Este é um espaço para as discussões da disciplina de Sociologia Geral e Jurídica do curso de Direito da UNESP/Franca. É um espaço dedicado à iniciação à "ciência da sociedade". Os textos e visões de mundo aqui presentes não representam a opinião do professor da disciplina e coordenador do blog. Refletem, com efeito, a diversidade de opiniões que devem caracterizar o "fazer científico" e a Universidade. (Coordenação: Prof. Dr. Agnaldo de Sousa Barbosa)
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domingo, 3 de abril de 2011
A Experimentação como o único caminho para a Verdade
A finalidade da ciência seria, segundo Bacon, a melhoria da condição humana. Portanto a ciência deveria contribuir para a busca de uma melhor qualidade de vida e para a evolução do ser humano, assim não deveria se deter em temas subjetivos que não contribuam para a vida do Homem, como fez a filosofia grega, que tratava de temas abstratos que não geravam benefícios práticos para a sociedade e para os seus membros.
A filosofia tradicional, para o autor, jamais contribuiu para o bem-estar do ser humano e para a evolução do pensamento científico, uma vez que esta possui excesso de argumentação e divagação que nunca foram capaz de criar um só obra útil e benéfica para a vida do Homem. Bacon, portanto, propõe a superação do silogismo aristotélico, que se baseia na argumentação lógica, pelo método científico, que se baseia na observação e na experimentação.
Para Bacon a ciência deveria ter como premissa a observação e a experimentação, pois as fantasias, tão usuais na sua e na nossa época, não contribuem em nada para a evolução da ciência e nem para a descoberta científica. Além disso não se deve fazer ciência como um simples trabalho mental e sim utilizar dos métodos experimentais e empíricos por ele propostos. A dialética, por sua vez, também não contribui para a evolução da ciência, pois através dela a mente pensa e cria ideias livremente sem a utilização dos métodos científicos.
Os principais empecilhos para o desenvolvimento da ciência, segundo Bacon, são os "ídolos", que geram uma visão distorcida do mundo. Os "ídolos da tribo", são as distorções da realidade geradas pela mente humana, os "ídolos da caverna" decorrem do contato do homem com o mundo exterior como a educação e os costumes adquiridos, os "ídolos do foro" são decorrentes do mal emprego da linguagem dos homens na vida pública e os "ídolos do teatro" são associados as falsas ideias geradas por mitos, superstições e pela filosofia. Tais "ídolos" são até hoje obstáculos para o desenvolvimento científico, pois geram falsas crenças e mitos que corrompem e desvirtuam o pensamento científico.
Portanto, Francis Bacon, deixa como importante legado para a ciência, através da sua obra Novum Organum, a fundação para a construção do saber científico, com o uso da experimentação e da recusa das falsas ideias que, por vezes, nos afastam da razão e da verdade. Assim devemos nos guiar pelos seus ensinamentos e cooperar para o avanço da ciência e, portanto, do bem-estar do Homem, através da aplicação do seu método, que tem como base a rigorosa observação e experimentação.
Natureza: templo sagrado da ciência.

Em crítica à filosofia escolástica, considerada estéril, Francis Bacon cria seu método empirista, o “Novo Organum”, que lida com a ciência que emana da natureza e tem como objetivo domina-la alcançando o imperium hominis (império do homem). Para Bacon, a ciência deve prover uma satisfação e o bem estar comum para os indivíduos de forma a não se fincar em teorias divinas ou mascaradas. E, ainda, a teoria baconiana procura abrir os olhos dos homem para que se desfaçam de seus “ídolos” que, para ele, são sofismas que dissimulam e preconceituam os fenômenos naturais e sociais.
A experimentação deve curar as fantasias da mente, ou seja, neutralizar o idealismo e criar uma dinâmica de renovação permanente que admita a constante evolução de saberes como a medicina, a física, a matemática, a geografia e muitas outras. É preciso cultivar a natureza pra que frutifique em ciência.
Ciência: abstração e utilidade
Francis Bacon preocupa-se em não confundir a ciência com a fantasia, para tanto sugere um reforço nas reflexões para que não se misturem a verdade e a imaginação. Para realização da ciência, sob sua concepção, são necessárias realizações de experimentos que demonstrem continuadamente a verdade. Aspecto de grande valor na ciência atual, pois é notável a quantidade de informações especulativas que pretendem representar um cientificismo a fim de obterem credibilidade.
A utilidade da ciência é característica marcante do autor, uma vez que valoriza a aplicação de determinado experimento para uma mudança positiva da condição humana. Desta forma, contraria a filosofia grega que se preocupa com a sabedoria apenas no âmbito das palavras, ou seja, abstração da mente sem fins práticos. Analisando a atual realidade, a busca pelo prazer do saber na Grécia e a utilidade prática das ideias de Bacon são complementares para a ciência da maneira como se conhece hoje.
Um caminho sem rumo algum
Bacon: a natureza como fonte inesgotável de aprendizado.
Para o filósofo os responsáveis pelo insucesso da ciência seriam os "ídolos", que seriam os preconceitos da mente humana. Bacon divide os ídolos em : ídolos da tribo, ídolos da caverna,ídolos do foro e ídolos do teatro.
Ainda hoje percebe-se a influência dessas ideias pré-concebidas na interpretação humana de mundo. Os ídolos da caverna ,por exemplo, tem origem na educação,no hábito e na constituição da alma de cada um. Como ilustração pode se citar o âmbito jurídico, vê-se em jurisprudências como juízes tomam decisões diferentes a cerca de um mesmo tipo de caso, certamente influenciados por concepções adquiridas durante sua formação, ou seja, os ídolos da caverna.
Entre toda a complexidade de suas ideias percebe-se também importantes deduções que podem ser facilmente aplicadas na atualidade, principalmente com relação à grandeza da natureza. A citação "Pois a natureza não se vence,se não quando se lhe obedece." traz uma grande lição à atual postura humana, afinal percebe-se após as degradações ao meio feitas pelo homem manifestações naturais impossíveis de serem controladas. Desse modo, a grandiosidade do intelecto humano se vê impotente diante do poder da mãe natureza e sujeito às suas leis.
Através de sua obra e da de Descartes vê-se a dúvida evidente sobre os alicerces que sustentam o conhecimento humano, pode se abstrair de tais textos a importância do senso crítico e da postura curiosa diante das verdades do mundo.Abstrai-se também das ideias dos autores como a mente humana pode ser limitada e como é necessário a sede pelo conhecimento para que esses limites possam ser superados e a verdade realmente alcançada.
Danielle Tavares - (1º noturno)
Ciência e aplicabilidade
Cultivo das Ciências X Descoberta Científica
O segundo método é o da interpretação da natureza, que diz respeito às descobertas científicas,esse método é considerado por Bacon como o melhor qualificado no sentido de se obter um maior avanço do desenvolvimento da ciência porque utiliza ferramentas que o outro método anteriormente citado não usa como a experimentação,a exploração e a interpretação natural por meio dos sentidos.Para Bacon não é interessante buscar o conhecimento usando de bons argumentos ou opiniões elegantes,mas sim conquistar esse conhecimento desvendando a natureza e conhecendo a verdade claramente.
Posso afirmar que condordo com Bacon no sentido de que o melhor método para buscar a verdade seja o método da interpretação da natureza porque a ciência precisa de intrumentos para o seu desenvolvimento,necessita de exploração do mundo externo e dos sentidos com os quais o percebemos.Visto que baseado no segundo método a ciência se desenvolveu muito mais e teve uma contribuição muito maior para as descobertas cientícas do mundo, enquanto que o primeiro pouco ajudou a melhorar a condição dos homens, mesmo tendo durado um longo período.
Bacon me mostra que não basta exercitar apenas nossa mente usando da filosofia ou dialética para alcaçarmos a verdade, e sim que ela só é inteiramente obtida quando usamos do empirismo e das interpretações que a natureza nos oferece.
Bacon e o método experimental

Bacon e a experimentação
“Não se aprende bem a não ser pela experiência” (Bacon)... associada à razão
Ao analisarmos a obra “Novum Organum”, de Francis Bacon, percebemos o quanto a ciência é algo relevante para o autor em questão. Bacon, em sua obra, exalta o conhecimento científico como sendo algo benéfico ao homem e acredita que este conhecimento deve servir aos interesses do ser humano, fazendo com que as pessoas estabeleçam o imperium hominis (Império do Homem) sobre as coisas.
No entanto, o filósofo em questão não aceita “qualquer tipo” de ciência. Ele não confia, por exemplo, naquela que é unicamente calcada na racionalidade, baseada somente em nossa mente. Para ele, a “cabeça” do homem é repleta de fantasias e idolatrias que nos confundem e que nos levam a conclusões equivocadas. Assim, um conhecimento baseado unicamente na razão também acabaria por conter equívocos.
Por não concordar com esta forma de ciência é que Francis critica renomados pensadores, como Aristóteles, sugerindo a criação de um novo modelo de sabedoria que superasse o aristotélico e que fosse responsável por fazer uma “Grande Restauração” (Instauratio magna) no conhecimento. Esse novo modelo, que une a razão ao empirismo (às experimentações), foi “batizado” de ciência moderna e é, ainda hoje, uma das formas mais esclarecedoras de pesquisa.
Muitos podem pensar que, atualmente, as ideias “baconianas” só são aplicadas às Ciências da Natureza, o que seria um grande engano. O homem moderno utiliza a técnica de Francis inclusive nas Ciências Humanas. Um profissional de Direito pode comprovar isso com facilidade. A maior parte dos trabalhos jurídicos não conta somente com a racionalidade. Por exemplo, não dá para estudarmos completamente a aplicabilidade da pena de morte no Brasil apenas através da análise de leis, decretos e jurisprudências. Temos que “ir a campo”, colhendo dados, como os do gráfico abaixo, para conseguirmos tornar os nossos estudos mais plausíveis e aplicáveis. No caso citado,portanto,fazemos nossas pesquisas unindo a razão, dos textos escritos, às experimentações, presentes nas entrevistas com a população.
Você é a favor da pena de morte no Brasil?
Retirado de: http://www.edeus.org/edeus/respostas_jovens.htm
em 01/04/11, às 22h07min.
Diante do exposto, podemos entender a importância das ideias desse alquimista, que foi um marco entre a Idade Média e a Idade Moderna. Bacon, literalmente, “morreu experimentando”, mas foi recompensado: seu “novum organum”, seu “novo método”, ainda é a base da ciência atual.
Preenchendo a lacuna
Já na proposição do segundo método, Bacon defende assiduamente a exploração e a experimentação ilimitada como forma de obter sucesso na busca pela verdade.Assim, evita-se o senso-comum, "os erros radicais perpetrados na mente" e permite-se a dissociação entre real e idealizado.Apesar do tempo que separa o escrito de nossa realidade, a aplicação da Interpretação da natureza pode, e ainda é, embora não exclusivamente, aplicada no estudo da ciência.
O autor ignora, contudo, a associação de seus dois métodos de forma complementar para o estudo científico que, como observada na atualidade, contribui mais efetivamente para o avanço do conhecimento do que quando empregado apenas este ou aquele métodos.
Um grande entrave à imparcialidade da ciência previsto por Bacon são os Ídolos que, fixados ao intelecto humano, sejam naturais ou advindos do meio externo, dificultam o acesso à verdade.
O âmbito cultural e as relações interpessoais travadas por nossa espécie são grandes contribuintes para a má interpretação dos fatos e para a implementação de juízos de valor.
Isso evitado, se não saná-la, iríamos ao menos reduzir a lacuna entre idealização da mente humana e intenção divina.
O conhecimento em si mesmo é poder.
Bacon foi considerado por muitos o patrono intelectual da sociedade. Ele foi um dos primeiros a ver que o conhecimento científico poderia dar ao homem poder sobre a natureza, portanto, que o avanço da ciência poderia ser usado para promover o progresso e a prosperidade humanos. Mas achava que ninguém cuidara disso da maneira certa.
Bacon propôs um método poderoso e altamente disciplinado para a aquisição de um conhecimento sobre o mundo que possibilitasse a descoberta de leis naturais, num movimento do particular para o geral, conhecido como indução; feito isso, poderemos fazer prognósticos apurados.
Se, ao contrário, aplicássemos a lei nos casos particulares, nos moveremos do geral para o particular, num processo dedutivo. O método de Sherlock Holmes, aludido como dedução, em verdade é a indução.
Essa formulação do método científico teve uma grande influencia do século XVII ao XX. Várias gerações de cientistas e de filósofos foram guiadas por ela, avaliada como o caminho correto da diferenciação entre o conhecimento científico e outros tipos de conhecimento.
Bacon nos alerta contra as falsas noções que nos levam para longe do pensamento, o que ele chama de ídolos. Os “ídolos do teatro” são sistemas de filosofia que representam a realidade de maneira enganosa. Estão presentes nos dias de hoje naquilo que chamam de ideologia, que cria uma falsa consciência.
Bacon separou a ciência da metafísica, vendo que as explicações científicas eram fundamentalmente causais, não explicações em termos de suposições.
Suas afirmações do papel essencial da observação e do experimento para a aquisição de conhecimento confiável tiveram um importante valor, e sua insistência para que nunca nos esqueçamos do exemplo negativo, que nos guiará às conclusões certas.
Ciência X Ética
Bacon abriu as portas para a ciência se portar como se porta atualmente, levando a questionamentos éticos que traçam uma linha tênue entre avanço científico e bem-estar social.
Essa exploração ilimitada que descarta as implicações éticas dos meios em busca de um “bem maior” final influencia todos os setores da sociedade e se estende a um campo mais vasto ainda do que apenas o da religião.

Quando produtos são testados em animais, por exemplo, não há violação dos direitos desses? Mas se não forem testados, como garantir a eficácia e a seguridade para nós, humanos? Seria esse mundo inescrupuloso de experiências com cobaias o propósito de Bacon? Triste realidade que põe em cheque toda a sensibilidade e a racionalidade que nos tornam seres humanos.
Nome: Jackeline Ferreira da Costa - 1º ano Direito Matutino
Antecipação da Mente e Interpretação da Natureza
Toda ciência após Bacon é plágio?
Francis Bacon, em sua obra, contradiz a opinião de Descartes sobre a perfeição humana que tem a natureza apenas como um complemento. Afirma que a natureza supera em muito os sentidos e o intelecto, não sendo algo complementar e sim singular. Mas, não seria prepotência considerar o ser humano como algo não-natural? Se somos parte do meio, nosso intelecto não seria também inserido na natureza?
Descartes dedica-se a apresentar suas ideias de forma progressiva na linha do tempo, já Bacon lista suas conclusões o que já demonstra a preocupação de cada um dos dois em já qualificar sua metodologia de pesquisa em seu próprio discurso. Enquanto Descartes defende o pensamento para provar a verdade e por isso vai escrevendo sua linha de raciocínio, Bacon escreve seu livro em forma de aforismos, tópicos conclusivos que se explicam por si só, como um relatório cientifico. Algo experimental.
Para ele, a estruturação científica e intelectual já está formada, que apenas os homens unem essas ideias preconcebidas para derivar outra.
Não há mais o que ser criado. As coisas novas são apreendidas apenas como analogia às antigas. Tal comentário para a sua época até poderia ser válido, mas hoje em dia com o avanço de ciências que não existiam naquela época, demonstra sua visão apocalíptica das ciências, como se a mente humana não fosse capaz de criar, somente de evoluir e incapaz de criar quaisquer coisas que não sejam mero plágio daquilo que já foi pensado, em outras palavras.
Somar para multiplicar
Intervir na condição humana de modo a beneficiá-la. O objetivo da ciência, assim proposto por Francis Bacon, confronta-se com o “simples exercício da mente” realizado por certos filósofos da Grécia Antiga. Diante desse antagonismo, elabora sua teoria baseando-se na observação e na razão. Assim, expõe dois métodos para a ciência: o “cultivo das ciências” (antecipação da mente), e a “descoberta científica” (interpretação da natureza).
Ao primeiro método citado, relaciona-se a filosofia tradicional. De acordo com o precursor da ciência moderna, tais pensadores (os gregos, por exemplo) realizam um trabalho apenas contemplativo, não contribuindo para o bem estar humano. Já no que se refere ao segundo método, Bacon afirma a busca por inovação, isto é, o desejo de fazer experimentações sem limites, de dominar a natureza, de conhecer a verdade de forma clara. Todavia, para isso, a mente utilizada nesse processo não deve ser guiada por si mesma, mas submetida a mecanismos da experiência.
Com esse fim, por sua vez, ele defende a ‘cura da mente’, livrando-a de falsas percepções do mundo, denominadas “ídolos”: da tribo (características inerentes ao ser humano – sentidos, paixões), da caverna (ligadas à formação do indivíduo – educação), do foro (influência dos relacionamentos), e do teatro (sistemas filosóficos, astrologia).
Hoje, por conseguinte, percebe-se a influência da teoria de Bacon na rápida evolução dos ramos científicos. Na informática, os computadores e a capacidade de armazenamento de dados exemplificam essa inovação; além disso, tecnologias para monitorar solo, mares, atmosfera permitem certo domínio da natureza. Há ainda a nanotecnologia, a criação de medicamentos. Porém, esse avanço nem sempre é neutro, o que ora considera-se ruim (impede avanços importantes na natureza), ora considera-se bom de certa forma (impede ultrapassagem de limites éticos). Enfim, constitui-se de relevante importância o “novo instrumento” proposto por Bacon, responsável por somar a experiência e razão (nas devidas proporções), para multiplicar o saber.
sábado, 2 de abril de 2011
O Grande Mito do Saber e a Prepotência "Sábia"

A arrogância humana, a retórica e as disputas desnecessárias, a hermenêutica e a função social do Direito são temas nos quais Francis Bacon, com sua obra "Novum Organum", nos faz refletir. Apesar de publicado em 1620, ainda nos remete a noções inerentes ao mundo contemporâneo e à imperfeição humana como uma das causas de tantas asserções falsas em relação ao mundo.
Investigando mente e verdade
Francis Bacon é mais um autor à procura do caminho (método) para a verdade, em sua obra Novum Organum ele divide o conhecimento em dois tipos: Os produzidos pelo método de Antecipação da Mente e os produzidos pela Interpretação da Natureza. Para se obter um conhecimento através do segundo método Bacon afirma ser necessária a expulsão dos “ídolos”.
O autor dá o nome de ídolos a tudo aquilo que obscurece o caminho da mente à verdade e determina os seus tipos de acordo com sua origem: os fundados nos sentidos do homem como medida da natureza são os ídolos da tribo; nos desejos e impressões individuais, ídolos da caverna; na linguagem mal usada, ídolos do foro; e nos vícios de doutrinas e fantasias, ídolos do teatro.
Bacon propõe uma organização, ou cura, da mente, já que ela é tão sensível à aos ídolos. O exercício mental desregrado (dialética) não leva à verdade (é aí que surge sua crítica à filosofia Clássica) e nem mesmo a confiança cega nos sentidos, já que esses estão subordinados aos caprichos da mente. Para tal cura, são necessários instrumentos auxiliares ao intelecto e aos sentidos, traçando uma equivalência entre engenhos e intelecto durante o processo das experiências.
A intenção de Bacon não é nova, distinguir ilusão de realidade, deter os desejos que influem no conhecimento científico, conhecer os perigos da mente e aprender a usá-la de forma “pura” é um desafio antigo e até hoje não superado completamente. Ele dá um primeiro passo na identificação dos axiomas e propõe a verificação de tais verdades que aparentemente se apresentam irrefutáveis. A obra é um exercício de investigação a cerca da delicada relação natureza-mente-verdade; um exercício que deve ser praticado a cada descoberta.
Ciência e aplicabilidade
Uma das maiores críticas feitas à filosofia clássica é o fato de em quase sua totalidade buscar conhecimentos que em nada têm de utilidade prática. Crítica partilhada por Francis Bacon ao argumentar tal ato dos gregos, a “ciência como mero exercício da mente” ao invés da ciência aplicável à vida humana. Esse conhecer pelo simples fato de saber foi chamado de cultivo científico, aquele para o conforto da alma.Domínio sobre a Verdade
Acreditando no poder indutivo do homem, vale-se de que o melhor caminho para a descoberta da Verdade é aquele que, partindo de dados particulares, chega-se aos dados gerais. Também ressalta a tamanha importância de se buscar recursos para auxiliar o intelecto, para garantir menos falhas no raciocínio. Bacon afirma que um intelecto sem auxílios e não regulado não pode superar a obscuridade das coisas.
Em seu método, Bacon rejeita ideologias, fantasias, religiosidade e misticismo, julgados como fatores que contaminam a mente humana e corroboram para que se chegue a falsas conclusões. O homem deve se dispor a observar a natureza despreendido de qualquer "pré-conceito", para que seu julgamento sobre os fatos e experiências sejam guiados por um raciocínio "limpo".
O filósofo destaca a existência de quatro gêneros de ídolos que, se não bloqueados pela verdadeira indução, podem ser maléficos à mente humana e interferir na Interpretação da Natureza. São eles: ídolos da tribo - quando se toma por verdade aquilo que foi captado pelos sentidos; ídolos da caverna - em uma ilusão à caverna platônica, refere-se aos princípios, educação ou convenção de cada indivíduo; ídolos do foro (da vida pública) - diz da relação social do homem e do consequente uso das palavras, que podem gerar compreensões distintas em cada ser e provocar o erro; e, finalmente, ídolos do teatro -aquilo que é passado aos homens, seja como doutrina, tradição, regra, costume, que entra em vigor sem qualquer questionamento.
Bacon prega o extremo cuidado que o homem deve ter ao produzir conhecimento, uma vez que seus sentidos e suas "paixões" podem afetá-lo de modo a conduzí-lo a uma conclusão que lhe favoreça, mas nem sempre verdadeira. Por isso, muitos tentam fundamentar uma filosofia a partir de experiências próprias pouco válidas, uma vez que foram afetadas por suas fantasias e/ou princípios.
Em suma, a jornada que leva ao domínio sobre a Verdade, bem como sobre toda a natureza, requer a união entre a capacidade indutiva humana ("engenho") e o uso auxiliado do intelecto, somados à análise contínua e rigorosa de experimentos e seus efeitos.
A junção da experimentação com a razão
Bacon procura um novo método, através da exploração e experimentação, para o desenvolvimento da ciência da época, já que para ele, essa apenas girava inalteravelmente em círculos, com a superposição do novo sobre o velho, e nada mais era que combinações de descobertas anteriores, cujos resultados alcançados, até aquele momento, deviam-se mais ao acaso que a ciência propriamente dita. Considerava a lógica do momento como inútil para o incremento da ciência, pois essa era mais usada para consolidar e perpetuar erros do que para a indagação da verdade. Além disso, dizia que havia noções falsas e ídolos que ocupavam o intelecto humano, não somente obstruindo-o a ponto de tornar difícil o acesso à verdade, mas também como obstáculo à própria instauração das ciências. Avaliava que o intelecto humano recebia influência da vontade e dos afetos e se inclinava a ter por verdade o que preferia, sendo de inúmeras formas, aludido e afetado pelo sentimento.
A exaltação da experiência
A partir dessas concepções, cria-se um novo método conhecido como “cura da mente”. Por meio dele, o ser humano passa a disciplinar seus pensamentos de acordo com a experiência que está observando a fim de entender a natureza social que nos é “imposta”. Para isso, Bacon apresenta dois métodos, sendo o primeiro nitidamente mais eficiente: a descoberta científica (interpretação da natureza) e a antecipação da mente (mera contemplação da ciência).
Francis Bacon, em nenhum momento, nega a possibilidade de se alcançar a verdade, mas afirma a dificuldade de se conhecer a natureza utilizando-se dos instrumentos até então “propagados”. Esses estimulariam os quatro gêneros de ídolos que bloqueiam a mente do ser humano, seja por meio da interferência das nossas paixões, pelas diferentes formações dos indivíduos, pelas relações sociais ou até mesmo pelos próprios sistemas filosóficos.
Torna-se claro, por meio do Novum Organum, o quão influenciável é o intelecto humano. Quando este acredita em algo, modifica a realidade para comprovar suas afirmações, sem perceber a debilidade dos sentidos. E é justamente por mostrar que a verdade deve ser buscada sempre por meio da experiência e não da observação, que Francis Bacon tornou-se essencial para a ciência moderna.
Adquirindo um conhecimento científico
Valorização da teoria e abandono da prática
Há, especialmente nos dias atuai, intensa valorização da palavra, da retórica, da articulação de raciocínios, do "falar bem". Não vejo, particularmente, nenhuma mal nisso. Contudo, acredito que, além de conhecer e aplicar técnicas que engrandecem o modo como nos expressamos, devemos reavaliar o conteúdo e a aplicabilidade do nosso discurso.
Francis Bacon afirma que, enquanto exaltamos e admiramos os poderes da mente humana, ignoramos suas falhas e não buscamos auxílio para adequá-los. Dessa forma, insistimos em "tagarelar" como faziam os gregos e não geramos conhecimentos capazes de melhorar a condição humana.
Para quebrar tal ciclo de produção inútil, Bacon recomenda domesticar a mente através da experimentação, isto é, embasar as ideias (pensamentos) em experiências observáveis (dados). Ele ainda argumenta que o homem precisa ser levado aos próprios fatos a fim de que ele se sensibilize e se sinta obrigado a renunciar ás teorias (especulações) e comece a produzir efetivamente ciência que auxilie o desenvolvimento humano.
Assim, não basta um cientista social mergulhar em livros, teorias, filosofias para chegar a um conhecimento relevante á sociedade sem visitá-la; não basta um político tecer seu discurso em favor dos oprimidos sem conhecê-los; não basta um médico receitar um medicamento sem saber se seu paciente conhece noções de prevenção da doença.
Portanto, é importante que o homem continue se expressando bem; porém, mais do que isso, é essencial que ele inove, experimente, busque conhecimentos que surtam efeito sobre o bem comum.
Experiências, Análises, Inovações.
No passado, filósofos se prenderam à imaginação e à adoração dos elementos naturais. Dessa forma, alguns avanços foram obtidos nas ciências. Mas o que se vê no trecho acima, da obra de Francis Bacon, é uma mudança radical no método. Não basta descobrirmos e admirarmos a natureza, precisamos dominá-la. Muito menos se trata de convencimento pelos argumentos, mas de uma minunciosa análise dos fenômenos naturais. Busca-se inovações, não falatórios. Outro trecho da obra que pode nos mostrar esse pensamento é:
"Desse modo, é de se esperar que há ainda recônditas, no seio da natureza, muitas coisas de grande utilidade, que não guardam qualquer espécie de relação ou paralelismo com as já conhecidas, mas que estão fora das rotas da imaginação. Até agora não foram descobertas..."
A ciência não nasce da retórica, mas da análise e experimentação. Para Bacon, todo estudo deve ser empírico. A retórica pode ser útil em outros momentos, mas é desprovida de valor científico. Só os fatos são reais, não as ideias.
Bacon também alerta quanto às distorções que nossas análises podem sofrer devido a fatores que ele classifica como ídolos. A neutralidade é improvável. Esses ídolos podem ser nossas paixões, nossa formação, relações interpessoais que mantemos, ideologias, etc.
É, por fim, relevante considerar que "Novum Organum" foi publicado em 1620. Após o século XVII, surgiram os maiores avanços da história, que em milênios anteriores não haviam sido, se quer, sonhados. Podemos ter a certeza de que surtiu efeito essa nova forma de pensar ciência.
Evolução Constante
Por esse motivo, Bacon faz uma severa crítica aos gregos. De acordo com o autor, os gregos têm a sabedoria farta em palavras, mas estéril em ações. A crítica, portanto, faz-se justa. Uma vez que, os gregos por não desenvolverem um simples experimento que desenvolvesse a condição humana, estagnaram-se na evolução.
A fim de que as próximas gerações científicas e filosóficas não sejam como os gregos, Bacon propõe um método: a cura da mente humana. Nesse método o homem não deve deixar que a mente se guie por si mesma, deve-se criar mecanismos para regular o raciocínio. Através dessa metodologia, o homem seria idôneo para perceber e refutar as falsas percepções do mundo, chamadas pelo autor de Ídolos.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Ciência : instrumento útil (para alguns).
Discipline a mente
Bacon e as bases da ciência moderna.
Devido as concepções difundidas entre as pessoas devido ao cotidiano e a filosofia, Bacon coloca sob suspeita o trabalho autônomo da mente, e por isso, defende que ela deve ser regulada pela experimentação e pelos sentidos. Com isso, Francis Bacon atenta seus leitores para a relatividade das idéias, e para o fato de que estas podem conter vícios (tais como a elaboração prematura de teorias) que dificultam o acesso ao conhecimento verdadeiro. Com isso, ele propõe que os homens devem recorrer a experimentação em detrimento das antecipações da mente para realizarem descobertas cientificas.
Tais idéias serviram de base para o desenvolvimento da ciência moderna, que apresenta um caráter empírico e racional e foi responsável por descobertas muito uteis ao homem. Estas inovações poder ser exemplificadas pelos avanços na medicina ( como é o caso dos transplantes, da hemodiálise, entre outros), desenvolvimento de sistemas meteorológicos e os avanços nas áreas de comunicação e transportes.