Este é um espaço para as discussões da disciplina de Sociologia Geral e Jurídica do curso de Direito da UNESP/Franca. É um espaço dedicado à iniciação à "ciência da sociedade". Os textos e visões de mundo aqui presentes não representam a opinião do professor da disciplina e coordenador do blog. Refletem, com efeito, a diversidade de opiniões que devem caracterizar o "fazer científico" e a Universidade. (Coordenação: Prof. Dr. Agnaldo de Sousa Barbosa)
Total de visualizações de página (desde out/2009)
domingo, 27 de março de 2011
O método para a conquista do saber
A controversa coexistência entre ciência e religião
O Fundador da Filosofia Moderna
A razão como guia do pensar
Bases do pensamento científico moderno
Desde a dúvida até a verdade
Partindo da investigação, instigada pela desconfiança, de fatos tidos como verdadeiros é que Descartes elabora a obra “O Discurso do Método”. Almejando encontrar o que realmente é ciência, portanto, verdade, o autor traça um caminho sistemático a fim de desvendar os erros cometidos pela aceitação de hábitos ou pressupostos.
Este novo caminho é denominado “método” e consiste em executar ações em determinada ordem visando suprimir lacunas ou solucionar dúvidas relacionadas ao objeto estudado. Entre essas ações encontra-se em primeiro plano a recusa de algo considerado verdadeiro sem ciência total desta condição, isto é, a suposição de que tudo pode não ser verdadeiro até que fique evidente, pela razão, sua veracidade. Em seguida, é proposta uma fragmentação do que surgir como “não confiável” a fim de esclarecer tal problema. Após esta divisão é feito um estudo racional dos pensamentos, iniciando-se pelo mais simples a fim de atingir um raciocínio mais complexo. Então, checa-se o caminho percorrido, metodicamente, para certificar-se de que alcançou a verdade.
Ao relacionar esta obra com a atualidade é notória a utilização de sua essência em diversos âmbitos, desde trabalhos científicos, conforme proposto por Descartes, passando por parte do modelo de assimilação de conteúdo no processo de educação, até a aplicação em rotinas produtivas. Assim, a valorização da razão somado ao processo de conhecimento e ao método de Descartes resulta na condução do pensamento humano de maneira a alcançar as verdades de fato. Isto é, iniciando pela busca clara da verdade são esclarecidas as dúvidas e lacunas durante o processo sistemático, denominado “método”.
O verdadeiro conhecimento
O filósofo defende que no lugar da filosofia especulativa,ensinada nas escolas, o conhecimento dos elementos da natureza deveriam ser aprofundados pois assim seria possível usufruir de seus frutos para o benefício da humanidade. Assim ele nos mostra a ciência como um canal para o bem do homem.
Ao Refletir sobre o que realmente existe, Descartes conclui que o fato de ele pensar em duvidar da verdade das outras coisas faz com que sua existência seja verdadeira, afinal, se ele pensa ele existe.
Outra conclusão a que o filósofo chega é a existência de Deus, pois se ele consegue definir imperfeições alheias e de si mesmo é porque conhece a existência de um ser dotado de perfeição absoluta, pois só com esse conhecimento ele saberia as perfeições que lhe faltam. Além do que , ele não admite o fato de toda a verdade, perfeição e até imperfeições originarem do nada, sendo assim a ideia de um Ser Perfeito é indispensável.
No relato de uma de suas ideias, vê-se a preocupação do autor, que falta aos homens do tempo presente, com o futuro. Segundo ele, nossos cuidados devem se estender para mais longe que o tempo presente. Se o homem atual conseguisse entender a importância de tal atitude difundida por Descartes, o mundo estaria em melhores mãos.
Com estas e outras divulgações em sua obra creio que o filósofo cumpre um dos que era seu maior propósito: colaborar com as ideias de seus leitores após a sua morte. Em sua obra encontramos curiosidade, interesse e cuidados que faltam a grande parte dos homens do mundo atual. Termino a relatação de sua obra citando uma de suas frases, a qual deveria ser incorporada às nossas ideias e objetivos, principalmente no âmbito profissional: "(...)é propriamente nada valer e não ser útil a ninguém.(...)".
Razão, dúvida e verdade
Razão: Sentido Obrigatório
O Discurso do Método, de René Descartes, propõe um modelo quase matemático para conduzir o pensamento humano, uma vez que a matemática tem por característica a certeza, a ausência de dúvidas. Segundo o próprio Descartes, parte da inspiração de seu método deveu-se a três sonhos ocorridos nos quais lhe havia ocorrido “a idéia de um método universal para encontrar a verdade.”
Em toda a obra permeia a autoridade da razão, conceito banal para o homem moderno, mas um tanto novo para o homem medieval (muito mais acostumado à autoridade eclesiástica). A autoridade dos sentidos (ou seja, as percepções do mundo) também é particularmente rejeitada; o conhecimento significativo, segundo o tratado, só pode ser atingido pela razão, abstraindo-se a distração dos sentidos. Uma das mais conhecidas frases do Discurso é Je pense, donc je suis (citada frequentemente em latim, cogito ergo sum; penso, logo existo): o ato de duvidar como indubitável, e as evidências de “pensar” e “existir” ligadas. Além dessa conclusão, Descartes também prova a existência de Deus, especifica critérios para a boa condução da razão e faz algumas demonstrações.
O Método, em seu aspecto de dividir, ordenar e classificar, é a base de muitos conceitos científicos que vieram a ser desenvolvidos nos anos subseqüentes, de grande importância para a humanidade: o sistema de coordenadas cartesiano, o cálculo, a geometria analítica e a disposição estatística em histogramas.
Descartes e a Pós-Modernidade
A aplicação do conhecimento
René Descartes, em o Discurso do Método, tem como objetivo apresentar o método usado por ele para conduzir a sua própria razão. A razão é comum a todos os homens e o que os diferencia é o modo de conduzi-la por cada um.
Ele propõe que haja critérios rigorosos, através da racionalidade, para o pensar humano e que esse conhecimento obtido transcenda o pensar, tendo sentido para aplicação na vida cotidiana.
Independentemente do modo a se obter o conhecimento, o que atrai a minha atenção é a aplicação do conhecimento obtido, é a forma como dirigimos os nossos pensamentos. Atualmente, de modo geral, há na sociedade certa acomodação em que as pessoas não priorizam mais o pensar humano e nem a aplicação do mesmo em suas vidas. Sabemos o quanto é necessária a busca contínua do conhecimento para tentarmos transformar as coisas ao nosso redor. Eu sugiro que gastemos uma parte do nosso tempo refletindo sobre a sociedade e o que podemos fazer para tentar melhorá-la.
Descartes em sua obra o “Discurso do Método” tenta comprovar a existência de um Ser perfeito e sobrenatural, Deus. Para isso, ele inicia seu raciocínio indicando perfeições no mundo real, como por exemplo, a esfera na geometria. Por dedução, Descartes conclui que a existência de algo perfeito no mundo sensível é um indício que há um Ser perfeito no metafísico.
Embora, Descartes seja um hábil defensor da razão, em sua obra ele comunga razão e religião, ao argumentar que existe um Deus que está por trás de toda a ciência feita pelo homem, ou seja, toda a verdade encontrada pelo homem é proveniente de um Ser perfeito.
Com vista no pensamento de Descartes, pode-se dizer que conflitos seculares entre Religião e Ciência, que até hoje fazem parte da sociedade, poderão apenas ser respondidos com a conciliação de ambos os lados. É necessária a aliança da razão e do sobrenatural.
A razão na busca da verdade científica
Além disso, outro ponto que nos chama a atenção é o modo praticamente matemático como o autor consegue tratar assuntos filosóficos e abstratos como alternativas de busca do conhecimento. Não é à toa que até hoje haja o "plano cartesiano" na área matemática, meio pelo qual a organização de dados facilita a visualização dos resultados e as consequentes conclusões.
Deixando de lado a alquimia, a magia, e a intuição no sentido de defender algo cuja existência não tem prova baseando-se apenas na suposição ou especulação de algum pensador, Descartes ganha seu papel iniciando um novo método de pesquisa e busca do conhecimento. A racionalidade e a razão devem a ele sua valorização em uma época na qual a religião possuía fortíssima influência nos pensamentos. Separando um e outro (justamente ao provar Deus, crê-se a liberdade de o filósofo propor seu método) o saber, que foi-se acumulando, conheceu novos caminhos com princípios consistentes que propiciaram tantas descobertas em prol de informações úteis à sociedade.
O método como instrumento na busca da veracidade dos fatos
A razão como único fundamento que nos diferencia dos animais, é o grande instrumento que constrói o método científico, permitindo a elevação do conhecimento. René Descartes, filósofo, físico e matemático francês, analisa em sua obra “O Discurso do Método” o caminho na busca da verdade dentro da ciência através da razão. Utiliza o método como meio de superar as superstições, criticando o “conhecimento sobrenatural” e o que foi adquirido apenas pelo hábito ou por exemplos.
A observação e os questionamentos são princípios fundamentais na construção de método científico e os fatos indiscutíveis, claros e confiáveis, sem nenhum tipo de suspeita, são os critérios da verdade. Descartes, devido a esse caráter claro e absoluto, propõe um modelo quase matemático para conduzir o pensamento do homem.
O autor evidencia também a existência de um Ser perfeito e soberano, que possui tudo o que dependemos e de quem recebemos tudo que possuímos. Esse ser é Deus, e sua existência é indubitável, e nós somos sua imagem imperfeita. Dessa maneira o autor cria certa contradição, visto que, apesar de seu caráter completamente racional, e de não acreditar em valores místicos, acredita piamente em Deus como ser superior.
Para Descartes, o que se diz pensante evidencia a própria existência, remetendo assim ao princípio filosófico “Penso, logo existo”. Visto que, não pode, ao refletir se os seus pensamentos são reais, negar que esteja pensando, pois a mente pode raciocinar sobre coisas de sonho e reais. Portanto, concluiu que tudo deve e pode ser posto em dúvida, exceto o fato de que pensa. É através do pensamento que a racionalidade origina os métodos que evidenciam a veracidade de seus argumentos.
Os limites do saber
Para isso, Descartes critica o ensino tradicional e a filosofia especulativa, a qual teria alicerces muito frágeis e passa a duvidar de tudo aquilo que poderia lhe enganar. Em sua dúvida metódica, o filósofo coloca em questão a observação direta, desconfiando do testemunho de nossos sentidos e também dos nossos sonhos, pois esses constantemente nos iludem.
Nesse ponto, René Descartes, surpreendendo grandes pensadores, conclui que Deus existe, pois se o ser humano possui o conceito da perfeição, alguém todo poderoso deve ter implantado essa ideia nele. A partir daí percebe-se que há duas coisas que podem ser inferidas com absoluta certeza: que apesar de não conhecer sua própria natureza, o ser humano existe e que ele tem consciência das experiências que vive. Descarte sintetizou essa conclusão numa frase latina que se tornou famosíssima: Cogito ergo sum, traduzida por "Penso, logo existo".
René Descartes, apesar do receio em relação às conseqüências da publicação de seus pensamentos, foi um dos grandes criadores do racionalismo e devido à sua influência, a busca da certeza dominou a atividade intelectual no Ocidente.
Das interrogações aos pontos finais
Magia, alquimia, astrologia, filosofia especulativa. Várias são as chamadas “más doutrinas”, “bases” pouco sólidas, que Descartes critica em seu livro Discurso do Método. Objetivando realizar um sistema (método) por meio do qual um conhecimento sólido e racional seja construído, o pai da filosofia moderna propõe descartar os alicerces do saber que não sejam firmes. Para essa tarefa, utiliza a dúvida: questiona a realidade sensível, os sonhos, toda “idéia” formada até então. Nesse instante, chega à conclusão de que pensa, logo existe; a partir da qual edifica o conhecimento, a busca de certezas claras e distintas. Defende, em seguida, um estudo sistemático: de início, analisam-se problemas ou partes menores de um assunto; após isso, aumenta-se a complexidade, até que, por fim, as partes são relacionadas.
Tal análise permitiu o desenvolver da ciência, tornando-se instrumento de grande utilidade no cotidiano, na vida. Como exemplo, a valorização do pensar propiciou o surgimento de máquinas, mercadorias, eletrônicos, além dos meios digitais, utilizados de modo amplo atualmente.
Ademais, o princípio da dúvida gerou questionamentos a respeito do que se conhecia até o momento. Dessa maneira, desenvolveram-se matérias como a medicina, química (o anseio pela cura de doenças levou à fabricação de medicamentos e à elaboração de técnicas cirúrgicas), biologia, física, as quais ainda hoje decifram a mecânica da natureza. Essa característica também expandiu-se para o campo das ciências sociais: duvidando de concepções antigas para com negros, portadores de necessidades especiais e idosos, formaram-se costumes, normas visando ao respeito a eles.
Observa-se, portanto, a contribuição da herança cartesiana no âmbito científico, permitindo um conhecimento seguro, livre de superstições no que se refere à dinâmica ambiental (sem negar Deus – ser perfeito de quem se originam os elementos evidentes e distintos, criador dessas obras). Desse modo, conclui-se que as dúvidas, interrogações, revelam a imperfeição humana, mas também o combustível, a vontade de se chegar à perfeição, aos incertos pontos finais da ciência.
sábado, 26 de março de 2011
Cartesianismo e ciências humanas
Em tempos de ascensão de uma classe burguesa, que se alicerçava na obtenção de lucros através do trabalho e do empreendedorismo, e não de benefícios concedidos, a ciência moderna (neutra, liberta de sentimentos, prática e aplicável) de Descartes passa a ser acatada, para que se pudesse otimizar os processos de um incipiente capitalismo.
Dispensável é dizer que a linha de pensamento promovida por Descartes conferiu inúmeros e inigualáveis progressos à sociedade, até o momento, carente de conhecimentos aplicáveis no mundo real. No entanto, é interessante observar a influência que ela exerceu e exerce no intelecto dos mundos moderno e pós-moderno, em variadas áreas do saber. A partir do momento em que uma classe industrial, e, portanto, geradora de conflitos sociais, coloca em voga uma filosofia metódica, que não se envolva em questões humanas, não estaria ela evitando o questionamento da ordem imposta por ela própria, da qual se beneficia em detrimento de outros? Favorecendo a disseminação de um raciocínio mais apropriado às ciências exatas, não estaria tentando manter distante o aprofundamento nas ciências que proporcionam condições de crítica quanto à ordem na qual se vive? E não seriam também essas as ciências mais imprescindíveis à formação cultural do indivíduo, sua proteção contra a alienação e contra a aceitação de tudo que lhe é imposto pela sociedade? São essas questões a se considerar acerca do apelo ao pensamento de linha cartesiana.
A Razão como Luz da Ciência
Para Descartes a dúvida tinha papel fundamental na criação cientifica, pois através dela podem-se eliminar eventuais equívocos e erros, além de colocar em xeque mitos, tradições e costumes que em nada contribuem para a construção do verdadeiro conhecimento, mas podem gerar falácias que não devem ser consideradas pela ciência, pois a através dela deve-se chegar apenas à verdade e nada mais.
A Razão é a única forma para se chegar ao verdadeiro conhecimento na medida em que por ela é possível distinguir o verdadeiro do falso, analisas experiências e chegar a conclusões verdadeiras sobre os varias fenômenos da natureza. Dessa forma Descarte acreditava que a através da racionalização a ciência poderia construir as suas contribuições para a sociedade.
Deus, segundo Descartes, era o criador de tudo, pois para a criação da natureza, que é perfeita, e do homem, que é dotado da razão, é necessário a existência de um ser superior, criador de tudo. Se através da máxima “eu penso, logo existo” pode-se chegar à conclusão da existência do homem, e através da razão pode-se provar a existência das leis da natureza e, portanto, dela própria, conclui-se que Deus existe. Porém como não se pode comprovar que o ato da criação em si foi feito por Deus, a crença em sua existência continua tendo por fim ultimo a fé.
Assim, podemos concluir que Descartes fez uma contribuição de suma importância para a ciência ao descrever os métodos que essa deve usar para as suas investigações. Devemos, portanto, tirar proveito dos seus ensinamentos e nos guiar pela Razão e sempre duvidar daquilo que não se pôde comprovar, dessa forma nós poderemos, assim como Descartes, contribuir para a evolução da ciência e, consequentemente, da humanidade.
Razão, Fé e Verdade - O tripé do conhecimento cartesiano
Ciência: Da inquietação ao limite
Descartes busca o tempo todo desvencilhar-se do senso comum, dos hábitos e do metafísico. Encontra, através da dúvida, algo de que não pode duvidar: a existência daquele que pensa; e a partir daí inicia sua procura por um caminho para a verdade.
O autor não consegue, no entanto, se livrar do ideal de que exista no mundo ou fora dele algo infinito, eterno, imutável, perfeito. Ele considera isso um ser, exterior a ele, e supõe que esse ser seja o mesmo o qual os outros chamam de Deus.
Ainda hoje, quando se busca o conhecimento verdadeiro, tem se de passar pelo metafísico. A ciência, ao fim, vai encontrando cada vez mais pontos em comum com a fé, da qual não sabemos se é realmente dissociável. A busca de um método baseado estritamente no pensar é boa por nos livrar de mitos e doutrinas que nos aprisionam, pois só percebe que está acorrentado aquele que se inquieta.
No entanto, esse método possui seus limites, visto que o homem ainda precisa crer em algo, seja por necessidade legítima da psique, seja pelo pavor de tornar-se dono de seu destino.
Fábio Augusto, 1º DN
Método Universal.
A Divindade da Razão em Descartes
No “Discurso do Método” de Descartes, o autor, entre as demais reflexões, propõem uma interpretação diferente daquela que crê no homem como produtor independente de todo conhecimento e possuidor da razão, como a que há no movimento filosófico iluminista, por exemplo. Para ele, as coisas e as conclusões do homem, tomadas como verdadeiras pelo fato de serem concebidas de forma distinta, segundo ao raciocínio adotado pelo autor (“as coisas que concebemos muito clara e distintamente são todas verdadeiras”), são providas de um ser perfeito e soberano, Deus para ele. Este nos daria a clareza das idéias através da alma imperfeita que temos; e esta mesma, por ora, seria feita a partir do próprio ser perfeito, sendo nós reflexos imperfeitos dele.
Isto é uma das exposições que o autor faz, principalmente no trecho quarto do texto. E por ela, ele concluiu como surgem os postulados verídicos e, principalmente, a existência de alma e Deus. Aspecto peculiar este último, pois mesmo Descartes sendo extremamente racional e apoiando uma nova ciência livre de todos os misticismos e suposições sem fundamentos, ele acredita ainda que haja algo de divino e supremo dentro dos homens.
Diogo de Souza Mazzucatto Esteves - 1º Noturno
Um método que permite alcançar a verdade?!
Descartes parte do princípio da negação das verdades absolutas, ao considerar que as percepções dos sentidos humanos não sejam realmente verdadeiras, mas apenas imaginações criadas pela mente humana, como ocorre nos sonhos; e a partir disso, desenvolve um método científico que possibilite a verificação dessas verdades. Um método que tem como base a razão, e que permite a ele a afirmação da existência de um ser Perfeito, um Deus, que é responsável por todas as coisas existentes, e também a afirmação de sua própria existência, por possuir a capacidade de pensar, elucidada pela célebre frase: “Penso, logo existo.”.
Novo estágio do pensamento filosófico
O conhecido filósofo francês Descartes (1596-1650) é considerado o fundador do racionalismo moderno, inaugurando, assim, uma nova postura do conhecimento humano.
Fé x Razão
Vários argumentos são tecidos acerca disso. Primeiro, poderíamos considerar que para Descartes, a existência de Deus é inquestionável, por ter ele vivido em um período medieval, onde o Cristianismo controlava todo o conhecimento. É válida tal afirmação, contudo, limitada. Descartes não foi o único que chegou a tal conclusão de modo racional. Para Aristóteles (antes de surgir Cristianismo), o mundo precisava de um primeiro motor, sendo então Deus um "ato puro". Sir. Isaac Newton, outro grande pensador, disse: "Os movimentos que os planetas têm hoje, não puderam originar-se através de causas naturais isoladas, mas, sim, lhe foram impostos por um agente inteligente". Atualmente, nos Estados Unidos, são ministradas aulas sobre Criacionismo, e não evolucionismo. Diferente do que se pode pensar, as crianças não usam bíblias nas aulas, mas livros científicos baseados nas mais recentes descobertas. Alguns brasileiros, que se acham erudítos, ousam dizer que o "Gigante do Norte" retrocedeu no ensino infantil; cegos não veem que o Brasil, em suas melhores escolas, utiliza pesquisas (quando recentes) com atraso de trinta anos.
Retomando Descartes, podemos afirmar que na impossibilidade de racionalizar, seu recurso final é a fé. Errado! Hoje, a ciência estuda um novo ramo, chamado "Desing Inteligente". Entende-se que apenas um "ser inteligente" pode criar "vida inteligente". Fé seria crer que um universo imenso, com toda sua complexidade e leis perfeitas, surgiu sem que alguem perfeito o tivesse planejado. Não se trata de um critério subjetivo, mas de uma impossibilidade de negar.
Entendam que meu intento não é prova que Deus existe, mentes superiores já o fizeram ao longo da História. Meu desejo é apenas levantar uma questão: "Por que, após tantos pensadores explicarem, é ainda tão difícil tratar desse assunto?". Falar sobre Deus é polêmico, sendo impossível para alguns, simplesmente, escutar qualquer afirmação. Talvez, ouvir falar sobre o Criacionismo fira a sua fé.
O método gradativo, cumulativo e racional de Descartes
Logo no começo de “Discurso do Método”, René Descartes evidencia a razão como sendo a única coisa que nos distingue dos animais, e inicia-nos em seu método, com o qual mostra-se muito exigente e crítico. É esse criticismo que o leva a duvidar de tudo e a usar a razão na busca da verdade. Busca essa que devia dar-se de forma gradativa até que se alcançasse a verdade plena.
Descartes pensa ser o homem o elemento central na construção do conhecimento, é dele a responsabilidade de explicar os fenômenos que envolvem sua vida. Por isso, a ciência deveria ser usada como um instrumento público e cumulativo a favor da sociedade, o que leva o estudioso a criticar a filosofia especulativa, que não traz um efeito imediato à vida humana.
Um diferencial na obra de Descartes é a relação que ele estabelece entre a racionalidade e a mecânica divina, ele considera que seria necessário desvendá-la para transformar o mundo, usando-a em favor do homem.
É o comprometimento de Descartes com a racionalidade, com a clareza na exposição das ideias, que torna seu estudo ainda atual, já que a aplicacão desses conceitos mostra-se útil em diversas áreas de nossas vidas até hoje.
O Método aplicado ao Discurso do Método
Diante disso, diferentes homens têm como evidentes opiniões diferentes, e as consideram tão corretas que assim nos parece imperativo não considerar nehuma delas correta. Contudo, é estranho pensar que nehuma opinião seja, de fato, correta. Pode ninguém saber qual. de fato é a vertente correta, mas ela existe. E o método de Descartes se propõe a encontrá-la.
Nota-se que o método é voltado para o próprio indivíduo, istó é, a apreensão de mundo e resoluções acerca de suas verdades derivam da própria razão, e não da crença ignorante nos sentidos, que "corrompem" a realidade. Há que se dizer, a razão nem sempre é imparcial e, não raro, está sujeita às paixões humanas. Por isso, é sensato buscar primeiro uma verdade que seja evidente por si mesma, para depois estender-se em demais buscas, gradativamente mais complexas. Descartes chega à seguinte: "Penso, logo existo".
Ocorre que essa verdade parece, sim, evidente. Contudo, esse sentido de "existo", para ele, é essencialmente imaterial, ou seja, não depende de corpo ou lugar para "acontecer". E é daí que Descartes nos expõe sua ideia de que a alma é distinta do corpo. Ora, consideremos esses fatos mais detalhadamente. A capacidade de pensar, tal como a entendemos como a faculdade de elaborar raciocínios os mais sofisticados é, até agora, uma exclusividade humana. Ela deriva de um cérebro mais bem constituído, onde ocorrem reações químicas que possibilitam esse fenômeno. Esse "existo" precisa, então, ser material. O cérebro de um animal outro não é capaz disso. Tampouco uma pedra é capaz de raciocinar. Se, por acaso, o que acabo de dizer for uma inverdade, então começarei a ter sérias desconfianças em relação àquele peixinho que está logo alí, no aquário. Ele saberia como disfarçar sua inteligência superior. Quem sabe a Revolução dos Bichos não seja tão utópica assim. E ficaria até mesmo constragido, pois já disse muitas coisas idiotas perto de pedras. Devem ter feito chacota de mim.
Vê-se por aí que Descartes concebeu um método que, é certo, pode ser muito útil, mas necessita ser visto e revisto, por que, veja bem, para ser um método perfeito, ele mesmo deveria ser uma verdade. E isso faz pensar que ele deveria ter passado pelo crivo de outro método, e assim sucessiva e infinitamente. Então, parece de uma arrogância e presunção tremenda querer chegar à verdade.
Um outro enfoque, um tanto empolgante, sobre o pensamento cartesiano: a tentativa de provar a existência de Deus. Descartes parte do pressuposto de que o conhecimento é mais perfeito que a dúvida e que, por isso, não pode derivar da imperfeição humana, mas sim necessita ser inculcado em nossa mente por um ser superior. Parece óbvio que a perfeição necessita derivar da própria perfeição. Mas, se considerarmos que a dúvida é um meio segundo o qual o conhecimento, que é o fim, deve ser ser atingido(pois, se não há dúvida, não se pode conhecer nada mais), então temos que a própria dúvida deve ser perfeita, tal como foi concebida para uso de criaturas inteligentes. Sendo tanto a dúvida quanto o conhecimentos duas perfeições, o ser humano torna-se pleno, em termos de intelectualidade, em si mesmo. Essa é apenas uma refutação ao pensamento cartesiano.
De qualquer forma, entender o método de Descartes como uma tentativa de se chegar à verdade e a aceitá-la como tal sem fazer nenhuma contenstação parece uma estupidez tremenda. O cérebro humano possui capacidades que se esgotam e, por isso mesmo, existe um limite de complexidade para os pensamentos. Um homem pode pensar com mais clareza do que o outro, isso sabemos. E se sabemos isso então não há porque não acreditar que nosso entendimento acerca de determinado assunto estende-se até um limite que, a partir daí, não pode ser pensado, apenas especulado. Há que se observar que todas as considerações feitas até então em relação a determinado assunto podem cair por terra em vista de uma nova descoberta(e descoberta essa que pode permanecer oculta para todo o sempre). Podemos simplesmente considerar que a perfeição seja, humanamente, inatingível.
Haja vista o que foi dito, o método de Descartes parece ser mais uma ferramente para, de maneira bem fundamentada, estabelecer um paradigma decente para guiar a própria vida do que um modelo a ser utilizado no sentido de provar verdades absolutas.
Descartes e a política pós moderna
Racionalização da fantasia.
Admiravelmente, uma das figuras-chave do movimento racionalista cria seu método em busca da verdade tendo em vistas seu “precário conhecimento” e reconhecendo sua “ignorância”. Esta mesma lucidez levou Descartes a concluir sua máxima: “penso, logo, existo ”, tornando o pensamento algo inerente à alma do homem.
Não satisfeito com o mundo dos sentidos, Descartes atribui à intuição do homem parte expressiva na busca pela verdade, assentindo com o fato de que o imaginável deve ser inteligível e que o “suprassensível” deve ser divorciado do sensível apenas por nossa razão.
Nesse interim, o método consegue abranger a existência de Deus a partir do pressuposto de que o homem tem em si um ideal de verdade e perfeição que não deve partir de si próprio, por ser constituído de matéria imperfeita e falível, assim necessita de algo supernatural que as tenha criado. Cria-se a partir da racionalidade um ciclo, no qual a evidência conduz à ideia, e a ideia, à evidência.
Conclui-se que Descartes conseguiu condensar fatos imaginários aos sentidos humanos. E ainda sim discute sobre continuar procurando batalhas que o levem a vencer suas dificuldades e erros, incentivando-nos a nunca aderir coisa alguma como absoluta até que não sejamos totalmente perfeitos, ou seja, que nunca deixemos de duvidar.