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segunda-feira, 28 de março de 2016

Novas Percepções

Os filósofos, Descartes e Bacon, foram tidos como revolucionários por defenderem o rompimento entre ciência e religião. Esse desprendimento, realmente, foi importante para a evolução do saber, mas é necessário considerar o quanto essas ideias ainda são inovadoras.
Segundo Sonia, personagem do filme Ponto de Mutação, os grandes pensadores, como os filósofos citados, foram importantes e deram sua contribuição para a sociedade, porém assim como um relógio foi tido como útil e inovador , atualmente, pode ser considerado ultrapassado comparado às tecnologias dos smartphones que possuem esta ferramenta como mais um aplicativo.
Ter o discernimento de que algumas concepções não são mais adequadas e devem ser superadas para que o todo evolua compreende um “ponto de mutação”. A partir daí há o questionamento das certezas e verdades inabaláveis e irrompe a possibilidade de novas percepções, de novos conceitos e inovações.


Juliana Furlan de Carvalho – 1º Ano Direito Noturno 

Por um mundo melhor

      As inovações que o pensamento científico trouxe ao mundo são inúmeras, como por exemplo: máquinas que reduzem as distâncias entre as pessoas, informática para armazenarmos bilhões de dados, insumos agrícolas que aumentam a produtividade no campo para alimentarmos as populações, entre tantos outros, porém, isso tudo analisado de modo isolado, “cartesiano”, vai de encontro a percepção do todo, cria uma visão reducionista do mundo, desconsiderando o ser humano como um todo.

      Nesse raciocínio, do mesmo modo que melhorias foram trazidas pelo pensamento científico, problemas também vieram: Desigualdades sociais, armas de destruição em massa, problemas ambientas, entre tantos outros. Então, uma nova percepção deve ser dada para a vida humana, uma nova visão, como citada no parágrafo anterior, em que devemos considerar o conjunto de interações do ser humano com o mundo, buscando um equilíbrio, pensando em sustentabilidade.

      O planeta deve ser sustentável para a geração atual e para geração futura, não podemos desconsiderar as ciências, o que devemos é buscar um “ponto de equilíbrio”, para usufruirmos dos recursos finitos da melhor maneira possível, garantindo o futuro dos nossos filhos.


Lucas Tadeu de Oliveira- Direito Noturno

O Método e a crise de percepção

O Ponto de Mutação, filme dirigido por Bernt Capra, aponta diferentes perspectivas de mundo através do diálogo entre a cientista Sonia Hoffmann, o político Jack Edwards – democrata conservador que fora candidato à presidência dos Estados Unidos – e Thomas Harriman, poeta que auxiliava Edwards em seus discursos.
Ao percorrer uma construção medieval, os personagens questionam e relativizam ideias e ações a respeito de determinados assuntos, principalmente quanto à noção mecanicista do método cartesiano. Essa perspectiva apresenta o universo como um relógio ou como uma máquina qualquer, cujas peças são análogas às “áreas” do conhecimento científico, as quais são estudadas separadamente. Contudo, a máquina só funcionará corretamente com a atuação das peças em conjunto. Evidencia-se, portanto, a crise de percepção e o pensamento de que tudo está conectado.
A exemplo de “conexão”, pode-se destacar o desmatamento da floresta amazônica devido ao avanço da fronteira agrícola, com a finalidade de quitar a dívida externa; ou ainda, a elitização da Medicina, resultado da aplicação de tecnologia de ponta, tornando o serviço mais eficaz, porém menos acessível.
Desse modo, a obra demonstra certa limitação em relação ao método de Descartes e a cientista Hoffmann acaba por sugerir o pensamento ecológico, que consiste em uma compreensão mais firme da realidade, considerando os sistemas vivos como um todo a partir de um conjunto de relações.

Bianca Carolina Soares de Melo - 1º ano de Direito - Noturno

Percepção humana contemporânea abalada

O filme "Ponto de Mutação" aborda, principalmente no tocante ao modo de visão sobre o mundo, a temática de conflito humano presente no contexto contemporâneo de desequilíbrio e de intenso desenvolvimento dos métodos e das estruturas técnicas. A abordagem do assunto dá-se num castelo medieval francês, onde se localizam três personagens, seguindo uma lógica dialética: o poeta Thomas, que pode ser personificado na figura do telespectador e na síntese, a ex-física Sonia, personificada na anti-tese e o político Jack, personificado na tese.

O estopim do desenvolvimento da reflexão do filme é a discussão acerca da maquinaria de um relógio antigo, presente numa sala ocupada pelas personagens. Nesse sentido, Sonia expõe sua crítica ao mecanicismo contemporâneo e à visão cartesiana aplicada à contemporaneidade. Seguindo esse raciocínio, a cientista expõe o aspecto fragmentado e reducionista que compõe a forma de conhecimento humano e a abordagem do mundo pelos homens.


Ao longo do enredo, Sonia, frustrada pelo destino malévolo que sua pesquisa sobre raios x assumiu, elucida seu pensamento a partir da exposição da crise de percepção pela qual os homens sofrem. Sob uma ótica quixotesca, a mulher ressalta a visão newtoniana e baconiana, além da cartesiana, como denegridora do homem contemporâneo, que possui não uma visão sistêmica e humana sobre o mundo, mas uma visão egoísta e compartimentalizada. Para tanto, evocam-se assuntos, como sustentabilidade, futuras gerações, problemas sociais (como a superpopulação) e conflitos bélicos, ressaltando a deficiência humana, muitas vezes personificada no político Jack, em desvincular-se da ideia reducionista.


Por fim, a ex-física propõe, agora sob uma ótica idealista de Sancho Pança, a Jack a teoria dos sistemas vivos, pautada em um raciocínio ecológico, que expõe uma percepção sistêmica sobre tudo que compõe o universo, levando-se em consideração que as construções do mundo calcam-se na relação entre as pessoas e entre os átomos.

Luiz Henrique Garbellini Filho - 1 ano Direito - diurno

Reflexões acerca do filme ‘O Ponto de Mutação’.



A instrumentalidade uma vez acrescida às funções da ciência por alguns pensadores, bem como sua expansão e perpetuação no pensamento humano, delineia uma trajetória dentro da história do pensamento; entretanto, vemos mais evidentemente que há uma relação de dentro do pensamento para as instituições, sejam estatais ou empresariais. Proporções várias de responsabilização do pensamento humano podem ser atribuídas pela potencialização dessas, embora não seja fatal dizer que ‘o pensamento instrumental influenciou as instituições’ ou que ‘a instrumentalidade é um aspecto natural das instituições em sua indispensável administração econômica e também em sua competitividade, de modo que fariam uso de todos os meios possíveis, com ou sem o respaldo discursivo, enquanto o amparo legal ou estatal é indispensável’. Independentemente de como se recorte ou se dimensione (interprete), alguma relação há, e portanto, no mínimo uma relação de amparo e de fomento.
Somada a essa instrumentalidade (sendo a ciência de ação um aspecto não-epistêmico), temos o principal ponto criticado pelo filme, de caráter epistêmico: a perda do holismo e da integralidade sistêmica na ótica do homem moderno, principalmente por causa de, entre vários, Descartes. O holismo na Grécia Antiga foi sintetizado por Aristóteles ao dizer ‘o todo é mais do que a simples soma das partes’, mas foi perdido, escapado das vistas. Para Bunge um embrião desta visão (o sistemismo, que basicamente considera a dinâmica sistêmica como um fator entre as parcelas do Todo e faz com que o Todo deva ser sempre considerado, em razão da integração dinâmica e da sinergia) que atualmente é estendida, de maneira irresponsável, à âmbitos místicos, pseudocientíficos e de subculturas, está na obra do rigoroso cético Barão d’Holbach. Este termo deve, antes de tudo, influenciar a economia, a ecologia e todos os âmbitos utilitários: na verdade, a simples noção de esgotabilidade e equilíbrio ecológico da biosfera já basta para pensar em ecologia.
Quanto às implicações epistemológico-científicas do sistemismo à intrinsecidade da ciência, fora da questão do uso instrumental (mercadológico, estatal, tecnológico-industrial, etc) da ciência, temos a ingênua visão de profunda e necessária quebra paradigmática. No entanto, há intelectuais de grande porte para defender ideias antagônicas, o que torna o caminho um pouco lento sob o regimento rigoroso e aperfeiçoador da dialética (um tanto como a do poeta com o político com a cientista, presentes em todo o filme). O que Fritjof Capra defende, autor do livro homônimo ao filme que o embasou, não poderia ser reduzido à alguns ajustes tanto na ciência como na economia?  Além desta temos por fim as questões, ‘o que será do pensamento?’, ‘será mesmo o fim absoluto do reducionismo-mecanicista e a ascensão fatal da Teoria dos Sistemas?’ e ‘o que será da natureza?’...
(Fabio César Barbosa, 1º ano - Direito noturno)

A fragmentação do conhecimento e o conhecimento fragmentado

  Por meio de discussões entre as personagens, o filme Ponto de Mutação apresenta, entre outras questões, uma crítica à visão de mundo fragmentada que predomina na atualidade. Tal visão ´´mecanicista``, derivada do pensamento de Descartes, seria a causa de uma ´´crise de percepção`` existente na sociedade.
 
  Segundo o filósofo, a medida que o ser humano divide o mundo em parcelas cada vez menores, sua análise sobre o mesmo se torna mais fácil. Contudo, como defende uma das personagens do filme, tal fragmentação dificulta um olhar mais amplo e completo sobre a realidade, isto é, uma análise que considere as relações e as conexões existentes entre as mais diversas áreas que a compõem. 
 
  Pode-se verificar tal dificuldade se considerarmos, por exemplo, o problema da segurança pública no Brasil. Nota-se a defesa, por grande parte da população, de medidas punitivas tais como a redução da maioridade penal, a pena de morte e a pena perpétua, que visam retirar o criminoso da sociedade sem, entretanto considerar o contexto histórico e social responsável pela degradação do individuo.
 
  É evidente que soluções como estas, fundamentadas em uma análise superficial do problema, dificilmente terão êxito. Por isso, faz-se cada vez mais necessária uma mudança na forma de enxergar o mundo, de modo a superar a fragmentação do conhecimento e, assim, evitar o conhecimento fragmentado.

Gabriel Henrique Bina da Silva - 1ºano, matutino

Mudança na percepção

    O filme "Ponto de Mutação" retrata algumas problemáticas do mundo atual. Há uma forte crítica ao modelo cartesiano de Descartes, em que se analisam as partes de algo, e não sua totalidade, para solucionar algum problema, como em um relógio antigo, um exemplo dado no filme e que passa a ser o ponto de partida da discussão. O mundo está muito diferente desde a época em que foi lançada a teoria de Descartes. O avanço da tecnologia é assustadora. E para acompanhar essas mudanças é necessário analisar o mundo como um todo, em que tudo se encontra conectado. E para isso ocorrer é preciso uma mudança na percepção que temos dele. Essa é a chave que inicia o processo de mudança.
    Há muitos obstáculos que se impõem durante a discussão dos personagens. O mais emblemático é sobre o interesse x sustentabilidade. O exemplo dado no filme é o caso brasileiro de desmatamento da Amazônia para criação de pastos. Mas voltando na história do Brasil podemos perceber que há muitos anos atras já havia esse conflito. Podemos citar o exemplo do desmatamento da Mata Atlântica para o plantio da cana de açúcar, no século XVI. E trazendo para a nossa atualidade é possível colocar o exemplo da expansão da fronteira agrícola, que abre espaço para as plantações de soja. Um problema que ao mesmo tempo é tão antigo e tão atual.
   Boa parte desse problema é gerado devido a ganância do homem que prefere sacrificar o desenvolvimento sustentável para obter lucro. É mais "fácil" continuar degradando a natureza do que incentivar a mudança de hábitos da população.
   Outra discussão traçada no filme é sobre prevenção x intervenção. Atualmente o homem não procura solucionar os problemas procurando na raiz dele e buscando evitá-lo. Ao invés disso ele gasta dinheiro na procura de soluções para amenizar o problema depois que ele foi instalado. O exemplo citado no filme é o da medicina. Mas podemos lembrar de pesquisas para recuperar solos esgotados, ao invés de buscar uma forma de como não fazê-los chegar a esse ponto.
    Existem alternativas mais viáveis e com menores custos para evitar as problemáticas apresentadas no filme. Porém, para que isso ocorra é necessária uma mudança de percepção que as pessoas tem do mundo.

    Bruna Flora Brosque
    1º ano Direito - Diurno

As faces de um mesmo ser

O filme “O ponto de mutação”, baseado no livro com o mesmo nome, apresenta como linha principal a exposição do pensamento sistêmico baseado na análise cientifica constituída pela integração das diversas áreas do conhecimento encadeadas. Os diálogos propostos entre o político, o poeta e a física, durante toda a obra, acima de uma apresentação de uma teoria, se colocam como facetas internas de Fritjof Capra, que curiosamente, como físico teórico, analisa no viés cientifico e filosófico o modelo cartesiano em relação à teoria holística.
O autor aparenta transparecer na obra o esforço progressivo pela materialização de um exame das adversidades da sociedade atual por uma perspectiva universalista, à medida que considera, dessa forma, as infinitas relações que se constroem ao redor desse problema e não o focando como parte distintiva e exclusiva. Entretanto, a constatação de uma política engessada e construída por meio de autômatos financiados, que mantem determinados interesses, atestam à dificuldade conjuntural da colocação em pratica de tal concepção.
          A menção e consideração às gerações futuras, em contraste ao cenário medieval em que se constrói o diálogo do filme, desse modo, apresenta o pensamento da “mudança continua que mantem o padrão” que da mesma maneira que anteriormente colocado por Descartes, não desconsidera as produções científicas do passado, mas apresenta uma nova linha de reflexão que encontrou ampla pertinência, a partir da dificuldade de compreensão cientifica acerca da física das partículas e da física quântica através do método que considera as partes independentes. Deve-se considerar ainda a indicação da teoria sistêmica em relação à interdependência entre os seres e as partículas, que mantém uma constante conexão e, acima de tudo, se fazem igualmente necessárias à conservação das partes, como no meio ambiente, por exemplo, demonstrando assim a necessidade de construção de uma sociedade sustentável em seu mais amplo sentido.
 Rafael Varollo Perlati       1o ano Direito Noturno

Fragmentos e Correlações.

O filme “O Ponto de Mutação”, baseado no livro escrito por Fritjot Capra, reflete sobre temáticas diversas e como elas se inter-relacionam e refletem umas a outras com a natureza e sociedade. A película se passa em uma ilha francesa onde três personagens, um político, um poeta e uma física, com mentalidades e valores diferentes, indagam-se sobre questões ecológicas, políticas, tecnológicas e, sobretudo como elas se correlacionam no mundo atual. Contrapõe a todo instante um pensamento baseado em senso comum, fragmentado, cartesiano e utilitário com um pensamento mais reflexivo, que maximiza todas as relações existentes entre os seres vivos, seres humanos e objetos. A física, dona do pensamento multifacetado sobre o mundo, rechaça o pensamento de Descartes e Bacon ao apontar os vícios que a ideia mecânica e individualizada das coisas pode causar, como a super valorização de uma “parte” sobre outra. Sendo assim, é questionado pelo político como o pensamento da cientista seria colocada em prática, tendo em vista as diversas contraposições que poderiam ser apresentadas pela sociedade, e a resposta é: uma mudança de valores e ideologias sociais para que assim possamos resolver os problemas de forma integral e não pontual. Atualmente temos visto a sociedade aplicar o método mecanicista na resolução de questões como a redução da maioridade penal no Brasil, em que certa parcela da sociedade considera benéfica o encarceramento de adolescentes de dezesseis a dezoito anos em prisões comuns. O grande problema desse embate são os malefícios a longo prazo. Como se daria a tutela do Estado sobre a ressocialização dos adolescentes aprisionados? O Estado teria suporte para abrigar os incapazes em suas instituições? Qual seria a forma de reduzir a criminalidade entre os adolescentes? E inúmeras outras indagações. O que fica claro sobre a redução da maioridade penal é a idéia fragmentada: encarcerar para reduzir a criminalidade. Porém, certamente, essa não é a resposta a qual a sociedade se orgulhará em alguns anos.

Ana Laura Joaquim Mendonça - 1° ano Direito - Diurno.

Questão de Perspectiva


Em determinado momento do filme “Ponto de Mutação”, os três protagonistas debatem uma série de distúrbios que afligem a sociedade contemporânea, como a fome no mundo, a questão da saúde pública e o desmatamento.  A personagem Sonia Hoffman, uma cientista norueguesa, argumenta, então, que todas estas mazelas estão relacionadas, e provêm de uma mesma crise: a de percepção. Essa ideia será desenvolvida através de diversos ângulos ao longo da trama, proporcionando uma reflexão acerca do funcionamento dos mecanismos e relações sociais.
Sonia alega que os cientistas teriam acreditado tão firmemente no pensamento cartesiano que passaram a tratar todos os seres vivos como máquinas, e esta filosofia logo seria aplicada em outros campos, como na arte e na política. A cientista defende que, embora tal teoria tenha sido de fundamental importância e utilidade no século XVII, não corresponde à complexidade da situação corrente. A fragmentação e mecanização propostas por Descartes seriam, na verdade, nocivas para a compreensão da realidade, uma vez que a natureza não funcionaria como um aparelho. Esses conceitos explicam, por exemplo, as divisões das camadas sociais, que se encontram tão hierarquizadas e díspares, que torna-se extremamente difícil a ruptura com a ordem vigente.
Em outro ponto, Hoffman explica que o que chocou os cientistas foi a descoberta de que o átomo era feito, basicamente, de um espaço vazio. O político Jack questiona tal afirmação, fazendo com que a cientista declare que a dúvida origina-se na dificuldade em visualizar algo diferente daquilo visto normalmente. Esse princípio pode ser extrapolado para justificar a exorbitante intolerância demonstrada na sociedade atual. O complexo caminho para refletir e agir com empatia gera o discurso de ódio e as reações violentas.
Sonia sugere, assim, que a humanidade adote a “Teoria dos sistemas vivos”, que trata todos os organismos como entidades interdependentes e conectadas, como paradigma. Não define, contudo, o que deve ser feito para promover a mudança tão necessária rumo a uma sociedade mais justa e igual. Ela apresenta uma atitude que beira a hipocrisia, uma vez que afirma preferir sua “torre de marfim”, expressão utilizada para descrever uma postura distanciada das preocupações do cotidiano.
O sentimento de impotência ante o futuro, uma das maiores angústias humanas, permanece tanto nas personagens quanto no espectador. Talvez, o personagem que mais permita uma identificação por parte do observador seja Thomas, o poeta, que diz sentir-se tão sufocado ao ser tratado como um sistema quanto ao ser tratado como máquina. Em suas palavras, “a vida é infinitamente mais do que as obtusas teorias a respeito dela”.

Lisa Garcia - 1º Ano Direito Noturno


Ponto de permutação.


Quando Fritjof Capra lançou em 1983 o livro “O Ponto de Mutação”, provavelmente não imaginou (mesmo que tivesse esperanças de que isso ocorresse) que cerca de 20 anos depois, temas como interdisciplinaridade do conhecimento, transversalidade da educação estariam tão em voga.
A obra de Capra, adaptada para o cinema, gira em torno de três personagens-tipo, uma cientista, um poeta e um politico, representações de linhas de pensamento, que debatem sobre soluções dos problemas que cercam o planeta e a humanidade. Através da personagem da Física, o autor defende que o problema está na percepção reducionista-mecanicista, que deveria ser transformada em uma visão sistêmica, identificando as relações de fatos particulares de um sistema levando em consideração o todo.
Pensar nas partes e não no sistema trouxe desdobramentos negativos, mas não é possível desprezar as contribuições que o pensamento mecanicista trouxe ao conhecimento. Apesar disso hoje é muito comum um pensamento que busca uma nova abordagem das ciências de maneira interdisciplinar, com uma percepção da conectividade das relações entre a humanidade e a natureza, um exemplo disso é a observação realizada por Neil deGrasse Tyson, astrofísico norte-americano de grande relevância e evidência: “... quando eu olho para o céu à noite, eu sei que, sim somos partes deste Universo, estamos neste Universo. Mas, talvez mais importante [...] é que o Universo está em nós. [...] meus átomos vieram dessas estrelas. Há um nível de conectividade ”.



Fritjof Capra defendeu uma solução em sua obra, e hoje conseguimos ver que essa percepção é compartilha por pensadores de diversas áreas, no entanto o mérito do filme não está na apresentação de uma perspectiva que soluciona os problemas apresentados durante o longa metragem, e sim em mostrar como se faz necessário, em conjunto com a evolução das ciências, a mudança da perspectiva pela qual esse conhecimento é abordado e consequente como será utilizado em suas relações com a humanidade e o planeta. 
O interessante do embate de ideias entre os personagens é que na busca em alterar as ideias do próximo, as partes envolvidas, viram seu pensamento ser mudado, os personagens contribuíram com seus colegas como se trocassem pedaços entre si, não se tratando apenas de um ponto de mutação ou da mutação de um ponto de vista e sim de uma permutação, que tem mostrado ser o caminho mais eficiente para a evolução.
Augusto César de Oliveira - 1º ano - Direito - Noturno.

Entre relógios e sistemas: O navio que representa o mundo

     Imagine um navio zarpando de um porto, e que ele em si represente o próprio mundo, que evolui e através do conhecimento e da ciência busca manter-se funcionando. Entre seus elementos: estão pessoas de diferentes classes sociais alocadas em uma complexa rede de cabines, compartimentos para o estoque do alimento necessário à viagem, sua estrutura de sustentação e engenharia que permitem a flutuação e integridade da embarcação , o motor, o combustível utilizado para a navegação, a cadeia de comando e os funcionários.
     No barco, impera o mesmo sistema empregado em nosso mundo pós-moderno, a ciência é guiada pelo interesse político e econômico e restrita à primeira classe. A desigualdade é presente na sociedade do navio e as decisões tomadas favorecem apenas alguns dos viajantes. Entretanto, em certo momento da viagem a embarcação apresenta uma rachadura no casco, e segundo os modelos de pensamento atuais, estes ainda baseados nos métodos cartesianos e baconianos, o modo correto de proceder é sendo específico na resolução do problema, ou seja, substituindo como em um relógio a parte defeituosa. E assim, de forma prática segue-se a viagem, entre os desequilíbrios do navio. Isso mostra a crise de percepção vivida atualmente, já que imagine, se em um pensamento mais amplo e preocupado com a complexidade dos sistemas que nos rodeia, fosse possível visualizar que o problema na estrutura do navio é cronico e devido o peso presente na popa, onde localizam-se a maioria das cabines lotadas de pessoas das classes economicamente pobres, existe assim, uma conexão entre a piramide econômica, a distribuição das classes e a estrutura do navio. Deste modo, a rachadura e seu concerto só ocorrem devido à percepção das conexões que envolvem os sistemas. Surge assim, um novo modo de fazer ciência e perceber o mundo em nossa volta. Modo que substituí a visão mecanicista iniciada por Descartes.
     Porém não é apenas na ciência que reside a crise de percepção. E a mudança na forma de entender e questionar o mundo é o instrumento para tomar o leme de nossa sociedade. É necessário entender que é a verdade imposta pelo capitão (nossos governantes, grandes grupos econômicos) que dita os rumos, sendo determinados por ele um caminho e não outro. Um exemplo: A ciência atual que nos encaminha ao corporativismo e ao mecanicismo, nos levaria a um outro destino completamente diferente se o foco de estudo permitisse uma abordagem diferente da ciência e focasse na conscientização e as consequências de nossas descobertas. assim, cabe a nós determinar nossos próprios caminhos e o de nossa sociedade. utilizando a ampla percepção da sociedade e do mundo para nos auxiliar.
     Assim, na oposição de relógios e sistemas, é necessário tomar o controle de nossos destinos, entender que as formas de pensar serão sempre superadas, permitindo assim a evolução.

Um olhar para o outro

O filme Ponto de Mutação, dirigido por Bernt Capra e lançado em 1990, traz a tona o questionamento em relação ao método cartesiano (aquele que analisa os fatos separadamente, resolvendo de maneira isolada os diversos problemas existentes em nossas próprias vidas ou até mesmo na sociedade em geral). Esse embate é representado através da figura de uma cientista, que ao discutir e refletir com um candidato a presidência dos Estados Unidos e um poeta, expõe seu pensamento baseado em um modelo sistêmico, onde todas as formas de vida presentes na Terra são interdependentes e  devem ser analisadas em conjunto, de maneira sustentável a fim de que as próximas gerações se mantenham saudáveis.

A crise de percepção do ser humano, denunciada sabiamente pela personagem, continua presente nos dias  atuais e parece intensificada ainda mais a medida em que a população se torna escrava do crescimento, tornando-se a cada década mais imediatista. A dificuldade em enxergar todos os sistemas da vida como um todo é exemplificada de maneira inteligente durante a discussão quando a todo momento o político questiona a cientista: "Como introduzir seu pensamento dentro da política?" não percebendo que dentro de uma sociedade aonde os cidadãos pensem nas conexões, naturalmente essas ideias chegarão até as esferas públicas que serão "auto-organizadas" de maneira saudável.


Pode-se notar o caráter atual da obra pois nos dias de hoje o egoísmo se faz muito presente. Diante dos acontecimentos políticos do Brasil, a falta do olhar para o outro, o modo mecânico  de não sentir além de suas necessidades os anseios do próximo, acirra os ânimos e distancia a conquista da harmonia e do bem comum dentro de um diálogo construtivo.


Felipe Pereira Polesel - 1° ano Direito Matutino

Metonímia da Realidade Contemporânea

Criticando pensamentos como os de Newton e Descartes, o filme "Ponto de Mutação" analisa a realidade contemporânea com uma conversa entre um político, uma cientista e um poeta em um castelo medieval Francês, com intuito de propor uma mudança na perspectiva vigente e reavaliação de princípios nos diferentes âmbitos da vida.
A maneira alternativa apresentada pelo filme é de observarmos o mundo como algo vivo e na humanidade como um todo, abordando temas problematizados da atualidade, como o feminismo e a educaçao ambiental, e soluciona-los efetivamente, deixando para tras o metodo cartesiano de estudo fragmentado.
Apesar de não propor soluções específicas, o filme abre um debate sobre a melhor maneira de agir em prol do bem de todos, com contestações que podem ser aplicadas em diversos âmbitos da atualidade, como a atual situaçao política do Brasil e a constante degradação da natureza pela própria ciência.

Juliana Sant'Anna - 1º Ano Direito Noturno

A incondensabilidade da vida


No filme “Ponto de Mutação”, baseado no livro de Fritjot Capra, são comparadas diversas visões de mundo. Partindo de uma conversa entre um político, uma ex-física e um poeta, discutem-se temas tais como religiosidade, política, superpopulação, teorias físicas, filosofia, sistemas sociais e ambientalismo, assim como o sentido da própria existência.
Sonia, a ex-física, vê a falta de perspectiva no mundo e questiona Descartes (apesar de reconhecer sua importância na época em que viveu) por ter lançado a ideia de que a natureza – e inclusive o corpo humano - poderia ser vista como uma máquina, concepção que se estendeu para diversos aspectos da vida e do mundo tomados como possíveis de explicação na esfera da racionalidade humana. Por isso, critica a política e a maneira como ela é hoje: considera como necessário apenas o que implicará em resultados concretos e favoráveis aos interesses que dominam o sistema, ultrapassando a ética (e cita ainda o Brasil, lugar onde a floresta amazônica é desmatada como não deveria para dar espaço ao agronegócio e pagar a dívida nacional).
 Essa visão mecanicista foi ainda mais exaltada com Francis Bacon e sua proposta de ciência pragmatista, defendendo a escravização e tortura da natureza para que ela pudesse melhor nos servir.  Isso estabeleceu uma errônea visão de que conhecimento é poder, quando na verdade ele pode não ser tão benéfico quanto deveria. Do mesmo jeito, as discussões durante o filme nos faz perceber que a busca obsessiva pelo crescimento acabou nos trazendo prejuízos imensuráveis, como a crise ambiental e a desigualdade social, num mundo em que todos os infortúnios recaem sobre os menos favorecidos.
Ao cartesianismo e à ideia de que tudo pode ser comparado a uma máquina opõe-se a teoria dos sistemas, explicada por Sonia e vista como uma “nova ciência”, que vê as coisas em seu coletivo, integrante de um todo tomado por relações de interdependência. Ela ainda enfatiza que é preciso pensar ecologicamente para que a crise de percepção, que segundo ela assola o mundo, melhore e para que possamos ofertar  um mundo melhor às futuras gerações.

 Tudo isso se interrelaciona e forma uma profunda rede que constitui o nosso contexto, apresentando uma complexidade  que, em sua totalidade e com todos os seus detalhes, vai além da compreensão humana.  O discurso do poeta que conclui as discussões do filme é, talvez, o que mais nos causa reflexão. “Me sinto tão reduzido sendo chamado de sistema quanto me sinto sendo chamado de relógio.” Ou seja, nós não podemos e nem deveríamos ser tentativa de definição. Por que, durante tanto tempo, o homem tentou definir a sua natureza, explicar os fenômenos mundiais em seus mais insignificantes aspectos, colocar seu conhecimento científico acima de todos os outros, desafiar a vida como se ela fosse tão simples a ponto de poder ser explicada segundo nós, seres pensantes, com todas as nossas limitações e com toda a nossa efemeridade? A vida não é condensável e nem fechada à uma única visão de mundo, muito pelo contrário: ela vai além do que se fala sobre ela, inclusive além de nós mesmos e de nossas ideias.

Ampliar horizontes pode ser revolucionário


O filme "O ponto de mutação" trata de uma conversa entre um poeta, uma cientista e um senador, ex candidato à presidência dos Estados Unidos.
Com a crise política no Brasil e o caos em que se apresenta o mundo, através dos pensamentos alternativos da cientista podemos refletir bastante sobre a atual situação do mundo e a forma de governo como está sendo conduzido já que o momento é apto.
A cientista faz uma crítica aos políticos que têm uma visão como Descartes, o qual afirma que como um relógio, que é possível reduzir ao monte de peças, onde analisando cada parte é possível entender o todo.
Com isso, ela contradiz essa tese, falando que deve-se ver o mundo como um todo. E, a partir disso, entender as relações nele existentes, compreender como estão interligadas, e só então resolver os problemas de modo geral, que surtiriam efeitos mais eficazes e em amplo âmbito, ao invés de tratar essas questões separadamente, com soluções pontuais, que podem ainda refletir negativamente em outro setor.
Portanto, pode-se notar que o filme nos leva a uma reflexão e nos empurra a um modo de pensamento não muito usual na atualidade... Nos abre a mente e nos mostra um olhar muito mais amplo, relacionando problemas sociais, ambientais e culturais em uma só forma de pensar, onde, através de uma mudança no modo como vemos o mundo seria o ponto de partida para uma sociedade melhor estruturada, com soluções simples e abrangentes. Fica aí então, mais um modo de entender as coisas e ponto de partida para novas conclusões.

Isabella Martins Montoia - Direito/noturo - 1 ano


Mudança de pensamento

     O filme “Ponto de Mutação” faz uma análise crítica da realidade contemporânea e da percepção das pessoas sobre o mundo em que vivem. O filme contém críticas aos pensamentos de Descartes, Bacon e Newton, que possuem grande influência na atualidade e são frequentemente utilizados para se estudar e entender o mundo. No filme observa-se uma contestação à visão cartesiana da realidade, uma visão mecanicista, que considera todos os objetos de estudo, até mesmo a natureza e a vida humana, como máquinas. O pensamento cartesiano fragmenta as coisas para estudá-las separadamente, como se fossem peças de um relógio. Essa visão defende que para solucionar um problema, basta consertar a “peça” defeituosa que as engrenagens voltarão a funcionar corretamente. O filme apresenta uma visão completamente diferente, em que as coisas devem ser estudadas como um todo, interligadas a toda a realidade que as cercam. Essa forma de pensamento acredita que o método cartesiano de resolver problemas é ineficaz, pois a interligação entre as coisas torna os problemas muito mais amplos e complexos. Francis Bacon defendia que o homem tinha de estudar e entender a natureza para usá-la em benefício próprio. Uma das ideias mais conhecidas dele é a de que “saber é poder”. O filme também apresenta uma grande contestação ao pensamento de Bacon, uma vez que o conhecimento científico, a cada dia mais amplo, tem contribuído com grande frequência para a degradação do planeta em que vivemos, colocando em risco o futuro de nossa própria espécie

     O filme “Ponto de Mutação” não se predispõe a propor soluções para os diversos problemas da atualidade, mas apresenta ideias e contestações muito importantes para aprimorar nossa percepção da realidade e fomentar o debate sobre como devemos agir se quisermos melhorar o mundo em que vivemos. 

Rafael Carpi Baggio- 1°ano de Direito- Diurno  

Posição equivocada

Com a filosofia moderna difundiu-se a necessidade de um saber pragmático, que gere frutos e utilidades para o homem. E para alcançar esses frutos, segundo Bacon, o homem tem o direito de explorar a natureza ao máximo, colhendo todo o que ela pode dar, pois este tem supremacia sobre o mundo por deter o saber.
Essa visão, contestada pela personagem do filme “Ponto de Mutação”,gerou ao longo dos séculos o uso desregrado dos recursos do planeta, o que causou danos irreparáveis para vida deste e de seus habitantes. Países mais desenvolvidos e industrializados são os maiores culpados por essa catástrofe, deixando pegadas ecológicas gigantescas, se o mundo consumisse como os EUA seriam necessários 4,5 planetas.
Seguindo a mesma linha de pensamento, faz-se uso das descobertas científicas sem contestar seus efeitos físicos e sociais. Perdeu-se a chamada ética na ciência, o único objetivo  é o desenvolvimento econômico e tecnológico. Como nas espécies de grãos transgênicos que são usadas indiscriminadamente sem saber seus efeitos a longo prazo no corpo humano e no equilíbrio do ecossistema.

Nas ultimas décadas os danos ecológicos ganharam maior destaque por atingir grandes proporções, porém não é o suficiente. As causas ambientais sempre são deixadas de lado quando vão de encontro a outros interesses. Enquanto o homem não perceber que é apenas mais um morador do planeta, não detendo qualquer direito a cima dos demais seres vivos, não será possível alcançar resultados para frear a destruição da natureza.
   Leticia Garozi Fiuzo- 1°ano direito noturno 

Imediatismo frontal

O filme " Ponto de Mutação" aborda a temática filosófica do método cartesiano a partir de um ponto inicial simples: um relógio antigo. Os três personagens principais - o politico, o poeta e a cientista- começam uma discussão abrangente quando se encontram em um castelo medieval na França, e ao se depararem com o relógio, começam a refletir sobre os métodos utilizados por cada um para entender diferentes âmbitos da vida. A cientista, em especial, critica o método cartesiano duramente e o relaciona com a maneira de agir dos políticos. Para ela, analisar de forma independente os problemas globais e descrever a natureza tal qual um relógio com suas peças separadas é maneira ultrapassada e não mais adequada. Segundo a cientista, no filme, é preciso abrir os horizontes para modelos sistêmicos e sair da zona de conforto dos processos, os quais temos controle mas não compreendemos. A natureza, assim como os problemas globais, precisa ser encarada como sistema interligado e dependente entre si. Em analogia ao corpo humano, quando algo não vai bem é preciso olhar todas as partes, analisar as influencias mútuas para otimizar a solução. O politico, ao encarar a crítica, chega a aceitar as ideias apresentadas, no entanto não sabe como concretiza-las.

 A maneira prática para mudar a visão de mundo das pessoas é notar e debater a transversalidade da educação ambiental e a importância de se discutir nas escolas - principal agente formador dos futuros cidadãos-, de maneira interdisciplinar, diferentes assuntos a fim de analisar um fenômeno. Dessa maneira é possível estimular o hábito da critica aprofundada, pois passamos a analisar todos os lados de um mesmo problema. Atualmente podemos transpor a ideia passado pelo filme "Ponto de Mutação" ao debater questões politicas que envolvem paliativos. Essas aparecem como solução imediata  porém ignoram as diversas faces problematicas que motivam uma mesma situação. 

Isabela Rocha, 1º ano de Direito-Noturno.

A parte pelo todo e a interconectividade


‘’Ponto de Mutação’’ é um filme que retrata a questão das múltiplas visões de se conhecer o mundo. No filme, uma cientista, um poeta e um político se encontram em um castelo medieval e discutem vários assuntos contemporâneos (como problemas ecológicos, superpopulação, métodos científicos, entre outros). A cientista propõe uma nova maneira de se ver nossa realidade, não através do método cartesiano utilizado pelas ciências ao longo dos séculos que se baseia na fragmentação excessiva dos objetos estudados, mas por meio do estudo das coisas como um ‘’todo’’, entendidas como interconectadas entre si.

Esse pensamento é interessante nos dias de hoje pois o próprio planeta caminha para a aprimoração da interconectividade humana, na forma da famosa internet. De fato, o seu uso nos fez perceber o quanto estamos conectados uns aos outros atualmente. Esse novo coletivo gerado pela proliferação dos meios de comunicação exige um estudo amplo e não fragmentado de nossas novas relações sociais visto o enorme alcance das tecnologias digitais.

Vale ressaltar também que a mentalidade da cientista no filme foi de certa forma utilizada por diversos cientistas sociais no passado, mais notadamente por Émile Durkheim. Ele entendia o comportamento individual em sociedade como produto do ‘’todo’’, do pensamento majoritário vigente em dada comunidade. Em outras palavras, para o sociólogo, a sociedade (o todo) moldava o indivíduo (a parte).

Dessa forma, o filme e as ideias contidas nele se mostram atemporais. A tese defendida pela cientista pode até não invalidar por completo a necessidade do método cientifico cartesiano, mas nos ensina que há outras formas de conhecermos o mundo em que vivemos e demonstra a importância de possuirmos abordagens diferentes acerca de cada tema.



André Luís de Souza Júnior
1º Ano Direito Noturno UNESP

Desconstruir para multiplicar

 No filme "ponto de mutação",durante o diálogo de três personagens,a cientista Sônia, um político, e um poeta, há o conflito de duas diferentes visões de mundo.A mecanicista, baseada nos pensamentos de filósofos como Descartes e Bacon, que vê os seres humanos, os animais e a natureza como uma máquina individual, e a uma visão sistêmica, que busca enxergar o mundo como algo interligado,dando como exemplo as ações humanas e suas consequencias, e voltando-se para a essência de cada questão.
       Durante o desenrolar do debate, que tangencia desde questões como  desmatamento, até a composição de um átomo, a personagem Sônia Hoffman, cuja visão é sistêmica , nos mostra que uma visão mecanizada do mundo,embora tenha sido útil para o homem em seu tempo, leva a sociedade a ter comportamentos consumistas, individualistas e a buscar soluções imediatas para os problemas,ao invés de olhar para suas raízes, já que, segundo ela, houve uma perda na percepção das coisas pelo homem, fazendo com que ele as enxergue individualmente, enquanto elas estão todas interligadas.
        No fim, a cientista descontrói pensamentos das outras personagens, principalmente do político, que resolve adotar tal linha de raciocínio para sí, e aplica - lá em sua carreira política, propondo ao telespectador uma revisão de suas idéias e mostrando uma maneira mais coletiva e ecológica de ver o mundo em que vivemos.

José Eugênio - Direito diurno

A Interdependência

As críticas estabelecidas durante o filme sobre o sistema cartesiano de racionalizar remete á uma pergunta fundamental: qual seria o ponto de mutação? Logo no inicio do filme se obtém a resposta, a perspectiva. A visão de Descartes, mecanicista, é comumente compartilhada por muitos da sociedade, enxerga a realidade fragmentada que na trama é exemplificada através da comparação com um relógio, onde é possível desmontar o todo para se analisar pedaço por pedaço, independentemente, e a partir dessas análises se entende o todo. Está ai o problema da perspectiva cartesiana, pois ao se ter uma visão fragmentada não se compreende as relações entre as coisas. O mundo é criado pelas relações, ambiente, pessoas, objetos, eventos, etc.

Ao observar isoladamente as questões do mundo, nada se resolve. Tudo está interligado. É necessário entender a interdependência dos fatos. Uma crítica contemporânea á essa visão mecanicista fragmentada proposta por Descartes está no âmbito da educação. O ensino no Brasil é fragmentado e pouco se interligam até mesmo se são da mesma área. Se ensinadas em conjunto os alunos entenderiam suas relações e veriam melhor suas funções e aplicações, facilitando o aprendizado.

Os três personagens principais do filme, uma cientista, um poeta e um político, representam diferentes perspectivas, e são também exemplos de interdependência, afinal, o politico, o econômico e o social coexistem dependentemente, um sem o outro não existiria. A verdade é que a sociedade capitalista possui uma visão individualista e baseada na separatividadade dos fatos. Analisando de forma fragmentada as decisões são cada vez mais individuais e materialistas, por isso a necessidade da mudança de perspectiva, analisar pelo viés da coletividade, da interdependência. Assim, problemas como o da educação, do meio ambiente, sexistas e racistas serão mais bem entendidos e quem sabe até resolvidos. 

Lara Dozono - 1° Ano Direito (Noturno)

Crise de perspectiva

   O filme "Mindwalk" - ou Ponto de mutação - traz uma interessante perspectiva para análise geral do mundo e das relações entre os seres que nele habitam. E assim é, de tal forma, que procura trazer em debate uma nova maneira de se pensar sobre as coisas, os acontecimentos e as consequências deles, que diverge da abordagem cartesiana e mecanicista inserida intelectualmente por Descartes.
   Longe de anular sua relevância, o intuíto da crítica é questionar o discurso quanto ao seu impacto e falta de coerência com a atualidade, ou seja, tendo em vista a atual situação conflituosa em que se vive a população humana com a natureza, faz-se um comentário pertinente a respeito dos efeitos do pensamento cartesiano para solucionar problemas globais (que tem sido falho), da sua utilidade já tida para o desenvolvimento da ciência, e da necessidade se criar uma nova perspectiva racional que considere e estude a natureza como um objeto complexo,  formado por inúmeros membros que estabelecem relações vitais emtre si.
   O debate desenvolvido nos diálogos do longa, vai para além da física quântica, extende o mecanismo essencial de relações sociais e biológicas para todas as áreas do conhecimento, enfim, estabelece uma "teoria de relações" que explica a vida. Contudo, essas reflexões esclarecedoras e ao mesmo tempo, questionadoras, como um todo, não são de inteirissíma necessidade para que se perceba a urgência da mudança de método de raciocínio (daquele que divide e estuda ao que estuda e relaciona as divisões), para uma mudança nas próprias relações que os homens estabelecem com seus comuns, e com o ambiente externo. De tal forma, que modifique o quadro caótico e tendenciado à desarmonia que está formado a um pensadamente mais harmônico e que caminhe para a evolução. E é nesse ponto que o filme contribue para o diálogo e o aprendizado.

Luana Marachini - aluna do curso de direito da UNESP (noturno).


domingo, 27 de março de 2016

Pelas gerações que ainda estão por vir

Ponto de Mutação trata-se, sucintamente, das demasiadas maneiras de se compreender o mundo, utilizando-se desde filósofos clássicos – como Descartes, Bacon e Newton – até uma visão sistêmica de mundo; onde esta vem ganhando cada vez mais força em nossa sociedade contemporânea, principalmente em discussões sobre ambientalismo, sustentabilidade e problemas estruturais causados pelo método mecanicista fruto da Revolução Científica.
O filme, numa possível metáfora sobre a sociedade, move-se somente pelo conflito. Por todo seu decorrer, vemos o debate entre as personalidade e concepções conflitantes dos personagens, e a desconstrução de pensamentos antes tido como absolutos. Em contrapartida com a visão pragmática de Jack, Sonia – baseada num pensamento sistêmico e holístico – busca um entendimento integral do universo e seus fenômenos.
Ao se analisar o momento histórico em que vivemos – como Bacon sempre desejou – hoje possuímos completo domínio sobre a natureza, utilizando-a em nosso favor. E nessa sociedade marcada pelo consumismo exacerbado e consequente degradação do meio ambiente, a visão orgânica abrangida por “O Ponto de Mutação” se faz mais do que necessária para a propagação de noções de sustentabilidade e consciência ecológica.

Desta maneira, para que haja continuidade não só da espécie humana, mas de toda a vida como um todo – citando Sonia – “precisamos de uma sociedade sustentável em que nossas necessidades sejam satisfeitas, sem diminuir as possibilidades das próximas gerações”.

Bárbara Jácome Vila Real - 1º Ano de Direito Matutino

Compreensão Sistemática das Relações

O filme "O Ponto de Mutação" é, em essência, uma proposta. Trata-se de um projeto de ruptura com a perspectiva dominante, seguida da criação de espaço para a prevalência de novos princípios ou princípios que antes eram ignorados. Tudo isso relacionado a ideia de visão de mundo. É, em resumo, a proposição de uma nova forma de ver o mundo.

Dentro deste processo, defende-se uma premissa que parece ser fundamental, que é a verificação, sem exatamente norma rigorosa ou método exato, dos padrões de probabilidade das conexões. O tema central da obra é justamente a troca da visão fragmentada e mecanizada do mundo por outra em que se analise as conjunturas priorizando as relações em vez dos próprios objetos, da matéria em si.

Nesse tipo de visão, o ser humano é, em si, um sistema dentro de outro sistema, que por sua vez está dentro de outro sistema, numa infinidade continua de sistemas que interagem entre si e por vezes se interseccionam. Todos nós e tudo o que existe seria parte de uma teia inseparável de relações.

Existe no filme, a representação dessa compreensão, embasada na física subatômica, através de outros pontos de vista, notadamente a política e a poesia. Com todas as diferencias e contradições inerentes a aspectos tão diversos do entendimento, tudo parece convergir em uma tese ampla, porém palpável.

Mauricio Vidal Gonzalez Polino/Direito noturno/1º ano

Quebra Cabeça

Envoltos pelo pragmatismo que rodeia nossa sociedade, vivemos hoje todos guiados por ordens diretas e objetivas, funcionando precisa e mecanicamente como máquinas. Consequentemente, vivemos cerceados pelas limitações de tal comportamento. Perdemos a capacidade de resolver desafios como um todo, acostumados a analisar os fatos separadamente e então solucionando um por um (tal como sugere Descartes), esperamos que nossos problemas então tenham sido resolvidos. 

No filme "Ponto de mutação", pode-se perceber forte crítica no que se refere aos conceitos cartesianos citados no parágrafo anterior. Numa conversa a princípio inusitada, mas ao passar do tempo interessante, três pessoas (um político, uma cientista e um escritor) as quais tem pensamentos distintos, refletem sobre diferentes perspectivas de mundo. Bem convicta do que diz, um foco interessante se dá a cientista que põe em pauta problemas como a super-população, as condições as quais se submeterão as gerações futuras, a fome que alastra o mundo e muitos outros. Ela afirma que hoje, as visões de mundo se fazem muito individualistas sendo necessárias mudanças na forma de o ser humano pensar de modo que se pense no planeta como um todo. Assim, em oposição ao pensamento cartesiano, a cientista propõe o "Pensamento ecológico" para o desenvolvimento de uma condição de perpetuidade e oportunidades para o futuro, trazendo uma proposta sustentável e solidária.

Por mais que o político, de visão tradicional e individualista, tente argumentar contra a cientista, fica cada vez mais evidente a afirmação da física: a de que os políticos (representando a humanidade, como um todo) ainda pensam mecanicamente, tal como relógios antigos. E, nesse quesito, falham. Falham por que não se pode tratar problemas na economia, política, sociedade e em muitos outros âmbitos como peças isoladas. Falham por não pensar nas conexões. Falham por, uma vez sendo individualistas, não enxergar como todos esses fatores estão interligados. Falham por, analogamente a um quebra cabeça, tentar ver a solução absoluta dos problemas numa só peça, enquanto esta apenas aparecerá quando as partes que a compõe, forem encaixadas e interligadas. 

Sophia Re - 1° Ano Direito Diurno 

A visão Holística

A trama do filme se desenvolve com uma crítica ao modo cartesiano de percepção de mundo, ou seja, ver o mundo como algo mecânico, onde todos os problemas podem ser resolvidos peça por peça, não causando uma transformação definitiva do mundo e sim, apenas algo paliativo.

O Filme oferece como uma maneira alternativa a percepção do mundo como algo orgânico e vivo, algo quase simbiótico, onde todos e tudo fazem parte de um sistema único. No filme essa visão holística é bem trabalhada abordando temas que são atuais: ecologia, feminismo, educação alimentar, temas relacionados a medicina e etc. Se observarmos o mundo em que vivemos pela Interdependência das coisas, que é, por definição a base da visão holística, Se conseguiria soluções para os problemas atuais muito mais efetivos e práticas do que pelo método cartesiano.


Podemos relacionar o filme com a nossa atual crise política, onde fazer conexões entre as parte políticas, sociais, econômicas e até mesmo históricas contribuem para o que vivemos atualmente e com isso, de alguma forma, desenvolvermos soluções mais eficazes e inteligentes dos que a estão sendo tomadas na política brasileira atual.


Victor Felipe de Castro - 1° ano Direito Noturno

A visão panorâmica e o jogo da política

O filme Ponto de Mutação tem como enredo a divergência de opinião entre uma cientista (a ex- física Sonia) e um político (Jack) que cogita chegar à presidência dos Estados Unidos. A primeira relaciona os problemas atuais com uma falta de visão panorâmica dos assuntos; ou seja, as situações difíceis que a humanidade enfrenta teriam conexões com os mais variados assuntos e essa falta de conhecimento amplo impediria a solução (ou prevenção) desses problemas.
                Jack, por sua vez, pensa a respeito da política. Se essa visão fosse interpretada e colocada em pauta nas propostas de campanha, raramente geraria o efeito desejado: o apoio da população. As pessoas prefeririam ter soluções imediatistas para o problema do que ver o contexto como um todo ser melhorado.
                Trazendo essa discussão para uma esfera recente, podemos pensar a respeito da questão da redução da maioridade penal no Brasil. No quesito segurança, certamente há lógica em dizer que as infrações cometidas por menores poderiam diminuir. Porém, se pensarmos a longo prazo, qual seria o futuro desses adolescentes que fossem presos? Isso iria contribuir para torná- los aptos a integrar a sociedade novamente, quando a pena acabasse?

                A visão de Sonia se encaixa nesse contexto, visto que a criminalidade dos menores tem muitas causas e consequências. A discussão seria: quais são elas e como podem interferir no futuro.  Ou seja, são questões interligadas, não isoladas. Assim, resta saber se essa aplicação na política seria plausível; ou melhor, desejada. 

Anna Beatriz Vasconcellos Scachetti
1º ano- Direito diurno

Um feixe de boas ideias

O Filme “Ponto de Mutação” baseado no livro de mesmo nome do escritor Fritjof Capra, de 1983. O enredo do filme se baseia no diálogo entre um político, um poeta e uma cientista, passam o tempo todo discutindo filosofia, Descartes, política e ciência – e com isso inter-relacionando com a natureza e o ser humano ou a intervenção do ser humano na natureza.

No filme há uma certa comparação entre o pensamento cartesiano (ou pensamento newtoniano-cartesiano, teve um impacto incalculável ao libertar a razão das amarras da superstição e do controle da igreja, dos “ídolos baconianos” mas, com o tempo, foi superado) ao problemas do século XX. O primeiro é reducionista, mecanicista e divisível demais. O autor quer nos mostrar a parte holística ou sistêmico, que propõe ver o todo como indissociável; o estudo das partes não permite conhecer o funcionamento do organismo. As comparações são feitas em vários campos da cultura ocidental atual, como a medicina, a biologia, a psicologia e a economia, por exemplo.


Com isso podemos concluir que não se pode (ou não é proveitoso) olhar separado os problemas globais tentando entendê-los e resolve-los separadamente. Devem-se entender as conexões, o que os envolve para depois tentar resolver os problemas das populações. E essas soluções nos faz ter uma reflexão sobre a própria condição humana atual: o todo ainda é possível? Se sim, somente por meio dos processos de convivência e interação que poderemos construir um feixe de boas ideias. 

Victor Hugo Xavier, 1° ano Direito- noturno.

A visão multifacetada

O filme Ponto de Mutação apresenta a visão de três diferentes profissionais sobre o mundo, deixando claro o foco em discussões acerca da ciência moderna, desenvolvimento econômico, e O impacto ambiental deste, em meio aos conflitos pessoais de cada um dos personagens.

Assim, o filme baseado no livro de mesmo nome do escritor Fritjof Capra mostra os pontos de vista de uma física que se vê desiludida com a própria profissão, um político americano que perdeu as eleições presidenciais e um poeta recém divorciado que se encontra na crise da meia idade. Analisando os personagens como um todo, são pessoas que passaram por frustrações de origens diversas e que a partir delas colocaram sob questionamento suas vidas, visão de mundo e tudo aquilo que acreditavam ser real ou verdadeiro.

Um dos principais questionamentos apresentados em meio as discussões se dá sobre a visão cartesiana, unilateral, ou seja, sobre a necessidade de fragmentar o mundo em partes para tentar compreendê-lo e solucionar seus problemas, maneira vista por muitos como a forma clara e objetiva de fazê-lo. Em contrapartida, é apresentada a ideia de que a visão deve ser unificada, ou seja, que não basta a solução de uma parte do problema se as demais não forem solucionadas, ou nem mesmo analisadas. Assim, o filme deixa a sua grande reflexão, que pode ser aplicada facilmente aos dias atuais, um período de crises políticas e econômicas no cenário nacional, mostrando que não basta resolver o problema em seu menor fragmento, mas que ele deve ser olhado como um todo e a solução buscada da mesma forma, para que assim exista o efeito esperado e não apenas uma mudança temporária.
Camilla Bento - Direito (Noturno) 
Quebra-cabeça social
O filme “Ponto de Mutação” é baseado no livro do escritor Fritjof Capra e conta a história de um diálogo de três pessoas (um poeta, uma cientista e um político) com diferentes modos de viver e pensamentos divergentes.
A cientista critica o método de Descartes, método, o qual muitos políticos enxergam a realidade e tentam mudá-la, pois nesse método, Descartes analisa parte por parte separadamente, enquanto o político, seguindo essa analogia, ele analisa os problemas do país separados, sem fazer uma conexão entre todos eles. O método correto seria o sistêmico, um método em que deve-se procurar a conexão entre todos os problemas e buscar solucioná-los.
Vamos usar como exemplo o trânsito, que principalmente na região sudeste, vive congestionado e o governo para solucionar adota medidas como rodízio de veículos, mas isso é apenas uma parte do problema, pois o governo deveria analisar várias outras partes como o investimento maciço em transporte público como ônibus e metrô, para assim diminuir os veículos que circulam outro lado que ele deve olhar também é a questão ambiental, pois se deve ensinar na escola que os carros e as motos poluem muito o ar e que ao usar transporte público ou muitas vezes bicicletas a poluição diminuiria consideravelmente e por fim analisar a cultura, pois muita gente pensa que ter um carro próprio e andar com ele é demonstração de riqueza, e por isso elas querem fazer isso para se mostrar, enquanto em países desenvolvidos, pessoas importantes andam de transporte público sem nenhum problema.

Então, por isso os problemas devem ser trabalhados analisando um todo como um quebra-cabeça, pois se a pessoa olha apenas as peças separadamente, ela nunca terminará, mas ela procura associar uma à outra, o quebra-cabeça começa a se formar, até associar todas as peças e resolver o problema.
Hélio José dos Santos Júnior - 1º Ano - Direito Noturno

Ponto de mutação - a expansão de horizontes

O filme Ponto de mutação (baseado no livro de Fritjof Capra, publicado em 1983) tem sua história ambientada em um castelo medieval onde três pessoas, aparentemente muito diferentes entre si (uma cientista, um político e um poeta), passam seu tempo refletindo sobre paradigmas clássicos modernos.
O combate à uma visão cartesiana e cientificista (como a de Descartes e Francis Bacon) do mundo e seus problemas é tema central do longa-metragem; ao decorrer da trama, a discussão sobre uma forma holística (ou sistêmica) de se encarar os fatos é bem trabalhada através de exemplos de problemáticas atuais, como a questão da medicina moderna  em conjunto à ecologia e educação alimentar.
John Donne, citado no filme, em uma das suas meditações disse: " Nenhum homem é uma ilha isolada (...)", ou seja, estamos conectados. Não só a pessoas, mas à sistemas e situações, e é disso que o holismo trata: interdependência entre as coisas. Na resolução de uma problemática, uma visão que abranja não só o objeto do problema, mas também suas conexões, pode trazer resoluções mais práticas e inteligentes do que caso fosse avaliada parcialmente.

O filme sugere a aplicação dessa visão no ambiente político, e em meio a nossa crise política atual, é mais do que necessário para que possamos compreender o porquê da situação e sua possível solução. Não é possível despregar do problema político a parte social, econômica e até mesma histórica, devido às influências que uma possui sobre a outra. Essa interdependência faz com que o problema não esteja só no campo político, sendo assim necessário o trabalho, fiscalização e pesquisa em cima de todas as outras áreas, um trabalho mais denso, porém muito mais satisfatório do que está ocorrendo atualmente.

Ana Carolina Gracio de Oliveira - Direito diurno - 1º ano

Tudo se relaciona

Desde o advento da visão iluminista nós vemos os mundo em partes, Economia, Direito, História etc. Essa visão mecanicista, o mundo como uma maquina, continua em vigor em grande parte de nossas ações, prejudicando nossa habilidade de resolver nossos problemas, pois todo problema é  resolvido sob esta perspectiva, consertando a peça , se resolve o problema. Por exemplo, a educação pública é ruim, institui-se as cotas, a desigualdade gera o crime, contrata-se mais policiais, isso se repete na resolução dos problemas em geral, resolve-se algo sem pensar em sua relação com outros problemas, sua interdependência.
No filme  "Ponto de Mutação" há a procura da interdependência entre as coisas, a saúde esta ligada à alimentação, que se liga à agricultura, que se liga à economia e assim por diante. No filme uma das personagens vê o mundo como um grande sistema, uma reação à visão  mecanicista, tudo deve ser encarado como relações, pois resolvendo os problemas pontuais, não se chega à solução dos problemas em geral. O mundo deve transcender a visão mecanicista.
O filme revoluciona ao tentar lutar contra a visão  de Descartes e Bacon, defendendo a visão do mundo não como partes separadas e sim como um todo que se relaciona o tempo todo, só assim pode-se resolver os problemas do mundo atual, complexo como ele o é.
Juan Antônio Miranda Castilho- 1° ano- Matutino

O debate como ponto de mutação

Uma das questões que permeou a educação brasileira na última década foi a discussão acerca do ensino de Filosofia e Sociologia no Ensino Médio, finalmente resolvida em 2008, com a decisão pela obrigatoriedade do ensino das matérias. Os defensores de tal medida se manifestavam tendo como base a necessidade de situar o aluno em relação ao mundo a seu redor, permitindo que ele refletisse sobre questões essenciais da vida em sociedade e assim tivesse uma formação humanista, enquanto seus detratores diziam que ambas as matérias poderiam ser ensinadas no decorrer de outras disciplinas, sem haver a necessidade de estender ainda mais a carga horária dos estudantes. O fato é que, independente do lado escolhido ou da argumentação utilizada, pela primeira vez foi colocado em pauta a Filosofia e a Sociologia como instrumentos para a vida prática dos cidadãos.

Embora muitos ainda prefiram acreditar que tais áreas do conhecimento sejam apenas uma “completa abstração”, uma parcela considerável da população atual já tem em mente que, sem recorrer a pensamentos ou questões já levantadas por grandes filósofos e sociólogos, é impossível pensar de forma racional as questões da contemporaneidade e, consequentemente, intervir nelas.  É justamente desta pauta que trata o filme “Ponto de Mutação”, dirigido em 1990 por Bernt Capra, em que uma física, um poeta e um político passam uma tarde apenas utilizando as mais variadas visões de mundo para entenderem o mundo a seu redor.

À medida em que os três protagonistas da obra adentram questões mais complexas, como o ambientalismo, o conservadorismo e o uso político da ciência, eles vão questionando não só o mundo em que habitam, mas também à si próprios, em um processo de autoconhecimento que os encaminha até a própria essência da natureza humana. Sonia, a física, por exemplo, passa a questionar a finalidade de todo seu tempo de dedicação científica; o político Jack, a possibilidade de se efetivar todo o seu idealismo político; e o poeta Thomas, se não seria mais um escapista como considera os seus colegas.


Dessa forma, voltamos ao debate acerca da Filosofia e Sociologia, pois percebemos que, mais do que mecanismos para dar sentido ao universo, são mecanismos para darmos sentidos às nossas próprias vidas e à forma como compreendemos a vida em si (vide as sequências finais do filme citado). Sem questionar e indagar, nossa própria vida passa a ser guiada quase que de forma automática, sem aquele ponto de mutação que muitas vezes precisamos para conseguir enxergar os elementos de um mundo tão dinâmico e complexo.

Luiz Antonio Martins Cambuhy Júnior
Direito Matutino - 1º Ano

Ora Horácio,

Ora Horácio,

Não se emolduram

os corpos nus
dos amantes em ação
Não se usam

folhas escritas de poesia
como artigo de decoração
A água da cascata de pedra

que construíram no jardim
nunca foi chuva que cai
Nenhuma declaração sincera

é em forma de Haicai
Ora Horácio,
Nenhum perfume é petricor
terra molhada ou folha de papel
Não existe boa pessoa

que queria mesmo ir pro céu
relógio mecânica ecológica conexão

a vida é muito mais que teoria ou especulação
e, Horácio, há muito mais aqui do que cabe à nossa imaginação
a vida é mais vida quando vivida e não falada e se essa poesia é sobre a vida e é assim pra ser sentida não há porque ter rigor métrica ou qualquer tipo de pontuação 

Gustavo Soares Pieroni, 1º Ano Direito Diurno

"O Ponto de Mutação" e o método cartesiano

O filme "O Ponto de Mutação", de 1990, dirigido por Bernt Capra e baseado no livro homônimo de Fritjof Capra, trata sobre o encontro, em uma sala de um castelo medieval francês, entre três personagens: uma cientista, um poeta e um político, em que cada um apresenta um ponto de vista particular. A partir desse encontro inicia-se uma discussão filosófica.

Em dado momento, as ideias de Rene Descartes são apresentadas, em particular seu metódo: deve-se fracionar o objeto de conhecimento em pequenas partes para que este seja melhor investigado.  Tal pensamento é duramente criticado no filme, pois, desta forma, as interconexões do objeto estudado com o mundo ao seu redor são desconsideradas, o que resulta na apresentação um resultado incompleto e superficial, já que nessa situação somente uma pequena parte da realidade é levada em consideração pelo sujeito que efetua o estudo. Em outras palavras, para melhor entender o meio ambiente, tema recorrente no ano em que o filme foi produzido e atualmente, deve-se observar não somente a natureza em si, mas também outros fatores aos quais ele está conectado, como a política, a economia, a sociedade, entre outros fatores que possam estar relacionados ao assunto.


Desse modo, "O Ponto de Mutação"  revoluciona o pensamento consolidado anteriormente por Descartes, Newton, Bacon e outros ao contrariar o método cartesiano e defender que não se deve olhar separadamente os problemas globais para entendê-los e resolvê-los, e sim compreender suas interligações para que, por consequência, seja possível resolver tais problemas.  

Lígia Lopes Andrade - 1° Ano Direito Noturno 

A união de perspectivas

“Ponto de Mutação” traz uma reflexão extensa sobre a interligação das coisas e de como tudo merece uma revisão de perspectiva, uma visão diferenciada da que estamos habituados. O filme conta a história de três personagens com suas histórias distintas, cada um com seus problemas e frustrações, estudando diferentes áreas. O filme pode ser considerado em âmbitos distintos, já que consegue se relacionar com muitos aspectos da sociedade. Um exemplo é a política que o filme trata com bastante profundidade, devido o personagem Jack Edwards. Neste contexto, é possível identificar no mundo atual posições de “direita e esquerda” extremas com pautas repetidas e sem nenhum tipo de acordo. No Brasil, por exemplo, a esquerda e a direita vivem em conflitos em uma tentativa de manter ou retirar o governo atual do poder. A esquerda entende o impeachment como um golpe e a direita como legitimidade.
Ainda neste filme, existe um debate de visões, com uma visão unificada, que não consegue compreender o mundo vendo somente uma parte e uma visão unilateral, que leva em conta o que se vê. Isso pode ser aplicado ao mundo contemporâneo, um exemplo de aplicação é como uma censura ao capitalismo, que apesar de elevar o estilo de vida de uma parcela da população, do outro lado causa miséria e destruição. Ou até mesmo uma crítica a nosso modo de ver o mundo, que se reflete em como os três personagens conseguem uma experiência muito maior quando tem mais de uma visão, quando obtém uma perspectiva de mundo maior, quando debatem e veêm opiniões distintas das suas próprias. 


Barbara Moreira Ortiz - 1º ano - Direito Matutino.

Mutualidade de tudo

"O Ponto de Mutação" filme dirigido por Bernt Capra e baseado no livro do físico teórico e escritor, Frijtof Capra, trata de três diferentes pontos de vista e percepções de mundo. Jack, um político, se preocupa com a melhor forma de governar e agradar a maior parte das pessoas. Sonia, uma cientista, busca uma relação na existência de tudo e uma nova visão de mundo. Thomas, um poeta, procura por uma perspectiva renovada baseada na essência. Nada obstante às suas distintas formas de assimilação, ambos buscam entender a mutualidade de tudo.
O filme questiona como o mundo é visto a partir de uma visão mecanicista, como se o ser humano e o planeta fossem uma máquina. Esta visão é tida a partir de alguns filósofos como Descartes e Bacon que consideravam tudo individualmente. Ainda hoje, no século XXI, o ser humano tem uma interpretação egocêntrica de mundo, impedindo-o de enxergar a corelação entre todos os sistemas vivos, sua essência e sua interdependência.
"Não evoluímos no planeta, evoluímos com o planeta". A grande questão do filme: as diferentes formas de percepção de mundo e como estas se articulam, ainda envolvem e instigam a muitos. Apesar de haver vários modelos de discernimento sobre como cada ser é e se associa, mostra-se necessário compreender que além de sermos indivíduos vivemos interligados por uma rede de relações interdependentes, coexistindo como um todo.
O ser humano busca, na maioria das vezes, explorar e não se preocupar com a possibilidade do esgotamento da natureza e dos recursos, pois o pensamento mecanicista leva a crer que se pode simplesmente intervir caso algo dê errado sendo desnecessário prevenir para que isto não aconteça. Mas torna-se indispensável buscar formas de enxergar que o planeta e os seres vivos não podem ser considerados como máquinas, pois não há como dividir em várias partes o todo que estes são. É substancial prevenir e cuidar desse todo porque, diferente de uma máquina, este não pode ser facilmente consertado, pois tem uma essência e não está meramente programado. “Quando percebermos que nós e o planeta somos, na verdade, um só, uma realidade, uma só consciência, teremos chegado ao ponto de descobrir que nossa transformação não foi apenas uma atitude, mas uma mutação”.

(Isabela Rafael Soares - Direito Noturno - 1 º ano)

A parte pelo todo?

          O filme "O Ponto de Mutação" consiste no diálogo entre três pessoas com visões diferentes do mundo. A primeira delas é um político, cansado de apenas ler discursos prontos e tentar agradar o público. O segundo personagem é um poeta e o terceiro, uma cientista.

          Após muito debaterem, a conclusão possível de ser interpretada através das ideias do filme é que o mundo e tudo envolvido nele - objetos, pessoas, escolhas, conflitos - devem ser analisados de forma integrada, ou seja, não se deve separar cada parte para se entender a totalidade, mas entender o todo para que possamos resolvê-lo. Isso vai de encontro com os conceitos cartesianos, por exemplo, que pregavam uma forma mais individualista de análise.

          Para que o mundo se transforme, então, é necessária uma mudança na visão humana, considerando, sempre, todos os envolvidos no caso a ser enfrentado. Com a mudança no olhar de cada um, será possibilitada uma mudança no que tanto nos desagrada ultimamente. Dessa forma, dividir o objeto a ser estudado em seus mínimos detalhes pode não ser a escolha correta.

Mariana Smargiassi - Primeiro ano Direito (diurno)