Na contemporaneidade, são corriqueiras as críticas a programas de auxílio financeiro social, como o Bolsa Família, em especial por membros da suposta “pequena burguesia”. Argumento comuns são as crenças de que as pessoas beneficiadas deixariam de buscar emprego, contribuindo para a piora do quadro econômico brasileiro, e passariam a ter muitos filhos apenas com o intuito de aumentar o valor do auxílio. Entretanto, sabe-se que o benefício do Bolsa Família é insuficiente, por si só, para sustentar uma família, principalmente uma com muitas crianças. Nesse contexto, urge analisar, sob a perspectiva da Sociologia Compreensiva weberiana, os motivos que levam pequenos e microempresários a se sentirem ameaçados pelo recebimento de auxílio governamental por trabalhadores assalariados.
Primeiramente, observa-se forte influência do contexto político. Para Max Weber, as ações dos indivíduos para com o meio em que vivem são sociais, e guardam intenções motivadas pelos valores e pela cultura do ator. Nesse sentido, as ações não são isoladas, mas influenciadas pelo ambiente, em um cenário que permite a chamada dominação – na Sociologia Compreensiva, imposição legitimada por autoridade da vontade de um grupo a outro. Ou seja, talvez, a visão dos pequenos empreendedores reserve influência de algo maior, um grupo dominante que difunde suas ideias de maneira generalizada, como a burguesia dos grandes negócios (aquela que realmente dita os rumos da sociedade).
Em segundo plano, é possível inferir que à aversão ao Bolsa Família pode ter relação, à luz de Weber, com um receio particular dos microempresários de perderem seus funcionários e, assim, serem excluídos da identidade burguesa que almejam. Nesse viés, ficam muito mais suscetíveis a acreditarem e recepcionarem a dominação ideológica externa, já que veem uma ameaça identitária na possibilidade do governo “roubar” as pessoas de sua subordinação e, dessa forma, não se sentirem poderosos o suficiente para pertencer ao meio empresarial.
Portanto, conclui-se que ações dos indivíduos são sempre dotadas de intenção e contexto por vezes obscurecidos, e não necessariamente são culpa exclusiva do ator. Assim, é necessário realizar uma análise aprofundada da situação, como propõe a Sociologia Compreensiva, já que, em Weber, cada sociedade exige um cuidado analítico próprio, sendo a idealização apenas para efeito comparativo.
Laura Sophia Coelho de Oliveira
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