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domingo, 8 de setembro de 2013

Juízo de Valor: uma armadilha

     Max Weber é um dos mais considerados pensadores quando se trata da compreensão da sociologia. Pensador por excelência apresenta uma visão acerca da relação do juízo de valor com a realização da ação que ajuda a compreender posturas inesperadas na sociedade dos anos 2000, dita moderna e liberal.

         Weber nos esclarece que o juízo de valor é o ponto de partida da ação. E esse é o ponto crucial das complicações que as ações, até mesmo as mais racionais, podem gerar no meio. Afinal, os valores são absorvidos de forma quase involuntária pelos indivíduos e depois de aspirados são muito difíceis de serem mudados. Dessa forma, valores preconceituosos, racistas e excludentes, quando absorvidos são expressos em ações de forma quase imperceptível, produzindo ações que geram desconforto social.

         Some-se a isso a dificuldade natural do homem de reconhecer que os seus valores individuais não convém para o convívio social. O homem, enquanto ser social, deve procurar prezar pelo convívio harmônico, contudo, mesmo sendo racional, muitas vezes é levado pelas suas paixões e crenças sem perceber, agindo de forma a complicar a convivência.

         Conclui-se, portanto, que o convívio social perfeito dependeria da reinvenção individual de cada homem. Porem, a perfeição social não seria benéfica, pois não há motivos para refletir uma sociedade perfeita. O juízo de valores e os outros “defeitos” do homem são armadilhas que impulsionam o desenvolvimento da humanidade. A reflexão provocada pelo conflito é saudável, à medida que permite um entendimento cada vez mais amplo das dinâmicas sociais. Como diria Clarice Lispector: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”.


Paulo H. R. Oliveira – Direito Diurno

Coisas frágeis

A. era rico. Sempre foi. Amava o dinheiro acima da própria vida e faria de tudo para consegui-lo, até matar. Apenas mais um egoísta ambicioso no mundo.
Hoje tem uma vida pacata e um trabalho honesto. Mora em uma casa simples de dois cômodos com sua amada esposa e filho. É feliz.

E. era um revolucionário. Possuía uma família estável, dona de um pequeno mercado. Criticava veementemente tudo no mundo seguindo uma única linha de pensamento e desejava mudar o mundo.
Hoje toca tranquilamente os negócios da família.

B. era meiga e delicada. Sonhava com um grande amor. Sempre adorou flores. Tratava todo ser vivo com respeito e carinho.
Está presa após descobrirem 15 corpos enterrados em seu jardim.

R. Amava música, mas nunca teve talento. Nem capacidade pra aprender algo. Desejava o sucesso.
Atualmente, é baixista em uma banda famosa, aclamada pelos fãs. Não, ele ainda não sabe tocar.

M. era supersticiosa. Acreditava cegamente em simpatias. Nunca passou debaixo de uma escada.
Possui três gatos pretos e nenhum trevo de quatro folhas.

Sabe, humanos são coisas frágeis. Apenas seres em uma eterna dança com seus próprios valores. Podem trocar de par em certas ocasiões, mas jamais parar de dançar, por mais que alguns possuam a ilusão de que podem.

Sim, coisas frágeis. E não há motivo para buscar leis sólidas para coisas frágeis. 

Ação social movida pela axiologia

Max Weber afirma ser a sociologia uma ciência da realidade, a qual é responsável pela crítica de todos os aspectos da vida social e se contrapõe à ideia de que existem regras fixas que regem os fenômenos. Assim, fica claro que a intenção do autor é compreender o sentido de cada ação social, que sempre é determinada por um sentido e movida por valores – vale ressaltar, porém, que mesmo que se analisem entes coletivos, deve estar em foco a ação de indivíduos, já que uma ação social é engendrada por valores emocionais, tradicionais, econômicos, religiosos, ou quaisquer que sejam, dependendo do contexto.
Nota-se também, que segundo Weber, é impossível a homogeneização dos valores, e a ação social é uma incógnita para o sociólogo; ou seja, tanto uma corporação militar quanto uma família “são representações de algo que em parte existe e em parte pretende vigência, que se encontram na mente das pessoas reais [...] e pelas quais se orientam em suas ações.”.
O pensamento de Weber também é caracterizado pela crítica ao materialismo histórico, o qual dogmatiza as relações entre as formas de produção e de trabalho e outras manifestações culturais da sociedade. Logo, o cientista social deve estar apto para reconhecer a influencia que as formas culturais (por exemplo, a religião) podem ter sobre a própria estrutura econômica.

Dessa forma, o protestantismo, através de uma nova interpretação do trabalho, tornou-se compatível com o desenvolvimento, o qual é condicionado, dentre outros aspectos, por elementos religiosos. Portanto, segundo Weber, a época Moderna surgiu graças a uma nova mediação e uma nova determinação do trabalho, na qual os fatores imprescindíveis da atividade econômica são os fatores morais. Lembrando que sua principal crítica ao dogmatismo foi em relação à chamada “concepção materialista da história”, a qual é preciso repelir “com maior ênfase, enquanto ‘concepção de mundo’, ou quando encarada como denominador comum da explicação da sociedade”.

Carolinne Leme de Castilho - Direito Noturno

Aplicação da Metodologia Científica Social

        Na concepção de Weber, toda ação social é movida por valores e determinada por um sentido. No entanto, por mais que possam haver previsões a seu respeito, sua natureza é inesperada - porque cada indivíduo tem um de seus juízos de valor em cada situação, o que pode ocorrer de maneira indeterminada anteriormente. Essa premissa é parte da essência do individualismo metodológico weberiano.
        Com isso percebe-se a defesa de Weber de que não cabe as ciências sociais a ambição de ser um espelho das ciências da natureza na sua exatidão e no seu dogmatismo - pois não se pode construir "receitas", com coerência de fato, derivadas da ciência empírica para a realidade social. Neste ponto, Weber baseia uma de suas críticas ao método marxista do materialismo histórico, enquanto este é "encarado como denominador comum da explicação causal da realidade histórica" (WEBER, M. "A 'Objetividade' do Conhecimento na Ciência Social e na Ciência Política" p.121).
        Tem-se, então, que o juízo de valor é ponto inicial na ação social. Tendo isso em vista, a missão primordial das ciências humanas - mais especificamente, da Sociologia - é informar a prática política através de uma explicação científica do curso efetivo da ação social de acordo com sua conexão de sentido, e com a maior objetividade possível.
         Seguindo esse raciocínio da utilidade das ciências sociais na prática política - setores que, no entanto, não devem se confundir - a teoria weberiana aceita a existência de "leis" ou preceitos na metodologia científica social, porém, apenas com o caráter de meio para a compreensão dos objetos, e não de fim. Assim, o sociólogo denomina "tipo ideal" a ferramenta metodológica utilizada para afunilar as perspectivas a fim de possibilitar uma análise de toda a complexidade da realidade. Ferramental a qual não apenas existe para deixar de existir, como é uma correspondência a algo que é objetivamente possível, e não que "deve ser".

Laís M. Ribeiro - Diurno

“O Conhecimento é uma conquista que nunca chega ao fim”
WEBER, Max

Max Weber foi de grande notoriedade na sociologia moderna por dar novas perspectivas a tal ciência acumulando à bagagem de estudiosos com diferentes teorias a serem assimiladas. Com isso, estruturou seu pensamento de forma a se contrapor a Karl Marx na maneira como via o avanço do capitalismo na sociedade ocidental.

Enquanto Marx se apoiava na teoria de luta de classes, exploração do homem pelo homem, visão de tão somente lucro do burguês, Weber tentou explicar a nova ordem econômica crescente analisando as ações sociais advindas do juízo de valor do próprio indivíduo ator. Tendo como ações básicas a racional visando um objetivo, a racional relacionada a um valor, a afetiva e a tradicional (de costumes) tentou compreender o homem e suas ações em seu momento e espaço.

Esse caráter universal, de entender cada grupo com suas especificidades deu crédito a seu modo de ver a ciência da sociologia de forma a criticar e questionar alguns de seus antepassados. “Enquanto o homem não perde sua capacidade de criar, a ciência e o conhecimento nunca chegam ao fim.”
Essa capacidade criativa do homem foi também analisada de outra forma por Weber, através  do modo de expressão de uma cultura a partir de sua produção musical. Weber via na música uma maneira criativa e racional de explorar as paixões, crenças e valores humanos. Esse trabalho foi desenvolvido no livro Os Fundamentos Racionais e Sociológicos da Música -Max Weber.



Joingle Raphaela do Carmo Viotto- Direito Diurno

Regras da Sociologia


Max Weber tinha como intuito primordial estabelecer um novo cenário e uma metodologia própria para a Sociologia, sobretudo, por estar vivenciando uma época em que o Marxismo se tornava sinônimo desta ciência e traçava os novos mecanismos de estudos das ações sociais.

Desse modo, Weber delimita a Sociologia como uma ciência empírica por estar em contato direto com a realidade, uma ciência de crítica ao mundo. De uma maneira absolutamente diferente das ciências nomológicas – física, química, matemática- as ciências sociais não são dotadas de leis fixas e imutáveis que podem ser aplicadas a qualquer fato cotidiano. Contudo, isso não significa que a Sociologia não possua uma metodologia e uma intenção de compreender as ações sociais.

“Compreensão” essa é a chave mestra para a Sociologia weberiana.  É preciso, portanto, que haja uma necessidade de se compreender as ações sociais, pois elas são inesperadas, são resultados de valores, de princípios e de distintas culturas que o indivíduo carrega consigo em toda sua existência.  Assim, toda ação terá um sentido, e é função da Sociologia buscar entendê-los e detectar quais são os valores que mobilizaram o indivíduo a praticar determinada ação.

Com isso, pode-se apreender que uma ciência empírica como a Sociologia não trabalhará com normas, ideias fixas e obrigatórias. Mas com uma metodologia universal, capaz de compreender qualquer ação social. E o método para realizar esta função denomina-se “tipo ideal”, um meio para analisar determinada ação tendo como referência algo objetivamente possível de se observar na realidade empírica, o que é mais provável de ser.

De maneira análoga à concepção de Weber, também é possível pensar sobre o Direito. A ciência jurídica, assim como a Sociologia, está em contato constante com a realidade social. Por outro lado, diferente da Sociologia, ela possui como sustentáculo um conjunto de normas, regras, princípios e prescrições que almejam manter a ordem nos convívios sociais e solucionar as discordâncias que possivelmente aparecem nas relações humanas.

Contudo, mesmo com uma imensidão de regras e um ordenamento jurídico extensivo como o do Brasil, nem todos os casos da realidade são capazes de serem solucionados por meio da Legislação. As peculiaridades e a constelação de diferentes culturas, modos de vida e valorações individuais caracterizam as ações sociais de uma maneira múltipla e dinâmica, sem um aspecto uno e exato de padronização.

Assim, não existe, por mais que tanto se almeje, uma fórmula padrão de resolver quaisquer casos nas ciências jurídicas. Todavia, isso não significa que o juiz não é capaz de, ao menos, responder efetivamente às problemáticas apresentadas pelas lacunas da lei. Ele possui total capacidade para recorrer a fatos já ocorridos que possuem peripécias semelhantes a sua atual dificuldade para solucionar determinado caso. È a famosa analogia, um recurso, que assim como o “tipo ideal” de Weber, tem por finalidade observar situações parecidas e elaborar a resposta mais plausível de ser esperada.
Juliana Galina Soares - 1º ano Direito diurno.

Homem, caleidoscópio

          
          "Um caleidoscópio é um aparelho óptico formado por um pequeno tubo de cartão ou de metal, com pequenos fragmentos de vidro colorido, que, através do reflexo da luz exterior em pequenos espelhos inclinados, apresenta, a cada movimento, combinações variadas [...] de efeito visual".
           Da mais simples definição de caleidoscópio conseguimos, através de uma analogia, ver a tese weberiana sobre o homem.
          Weber não consegue definir o tipo ideal, indissolúvel, de homem. Na sua visão é impossível enxergar o ser humano sempre da mesma forma, este está sempre a mercê das mudanças ocorridas no mundo, ao longo dos anos, ao longo das classes. Diz-se assim de um caleidoscópio, que a cada movimento muda sua combinação, sua "visão interior". Pois bem, certamente para Weber o caleidoscópio chamado homem nunca está definido, rigidamente acertado. O homem da Inglaterra pré-industrial não tem o mesmo reflexo interno do homem dos tempos de indústria. 
          Da mesma forma, dois caleidoscópios, que passam pelo mesmo movimento, certamente não apresentarão o mesmo reflexo daquele movimento. Para Weber, as classes não são homogêneas, os valores também não. Cada homem apresentará um modo diferente de se impor perante a sua situação atual, mesmo que sua situação seja semelhante a de outro.
           É daí então que ele diz que o tipo ideal existe tão somente para deixar de existir. O homem, caleidoscópio, se altera a cada mínimo movimento, dificilmente volta a sua visão anterior. O ideal anterior, dificilmente será ideal depois.


O objetivo de Weber

Max Weber, grande intelectual, viveu na Alemanha do final do século XIX ao início do século XX e se tornou famoso por seu trabalho no direito, na economia e na sociologia. Em sua obra “A metodologia das ciências sociais” de 1904, ele expõe a sua posição na discussão sobre os métodos dessas ciências.
No capítulo “A ‘objetividade’ do conhecimento na ciência social e na ciência política” Weber defende que as ciências sociais são essencialmente diferentes das demais ciências e que para o estudo delas é necessário agir de forma diferente.
Weber apresenta a sociologia como uma ciência da realidade, sendo a função essencial dela a compreensão do sentido da ação social, que é determinada por um sentido e movida por valores. A ação social é classificada em quatro tipos possíveis: a ação social com relação a um objetivo; a ação tradicional.
E o objeto socioeconômico divide-se em três categorias: o especificamente econômico; o economicamente condicionado; e finalmente, o economicamente relevante.
Weber também faz uma crítica à ideia determinista de ciência e ao materialismo histórico, mais especificamente ao dogmatismo do materialismo histórico.
Para finalizar, Weber apresenta o “tipo ideal”, que é a ferramenta metodológica, o meio, para a análise. Nele parte-se de uma ideia geral, definindo-se características diversas que, depois, serão anuladas no decorrer do estudo. É importante ressaltar que ele corresponde ao objetivamente possível e não ao que “deve ser”. Através da comparação do tipo ideal com os fatos alcança-se a verdade cientifica, o objetivo de Weber.

Letícia Roberta Santos
Texto referente ao livro "Metodologia das ciências sociais”, mais especificamente ao capítulo “A ‘objetividade’ do conhecimento na ciência social e na ciência política”.

Individualismo Metodológico

Desde surgimento da filosofia, reflexões a respeito do indivíduo foram o centro da atenção dos filósofos. Estes questionavam aspectos diversos da vida humana, desde sua origem, até sua vida em sociedade. No campo da sociologia, Max Weber, considerado um de seus fundadores, direciona sua análise para a interpretação do homem enquanto ser sociável de forma a compreender o sentido da sua ação perante seus semelhantes. Para tanto, defende que a ciência deve priorizar a análise da realidade pura em face das ciências nomológicas, consideradas duvidosas e não suficientes por introduzir ideologias pré-estabelecidas considerando leis fixas que regem os fenômenos sociais.
Analisar a sociedade implica reconhecer as peculiaridades que são apresentadas, concernentes a cada contexto histórico em que estão inseridas. Mais que a influência política ou ideológica, o homem deve ser visto enquanto ser subjetivo, respeitando sua ponderação e escolha de valores que justifiquem sua ação social. Cabe, portanto, à consciência individual determinar sua visão de mundo, que somente terá plenitude quando ponderada com uma ciência da realidade.
Para tanto, Weber defende uma Sociologia Compreensiva, que não visa prescrever ações premeditadas, tampouco busca estabelecer uma neutralidade nas ações dos indivíduos. Pelo contrário, sua função é compreender a ação dos indivíduos, respeitando sua subjetividade sem deixar-se contaminar por ideologia alguma. Com tal perspectiva compreensiva, o autor introduz o “individualismo metodológico” como recurso de análise de valores compartilhados por diversos grupos sociais, que mobilizam seus valores conforme suas necessidades e vontades momentâneas. Dessa forma, conclui que a ação social é inesperada, dispondo-se sempre de uma escolha de valores ou de um objetivo a ser alcançado.

Compreender a ação humana envolve mais do que mera observação dos fatos. É necessário estabelecer uma interpretação uni-causal para evitar pré-julgamentos, sobretudo na contemporaneidade, cujos valores apresentam-se cada vez mais perdido em detrimento dos princípios materiais. 

Luisa Loures Teixeira
1º ano Direito Diurno

A generalização de valores

O indeterminismo histórico é o que diferencia Max Weber, pois para este sociólogo o homem não é fruto apenas do contexto histórico em que está inserido. O indivíduo possui suas peculiaridades e é responsável por suas ações que são capazes de caracterizar seu comportamento. Vale ressaltar que para este pensador, o indivíduo é o elemento que constrói a mudança social, por isso deve ser estudado, ao contrário do que pensavam Marx e Durkheim que focavam na estrutura social.
A ação social é o objeto de estudo da sociologia, para Max Weber, contudo tal estudo é uma incógnita para os pesquisadores, pois cada indivíduo pode dar um sentido para a sua ação social. Outro fator que pode complicar a análise da mesma é a parcialidade humana, pois é recorrente o julgamento de sentidos com juízos de valores pré-definidos. Este é um erro, pois é como limitar e definir um grupo ou classe de antemão, todavia Weber defende que não se deve pensar na ação social de uma coletividade e sim de um particular.
A generalização de valores é comum atualmente e é recorrente desde os primórdios da vida em sociedade. Criar estereótipos, como que todos os moradores de comunidades carentes são marginais, que mulheres que gostam de futebol são masculinizadas, que pessoas que seguem uma religião são influenciáveis e não possuem uma opinião própria e que homens não choram, por exemplo, beiram ao preconceito. Max Weber quis quebrar com esses pré-conceitos. Um trecho da música, A todas as comunidades do Engenho Novo, do O Rappa, retrata um pouco dessa realidade:
“Em todo lugar pela-saco tem
No Engenho não é diferente
Tem pela-saco também
Pra não parecer que é marra minha,
Meu irmão no Engenho tem gente fina
Gatinha e sangue bom
Todo mundo diz que o funqueiro
É um animal
Pela-saco falador tem tudo que
Tomar um pau
Quando chega a tarde a sensação
É o futebol
E a noite com a gatinha
Curtir um baile na moral”


Camila Gabriele Pereira de Faria
1º ano Noturno 

Metodologia Sociológica e a Ação Social Segundo Webber


       Max Webber sociólogo alemão, em seu texto: A metodologia das ciências sociais, trata as ciências sociais - e assim a sociologia - como conhecimento realmente científicos. Webber diferencia as ciências nomológicas, baseado no estudos das leis que regem o mundo ( as ciências exatas e biológicas), e as ciências sociais, que estariam dispostas à a fazer a critica do mundo, a ciência da realidade.
       A metodologia webberiana é de interessante análise, afinal ela trata o sociologia como uma ciência, porém a diferenciando a ciências nomológicas. A leitura crítica da sociedade segundo Webber deve ser baseada no real, com embasamento teórico. Porém a teoria não pode ser o fim da análise e sim o meio. Pois com as leis perdemos a criticidade e riqueza da análise.
       A interessante refletir sobre a visão webberiana sobre a ação social, que ela seria determinada para um sentido e movida por valores. A sociologia deveria compreender que todas as ações sociais, segundo Webber, partem do individuo. Mesmo quando se tratando de organizações coletivas, como o estado, a ação parte do individuo. A ação social parte dos valores individuais sedimentados na sociedade, que são múltiplos. Sendo assim os lideres seriam aqueles que as ações sociais mudariam a história.
      Sendo essa a visão da ação social, Webber descarta a possibilidade de grupos homogêneo,  pois todo e qualquer grupo é formado de indivíduos com diferentes valores. A possibilidade de se falar em um grupo homogêneo de indivíduos faz a analise perder a riqueza de detalhes e a pluralidade do grupo. Desse modo a ação social é uma incógnita ao sociólogo, pois diferente de um movimento de aceleração, ela não pode ser reproduzida para ser analisada, mas vista e na realidade do presente momento.

Giuseppe Cammilleri Falco - Direito Noturno
     

Análises Weberianas

     É possível definir o ser humano em uma classe, ou em um quadro de características pré-determinado? É possível observar um operário, um movimento político ou um evento corriqueiro e enquadrá-lo nas mesmas características de classes ou eventos passados? Segundo Max Weber, responder que sim para tais atitudes é um desperdício de campo para novas observações e conclusões. Sendo um dos “pecados” da ciência em sua época. Para Weber, a aceitação de dogmas do chamado materialismo histórico fazem com que a ciência busque um fato ideal. Um fato que pode ser descrito com os mesmos conceitos e características de fatos do passado. Tal ideia de fato ideal é incompreensível para ele, pois encontrar um evento ideal, que se encaixe em características pré-determinadas, é algo infundado devido ao fato de que as variáveis, e teorias de um fato, mudam com o passar do tempo, fazendo com que um objeto analisado um dia, revele diferentes informações se for analisado, com diferentes “olhos”, no futuro.
     Partindo desta ideia, Weber atenta que diferentes particularidades e características de um fato podem estar presentes e tomar seu agir, fazendo com que um fato que antes era conhecido, deixe de possuir uma classificação tão específica.
     Ao trazer tal ideia para a atualidade, percebemos que a ciência, e até mesmo o homem, ainda busca definir suas descobertas com certo dogmatismo e (por que não?) certa pressa. Tais conclusões precipitadas não ficam restritas ao campo da ciência. Até mesmo no dia-a-dia essas situações ocorrem. Isto porque sempre se tem a ideia de que é possível determinar o homem dentro de uma classe, que especifique suas características e seu modo de agir. Ou seja, se tem a ideia de que o homem, de modo geral é um personagem ideal, com características fechadas. Algo que foge muito da realidade, chegando até mesmo a simplificar, em muitas vezes, a própria realidade e as diferentes características que o ser humano, como indivíduo, pode possuir.

     Ou seja, ainda na atualidade, nossa ciência e opiniões, possuem traços das velhas ideias referentes ao dogmatismo do materialismo histórico, buscando explicar e finalizar certos assuntos, e campos de pesquisa, apenas por meio de conclusões fechadas que não dão chances para diferentes estudos e novas teorias. Algo que, sempre após alguns anos, prova ser um desperdício devido às outras opiniões, e campos, que são deixados de lado somente pelo fato de se concluir que um determinado assunto está “fechado” para novas conclusões ou análises.

Ao chão os moldes



Max Weber formou-se na área de Direito e foi um estudioso de diversas outras como a economia, administração, filosofia e ciência política. Um dos fundadores da sociologia quanto ciência social, ele buscava uma maior objetividade do conhecimento nela e na ciência política, num momento de consolidação e firmamento dessa ciência proposta.

Uma das suas maiores preocupações e pretensões quanto à sociologia era de que essa ciência, numa proposta objetiva, não se deixasse influenciar pelo posicionamento político do cientista ou pela situação econômica vigente. A sociologia seria uma ciência crítica, e, para tanto, não poderia se distanciar da realidade. Realidade, essa, plural e dinâmica, não baseada e oposta a leis sésseis. Nesse âmbito Weber faz uma crítica ao materialismo histórico proposto por Marx pelo seu caráter dogmático, que aponta a infraestrutura econômica como elemento dominante das estruturas sociais e culturais. Ao estabelecer um denominador comum, no caso a infraestrutura econômica, Marx estaria padronizando a atividade humana, o que seria um equívoco muito grande em tratar-se de uma ciência social moderna.

O pensador era contrário à adoção de um método explicativo fundado em preceitos de causa e efeito, semelhante ao utilizado pelas ciências naturais, às ciências sociais. Assim, propõe o método compreensivo no qual a ação social não seria fruto de uma relação de causa e consequência, mas, sim, carregada de sentido, e este, realizaria conexões com diversos outros, fundando o conceito de “conexões de sentido”. Sendo assim a ação social poderia se mover por valores plurais como o emotivo, religioso, tradicionais ou todos eles simultaneamente. Esses valores seriam desconhecidos para o cientista social e da mesma maneira como o sujeito da ação não seria o objeto da sociologia proposta. O objeto da ciência política é a ação social, sendo o sujeito um recurso metodológico para a maior aproximação com a realidade.  

Weber expõe, ainda, o conceito de “tipo ideal”, espécie de ferramenta metodológica para análise inicial. O tipo ideal, porém, deixaria de existir ao ser submetido a um estudo mais profundo, dando lugar a uma verdade científica advinda da comparação entre os fatos sociais e o tipo ideal.

A ciência proposta por Weber teria por objetivo ser uma ciência da realidade, livre de moldes e padrões não condizentes com a vida em sociedade, que é sujeita a transformações e que é múltipla, complexa e desigual em suas mais diversas nuances.


sábado, 7 de setembro de 2013

O FANTASMA DO MUNDO SOCIAL

                       

Assim como toda ciência, a sociologia de Max Weber pretende explicar totalidade do seu universo de pesquisa de como é a realidade social no quotidiano.E que, esta mesma sociedade, é feita de ilusão,na qual todo o individuo tem dificuldade em se relacionar,com os outro para o contributo de uma vida melhor.Por isso Weber vem com o objeto de estudo q a sociologia enquadra,os cidadão no ambiente de percepção dos seus sentidos,das suas ações humanas entre si.

A sociologia foi se mostrando presente em varias datas importante desde as grandes revoluções,desde lá cada vez foi mais fundamental a participação para a sociedade mundial e também Angolana.Desde o inicio,o Weber vem-se preocupando com a sociedade no seu interior, isto diz respeito,por exemplo,aos conflitos entre as classe sociais,existente em Africa, e a sociologia sofreu a influência dos Europeias e Americanas, na medida em que as suas preocupações passam a ser o subdesenvolvimento, ela vai sofrer influências das teorias marxistas.

Weber também fez uma analise sobre o capitalismo,onde ele teve a primazia de comparar diretamente ,entre, o capitalismo e protestantismo.Com a sua visão social, ele afirma que a maioria,dos lideres mundial são protestantes.Isto por que as suas ações tem sido contra a favor do movimento social e eles encaravam como oposição.


Entretanto, Max Weber,vem nos ensinar que devemos estar atento com as ações,e não se preocupar em julgar os outros,o q eles fazem,o que dizem sobre nós,assim é a vida social,no mundo e na visão de grande figura e filosofo ao mesmo tempo um dos percursor da sociologia.

Generalizações falhas

Generalizações falhas
“O que leva um menino a vida do crime,
Falta de opção, uma grande ilusão,
Trampando na boca pra virar patrão.

Aos 23 anos de idade assumiu a gerencia,
Por eficiência, e se arriscando ganhou experiencia,
Sua mãe decepcionada, não sabe o que faz,
Mas já é conformada com o acontecido,..[...]”

Analisando o trecho da música acima do cantor Mc Daleste, muitos de nós poderíamos chegar à conclusão como ponto de partida: todo morador de favela é marginal. Fazer uma afirmação dessa como ponto de partida, afirmando ser este o tipo ideal de pensamento em  uma pesquisa é um equívoco para Weber, pois este é o ponto de chegada para analisar o sujeito em questão e a partir disso, tirar conclusões a partir de suas ações sociais, sem generalizá-lo, pois no método weberiano o que importa é a ação individual, não coletiva. Pode-se afirmar então que o tipo ideal existe para deixar de existir, ou seja, para ser desconstruído sendo o meio para a análise mais densa.
Diferente do que Marx afirma, Weber acredita que o sujeito não é produto apenas de uma condição histórica e sim está sendo formado continuamente por suas ações sociais imprevisíveis. Em seu método de pesquisa, a ação social pode ser movida por engendramentos tanto econômicos, quanto culturais, religiosos, ou de classe, sendo sempre vários fatores interligados para determinar uma ação. Por esse motivo, Weber critica o materialismo histórico como única fonte de pesquisa, afirmando que está é só uma das mais variadas formas de entender a ação  social.
É importante ressaltar que Weber distingue ciência social de política, sendo assim, seu objeto de estudo é focado na compreensão da realidade e não na transformação da mesma. O autor critica a ciência nomológica pois, como ele mesmo afirma, “ Jamais pode ser uma tarefa da ciência empírica proporcionar normas e ideias obrigatórias, dos quais se deve derivar “receitas” para a prática.”P 109. O absoluto e a verdade weberiana podem ser desmontadas a qualquer momento, não sendo uma ciência perene.
Se fossemos analisar o exemplo citado apenas pelas leis, a afirmação de marginal estaria de acordo com as ações do autor da música, visto tráfico de drogas se  enquadraria no código penal, porém, pode-se afirmar por fim que as leis são apenas o 1º passo na análise dos objetos, pois depois deve-se analisar os fatores, as conexões exteriores para assim chegar a várias possibilidades de futuras ações sociais.


Giovanna Gomes de Paula - direito noturno

Corriqueiro Pensamento Weberiano

    “Não gosto das baladas de São Paulo. Lá todos vestem as mesmas roupas de marca que estão na moda, todos bebem a mesma coisa, todos querem chamar atenção e todos se comportam do mesmo jeito, parece até linha de produção. Mas mesmo assim eu fui.
    Sentei no bar e fiquei observando aquele bando. Deveria ter ficado em casa lendo, vendo um filme, mas aquele lugar me intrigava, todos agindo em uníssono. Eu sentia que sabia a próxima ação de cada pessoa. Olha lá, o gordinho levou um fora da menina bonita, e ela caiu nos braços do loiro de olho azul, como sempre...”

    A análise feita pelo personagem do texto constatou que o ser humano age dentro de certos parâmetros, como um estereótipo, quase de forma previsível. Entretanto, o próprio personagem não se encaixa dentro desses parâmetros, ele pensa de forma diferente.
    Max Weber pensou o agir social a partir da segunda afirmativa. Ele afirmou que traçar os parâmetros sociais é apenas o primeiro passo para o estudo sociológico, deve-se olhar além dos estereótipos e reconhecer o indivíduo e sua cosmovisão. O mundo seria completamente diferente, por exemplo, se pessoas como Gandhi e Hitler não tivessem exteriorizados seus pensamentos.
    Apesar do ser humano receber influências exteriores a ele, seu modo de agir e de mobilizar a sociedade não é fruto somente disso. Características intrínsecas do ser humano, como sua história e seu pensamento, também modificam a sociedade de forma geral.

Karina Barbosa de Lima - Direito noturno

A constelação de possibilidades do agir social centrada no individualismo particularista

            Max Weber, importante pensador do século XX, traz de volta ao cenário intelectual a visão de que a ciência social, que para o pensador possui a função elementar de compreender o sentido da ação social, não deve, a priori, sustentar-se em pilares político-ideológicos. Para a teoria weberiana, fazer pesquisa científica dentro das ciências sociais, utilizando de ideologias políticas, sejam elas revolucionárias ou conservadoras, é se valer de regras monológicas tal como o fazem as ciências exatas e biológicas. A problemática desse modelo é não convencer suficientemente o que motiva e desperta interesse no indivíduo, num primeiro momento, a tentar compreender os fenômenos sociais, se para ele esse conhecimento adquirido futuramente não servirá de maneira prática para atuar na sociedade; uma vez que a atuação social é praticada dentro do campo político e, portanto, caberia a outro indivíduo, que não necessariamente se valeria do conhecimento sob a mesma ótica e para os mesmos fins que o pesquisador, instrumentalizar esse saber.
            O individualismo metodológico de Weber prevê o indivíduo como elemento fundante na construção do sentido da mudança social e, dessa maneira, entender profundamente as origens, contradições e pluralidades da conduta de cada indivíduo seria a maneira ideal de entender a ação social como um todo. Diferentemente de Karl Marx, que acreditava que o determinante social é o modo de produção e reprodução capitalista, Weber não consegue prever um determinante social único, pois a realidade concreta é extremamente complexa, multifacetada e repleta de valores, que para ele são anteriores a qualquer modo de produção. É apoiado nesses ideais que Weber critica o método marxista do materialismo histórico dialético, afirmando ser esse um modelo dogmático, impositivo e determinista do tão variável agir social.

            Por mais que a teoria weberiana ensine que ampliar a teoria, focando no indivíduo e na constelação de possibilidades do agir, é o método mais adequado para que não seja ignorado nenhum elemento crucial na análise, o método de Weber se apresenta particularista, ideal e insuficiente para responder as questões mais profundas dessa sociedade tão complexa e contraditória que é a contemporânea. Focar nos valores individuais em busca de explicações mais profundas é relativizar demais o concreto, o material. É fechar os olhos para as injustiças visíveis - e até as não visíveis - que alguns atores sociais promovem materialmente sobre outros, como inclusive a implantação de valores e crenças, que num primeiro momento podem parecer primitivos do indivíduo, de toda uma classe sobre os indivíduos mais fragilizados da sociedade.

Amanda D. Verrone - 1º Ano Direito Noturno

Compreensão da Realidade

O intelectual alemão Max Weber, considerado um dos fundadores da sociologia, viveu em um período em que as ciências sociais começavam a se consolidar e diversos pensadores expunham seus métodos de análise da sociedade. Weber, visando tranformar a sociologia em um ideologia, afirmava que a sociologia deveria ser uma ciência da realidade; sua perspectiva é de buscar a realidade como uma crítica do mundo.

Para realizar essa crítica, o pensador propunha uma metodologia diferente daquelas até então propostas, a qual se baseava na compreensão do sentido da ação social. Desse modo, ao analisar uma coleitividade deveria se ter como foco a ação individual. Weber acreditava em conexões de sentido, ou seja, para ele toda ação é movida por um sentido, um objetivo. Assim, a partir dessa metologia, a percepção sociológica passa a ser um meio e não um fim, o objeto de estudo passa a ser apenas um fragmento da realidade utilizado para a compreensão da realidade como um todo.

Buscando complementar sua metodologia de análise social Weber define uma ferramenta que chama de ‘tipo ideal’, que seria a escolha de aspectos mais relevantes do obejto de estudo (a ação do indivíduo). 
Com essa ferramenta o pensador busca se aproximar de maneira mais eficaz da realidade objetiva.

Max Weber trouxe uma perpectiva inovadora à sociologia, se distanciando dos positivistas, que acreditavam que as ações eram imutáveis, fixas, e introduzindo a ideia de que as ações individuais variam de acordo com cada situação e são motivadas por valores e crenças pessoais.

Ana Carolina Nunes Trofino - Direito Noturno

“Sociocrítica” humana

Weber nos convida a racionalizar sobre a legitimidade da classificação da sociedade moderna. O sistema capitalista de produção influencia na formação de estereótipos sociais, mas será que ele age exclusivamente?
A realidade social analisada pelo pensador alemão vem “desrotular” o homem como fruto único da visão economista. A magia, o culto aos antepassados, a oferenda aos deuses, a divindade do soberano, o pagamento do dízimo, os credos, os rituais e a fé são alguns dos aspectos religiosos que também moldam a conduta humana em seu meio social. Isso sem considerar os valores culturais, os costumes e as emoções características da raça humana. Todos esses fatores influenciam na formação de sua individualidade.
Se na própria ciência tecnológica médica moderna é possível concluir que ninguém é idêntico ao outro, seja pela digital, pelo DNA ou outros aspectos físicos, não se pode afirmar que o homem perde a sua identidade pelo sistema econômico vigente.

A generalização não traduz por completo quem realmente são os membros que a compõem. A personalidade e o caráter íntimo de cada um é que formam o verdadeiro homem social, pois complexa e multifacial é a sua realidade sociológica. Assim, a sociologia para Max Weber não pode somente se fixar na perspectiva nomológica, em posicionamentos políticos ou econômicos, ela deve ser a ciência da realidade da ação social, para se compreender, para se tornar a crítica do mundo, no mundo, sobre o mundo.

A COMPREENSÃO DO SENTIDO DAS AÇÕES DOS INDIVÍDUOS

      Para Max Weber, o objeto da sociologia seria a captação da relação de sentido das ações humanas. Trata-se do método compreensivo que consiste em entender as causas, os sentidos das ações humanas e não os aspectos exteriores dessa ação. Se um indivíduo dá um papel a outro, tem-se que analisar os motivos que o levaram a fazer isso, ou seja, se o pedaço de papel for um cheque então o sentido da ação é saldar uma dívida. Caso o papel apenas fosse dado a outra pessoa e essa ação não fosse carregada de sentido, então ela seria irrelevante para um sociólogo.
     O sociólogo faz uma contraposição entre as ciências humanas e as ciências naturais, entretanto, ele não visa separá-las totalmente. Para ele, os fenômenos obedecem a uma regularidade causal que necessitam de um mesmo esquema de prova para ambas as ciências. Todavia, se as explicações causais são as mesmas, o mesmo não se pode dizer dos tipos de leis gerais que formulados por cada um dos dois grupos de disciplina.
     Max Weber defende a existência de “tipos ideais” que seriam um processo de conceituação que abstrai dos fenômenos concretos o que existe de individualizante. Os padrões individuais concretos (típico das ciências humanas), opõem-se ao conceito generalizante (típico das ciências naturais) que consiste em retirar do fenômeno concreto aquilo que ele tem de geral. O sistema de tipos ideais seriam então conceitos definidos por critérios pessoais, ou seja, trata-se de conceituações do que ele entende pelo termo empregado, de modo que o leitor entenda o ele diz.
     O capitalismo também foi analisado por Weber. Ele elaborou uma relação direta entre o capitalismo e o protestantismo. De acordo com sua análise das sociedades ocidentais e orientais, concluiu que os líderes dos negócios do mundo eram protestantes. Os protestantes teriam tendência para o racionalismo econômico.
     Compreender o sentido das ações humanas é essencial para entender o pensamento weberiano. É necessário analisar os fenômenos concretos de modo individualizante. A captação desse sentido não poderia ser feita apenas pela observação dos fatos. O sistema de tipos ideais também visa o entendimento do sentido da ação humana, dando a ela um caráter individualizante.

Virginia Barbosa Melo de Carvalho-Direito Noturno

                             A depressão do ideal imperfeito


  Na sociedade moderna, vivemos uma incessante busca para encontrarmos algo que seja sempre perfeito. Por conta da vida social em nossa atualidade ser sobrecarregada e o dia a dia ser uma complexa selva de pedra competitiva, o indivíduo, exausto de sua rotina massante, procura alcançar sempre um mundo ideal, ou seja, ter posse de uma vida pessoal que sempre lhe traga felicidade.
  Entretanto, a realidade não é esse "faz de conta" perfeito e o indivíduo, crente neste mundo ideal, se frusta ao perceber o real puro e imperfeito. Eis que surge então o mal do século XXI, a doença que atordoa multidões em torno do mundo: a depressão.
  De acordo com a análise dos estudos de Max Weber, pode-se entender porque acontece essa depressão causada pela frustração. Segundo Weber, os indivíduos desde os primórdios almejam uma vida repleta de contínuas satisfações. No entanto, nada é tão simples assim e então surgem as dificuldades. Para Weber, portanto, é necessário ao indivíduo se desfazer desse preceito de que tudo pode ser caracterizado como perfeito, pois segundo ele, a formação do tipo ideal seria apenas uma ferramenta metodológica para compreensão da realidade. Ao se imaginar o ideal, utiliza-se dele para constatar a realidade e percebe-se então que o real e o ideal são totalmente distintos. Eis que o conceito de ideal se dissolve e o individuo passa a conviver somente com o real. Quando esse desapego com o ideal não acontece, o indivíduo frustra-se e acaba adquirindo depressão.
  Para Weber, se faz importante também compreender o mundo real de uma maneira que não se generalize todas as ações sociais. Em qualquer ato da sociedade, por mais coletivo que seja é necessário se analisar os movimentos particulares de cada indivíduo, pois ao se ter uma compreensão generalizante perde-se pelo caminho riqueza de detalhes em ações com caráter de opiniões multifacetadas.
  É necessário portanto, deixar para trás todas as amarras de um mundo idealisticamente perfeito. O mundo tem suas desigualdades, seus impasses, porém cabe a cada um de nós, coletivamente ou individualmente, nos prepararmos para podermos fazer de nossas vidas o mundo ideal que pudermos conquistar, construindo sobre um defeito o nosso mundo imperfeito.


Ana Carolina Alberganti Zanquetta, 1º ano Direito Noturno

LIVRAI-NOS DE NOSSAS PAIXÕES, AMÉM!

              O desenvolvimento das ciências carrega consigo a busca por modelos. Em não raras vezes, notória é a procura, por parte dos que se lançam às pesquisas científicas, por leis imutáveis, carregadas de valoração explicativa a quaisquer fenômenos.
            O ser humano necessita de estabilidade. Andar por terrenos movediços traz insegurança, assim, inequívoco afirmar que o anseio por respostas a todos os fenômenos que envolvem a vida, explica-se pela sede de segurança que, neste caso, satisfaz-se pelo conhecimento.
            Quando falo em fenômenos, refiro-me aos naturais e aos sociais. Se no campo biológico, no qual o organicismo se expressa de maneira a propiciar repetições que favorecem a obtenção de fórmulas, teoremas, respostas aos questionamentos, talvez assim não o seja no âmbito das ciências sociais.
Esta hipótese foi muito bem levantada por Max Weber. O pensador revela ser preciso avaliar os fatos motivadores das ações sociais por vários âmbitos. O ser humano é plurívoco em seu interagir com a natureza e com seus semelhantes. Crer que um só campo da vida, de maneira unilateral, motiva a pessoa em seus atos, é pensar a vida minimamente.
E os atos de um grupo, além dos aspectos revelados no macro, para que sejam verdadeiramente entendidos, precisam ser estudados de maneira individual. Cada ser humano manifesta suas paixões de maneira individualizada no seu agir. Ainda que este agir possa ser explicado em âmbito coletivo, no estudo individual é que realmente encontramos respostas pautadas de maior certeza.
Além do âmbito individual, relevante é entender o pensamento de época de um determinado povo. As sociedades se destruíram e reconstruíram-se ao longo da história, e, ao se reerguerem, carregam lembranças e buscam agir de forma a não mais se derrocarem. Isto prova que o tipo ideal de convivência revela-se de maneira histórico-temporal: observando o que os homens anseiam no seu tempo, entendemos suas manifestações sociais.

Como nós hoje temos nossas paixões engrenadas com a tecnologia de nosso tempo, assim o era no passado, e o será no futuro. Tentando se afastar de seus princípios axiológicos, o mais possível, bem como estudando pormenorizadamente as atitudes individuais dentro dos grupos e os seus valores, é que o pesquisador social achará as concretas razões que determinam as ações sociais praticadas por aqueles.


Postagem referente à aula sobre Max Weber -
Antônio Rogério Lourencini - Direito Noturno.

Perspectiva de Max Weber para compreensão dos fenômenos sociais


Max Weber, considerado um dos fundadores da Sociologia, viveu em um período de grandes disputas sobre a metodologia das ciências sociais que começavam a surgir na Europa. Weber utilizou de um diferente recurso metodológico para tentar se aproximar cada vez mais da realidade, visando a  percepção sociológica como um meio e não como um fim. Para ele, a realidade significava algo tão complexo e multifacetado que ao partir de leis gerais para se chegar à realidade, isto é, a compreensão sociológica da ação individual, perdia-se todo o domínio do conhecimento.

Weber entendia a Sociologia como sendo uma ciência da realidade; dessa maneira, a investigação de seu objeto de estudo, o sujeito social, tinha tal finalidade a proporcionar. Para tanto, considerava que ao analisar entes coletivos, devia-se levar em consideração e como foco do estudo a ação dos indivíduos. Essa, portanto, seria a função essencial da Sociologia: compreensão do sentido da ação social.

Sendo o objeto de estudo apenas um fragmento da realidade, Weber desenvolveu uma ferramenta metodológica, para entender os fenômenos sociais, denominada tipo ideal. Esse meio de análise é feito a partir da escolha pelo cientista social dos aspectos considerados mais relevantes da ação do indivíduo.  Ou seja, se Weber fosse analisar um determinado grupo , por exemplo os moradores de rua, escolheria os principais elementos de um tipo ideal para avaliar o grupo. Dessa forma, poderia fazer os seguintes levantamentos desses elementos: indivíduos marginalizados, criminalizados pela sociedade, portadores de problemas físico-psiquícos, desamparados socialmente etc. A partir desses aspectos, Weber acredita que se possa chegar ao domínio do conhecimento e da realidade, a partir da compreensão sociológica da ação individual.

Ideias weberianas



Apenas rezar, realizar rituais e ir à igreja não é o suficiente para garantir um belo lugar no céu, assim os protestantes se deram bem na vida pois através da disciplina ascética, da poupança, da austeridade,do respeito ao dever e da propensão ao trabalho, conseguiram alavancar o capitalismo. Estas últimas características citadas são concomitantemente as bases do protestantismo e do capitalismo, embora , com o passar do tempo, eles tenham seguidos caminhos diferentes.

Destes caminhos opostos, Weber classifica como negativo o avanço do novo sistema,na medida em que há uma valorização extrema do material,do lucro e da razão em detrimento do espírito e do encantamento pela vida. Os indivíduos tornam-se mais frágeis e a educação, que possui como finalidades  transformar indivíduos em seres autônomos e estimular a participação política dos cidadãos, acaba sendo pouco aproveitada.

No entanto, o maior ou o menor estimulo a ela é feito de acordo com as diferentes sociedade, que geram diferentes culturas cujas formas de governo envolvem a burocracia, o domínio de um território e o controle da força. Este ultimo se subdivide em três categorias: carismático-líder envolve e guia seu povo através do seu carisma-, tradicional-o poder sucede-se pelo costume e pela tradição- e legal- em que as leis legitimam o poder do governante.

Dessa maneira foram apresentadas as formas de relacionamento entre o Estado e seu povo, no entanto Weber estuda também as microrrelações entre as pessoas: as ações sociais. Estas são caracterizadas por formarem uma conduta, com significado subjetivo, que visa orientar o próprio comportamento em relação a si e aos outros. Para exemplificar esse conceito, tomemos como base a piscadela: é uma ação social enquanto dirigida a outrem e com significado( como um sinal de paquera ou de mentira), no entanto deixa de ser um ação no sentido weberiano se for apenas um tique nervoso automático.

Para finalizar, é indispensável citar que Weber não acredita no fator econômico como maior influenciador das sociedades e que não há possibilidade de tratar  estas com total distância de forma a estuda-las como coisas, na medida em que somos seres humanos intrinsecamente influenciados por nossas culturas.
Marcela Helena Petroni Pinca - direito diurno

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Max Weber e o individualismo metodológico

Quando Max Weber iniciou seus estudos sociológicos, uma de suas principais preocupações  era a de que a sociologia se transformasse em uma ideologia. Desse modo, visava torná-la “digna” de credibilidade, ou seja, uma ciência da realidade empírica. Diferentemente da posição positivista, por exemplo, que partia do pressuposto que a realidade em si é pautada por ações imutáveis, tal qual feita no campo das ciências nomológicas, Weber introduz na sociologia uma perspectiva inovadora, segundo a qual seria a sociologia teria de ser pautada por meio de uma interpretação social das ações individuais, e não de estruturas(econômicas, por exemplo) que contêm uma dinâmica fixa, compreendendo para isso que a ação sociais é antes de tudo movida por valores, variáveis de acordo com a situação específica.
 
Max Weber classifica assim, a ação social em quatro tipos: a)ação racional com relação ao objeto; b) ação racional com a relação a um valor; c) ação efetiva;d) ação tradicional.
O que pode-se concluir desta sistematização  é que Weber visa usar delimitar critérios diferentes para definir um dado agir, aproximando-se desta forma o máximo possível da realidade objetiva. Parte dessa concepção explica sua crítica ao dogmatismo do materialismo histórico,que parte apenas da perspectiva econômica para explicar os fenômenos sociais, rebaixando, desse modo, a importância de valores culturais e éticos, por exemplo.
 
Pode-se concluir que, para a sociologia de Weber, os acontecimentos que integram o social têm origem nos indivíduos e cujo objetivo de tal ciência é compreender, buscar os nexos causais que deem o sentido da ação social, evitando-se para isso uma "cair" numa ideologia.
 

 

O perigo do modelo único

A escritora nigeriana Chimamanda Adichie, em sua palestra denominada “O perigo da história única”, expressa o perigo de se  construir um  “padrão”, uma só história,  em nossas pesquisas, simplificando, através dessa unicidade, a complexidade e a  riqueza do mundo pesquisado.  Análoga e metaforicamente, pode-se construir uma semelhança  entre as ideias da escritora e das ideias weberianas.
 Vivemos sob a égide da “rotulação social”, em que se destacam modelos absolutos, dogmáticos e  constantes juízos de valores. Diante da perspectiva de Max Weber, tal padronização não pode ser  único caminho para chegar-se a teorias e à realidade, afinal novas teorias podem surgir, refutando, portando, as antigas.  
Max Weber, considerado um dos fundadores da sociologia moderna, evidenciava que o objetivo da ciência social era compreender o sentido da ação social. Ademais, por ser tal ação uma incógnita, não se deve analisá-la somente a partir de valores de classes, de julgamentos, ou por meio de modelos dogmáticos. Como exemplo disto, podemos destacar algumas características da padronização, feita por muitos, do proletariado: alienado,  obtém estranhamento a seu trabalho, dominado, ator da revolução(...). Tal visão baseada apenas no aspecto classicista e econômico, para Weber, não pode ser entendida como absoluta, deve ser apenas o ponto de partida para a análise, afinal não se pode perder as riquezas dos detalhes, cada indivíduo é movido por diferentes valores e são esses valores que impulsionam o sentido da ação social.

 O sociólogo, portanto, distancia o estabelecimento das ciências nomológicas e da formação de “moldes” para a busca da realidade. Nota-se, portanto, a evidencia do perigo do modelo único  na ideologia sociológica weberiana. 

Daniela Nogueira Corbi - noturno
Para Weber, o primeiro pressuposto para uma investigação científica é o afastamento dos juízos de valor da análise da vida social. Expressa, portanto, uma distinção entre a busca pela objetividade e o sentido da “valoração”. Mas ele ressalta que: “Sem dúvida, é verdade que
exatamente aqueles elementos mais íntimos da ‘personalidade’, ou seja, os últimos e supremos juízos de valor, que determinam a nossa ação e conferem sentido e significado à nossa vida, são percebidos por nós como sendo objetivamente válidos”. Ou seja, nossas ações estão, mesmo que inconscientemente, guiadas por nossos juízos de valor. O saber científico, racional e objetivo, busca ver a realidade como ela realmente é, excluindo os valores do observador. É necessário enxergar o que realmente está a sua frente, ver os fatos incômodos que muitas  vezes são ignorados quando há uma observação carregada de juízos. Isso ocorre, porque o juízo de valor é particular, inerente a cada ser.

Ademais, em sua leitura, fica claro que o autor não quer propor uma “receita” para a vida social, mas sim buscar uma compressão. E essa compressão nunca será completa, já que o conhecimento da vida social é infinito e além disse é impossível impor leis fixas, já que está em constante mudança.
Graziela da Silva Rosa- Direito Noturno