também seria preciso certo distanciamento entre o cientista e seu objeto, para que aquele fosse o menos influenciado possível por sentimentos pessoais em relação a este. Por isso, faz uma crítica a Comte e Spencer por ambos partirem de suas próprias idéias em seus respectivos estudos, e não realizarem uma análise real das “coisas” que efetivamente encontram-se no cotidiano.

Na obra, o autor faz uma comparação entre a sociologia e a psicologia considerando que aquela tem vantagem sobre esta, uma vez que pode ser notado no cotidiano como forma de “leis”, por exemplo.

Por fim, Durkheim menciona a consciência coletiva como algo que impulsiona um indivíduo a agir conforme os outros. E então, nascem ações que todos praticam sem perceber tratar-se de uma convenção inconsciente entre as pessoas.

Imposição invisível

Ao começar a ler o texto de Durkheim, logo de início ele questiona o que seria o ''fato social'', seus âmbitos não só em sociedades, mas também em ocasiões que não apresentam estas formas cristalizadas de se viver.Ao longo de sua obra ''Que é fato social?'', o autor nos explica o que é isso na sua visão, fato que eu explanarei a seguir.

Para ele o ''fato social'' nada mais é do que todos os fenômenos que se passam no interior da sociedade e que têm interesse social, contudo ele especifica que, por exemplo, dormir, comer, raciocinar, não são ''fatos sociais'' porquanto são realizados regularmente, e se o fossem, a sociologia se confundiria com biologia, psicologia, dentre outras.Além disso, Durkheim deixa clara a ideia de que não temos escolha sobre como agir socialmente, já que desde crianças nos são impostas normas de condutas que não chegaríamos sozinhos e para completar tal raciocínio, Spencer diz que para alcançar a racionalidade, é imperioso deixar as crianças agirem sozinhas sempre, fato que não ocorre: ''A pressão de todos os instantes que sofre a criança é a própria pressão do meio social tendendo moldá-la à sua imagem''.

A consciência individual que pensamos ter é mera ilusão para o autor, pois todas as leis-econômicas, sociais, políticas,...- são regidas coletivamente, e por conseguinte, a profissão que se tem, a moeda utilizada, existem independentemente do uso que se faz dela.Por outro lado, se se experimentar violar as leis sociais elas trarão coerções em maiores ou menores graus, como as normas do direito e as morais, respectivamente.Logo o homem para o bem não só individual, mas também coletivo, é forçado a agir seguindo condutas pré-estabelecidas de acordo com o tempo em que vive (pois elas podem variar ao passar da eras).Por tudo isso estamos diante de uma ordem a ser seguida: consiste na forma de agir, de pensar e de sentir do indivíduo, dotadas de um poder de coerção em virtude da qual lhe impõem.

Concluí-se então, a partir do exposto, que grande parte de nossas ideias, hábitos e gostos não são concebidos por nós mesmos, mas nos vêm de fora e absorvemos eles pela invisível imposição social.


segunda-feira, 9 de maio de 2011

O Progresso Sociológico.


Emile Durkheim, importante filosofo pós-positivista, defende uma ciência da realidade, que parta das coisas (dos fatos) para as ideias, e não o contrário.  Acreditava que as “pré-noções” e o “censo comum” eram barreiras para a tradução da verdade científica, e que substratos passionais de nossa consciência afetam o exame da realidade, o que o aproximava do pensamento baconiano. Durkhein faz uma crítica a Comte, pois considera que ao invés de se debruçar sobre os fatos, Comte se distancia da verdade sociológica tomando como sendo desenvolvimento histórico a própria noção que tinha a este respeito.
Dá grande importância para a consideração dos fatos sociais, considerando esta a primeira e mais fundamental regra para o estudo sociológico. Considera que o fato social é toda maneira de agir ou não, suscetível de exercer sobre o individuo uma coerção exterior. Introduz assim à sociologia a ideia de coerção social, segundo a qual por mais que as atitudes e os comportamentos expressem-se no indivíduo elas não são mais do que imposições exteriores da sociedade.
Assim, vê a educação como meio de forjar o ser social, que impõe a criança maneiras de ver, sentir e agir às quais elas não teria chegado espontaneamente. Essa coerção é feita de maneira que com o tempo não a sentimos mais. Passamos assim, a cair na ilusão de que elaboramos o que nos foi imposto de fora. Sendo assim, muitas da nossa maneira de agir, pensar e sentir existem fora de nossas consciências individuais e são frutos de uma força imperativa e coercitiva que nos influencia deste o nosso nascimento.
Logo quando, por exemplo, quando desemprenho minha tarefa de amigo, ou quando executo compromissos que assumo, estou apenas cumpro deveres que estão definidos no direito e nos costumes.

Sanatório

Auguste Comte iniciou o estudo da sociologia, entretanto, foi Durkheim quem possibilitou que ela se tornasse uma ciência. Ele é chamado de pós-positivista, pois incorporou elementos do Positivismo, mas discordou de outros. Algumas heranças positivistas são a interpretação a partir do real, a análise da sociedade de forma objetiva e a prevalência da sociedade sobre o indivíduo. Em contrapartida, critica a concepção de Comte sobre o progresso da sociedade ao longo de sua história, pois um povo não é o prolongamento do anterior acrescido de alguma evolução.
Com base nesse raciocínio, o sociólogo define o que é fato social, sendo este tudo aquilo que coage o indivíduo, uma foça externa. Dessa forma, Durkheim afirma que a maioria de nossas ideias não são preconizadas por nós. Não escolhemos nosso idioma ou nossas vestimentas, sofremos, pois, uma coerção, mesmo que indireta, ao nos submeter aos costumes de nosso país sob o risco sermos excluídos do convívio social.
Desde crianças aprendemos que se deve ter bom comportamento, comer nas horas certas, ter hábitos higiênicos, estudar, trabalhar, guardar dinheiro para uma velhice tranquila... e , finalmente, morrer. Se refletirmos sobre esses hábitos que recebemos, perceberemos que a vida se torna medíocre e, embora não se possa isolar das forças coercitivas, pode-se transgredir e mudar o status quo a qulaquer momento, pois cada um deve respeitar a si próprio, mesmo que para tal intento lhe atribuam o título de louco.

UM PENSAMENTO COM CARÁTER DE FATO SOCIAL

Nascemos, crescemos, estudamos, casamos, trabalhamos, temos filhos, envelhecemos e morremos. Estas são algumas das etapas que cada indivíduo passa, ou pelo menos é esperado que passe, no que podemos chamar de um “ciclo da Vida”. Mas, porque será que se espera que o “indivíduo” passe por estas “etapas”?
Émile Durkheim, fundador da Escola Francesa de Sociologia tem em sua obra As regras do Método Sociológico, uma possível resposta para tal questionamento. Durkheim, discorre sobre o que ele chama de Fatos Sociais, categoria específica de fatos que não pertencem à nenhuma outra existente , sendo este , portanto,o domínio da Sociologia, e não de ciências com o psicologia ou até mesmo a biologia.
O ser humano tem um crença de que possui em suas mãos a capacidade de escolha de seus hábitos, crenças, dogmas religiosos, pensamentos etc. Entretanto, é imperceptível que esse grupo de idéias existe antes e fora de cada indivíduo. Estas, atuam de forma coercitiva, levando o homem, com o passar do tempo, a não mais senti-las, pois como o autor lembra “ Se, com o tempo esta coerção deixa de ser sentida, é porque pouco a pouco dá lugar a hábitos.”
Os mais céticos em relação a existência de tais fatos podem ter suas defesas prontas para qualquer discussão, mas como explicar as sanções sofridas por aqueles que tentam burlar as regras, que sem dúvida nenhuma tangenciam a maior parte da população e portanto, podemos chamá-las de sociais? Que levante a mãe o cético que tiver coragem de sair na rua sem seguir preceitos básicos da boa convivência social, ou podemos acreditar que eles conseguiram viver, sendo aceitos pela Sociedade sem usar roupas, ter higiene básica, respeitar seu sistema judicial etc?
O mundo teve na última semana um exemplo irrefutável de como os Fatos Sociais existem e agem fortemente no indivíduo. Após confirmarem a morte de Osama Bin Laden, tanto americanos, que de uma hora para a outra encontram seu primeiro “Super Homem negro”, quanto Árabes extremistas que amam incondicionalmente um terrorista, mostraram a força que possui um pensamento de caráter social, ou melhor um pensamento que na verdade é um Fato Social.

A influência de Durkheim na sociedade contemporânea

Ao ler o texto "O que é fato social?" de Èmile Durkheim, observa-se sua influência sobre dois dos grandes pensadores da educação moderna: Jean Piaget e Lev Vygotsky. Ambos nasceram em 1896, porém Vygotisky faleceu as 37 anos. Piaget viveu até 1980.
Interessante que os dois desenvolveram simultaneamente o mesmo tipo de estudo, levando para a educação a visão de Durkheim sobre a influência dos fatos sociais na vida dos indivíduos.

Além da influência sobre a educação, pode-se estabelecer um paralelo do trecho a seguir, extraído do texto "O que é fato social?" com o princípio da impessoalidade, consolidado no artigo 37 da Constituição Federal.

"Precisamos limpar toda a mente de prenoções antes de analisarmos fatos sociais. Essas “noções vulgares” desfiguram o verdadeiro aspecto das coisas e que nos confundimos com as verdadeiras coisas. As prenoções são capazes de dominar o espírito e substituir a realidade. Esquecidas as prenoções devemos analisar os fatos sociais cientificamente."

Ao evocar a impessoalidade no âmbito dos Três Poderes, a Constituição obriga os administradores públicos a agirem de modo durkheimiano, analisando os fatos sociais como coisas, despidos das "noções vulgares", agindo cientificamente. Portanto, não seria exagero dizermos que o pós-positivismo de Durkheim superou o âmbito da sociologia e passou a ser uma questão de ética.

Vemos, então, a grandeza da obra deste grande cientista social e sua importância para o desenvolvimento das Ciências Sociais a partir do século XX.

Sociologia: estudo dos fatos sociais

Émile Durkheim procurou definir o objeto de estudo, o método e a finalidade da Sociologia, que é definida por ele como “ciência das instituições, da sua gênese e do seu funcionamento”, ou ainda “toda crença, todo o comportamento instituído pela coletividade”.

O objeto de estudo da sociologia, seria o que Durkheim denominou fatos sociais. Por fatos sociais, Durkheim entendia “toda maneira de agir, fixa ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou ainda, que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando uma existência própria, independente das manifestações individuais que possa ter”. Podemos também definir fatos sociais como aquelas “maneiras de fazer ou de pensar, reconhecíveis pela particularidade de serem suscetíveis de exercer influência coercitiva sobre as consciências particulares”.

Durkheim afirma que os fatos sociais devem ser estudados imparcialmente, objetivamente, como se fossem “coisas”. Assim, não devemos estabelecer julgamentos e os nossos próprios valores devem ser neutralizados. Tal perspectiva se baseia na visão de cientificidade, que a sociologia procurou, desde o princípio, tomar emprestado às ciências exatas ou biológicas. Porém, quando estudamos a sociedade, estudamos o próprio homem, ou seja, nós mesmos. Dessa forma, ser imparcial seria o mesmo que deixar de fazer parte, o que é impossível, já que somos sempre participantes do processo.

É nesse ponto que devemos questionar se não seria muito simples utilizar tal concepção metodológica, enquanto meio, para deslegitimar ou desmentir outras tantas visões teóricas, sobretudo aquelas que se colocavam como expressão e manifestação da luta política dos trabalhadores pela transformação da ordem vigente.

Segundo Durkheim, o cientista estaria acima dos conflitos de classe. E deste topo do mundo e da vida social, ditaria o certo ou errado. Durkheim não levava em conta, porém, que esse cientista, como um parnasiano em sua torre de marfim, estava demasiadamente longe do restante do mundo para compreender a fundo a realidade em que viviam.

Dessa forma o posicionamento de Durkheim era favorável às elites dominantes, embora tenha criado a base para o desenvolvimento da sociologia, inclusive sob um ponto de vista crítico, ao estabelecer uma rica discussão em torno das questões do objeto, método e finalidade da sociologia.

A transposição do positivismo

Émile Durkheim, em 1895, lança seu livro chamado “As Regras do Método Sociológico”, o qual traz no primeiro capítulo a definição de fato social, cujo significado é “toda maneira de agir fixa ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior”, ou, ainda, “fato que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando uma existência própria, independente das manifestações individuais que possa ter”.

Dessa forma, três características decorrentes são afirmáveis: a coercitividade, a exterioridade e a generalidade.

No primeiro caso, os padrões culturais do grupo que os indivíduos integram são tão fortes a ponto de obrigá-los a cumpri-los. Fora disso é impossível viver em sociedade, então a renúncia à particularidade em todos os momentos é inegável.

Já no segundo há a ideia de que tais paradigmas são exteriores ao sujeito, isto é, independem de sua consciência. Assim, por mais que determinadas práticas pareçam dignas de uma intenção única da pessoa, elas na verdade resultam de uma consciência coletiva.

Por fim, os fatos sociais existem não para um peculiar específico, mas para a coletividade. A generalidade é perceptível através da propagação das tendências dos grupos pela sociedade, por exemplo.

A educação é um dos meios mais presentes na contribuição das imposições, porquanto forja o ser incutindo-lhe regras que, aos poucos, e de forma resignada, são interiorizadas.

Sendo assim, as análises do sociólogo francês revolucionaram o pensamento das ciências humanas não só por complementarem os desígnios positivistas, mas por irem além ao afirmar a carga ideológica da expressão comtiana e, consequentemente, proporem maior neutralidade axiológica ao estudo.


Método possível?

O autor Émile Durkheim consegue finalizar o que Auguste Comte havia começado, ele configura a sociologia como uma verdadeira ciência. Consegue isso por meio da formulação de um método o qual pressupõe total frieza do investigador social o qual deve tratar o seu objeto de estudo como uma coisa, ou seja, um ser desconhecido sobre o qual não tem qualquer ideia.
Isso quer dizer que o cientista social deve se livrar de quaisquer pré-noções antes de estudar o fato social para que nada possa interferir em suas conclusões e que , assim, elas possam ser verdadeiros retratos da realidade social. Mas acredito ser muito difícil, senão impossível, que o investigador consiga se despir de toda carga cultural que absorveu durante toda sua vida para analisar determinado fato. Penso que a dificuldade está precisamente no fato de que muitas vezes o objeto de estudo é a própria cultura, ou seja, algo com que todos estão extremamente entrelaçados.
Durkheim afirma que as estatísticas são armas importantíssimas para o estudo do sociólogo, pois mostram o comportamento de determinada sociedade,sobre certo aspecto, através de números, ou seja, por tratar-se de uma ciência exata confere maior neutralidade ao estudo.

Uma onda de influências

Émile Durkheim, já no início de seu texto, indaga sobre qual seria o verdadeiro campo de estudo da sociologia. Através de questões e afirmações, Durkheim aproxima a sociologia das ciências naturais, já que essa analisa a influência dos efeitos coletivos sobre cada indivíduo.

Para ele, todas as formas de pensamento e conduta, mesmo atuando de forma singular sobre a individualidade, possuem um poder coercitivo que não pode ser superado, já que essas forças sociais existem no coletivo e não dependem do individual. Esse fator, para Durkheim, determinava o fato social.

Segundo a visão pós-positivista de Durkheim, esse fato social deveria ser visto e estudado como “coisa”, para que as “paixões” humanas se afastassem da ciência, e a metafísica fosse definitivamente superada. Além disso, Durkheim espera que essa ciência seja analisada após aplicação no social, ou seja, a análise ideológica deve ser feita das “coisas para as ideias” e não das “ideias para as coisas" como se havia feito até ali, evitando-se assim a formação de pré-noções inaplicáveis no real, que limitariam a ciência a estudar apenas como as situações deveriam ser e não como elas são de fato.

A análise de Durkheim sobre o fato social é, portanto, de grande influência inclusive na sociedade atual, já que essa se encontra tomada por costumes e modismos. Deve-se, no entanto, atentar para o perigo da generalização do pensamento de Durkheim, pois não se pode desconsiderar a capacidade humana de autodeterminação e os seus direitos de escolha.

A passividade do indivíduo

Durkheim afirma que o objeto de estudo da sociologia, o fato social, é aquilo que existe fora das consciências individuais, que precede o indivíduo e que mesmo depois deste continua agindo. Em sua obra o autor diz que a sociedade é dotada de um poder coercitivo do qual não se pode fugir e que é geralmente ignorado.

Só se percebe tal poder de coerção quando se tenta fugir ou ir contra as convenções da sociedade, assim como só se sente o poder da corrente de um rio quando se tenta nadar contra ela.

O autor também afirma que há fato social mesmo onde não exista organização social definida, por exemplo em aglomerações e motins. Em situações assim o poder das massas pode agir de tal forma que, quando a situação finda alguns indivíduos podem se perguntar se realmente concordam com o que defendiam enquanto estavam sob efeito de tal comoção social. Em passeatas e protestos, por exemplo, indivíduos que normalmente não se exaltariam ou tomariam parte em uma briga acabam se envolvendo de tal forma com a situação que acabam não se reconhecendo ao agir de tal forma. Sobre este fato pode-se alegar o princípio da dissolução da culpa e da moral: quando um ato é compartilhado por diversas pessoas a culpa de praticá-lo é dividida entre todos, o que facilitaria a adesão daqueles que normalmente não o fariam.

Justamente por esse sentimento de comoção social ser tão forte e influente sobre as pessoas é que se questiona a punição para “crimes coletivos” onde a massa ensandecida pratica um ato ilícito, por exemplo em um linchamento, praticando justiça com as próprias mãos. Para Durkheim tais pessoas não seriam criminosos, apenas executores de uma vontade social, e não individual, entretanto, para o Direito, tal prerrogativa cabe apenas ao Estado.

Modeladores sociais

“As Regras do Método Sociológico”, de Émile Durkheim, é uma obra que foi produzida num período de fortes crises econômicas. Na concepção de Durkheim, os problemas de sua época foram desencadeados e persistiam, pois a moralidade da daquele tempo era ineficiente em relação a um padrão de conduta para os indivíduos. Assim, como seus antecessores positivistas, ele acreditava que a moral social seria eficiente para estancar as crises econômicas e políticas, proporcionando relações sociais harmônicas e duradouras.

Por isso, Durkheim, através de uma perspectiva muito clara de que as ciências só poderiam existir na medida em que possuísse um objeto e método próprio, de forma análoga, utilizou-se do mesmo raciocínio para o estudo apurado de um método para a análise social. Para tanto, a sociedade deveria tornar-se uma disciplina autônoma e capaz de interpretar uma nova gama de fenômenos alheios ao estudo científico, denominados por ele fatos sociais, criados e impostos aos indivíduos pela própria sociedade. O direito, o idioma, os costumes, o sistema financeiro, as crenças religiosas, ou seja, os fatos sociais, não foram criados pelos indivíduos, mas pelas gerações passadas e são transmitidos às novas gerações através da educação.

O método de análise dos fatos sociais deveria ser semelhante ao adotado pelas ciências da natureza, no entanto, deveria ser estritamente sociológico. Assim como os cientistas da natureza, que não transferem para a análise científica suas emoções, interesses e preconceitos, o sociólogo deveria identificar os fatos sociais com o mesmo espírito asséptico, a fim de preservar a neutralidade e a objetividade, que são fundamentos da ciência moderna.

Esse método enfatizava três características dos fatos sociais: a exterioridade, a coercitividade e a generalidade.

O caráter exterior significa que os fatos sociais existem e atuam sobre os indivíduos independentemente da vontade ou da adesão consciente, pois existem na sociedade antes mesmo do indivíduo nascer

Com relação à coerção, isto é, a obrigatoriedade em seguir os fatos sociais, Durkheim aponta para as dificuldades daqueles que não se submetem às convenções sociais, sendo punidos pela coletividade. Por exemplo, ao resistir a uma lei, violar uma regra moral, não usar o idioma nacional para comunicação, seremos advertidos e obrigados a seguir as regras socialmente aprovadas.

Sobre a generalidade dos fatos, Durkheim se refere às ocorrências em sociedades distintas, a permanência dos fatos ao longo do tempo ou em uma época estabelecida e a obediência de todos ou da maioria dos indivíduos. São esses traços gerais traços gerais que identificam o caráter coletivo dos fatos sociais.

Pela necessidade dos indivíduos viverem em coletividade, os fatos sociais funcionam como modeladores, padronizando o modo de vida das pessoas em sociedade, estando estigmatizados de tal maneira no comportamento humano, que qualquer diferença ou desvio de conduta seja considerados aberração, havendo forte repressão. Isso explica o porquê de atuais entraves como preconceito, violência, intolerância e muitas outras nefastas atitudes para os desvios de conduta dos fatos sociais.


Durkheim e a análise das coisas

Em seu ensaio, Durkheim deixa muito claro que é imprenscindivel ao verdadeiro cientista social transformar o seu objeto de estudo (fatos sociais) em coisas. Essa transformação permite maior exatidão analítica e menor deslumbramento por parte dos estudiosos, segundo ele.
Tal iniciativa por parte de um dos pais da sociologia moderna mostra-se um tanto quanto corajosa. Isso porque ao criticar a análise ideológica e assumir o estudo das coisas, tentando partir das coisas às ideias e não das ideias às coisas, Durkheim adota uma mentalidade que o força a buscar prioritariamente nos fatos os fundamentos de suas ideias, as quais serão formuladas posteriormente, ou seja, seus esforços são muito mais árduos para que obtenha bons resultados.
Outro ponto que toca a análise do fato social é a definição do que é o fato social em si. É muito importante tal definição, tendo-se em vista que a sociologia o estuda e não se pode considerar tudo que ocorre dentro da sociedade como tal, pois, se isso ocorresse haveria certamente confusão entre as áreas de estudo e atuação de cada ciência. Por tal razão, Durkheim não exita em definir o seu principal objeto de estudo: “É fato social toda maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou ainda, toda maneira de fazer que é geral na extensão de uma sociedade dada e, ao mesmo tempo, possui uma existência própria, independente de suas manifestações individuais”.
Nos aproximando da realidade a nós contemporânea e considerando nossa condição de estudantes , trata-se de algo notável a análise e a definição feitas por Durkheim acerca da educação. Para ele, a educação "tem por objeto produzir o ser social", ou seja, o indivíduo capaz de integrar-se e participar ativamente da vida e dos fatos sociais.
Uma outra consideração feita por Durkheim que pode ser identificada atualmente em nossa sociedade é a de que o fato social exprime o estado de alma coletiva. Essa premissa é identificada, por exemplo, nas torcidas de times de futebol que se envolvem em conflitos violentos. Elas expressam perfeitamente a teoria de que a força coercitiva do todo é muito maior que a força do indivíduo.Nesses casos, observa-se cidadãos aparentemente inofensivos cometerem atrocidades devido, primeiro a seu caráter individual, e também graças à força de imposição do coletivo.
Essa análise teve por objetivo explicar e contextualizar o fato social sob ponto de vista de Émile Durkheim. Através da mesma, nota-se que o sociológo buscou em seu pensamento e em suas premissas a exatidão e não a abstração. Isso porque ele encarou a sociologia como ciência e preocupou-se em enfatizar o uso do método durante todo seu ensaio. Trata-se de algo muito interessante tratar o fato social como coisa, isso permite que se faça analises mais precisas , menos ideológicas e panfletárias. No entanto, ao tentar trazer tal nível de exatidão à uma área que lida com relações humanas(por si só, confusas e imprecisas) é possível que Durkheim tenha tornado exato algo que simplesmente deveria ser relativizado e analisado de forma particular.

Indivíduo Cosmopolita


Durkheim, em 1895, publica seu estudo “As regras do método sociológico”, no qual disserta sobre os fatos sociais. Estes compreendem tudo o que é coletivo, exterior ao individuo e coercitivo. Uma força que exerce sobre os indivíduos obrigando-os através a se conformarem com os normas sociais, independe da vontade destes por ser intrínseco da sociedade.

Porém, ao mesmo tempo em que o sociólogo determina existência de uma força social incombatível, prevê a limpeza de todas as prenoçoes da mente para que essa mesma força seja analisada cientificamente. No mínimo confuso é esse conceito; ideal, mas impraticável a meu ver.

Se cada homem esta sujeitos ao fato social, então não há como coisificar verdadeiramente objetos de estudo que basicamente são inerentes ao mesmo homem. Desse modo, apenas, suas ideias serão afirmadas. As correntes sociais nos carregam em seu fluxo por mais que tentemos, desastrosamente, lutar contra elas. Numa era tecnológica, em total conexão, cosmopolita, quem ainda luta por sua individualidade vive uma ilusão, acreditando ser fruto de sua própria criação e não reconhecendo que é apenas mais um fruto do que lhe é imposto. E ainda, é nosso desmazelo que mascara a pressão sofrida, usando um exemplo do próprio Durkheim: “não deixa o ar de ser pesado, embora não lhe sintamos mais o peso”

Assim, somos capazes de escolher, no arsenal da sociedade, um conjunto de características que nos tornam singulares, todavia somos incapazes de criar algo original, nossas características agregadas emanam da coletividade, isso é fato! (social)

O fenômeno da coerção

O autor Émile Durkheim em sua obra "As Regras do Método Sociológico", analisa e disserta sobre o que é fato social, e como influencia as sociedades. Crítico de Auguste Comte e seu positivismo, é encarado como um pós-positivista pela sociologia pelo fato das idéias se dirigirem às coisas, e não o contrario como acreditava o pai da sociologia moderna. O fato social segundo o autor dessa obra nada mais é do que o poder de coerção que exerce sobre os individuos. Para ele os fatos sociais são considerados como "coisas" e possuem três características: sao externos aos individuos, ou seja, exteriormente às consciências individuais; sao coercitivas, ou seja, capazer de exercer influencia direta ou indireta no modo de agir; e são também gerais, que significa que abrange toda a coletividade que possui uma sociedade.


A forma de nos vestir, modismos que regem uma certa época, a maneira como se concentra uma população na zona rural ou urbana, a moral e a etiqueta que nos impede de agir de certa forma em público, sao exemplos de como o fato social abrange todos setores de nossa vida. As sociedades de todas partes do mundo se diferem quanto aos costumes, mas são todos induzidos pela forma como a educação e a criação educou a cada um deles. Somos feitos a acreditar que a sociedade é regida pelas vontades particulares, porém as maneiras de agir são adquiridas pela consistência da repetição que ocorre, e é dessa forma que as regras, crenças, ditados ou aforismos são criados.


Para a sociologia moderna, Durkheim foi importante ao estudar como os fatos sociais atuam na agir do ser humano. O direito mesmo está implicito no fato social pois é uma maneira de colocar regras no convivio social. As regras juridicas podem mesmo surgir de costumes ou usos de uma sociedade, e através delas os individuos são coagidos a se comportar de certo modo. Além disso, o autor fez desse texto um importante estudo que explicou como as relações diferem entre as sociedades, fazendo com que as diferenças fossem ao menos um pouco mais respeitadas.

Análise sociológica de Durkheim

Émile Durkheim deixa claro em sua obra que tem uma visão altamente influenciada por Augusto Comte, porém não deixa de fazer suas observações acerca das ideias positivistas e critica-as, criando suas próprias. Sua definição de “fato social” está presente até hoje em nossas vidas.

Não há de se negar a influência do pensamento pós-positivista de Durkheim no antropocentrismo. Seus ideais encorajam uma visão a par do assunto estudado, como por exemplo, no estudo aos costumes iranianos em que muitas vezes a moral ocidental condena mas não entende seu teor histórico-cutural; não diferente pode-se citar os costumes indígenas que muitas vezes são comparados aos europeus e são considerados inferiores por isso.

Além da visão limitada, as emoções também podem influenciar negativamente na análise de um fato. Reações passionais a uma situação vêm carregadas de um julgamento subjetivo que distorcem a realidade. Portanto, para Durkheim, a solução deve ser feita através do método, sem juízo de valor, que é caracterizado de acordo com a sociedade a que está inserida; a solução, logo, deve ser a imparcialidade.

Ademais, Durkheim destaca o poder que a sociedade tem sobre o indivíduo. Esse fator coletivo impõe sobre cada um uma forma de viver e de pensar, tendo na educação seu mais ativo agente. Isso é visto claramente na história de nossa sociedade: quando alguém se desvirtua do caminho imposto, normalmente é expurgado dela como uma doença. No entanto, é possível notar uma constante adesão desses membros na sociedade, visto os gays, que na última semana conquistaram o direito de ter o reconhecimento legal de sua união estável.

O mundo anda a passos tímidos, mas cada vez mais são alcançados direitos individuais que conquistaram seu espaço no coletivo. A visão de Durkheim, contudo, não deve ser subjugada, ela deve ser vista como uma crítica necessária de que o sistema que rege a sociedade pode ser frívolo e invasivo. No entanto, são vários os exemplos de que a exceção pode se tornar regra.

Nome: Jackeline Ferreira da Costa - 1º ano Direito Matutino

Sociedade: essência dos fenômenos sociais.

Em "Que é Fato social?", Émile Durkheim procura explicar e defender o verdadeiro positivismo (O pós-positivismo de Émile Durkheim). Neste, Durkheim vai trabalhar com princípios de objetividade bem definidos, e para isso vai propor basicamente dois estilos ou aspectos do positivismo. Primeiro propõe a necessidade de considerar os fatos sociais como coisas (distanciamento do cientista social do objeto), e segundo, afirma que fato social é qualquer maneira de agir, tudo que expressa essa coerção exterior imposta na sociedade para agir segundo uma determinada maneira. Tomando como base esses últimos aspectos, Durkheim faz valer a prevalência da sociedade sobre o indivíduo (compreensão do social sobre o indivíduo), aproximando-se assim das análises positivistas de Augusto Comte.
Prende-se à ideia de que devemos nos prender e analisar as coisas para a ideia (partir do real para as ideias) e não das ideias para as coisas. Durkheim, retomando as ideias de Francis Bacon, também vai se inspirar no afastamento das pré-noções, paixões, desejos e ídolos da mente, considerando esses últimos uma espécie de contaminação da mente e, portanto, das ideias. (transmissão de artificialidade, imaginação). Ao seguir esse afastamento, Durkheim vai propor o impedimento da superioridade das faculdades inferiores, a utilização de análises, estudos para a formulação de argumentos e o princípio de que os objetos sociais não tem natureza diferente dos objetos orgânicos/naturais/físico-químicos. Vai dizer que a tentativa de se ver o fato social como coisa, vem de Comte anteriormente, ainda que considere Comte como metafísico. Para Durkheim, Comte apela para uma noção metafísica ao conceber o progresso como o sentido de toda a vida e ao se distanciar da verdade sociológica (não se debruça sobre os fatos). Segundo o pós-positivismo de Émile Durkheim, as interpretações e métodos para explicar o socialismo, capitalismo, Estado, economia, etc, se assemelham àquelas utilizadas na Idade Média.
Interpreta que a acomodação à regra, nos fazem acreditar que alguns sentimentos são fruto de nossa própria elaboração. A participação em algumas manifestações coletivas nos revelam depois, quando estamos no espaço de nossa intimidade, que certos comportamentos não são propriamente nossos, mas SOCIAIS. As formas de comportamento, mesmo que se expressem no indivíduo, traduzem hábitos forjados na dimensão do coletivo. Manifestações individuais não consistem em um fato social: sua explicação se encerra no domínio do orgânico-psíquico. As pessoas reproduzem um modelo coletivo: estatísticas conseguem revelar como predisposições se materializam em um "estado da alma coletiva" (daí, o entendimento do casamento, nascimento, etc como fatos sociais); Sentimentos e pensamentos comuns não são frutos da soma de percepções gerais, mas de uma dinâmica docial que os orienta e os predispõem. Para Durkheim, a estrutura da sociedade está na essência da explicação dos fenômenos sociais (todos os fenômenos tem uma função: escolha da profissão, cumprimento da lei, casamento..).

Ser diferente dentre iguais

“É fato social toda a maneira de agir, fixa ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior.”

Durkheim afirma que a sociedade se sobrepõe ao indivíduo e que fato social é o agir do homem em sociedade de acordo com as regras sociais, é uma coerção da sociedade sobre o indivíduo, e dessa forma o coletivo imprime sobre ele uma força, um modo de ação.

Os códigos de leis, as modas, os gostos, entre outras coisas, são bons exemplos a respeito da estrutura da sociedade sobre o indivíduo, e a resistência dele a essas coisas é seguida por reações punitivas para tentar “restabelecer” a norma social. Pode-se dizer que até a religião, como necessidade de vinculação espiritual, é algo imposto pela sociedade.

Então, para se analisar a sociedade como ciência, o cientista social deve observar externamente os fatos, com um certo distanciamento dos mesmos, porque os sentimentos interiores afetam o exame científico dos fenômenos sociais. Desde Bacon, a ideia de que pré-noções obstaculizam a busca pela verdade científica já vinha sendo discutida e Durkheim reafirma essa ideia. Deve-se separar o indivíduo de suas paixões para a análise social.

Dessa maneira, precisamos refletir até que ponto somos nós mesmos e vivemos as nossas próprias vontades, e não aquelas que são impostas de forma natural e implícita pela sociedade? Muitas vezes não percebemos que vivemos o que nos é indicado para viver e do modo que deve ser vivido. É válida a tentativa de viver por nós mesmos, de separarmos os nossos próprios pensamentos daqueles que nos são influenciados pela sociedade através da mídia e da tecnologia, por exemplo.

Precisamos viver de maneira única, cada um com a sua individualidade no contexto da diversidade, e não simplesmente nos deixarmos ser definidos pela predisposição social.

Frieza e a coerção da sociedade.

O pós-positivismo de Durkheim enfatizou uma abordagem diferente da análise dos fenômenos sociais. Propôs que as ideias viessem da analise das coisas, e não o contrário que era o que realmente acontecia, as ideias para às coisas. A análise deveria ser mais isenta de paixões pessoais, menos ideológica.
Durkheim me lembra da frase utilizada em filmes de máfia: Não é pessoal, são só negócios. Apesar de chulo, ilustra bem a proposta anterior de Durkeim e a seguinte. O fato social deveria ser visto como coisa, evitando misturar sentimentos no meio; ver o fato social assim como um fenômeno biológico, físico, remetendo às ciências naturais.
Outro ponto importante no pós-positivismo de Durkheim é sua posição sobre Indivíduo VS Sociedade. Ele diz que a sociedade interfere nas decisões do indivíduo, de forma que você não estaria escolhendo usar tal roupa livrimente, mas seu julgamento estaria totalmente influenciado por uma coerção da sociedade. Até sentimentos seriam frutos da nossa educação. Quase uma Matrix, onde você pensa estar escolhendo algo, mas está preso a uma sociedade que lhe determina até mesmo o comportamento.
Concordo com Durkheim quanto a necessidade de despojar-se das paixões para uma análise de melhor qualidade, que quando julga-se algo como a sociedade, em que se está incluso, ou o fato social, ideologia deveria ficar de fora. Ver as coisas para tomar as ideias, não querer enxergar atrás de certas ideias. Porém no que tange a determinação da sociedade no comportamento do indivíduo não me agrada a ideia. Vai contra o conceito de livre-arbítrio, talvez não o eliminando, mas certamente limitando-o.

Por meio do método


“Tagarelar”, falar sem conhecer, seguir uma tendência sem embasamentos científicos: tudo isso vai contra o pensamento de Durkheim. Ele refuta as pré-noções e defende uma investigação real do fato social que, por sua vez, deve ser analisado desvinculado de juízo de valor.

A partir dessa ideia, surge uma indagação: será possível analisar um fato social sem agregar valores próprios a esta análise? Será possível afastar todos os “ídolos” de Francis Bacon de nossas conclusões? Será possível não seguir uma tendência?

Durkheim acredita que sim. Para ele, o método é capaz de desvincular observador de objeto. Através de um método, Durkheim julga ser possível “observar de fora” um ato social e assim manter a imparcialidade.

A sociologia, então, surge como uma ciência que cumpre esse papel. Para Durkheim, ela deve interpretar a sociedade a partir do real, livre de conceitos tendenciosos e de senso comum.

Durkheim, determinista?

Durkheim, no seu texto "Que é fato social?", tem como foco de estudo a coesão da sociedade como um todo. O autor afirma que o indivíduo não pode, nem consegue, explicar a sociedade, uma vez que a sociedade que explica o indivíduo. É possível notar nessa frase um pouco de determinismo, pois pode interpretar-se que o meio no qual vive o indivíduo o define como ser.

E isso, para Durkheim, era considerado verdade, já que seu conceito de fato socialé basicamente esse. Durkheim admite como fato social a coerção que a sociedade tem sobre o indivíduo, como esta define seus hábitos, e como ele, integrante da sociedade e em constante mudança de ideias, redefine-a.

Mas, assim como em Comte, o indivíduo não fica em primeiro plano, sendo esse reservado para a sociedade, pois seu estudo, o estudo de seus fatos, nada mais é que o estudo de conjuntos de hábitos, ações e pensamentos de seus componentes, de uma maneira generalizada e sob um ponto de vista de que tudo citado ocorre sobre influência direta do resto da sociedade.

Tentáculos Invisíveis


Émille Durkheim, francês nascido em 1858, é um sociólogo que coloca como aparato central de seus estudos sociológicos o fato social em sua obra “As Regras do Método”. Para Durkheim, fato social seria uma forma de "manipulação" externa do indivíduo em seu meio social, como algo que exista independentemente do que ele venha a escolher e, mesmo assim, figura como um fio condutor caracterizado pelo conjunto de fatos sociais pressupostos.

Exercendo uma força coercitiva sobre o indivíduo, convencionando um meio social a coagi-lo, o fato social se considera como um agente modelador do ser humano, uma vez que direta ou indiretamente nos trás esse resultado baseado na coletividade e não no interior do homem. Como afirma Durkheim: “Estamos, pois, diante de maneiras de agir, de pensar e de sentir que apresentam a propriedade marcante de existir fora das consciências individuais.”.
Assim, temos o fato social presente em atitudes cotidianas como em hábitos higiênicos, na moda e até mesmo na evolução tecnológica imposta a toda uma sociedade que se camufla cada vez mais no meio capitalista. Dessa maneira, uma população global se vê agindo tendo em vista a satisfação interna e consequentemente produzindo um efeito externo, uma vez que fortalece as forças de coerção “impostas” a outros.
Ao expor o fato social e deixar as claras seus tentáculos sobre a sociedade, Durkheim nos faz perceber o quão somos meras peças de uma engrenagem que devem seguir seus papéis para que esta continue a girar. O ser social somente importa para que se mantenha viva uma sociedade inteira, com suas singularidades, claro, mas com um plural superior e necessário.

O "Um" impondo-se sobre o Todo


Émile Durkheim fala de um fator que rege o comportamento social, um fator externo ao indivíduo, coercitivo, generalizante e inato, o Fato Social.

Para ele, as pessoas estão constantemente sujeitas à modeladores sociais e regras de comportamento. Suas ações são regidas por essa "força maior" que seria o Fato Social, formado pelo consenso e aceitação de todos sendo o grande movedor das personalidades e atitudes sociais.

O homem, inscrito nessa sociedade padronizada e coercitiva, quando foge dos costumes gerais e do comportamento aceito, é sujeito a sanções aplicadas pela sociedade como forma de repreender aquele que age destoando dos procedimentos impostos.

Durkheim chega a negar o pensamento, estilo e escolhas próprias, alegando que tudo não passa de ideias anteriormente impostas pela sociedade. Segundo ele, estamos tão imersos e inegavelmente sujeitos ao Fato Social que, erroneamente, acreditamos ter pensamentos próprios quando, na verdade, não passam de meras assimilações.

A ideia de Fato Social exprimida por Durkheim reafirma o positivismo Comteano uma vez que exerce sobre o indivíduo a vontade da maioria (sacrifício de um em prol do todo) além de conter uma forte ideia de ordem como elemento essencial e de constante busca na sociedade.

Dentro dessa ideia de Fato Social, o homem parece ínfimo, a individualidade, transgredida, e a sociedade mostra-se alienante com indivíduos inválidos. Observa-se um certo imobilismo nessa sociedade formadora de seres sem escolhas, sem opinião própria, sem forças para vencer as barreiras da coerção social.

Acredito que essa visão da impossibilidade de rejeição às imposições sociais, ao consenso, não seja fatalidade. A atitude transgressora é árdua porém possível, e, mais que isso, necessária! É nela que se encontram as melhorias sociais, as grandes mudanças e evoluções no modo de enxergar o mundo. Sem a trasgressão, sem as mudanças radicais de pensamento, o mundo ficaria eternamente estagnado, etéril. Ser igual é fácil, dificil é se destacar e dar início a uma grande mudança; a unicidade deve ser valorizada!

modelamento social

Émile Durkheim, procura analisar a vida social de cada individuo como senda ela regida pela sociedade, pois esta carrega com sigo certas perspectivas, maneiras de agir perante o publico que influem na formação própria de cada elemento social. Mesmo sabendo que essa bagagem social não é algo concreto e que esta em constante processo de transformação o homem deixa-se influir por ela.
Durkheim compara a sociedade a um corpo vivo em que cada parte possui uma função especifica e relembra a idéia de que a parte predomina sobre o todo, portanto para ele os fatos sociais existem, somente, em função do todo.
Os fatos sociais, além de ser o objeto de estudo da sociologia, possui três características:
-coercitividade, que é a pressão que o grupo exerce no individuo para aderir a determinados padrões culturais
-exterioridade, fenômeno social que atua sobre os indivíduos mas esta aquém de suas vontades individuais.
- generalidade, os fatos sociais existem não para um indivíduo, mas para a coletividade.
O pensamento de Durhkeim pode servir para entender varias medidas que tomamos durante o simples trajeto da vida. Ao escolher casar-se somente após ter uma profissão, conseguir pagar suas contas e ser independente e por volta dos 25, 30anos, os homens cedem a pressão social, pois quem faz tal ato antes de ter tais "qualidades" é subjulgado pela sociedade e taxado de responsável. Todos temem em ser um transgresor.
A síntese do pensamento de Durkheim resume-se a máxima: MARIA VAI COM AS OUTRAS

Modernização da sociologia

Após ter suas bases em Descartes e se consolidar com Bacon, a sociologia muda novamente com Émile Durkheim. Um dos pontos de diferença é que para ele, "os fatos sociais devem ser tratados como coisas".Esse fatos sociais são relações exteriores. Os indivíduos são "modificados" pelas pessoas ao seu redor, isso é conhecido como coerção; sendo que a regras, leis,entre outros, são existentes antes do nascimento da pessoa, todavia, esta tem que obedecê-las.
Outro aspecto importante na obra de Durkheim, é a necessidade da existência da solidariedade entre os cidadãos, para que haja uma melhor convivência. Para o sociólogo, esse fato chama-se "consciência coletiva".
Émile também define em sua obra um método para estudar a sociologia, no qual o observador deve manter uma distância e deve ser neutro, pois seus próprios valores podem modificar a real natureza dos fatos.

domingo, 8 de maio de 2011

Sociedade à frente do indivíduo

Durkheim, pai da sociologia moderna, pós-positivista, cria a sociologia como ciência autônoma, tratando de fenômenos sociais. No capítulo I de seu livro "As Regras do Método Sociológico" Durkheim disserta sobre o que é fato social e fala sobre a coercitividade imposta pela sociedade no indivíduo.

Fato social para Durkheim é todo acontecimento que é regido por regras sociais, não dependendo somente do indivíduo e de suas vontades. Ele tem como substrato o agir do homem em sociedade de acordo com essas regras. Fatos sociais são maneiras de pensar, de sentir e de agir não próprias do indivíduo, que estão definidos fora dele e que exercem uma coerção ele.

Durkheim defende que as regras impostas pela sociedade são coercitivas. Caso alguém tente violar essas regras, elas reagem contra ele de maneira a impedir seu ato com o intuito de anulá-lo e restabelecê-lo ao "normal". Durkheim da um exemplo disso ao falar sobre o idioma: "Não estou obrigado a falar o mesmo idioma que meus compratiotas, nem a empregar as moedas legais; mas é impossível agir de outra maneira. Minha tentativa fracassaria lamentavelmente, se procurasse escapar desta necessidade."

A acomodação às regras nos fazem acreditar que alguns sentimentos são frutos da nossa própria elaboração, mas a verdade é que desde o nosso nascimento somos coagidos pela sociedade a não irmos contra suas regras. Nos é imposta uma educação quando criança da qual não chegaríamos por livre e espontânea vontade. Desde criança, somos forçados a comer, dormir e beber de acordo com os dogmas da sociedade. Dogmas esses ja instaurados desde antes de nosso nascimento.

Durkehim tenta assim dizer, de certa forma, para que se mantenha o corpo social "saudável", os cidadãos perdem sua individualidade, e devem abdicar de suas próprias vontades.



A Sociologia de Émile Durkheim

Durkheim em sua tese sociológica acima de tudo, assim como Augusto Comte, apesar de Durkheim ainda o considerar muito metafísico por se utilizar de experiências próprias, defende a prevalência da sociedade sobre o indivíduo, isso é o que é denominado simplesmente como fato social. Durkheim também sendo influênciado por Francis Bacon e seu empirismo defende a análise das coisas e não das idéias, já que o contrário seria apenas uma análise ideológica, o que não teria utilidade real para a sociedade. E segundo Durkheim a sociedade precisa continuar a seguir seu rumo, seja ele qual for, já que ela não caminha necessariamente rumo à evolução; para Durkheim ela simplesmente caminha...
Sendo considerado por alguns como pós-positivista, Émile Durkheim tem como característica marcante sua crença na possibilidade da presença do objetivismo diante das ciências sociais. Assim, ele considerava que a passionalidade ofuscava e afetava o exame deveras científico dos fenômenos sociais. Desse modo, Durkheim pega como alicerce os estudos de Bacon, baseados nas ciências naturais, e propõe tratar as ciências sociais da mesma forma, e com a mesma imparcialidade, que Bacon dispunha-se a tratar seus estudos. Assim Durkheim nos convida a não sucumbirmos perante a sociedade analisada, a não nos deixarmos influênciar por ela para fazer nossa análise, e isso segundo ele, somente seria possível através de um método, mas ainda assim possível.
Enfim Émile Durkheim defende que é injusta e incorreta a análise de sociedades à partir de um ponto de vista ocidentalizado, isso porque o que nos é considerado subdesenvolvido ou desenvolvido pode não sê-lo para outra cultura e vice-versa. A única saída então seria simplesmente analisarmos as sociedades à partir de seu próprio ponto de vista, mas ainda assim tentado manter a maior imparcialidade possível utilizando-se do método. E para tal seria de imprescindível importância a educação, que prepara o ser social, mesmo que no entanto imponha um comportamento social.

Postagem de
Lucas Takahashi Tashiro
1º ano - Unesp - Direito Diurno

" - Papai, papai, embrasou a moradeira do Latildo!"

Considerado um dos pais da sociologia moderna, Émile Durkheim parte do preceito de que os fatos sociais devem ser tratatos como coisas e, a partir disso, analisar a coerção exercida sobre todos.
Assim como para Comte, ressalta-se a prevalência da sociedade sobre os indivíduos. Utiliza-se também de Bacon com a defesa da compreensão do objeto de estudo sem valorá-lo, julgá-lo, o que ele chama de "colocar a ideia nas coisas, e não as coisas nas ideias" (procurar um sentido antes do estudo). Bacon faz a mesma crítica quando tenta combater os ídolos da mente.
Para Durkheim seria possível, ainda, separar o indivíduo de suas paixões por meio do método - por isso considerá-lo objeto. A sociedade, portanto, precisa ser vista a partir de seus próprios elementos, sem comparações às anteriores. Neste ponto, diverge de Comte que considera todo o progresso histórico.
Três são as características do fato social:
1. Coercitividade: padrões culturais fortes que obrigam os indivíduos a cumpri-los;
2.Exterioridade: a cultura é externa ao indivíduo, quer dizer, vem do exterior e independe da consciência deste;
3.Generalidade: os fatos sociais são para todos, e não para um indivíduo específico.
A resistência, portanto, seguiria-se por punições no objetivo de restabelecimento da norma. A coercitividade podem ser impostas pelo direito ou pela impossibilidade de serem desrespeitadas.
Um exemplo de coerção indireta exposto é falar o mesmo idioma que os compatriotas.
O conto "Marcelo, Marmelo, Martelo", de Ruth Rocha, bem o demonstra. Na história, Marcelo começa a questionar o nome dos objetos e decide nomeá-los como lhe parecia mais correto, de acordo com seu uso. Incompreendido, quando a casa de seu cachorro está em chamas, os pais não compreendem sua mensagem - findando pela destruição desta. Visualizamos a força coercitiva da imposição indireta do idioma compartilhado e qual foi a sanção pelo desrespeito.
Nossa educação, por conseguinte, talha o ser social, expondo as regras que, muitas vezes de modo imperceptível, são aceitas e interiorizadas, mas, que sem esse meio, não seriam adotadas individualmente.
Logo, nosso comportamento seria, de modo geral, uma representação e expressão do que nos foi incutido, forçando a visão coletiva. Faríamos todos parte dessa orientação social na qual cada um é orientado pelo todo.

(imagem extraída de: http://pt.scribd.com/doc/5308703/Marcelo-Marmelo-Martelo-Ruth-Rocha)

O Progresso Sociológico de Durkheim

Seguindo a linha de Augusto Comte com o positivismo, Durkheim afirma que não se deve estudar as atividades de indivíduo como próprias, e sim como uma influência do próprio grupo, seja ela manifestada como costume, hábito ou pura regra de conduta.
O que o diferencia é o fato de que para ele não há uma evolução da humanidade, e sim sociedades que nascem, se modificam e morrem. Não haveria uma linearidade das transformações do grupo em que o mesmo se desenvolveria continuamente.

Com as teorias de Durkheim fica mais fácil compreender as origens de certos atos realizados por uma grande maioria de indivíduos, mesmo que se analisados não terão nenhuma característica social ou econômica em comum, a não ser a do espaço.
Tais grupos acabam por si só a impor além das leis, crenças e sistemas econômicos uma espécie de regra de conduta e de comportamento em um mesmo ambiente de convívio.

Durkheim também mostra que não há como se estabelecer uma parâmetro de comparação entre sociedades diferentes, tratando uma como superior ou inferior à outra, e sim analisa-las perguntando-se o porque de tais hábitos e de tais comportamentos, contribuindo assim para uma espécie de "quebra" de preconceito de ciêntistas sociais quando analisavam outras sociedades em comparação com as suas próprias sociedades.

O ser social

Émile Durkheim inicia um novo pensamento acerca do social. O social para ele é algo exterior à consciência individual, nasce da união das partes, das mentes, mas não é, de fato, todas as partes juntas, é algo maior. O fato social é dotado de capacidades únicas de aceitação, ou coerção quando a aceitação não é atingida.

Pouco é de fato individual, todos os hábitos, costumes, crenças e práticas consideradas próprias do indivíduo têm como base o arcabouço deixado por gerações passadas e ainda a influência da contemporaneidade. O social é essa linha, rede, construída pelo ambiente e pelas pessoas, capaz de ligá-las de modo a estabelecer padrões.

Nem mesmo o inconsciente escapa do fator social, Carl G. Jung defende idéias como a do inconsciente coletivo e dos arquétipos da psique, que se referem às representações que ficaram cravadas em nossas mentes durante o processo de formação, inclusive biológica, de nossa espécie. “O homem moderno é, na verdade, uma curiosa mistura de características adquiridas ao longo de uma evolução mental milenária.” (Jung, Carl G., O homem e seus símbolos).

Descoberta a existência do fato social, sua abrangência e importância, Durkheim se dedica a apontar a melhor maneira de estudá-lo. Critica os metafísicos (coloca até Comte como “metafísico” em relação ao estudo do social) e retoma Descartes, na intenção de que os fatos sociais sejam vistos como coisas, exteriores, dotados de poder, e não como puramente idéias.

A análise fria dos fatos sociais, idéia muito importante deixada por Durkheim, apesar de ter aplicabilidade duvidável, é útil ao combate de preconceitos em relação a sociedades sujeitas a outros fatos sociais que não os nossos. Teria a relação índios-colonizadores, por exemplo, sido a mesma se naquela época o estudo das sociedades não fosse valorativo como propõe Durkheim?

O conhecimento acerca de tudo que diz respeito às relações entre pessoas, é inclusive fonte de transformação da realidade. Arma poderosa que podemos utilizar tanto para legitimar mortes quanto para garantir liberdades.

Ideias sobre as coisas, sob as coisas.

Em sua obra "As Regras do Método Sociológico", antes de tudo Durkheim busca distinguir os fatos sociais, objetos da sociologia, dos outros fatos, estudados, por exemplo, pelas ciências da biologia e da psicologia, dizendo que eles "não poderiam se confundir com os fenômenos orgânicos, pois consistem em representações e em ações; nem com os fenômenos psíquicos, que não existem senão na consciência individual e por meio dela. Constituem, pois, uma espécie nova e é a eles que deve ser dada e reservada a qualificação de sociais." Ele destaca que os fatos sociais têm a característica de serem autônomos, independentes dos indivíduos - partindo da noção de que muitas condutas precedem a existência de uma pessoa e, mesmo assim, depois do seu nascimento, perdurarem como fatores de grande influência sobre o seu modo de agir. Eles também são dotados, portanto, de um "poder imperativo", pois colocam-se de maneira coercitiva diante da sociedade. Esse poder se expressa por sanções determinadas ou por uma resistência por parte do grupo frente a quaisquer comportamentos que desrespeitem o convencional.
Além disso, ele critica a ciência na medida em que esta, até mesmo despercebidamente , substitui o seu objeto - que deveria ser a realidade das coisas (dos fatos sociais, no caso) - pelas ideia que os próprios cientistas espontaneamente formulam a seu respeito, pois dessa maneira é improvável que se obtenha um conhecimento objetivo. Os homens têm a característica de, involuntariamente, criar pensamentos fortemente influenciados por valores, perspectivas e opiniões próprios, portanto, se estas ideias prevalecem como o foco do seu estudo, este é prejudicado. Esse argumento fortalece a proposta de Durkheim no tocante ao modo mais adequado de enxergar-se os fatos sociais: como coisas. Assim, a distinção entre eles e as ideias
que surgem a partir deles são mais facilmente diferenciados e, então, o cientista tem mais facilidade de desvencilhar-se dos seus pensamentos para priorizar a análise do seu objeto de estudo, havendo menos riscos que possam comprometer essa objetividade.
Nesse ponto posso questionar qual tem sido o papel das escolas de Ensino Fundamental e Médio da atualidade. Elas atuam como educadoras ou informadoras? Educar é um desafio de cunho muito mais subjetivo do que aparenta ser quando apenas se ouve essa palavra sendo dita. Educar propõe todo um conjunto de valores a serem transmitidos e apreendidos, bem como uma conduta adequada e a adaptação à cultura do meio em que se vive e à sua conjuntura tempo-espacial. Já informar não se vale desses princípios, apenas consiste na transmissão de conteúdos científicos, com fins de menor prazo e aplicabilidade principalmente intelectual. Em tese, são essas suas definições básicas. No entanto, na prática é possível observar a inversão desses papéis em muitos casos. Enquanto vê-se educadores de Ensino Fundamental negligenciando seus alunos ou desrespeitando-os e portando-se com desprezo e desinteresse, também se encontra professores de Ensino Médio tentando enculcar nos seus alunos suas próprias maneiras de pensar a respeito das coisas, fazendo justamente o que Durkheim condena, isto é, priorizando os próprios pensamentos e não os conteúdos em si, que inspiraram esses pensamentos. Essa é uma ilustração contextualizada de algo que Durkheim reforça muitas vezes ao decorrer da sua obra, que é a visão do fato social como uma coisa, como um objeto concreto a ser estudado a fim de privar a sua análise de preceitos intrínsecos aos homens que o tomarão como tema de estudo. Para ele, o mais seguro é colocar as ideias que se tem sobre as coisas - já que é inevitável que elas existam - abaixo delas, sob elas. Assim, as ideias sobre as coisas devem situar-se sob as coisas.