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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A consciência coletiva e o sistema punitivo brasileiro


            Em seu capítulo 2 do primeiro volume da obra “A divisão do trabalho social”, por título de “Solidariedade mecânica ou por similitudes”, Émile Durkheim aborda as influências da consciência coletiva sobre a sociedade e a organização geral do Estado. Para o autor, essa autoridade que permeia todas as consciências dos indivíduos é baseada nas tradições e culturas que moldam os modos de agir e pensar. No texto, Durkheim coloca o crime como sendo a maior violação dos dogmas criados pelas instituições formadoras da consciência coletiva, situações que possuem um aspecto histórico de reprovação pelo sentimento coletivo e, a partir disso, ganharam uma reação de condenação e cumprimento de pena prevista em um ordenamento jurídico, além do agravamento pela vergonha, movida pela passionalidade da consciência comum.
            Isso nos remete a realidade brasileira do Código Penal e suas implicações para os indivíduos da nossa sociedade. O nosso sistema pode ser caracterizado como punitivo e construído sobre um pilar da consciência coletiva, chegando a ser comparado a sociedades menos complexas, que têm a pena como defesa social baseada em uma reação passional.
            O Professor Sérgio Salomão Shecaira, advogado, Professor Titular do Departamento de Direito Penal da Universidade de São Paulo, Presidente do Conselho de Política Criminal e Penitenciária do Ministério da Justiça, em seu artigo “A Lei e o outro” escreveu que o “sistema punitivo é burocrata e insensível”. Ao defender que as penas e o sistema carcerário brasileiro não pretendem restituir o individuo a sociedade, como é defendido pelo direito moderno, o Professor Shecaira conclui que ninguém está interessado no destino do acusado, destacando o distanciamento que cada instituição que forma o sistema punitivo e seus profissionais do direito mantém em relação aos autores dos crimes. Esse fato possui relação com a seguinte afirmação de Durkheim, que coloca a consciência coletiva: “O crime aproxima as consciências honestas e as aglutina”.
            Por fim, podemos concluir que o caráter restitutivo do direito, que deveria ser criado, segundo Durkheim, a partir da solidariedade orgânica da sociedade, perde sua eficácia diante dos aspectos passionais que vigoram na consciência coletiva e no processo jurídico atual. O Professor Shecaira coloca mais esse aspecto em seu texto:
O crime, como expressão de um conflito, na maior parte das vezes, não é mais compreendido pelos juristas. Seu encastelamento em torno das normas impede o questionamento da lei e a busca do fundamento doutrinário da pena. Os conceitos com puro esteio na norma neutralizaram a discussão sobre as determinações sociais do delito, sobre qualificação política da transgressão ou sobre as razões existenciais, estruturais e conjunturais que condicionam a pena. A dogmática estrita cobre com um manto supostamente neutro as decisões cotidianas da justiça que são (ou deveriam ser), antes de tudo, humanas. O referencial de sensibilidade foi substituído pelo paradigma da lei. Muitos perderam a liberdade de escolha como se o tamanho do problema carcerário não fosse fruto das nossas decisões. Acredito que ainda está por ser elaborado o manifesto da sensibilidade jurídica que possa fazer com que os operadores do direito pensem sobre o papel que desempenham socialmente e sobre os papéis que estão sobre a mesa diante de si.
REFERÊNCIAS:

Shecaira, Sérgio Salomão. “A Lei e o Outro”. Disponível em: < http://www.defensoria.sp.gov.br/dpesp/Repositorio/20/Documentos/Artigos/00000030-001_SergioShecaira.pdf>. Data de acesso: 23 de agosto de 2012.


       


Durkheim frente à consciência coletiva

Émile Durkheim, foi um importante sociólogo francês que viveu durante a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX. Devido aos seus trabalhos, no próprio campo da sociologia é considerado um dos fundadores da sociologia moderna.
Sua obra ´´ Da divisão social do trabalho´´, uma de suas obras mais reconhecidas, Durkheim faz uma análise acerca das sociedades e suas estruturas constituintes, e também no tipo de direito em que elas se pautam.

Durkheim analisa as sociedades primitivas, que são sociedades em que prevalece a consciência coletiva, ou seja, um pensamento que é compartilhado por praticamente todos os habitantes de uma determinada sociedade. Ainda de acordo com Durkheim essas sociedades pré-modernas são sociedades movidas pela chamada solidariedade mecânica, que segundo ele é uma ´´consciência honesta´´, e também são sociedades onde prevalece o direito penal e a passionalidade.

Já as sociedades modernas são sociedades que se tem uma interdependência, que é totalmente regida por uma solidariedade orgânica, e também pautada no direito chamado por Durkheim de restitutivo e principalmente pautadas na racionalidade, ou seja, são sociedades em que cada indivíduo tem a sua consciência formada e vai de acordo com as suas convicções próprias.

Ainda hoje podemos notar resquícios dessas sociedades pré-modernas, como por exemplo, no recorrente ato de discriminação para com os homossexuais, onde esses indivíduos são julgados como estranhos e como uma ´´raça´´ que denigre a sociedade, onde na verdade não fazem mal a ninguém e se fossem aceitados e pudessem seguir suas vidas não trariam prejuízo algum para manutenção da estrutura de uma sociedade.

Essa consciência coletiva, da qual abordou Émile Durkheim é própria das sociedades primitivas, mas que infelizmente ainda, é recorrente em nossa sociedade.

Portanto Durkheim, estudou as sociedades, tanto as pré-modernas como as modernas, e através desses estudos tentava entender as estruturas extremamente complexas, as práticas de valores, os costumes que engendram, e formam os elementos intrínsecos as essas sociedades independentemente do momento histórico em que tais sociedades se constituíram. 

Afonso Marinho Catisti de Andrade

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Em seu estudo " O Espírito do Capitalismo", Weber destaca as origens do capitalismo e também os impactos que este trouxe nas relações do homem com o trabalho, com a religião e com a sociedade. A autobiografia de Benjamin Franklin é muito citada, visto que sua vida possui inúmeras virtudes de um capitalismo moderno.
Weber, através de exemplos, mostra a diferença da relação do homem com o trabalho baseada no tradicionalismo e da baseada em princípios capitalistas modernos. Na concepção tradicionalista, o trabalhador é mais atraído a trabalhar menos do que a ganhar mais, e o empreendedor está mais preocupado com o seu consumo do que com a otimização da produção. Entretanto, o "espírito capitalista" prega outra filosofia, a qual é baseada no aumento do capital através da diligência no trabalho.
Mesmo com o consequente aumento na produção devido ao desenvolvimento do capitalismo, é questionável a melhora da qualidade de vida da sociedade como um todo. quanto maior for a consciência capitalista , que é individualista, maior serão as desigualdades sociais.

O Racionalismo de Weber

Segundo Weber, a racionalização é a característica principal do capitalismo. O uso da razão nas relações econômicas permite ao homem distinguir entre os seus bens particulares e os bens da empresa. Também encontramos a racionalização científica, através da qual a tecnologia desenvolvida permite ao homem aproveitar melhor os recursos naturais existentes, por exemplo, a energia eólica, hidráulica, etc.
O capitalismo se sustenta em determinadas regras e normas, as quais possibilitam a existência e continuidade do sistema capitalista. Isto é o que Weber chama de racionalização jurídica.
Além disso, a racionalização do comportamento humano é de fundamental importância para a existência do capitalismo. Weber afirma que existiram obstáculos espirituais que dificultaram o desenvolvimento de uma conduta econômica adotada pelo homem ao longo de sua história.
Deste modo, Weber adota o Protestantismo como uma forma do indivíduo modificar sua consciência e a partir daí adotar qualidades que permitem o pleno desenvolvimento econômico. Através do Protestantismo, a idéia da salvação do homem se modifica, pois a posse de bens materiais não se torna mais um pecado. O homem não precisa mais se conformar com a humildade, agora ele pode dominar o mundo.

Matheus da Silva Mayor

Weber e o capitalismo

                      Em análise ao texto “espírito do capitalismo”, Weber procura analisar o capitalismo em suas conexões.
                      Para ele, não é apenas o advento da burguesia com a ânsia pelo lucro que vai gerar o capitalismo em si, pois essa busca incessante por mais riqueza sempre existiu. Ele também denota que foi  a cultura ocidental quem criou a ideia dessa inversão racional do dinheiro como forma de produzir outros bens para produzir mais capital. O dinheiro como fim em si mesmo, ou seja, em mais dinheiro. Afirma ainda, que a dependência do capitalismo do avanço da ciência e da técnica se direciona no sentido da aplicação da ciência na economia, uma vez que  a filosofia antiga que só servia para contemplar.                        Já no aspecto fundamental da racionalização jurídica, a ambição por lucrar não é capitalismo. O direito seria a  "mola mestra" do mesmo, pois garante a propriedade e a sobrevivência do capitalismo, promovendo o cumprimento de contratos e as regras básicas dos investimentos. E isso é o que garante que o capital não será sorvido pelo Estado ou por hordas de bárbaros. 

                        Para finalizar, percebe-se que, enquanto para Marx as grandes lutas eram para se desvencilhar da opressão do capital, para Weber era para se libertar do trabalho excessivo, não o sentido político da opressão, mas cultural.


No texto de Max Weber “O espírito do capitalismo” ele tenta compreender a singularidade do Ocidente, afirmando que em qualquer lugar as pessoas apresentam um mesmo padrão de comportamento e conduta, e ainda que aquilo que surge em uma região específica se dissemina no mundo. Assim, nota-se já uma diferença para Marx, que pensava que os modos de produção que determinam os comportamentos.
Weber ao discutir sobre o capitalismo, afirma que o amplo interesse e a ganância por lucros, não são atitudes referentes a este processo, afirmando que tais atos já existiam, e eram usados por garçons e prostitutas, por exemplo. Além de também afirmar que a troca não era algo inovador.
Para ele quem é capitalista tem o objetivo de fazer o capital se movimentar e circular por si só, permitindo uma dinamização racional do investimento, e que o que é inovador é a racionalização da moeda, a partir da troca.
Usando a ideia de racionalização, Weber diferencia o modo de produção capitalista dos outros que já existiram. Primeiramente há a “racionalização contábil” onde acontece a separação da empresa da economia doméstica, ou seja, os bens da empresa são diferentes dos bens do indivíduo, portanto o direito cria a empresa jurídica e a pessoa jurídica. Há também a “racionalização científica” em que o capitalismo fica dependente das ciências exatas e da natureza. Há a “racionalidade jurídica” em que as estruturas do direito e da administração são usadas como modo de gerenciar, e torna possível o fato do modo capitalista se perdurar no tempo, garantindo, por exemplo, a propriedade. E assim há também a “racionalização do homem” que é necessário para que o homem adote os modos de condutas e comportamentos impostos. Assim quando se modifica a consciência de individuo, o passo seguinte é a mudança da consciência externa.
Para Weber o racionalismo ocidental tem como características a dominação do mundo, em contraposição á conformação ao mundo do racionalismo oriental.
Essa racionalização não é só do empreendimento, mas se transforma na racionalização da vida. Isso é cotidiano, a classe trabalhadora incorporou como ética de vida, o que o weber chamou de ascetismo (padrão de comportamento baseado na disciplina).

                         Racionalização inversa
Racional: que tem a faculdade de raciocinar; conforme à razão, razoável, lógico.
Justamente pelo fato de o homem ser racional explica-se o porquê de se seguir um padrão de conduta, talvez até mesmo sem questionamentos. Trata-se apenas de seguir o fluxo contínuo da humanidade, dos seus semelhantes: roupas iguais à todos, mesmos padrões comportamentais, mesmos pensamentos. E assim se segue a vida, a morte e futuras gerações.
O estranho mesmo é estar dentro de toda essa ética comum a todos, todos esses comportamentos e se estudar sobre isso, questionar. Você sempre fez parte desse todo, e tentar compreender justamente o porquê você segue ou porque nunca se questionou é muito estranho.
É como se fosse necessário que todos os seres humanos, com a mesma ética, tivessem de ser acordados ao som da seguinte voz: “O negócio é o seguinte, você é racional, não questiona o mundo a sua volta, apenas tem que se manter nesse mundo, consumindo, trabalhando, acumulando dinheiro. Já pensou se parasse de trabalhar? Se pudesse fazer o que realmente gosta? Se pudesse viajar para onde quiser? Por que não pode? Por que não tenta?.”
Entretanto, a resposta mais provável que seria dada: “Não posso largar tudo, essa é minha vida, meu viver, meu cotidiano, tenho família, filhos.”.
Toda essa conduta metódica, de se ter um cotidiano, e manter-se assim por toda uma vida, não mudará. A questão que foi colocada não é a mudança física, e sim a mudança nos pensamentos. O pensar, repensar. Repensar sua vida, repensar suas ações. Por que age de tal forma? Por que está em consenso com tudo? A questão era E SE, e não FAÇA.
Voltando-se a ideia do ser racional. Racional seria aquele que produz para sua própria manutenção, e não o que produz para acumular. Aquele que vive bem e saudável e não o que está doente por causa de problemas causados justamente por trabalhar tanto. Racional aquele que não massacra seus semelhantes só para possuir mais, e sim o que vive em harmonia. Racional o que questiona, é razoável. Percebe-se então que essa extrema racionalização da vida, do homem, faz do homem não tão racional assim, ao contrário, ela “desracionaliza” o homem, transformando-o em até mesmo irracional, que age conforme instintos criados, e esquece o que é ser humano.
Trata-se de uma ética que não é racional, ela destrói, ao invés de construir, ela prende ao invés de libertar pensamentos. E bem, essa ética é a que se segue pelo sistema conhecido como capitalismo, é segundo Weber “O espírito do capitalismo”, é justamente o que caracteriza o próprio capitalismo, é ele que molda vidas, costumes, e até mesmo culturas.  
Júlia Godoi Rodrigues

Weberianismo, mas nem tanto.


Indubitavelmente, a constituição de uma nova ordem mercantil com a maximização da racionalização dos lucros e da perspectiva capitalista a partir do Renascimento com seu procedimento futuro no Iluminismo e fundamentalmente nos processos de Revolução Industrial e Globalização Capitalista é um processo que carece de um novo verniz para a humanidade, isto é, de uma nova cultura moral que pudesse estar alinhada com as novas demandas e principalmente resolvessem alguns pontos da então cultura ocidental.
A Reforma Protestante de 1500 é sobretudo o evento no campo da superestrutura, tendo óbvios laços com o a estrutura econômica (pois não há mudanças ideológicas abortadas dos processos econômicos) que mais dinamizou a vida política européia a partir do Renascimento.


Todavia, a visão Weberiana, que a constitui (a Reforma) como locomotiva da modernização capitalista equivoca-se ao mudar a centralidade do processo histórico e os seus principais sujeitos:
 A cultura jamais será a vanguarda formuladora de uma processo histórico, esta, enquanto elemento histórico e político só pode vir a reboque de mudanças no cerne da sociedade, cerne este composto pela estrutura político-econômica.


A constituição da história, neste sentido não se faz de forma casual, mas sim explicada historicamente pela leis que move a civilização, a luta de classes.  Não é coincidência o surgimento do Protestantismo. O processo de modernização, já inaugurado anos antes pelos autores renascentistas já indicavam a necessidade de se reconstruir pontos ideológicos da cultura ocidental rompendo com a negação pejorativa do trabalho de origem judaico-cristã, romper com essa perspectiva católica é papel fulcral para a racionalidade dos meios produtivos e desenvolvimento produtivo mais avançado.
Portanto é projeto burguês para ascensão e manutenção do poder constituir uma nova ideologia de homem, assim como os reis que herdaram o processo do fim do Império Romano do Ocidente incentivaram um modelo superestrutural de humanidade que beneficiassem e estivessem em alinhamento com o seu projeto de mundo.
A Reforma Protestante, e especificamente o Calvinismo e suas derivações regionais são elementos à reboque desta nova constituição burguesa de homem, não sendo sinônimo de racionalização e nem a única forma de racionalizar ideologicamente a perspectiva moral do indivíduo dentro do processo de produção.
Uma forma convincente que deu certo historicamente, mas, restrita a um sujeito-tempo histórico e aquém da lei que move a humanidade e dos processos estruturais.

Carpe Vitae Protestante


Carpe Vitae Protestante
                Ao contrário de sua irmã, da qual se originou, a principal diferença da igreja Protestante para a Católica é que a primeira muda principalmente o foco sobre a divindade da vida terrena e da espiritual. Na Católica, a vida espiritual estava em orações e cânticos e a vida material servia como o lastro de um navio a afundar e impedir o pleno desenvolvimento espiritual de seus fiéis. A visão escatológica de mundo Católica não criava desejos de luxo, mas de uma vida de humildade a ser recompensada no céu. Por outro lado, a Protestante usa da dignação e exaltação do trabalho e dos dons herdados, como canto, habilidades manuais, talentos possuídos e úteis como presentes divinos que devem ser agradecidos. O trabalho é então produto de Deus e um meio de se aproximar a Ele. A riqueza é a recompensa pelo espírito empreendedor nos negócios e comedido na vida privada.
                O capitalismo por ter surgido na Europa, devido principalmente ao continente ter passado por eventos históricos peculiares como a presença de reinos fragmentados, principados e ducados, suas rotas de comércio, o desenvolvimento manufatureiro e a necessidade da estabilização de preços de produtos idênticos em lugares variados criou o princípio da inflação e o que veio a ser a economia-mundo capitalista. Nesta há o foco no trabalho e no dinheiro. Diferente do passado quando havia a troca e a barganha, agora tudo dependia da força ilusória ou real de uma moeda.
                Dessa forma, a cultura Protestante, principalmente a Calvinista, com seu foco e seu apoio irrestrito à obtenção de dinheiro e ao trabalho impulsiona seus fiéis a encontrar um meio pelo qual o trabalho, os produtos e os serviços se tornam mercadorias ao invés de serem instrumentos da subsistência como ocorria na alta idade média. Assim, a religião que induz seus praticantes a valorizar a vida na terra, e as maravilhas as quais esta pode proporcionar (como os produtos que chegam pelo mediterrâneo) cria o ambiente perfeito para o desenvolvimento de uma economia globalizada, unida e baseada no poder da moeda, trabalho e consumo.

Raul da Silva Carmo. Aluno do 1º Ano do Curso de Direito Noturno da UNESP Turma 2012-2016.

Weber e os valores humanos


A compreensão sociológica de Max Weber entrou em conflito com o materialismo dialético de Marx e Engels quando o primeiro autor criticou a metodologia dos últimos dois. Ao afirmar que a concepção materialista da história e o “denominador comum” do marxismo eram resultado de uma necessidade dogmática de encontrar um princípio universalmente válido, Weber conseguiu desmascarar a desfiguração causada pelo materialismo, que foi e ainda é considerado em muitos casos um mandamento ético, assim como os elementos incondicionais de uma religião, e revelou as possibilidades de aparecimento dos valores culturais, tradicionais e religiosos como transformadores das ações sociais.
A partir daí, Weber, ao escrever sobre os tipos de ações humanas relacionadas aos valores, emoções, tradições e objetivos do homem, conseguiu, na obra “A ética protestante e o espírito do capitalismo” criticar mais uma vez o marxismo, colocando o “espírito da acumulação” como gerador do capitalismo, sendo assim, uma transformação econômica, que para Marx seria originada pela constante luta de classes, foi, na verdade, executada por uma condição de valores humanos, um embate cultural e moral que construiu uma nova idéia de acumulação de capital.
A abrangência do sentido que Weber empregou às ações sociais, pautado nos valores culturais e tradicionais, proporcionou um embate com um dos principais pilares de sustentação do conceito da luta de classes. O autor expôs que o simples trabalhador possui a oportunidade de crescer dentro do capitalismo ao se associar com a burguesia, utilizando o sistema capitalista como veículo de ascensão econômica e social, porém não o fazia porque seus valores estavam consolidados pela tradição e, principalmente, pela religião, o que não existe dentro da teoria marxista, já que, segundo esta, a exploração da classe operária, cenário do famoso mecanismo da “mais-valia”, é fator decisivo de criação de uma sociedade estamental moderna.
Por fim, pode-se citar que Weber trás a diferenciação do modo de produção capitalista de quaisquer outros: a racionalização. É este mais um fator a se adicionar aos conceitos weberianos de transformação pelos valores humanos, expressão que se concretizou como o instrumento de desenvolvimento da ética protestante e do espírito do capitalismo.

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come

Fica evidente Em A Ética Protestante e o Espírito Capitalista de Max Weber, que a burguesia ao instituir seu sistema não fez só uma Revolução econômica e política, mas para a manutenção desse poder fez uma Revolução Cultural capaz de enraizar valores antes ignorados pelos indivíduos e modificar a essência de algumas virtudes. Por exemplo, a honestidade recebeu importância por assegurar o crédito. Na Grécia Antiga dava-se muito valor ao ócio que possibilitou a criação da Democracia, que mais tarde com alguns valores modificados foi incorporada pelo Capitalismo. No entanto esse sistema colocou o ócio como pecaminoso e deu um valor extremo à racionalização da vida, do tempo instaurando uma ética do trabalho que deveria ser seguida por todos sob pena de exclusão social.
Weber ao analisar a valorização do “FAZER DINHEIRO” me faz lembrar  a imagem dos milhares de retirantes nordestinos- retratados por Portinari e Graciliano Ramos em suas obras - que deixaram suas terras, abandonaram suas antigas vidas para, em busca do “FAZER A VIDA”, procurarem melhores condições de sobrevivência nos grandes centros urbanos. E é ai que o capitalismo se mostra cada vez mais maquiavélico, pois com a ajuda de uma indústria da seca consegue aliciar aquelas vítimas do sertão para que trabalhem em suas indústrias, ou seja, se mostra eficaz quando o assunto é racionalizar...racionalizar tempo, trabalho, sonhos  e até a seca. Aliás tudo isso a propaganda de um modo de vida que deve ser tomado como ideal. Esses milhares de Fabianos passam a trabalhar mais e mais e mais, o suor de suas caras constrói grandes metrópoles com todas as inovações que as cidades devem ter. Contudo a situação cotidiana em suas casas não muda, permanecem a fome, a humilhação ( não mais de um senhor de terras, um coronel, mas agora de um senhor da cidade); continuam a viver sem condições mínimas de saneamento. Os meninos não frequentam uma escola, se educam nas ruas, Sinhá Vitória continua sem a sonhada cama de couro, sem conforto e Fabiano continua a ser visto como um animal, não só por si mesmo mas agora por toda uma sociedade urbana e, definitivamente, isso não é positivo mais. Não há para onde fugir, as garras do homem ganancioso, seja ele um grande latifundiário ou seja ele um grande burguês, sempre vão lhe alcançar.
Jéssica Thais de Lima


Já estamos condicionados a pensar que quando formos adultos, teremos que trabalhar para nos sustentar e alcançar tudo o que desejamos materialmente. Mas tal ideia nem sempre foi tão natural como a vemos atualmente, pois o trabalho estava relacionado a uma imagem negativa. Aliás, a palavra “trabalho” deriva de “tripalium” – instrumento romano de tortura.

Se pensarmos nos períodos históricos anteriores, observaremos que o trabalho era realizado por escravos na Antiguidade e por servos na Idade Média, ou seja, tratava-se de uma ação desonrosa e, sendo assim, deveria ser praticada por aqueles que tinham menor prestígio social.

Foi somente com o surgimento do Protestantismo que essa concepção mudou. O Protestantismo trouxe consigo uma ideologia que justificava a ação dos homens da época – em que surgia também o mercantilismo - de acordo com os seus preceitos religiosos. Por exemplo, a obtenção do lucro – condenada pela Igreja Católica naquele contexto – passa a ser aceita segundo o Protestantismo, que se apoiava no Princípio da Predestinação, o qual pregava que a graça divina era percebida através da riqueza. Pensando em tal princípio, o trabalho ganha um novo significado: o de que esse liberta, traz prosperidade e, assim, indica a graça de Deus.

Essa nova ética religiosa adequou-se melhor ao novo sistema político-econômico que surgia – o Capitalismo – e conseguiu grande número de burgueses – classe emergente que detinha o poder econômico – como adeptos. Com uma ética religiosa em harmonia com a economia mercantil e pré-capitalista, Weber observou que os países predominantemente protestantes possuíam melhor desempenho com relação à economia e que tal ética muito contribuiu para o desenvolvimento e firmamento do Capitalismo.

Afinal, nos dias atuais, independente da religião que se tenha, dificilmente desvinculamos a ideia de que o trabalho nos emancipa, de que o lucro é necessário ou de que aquele que mais se esforça será, de alguma forma, recompensado. Achamos o fato de trabalharmos para viver (quando o contrário também não acontece) e de presenciarmos bonificações para aqueles que foram considerados como “trabalhadores de destaque” algo completamente natural, sem ao menos pensarmos no surgimento de tal pensamento que hoje já nos é intrínseco. É por esta razão também que há quem diga que hoje somos todos protestantes.

O capitalismo e sua influência no mundo contemporâneo


A obra a “Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” de Max Weber faz uma análise envolvendo economia, religião, modernidade. Uma das principais características, segundo Weber, que diferencia a produção capitalista de qualquer outro modo de produção é a ideia de racionalização, podendo ser de quatro tipos: contábil, científica, jurídica e do homem.
Interessante se faz lembrar o quanto a religião calvinista marcou presença nesse novo capitalismo. Ao contrário da religião católica em que o lucro é visto como algo negativo, no protestantismo há um estímulo para que os fiéis produzam e acumulem dinheiro. Assim, se ao final da vida uma pessoa conseguiu juntar muito capital, esse acabaria sendo o sinal enviado por Deus de salvação da alma.
Interessante se faz lembrar o quanto essas ideias econômicas e de racionalismo influenciam as relações humanas atuais. Rubem Alves no livro “Estórias de quem gosta de ensinar” nos traz um questionamento acerca desse tema: “Uma sonata de Scarlatti é útil? E um poema? E um jogo de xadrez? Ou empinar pipas?/ Inúteis./ Ninguém fica mais rico./ Nenhuma dívida é paga./ Por que nos envolvemos nestas atividades, se lhes falta a seriedade do pragmatismo responsável e os resultados práticos de toda atividade técnica? É que, muito embora não produzam nada, elas produzem prazer. / O primeiro pai fazia ao filho a pergunta da utilidade: ‘Qual o nome do meio de produção em que você deseja ser transformado?’ O segundo, impossibilitado de fazer tal pergunta, descobriu um filho que nunca descobriria de outra forma: ‘Vamos brincar juntos, no domingo?’.”
Esse trecho da obra de Rubens Alves é uma grande oportunidade para pensarmos na educação dos jovens e das crianças atualmente. Muitos crescem sem um espírito crítico, e sim são moldados apenas para ser uma medíocre máquina de produção de dinheiro.  Estendendo a influência da economia capitalista e do racionalismo para outras áreas percebemos o quanto as relações sociais estão mais frágeis e o seu processo de construção cada vez mais obscurecido pelo extremo individualismo, competitividade e o esquecimento do outro.

A ética que engorda a porca

       "Aquele que mata um porca prenhe, destrói sua descendência até a milésima geração". Essa é a metáfora utilizada por Benjamin Franklin para a multiplicação do dinheiro.
       Essa ética, esse modo de agir em relação ao capital é o que Weber descreve como "espírito do capitalismo", a racionalização do uso do dinheiro. Segundo essa prática moderna, o capital deve ser utilizado de modo racional para que gere novo capital. Dinheiro pelo dinheiro, pura e simplesmente. Deve-se alimentar bem a porca para que esta gere novos porcos e esses porcos, por sua vez, mais porcos dando início a um negócio que gerará cada vez mais lucro para o dono dos porcos.
       É uma prática que faz sentido, não há dúvidas. No entanto, os objetivos de Weber são de determinar da onde ela surgiu e como se espalhou de forma tão eficiente pelo mundo, uma vez que não é um modo de agir necessariamente prazeroso. De fato, é um costume que mata o uso espontâneo do dinheiro. É retirado do ser humano a opção de não acumular capital, de dispor do mesmo da forma que lhe bem entender, mesmo que isso gere algum prejuízo. O indivíduo ou empresa que não se adequa a esse modo de produção não possui lugar no mercado pois é enxergado como irresponsável e displicente. Não é à toa que, ao se deparar com alguém que vive com o mínimo possível, não o veja com bons olhos independentemente se ele gasta o resto do seu dinheiro com futilidades ou com doações a instituições de caridade. O simples fato dessa pessoa não acumular capital parece fugir à realidade.
       Mas como isso chegou tão longe? Auxiliado pela ética protestante, segundo Weber. O modo de agir pregado pelo protestantismo foi o parceiro que impulsionou a propagação do espírito capitalista pelo mundo. Segundo a ética protestante, o mundo é repleto de vícios e pecados e é preciso "lutar a boa luta da fé" (Timóteo 6,12), manter-se no caminho sem prestar atenção às distrações. Desse modo, Deus lhe concederá suas graças, das quais deve se tomar conta e multiplicar como na parábola dos talentos (Matheus 25,14-29). Desse modo, portanto, o capital é elevado de coisa mundana para o status de graça divina e o trabalho se torna a atividade que manterá o servo do Senhor no caminho certo.
       No entanto, com a evolução das práticas capitalistas, a ética protestante se desprendeu da própria religião que lhe deu origem, passando a ser uma prática cultural do ocidente. Hoje, esse mesmo modo de agir frente ao acúmulo de capital se agregou a diversas religiões e culturas, a princípio, hostis em relação a ele. Se vive hoje em uma realidade cultural global de engorda da porca.

A moral do empreendedorismo capitalista segundo Weber

Ao escrever 'A ética protestante e o espirito do capitalismo' Max Weber define o protestantismo, em pleno século XVI, como fator favorável, se não necessário, ao desenvolvimento e disseminação do capitalismo pelo Ocidente, não só como modulo cultural como enquanto valor cultural e, inserido no cenário religioso, moral. A seu ver, o protestantismo aproxima, e não afasta, a fé do cotidiano do homem, promovendo a influencia religiosa num mundo cada vez mais desvinculado do antigo sistema feudal.

Se, por um lado, o protestantismo anula a presença da Igreja enquanto instituição, reafirma, segundo Weber, sua influência ao inserir-se na economia em seu sentido mais básico, englobando novamente a produção e o sustento ao passo que redefine a moral Ocidental. É pelo protestantismo e sua exaltação dos frutos do trabalho, e não seu usufruto, que nasce a exaltação empreendedora que desencadeia o desbravamento do novo mundo, a intensificação das relações comerciais e, num período posterior, a industrialização.

Assim, para Weber, é a aceitação do anseio pelo acúmulo de capital, como promovida pelo protestantismo ao desvincular a moral Ocidental da visão católica tradicional, que permite ao homem perseguir a 'dominação da natureza' e o rompimento de fronteiras em seu próprio bem enquanto sociedade. Não obstante, embora o capitalismo se desenvolva a partir do 'espirito de acumulação' , ganha, em virtude de sua dinâmica e racionalidade inerentes, autonomia própria, suplantando a estrutura cultural que lhe desencadeou para exaltar essa mesma racionalidade.

Tempos Modernos


“Hoje o tempo voa, amor, escorre pelas mãos.”


Com a nova lógica capitalista, a classe dominante passou a desejar acumular apenas por acumular e, para garantir que seu lucro sempre aumentasse, criou alguns mecanismos de dominação. Um deles foi impor a ideia de que o trabalho dignifica o Homem.
Assim, desde pequenos, somos forçados a acreditar nos bordões capitalistas aliados à logica protestante, como “Deus ajuda quem cedo madruga” e “tempo é dinheiro”. Podemos perceber isso pelo fato de que, se ficamos um dia sem estudar ou trabalhar, observando a natureza, nossa mente cria o chamado “peso na consciência” e nos sentimos mal por aproveitar a – efêmera – vida. Se alguém querido nos chama para sair, não podemos, porque o outro dia é “dia de branco”. Se somos convidados a observar as estrelas e a lua, me desculpe, deixemos para outro dia, tenho que estudar! E assim, sucessivamente, a vida vai se esvaindo, como areia entre os dedos.
Há um relato de Jean de Léry no qual um índio tupinambá questiona o porquê de o Homem branco se esforçar tanto para trabalhar e acumular riquezas. “Esse Homem não morre?” indagou o índio. Devemos nos fazer a mesma indagação. Esforçamo-nos tanto para trabalhar em nome de um futuro – que nunca chega – melhor, que nos esquecemos de que um dia morreremos e então, em nome do interesse de mais-valia, teremos deixado de aproveitar a vida, que é única!
É claro que isso não significa deixar de trabalhar, afinal, temos que sobreviver. Mas será que vale a pena fazer horas extras, trabalhar nos finais de semana e levar trabalho para casa em nome do interesse dominante? Certamente, não queremos propor uma solução simplista para este assunto, que exige um estudo muito mais aprofundado. O que se pretende aqui é deixar um gancho para que pensemos em não nos preocupar tanto em gerar lucro para os outros, mas aproveitar a vida, porque ela passa. E rápido. A cada minuto, nos aproximamos mais da morte. Tempo não é dinheiro, é vida!
Devemos, portanto, a princípio, começar a nos preocupar mais em passar mais tempo ao lado daqueles que amamos e aproveitar o que a vida tem a nos oferecer. Afinal, como diria Lulu Santos, “não há tempo que volte, amor!”.

Irracionalidade do viver



                Podia ser mais uma conversa normal entre amigos no Facebook – se é que se pode dizer o que é normal ou anormal. Porém, há tempos atrás, a conversa despreocupada transformou-se em exposição de opiniões. E, nessa semana, na aula de Sociologia, vi cada palavra daquela conversa ecoar em minha mente. Palavra por palavra...
                A conversa despreocupada sobre atores de filmes de comédia romântica deu lugar, quase que de repente, ao assunto “futuro”. O fato de eu, na época, estar estudando para entrar na faculdade fez com que eu não fizesse apenas argumentações sobre o futuro geral, do país e do mundo. Fez com que, além disso, eu adicionasse expectativas de meu futuro pessoal, principalmente ligadas à carreira profissional.
Sonhos... Sonhos gananciosos. Sonhos fixos. Sonhos metas. Sonhos racionais. Sonhos que externaram a minha preocupação em obter êxito tanto profissional quanto financeiro. Sonhos que levaram o meu amigo perguntar: “O que você espera da vida? Que seu trabalho te defina como pessoa? Por que você não vai ter longas caminhadas descalça na praia com a brisa do mar batendo no seu rosto?”.
                Era madrugada e meus pensamentos que já não estavam fluindo com tanta rapidez se emaranharam. Eu, naquelas palavras, de forma até inconsciente, tinha sido a personificação do que tratamos na última aula de Sociologia. Eu queria trabalho, sucesso e dinheiro. Nem que, para isso, eu tivesse que, se não deixar de usufruir meu tempo de forma mais prazerosa, ao menos limitá-lo. Racionalizá-lo, como já dizia Weber. Racionalizá-lo da mesma forma que os protestantes calvinistas pregavam na época de consolidação do capitalismo e que se tornou, posteriormente, uma ética universal.
                Racionalização do tempo. Racionalização da vida, porém irracionalidade do viver. Muitos de nós ainda hoje vivemos não com o objetivo de aproveitar o que conseguimos, e sim com o de trabalhar para tentar mostrar à sociedade nosso caráter, mesmo sabendo que não somos definidos apenas com esse fator. E mais: não só somos levados a esse comportamento como, por sermos taxados negativamente se agirmos diferente, dificilmente fugimos desse padrão. E assim, muitas vezes, limitamos nosso viver.





Max Weber, ao longo de sua vida, realizou vários estudos sobre economia, história e as diversas religiões. Desenvolveu teorias sobre a sociedade e seu funcionamento e, partindo da ideia de que o homem é influenciado pelo ambiente em que vive, dedicou grande parte de seus estudos à religião e à influência que ela exercia sobre o sistema econômico.
No livro, A ética protestante e o espírito do capitalismo, Weber retrata a íntima ligação entre as doutrinas protestantes, especialmente as calvinistas, e o desenvolver do capitalismo. Diferentemente das doutrinas existentes até então, a teoria de Calvino da predestinação pregava o acúmulo de capital como forma de salvação; isso, para Weber, teria sido o agente essencial para o fortalecimento e o crescimento do capitalismo. 
Para alcançar algum desenvolvimento econômico, seria necessária a união entre o desejo de lucro e a racionalização; as forças "sobrenaturais" das antigas religiões eram substituídas por uma visão mais racional do mundo e das relações econômicas. 
Uma nova ética foi sendo criada, a ética do trabalho. O indivíduo passa a trabalhar pelo trabalho, o lucro não é visto como forma de adquirir bens e conforto, mas sim uma maneira de obter mais e mais capital. É preciso deixar de lado a preguiça e as tentações do mundo, evitando a perda de tempo, para garantir uma vida regrada e atingir a tão esperada salvação. 
O protestantismo pode não ter sido o grande criador do capitalismo, mas com toda certeza criou bases para o seu desenvolvimento e fortalecimento.

A Sociedade Anônima


Em sua obra “O Espírito do Capitalismo”, Max Weber expõe como a ética protestante influenciou na formação e desenvolvimento das bases do capitalismo. O protestantismo, especificamente o calvinismo, enxergava o acumulo de capitais como um sinal da predestinação divina desde que esse viesse como fruto do trabalho.

Além do lado religioso Weber ressalta a racionalidade do capitalismo, principalmente na racionalização do homem, baseada em comportamentos e condutas os quais regem o pensar e o agir humano. Essa racionalização empurra o homem moderno para a acumulação de bens o que por sua vez o leva a necessidade de acumulação de capital, fortalecendo assim a mentalidade capitalista.

A indagação resultante desse estudo está na forma com que enxergamos o capitalismo e o seu desenvolvimento na atualidade. Há uma banalização da humanidade em favor de um maior dinamismo social, o que fortalece o sistema econômico, é comum nos apresentarmos com nossos cargos ao invés de nossos nomes, títulos e status ainda regem a sociedade tornando o mundo cada vez mais impessoal e objetivo.  



    
   




A vocação capitalista


   Percebendo grande desenvolvimento capitalista em países protestantes, Max Weber buscou entender como a ética protestante proporcionou condições para tal feito, pondo essa ética como seu objeto de estudo.
   O estudo da ética protestante mostra-se também de fundamental importância para a compreensão da transição para modernidade, tendo o protestantismo revelado verdadeira ruptura ao passado.
   A ética vigente anteriormente à modernidade é vista como uma ética de valores, extremamente atrelada à tradição, na conjuntura dos mundos grego, com Platão e Aristóteles e cristão, com Santo Agostinho e São Tomás de Aquino; Esta, então, foi paulatinamente substituída pela ética da responsabilidade.
   Toda via é válido esclarecer que uma relação de ação e reação, causa e efeito nunca foi posta por Weber tratando-se do protestantismo e o capitalismo, ou seja, não existe a lógica do protestantismo como condição prévia para o capitalismo; Mas, sim, que a ética em pauta proporcionou condições para que o capitalismo se desenvolvesse como forma econômica predominante no Ocidente.
   Vocação, um termo cheio de conotação religiosa, mas é usado com sentindo diferente do bíblico, é usado como valorização do trabalho habitual, da execução do dever. É neste simples conceito que se encontra todo o dogma protestante, pois é posto como único modo de vida aceitável para Deus o que se cumpre as tarefas imposta por sua atual posição no mundo. Tornando, assim, o trabalho vocacional uma tarefa ordenada por Deus, em que cada um deve se adaptar a ela.

LUÍS FILIPE R. RIBEIRO - NOTURNO

Ser não é ter

“Tempo é dinheiro”, ”dinheiro gera dinheiro”; essas afirmações, citadas por Max Weber no capítulo “O Espírito do Capitalismo”, estão extremamente presentes no dia a dia dos cidadãos contemporâneos. A sociedade atual está plenamente aderida ao modo de vida capitalista. A valorização do trabalhador, não a do trabalho, é uma característica crescente no Brasil.
     Não se valoriza o trabalho em si no Brasil devido a razões históricas. Países que foram colônias e que viveram a realidade da escravidão veem no trabalho algo negativo e, acabam por valorizar o ócio; como é o caso do Brasil, que inclusive tinha seu povo visto como o povo da “vadiagem”.
Vargas, em sua gestão, achou ser importante reverter essa visão do povo brasileiro, e passou a incentivar o Brasil a criar uma imagem de trabalhador em prol da nação, da economia nacional e da individual de cada cidadão.
     Criada essa valorização do trabalhador, os brasileiros passaram a associar o trabalhador ao bom cidadão; associar trabalho a caráter. Essa associação, porém, é equivocada. Não necessariamente aquele que é desempregado não “presta” , ou o trabalhador é uma boa pessoa. Juntamente à valorização do trabalhador, surgiu um repudio ao desempregado; é como se o fato de trabalhar servisse de escape pra situações ruins.
     Um cidadão rouba alimentos no supermercado, e quando é pego pela polícia alega com forte argumento: “Sou trabalhador, sou pai de família; mas estou sem dinheiro” ; pronto, é como se amenizasse a sua culpa pelo ato. De fato, já enraizou-se no Brasil essa valorização do trabalhador.
     Essa imagem porém, ainda é de certo modo preconceituosa. Por exemplo; uma moça vai apresentar o namorado aos pais, logo o pai pergunta: “O que você faz da vida?” esperando por uma resposta dizendo que tem um bom emprego, se a resposta não é a desejada o pai já diz que o rapaz é “vagabundo” e por aí vai. Mas, se é o homem quem vai apresentar a namorada à família, essa pergunta não será a principal; certamente o pai estará mais interessado na aparência da moça ou outros atributos do que o cargo que esta venha a desempenhar.
     Enfim; o caráter vai muito além do que o cargo que a pessoa exerce, não se pode mensurar algo imensurável. O trabalho só irá resultar em dinheiro; o que se deve esperar de alguém não é um valor monetário, mas sim um valor ético.

A crise européia e o pensamento de Weber


Em meados do século XIX, nascia na Alemanha o renomado intelectual e importante pensador Max Weber. Este, em sua obra “A ética protestante e o espirito do capitalismo”, analisou profundamente a ligação entre o pensamento cultural e o ímpeto socioeconômico que de muito influenciou a história ocidental.
De fato, mais de um século após a publicação de seu texto na Alemanha, podem-se observar exemplos dos fenômenos previstos na forma em que os governos europeus administram-se e seus governantes discursam neste período de crise econômica.
Ainda que as raízes dessa crise possam ser traçadas desde a década de 90, por motivos diversos desde a especulação imobiliária no mercado americano até a crise do crédito no sistema bancário; há que se analisar o contexto do ponto de vista religioso-cultural, tal qual Weber fez em sua obra.
Ora, o euro é uma das mais importantes moedas em circulação e foi estruturado sobre o Marco Alemão, que era uma das divisas mais fortes em poder de compra até sua extinção. Beira o óbvio, geográfico e histórico, as similaridades das nações que o adotaram: Tradicionais economias, com forte indústria, grandes habilidades comerciais e culturalmente influenciadas pelo protestantismo (seja de Calvino ou Lutero). Esses países são os que, hoje, lutam para manter a União Europeia e sua representatividade no mercado mundial.
No outro extremo da crise da Europa, encontram-se os países de matriz voltada para o catolicismo (romano e ortodoxo), agrupados no acrônimo PIIGS: Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha. Países estes, que senão integrando o mercado comum europeu, usando uma moeda forte e com acesso a ótimas oportunidades de crédito, estariam afundados na lama.
Ainda que exista diversos motivos que façam esses grupos destoarem de forma tão extrema, é possível delimitar a influência do fator cultural sobre a forma que organizam suas economias, inclusive em tempos de crise.
A população dos países da chamada “EUROPA RICA” (aqueles de maior proximidade com o Mar do Norte, incluindo a França) se caracteriza por um alto grau de frugalidade, planejamento econômico familiar voltado para a poupança e capacidade de cortar despesas em tempos de vacas magras. Tal pragmatismo reflete-se em sua administração publica esta extremamente austera, cautelosa em seus investimentos e compromissos financeiros, com um sistema previdenciário bem administrado e sem grandes déficits nas contas estatais. Não faltam, assim, paralelos com a doutrina cristã protestante que teve seu berço nesta região.
Por outro lado, os países mediterrâneos juntamente da Irlanda, não fossem as seguranças possibilitadas pela participação no mercado comum europeu, pelo uso de uma moeda forte e acesso a crédito facilitado, seriam países com economias ainda mais enfraquecidas. Desde sua inclusão na União Européia, estes países - com indústria pouco significativa e muito menos eficiente – esbanjaram gastos, executaram obras dispendiosas, elevaram seus gastos com importações, inflaram o serviço publico, reduziram a jornada de trabalho e o tempo de contribuição com a previdência. É importante acrescentar que nestes países o catolicismo é extremamente forte e sua doutrina em muito reflete na mentalidade destes povos.
De todas as formas de se observar uma crise econômica, o viés cultural ainda se mostra de suma importância para a construção de uma analise mais holística, menos ortodoxa. E, neste sentido, Max Webber possibilitou uma forma de se pensar a realidade que não se atêm ao fator econômico, mas também a outros aspectos da experiência social.

"Coma ou durma bem"


Para iniciar sua obra, “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, Max Weber introduz uma relação entre os detentores dos meios de produção e a religião em que são adeptos, o protestantismo.  Apoiando-se em dados históricos, Weber observa tal fato e busca uma resposta a tal assimilação, encontrando amparo de esclarecimento no que ele chama de burocracia religiosa. A religião protestante tem, como tendência, um caráter intrínseco a racionalidade econômica, algo notoriamente ausente no catolicismo. A propagação de uma intensa religiosidade aliada ao espírito mercantil da época uniu o útil ao agradável aos protestantes, que viam na prosperidade econômica e no acúmulo de capitais um sinal de salvação, caracterizando a si mesmos como “os escolhidos de Deus”. Aos pobres, eram-lhe atribuídos o destino do inferno. Tal declaração feria e se distinguia paradoxalmente da doutrina católica, que pregava a simplicidade na vida terrena para a obtenção da salvação eterna.
Para exemplificar a racionalização empregada no sistema capitalista, mesmo que ainda rudimentar da época, Weber menciona algumas peculiaridades. Dentre elas, o método aplicado pelos empreendedores que, buscando aproximarem-se dos consumidores, investem na política de “preços baixos” estimulando, assim, o hábito do consumo e a constante ânsia por aquisições materiais, além da luta contra a concorrência. Desse modo, a riqueza adquirida é reinvestida em negócios, favoráveis somente ao detentor do meio de produção, visando a obtenção de mais lucro mediante empréstimos e juros.

O Passo dado por Weber.


Com o fim da Guerra Fria e a rápida globalização, o sistema capitalista adquiriu tamanha complexidade, que hoje, é muito difícil expor qualquer tese a respeito dele. Isso porque, talvez, muitos autores que dedicam linhas a esse assunto estão presos em contextos e conceitos muito antigos. Ou, ainda, em decorrência da falta de sensibilidade que alguns autores apresentam, omissão essa que os impede de perceber como alguns valores que parecem ser parte do sustentáculo do capitalismo podem, facilmente, se permutarem ao longo das páginas da “internet”.
Em contra partida, existem certas obras que conseguiram conceituar, uma ou mais partes, do que entendemos hoje como capitalismo. Dentre essas obras podemos citar a obra mais conhecida do sociólogo alemão Max Weber, a qual recebe a cunha de “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”. Esse livro é de extrema importância para aqueles que buscam entender o sistema mutante em que vivemos.
Weber ao longo de suas premissas vai mostrando ao leitor, como a ética das religiões protestantes foi sendo moldada para fazer parte da ethos do capitalismo. Ethos essa que encontra respaldo dentro das ideias: de Franklin, do rico tio patinhas ou do pobre Julius (pai do Chris na série “Todo mundo odeia o Chris”). Além do mais, Julius e tio Patinhas, são a prova de que essa ética que começou sendo religiosa se espalhou pelos quatro cantos do mundo e das classes, sendo ainda hoje a ética que orienta aqueles indivíduos que buscam aumentar suas riquezas dentro de nossa sociedade.
Todavia é bastante indevido acreditar que essa ethos seja a única dentro de nosso sistema. Uma vez que, se essa fosse à única ethos, como explicaríamos a ideologia consumista que está presente nas músicas “pop” que tanto vendem, como por exemplo, “Party Rock Anthem”? 
O fato é que devemos nos utilizar dos ensinamentos de Weber para entendermos uma das facetas do capitalismo, mas que essa faceta não é a única. Aliás, o que torna o capitalismo tão atraente é a sua capacidade de produzir novas ethos a partir de ideias que antes eram contra ele. Pois, o que são as conquistas dos trabalhadores senão a digestão das ideias comunistas pelo capital? E o que é esse gênero “pop” senão a mutação da ideologia de liberdade da época do “On the Road”?
Em suma, se queremos entender o sistema capitalista não basta entender uma parte dele e generalizá-la. É importante, buscar entender todas as partes que vão nascendo enquanto ele se expande. Nesse sentido Weber deu um passo decisivo para a compreensão desse grande mutante, mas um passo ainda distante de ser o último.


Weber, em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, analisa a disseminação do capitalismo, sobretudo no Ocidente, através de uma óptica diferenciada. Ao contrário de outros estudiosos, tal análise é feita observando como a ética protestante auxiliou no processo desta disseminação.
O Protestantismo ascético é, para Weber, uma revolução moderna, responsável por modificar a consciência individual e, posteriormente, a coletiva a partir do momento em que ele é uma moral prática no mundo.
A ética religiosa protestante, ao proferir que a riqueza não é algo condenável e que, o trabalho e a riqueza são predestinações divinas, casa-se perfeitamente com o ideal do capitalismo, pois o ato de acumular alia-se agora à idéia de virtude e não mais à idéia de pecado. Tal fato pode ser confirmado na seguinte passagem: “Ganhar dinheiro dentro da ordem econômica moderna é, enquanto for feito legalmente, o resultado e expressão de virtude e eficiência em uma vocação”.
A racionalização do homem é fundamental para o avanço do espírito capitalista por fazer emergir a ideia do trabalhar por trabalhar, da riqueza geradora de riqueza, aumentando assim o acúmulo de capital. Dessa forma, o que era uma ética religiosa passa a ser uma necessidade real, pois “quem não adaptar sua maneira de vida às condições de sucesso capitalista é sobrepujado, ou pelo menos não pode ascender”.
É possível notar esta ética religiosa presente em todos os lugares, independentemente da crença, pois o Protestantismo deixou de ser apenas uma religião e passou a ser também um padrão de vida, vivenciado por todos aqueles que estão inseridos no âmbito capitalista. 

Caixões com gavetas.

                 
Max Weber, em sua obra “O espírito do Capitalismo”, comenta sobre o raciocínio lógico capitalista, a chamada racionalização da vida humana, presente desde o âmbito jurídico até ao científico. O espírito do capitalismo faz o ser humano ser mais racional em suas atitudes e decisões. O capitalista não desperdiça dinheiro com futilidades e busca sempre o acumulo de riquezas e lucros.
               Diferentemente de religiões  que pregam que "caixão não tem gaveta", ou seja, não se deve acumular riquezas, religiões protestantes, especialmente o Calvinismo, têm em seus princípios o espírito do capitalismo e consequente racionalização. O ócio é condenado e o trabalho e consequente acumulação de riquezas, tido como virtude e forma de salvação da alma. 
                Um dos maiores exemplos de capitalista é a personagem Tio Patinhas, dos quadrinhos da Disney. A personagem tem fortunas guardadas em casa, mas é incapaz de dar uma moeda para seus sobrinhos comprarem uma bala.
                 É como um cantor norte-americano disse: “Fique rico ou morra tentando.”

Racionalização engatilha o capitalismo

Em seu texto "A ética protestante e o espirito do capitalismo" Max Weber trabalha com a ideia de singularidade do ocidente pelo seu engendramento de estruturas próprias, mas que muitas vezes apresentam uma linha de desenvolvimento de significado e valores universais peculiares do ocidente. Essa universalização de valores ocorre principalmente no ambito da racionalização pela globalizaçao de elementos fundamentais e de uma etica abrangente que acaba por sobressaltar-se sobre a religiao. Weber trabalha intensamente a ideia de racionalizaçao diretamente ligada ao capitalismo, já que acredita que o capitalismo só existe pelo racionalismo de poder-se acumular.Assim, trabalha a ideia que a ansia pura por lucro não é capitalismo pois existiu em outras culturas, mas o acumular ao inves de adquirir para usufruir dos beneficios terrenos que o dinheiro pode trazer.
Max Weber acredita tambem que a racionalizaçao traz ao capitalismo uma dinamizaçao que tem como caracteristica crescer com elementos proprios, e que se vincula ao capitalismo da mesma forma que a perspectiva de troca. Sendo que essa dinamizaçao foi resultado de uma necessidade da agilidade criativa, onde o que fosse pensavel, passasse a ser possivel levando a uma racionalizaçao tambem das pessoas, por meio do vigor produtivo moderno e ciencia.
Weber tambem propoe em seu texto que os fatores que diferenciam o capitalismo de qualquer outro modo de produçao existente na historia é sua vinculaçao com a ideia de racionalizaçao, que segundo este se dá pela racionalizaçao de 4 elementos: contabil - superaçao da economia domestica como pilar basico do capitalismo; cientifica - dependencia capitalista das ciencias exatas e das ciencias da natureza; juridica - estutura do direito e da administraçao como molas mestras da racionalidade capitalista; e do homem - embora dependente da ciencia, da tecnica e do direito racional, o racionalismo economico depende tambem da disposiçao do homem em adotar certos tipos de conduta racional. O autor tambem acredita que a reforma protestante como a descoberta do novo mundo, que impulsionaram a expansao e desenvolvimento capitalista é tambem caracterizado pelo racionalismo, devido a etica protestante calvinista, objetivo deixa de ser a salvaçao na transcedencia, mas sim o prazer terreno. ou seja, maior valor na vida terrena. Ademais, homem passa a desprezar o ocio antes tao valorizado, e passam a se preocupar em trabalhar para acumular. Dessa forma, passa-se a se preocupar nao com o que será mas com o que é, modo de pensar que preocupa o autor.
Logo, o autor Max Weber trabalha em sua obra a relaçao do racionalismo com a existencia, dinamicidade e efetividade do capitalismo no ocidente e no mundo de uma maneira mais completa.