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domingo, 18 de março de 2012

Descartes e o Racionalismo


            Nos períodos anteriores ao Renascimento, a Filosofia baseava-se na interpretação dos fatos por meio da relação entre os sentidos e a natureza, como por exemplo, explicar os fenômenos naturais como sendo advindos de entidades superiores (deuses). Descartes vem junto ao período renascentista questionar essa forma de pensamento e buscar uma melhor maneira para compreender o mundo.

            Primeiramente ele estabelece o princípio da dúvida, ou seja, questionar tudo até que se chegue ao verdadeiro significado daquilo que se está pondo em questão. Deveríamos duvidar até mesmo de nossos sentidos, uma vez que estes podem nos enganar e fazer com que interpretemos de forma equivocada o fenômeno estudado. Para Descartes, em virtude de sermos capazes de duvidar de tudo, a única certeza certamente incontestável é a nossa capacidade de duvidar. Essa capacidade é fruto da razão; portanto, a única certeza que temos, e que nos define enquanto indivíduos é nossa capacidade de pensar. O pensamento existe, e como não pode ser separado do indivíduo, o indivíduo também existe. Ele vai mais fundo ainda, afirmando que da mesma maneira que o homem pode conceber a si mesmo, ele também pode conceber deus, e esta seria uma prova de sua existência: se concebemos um ser perfeito, ele necessariamente existe, uma vez que não existir seria uma imperfeição.

            Descartes também desenvolve o “método racional” que consiste na decomposição dos problemas maiores em menores e na resolução de cada uma das partes por vez, retomando a tradição do racionalismo, cujas origens remontam a Platão e que se funda na ideia de o saber se originar na razão, que antecede e explica todo o real.

Racionalismo e a natureza humana



É inegável que o pensamento Cartesiano em sua maior parte é atual, a racionalização pregada por este no século XVI se faz completamente contemporânea, é notável a comodidade que os frutos advindos da ciência trouxeram ao homem pós-moderno. E apesar de muitos frutos positivos a sacralização da ciência, da razão e daquilo que é calculável não é de todo positiva.

A razão sobre todas as coisas tem subjugado a condição humana, não se pode simplificar um homem apenas por aquilo que ele racionaliza, há infinitas questões dentro do homem que a racionalidade por si só não é capaz de suprir, um homem que apenas sabe ou se importa em computar nada é além de uma máquina, uma máquina deficiente.

É óbvia a existência do desprezo pelo conhecimento não prático na sociedade contemporânea, e um fruto advindo desse desprezo por aquilo que lida com questões subjetivas como a existencialista, é uma geração que não se identifica mais com aquilo que é, com a condição humana.

Desprezar as convicções particulares, o conhecimento adquirido pelo hábito e o aspecto emocional é ignorar as experiências que moldam o humano, é igualar o homem a máquina. Ao lidar com seres humanos é impossível delimitar a razão como único meio de se avançar, o humano é com certeza mais complexo que apenas o seu lado racional.

Rigor e Foco

Se a ciência avançou mais nos últimos séculos do que em toda a história da humanidade, ela deve agradecer a Descartes. O método sobre o qual ele discorre em seu Discurso traz uma rigidez ausente até então e a instituição da dúvida como maior agente científico é revolucionária em uma época em que o mundo se encontrava imerso em certezas.
Mesmo que explicitamente apegado a valores religiosos, a racionalidade e o pragmatismo cartesiano tecem duras críticas às linhas de pensamento anteriores. A filosofia grega é, segundo o autor, fútil, por exemplo. Segundo ele, filosofia por filosofia é mera perda de tempo, pois não possui aplicação prática. O pensamento, a pesquisa, devem ter objetivos, aplicações que auxiliem o homem no cotidiano. É o conceito de tecnologia.
A afinidade do autor com o conhecimento matemático é, não apenas visível, como também, verbalizada. Seu método é como uma equação: fatores como a dúvida, a pesquisa e a análise rigorosas e um objetivo somados resultam em bom conhecimento. Rigor e foco. Segundo Descartes, um problema grande é resolvido com mais eficiência se dividido em vários problemas menores, como na álgebra.
O método é inovador. Traz rigidez matemática à filosofia e direciona o pensamento para a solução dos problemas do homem. Determina a dúvida como geradora, renovadora e aperfeiçoadora da ciência. Mas traz a, virtualmente infinita, especialização do conhecimento que, por mais que produza resultados mais profundos, às vezes impede que o homem enxergue de forma mais ampla seus problemas.

Os aspectos e a transcendência cartesiana

No século XIV, a Idade Média começava a atestar sinais de decadência à medida que cresciam os ideais renascentistas. Dentre eles, destacaram-se a racionalidade, o antropocentrismo, e o empirismo, que vieram se contrapondo às características medievais, como o teocentrismo.

Dentro desse contexto, René Descartes escreveu uma de suas principais obras, o Discurso do Método, na qual o autor transmite vistosamente esse período de mudança de ideais. Tentando encontrar uma explicação racional para a existência de Deus como um ser superior e perfeito, Descartes mostra-se ainda dividido entre razão e religião, buscando conciliar os dois, característica retomada talvez de valores da escolástica, que regiam a filosofia na Idade Média e que contraria o então crescente antropocentrismo.
Outro aspecto marcante na obra de Descartes que retoma a definições renascentistas é o seu apego ao empirismo e às ciências exatas. Estas o atraíam por serem inteiramente racionais (o autor alegava que a razão era o único caminho válido para a verdade) diferente das ciências sociais ou humanas, como Filosofia e Letras, citadas no livro, as quais, para Descartes, eram especulações e com menos utilidade prática quando comparadas, por exemplo, com a Matemática.
Descartes, na apresentação de seu método, foi um inovador de sua época, introduzindo o racionalismo rígido como único modo de se construir a ciência, ao contrário do subjetivismo que dominavam as ciências medievais. Tal método, devido ao empirismo, é tão importante que até hoje rege as ciências exatas, desde o tão utilizado plano cartesiano até sua ideia matriz – a de que o racionalismo é o ponto mais fundamental da ciência.

Luz da razão contra as trevas


A obra Discurso do Método de René Descartes soergue-se como um dos pilares básicos da certeza racionalista, em detrimento do amplo obscurantismo difundido pela Santa Inquisição, no qual dizimou e intimidou inúmeros visionários durante o período medieval. A partir de Descartes, o conhecimento supera sua fase contemplativa do mundo, não se limitando mais a ser infrutífero, mas detêm a razão como seu princípio norteador para a verdade. Apesar das premissas cartesianas advirem de 1637, suas inquietações ainda são pertinentes em pleno século XXI, expondo uma explícita ânsia da humanidade para superar suas limitações e não se estagnar frente ao seu progresso.
O método cartesiano proporcionou um grande avanço às diversas áreas do ensino, tanto que foi incorporado pela ciência moderna, que seria a produção de conhecimentos que não se restringissem mais a um poder sobrenatural ou a superstições, mas direcionados pela razão e experiência. Consiste em quatro etapas: nunca aceitar algo como verdadeiro se não aparentar claro e distinto; dividir a problemática ou dúvida o máximo possível; haver uma gradativa análise, iniciando por preceitos mais básicos até atingir os mais complexos; e por último, a certeza de não omissão de nenhum aspecto do que está sendo duvidado. Descartes enfatiza em sucessivas partes de sua obra que a razão implica em vencer as convicções pessoais, logo conhecimentos adquiridos pelo habito deveriam ser desprezados, alcançando-se verdades científicas.
A síntese da obra pode ser resumida na famosa e amplamente conhecida frase: ”Penso, logo existo”. Descartes ao duvidar sobre a veracidade de todo conhecimento que havia adquirido ao logo de sua existência, concluiu que somente poderia ter certeza que duvidava, sob tal premissa desencadeou um raciocínio lógico: se duvidava, então também pensava, e se pensava, intrinsecamente existia. As contribuições cartesianas no âmbito científico foram e continuam sendo imprescindíveis para os diversos avanços do ser humano, pois a partir desse espírito investigativo do autor, a dúvida instaurou-se na humanidade como uma luz que derrota quaisquer trevas que surjam no seu percurso.

Método Inovador

Com o intuito de apresentar o método pelo qual conseguiu conduzir a razão na busca pela verdade, René Descartes rompeu com a tradição escolástica e apresentou ao mundo uma nova maneira de pensar que ainda se faz atual.
Publicado há mais de três séculos, época em que a ciência era um campo obscuro e as explicações tendiam ao misticismo, o "Discurso do Método" representou uma inovação no campo da filosofia ao adotar uma corrente racionalista, sendo quase tão lógico quanto uma fórmula matemática. Diferente do homem medieval, Descartes voltou o seu pensamento para o próprio ser humano, chegando a conclusão de que para existir é preciso pensar. 
Durante o desenvolvimento do método, o autor se utilizou do príncipio da dúvida, no qual a importância da razão, presente em toda a obra epistemológica, é confirmada como bom senso e necessária para não se ser enganado pelos sentidos.
O que faz do "Discurso do Método" uma obra tão relevante é a sua atemporalidade, visto que o uso da razão para a obtenção do conhecimento é um legado cartesiano presente na vida contemporânea.

Hegemonia da razão? ainda não!

Até o século XVII , o conhecimento era monopólio sobretudo da religião, da feitiçaria, dos mitos, ou de qualquer outra prática não científica. Essa situação foi lentamente se alterando conforme o mundo adotou o racionalismo expresso principalmente no famoso livro cartesiano ''O Discurso do Método'' , o qual foi publicado em 1637. René Descartes inovou ao mostrar que a verdade pode ser alcançada por um método nada místico, a razão. Para alcançá-la ele se utiliza do princípio da dúvida universal , e, assim, duvidando de todos os conhecimentos obtidos e até da sua própria existência, ele elaborou sua famosa máxima: ''penso, logo existo''. Além disso, o Discurso sugeri um modelo aproximadamente matemático para conduzir o pensamento, já que a matemática tem como marca a certeza, a ausência de dúvidas. Com o tempo e com o emprego do racionalismo em várias partes do mundo, a razão emergiu como componente ímpar para a busca da verdade e do conhecimento, em detrimento do misticismo e da religião, embora esses ainda muito influentes. Prova disso é o desenvolvimento cada vez maior da ciência ao longo dos séculos, com invenções que revolucionaram a maneira como vivemos, como por exemplo o veículo automotor e a eletricidade. Mesmo com a atual supremacia da ciência, ainda presenciamos alguns episódios de disputa entre ela e setores religiosos. Exemplo disso é a recente polêmica envolvendo a aplicação médica das células tronco embrionárias. Tais células são como curingas, ou melhor, células neutras que ainda não têm características que as diferenciem como uma célula cerebral ou do músculo, por exemplo. Isso, com certeza, auxiliaria no tratamento de doenças letais e também na cura de milhares de casos sem solução médica. Contudo, no Brasil, a pesquisa científica nessa área  é vetada pela Justiça, sobretudo porque bate de frente na oposição de setores religiosos e organizações anti-aborto que consideram que a vida inicia-se no momento da formação do embrião. Esse caso mostra como a razão ainda sofre uma oposição significativa das práticas não científicas, ou seja, da religião, mesmo depois de passado quase 400 anos da publicação e da influência método cartesiano no mundo.
A evolução ate o ceticismo

Nietzsche diz ‘’Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas’’. A nossa sociedade ocidental se firmou através do aperfeiçoamento, e do desenvolvimento das antigas teorias, que ao longo de anos foram desmentidas, ou complementadas, e deram origem ao método cientifico atual, que ainda é passivo de mudança.
O período pré-socrático é repleto de teorias que uniam a razão com o místico, tendo por base a teoria dos 4 elementos onde acreditava-se que tudo derivava da água, do fogo, do ar e da terra. Essa teoria ao longo dos anos foi questionada e deu origem a um novo postulado formulado através da observação da areia, criando-se então a primeira teoria atômica, onde toda matéria seria formada por minúsculos pedaços de matéria, que unidos aos milhares daria a forma que ela tem.
Da mesma forma Descartes rompe com os preceitos de seu tempo, e demonstra por seus próprios métodos que o caminho da ciência ainda que longo deve ser sempre reto, e não deve se desviar do seu próprio fim, desapegando-se assim de qualquer preceito místico, ou de qualquer teoria duvidosa. Firma sua teoria em cima de uma verdade imutável, ao qual chamou de base, e a partir dela consegue desenvolver o método cartesiano, que consiste em 4 etapas.
Sua primeira base era desenvolver seus experimentos obedecendo as leis e costumes de seu país e a toda forma de sua criação, sem tentar intervir nos resultados por proposições próprias. A segunda máxima consistia em se manter firme aos experimentos e as técnicas que ele aceitou utilizar. A terceira era a consciência de que quem deveria ser mudado era sua própria consciência e não as ordens gerais do mundo. Por fim seu quarto principio consistia em se consolidar apenas na razão não sendo influenciado por terceiros. Suas teorias se resumem assim no ceticismo que Descartes assumiu, não manifestando opinião a nada, e se atendo apenas ao seu método e aos resultados que obteria.
Dessa forma a ciência continua a se desenvolver, sempre através do aperfeiçoamento de teorias que são constantemente revistas e muitas vezes contestadas, buscando assim a verdade absoluta, sem a intervenção do místico ou de mentiras, tendo como guia o cartesianismo criado por Descartes.


O desencantamento do Mundo.


          Descartes e seus pensamentos foram sem dúvida de suma importância para o avanço dos conhecimentos antes mistificados e imprecisos. Seu método revolucionou o mundo científico e esse pensador contribuiu para que a humanidade avançasse muito em tão pouco tempo. Porém, a sociedade hoje passa por um processo de desencantamento. A utilização excessiva da razão já foi questionada e a pós modernidade viu em sua formação uma série de golpes contra a razão e a ciência que, por décadas de prosperidade, foram mais importantes que a religião.
          Mas além do desencantamento com a ciência, Darwin com o evolucionismo, por exemplo, e Nietzsche, já golpearam o encantamento em relação a existência de Deus ( que para Descartes era lógica). Nietzsche em livros como “Deus está morto”, se coloca contra religião, contra o cristianismo e ainda afirma que o homem perdeu sua honra e dignidade quando aprendeu a perdoar e seguir os preceitos cristãos. 
          Em contrapartida, Einstein traz uma compreensão física com desdobramentos para as ciências humanas. Sua teoria da relatividade mostra-se uma arma contra o totalitarismo. Ele também traz uma conjugação de ciência e religião, o que provoca uma dúvida: duas visões tão antagônicas poderiam estar juntas? Não seria algo irracional?
          A resposta pode se aproximar de algo como: é impossível enquadrar o mundo e o homem somente na razão. A teoria da complexidade de Edgar Morin que defende que o homem é complexo e que para entendê-lo precisamos recorrer a todas as suas formas de experiência (medicina, religião...) parece dar um pouco de sentido a algo tão abstrato.   
          Fácil seria se tudo coubesse no plano cartesiano com coordenadas que indicassem o que é correto. O mundo não é racional, algumas pessoas podem tentar fazer com que ele o seja, mas elas também estão fadadas a lidar com todos os imprevistos da existência. Há aqueles que encaram a angústia de viver na incerteza, de maneira positiva, outros sedem ao fanatismo e intolerância. Um exemplo foi o atentado ao Wolrd Trade Center em 2001.
          Em meio a tudo isso, alguns acreditam que mesmo com toda a intolerância, o mundo está melhor e menos violento. É o caso do psicólogo Steven Pinker, que traz dados e números que confirmem essa visão. Enquanto céticos acreditam que a sensação de paz que achamos que vivemos hoje, se dá ao medo e a paranóia do que pode vir a acontecer. E tudo isso se junta na incerteza do mundo pós moderno que traz inúmeras controvérsias e infinitas discussões.  

Guilherme Jorge da Silva Gravatin
Direito - 1˚ ano
Diurno

Cartesiano, desde criança!


"O pai de Matilda tinha cabelos pretos que usava repartidos no meio e dos quais tinha muito orgulho.
- Cabelos bons e fortes significam que há um cérebro bom e forte por baixo - ele dizia.
- Como Shakespeare - Matilda comentou certa vez.
- Como quem?
- Shakespeare, papai.
- Ele era inteligente?
- Muito, pai.
- E ele tinha muito cabelo, não é?
- Ele era careca, pai."

                Matilda é a criança prodígio que protagoniza o romance infanto juvenil homônimo escrito pelo britânico Roald Dahl. Trata-se da filha mais nova de um casal repleto de vícios em questões morais, como vigarices financeiras, jogos de azar, dentre outras atitudes certamente reprováveis. Matilda é autodidata e absurdamente cedo aprende a ler; consome avidamente os livros da biblioteca de seu bairro. Como sua habilidade de leitura, também sua capacidade de discernimento do mundo à sua volta é precoce. Logo começa a repudiar o comportamento padrão que a cerca, tornando-se um indivíduo crítico em relação a sua família e escola - seu meio social. Sentindo-se no dever de militar contra os preconceitos, as ideologias vis e as opressões - físicas e psicológicas - Matilda dá início à trama que envolve, em suma, um indivíduo que, por se utilizar de um método racional, rompe com os grilhões do seu meio a fim de revolucionar a consciência dos que a cercam.
                Guardadas as devidas proporções, pode-se certamente afirmar que há um pouco de Descartes na trama de Matilda. Embora para esta a questão moral tenha uma relevância superior do que àquele, ambos parecem ser movidos por um mesmo combustível. Descartes viu-se num universo impregnado por mitos, dogmas e pseudociências. Não sentiu, nos bancos escolares, a solidez que um conteúdo científico transmite. Da mesma forma, Matilda também estava inserida em um contexto de repressão, ideologias infundadas e nos bancos escolares conhecia metodologias absurdas. A superioridade das instituições que cercavam tanto Matilda quanto Descartes era justificada por argumentos infundados, que tinham por objetivo apenas a manutenção do status vigente.
                Matilda rebelou-se. Enquanto seus pais ofereciam-lhe horas de contemplação à televisão como forma de satisfação cultural, a menina foi à biblioteca e desenvolveu, à luz de sua própria razão, seu senso crítico e seu conhecimento do mundo. Era o conhecimento revelado pela emissora que era substituído pela construção autodidata da criança. Descartes, por sua vez, teve audácia semelhante ao rejeitar as pseudociências de seu tempo, e trocou o culto às verdades insofismáveis pelo método científico racional. Matilda ousou questionar a autoridade da sua instituição de ensino, da mesma forma que Descartes rejeitou a ciência que os filósofos ancestrais lhe transmitiam através de seus instrutores.
                Descartes e Matilda são, pois, movidos pelo mesmo sentimento. Esse espírito da busca pela verdade científica e pelo conhecimento racional é, portanto, universal. É por esse motivo que a obra de Descartes faz-se válida por todos os séculos que atravessou: porque romper com dogmas e desvelá-los pela razão é uma atividade constante em todos os tempos. Dahl acaba buscando, com sua obra, despertar esse espírito crítico, latente no ser humano, logo que as crianças possam interessar-se pela leitura.
                A Astrologia, a Religião, dentre outras ciências creditadas na era de Descartes não morreram por completo. Exilaram-se em algum lugar a fim de distanciar-se das mentes que ganharam força suficiente para enfrentá-las. Da mesma forma, no romance de Dahl, Matilda, com a ajuda da habilidade telecinética, conseguiu manter distantes as pessoas que tentaram lhe impor uma ordem irracional, de forma a revolucionar para sempre a vida das pessoas que lhe rodeavam.


Aqui e agora

”But on the planet Earth,/ spinning around its axis,/ revolving around the Sun, revolving around/ the center of the Milky Way galaxy/ in a supercluster of galaxies/ will it ever be you and me/ here and now?” 
The Ernies

     O homem desde os tempos mais antigos trilha em busca de respostas: Quem sou eu? Onde estou? Qual é meu papel aqui? Perguntas que questionam sua própria existência e do mundo à sua volta. Porém muitas respostas parecendo inalcançáveis o levou a busca-las fora de si e tentar explicar através da metafísica, da mágica, dos mitos. Estes e outros métodos por partirem da imaginação e do sobrenatural não poderiam ser comprovadas e muitas vezes levariam ao erro. E por estarem também distantes de nós, tornaria-nos passivos diante do mundo, como marionetes submetidas às vontades divinas.
     Muitos pensadores, principalmente durante o período que ficou conhecido como Iluminismo, buscaram maneiras de se encontrar a verdade, tirando os holofotes desse mundo místico e jogando a responsabilidade de alcançar, entender, organizar e utilizar o conhecimento ao homem. Descartes, um desses pensadores, acreditando que o conhecimento deveria ser construído sobre bases seguras e sólidas, criticava o que advinha do sobrenatural ou dos hábitos, além de criticar a filosofia e todas as ciências que tomavam ela como base. À partir disso formulou um método de estudo científico baseado na razão, que é a peça chave para definir algo como verdadeiro, e na dúvida, onde qualquer coisa que fosse passível dela seria falsa, e a partir disso poderia formar o conhecimento.
     Além disso, quado diz "considerei que não podia mantê-las escondidas sem transgredir a lei que nos obriga a procurar, no que depende de nós, o bem geral de todos os homens" afirma que a busca do conhecimento deve ter como fim o bem-estar e a comunidade entre os homens, o que não se tem como verdade atualmente.
     As razões da pesquisa técnico-científica hoje são, em sua maioria, o lucro e a guerra. São exemplos comuns de desenvolvimento a robótica e da tecnologia nuclear, esta responsável pela criação armas de destruição em massa e aquele pelo desemprego de milhares de pessoas. Não que estes meios devam ser vistos como ruins, pois o que os torna assim é a maneira como são utilizados pelo homem, nesse caso buscando o poder de uns sobre os outros.
     Até hoje nenhuma das questões elementares pôde ser respondida propriamente, e pelo visto o objetivo real da ciência se perdeu em algum momento na história. Nós podemos aos poucos estar deixando de sermos passivos à um mundo metafísico, mas estamos nos tornando marionetes comandados pela vontade de outros homens. Seria o homem ocupando o lugar de deus?     


The Ernies - Here & Now

René Descartes - Dúvidas

    "O discurso do método", obra redigida por Descartes, começa demonstrando a subjetividade do pensar, e por conseguinte questionando o conceito de verdade uma vez que não há como definir o que é ou não correto já que, mesmo de forma inconsciente, todo homem tem sua própria verdade.
    Partindo de tal ponto Descartes se propõe a formular um método que visa organizar essa subjetividade de uma forma mais clara e objetiva de modo que se torne possível um entendimento racional da mesma.
    A dúvida surge como principal ferramenta na busca pela verdade devendo-se então questionar tudo o que de algum modo lhe parecer, mesmo que minimamente, duvidoso e assim não se basear em falsos preceitos.
    Os pontos por ele abordados se mantém contemporâneos uma vez que o questionamento se torna mais e mais importante a medida que a sociedade se demonstra cada vez mais complexa e sem certezas. O questionamento do mundo como é e no que ele foi baseado para a então formulação do que um mundo melhor pode vir a ser.

Descartes e a tentativa do irrefutável.

Colocando em dúvida as faculdades pelas quais o conhecimento é gerado(intelecto, experiências sensitivas e imaginação) e partindo do” eu” como laboratório experimental, o antropocêntrico René Descartes abre margem para que possamos questionar tudo aquilo que transcende o plano físico, desconfiando das experiências até então vividas e do onírico.

Diante de tais duvidas metódicas, agimos como “ceticistas profissionais” , elevando-as ao seu mais alto grau, intitulado de duvida hiperbólica, ao alcançarmos tal proposta nos depararemos com ao menos uma certeza que seja, pondo abaixo tais questionamentos e inviabilizando a possibilidade de uma completude cética.

O axioma “penso, logo existo” , é abortado por Descartes como irrefutável argumento de que mesmo que o conteúdo do pensamento seja falso, o fato de estar pensando não o pode ser. Presume-se então que a duvida eterna é intangível, visto que para efetivar uma duvida tem de se ter uma certeza sobre a mesma.

Sendo assim, dever-nos-íamos fundar nossos argumentos com base na razão prática e cartesiana, para a partir disso torná-los suficientemente verossímeis.

A dificuldade de ser cartesiano


Enquanto que antigamente a alquimia, a astrologia, a magia e a religião eram as melhores formas de conhecimento, Descartes inovou com o seu novo método. Para ele o conhecimento deve ser buscado através da razão, de forma a predominar o antropocentrismo, citando que se o homem é capaz de interpretar tudo que o cerca, também seria capaz de controlar a natureza. Além disso, ele prega o uso de uma razão instrumental, ou seja, o desenvolvimento de um conhecimento que possa se tornar algo prático para modificar o mundo. Porém Descartes afirma que para adquirir esse conhecimento é necessário se desvincular do senso comum, do hábito vivido e dos sentimentos, para que se torne o mais neutro possível. Outro aspecto fundamental para o desenvolvimento de novos conhecimentos, é a dúvida. Pois para Descartes a ciência é motivo para a criação de mais ciência, ou seja, a partir do momento que se duvida de algo, essa questão gerará uma reavaliação, e uma reflexão que pode possibilitar o desencadeamento de uma ideia inovadora.
Descartes desenvolve esse método de conhecimento antes do avanço científico e das descobertas feitas por Darwin e Newton, por exemplo. Porém atualmente apesar de haver explicações científicas para os fatos os horóscopos ainda fazem parte da rotina de muitas pessoas e o uso da magia ou simpatias para atrair e afastar de algo ainda é utilizado, ou seja, a superstição mesmo que não predominantemente ainda faz parte do modo de viver de muita gente. Com a opção de acreditar em explicações teológicas ou científicas, por exemplo, no surgimento do mundo, a sociedade se divide na forma de pensamento.
Outro aspecto que vale ressaltar é a grande dificuldade de se tornar neutro para avaliar algo. Talvez essa barreira seja grande, pois um indivíduo é formado de vivências, e quando ele avalia qualquer fato, a sua opinião é gerada pela sua forma de pensar, que é formada de acordo com as experiências vividas e o caráter adquirido. Pode-se exemplificar essa falta de neutralidade quando se julga atos típicos do passado e culturas diferentes com uma visão de mundo atual. Para exemplificar, há o fato de antigamente garotas que eram ainda adolescentes se casarem com homens mais velhos e gerarem uma família, o que era normal na época, assim como o incesto que muitas vezes era um ato comum. Analisando tais acontecimentos com o modo de visão contemporâneo julga-se como crime a relação com a menor de idade e penaliza-se moralmente o ato de incesto. Mas ainda há exemplos atuais, em que em um mundo ocidentalizado, as pessoas questionam e criticam tradições e critérios de beleza, como o utilizado na África, em que as mulheres usam argolas no pescoço pois julgam ser belo, e até mulheres que fazem escarificações pelo corpo, pois só depois de todo o desenho pronto se torna apta ao casamento.
Assim, pode-se dizer que o método de Descartes desenvolve um pensamento justo sobre como chegar ao conhecimento, porém a neutralidade julgada fundamental por ele, é difícil ou até impossível de ser adquirida por completo. Pode-se concluir também que mesmo depois de tantos anos de avanço científicos, as crenças em algo sobrenatural, ou na magia, ou na astrologia, por exemplo, ainda se faz presente na atualidade.

As consequências da metodologia cartesiana na contemporaneidade

  Descartes, filósofo renascentista, foi um ícone na arte de racionalizar. Rompendo com os dogmas eclesiásticos, tão impostos e tão míticos que já não mais satisfaziam a curiosidade humana e também já não lhe causava tanto medo. Assim, Descartes foi essencial para o desenvolvimento científico e a base do modo de vida na contemporaneidade com o culto à razão e também a ideia de que a divisão de temas e a especialização levariam ao desenvolvimento da ciência e tecnologia com rapidez.
  Essas características, com seus males escusos na época, hoje trazem consequências negativas ao desenvolvimento do ser humano como pessoa, não como cientista. Primeiramente que há coisas não racionalizáveis, pois são imprevisíveis e naturais, e o “cientista” dessa área não capta muito bem sua essência já que está apenas preocupado com padrões. Em segundo lugar, a sociedade inteira acabou engessando-se no formal, ignorando que há ideais, respeito, valores que são atropelados por uma inversão que prioriza papéis sociais e hierarquia. Além disso, o homem torna-se cada vez mais alheio à sua realidade, pois se fala de cultura quem trabalha com ela, fala-se de política os políticos, fala-se de ciência os cientistas. Mas e a pluralidade do homem? E todo os aspectos da sua vida que passam a ser tratados por terceiros e que aquele nem intervém? O homem separa-se de sí mesmo, e este é o problema fundamental dessa constante divisão do mundo em setores. A única função do homem tornou-se ser útil pra sociedade, uma das grandes críticas foucaultiana, que somos agora úteis e dóceis porque desse modo somos muito mais convenientes. 

 Mariana Moretti Ribeiro

O racionalismo cartesiano na construção do hoje


René Descartes, em seu livro “O Discurso do Método”, elabora uma maneira de se chegar ao conhecimento através da razão. Segundo ele devemos ser mais desconfiados para alcançarmos a verdade, já que os sentidos nos enganam; proposição extremamente atual, presente tanto em pequenas ações do cotidiano, como o lembrete da sua mãe de “não falar com estranhos”, quanto nas grandes descobertas técnico-científicas, das quais percebemos que através da dúvida o homem evoluiu, e se não fosse pela desconfiança, talvez, até hoje, nós ainda acreditássemos que os fenômenos da natureza são conseqüências do humor dos deuses.
Por causa desse avanço técnico-científico o novo torna-se velho muito rápido, aumentando a cobiça e a competição entre as pessoas. Mas Descartes já ressalta em seu livro que a única coisa completamente nossa é o pensamento, para assim não desejar algo que não pudesse ter, desligando-se assim das coisas materiais, as quais a sociedade atual se apóia através do consumismo.
Duvidando de tudo Descartes chega a conclusão de que pensa, e se pensa, existe; não sendo um ser perfeito, acredita existir alguma natureza realmente perfeita acima de nós, justificando através da razão a existência de Deus, associando ciência e religião, para a surpresa de muitos. Porém, ainda hoje, ao mesmo tempo em que as pessoas estão cada vez mais desconfiadas, a maioria delas recorre à Deus nos momentos difíceis, imagine então a influência da religião no contexto histórico de Descartes. Isso nos mostra que ele estava bem a frente dos homens da sua época, já que soube justificar o que acreditava sem recorrer à tradição, e sim utilizando a razão. 

Transformações morais do saber – Ciência X Concepções




As horas, dias e anos passam com uma velocidade desnorteante, e assim o mundo vai mudando, assumindo novas formas e cores, acolhendo novas gerações e até espécies, trazendo vida, mas também morte, criando e destruindo. As transformações são naturais, involuntárias e inerentes ao nosso próprio organismo, composição biológica, `a vida, sendo impossível lutar contra isso. Nascemos através do encontro de gametas, que dá origem a um zigoto, e este sofre  consecutivas mitoses até  se  tornar um ser completo;  só este fato demonstra o quanto as modificações fazem parte de nossas vidas, desde a raiz  da vida até seu fim, quando corpos em putrefação se desfazem em matéria orgânica .Ate memo as ciência da matemática, da física e outras, que parecem ter um caráter intensamente estático e exato, estão sempre se renovando e refutando conceitos .  O mesmo ocorre com as nossas opiniões, valores e ideias;  mudam conforme o passar do tempo, adquirem novos aspectos  através da aquisição de novas experiências  e  com a prática da vivência, quando deixam de ser apenas teoria , e adiquirem caráter prático.
Ao analisar alguns trechos da obra de Descartes, percebo o quanto essas transformações estão presentes no seu pensar e,  em extensão, no nosso pensar; pois  a criação de sua filosofia consiste em adotar valores básicos primeiramente , para que posteriormente , se possa trabalhar no desenvolvimento  daquele , através da observação do mundo e da própria contrução de sua filosofia.
Mas o que nos cabe  questionar  é  : Como devemos nos portar  na busca do conhecimento, sem criar uma resistência a essas transformações morais , pois mesmo que a idéia de neutralidade e desvinculação sentimental seja adotada como base no estudo científico moderno, sabemos que, em prática, é muito conflitante conciliar suas próprias convicções à idéias racionalizadas, adotadas como referencial na modernidade. Ao mesmo tempo em que, resistimos em deixar nossas ideias preestabelecidas, por medo de perdermos nossa identidade e nosso “EU”, tememos ser hipócritas e acabar por marginalizados , se distanciando da VERDADE, como se ficassemos cegos por nossas convicções, como que na  ideia de  Nietzsche de que  "As convicções são cárceres.", ou no  mito da caverna de Platao , em que , no caso, nossas convicções seriam as sombras vistas pelos habitantes da caverna, so que para estes,  elas seriam a própria imagem das coisas, e assim acabam por ser  privados do mundo real( da sabedoria). 
Descartes afirma que “não via no mundo nada que continuasse sempre no mesmo estado, e porque, no meu caso particular, como prometia a mim mesmo aperfeiçoar cada vez mais os meus juízos, e de maneira alguma torná-los piores, pensaria cometer grande falta contra o bom senso, se, pelo fato de ter aprovado então alguma coisa, me sentisse na obrigação de tomá-la como boa ainda depois, quando deixasse talvez de sê-lo, ou quando eu parasse de considerá-la tal”. Assim, ao entender a dinâmica do pensar,  consigo ver que nao há necessidade de sentir  culpa, como se estivessemos nos  corrompendo , ao deixar para trás um antigo valor , pois encontramos  um que nos satisfizesse mais , ou porque , com novas percepções,  não o temos  mais por correto. Por não estarmos ligados por um contrato ou algema à esses ideais, não temos obrigações para com eles, estamos assim, livres e abertos para novas visões de mundo, e a novos valores, sendo importante ressaltar aqui a necessidade de utilizar-se  da racionalização para julgar essas novas concepções, antes de torná-las parte nossa , para que , de maneira alguma , nos enganem ou ludibriam.

Jéssica Duquini

A Contemporaneidade e o racionalismo de Descartes


René Descartes, filósofo, físico e matemático francês, introduz em sua obra “Discurso do Método”, um princípio que seria a base de todo o seu pensamento: o principio da dúvida. Por meio dele, o filósofo argumenta ser a razão o melhor caminho para se explicar a construção do conhecimento.
Segundo Descartes, a razão é o único caminho para se chegar a uma verdade clara, por meio do questionamento, problematização e análise dos acontecimentos cotidianos mais simples até os mais complexos. Dessa maneira, as explicações dos fatos por meio de superstição, alquimia, magia e até mesmo pela tradição são altamente criticadas pelo autor, sendo reconhecido como válido somente a ciência e a razão como formas de se chegar a uma verdade absoluta.
Atualmente, com o advento de novas tecnologias e de uma ciência cada vez mais avançada, o racionalismo de Descarte se faz mais do que atual. O uso da razão e dos métodos empíricos analisados pelo autor se faz presente nas inúmeras pesquisas científicas realizadas ao redor do mundo. Mas, apesar do avanço da ciência, ainda existem pessoas que acreditam em superstições, misticismo, poder da lua, horóscopo e até mesmo em cartomantes. Sendo assim, apesar de sua obra ter sido escrita em 1637, ela ainda continua atual e merece discussões até os dias de hoje.

A dúvida cartesiana




O pensamento de Descartes sintetiza muito bem as convicções da Ciência Moderna, baseando a busca pelo conhecimento na razão, partindo do princípio da dúvida. Não se pode negar que é o método mais confiável para obter conhecimento, mas não se pode também confiar plenamente que assim se chegará à verdade.
Isso porque, mesmo que a razão seja mais confiável que os sentidos e a imaginação, citados pelo autor como os meios enganosos de se chegar ao conhecimento, é um trabalho confuso e penoso distinguir claramente aquilo que nos vêm pela razão daquilo que o faz pelas paixões, por exemplo. Pois o critério que Descartes apresenta para concluir que uma idéia é verdadeira é a clareza com que se nos apresenta. E quem há de negar que as convicções trazidas pelas paixões que nos cegam parecem tão verdadeiras e inegáveis quanto qualquer obviedade lógica?
Nesse sentido, enquanto o autor aconselha ter o princípio da dúvida como forma de alcançar a verdade, faria sentido adotar a dúvida como constante, sem a pretensão de chegar a esse fim. Pois é insensato incumbir a nós, humanos, seres imperfeitos, de acordo com sua própria definição, a tarefa de determinar o que é a verdade, posto que para cada indivíduo, em diferentes épocas da vida, existe uma verdade “clara e inquestionável” diferente.
Assim, poderíamos retroceder historicamente, voltando à máxima “só sei que nada sei”, de Sócrates, pois apesar de todos os avanços que se observa na Ciência atualmente, percebemos que conceitos são superados e convicções são negadas a todo instante, demonstrando como estamos distantes do que seria uma verdade absoluta.

À Procura da Racionalidade

A ideia de racionalidade é amplamente abordada por Descartes, demandando grande atenção para os fatores que tornam algo real, diferenciando o que faz parte do campo imaginário das coisas que possuem embasamento científico. Daí a critica feita ao método empregado no ensino da época, que baseava-se em crendices e misticismo, sendo para ele nulo em termos científicos.
Em seu livro, “Discurso do Método”, Descartes expõe a razão como sendo a chave para o desenvolvimento da ciência. Olhando pela nossa perspectiva do século XXI, essa ideia poderia parecer óbvia e ultrapassada porém é importante ressaltar que ela mostrava-se contraria aos preceitos religiosos e do que entendia-se por ciência na época, sendo considerada por muitos como delírio ou heresia.
Apesar de parecerem óbvias a principio, as ideias Cartesianas tornam-se a cada dia mais atuais na sociedade contemporanea, a procura por respostas tanto no meio cientifico quanto no dia-a-dia leva-nos a maiores questionamentos e a uma maior insatisfação com respostas sem provas concretas, o que acaba tornando a vida uma busca incessante por uma racionalidade que talvez seja inalcançavel.
  

Descartes na formação da sociedade atual

Inserido em um mundo dominado pelo obscurantismo religioso, Descartes encontrou na razão um modo para clarear as ideias da população do seu tempo e desvincular a ciência do misticismo. No nosso século, o obscurantismo já foi suplantado pela maioria das pessoas, porém o método cartesiano se propaga com mais intensidade a cada dia.
A cada momento da nossa vida a carga de responsabilidades delegadas a nós aumenta, exigindo maior eficiência e rapidez na sua execução. Cada vez mais cedo, muitas vezes desde a mais tenra idade, somos cobrados acerca da possibilidade de otimizar nossas capacidades. Assim, o pragmatismo e a racionalidade cartesianos se tornam evidentes quando somos induzidos a nos afastar das nossas emoções para nos tornar cada vez mais rentáveis e eficientes.
Apesar da época de publicação da obra de Descartes, ela se torna mais atual conforme nos afastamos do mundo de séculos atrás e nos aproximamos do mundo contemporâneo. Portanto, podemos perceber que Descartes é mais do que uma influência, ele ajudou a formar o mundo póstumo ao seu e, provavelmente, continuará cada vez mais indissociável do modo de vida da sociedade durante as próximas gerações.

sábado, 17 de março de 2012

Ruptura e Continuidade

A obra em questão mostra-se um divisor de águas entre o modo de pensamento coberto pelo véu religioso, e a luz que representa o uso da razão. Na época em que Descartes nasceu, o conhecimento oficial era derivado da religião, e aplicado á ciências que agora consideramos com alternativas, tais como astrologia, alquimia e mágica. Com isso, vivera em um mundo onde a sabedoria era absorvida de uma fonte que não o homem, e que, por consequência atribuía os fenômenos á configuração metafísica.
A partir de então, o autor utiliza-se do conceito Cogito ergo sum como princípio elementar para construir uma linha de raciocínio na qual em suas palavras, ele “era uma substância cuja essência ou natureza consiste apenas no pensar, e que, para ser, não necessita de lugar algum, nem depende de qualquer coisa material”.
Com isso, Descartes defende que o modo de conhecimento depende apenas da razão, e, portanto, do homem. Busca uma interpretação de justiça do homem pelo próprio homem, a partir de uma preconização de uma racionalidade que passa a ser a base de todas as ciências, mas o autor considera que o desenvolvimento desse novo método de conhecimento é cumprir o desígnio divino de dominar - assim como o Criador – todas as coisas, á medida em que mostra Deus como um arquiteto maior e o homem, por ser dotado da razão, o único capaz de desvendar o mundo.
Portanto, embora a obra toda represente um novo curso para as ciências humanas, ao mostrar-se conservadora nos princípios religiosos, não caracteriza-se emtodo uma divisão dos padrões sociais, e sim em uma adição á sociedade conservadora da época.

O ATUAL DISCURSO DO MÉTODO

Apesar do Discurso do Método ter sido publicado em 1637 ele continua atual. Pois ainda seguimos o método cartesiano baseado na razão para interpretar o mundo e é isso que nos possibilita o advento de tecnologias tais qual o computador, uma máquina baseada em um código binário, entre outras. Descartes diz também que não basta somente ter o espírito bom, temos de aplicá-lo bem. Um exemplo que poderia ser tomado e de Einstein que ao desenvolver a tecnologia da fissão de urânio usou para o tratamento de câncer, entretanto ele deveria ter parado ai, pois sua outra aplicação como bem sabe causou milhares de mortes.
Em outro momento Descartes afirma que antes prefere a desconfiança à presunção e que se olharmos as ações dos homens não há aquela que seja fútil ou inútil. É uma bela maneira de nos lembrar que nós devemos valorizar e aprender com as atitudes das pessoas pois não são inúteis e sempre servirão para agregar algo as nossas vidas. E até é possível estabelecer um paralelo com Sócrates com relação à preferência da desconfiança, que é a frase que o filósofo grego sempre falava “Só sei que nada sei”.
Outro ponto a ser tratado é a relação de Descartes e a superstição. A principio Descartes queria superar a superstição, o mágico, a alquimia para edificar o conhecimento verdadeiro. Entretanto ele acreditava que quem gerava seu conhecimento era Deus, sendo Ele uma superstição todo o fundamento de seu método está baseado em uma explicação não racional.Mas é que para Descartes que viveu no século 17 não havia teoria Darwiniana da Evolução e numa sociedade onde o cristianismo era muito arraigado a conclusão que ele chegou para a fonte de sua racionalidade foi Deus.
Concluindo, o Discurso do Método continua atual porque não perdeu sua capacidade de elaborar respostas e perguntas que continuam validas ao passar dos séculos.

A presença de Descartes e de Deus na atualidade

  Quando René Descartes é mencionado em algum contexto, na maioria das vezes, seu nome será associado ou aos seus feitos matemáticos, ou a sua célebre frase; "Penso, logo existo". No entanto, a contribuição de Descartes na vida contemporânea é bem mais abrangente do que pensamos.
  A obra cartesiana foi determinante para que o pensamento científico se pautasse na razão, tornando possível o surgimento de um conhecimento livre de mitos e superstições. Tal perspectiva de ciência se mostra bem parecida com a atual, porém, há alguns pontos do pensamento cartesiano que parecem destoar de nossa realidade. Em "O Discurso do Método", Descartes afirma que os homens possuem a capacidade de raciocinar e interpretar o mundo graças à uma entidade superior, ou seja os homens são racionais graças a vontade de Deus.
 O fato de Descartes ter associado a existência da razão com uma figura divina causa incerteza nos leitores do século XXI, uma vez que a existência deste mesmo Deus a que Descartes se refere, tem a sua existência questionada diversas vezes dentro do pensamento científico atual.O que chamamos de ciência atualmente, tem como um de seus pilares para provar a sua veracidade,o fato de que as descobertas ou teorias científicas não possuem justificativas místicas. Mas antes de descartar todo o pensamento cartesiano é preciso levar em consideração que assim como o filósofo, nós também em diversos momentos nos justificamos na existência de Deus quando há algo que não conseguimos explicar claramente.
  Sendo assim, é perceptível que mesmo após mais de três séculos e várias definições e teorias que definiam o homem como um ser dotado de razão, ainda seguimos a conduta cartesiana e acreditamos no poder de  uma entidade divina. É por este fato e tantos outros que podemos dizer que a sociedade contemporânea ainda é cartesiana , pois por diversas vezes seguem os mesmos procedimentos que Descartes seguiu ao contribuir para o surgimento da ciência moderna.
   
 


O sei que nada sei de René Descartes

                                             
Por mais que Descartes, em seu livro Discurso sobre o método, tenha criticado os filósofos clássicos por gerarem conhecimento inútil, estéril e sem sentido prático; não há como não comparar suas ideias com as de Sócrates, o patrono da filosofia clássica.
Assim como Sócrates, Descartes nunca se contentou com opiniões estabelecidas, preconceitos e crenças inquestionadas. Em sua obra buscou orientar a razão e assim chegar ao conhecimento pleno, verdadeiro e, antes de tudo, aplicável.
Quando menino, René acreditava que chegaria a esse conhecimento através das letras, pois assim conheceria escritos de pessoas ditas "dotadas de ciência". No entanto, quanto mais estudava e aprendia, mais constatava sua ignorância, se enchia de dúvidas e mais se distanciava da verdade absoluta.
Mais tarde, o jovem Descartes buscou conhecimento através das viagens porque achava que conhecendo diferentes povos poderia tirar algum proveito que o fizesse distinguir o verdadeiro do falso. Todavia, essa busca no "livro do mundo" não lhe deu a luz que tanto objetivava. Então, percebeu que deveria investigar dentro de si mesmo o caminho certo para a razão, o que fica claro no trecho onde cita sua terceira máxima: "procurar sempre antes vencer a mim próprio do que ao destino, e de antes modificar os meus desejos do que a ordem do mundo (...)"
Mas o que torna a obra de René tão atual, em minha opinião, é quando ele fala em "É bom saber alguma coisa dos hábitos de diferentes povos, para que julguemos os nossos mais justamente e não pensemos que tudo quanto é diferente dos nossos costumes é ridículo e contrário à nossa razão, como soam fazer os que nada viram". Pois no mundo em que nos encontramos, o multiculturalismo tem sido alvo de revoltas e perseguições. Como exemplo, a Europa que virou  palco de intolerância e conflitos contra estrangeiros, principalmente muçulmanos e africanos. Tanto para Sócrates quanto para Descartes, o homem tem que ir além da aparência e dos sentidos, ou seja, abolir preconceitos. Logo, quando a humanidade tomar consciência de que sabe que nada sabe, talvez, poderá respeitar as diferenças, as particularidades e os costumes de outras culturas.

Revolução ou racionalização?

Raros são os textos que seguem atuais após séculos de sua publicação. Grandes exemplos disso são "o Príncipe" de Maquiavel, e "Política" de Aristóteles. Entretanto, quando pensamos em "O Discurso do Método" de René Descartes nos deparamos com um texto com pensamentos que poderiam ser contemporâneos, mas sim com reflexões que se tornaram mais expressivas com a passagem do tempo.

Hoje vivemos em uma sociedade extremamente racional se comparada às do passado. Muitas das crendices e passionalidades foram deixadas de lado, dando lugar ao racionalismo marcante do século XXI. O que seria de nossa medicina se ainda levássemos em consideração os mitos como método de cura? Quão ultrapassada seriam nossas leis se ainda mantivéssemos as tradições da antiga Europa dominada pela Igreja católica?

Nossa sociedade mudou muito com a valorização da razão, e a ela podemos creditar o avanço tecnológico atual e muitos dos direitos e liberdades que hoje desfrutamos. Revolução Puritana e Gloriosa, Revolução Francesa, entre tantas, podem ter como estopim um fato considerado passional, porém quando levado em consideração todo o contexto do período em que elas se passaram será confirmado que foram na realidade revoltas puramente racionais, que buscavam mudanças para uma já ultrapassada sociedade européia.

Obviamente não podemos simplesmente desconsiderar as emoções dos seres humanos, pois estas são parte de sua natureza e sempre terão sua importância. Entretanto devemos continuar o curso lógico da história e seguir com a racionalização em detrimento de falsos mitos e tradições, para libertar e evoluir na revolução (ou racionalização) de cada dia.

Descartes discute em seu livro "Discurso do Método" que a razão e a experiência devem guiar a ciência moderna. Durante sua explicação, o autor critica o modo tradicional de ensino, pelo qual ele mesmo foi educado. Ele acredita que essa erudição tradicional não gera frutos pois não modifica a realidade, ou seja, é apenas aparência, sem nenhuma essência. Esse tema aparência X essência é, na realidade, muito atual. O mundo capitalista e a vida da sociedade burguesa levaram o homem a valorizar mais o exterior em detrimento do conteúdo. Por isso, rotulamos a menina tatuada e nos afastamos, mesmo sem antes tê-la conhecido; o empregador prefere dar a vaga de emprego à mulher de melhor aparência do que àquela considerada fora dos padrões de beleza; trocamos o carro todo ano mesmo não tendo dinheiro para isso, mas não podemos ficar atrás do vizinho. Estamos a todo momento julgando o que vemos. Por isso, para o homem moderno, importa mais aparentar do que ser.

A razão em Pink Floyd 





O uso da razão para se atingir a plenitude intelectual e, até mesmo espiritual, como princípio fundamental cartesiano não está superado, mesmo em um tempo no qual o pragmatismo científico e coletivo questione a verdadeira função da Filosofia. A razão em sua essência, porém não estritamente secular, neutraliza as paixões ligadas aos dogmas religiosos, às tradições e ao senso comum. A partir do momento que o homem se torna fundamentalmente racional há o fim da censura psicológica  e, com isso, os questionamentos se tornam abundantes e cada vez mais ousados; a dúvida passa a ser o imperativo. Com a dúvida surgem as tentações às decepções, à nostalgia, à descrença, ao vazio da existência humana.

Pink Floyd é, indubitavelmente, a representação mais duradoura, ou seja, clássica, da dúvida, da razão levada ao extremo. Sua obra explora e questiona a solidão, a família, a guerra, a existência humana de uma forma universal ainda que intimista. Outros já fizeram o mesmo, mas poucos conseguiram desvendar as cicatrizes, os medos e os sonhos do homem contemporâneo. Uma obra sempre taxada de niilista, de depressiva, que consegue dissecar o subconsciente coletivo com toques psicanalíticos. E isso, sem dúvida, só foi possível devido à crença no poder e na clareza da razão, como acreditava Descartes, para se chegar ao conhecimento e à harmonia. Somente os céticos desfrutam da capacidade de se desvincular de todo um legado cultural, religioso e moral para propor discussões pendentes ao ilimitado e ao desconhecido.

Muitos séculos depois de Descartes, e seu pensamento assim como Pink Floyd, continuam mais atuais do que nunca. O descontentamento cartesiano com a erudição e com a educação tradicional ainda persiste, mesmo com a facilidade de acesso à informação e com o auxílio da tecnologia. O discurso do método, portanto, ainda é um instrumento para o crescimento do homem. A razão, essa que sempre leva a dúvida, é , portanto, um meio seguro para se compreender a atualidade, e isso, não poderia ficar mais evidente do que na obra de Pink Floyd. Aqueles que ainda buscam um método deveriam conhecer melhor Pink Floyd. Se acharem a música perturbadora demais, nada melhor do que fazer uso da razão para lidar com o sofrimento e a irracionalidade do homem.

René Descartes e sua contribuição na evolução do pensamento humano

Ao longo da história, o homem foi dando passos importantes em direção a uma melhor compreensão do mundo que o rodeia, buscando explicações metafísicas, religiosas e racionais que lhe explicassem questões fundamentais de sua existência: de onde vim? Qual o sentido da minha vida? Como posso conhecer a verdade dos entes materiais?
                Foi assim que ao longo dos séculos, o homem foi adquirindo uma maior perfeição em seu conhecimento. A primeira forma de explicar os acontecimentos naturais foi uma explicação mítica, os deuses regiam o universo; depois surgiu na Grécia a passagem do mito ao logos, com Axímenes, Tales de Mileto e outros pensadores que começaram a se questionar sobre a “arjé da physis”. Durante o longo período medieval, ocorreu o conhecido fenômeno denominado “Cristandade” a explicação religiosa fazia parte do cotidiano do homem, que vivia em função do sobrenatural.
                Outra fase entra em cena, quando o centro do universo deixa de ser Deus e torna-se o homem, passa-se do teocentrismo para o antropocentrismo. E dessa forma aquilo que mais nos diferencia dos outros seres, nosso intelecto, torna-se o elemento fundamental pelo qual o homem tenta explicar a realidade que o rodeia.
                René Descartes com seu método cuja base era a razão marca um momento crucial na história humana. Descartes propõe uma nova forma de pensar através da dúvida metódica, não se contenta com uma mera explicação, busca a verdade última das coisas até que não reste mais dúvida alguma, chegando a uma verdade indubitável: “Cogito, ergo sum”, (penso logo existo).
O homem, a partir de Descartes, deixa de buscar todas as suas respostas somente com a fé e passa a usar cada vez mais métodos de pesquisa e pensamentos que lhe demonstrem o porquê das coisas, que lhe ajudem a entender os fenômenos naturais de modo racional e não mais teológico.

Pensar para existir



René Descartes, com seu método cuja base era a razão, deixando de lado o dogmatismo de sua época e pregando uma ciência ao alcance de todos, inova e dá início à filosofia moderna com a célebre frase: “Eu penso, logo existo”. Frase na qual está implícito que a essência do homem está no ato de pensar e que para esse ser alguém não há necessidade de mais nada, além disso.
O grande progresso da ciência no mundo contemporâneo e a maior facilidade de acesso ao conhecimento advêm do método narrado por Descartes em “O Discurso do Método”. Tal método, segundo o filósofo, poderia ser utilizado por qualquer ser humano por esse possuir a razão, o bom senso, o que o diferenciava dos animais.
Porém, todo homem tem a oportunidade de pensar e sendo assim existir?
Em pleno século XXI, em todo o mundo, um número muito elevado de indivíduos vive precariamente; milhões de pessoas passam fome, não possuem moradia, não têm acesso à saúde, não têm acesso à educação e consequentemente é elevado o número de analfabetos; tal quadro social pode se exemplificado pela África subsaariana, que sofre as conseqüências de sua colonização até os dias de hoje e é uma das áreas do globo em que predomina a extrema pobreza. Pessoas que vivem desse modo, apenas lutam, como animais, por sua sobrevivência; entretanto , animais são desprovidos de racionalidade enquanto tais pessoas apenas são impedidas de fazer uso da sua. E, partindo do pressuposto que para existir há necessidade de pensamento, perante a sociedade tais seres humanos passam a não existir.



O método descartiano aplicado a vida pessoal e profissional nos dias de hoje

  Descartes, ao enunciar sua teoria sobre a racionalização,tinha por objetivo derrubar o Mundo Mágico existente em sua época, Mundo este onde os mitos eram tão ou mais importantes que o pensamento crítico. Analisando o século XXI percebe-se que seus pensamentos nunca estiveram tão atuais. Somos descartianos tanto na vida particular quanto na profissional.

  O bom profissional tem por dever atender as necessidades da sociedade da melhor maneira possível. Ele não deve deixar influenciar-se por suas crenças ou emoções desmedidas. A moderação é a grande virtude dos bons profissionais. O dinheiro não é uma consequência dessa virtude, é apenas uma ferramenta utilizada pela ordem vigente para compensar e estimular os que mais produzem, os que mais geram lucros.

  Embora com uma frequência menor, é possível ainda assim perceber as ideias de Descartes presentes em nossas vidas particulares. Ao tomar decisões como: casar ou não, ter ou não filhos a metodologia descartiana se faz presente. É preciso, nesses momentos, deixar a idealização de lado e analisar com cuidado todos os efeitos que a escolha venha a produzir, não só no presente, mas principalmente no futuro. Assim, caso o resultado não seja o melhor possível, ele já era do conhecimento do indivíduo.

  Seria bobagem afirmar, no entanto, que somos seres completamente descartianos, nossa humanidade consiste justamente em nossas diversas emoções e na expressão delas. Embora consigamos aplicar sua teoria de maneira, no mínimo, eficiente, não somos capazes e duvido que um dia seremos de aplicá-la em sua totalidade em  todas as esferas da vida humana.

sexta-feira, 16 de março de 2012

DESCARTES ALÉM DA SUA ÉPOCA
Se em pleno século XXI, no auge do avanço tecno-científico, ainda há espaço para superstições e crenças baseadas em costumes e tradições, há que se pensar a proporção e o peso dessas mesmas em 1637, ano em que foi publicada uma das maiores obras de René Descartes, O Discurso do Método.
Descartes estava muito além da visão tradicionalista e alquimista de sua época; ele procurou obter, para sua própria vida, um método livre de quaisquer pré-definições, para assim chegar o mais perto possível da verdade, utilizando-se para isso do princípio da dúvida. Réne valorizou a razão e a utilizou como propulsora do conhecimento real, verdadeiro, rejeitando qualquer definição pré-estabelecida pela sociedade. Até a existência de Deus foi provada racionalmente por Descartes, que afirmava que somente um ser supremo e perfeito poderia ter criado seres racionais, como os seres humanos, e esse arquiteto maior seria Deus.
O Discurso do Método, embora tenha sido escrito há séculos, nos remete à questões e a dúvidas atuais e cotidianas. A ciência avançou tanto e conseguiu explicar tantos fenômenos antes explicados apenas por mitos, e esclareceu tantas perguntas que pareciam sem respostas, mas ainda sim há pessoas que se agarram ao místico, ao sobrenatural, ou por uma questão de crença tradicional ou por desconhecimento técnico. O fato é que, lendo Descartes hoje, sentimos que ele escreveu em nossa época, salvo algumas partes, pelo valor que ele dá à razão e à verdade pura, que é tão grande quanto ao que damos atualmente.
Portanto, podemos dizer que Réne Descartes, ao criticar a metodologia dos filósofos de sua época e se propor a criar a sua própria que julgasse correta, estava não a um, mas a vários passos à frente do seu contexto histórico, e previu como pensariam as gerações futuras, no que diz respeito à valorização do conhecimento.

Século XXI : A atualidade de René Descartes


Vivendo em uma Era na qual a ciência avançada não reserva mais tanto espaço para as superstições, não há nada mais atual do que o racionalismo de René Descartes.
Em sua obra, O Discurso do Método, René dá grande importância à dúvida, por considerá-la o primeiro passo para se alcançar o conhecimento. De fato, o autor abandona o ensino tradicional devido à descrença no conhecimento transmitido pelo hábito e na esterilidade da filosofia – que até então apenas contemplava o objeto de estudo - e foca seu trabalho no mundo mecânico, capaz de explicar-se por si só, racional e independente de forças sobrenaturais.
Para Descartes, o conhecimento subdivide-se essencialmente para o alcance da clareza, uma vez que quanto menor for a parte de estudo, maior será o aprofundamento no assunto e assim parte-se do mais simples (fragmento) até alcançar o todo complexo, que proporciona o saber científico aprofundado.
Contudo, embora o Cartesianismo defenda a razão como base para a verdade, ele reafirma a existência de Deus, uma vez que, em sua concepção, o homem dotado de razão não pode ter surgido sem que houvesse um ser supremo, capaz de criar a inteligência e gerar as ideias. Para o autor, contextualizado em uma época em que a influência da Igreja era tradicionalmente forte, a melhor explicação para tal ser perfeito e supremo recai sobre a figura de Deus, e assim ele concilia razão e religião, em meio a tantas divergências.
Ainda segundo Descartes, o alcance da razão demanda o "vencer a si próprio" e sobrepõe a vontade do mundo à vontade pessoal, sempre com o intuito de cultivar o bom senso e então atingir o conhecimento da verdade.
Assim, o racionalismo ganhou destaque na Idade Moderna e desde então rege a busca por respostas para o que antes era solucionado pelas crenças e mitos. René Descartes revelou ser alguém além de seu tempo e a maior prova disso é o fato de que seu método se torna mais atual a cada dia, à medida que a Ciência Moderna avança e realiza novas descobertas tecnológicas.
O século XXI, até então, representa o auge do pensamento cartesiano: se o princípio da dúvida não fosse seguido, ainda que inconscientemente, a humanidade não teria alcançado tamanho desenvolvimento científico.

Concepções Harmônicas

      "Com a definição atual, que a de todos os tempos, a loucura e a razão estão perfeitamente delimitadas. Sabe-se onde uma acaba e onde outra começa. Para que transpor a cerca?"
                                                                                              Machado de Assis, O Alienista.
       René Descartes, em "O discurso do método", instrumentaliza os conceitos sobre razão, pensamento e verdade, a fim de criar e induzir um meio, que se aproxime ao perfeito, para conduzir a pesquisa científica.
       Ao decorrer da exposição de suas ideias, Descartes aponta os fatores necessários à pesquisa ( como a razão, a verdade, a clareza) e também aponta aqueles que não lhe são úteis, como o saber popular, mítico e  filosófico, pois estes não apresentam bases fortes o bastante para sustentar teorias.
       Baseando-se co conceito cartesiano sobre a razão, pode-se considerar que os homens que se voltassem totalmente ao misticismo, ao popular e ao sobrenatural seriam desprovidos de razão, logo, seriam insanos. E então, fazendo uso dos dizeres de Machado de Assis pergunto, por que transpor a cerca entre loucura e razão?
       Pois bem, a resposta é simples. O homem é um ser em constantes mudanças e que não se fixa em apenas um ponto de vista. Se pudéssemos organizar seus conhecimentos em um plano cartesiano, teríamos a razão como a reta das abscissas e o conhecimento popular, filosófico e mítico como a reta das ordenadas. Como se pode perceber, as retas são infinitas e distintas, tendo apenas o ponto de origem em comum. É nesse ponto que se encontra o ser humano. Ele é origem dos dois conhecimentos e deve estar em consonância com ambos.
       A razão pura é uma utopia e a filosofia pura é um devaneio. Para o homem ser completo se faz necessária a racionalidade cartesiana mas, da mesma forma, se faz necessário o conhecimento popular, mítico e filosófico. O homem necessita de razão para transpor seus objetivos mas, precisa da filosofia e dos outros conhecimentos para distinguir a melhor maneira de atingi-los.
       Portanto, os extremos nunca serão capazes de satisfazer todas as necessidades do homem. Logo, o homem só será pleno quando suas concepções forem harmônicas.

Razão e caráter

            Na obra “Discurso do Método”, René Descartes afirma que a razão e o senso existem totalmente em cada indivíduo e aplica seu método baseado na exploração nas evidências racionais, livrando-se dos hábitos culturais que lhe haviam sido “inculcados” somente para “ofuscar sua razão e o tornar menos capaz de ouvi-la”. Assim, o autor conclui que a natureza dos homens consiste apenas no “pensar”.
Ao propor que a racionalidade é característica de todos e a diversidade de ideias é fruto de diferentes abordagens do pensamento, Descartes revela que, para se tornar bom, o indivíduo deve aplicar suas qualidades de forma prática e apoiar suas ações no conhecimento e na educação. Ao fazê-lo, o indivíduo pode se descobrir pessoalmente e livrar-se dos costumes gananciosos ao reconhecer as virtudes dos outros.
            Enfim, o aperfeiçoamento da razão contribui para um desenvolvimento do caráter, levando o homem a exercer o respeito e a honestidade, valores esquecidos atualmente. O pensamento cartesiano pode, ao mesmo tempo, contribuir para a valorização do método científico na vida profissional, o que garantiria avanço intelectual, e para a vida em sociedade, resgatando o altruísmo.

quinta-feira, 15 de março de 2012

375 anos de atualidade.

Analisando o início da conhecida obra de René Descartes (O discurso do método), referência na racionalização das práticas científicas, podemos nos confundir. Aparentemente ele trai seus princípios ao afirmar a existência de Deus por caminhos lógicos. Contudo, em uma análise mais aprofundada, percebemos o concílio entre ciência e religião. Descartes parte do princípio de que não se pode gerar inteligência do nada, ou de algo não inteligente. Adiantando as confirmações práticas, que iriam, por exemplo, refutar a ideia da abiogênese trinta e um anos depois, Descartes afirma que o homem, perfeito como é, só pode ter sua origem em um ser tão perfeito quanto ele. Logo, a existência de Deus se torna necessária.
E para nosso espanto suas descobertas não param por aí. Ao determinar extremo rigor para a investigação científica ele espera obter bases seguras para a construção do saber. Mas não é o que percebemos atualmente. Na Hélade acreditava-se que Hélio puxava o Sol todos os dias, sendo assim responsável pelo seu movimento. A ciência contemporânea, contudo, afirma que não é Hélio o responsável pelo movimento solar, mas sim a gravidade. Nada esclarecedor. Temos evidências empíricas desse fato, que esse movimento realmente acontece. Porém o que o causa nos é obscuro. O que é matéria? O que são forças? O que é o universo? Nada disso a ciência pode nos afirmar com certeza.
A partir disso podemos tomar mais uma parte dos pensamentos de Descartes para nosso uso: "Minha terceira máxima era a de procurar sempre antes vencer a mim próprio do que ao destino, e de antes modificar os meus desejos do que a ordem do mundo(...)". Com isso esperamos utilizar dessa humildade de pensamento durante nossas viagens pelos conhecimentos científicos na medida que cada vez mais temos a certeza de que nenhum pensamento até hoje se mostrou totalmente verdadeiro.

Ciências e humanos


Escrita em 1637, a obra “Discurso sobre o método”, de René Descartes ainda tem elementos que estão presentes em nossa sociedade. Um deles é seu método, no qual devemos colocar em dúvida o conhecimento que se tem para buscarmos um avanço científico. Tal método  foi e ainda a base de toda a ciência moderna, que não apenas contempla, como na Antiguidade, mas busca aumentar o conhecimento e aplicá-lo. Dessa forma, foi possível o desenvolvimento de tecnologias inimagináveis, como artefatos nucleares e satélites de busca com altíssima precisão. Além disso, parece que seu método também influenciou as pessoas de nosso tempo. Haja vista que, cada vez mais, colegas, amigos e até mesmo irmãos desconfiam um dos outros. Não para a produção de ciência, como nos legou Descartes, mas para evitar, segundo eles, que sejam perdidos bens materiais para outrem. Nossa civilização se desenvolveu através da dúvida enquanto combustível para pesquisa e não como meio de se conservar bens. Não devemos dar tanta importância para propriedades, caso contrario, estamos fadados a ter todo o conhecimento científico possível, mas sem ter com quem compartilhá-lo.

O mundo e o método cartesiano

Na época de Descartes, a ciência era pouco desenvolvida e, por isso, até ele, mesmo sendo grande defensor da racionalidade e de muito criticar a onda sobrenatural que assolava sua época (dogmas religiosos, magia, alquimia), acreditava na existência de uma inteligência superior. Para Descartes, Deus é o grande engenheiro do mundo e o homem é quem vai desvendar esse mundo. Foi exatamente a partir desse pensamento que ele constituiu sua mais famosa frase: “Penso, logo existo”, visto que o homem só pode desvendar os mistérios do mundo porque é dotado de razão e, se é dotado de razão, ele pensa e se ele pensa, existe.

O pensamento cartesiano ainda é muito atual, as pessoas buscam, cada vez mais, o conhecimento pela razão e, ao mesmo tempo, buscam explicações no sobrenatural ou em hábitos antigos para tudo o que não conseguem explicar pela ciência. Esta se torna cada dia mais criativa e começa a gerar um desencantamento do mundo, a medida que o homem tenta criar como Deus, mas com seus próprios instrumentos, como é o caso do uso de células-tronco para criar órgãos do corpo humano.

Em sua obra Discurso do Método, Descartes também mostra sua decepção e insatisfação com o ensino tradicional. Ele reclama do fato de os antigos apenas contemplarem as coisas do mundo, sem procurar entende-las na sua essência e prega que para caminhar com segurança na vida é preciso aprender a diferenciar o verdadeiro do falso e nos mostra suas máximas para isso: seguir a opinião dos mais sensatos, ser firme e decidido em suas próprias ações e procurar vencer sempre a si próprio antes de tentar desvendar o mundo. Por isso que um cientista nunca deve ser devotado por uma paixão ou crença, pois irá se cegar para o óbvio, já que não está usando somente a razão, mas os seus sentidos e, como disse o próprio autor em sua obra, apesar de enxergarmos o sol bastante claramente, não devemos julgar que ele seja do tamanho que o vemos. Enquanto que, “...a razão não nos sugere que tudo quanto vemos ou imaginamos seja verdadeiro, mas nos sugere realmente que todas as nossas ideias ou noções devem contar algum fundamento de verdade”.

Método de Descartes

Descartes, em sua obra "Discurso do Método", busca métodos para se atingir a verdade e o conhecimento. Esse objetivo, para o autor, será alcançado com o uso da razão, do raciocínio e da experiência, sendo a dúvida o Princípio Fundamental do Novo Método Científico: Descartes rejeitava tudo, na sua pesquisa pela verdade, que pudesse supor a menor dúvida.
Superstição, magia, alquimia, dogmas religiosos, senso comum não provado, os sentidos, pré-noções, não seriam maneiras seguras na construção do conhecimento. Havia a crítica ao conhecimento sobrenatural e a desconfiança em relação ao conhecimento transmitido pelo hábito ("enganos que ofuscam a nossa razão").
Descartes defendia a fragmentação do conteúdo para melhor analisar e solucionar suas dúvidas, o início por pensamentos mais fáceis à evolução para os mais complexos, e a "ideia de ciência como elemento voltado para o bem do homem".
Uma de suas conclusões foi a de que o conhecer é perfeição maior do que o duvidar, e de que a inteligência intelectual, o pensar, são tão importantes e magníficos que só poderiam vir de uma natureza perfeita, ou seja, Deus.
A metodologia cartesiana está presente na atualidade, pois a razão e o conhecimento são valorizados, essenciais no desenvolvimento de tecnologias e procurados na carreira profissional, como exemplos. Apesar disso, como em sua época de vida, ainda existem os dogmas, as superstições, o sobrenatural, os preconceitos, as pré-noções, os ditados populares, caminhos muito usados pelas pessoas a fim de obterem conforto, diversão, conhecimento e segurança, caminhos estes criticados por Descartes em sua obra.