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domingo, 3 de abril de 2011

O conhecimento em si mesmo é poder.

Bacon foi considerado por muitos o patrono intelectual da sociedade. Ele foi um dos primeiros a ver que o conhecimento científico poderia dar ao homem poder sobre a natureza, portanto, que o avanço da ciência poderia ser usado para promover o progresso e a prosperidade humanos. Mas achava que ninguém cuidara disso da maneira certa.

Bacon propôs um método poderoso e altamente disciplinado para a aquisição de um conhecimento sobre o mundo que possibilitasse a descoberta de leis naturais, num movimento do particular para o geral, conhecido como indução; feito isso, poderemos fazer prognósticos apurados.

Se, ao contrário, aplicássemos a lei nos casos particulares, nos moveremos do geral para o particular, num processo dedutivo. O método de Sherlock Holmes, aludido como dedução, em verdade é a indução.

Essa formulação do método científico teve uma grande influencia do século XVII ao XX. Várias gerações de cientistas e de filósofos foram guiadas por ela, avaliada como o caminho correto da diferenciação entre o conhecimento científico e outros tipos de conhecimento.

Bacon nos alerta contra as falsas noções que nos levam para longe do pensamento, o que ele chama de ídolos. Os “ídolos do teatro” são sistemas de filosofia que representam a realidade de maneira enganosa. Estão presentes nos dias de hoje naquilo que chamam de ideologia, que cria uma falsa consciência.

Bacon separou a ciência da metafísica, vendo que as explicações científicas eram fundamentalmente causais, não explicações em termos de suposições.

Suas afirmações do papel essencial da observação e do experimento para a aquisição de conhecimento confiável tiveram um importante valor, e sua insistência para que nunca nos esqueçamos do exemplo negativo, que nos guiará às conclusões certas.

Ciência X Ética

Em seu “Novum Organum”, Bacon propõe a existência de dois métodos para a prática da ciência: o do cultivo das ciências, que tem por princípio o exercício da mente, e o da descoberta científica, baseada no empirismo a fim de uma melhor interpretação. Critica o primeiro e enaltece o segundo; e assim o é até hoje.

Bacon abriu as portas para a ciência se portar como se porta atualmente, levando a questionamentos éticos que traçam uma linha tênue entre avanço científico e bem-estar social.

Essa exploração ilimitada que descarta as implicações éticas dos meios em busca de um “bem maior” final influencia todos os setores da sociedade e se estende a um campo mais vasto ainda do que apenas o da religião.

Quando produtos são testados em animais, por exemplo, não há violação dos direitos desses? Mas se não forem testados, como garantir a eficácia e a seguridade para nós, humanos? Seria esse mundo inescrupuloso de experiências com cobaias o propósito de Bacon? Triste realidade que põe em cheque toda a sensibilidade e a racionalidade que nos tornam seres humanos.

Nome: Jackeline Ferreira da Costa - 1º ano Direito Matutino

Antecipação da Mente e Interpretação da Natureza

Na obra ''Novum Organum''ou ''Verdadeiras Indicações Acerca da Interpretação da Natureza'', publicada em 1620, Francis Bacon propõe um novo método para a ciência.Ele defende a existência de duas tentativas de se atingir o verdadeiro conhecimento, sendo que a primeira é considerada por ele como inadequada: o cultivo das ciências, também chamado por ele de ''antecipação da mente'' e a descoberta científica, que ele nomeia de ''interpretação da natureza''.Francis Bacon multiplica suas críticas à primeira relacionando-a fortemente com os pressupostos e com métodos falhos e carentes da atividade experimental.Considera que a razão, por si só, é incapaz de conduzir à descoberta científica e conclama seus leitotes a disciplinar suas mentes, não as deixando guiar-se por si mesmas.Ele caracteriza a antecipação da mente como o alicerce do senso comum e como sendo ilusória.Critica ferozmente a filosofia tradicional grega, comparando os filósofos gregos com crinças e completa suas críticas a estes declarando infrutíferas as teses aristotélicas.Separa a ciência do simples exercício da mente e liga este à idolatria.O pensador inglês subdivide estes ''ídolos'' em quatro grupos: os ''ídolos da tribo'',vinculados ao próprio ser humano; os ''ídolos da caverna'',referentes ao ser humano enquanto indivíduo; os ''ídolos do foro''(da feira), que incluem as relações do ser humano com outrem e os ''ídolos do teatro'', que segundo o autor abrangem equívocos impregnados, superstições e a filosofia tradicional.Em oposição, Francis Bacon trata da interpretação da natureza como sendo profudamente experimentalista, dotada de clareza, além de apontá-la como ''a cura da mente''.Seu intuito é buscar a ciência útil e aplicável que conduziria ao bem-estar do homem e que seria constantemente marcada pela inovação.O autor acredita também que a ciência é o mecanismo pelo qual o ser humano pode dominar a natureza a relaciona com o poder do homem.Pensa ainda que ''não é pequena a diferença existente entre os ídolos da mente humana e as idéias da mente divina , ou seja, entre opiniões inúteis e as verdadeiras marcas e impressões gravadas por Deus nas criaturas, tais como de fato se encontam''.

Toda ciência após Bacon é plágio?


Francis Bacon, em sua obra, contradiz a opinião de Descartes sobre a perfeição humana que tem a natureza apenas como um complemento. Afirma que a natureza supera em muito os sentidos e o intelecto, não sendo algo complementar e sim singular. Mas, não seria prepotência considerar o ser humano como algo não-natural? Se somos parte do meio, nosso intelecto não seria também inserido na natureza?
Descartes dedica-se a apresentar suas ideias de forma progressiva na linha do tempo, já Bacon lista suas conclusões o que já demonstra a preocupação de cada um dos dois em já qualificar sua metodologia de pesquisa em seu próprio discurso. Enquanto Descartes defende o pensamento para provar a verdade e por isso vai escrevendo sua linha de raciocínio, Bacon escreve seu livro em forma de aforismos, tópicos conclusivos que se explicam por si só, como um relatório cientifico. Algo experimental.
Leva o racionalismo humano às ultimas consequências, não sendo apenas suficiente para ele a comprovação filosófica daquilo que pensa e sim sua experimentação.
Para ele, a estruturação científica e intelectual já está formada, que apenas os homens unem essas ideias preconcebidas para derivar outra.
Não há mais o que ser criado. As coisas novas são apreendidas apenas como analogia às antigas. Tal comentário para a sua época até poderia ser válido, mas hoje em dia com o avanço de ciências que não existiam naquela época, demonstra sua visão apocalíptica das ciências, como se a mente humana não fosse capaz de criar, somente de evoluir e incapaz de criar quaisquer coisas que não sejam mero plágio daquilo que já foi pensado, em outras palavras.
Verdade ou não, Bacon, se fosse vivo, veria como a ciência evoluiu e quão equivocado ele foi.

Somar para multiplicar

Intervir na condição humana de modo a beneficiá-la. O objetivo da ciência, assim proposto por Francis Bacon, confronta-se com o “simples exercício da mente” realizado por certos filósofos da Grécia Antiga. Diante desse antagonismo, elabora sua teoria baseando-se na observação e na razão. Assim, expõe dois métodos para a ciência: o “cultivo das ciências” (antecipação da mente), e a “descoberta científica” (interpretação da natureza).

Ao primeiro método citado, relaciona-se a filosofia tradicional. De acordo com o precursor da ciência moderna, tais pensadores (os gregos, por exemplo) realizam um trabalho apenas contemplativo, não contribuindo para o bem estar humano. Já no que se refere ao segundo método, Bacon afirma a busca por inovação, isto é, o desejo de fazer experimentações sem limites, de dominar a natureza, de conhecer a verdade de forma clara. Todavia, para isso, a mente utilizada nesse processo não deve ser guiada por si mesma, mas submetida a mecanismos da experiência.

Com esse fim, por sua vez, ele defende a ‘cura da mente’, livrando-a de falsas percepções do mundo, denominadas “ídolos”: da tribo (características inerentes ao ser humano – sentidos, paixões), da caverna (ligadas à formação do indivíduo – educação), do foro (influência dos relacionamentos), e do teatro (sistemas filosóficos, astrologia).

Hoje, por conseguinte, percebe-se a influência da teoria de Bacon na rápida evolução dos ramos científicos. Na informática, os computadores e a capacidade de armazenamento de dados exemplificam essa inovação; além disso, tecnologias para monitorar solo, mares, atmosfera permitem certo domínio da natureza. Há ainda a nanotecnologia, a criação de medicamentos. Porém, esse avanço nem sempre é neutro, o que ora considera-se ruim (impede avanços importantes na natureza), ora considera-se bom de certa forma (impede ultrapassagem de limites éticos). Enfim, constitui-se de relevante importância o “novo instrumento” proposto por Bacon, responsável por somar a experiência e razão (nas devidas proporções), para multiplicar o saber.

sábado, 2 de abril de 2011

O Grande Mito do Saber e a Prepotência "Sábia"


A arrogância humana, a retórica e as disputas desnecessárias, a hermenêutica e a função social do Direito são temas nos quais Francis Bacon, com sua obra "Novum Organum", nos faz refletir. Apesar de publicado em 1620, ainda nos remete a noções inerentes ao mundo contemporâneo e à imperfeição humana como uma das causas de tantas asserções falsas em relação ao mundo.

"Nenhum saber é absolutamente seguro", ja dizia Bacon, condenando a visão exageradamente egocêntrica daquele que se considera detentor das verdades. O homem, muitas vezes ludibriado por títulos e aparências, torna-se tão certo de sua "superioridade" que se fecha às oportunidades de aprimoramento. Quantas vezes, nós mesmos, nos deparamos defendendo férrea e cegamente nossas convicções? Passando por cima de qualquer tipo de negação? Arranjando maneiras de adequar casos novos a nossas crenças para assim, não sermos submetidos à constatação do erro? O orgulho é malefício obstruidor do caminho para as verdades absolutas.

Além dessa natureza humana e das imperfeições individuais, na obra, as relações sociais também são consideradas "falsas percepções do mundo" (ídolos) por serem baseadas nas palavras. Pela sua enorme variedade interpretativa, a palavra, muitas vezes, fomenta discussões sofistas as quais valorizam a retórica e a força argumentativa recheada de palavras belas e difíceis porém vazias de significado ou de algum fim prático e útil.

Dissertar a respeito da arrogância do homem e muitas vezes da pobreza temática de debates rebuscados, ditos "cultos", infelizmente me remete ao curso de Direito do qual participo. A gama de conhecimentos adquiridos e o poder advindo dela cria um ambiente propício para o surgimento de pessoas prepotentes e orgulhosas. A altivez as faz se sentir tão "melhores" e "acima de tudo" que acabam se esquecendo do verdadeiro objetivo do Direito. Passam a viver em seus mundos abstratos, da fantasia, e menosprezam a utilização das leis e o bem-estar social. Desperdiçam assim, a grande oportunidade que o Direito proporciona, o que é lamentável. Essas "excelências" certamente seriam criticadas por Francis Bacon. Pertinente.

Investigando mente e verdade

Francis Bacon é mais um autor à procura do caminho (método) para a verdade, em sua obra Novum Organum ele divide o conhecimento em dois tipos: Os produzidos pelo método de Antecipação da Mente e os produzidos pela Interpretação da Natureza. Para se obter um conhecimento através do segundo método Bacon afirma ser necessária a expulsão dos “ídolos”.

O autor dá o nome de ídolos a tudo aquilo que obscurece o caminho da mente à verdade e determina os seus tipos de acordo com sua origem: os fundados nos sentidos do homem como medida da natureza são os ídolos da tribo; nos desejos e impressões individuais, ídolos da caverna; na linguagem mal usada, ídolos do foro; e nos vícios de doutrinas e fantasias, ídolos do teatro.

Bacon propõe uma organização, ou cura, da mente, já que ela é tão sensível à aos ídolos. O exercício mental desregrado (dialética) não leva à verdade (é aí que surge sua crítica à filosofia Clássica) e nem mesmo a confiança cega nos sentidos, já que esses estão subordinados aos caprichos da mente. Para tal cura, são necessários instrumentos auxiliares ao intelecto e aos sentidos, traçando uma equivalência entre engenhos e intelecto durante o processo das experiências.

A intenção de Bacon não é nova, distinguir ilusão de realidade, deter os desejos que influem no conhecimento científico, conhecer os perigos da mente e aprender a usá-la de forma “pura” é um desafio antigo e até hoje não superado completamente. Ele dá um primeiro passo na identificação dos axiomas e propõe a verificação de tais verdades que aparentemente se apresentam irrefutáveis. A obra é um exercício de investigação a cerca da delicada relação natureza-mente-verdade; um exercício que deve ser praticado a cada descoberta.

Ciência e aplicabilidade

Uma das maiores críticas feitas à filosofia clássica é o fato de em quase sua totalidade buscar conhecimentos que em nada têm de utilidade prática. Crítica partilhada por Francis Bacon ao argumentar tal ato dos gregos, a “ciência como mero exercício da mente” ao invés da ciência aplicável à vida humana. Esse conhecer pelo simples fato de saber foi chamado de cultivo científico, aquele para o conforto da alma.

Em sua obra “Novum Organum”, um novo meio de busca do conhecimento é proposto. Aliado à razão introduzida por Descartes na obra estudada “O Discurso do Método”, encontra-se a experimentação. Assim, ocorre o que ele chama de regulação da mente: guiá-la fugindo do entusiasmo. Por meio da exploração e interpretação da natureza se chegaria às importantes questões e suas respostas. A chamada antecipação da mente é refutada por representar o senso comum, o que costuma barrar novas concepções.

A respeito disso ainda, dão-nos falsa percepção do nosso redor os ídolos, nossas paixões, formação pessoal, relações sociais e a própria via filosófica vigente. É preciso colocarmos de lado as próprias crenças; por mais que saibamos a dificuldade, necessita-se de neutralidade para o julgamento. Ainda de acordo com Bacon, compreender minimamente as coisas mais específicas é entender o objetivo e o pensamento divinos, e nisso consiste a verdadeira ciência.

Domínio sobre a Verdade

O filósofo Francis Bacon (1561-1626), na tentativa de promover uma "grandiosa restauração do saber e da ciência", busca implantar um novo método para a produção e recuperação do Conhecimento. Criticando o escolasticismo, Bacon descreve em sua obra Novum Organum maneiras para se alcançar a vitória sobre a natureza e dominar a Verdade.

Acreditando no poder indutivo do homem, vale-se de que o melhor caminho para a descoberta da Verdade é aquele que, partindo de dados particulares, chega-se aos dados gerais. Também ressalta a tamanha importância de se buscar recursos para auxiliar o intelecto, para garantir menos falhas no raciocínio. Bacon afirma que um intelecto sem auxílios e não regulado não pode superar a obscuridade das coisas.
Em seu método, Bacon rejeita ideologias, fantasias, religiosidade e misticismo, julgados como fatores que contaminam a mente humana e corroboram para que se chegue a falsas conclusões. O homem deve se dispor a observar a natureza despreendido de qualquer "pré-conceito", para que seu julgamento sobre os fatos e experiências sejam guiados por um raciocínio "limpo".

O filósofo destaca a existência de quatro gêneros de ídolos que, se não bloqueados pela verdadeira indução, podem ser maléficos à mente humana e interferir na Interpretação da Natureza. São eles: ídolos da tribo - quando se toma por verdade aquilo que foi captado pelos sentidos; ídolos da caverna - em uma ilusão à caverna platônica, refere-se aos princípios, educação ou convenção de cada indivíduo; ídolos do foro (da vida pública) - diz da relação social do homem e do consequente uso das palavras, que podem gerar compreensões distintas em cada ser e provocar o erro; e, finalmente, ídolos do teatro -aquilo que é passado aos homens, seja como doutrina, tradição, regra, costume, que entra em vigor sem qualquer questionamento.

Bacon prega o extremo cuidado que o homem deve ter ao produzir conhecimento, uma vez que seus sentidos e suas "paixões" podem afetá-lo de modo a conduzí-lo a uma conclusão que lhe favoreça, mas nem sempre verdadeira. Por isso, muitos tentam fundamentar uma filosofia a partir de experiências próprias pouco válidas, uma vez que foram afetadas por suas fantasias e/ou princípios.
Em suma, a jornada que leva ao domínio sobre a Verdade, bem como sobre toda a natureza, requer a união entre a capacidade indutiva humana ("engenho") e o uso auxiliado do intelecto, somados à análise contínua e rigorosa de experimentos e seus efeitos.

A junção da experimentação com a razão

Bacon procura um novo método, através da exploração e experimentação, para o desenvolvimento da ciência da época, já que para ele, essa apenas girava inalteravelmente em círculos, com a superposição do novo sobre o velho, e nada mais era que combinações de descobertas anteriores, cujos resultados alcançados, até aquele momento, deviam-se mais ao acaso que a ciência propriamente dita. Considerava a lógica do momento como inútil para o incremento da ciência, pois essa era mais usada para consolidar e perpetuar erros do que para a indagação da verdade. Além disso, dizia que havia noções falsas e ídolos que ocupavam o intelecto humano, não somente obstruindo-o a ponto de tornar difícil o acesso à verdade, mas também como obstáculo à própria instauração das ciências. Avaliava que o intelecto humano recebia influência da vontade e dos afetos e se inclinava a ter por verdade o que preferia, sendo de inúmeras formas, aludido e afetado pelo sentimento.

A exaltação da experiência

Francis Bacon trouxe novas alternativas para o entendimento da ciência buscando cercar nossas reflexões de cuidados, a fim de que não sejamos atrapalhados pelas diversas concepções fantasiosas existentes. Em Novum Organum, tornam-se evidentes suas críticas tanto ao uso da ciência como simples exercício da mente quanto aos filósofos gregos. No primeiro caso, Bacon defende a idéia de que não podemos deixar que a mente se guie por ela mesma, pois isso pode nos levar a caminhos ilusórios. Logo, deve-se ligar o pensamento humano à experiência procurando determinar o real alcance de nossos sentidos. Já a crítica aos gregos deve-se ao fato de sua filosofia tradicional não servir ao bem-estar do homem, sendo meramente especulativa.

A partir dessas concepções, cria-se um novo método conhecido como “cura da mente”. Por meio dele, o ser humano passa a disciplinar seus pensamentos de acordo com a experiência que está observando a fim de entender a natureza social que nos é “imposta”. Para isso, Bacon apresenta dois métodos, sendo o primeiro nitidamente mais eficiente: a descoberta científica (interpretação da natureza) e a antecipação da mente (mera contemplação da ciência).

Francis Bacon, em nenhum momento, nega a possibilidade de se alcançar a verdade, mas afirma a dificuldade de se conhecer a natureza utilizando-se dos instrumentos até então “propagados”. Esses estimulariam os quatro gêneros de ídolos que bloqueiam a mente do ser humano, seja por meio da interferência das nossas paixões, pelas diferentes formações dos indivíduos, pelas relações sociais ou até mesmo pelos próprios sistemas filosóficos.

Torna-se claro, por meio do Novum Organum, o quão influenciável é o intelecto humano. Quando este acredita em algo, modifica a realidade para comprovar suas afirmações, sem perceber a debilidade dos sentidos. E é justamente por mostrar que a verdade deve ser buscada sempre por meio da experiência e não da observação, que Francis Bacon tornou-se essencial para a ciência moderna.

Adquirindo um conhecimento científico

Ao começarmos a ler a obra de Francis Bacon " Novum Organum" nos deparamos inicialmente com a crítica ao raciocínio logístico aristotélico, na qual considera a razão como um princípio falho e insuficiente para se chegar ao conhecimento verdadeiro. Em contrapartida, um novo método é formulado: " Nosso método, contudo, é tão fácil de ser apresentado quanto difícil d se aplicar. Consiste no estabelecer os graus de certezs, determinar o alcance exato dos sentidos e rejeitar, na maior parte dos casos, o labor da mente, calcado muito perto sobre aqueles, abrindo e promovendo, assim, a nova e certa via da mente, que de resto, provem das próprias percepções sensíveis. " (Francis Bacon, " Novum Organum, página 02 ). Ainda nesse contexto, o tal método pode ser entendido a partir da exaltação da experiência e observação, sendo que, só assim seria possível fazer descobertas científicas e não chegar a um conhecimento estéril e frágil. Vale ressaltar que Bacon esquematizou as falsas percepções de mundo, mais conhecidas como " Ídolos ". Tais formulações são aplicavéis nos tempos hodiernos, pois o autor afirma, por exemplo, que a interferência das paixões, formação do indivíduo, relações sociais e a astrologia podem " distorcer a realidade", resultando em uma interpretação equivocada dos acontecimentos. Creio que todos nós já enxergamos e agimos de forma diferente quando tomamos conhecimento de certas superstições ou quando estamos apaixonados. Além disso, a crítica dirigida para a filosofia tradicional é respeitosa, pois as especulações usualmente praticadas naquela êpoca não serviu para melhorar a condição humana e sim para levantar algumas questões e para criticar a sociedade em geral, ficando apenas no plano passivo. Assim, concluo que o " Novum Organum " inovou drasticamente o modo de pensar e de concretizar o conhecimento, servindo de base para a nossa ciência moderna.

Valorização da teoria e abandono da prática

Há, especialmente nos dias atuai, intensa valorização da palavra, da retórica, da articulação de raciocínios, do "falar bem". Não vejo, particularmente, nenhuma mal nisso. Contudo, acredito que, além de conhecer e aplicar técnicas que engrandecem o modo como nos expressamos, devemos reavaliar o conteúdo e a aplicabilidade do nosso discurso.

Francis Bacon afirma que, enquanto exaltamos e admiramos os poderes da mente humana, ignoramos suas falhas e não buscamos auxílio para adequá-los. Dessa forma, insistimos em "tagarelar" como faziam os gregos e não geramos conhecimentos capazes de melhorar a condição humana.

Para quebrar tal ciclo de produção inútil, Bacon recomenda domesticar a mente através da experimentação, isto é, embasar as ideias (pensamentos) em experiências observáveis (dados). Ele ainda argumenta que o homem precisa ser levado aos próprios fatos a fim de que ele se sensibilize e se sinta obrigado a renunciar ás teorias (especulações) e comece a produzir efetivamente ciência que auxilie o desenvolvimento humano.

Assim, não basta um cientista social mergulhar em livros, teorias, filosofias para chegar a um conhecimento relevante á sociedade sem visitá-la; não basta um político tecer seu discurso em favor dos oprimidos sem conhecê-los; não basta um médico receitar um medicamento sem saber se seu paciente conhece noções de prevenção da doença.

Portanto, é importante que o homem continue se expressando bem; porém, mais do que isso, é essencial que ele inove, experimente, busque conhecimentos que surtam efeito sobre o bem comum.

Experiências, Análises, Inovações.

"Mas aqueles dentre os mortais, mais animados e interessados, não nos uso presente das descobertas já feitas, mas em ir mais além; que estejam preocupados, não com a vitória sobre os adversários por meio de argumentos, mas na vitória sobre a natureza, pela ação; não em emitir opniões elegantes e prováveis, mas em conhecer a verdade de forma clara e manifesta" (Francis Bacon, "Novum Organum").

No passado, filósofos se prenderam à imaginação e à adoração dos elementos naturais. Dessa forma, alguns avanços foram obtidos nas ciências. Mas o que se vê no trecho acima, da obra de Francis Bacon, é uma mudança radical no método. Não basta descobrirmos e admirarmos a natureza, precisamos dominá-la. Muito menos se trata de convencimento pelos argumentos, mas de uma minunciosa análise dos fenômenos naturais. Busca-se inovações, não falatórios. Outro trecho da obra que pode nos mostrar esse pensamento é:

"Desse modo, é de se esperar que há ainda recônditas, no seio da natureza, muitas coisas de grande utilidade, que não guardam qualquer espécie de relação ou paralelismo com as já conhecidas, mas que estão fora das rotas da imaginação. Até agora não foram descobertas..."

A ciência não nasce da retórica, mas da análise e experimentação. Para Bacon, todo estudo deve ser empírico. A retórica pode ser útil em outros momentos, mas é desprovida de valor científico. Só os fatos são reais, não as ideias.

Bacon também alerta quanto às distorções que nossas análises podem sofrer devido a fatores que ele classifica como ídolos. A neutralidade é improvável. Esses ídolos podem ser nossas paixões, nossa formação, relações interpessoais que mantemos, ideologias, etc.

É, por fim, relevante considerar que "Novum Organum" foi publicado em 1620. Após o século XVII, surgiram os maiores avanços da história, que em milênios anteriores não haviam sido, se quer, sonhados. Podemos ter a certeza de que surtiu efeito essa nova forma de pensar ciência.

Evolução Constante

Francis Bacon, em sua obra “Novo Organum”, argumenta que o objetivo da filosofia e de todos os campos da ciência deve ser o aprimoramento da condição humana. De fato, a história do homem e, muito mais, a essência humana tem como principal característica a constante evolução. Desde a Revolução do Neolítico, por exemplo, o homem desenvolve instrumentos de caça e plantio a fim de tornar sua condição mais digna.

Por esse motivo, Bacon faz uma severa crítica aos gregos. De acordo com o autor, os gregos têm a sabedoria farta em palavras, mas estéril em ações. A crítica, portanto, faz-se justa. Uma vez que, os gregos por não desenvolverem um simples experimento que desenvolvesse a condição humana, estagnaram-se na evolução.

A fim de que as próximas gerações científicas e filosóficas não sejam como os gregos, Bacon propõe um método: a cura da mente humana. Nesse método o homem não deve deixar que a mente se guie por si mesma, deve-se criar mecanismos para regular o raciocínio. Através dessa metodologia, o homem seria idôneo para perceber e refutar as falsas percepções do mundo, chamadas pelo autor de Ídolos.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ciência : instrumento útil (para alguns).

Rapidez,inovação,praticidade,tecnologia. Estes são os traços que desenham a fisionomia de nossos tempos. O homem, apoiado sobre ombros de gigantes (como dizia Newton), aplicou seus conhecimentos e valeu-se de suas descobertas,fazendo da Ciência instrumento capaz de promover o bem-estar de seus semelhantes. Seguimos o caminho apontado por Francis Bacon e conseguimos converter o saber,em sua grande parte, em obras. Assim, conectamos pessoas tão distantes,vencendo as barreiras geográficas que se impunham antes por horas ou até dias. As informações e notícias são propagadas e disponibilizadas velozmente,tecendo um retrato dos acontecimentos mundiais em dado instante. Sabemos qual a cotação do dólar na bolsa de valores de Nova York,quais as tendências apresentadas na Semana de Moda de Milão,quais as útimas palavras de Obama, sem ao menos sair de casa. Dispomos de vacinas, medicamentos, tratamentos médicos que insistem em arrastar a morte para bem longe de nós. Porém, nem todos podem usufruir de tais avanços. Muitos se amontoam embaixo de viadutos, engrossam filas em busca de emprego,mendigam assistência médica,imploram por dignidade. São livres? Sim, mas quase sempre encurralados pela sociedade que exclui e marginaliza. "Então, acontece que buscando o que está mais além acaba por retroceder ao que está mais próximo...",como declara Bacon. Fomos capazes de usar todo nosso conhecimento para chegar até a lua, analisar características de planetas tão distantes, entretanto tropeçamos ainda na bagunça de nossa própria casa, cujas paredes revelam as manchas da desigualdade. Diante de tudo isso que se apresenta a nós , preferimos comprar a imagem de "homens modernos","evoluídos" e nos contentamos com a simples satisfação pessoal , sem olharmos para os lados. Segundo Bacon," ... o homem se inclina a ter por verdade o que prefere". Não desenvolvemos remédios para acabar com a fome, nem antibióticos que combatam o desemprego e proporcionem o acesso à educação. A Ciência se fez útil à vida humana, saiu dos livros e manuais, mas não conseguiu servir a todos de forma igualitária.

Discipline a mente

Bacon, em sua obra, critica a ciência como apenas um mero exercício da mente, considerando que essa é eficaz e verdadeira quando possibilita a compreensão da natureza e se traduz em resultados que favorecem ao bem-estar do homem. Entretanto quando fazemos nossa análise e compreensão não podemos deixar que a nossa mente se guie por seus próprios caminhos. É necessário que a disciplinemos afim de que não nos deixemos levar por valores e idéias equivocadas que podem tornar falsas as nossas conclusões. Bacon propõe que para disciplinar a mente, é preciso que ela seja guiada pelos mecanismos de experiências do que se deseja observar. Então se propõe dois métodos: o primeiro seria aquele que consiste da antecipação da mente, ou seja, seria baseado no conhecimento contemplativo, em que bastaria que as afirmações fizessem o mínimo sentido para que fossem tomadas por verdades; o segundo seria aquele considerado ideal, no qual a busca pelo conhecimento se daria por meio da experimentação, chamando-se assim interpretação da natureza. Hoje, sem dúvida, o método mais observado é o da antecipação da mente, pois é a base para o senso comum, devido a sua "ingenuidade" e sendo assim de facil aceitação pela maioria das pessoas. Essa experimentação sem limites proposta por Bacon, aliada ao método cartesiano formam as bases primordias da ciência moderna, que consiste, assim como mencionei na minha última postagem, em: análise das categorias mais primárias do estudo segundo experiências, e dessa forma ir progredindo na complexidade das análises, afim de se chegar a uma formulação de novos conhecimentos que possam contribuir de modo eficaz no bem-estar humano.

Bacon e as bases da ciência moderna.

Devido as concepções difundidas entre as pessoas devido ao cotidiano e a filosofia, Bacon coloca sob suspeita o trabalho autônomo da mente, e por isso, defende que ela deve ser regulada pela experimentação e pelos sentidos. Com isso, Francis Bacon atenta seus leitores para a relatividade das idéias, e para o fato de que estas podem conter vícios (tais como a elaboração prematura de teorias) que dificultam o acesso ao conhecimento verdadeiro. Com isso, ele propõe que os homens devem recorrer a experimentação em detrimento das antecipações da mente para realizarem descobertas cientificas.

Tais idéias serviram de base para o desenvolvimento da ciência moderna, que apresenta um caráter empírico e racional e foi responsável por descobertas muito uteis ao homem. Estas inovações poder ser exemplificadas pelos avanços na medicina ( como é o caso dos transplantes, da hemodiálise, entre outros), desenvolvimento de sistemas meteorológicos e os avanços nas áreas de comunicação e transportes.

quarta-feira, 30 de março de 2011

terça-feira, 29 de março de 2011

Escrito em 1637, o que tornou o Discurso do Método um texto clássico foi a apresentação que nele Descartes fez do método de raciocínio que utilizava na sua busca pelo conhecimento da verdade.

O "método" começa com o ceticismo (para superá-lo), duvidando de tudo que é então conhecido (pelo costume, pelo senso comum, pelos sentidos e pela autoridade), aceitando apenas aquilo que é indubitável. A partir dessa primeira verdade, progressivamente acumula novos conhecimentos, dos mais simples até os mais complexos e difíceis, fazendo uso, para isso, exclusivamente da razão.

Uma das coisas mais interessantes no texto é a forma inusitada, para mim, na qual ele foi escrito, em linguagem literária e não acadêmica. Descartes cria imagens e metáforas belas e as considerações que faz sobre a busca pelo conhecimento , a ciência, a relação entre corpo e mente e a razão acabam despertando mais interesse do que o método em si - nesse caso, talvez as inovações mais importantes presentes nele percam um pouco da vitalidade em uma cultura já tão influenciada pelo racionalismo e pelo progresso científico.

O matemático diz que todos homens são dotados de razão na mesma medida e que a diversidade de conclusões existente entre eles se deve apenas ao caminho percorrido por cada um na orientação de seu pensamento. Essa observação é importante, e se de fato existir uma forma de se proteger do erro e garantir a qualidade do raciocínio, e essa forma puder conduzir o pensamento de qualquer pessoa rumo uma conclusão eficaz, sem dúvida o estudo dela deve ser o campo de conhecimento primeiro e fundamental, e sem sua superação fica inviável a reflexão sobre qualquer outro assunto.

O racionalismo fundamenta a fé


Em sua obra, Discurso do Método, René Descartes inaugura o racionalismo e propõe, assim, uma maneira irreverente de conceber o conhecimento, se distanciando das formas anteriores a ele. Esse pensador teoriza um método para conhecer a realidade que não se deixa enganar ou influenciar por quaisquer pré noções ou explicações até então propostas, sejam elas religiosas, sobrenaturais ou tradicionais. Dessa forma, utiliza da dúvida para chegar à verdade, pois ao duvidar metodicamente de tudo, passaria a considerar como verdadeiro aquilo que não fosse possível duvidar. E é duvidando que Descartes chega à primeira verdade, a qual é uma das frases mais célebres do pensamento moderno, “Penso, logo existo”.

Ao seguir em frente com o seu raciocínio, Descartes considera que o conhecer é mais perfeito que duvidar, e que nós, seres humanos, somos seres que duvidam; portanto não somos totalmente perfeitos apesar de existirmos. E, então, chega a conclusão que, a meu ver, chocou e ainda choca vários pensadores céticos; a existência de uma entidade mais perfeita e superior a nós que nos concebeu, ou seja, Deus.

Acredito que essa afirmação, ou melhor, constatação gera polêmica, pois muitos pensadores acreditam que a crença na existência de Deus é falsa por não ter nenhum embasamento científico, mas Descartes por meio de um método extremamente racionalista conseguiu afirmá-la sem valer-se de explicações meramente teológicas. Penso que esse foi um grande feito do autor, pois ele conseguiu mostrar que razão e fé não se contradizem, mas, na verdade, se complementam.

Considerações Cartesianas, ou Fundamentais


A existência do império da razão e suas implicações caracterizam bem o método inovador proposto por René Descartes em sua obra Discurso do Método. Nela, ele expõe a origem, o desenvolvimento e a finalidade de seu método; porém, parece fazê-lo sem demagogia, não tendo intenção de impor o seu meio de pensamento para o leitor.


Essa postura racionalista (exemplificada pela sua célebre frase: cogito, ergo sum; ou seja, penso, logo existo) tem como fim a criação de um novo estilo de vida, sendo que somente as idéias indubitáveis habitariam a mente humana (isto é conseguido através do uso da dúvida hiperbólica, ou seja, o abandonamento de todo pensamento que possa ser questionado). Ademais, é constituinte de seu método a desconstrução de coisas complexas em outras de um grau de compreensão mais inteligível e, consequentemente, a sua reconstrução para sua total compreensão.


Dentre isso, é surpreendente como um indivíduo que aprendeu e se aprofundou em todas as disciplinas da escolástica (apesar de depois dispensá-las) conseguiu se dissociar sem maiores problemas dessa base intelectual e criar seu próprio método de construção, análise e interpretação de pensamentos. Também é notável que, apesar da extrema importância dada à razão por Descartes, ele defende a existência do primeiro-motor, ou seja, de Deus. Não há para ele, antagonismo entre Ciência e fé, sendo ambas provindas da Natureza.


Pode-se retirar da obra a importância de se estabelecer o seu próprio método de, simploriamente falando, se viver. Sendo influenciado drasticamente ou não por aspectos racionais, mas sempre buscando um caminho para se seguir com suas convicções e de existir em sua melhor forma possível.


O método de Descartes e a modernidade

Descartes apresenta em O Discurso do Método um modo de se alcançar o conhecimento baseado em uma conduto composta de regras, dentre as quais está a de que a verdade aparece sempre clara e distinta. Por isso seu grande apreço pela matemática, que teria a vantagem de apresentar-se claramente por elementos simples como números. Da intenção de estender a matemática para outras áreas do conhecimento nasce o plano cartesiano, que representa sua ambição em racionalizar tudo e fazer análises objetivas. Em seu estudo da verdade no mundo material, ele parte de uma primeira ideia:"Penso, logo existo", obtida do mais puro raciocínio lógico - todo pensamento é pensado por algo que existe, portanto o Eu é uma coisa pensante que tem seu correspondente fora da mente e é o ponto de partida do conhecimento. Essa primeira verdade resultante de procedimento metódico intelectual é uma firme base para a construção do conhecimento, já que não pode ser posta em dúvida justamente por aparecer clara e distintamente aos nossos olhos. O pensamento de Descartes serviu de base para o advento da modernidade na medida em que a busca pela verdade parte do próprio Homem sem se recorrer à verdade revelada e, para alcançá-la, haveria uma conduta de reflexão solitária marcada pela dúvida acerca de conclusões alcançadas sem o método, pelo objetivismo e pela lógica. Na modernidade, tudo deve ter uma base lógica e racional para ser crível, o que não tem é duvidoso; a subjetividade, por sua vez, perde espaço. Por outro lado, o trabalho científico ganha liberdade: é o Homem quem constrói o saber.

segunda-feira, 28 de março de 2011

O racionalismo cartesiano.

Em sua obra “O Discurso Sobre O Método”, de 1637, René Descartes discute o conhecimento e os meios de obtê-lo. No contexto do renascimento rompe com os padrões da Filosofia Clássica. Tendo por base o racionalismo, questiona a veracidade das coisas e as maneiras convencionais de alcançar a sabedoria. Opõe-se ao conhecimento transmitido pelo hábito e baseado em sentimentos, crendices populares ou misticismos.
 Propõe que para chegarmos a uma verdade, temos que questiona-la e explica-la baseados na razão, que é igualmente presente em todos os homens, deve-se para tanto privar-se de filosofias especulativas ou experimentalismos. Cita alguns princípios para alcançar a razão científica, como evitar precipitações e presunções, dividir ao máximo as dificuldades para melhor serem analisadas e iniciar o estudo por assuntos mais fáceis para atingir, gradativamente, os mais complexos. Tinha a ideia de que a ciência deveria ser um bem para os homens, sendo útil a vida cotidiana e ajudando o ser humano a domar e modificar a natureza.
Quanto a existência de Deus, Descartes tinha-a como verdade absoluta. Tenta provar a existência divina na noção de perfeição. Vê em Deus o último referencial do conhecimento.
Os escritos de Descartes foram de suma importância para o desenvolvimento científico humano, e deu bases a filosofia moderna.  Ao refletimos, nos dias de hoje, sua obra vemos a importância dessa noção inicial de separação de ciência e censo comum, que é por muitas vezes errôneo e retrógrado. Vemos também a importância da dúvida para o conhecimento.
Contudo, muitos discordam com seu método no que diz respeito a falta de experimentalismo inútil. Outra questão que a leitura nos remete é a da existência divina e da coexistência da ciência e da religião, que hoje, são vistas com certo antagonismo.

As raízes do rigor racionalista de Descartes

A partir do livro “Discurso sobre o método”, René Descartes revoluciona todos os campos do pensamento da época com o desenvolvimento do método cartesiano. Este método seria um instrumento, que bem manejado levaria o homem à verdade, colocando em dúvida tanto o mundo das coisas sensíveis quanto o das inteligíveis, ou seja, consiste em aceitar apenas aquilo que é irrefutável e consequentemente elimina todo o conhecimento inseguro ou sujeito a controvérsias.

O objetivo de Descartes era de abranger numa perspectiva de conjunto unitário, todos os problemas propostos na investigação científica, sendo que a evidência da própria existência traz uma primeira certeza. A razão seria a única coisa verdadeira da qual se deve partir para alcançar o conhecimento.

Com isso, a ciência, que até então se baseava em qualidades obscuras, a partir do século XVII, torna-se capaz de reduzir o universo a mecanismos mensuráveis, que a geometria pode explicar, eliminando qualquer influência com característica mitológica. Hoje, mesmo que sua visão de mundo apresente sérias limitações, o método que Descartes idealizou, ainda é muito útil na abordagem de problemas intelectuais, possibilitando uma notável clareza de pensamento, o qual proporciona questionamentos sobre a própria origem e visão de mundo.

Cesse tudo que a musa antiga canta

Descartes prega que para atingir a verdade deve-se, antes de tudo, duvidar. Duvidar de conceitos que surjam ou de conceitos pré-estabelecidos, mesmo que estes representem tradições tidas como verdadeiras.

Existem conceitos enraizados em nossa sociedade há muito tempo e que são passíveis de questionamentos. Alguns deles já têm deixado de existir, como por exemplo o de que o homem é um ser superior à mulher. Contudo, muitas pessoas ainda precisam duvidar de muitas "verdades", como nos provam as notícias relacionadas a racismo, homofobia, intolerância religiosa, xenofobia, entre outras.

Se considerarmos que adotando o método proposto por Descartes chegaremos à verdade absoluta, ainda precisamos duvidar mais e seguir no caminho da racionalidade buscando extirpar verdades relativas tão antigas e prejudiciais.

O legado cartesiano

Em tempos de conhecimentos sustentados por aspectos religiosos, místicos e mágicos, René Descartes, em Discurso do Método, evidencia a necessidade dos métodos científicos para a construção do conhecimento, só sendo possível alcançar conhecimento por meio da razão.

Para isso, o filósofo partiu do princípio da fragmentação de conceitos e ideias, com a intenção de atingir verdades primordiais que funcionassem como alicerce para outros pensamentos e verdades. Não satisfeito com os resultados desse pensamento, Descartes fez o oposto. Decidiu que deveria rejeitar tudo aquilo que pudesse propiciar a menor dúvida, com o intuito de ver se, depois disso, restaria algo que fosse completamente incontestável. Porém, diante de tantas indagações sem resposta, julgou todo esse incansável ato de pensar como a única certeza sólida e correta, criando então o seu primeiro princípio com a máxima: ‘’penso, logo existo’’.

Com isso, sempre pensando, Descartes criou o hábito da dúvida e passou a questionar ainda mais o mundo e as suas verdades, de forma que o conhecimento se deparava nos mais diversos labirintos. Refletindo daquilo que duvidava, percebeu que o conhecer era mais perfeito do que o duvidar e, se foi possível que chegasse à essa conclusão, concluiu que havia algo mais perfeito que possibilitou à ele tal conhecimento. Conhecimento esse, que só poderia ter sido colocado nas ideias do filósofo por uma natureza que fosse, de fato, perfeita. À essa natureza, Descartes denominou ‘’Deus’’.

E foi assim, defendendo a busca por conhecimentos sólidos embasados na razão e em conceitos concretos e, ao mesmo tempo, considerando uma natureza superior que orienta o nosso pensamento - Deus - que, de forma antagônica, o pensamento cartesiano sustentou suas ideias e proporcionou o advento da evolução da ciência e do homem.

Além disso, assim como Descartes se utilizou do pensamento socrático durante os seus questionamentos, ao negar tudo aquilo que pudesse propiciar dúvidas -‘’só sei que nada sei’’- é fundamental que o mundo contemporâneo se utilize do legado cartesiano, pois muitos dos entraves atuais poderiam ser trabalhados com os conceitos desse filósofo. Em época de tantas diferenças e heterogeneidades, da mesma forma que Descartes concluiu que a fé e a ciência não são opostos, mas se completam, os conflitos e as diferenças da atual conjuntura deveriam seguir essa mesma perspectiva, possibilitando o desenvolvimento não só da ciência, mas também das relações humanas.


"A velocidade é irrelevante quando se vai na direção errada"



Segundo René Descartes, “os que andam muito devagar podem avançar bem mais, se continuarem sempre pelo caminho reto, do que aqueles que correm e dele se afastam”. É assim, que o filósofo francês, conduz “O Discurso do Método”, orientado pela razão como forma de superar a superstição, a magia e a alquimia na construção do conhecimento.


Para compreender a fundo sua obra é indispensável levar em consideração o contexto histórico no qual ela foi escrita. Um período de transição entre a Idade Média e a Idade Moderna, onde a ciência e a razão ganhavam força em uma sociedade marcada pelo predomínio da Igreja e a exaltação da fé.


Acreditando ser a razão a única coisa que diferencia homens de animais, Descartes busca verdades e princípios de caráter absoluto e imutável dentro da ciência. Descrente do ensino tradicional, bem como da filosofia baseada na tradição clássica, o filósofo sugere um método quase matemático para conduzir o pensamento humano, acreditando ser este um alicerce firme para a construção de algo sólido. Assim, construir-se-ia tudo, do mais simples ao mais complexo, articulando todas as partes, de forma clara, embasada na razão.


Apesar de sua crítica ao ensino da época, exaltava a aprendizagem das línguas, pois as considerava necessárias ao entendimento dos livros antigos, que eram como conversações com as pessoas mais qualificadas dos outros séculos. Descartes reconhecia assim, a importância da leitura para estimular o espírito, fazer crescer, formar juízo de valor e estimular virtudes. Seu método trouxe inúmeros benefícios para a física, a matemática, e é claro para a filosofia.


Descartes criticava também o conhecimento sobrenatural e duvidava de tudo aquilo que era inculcado pelo hábito. Julgava a dúvida como o princípio fundamental do novo método científico. E em oposição aos outros filósofos, acreditava que a razão era superior aos sentidos na busca pelo conhecimento. Tendo por fundamento o princípio “penso, logo existo”, adotou a clareza como critério de verdade.


Em contraposição à busca do racionalismo como caminho para verdade, segundo Descartes Deus continuava sendo o referencial último do conhecimento, considerado um “ser perfeito”. Assim, caminhando devagar, mas no caminho reto, Descartes lançou as bases do racionalismo, sem romper com a fé cristã, tendo como explicação última do método científico uma fundamentação subjetiva, apoiada em Deus.

O Império do Saber

As idéias teocêntricas e antropocêntricas, comumente analisadas como opostos, formam, na verdade, um elo a partir do Discurso do Método de Descartes. O pensador propõe a soberania do saber, da ciência, do conhecimento, não rejeitando, todavia, a existência de um Deus perfeito.

Para que isso fosse possível, era preciso abolir os pensamentos supersticiosos e mágicos da época, como a Astrologia e a Alquimia. Afirmava que a razão científica era essencial, e que a sua verdade era obtida a partir das dúvidas dos seres humanos, o que alimentaria a sede pelo descobrimento de novos conhecimentos, e tornaria claro, assim, verdadeiro o que há, de fato, os cercando. Adicionalmente, era contrário ao pensamento filosófico, que julgava como verdade o que já havia sido percebido pelos sentidos, se opondo, assim, à existência de Deus.

De fato, Descartes trouxe à tona algumas das formas de percepção vistas até hoje, visto que grande parcela da população acredita fielmente na, hoje, chamada ciência, mas não se desapega à existência de um Deus, não perde a fé, e segue doutrinas religiosas.

Diante de tudo, uma conclusão (aos olhos de Descartes) pode ser tomada: a ciência e seus métodos de busca de conhecimento se fazem indispensáveis, e não podem ser influenciadas por conhecimentos alheios à clareza da verdade ou a crenças religiosas. Contudo, a existência da perfeição, ligada substancialmente a Deus, não deve ser contestada, apesar de os seres humanos tentarem alcançar, sempre, e até hoje, tal feito.

Descartes e seu Método

René Descartes é tido por muitos como o pai do Racionalismo e da Filosofia Moderna. Também matemático e físico, viveu numa época em que a fé era a base do conhecimento. Não satisfeito e descrente com a educação da época, desenvolveu um método próprio para se chegar às verdades que procurava. Partindo do princípio de que pela dúvida se alcançaria o conhecimento, através da razão, desenvolveu estudos em diversos campos que julgava essenciais à vida do homem.
Em seu Discurso do Método, René Descartes vai demonstrando como ia utilizando de forma prática e objetiva (matemática) o seu modo de buscar o conhecimento, através do raciocínio dedutivo. Partiu das dúvidas iniciais sobre a existência do homem e depois, de Deus. "Penso, logo existo" é uma frase célebre de seu trabalho. Marcou de maneira decisiva o caminho que a Ciência adotaria após sua morte.
Em seu trabalho é importante notar que apesar da constatação do homem como corpo e espírito, ele descarta o uso da emoção na concepção do conhecimento. Além disso, o seu método pode ser tido como oposto ao Empirismo, defendido por seu contemporâneo Francis Bacon e que se baseia no raciocínio indutivo. Isso nos leva a perceber que seu método pode fracasssar diante de algumas situações cotidianas. Inclusive o próprio Descartes nos previne em sua obra de que o seu método não é um modelo, que pode ter falhas e isso acaba o eximindo de culpa.
Por fim, embora haja muitas correntes que discutem a produção de conhecimento, o Método ainda hoje é amplamente difundido por conter ricas ideias sobre o bom senso, por exemplo, e sua contribuição para o desenvolvimento da Ciência, a qual denominamos Moderna, é consagrada na História do Homem.