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domingo, 27 de março de 2011

O método para a conquista do saber

No livro "Discurso sobre o Método", o autor René Descartes, expõe sua preocupação em relação às verdades consideradas em sua época. Revoluciona ao explicar a ciencia através do racionalismo matemático, para que assim possa se chegar à uma verdade mensuravel e explicada. Antes dele, se baseavam em verdades obscuras e duvidosas, que muitas das vezes eram influenciadas e justificadas por meio da mitologia, superstição ou até pela magia. Para a conquista da verdade, deve-se antes pesquisar muito acerca do que se pretende revelar. Descartes explica que não se deve aceitar como verdadeiro nada antes do conhecimento prévio. Acredita também que examinando as dificuldades e as dividindo em parcelas menores, possa assim estudar a fundo para assim melhor as resolver. Ordenando os pensamentos em uma ordem que vai dos mais símples até aqueles mais complexos, racionaliza assim até a forma de pesquisa cientifica. O recenseamento e a revisão sao essenciais para a certificação daquilo que se estuda. Ao se estudar essa obra de Descartes, percebemos que o autor incita a um ceticismo quanto a tudo que nos é revelado como verdadeiro. Essa dúvida metódica é essencial para o raciocínio e questionamento da vida e da ciência, pois os sentidos e as idéias não são sempre certas e também não nos leva ao entendimento da realidade. O cartesianismo pode assim abrir caminho para o ser humano entender melhor a natureza e assim dominá-la.

A controversa coexistência entre ciência e religião

Mergulhado no contexto renascentista, René Descartes inaugura o racionalismo ao publicar O Discurso do Método. O livro propõe o rompimento entre ciência e especulações. O conhecimento a partir de então deveria ter bases sólidas e a razão torna-se indispensável para explicar a realidade.

Utilizar-se da razão em detrimento das experiências e das imaterialidades não significa, porém, negar a existência de Deus, aquele ser capaz de legitimar os conceitos de perfeição e infinitude.

Surge, portanto, a grande contradição da obra de Descartes que ainda manifesta-se nos dias atuais. É possível a coexistência de ciência e religião? O fortalecimento do uso da razão deveria fazer cair por terra a crença em um ser misterioso e volátil que só se explica por uma subjetividade tão grande chamada fé?

A contrariedade de O Discurso do Método poderia explicar-se pelo momento histórico de transição da Idade Média para a Idade Moderna, período em que o poderio e a influência da Igreja Católica eram ainda demasiadamente fortes. Porém de lá para cá tantos avanços científicos e descobertas efetivaram-se e ainda assim as religiões arrebatam uma quantidade grande de fiéis.

Creio que, hoje, a explicação mais plausível para a busca do poder divino esteja na necessidade que os homens encontram em dar sentido às suas vidas.

O Fundador da Filosofia Moderna

Ao exaltar a racionalidade como meio de encontrar a verdade, René Descartes inaugura uma nova forma de pensar a filosofia, a qual ainda influencia-nos contemporaneamente. Apresentou pensamentos e métodos revolucionários para a época na qual viveu, entretanto não trouxe conclusões e raciocínios totalmente livres da fé em um ser supremo e perfeito, segundo ele, Deus.
Para formular suas verdades, Descartes renegou toda e qualquer afirmação que aceitasse dúvidas para em seguida construir suas verdades incontestáveis, embasando-se na regra geral de que “as coisas que concebemos muito clara e distintamente são todas verdadeiras.” Assim Descartes chega em seu primeiro princípio: “penso, logo existo”.
Contudo, sentimos em seu modo de pensar uma dependência constante da fé em Deus, uma vez que para ele o nosso raciocínio, ferramenta tão sublime e essencial, é fruto de um ser maior. Segundo o filosofo, nós, seres humanos somos imperfeitos, não possuímos todas as verdades e temos a consciência disso. Com base nessa constatação, Descartes afirma que deve existir um ser superior, que ao contrario de nós, não apresenta nenhuma imperfeição sendo também detentor de todas as verdades.
Descartes então, não pode ser visto como uma ruptura do pensamento medieval nem como uma continuidade deste. Mesmo sendo um homem de fé, como é facilmente observado em sua obra, o autor busca utilizar-se exclusivamente da razão como método conciso de análise. Porém, também é inegável a presença da crença em um ser desconhecido e perfeito, Deus.
A ciência moderna, mesmo apresentando tantos progressos e descobertas não conseguiu anular o raciocínio cartesiano e suas conclusões, como também não conseguiu descartar a existência provada racionalmente pelo filósofo de Deus. Vivemos, ainda hoje a mesma controvérsia vivida no tempo de Descartes, no qual as crenças religiosas esbarram na ciência e a ciência tenta anular a fé da Igreja. Após tanto tempo, o raciocínio apresentado por Descartes continua atual e inconteste sendo polemicamente uma junção da ciência e da fé.

A razão como guia do pensar

René Descartes, no livro Discurso do Método, nos mostra a sua maneira de pensar e de ordenar este pensamento. Guiado pela razão, o pensar deve estar liberto da filosofia expeculativa, da imaginação, dos sentidos. Pois a razão ou o bom senso nos permite "poder de julgar de forma correta e discernir entre o verdadeiro e o falso". Este pensamento racionalizado tem por objetivo ser útil ao homem, ou seja, que a ciência envolvida neste pensamento seja algo concreto, com bases sólidas e que sirva a vida humana. A magia e a superstição não existe, por isso não são úteis, não levam a lugar algum. Descartes coloca Deus como um Ser Perfeito e conhecedor de toda a verdade. Nós, sendo inferiores a ele, portanto imperfeitos, temos a necessidade de buscar essa verdade. E podemos alcançá-la, já que viemos deste Ser superior. Mas como? Voltamos a ideia inicial para responder essa questão. É através da razão. Se racionalizarmos nosso pensamento, descontruindo o todo e analizando suas partes guiados sempre pela razão, somos capazes compreender verdadeiramente a mecânica universal, chegando aos poucos, perto dessa plenitude divida, ou seja, perto da verdade. Lembrando sempre, que se cairmos nos sentimentos e no imaginário, o risco é de nos aproximarmos do falso e do inconclusivo. Com a frase "penso, logo existo", René deixa para um mundo um ensinamento imortal. A capacidade de pensar é "a única coisa que nos torna homens e nos diferencia dos animais", e portanto deve ser para todos nós como uma mola propulsora para sempre estarmos correndo atrás do conhecimento. Atualmente, nota-se uma certa acomodação do pensar. Com surgimento da tecnologia, o acesso ao conhecimento existente é muito fácil e ágil, e corre-se o risco de nos contentarmos com isso e não buscar novas verdades, novas experiências, novas dúvidas. E se isso acontecer deixaremos de existir, já que deixaremos de pensar. Logo, o homem não pode perder essa racionalidade, como guiadora do pensamento e como guiadora da ciência. Ana Beatriz Taveira Bachur 1º ano diurno

Bases do pensamento científico moderno


Em sua obra o Discurso do Método, René Descartes faz reflexões acerca do modo de pensar até então existente, critica o método científico orientado pela superstição, pelo mágico, pelos sentidos e pela alquimia, dizendo que “nada de sólido se pudia construir sobre alicerces tão pouco firmes”. Dessa forma, a dúvida torna-se o princípio fundamental do novo método científico, pois desconfiando do que lhe havia sido transmitido pelos hábitos e tradições ele pôde buscar a verdade pura e simples, utilizando para isso a razão e a clareza.


Nesse sentido, ele propõe alguns princípios básicos da razão científica, tais como iniciar os pensamentos a partir dos objetos mais simples em direção aos mais complexos, realizar revisões para ter a certeza de nada omitir, nunca aceitar algo como verdadeiro antes de conhecê-lo cuidadosamente e repartir as análises em parcelas para facilitar seu estudo.


Ademais, Descartes tinha em mente que a ciência deveria ser voltada para o bem do homem, deixando de lado aquela filosofia especulativa baseada na tradição clássica, a qual ele se mostra decepcionado e descrente, para buscar conhecimentos úteis a vida prática, afim de transformar e dominar a natureza.


Por fim, o filósofo conclui que não somos totalmente perfeitos, e assim deveria necessariamente haver algum outro ser mais perfeito, do qual nós dependêssemos e de quem tivéssemos recebido tudo o que possuímos, ou seja, conclui que Deus existe e que continua sendo o último referencial de conhecimento.

Assim sendo, podemos dizer que Descartes quebrou os paradigmas de sua época, revolucionou o modo de pensar em ciência, dando as bases para o pensamento científico do homem moderno.

Desde a dúvida até a verdade

Partindo da investigação, instigada pela desconfiança, de fatos tidos como verdadeiros é que Descartes elabora a obra “O Discurso do Método”. Almejando encontrar o que realmente é ciência, portanto, verdade, o autor traça um caminho sistemático a fim de desvendar os erros cometidos pela aceitação de hábitos ou pressupostos.

Este novo caminho é denominado “método” e consiste em executar ações em determinada ordem visando suprimir lacunas ou solucionar dúvidas relacionadas ao objeto estudado. Entre essas ações encontra-se em primeiro plano a recusa de algo considerado verdadeiro sem ciência total desta condição, isto é, a suposição de que tudo pode não ser verdadeiro até que fique evidente, pela razão, sua veracidade. Em seguida, é proposta uma fragmentação do que surgir como “não confiável” a fim de esclarecer tal problema. Após esta divisão é feito um estudo racional dos pensamentos, iniciando-se pelo mais simples a fim de atingir um raciocínio mais complexo. Então, checa-se o caminho percorrido, metodicamente, para certificar-se de que alcançou a verdade.

Ao relacionar esta obra com a atualidade é notória a utilização de sua essência em diversos âmbitos, desde trabalhos científicos, conforme proposto por Descartes, passando por parte do modelo de assimilação de conteúdo no processo de educação, até a aplicação em rotinas produtivas. Assim, a valorização da razão somado ao processo de conhecimento e ao método de Descartes resulta na condução do pensamento humano de maneira a alcançar as verdades de fato. Isto é, iniciando pela busca clara da verdade são esclarecidas as dúvidas e lacunas durante o processo sistemático, denominado “método”.

O verdadeiro conhecimento

 
    Descartes em sua obra "Discurso do Método" discorre sobre assuntos relacionados ao conhecimento da verdade.Em seu texto ele duvida de várias formas de aprendizado, desconfia do conhecimento transmitido pelo hábito e até da filosofia,pois não considera seus alicerces sólidos o suficiente para sustentar o verdadeiro conhecimento.
    O filósofo defende que no lugar da filosofia especulativa,ensinada nas escolas, o conhecimento dos elementos da natureza deveriam ser aprofundados pois assim seria possível usufruir de seus frutos para o benefício da humanidade. Assim ele nos mostra a ciência como um canal para o bem do homem.
    Ao Refletir sobre o que realmente existe, Descartes conclui que o fato de ele pensar em duvidar da verdade das outras coisas faz com que sua existência seja verdadeira, afinal, se ele pensa ele existe.
Outra conclusão a que o filósofo chega é a existência de Deus, pois se ele consegue definir imperfeições alheias e de si mesmo é porque conhece a  existência de um ser dotado de perfeição absoluta, pois só com esse conhecimento ele saberia as perfeições que lhe faltam. Além do que , ele não admite o fato de toda a verdade, perfeição e até imperfeições originarem do nada, sendo assim a ideia de um Ser Perfeito é indispensável.
   No relato de uma de suas ideias, vê-se a preocupação do autor, que falta aos homens do tempo presente, com o futuro. Segundo ele, nossos cuidados devem se estender para mais longe que o tempo presente. Se o homem atual conseguisse entender a importância de tal atitude difundida por Descartes, o mundo estaria em melhores mãos.
   Com estas e outras divulgações em sua obra creio que o filósofo cumpre um dos que era seu maior propósito: colaborar com as ideias de seus leitores após a sua morte. Em sua obra encontramos curiosidade, interesse e cuidados que faltam a grande parte dos homens do mundo atual. Termino a relatação de sua obra citando uma de suas frases, a qual deveria ser incorporada às nossas ideias e objetivos, principalmente no âmbito profissional: "(...)é propriamente nada valer e não ser útil a ninguém.(...)".

Razão, dúvida e verdade

Descartes inicia sua obra discorrendo sobre a razão. Segundo ele "bom senso ou razão, é igual em todos os homens" e que a diversidade de opiniões que surgem sobre um fato é devido às diferentes linhas de pensamentos seguidas e pelas diversas considerações. É, também, a razão que nos diferencia dos demais animais, visto que o homem é o único animal racional. A partir dessa razão ele cria um método que tem por objetivo aumentar gradativamente seu conhecimento, elevando-o ao mais alto nível. Após terminar seus primeiros estudos, Descartes decepciona-se com o método de ensino tradicional, pois mesmo formado ainda tinha muitas dúvidas e diz ter descoberto cada vez mais sua ignorância. O que deixa claro sua humildade e sua sede por conhecimento. É devido às suas dúvidas e desejo de diferenciar o verdadeiro do falso que Descartes propõe a dúvida como critério de avaliação sobre diversos assuntos, dizendo que é preciso "rejeitar como totalmente falso tudo aquilo em que pudesse supor a menor dúvida" e ele também conclui que todas as coisas que concebemos claramente e distintamente podem ser tomadas como verdadeiras. E assim concebe a máxima: eu penso, logo existo, tomando-a como seu primeiro princípio. Afirma que o homem é "uma substância cuja essência ou natureza consiste apenas no pensar, e que, para ser, não necessita de lugar algum, nem depende de qualquer coisa material." Descartes acredita na existência de Deus e diz que ainda e Ele é um ser perfeito e tudo que existe em nós se origina dele, apesar dos inúmeros defeitos que o ser humano possui. Para reforçar sua afirmação ele sustenta que se não soubéssemos que tudo que existe em nós provém de um ser perfeito, não teríramos razão alguma que nos garantisse que elas possem a perfeição de serem verdadeiras. Na sexta parte da obra em questão, Descartes aponta a ciência como meio de dominar e transformar a natureza em prol da sociedade, buscando o bem geral de todos os homens. Diz ainda que é a comunicação entre os cientistas e público é essencial para a evolução do conhecimento, pois somando os trabalhos pode-se ir muito mais longe do que poderia ir cada um em particular. Observa-se também o receio de publicar suas obras devido à oposição da Igreja, contudo o autor vê utilidade nessas oposições, uma vez que elas mostrariam outra opinião, fazendo com que ele pudesse reavaliar sua obra, sendo crítico de si mesmo, o que mostra que ele tem conciência de suas falhas. Pautado pela análise racional, partindo do princípio de duvidar para, então, certificar-se se o assunto em questão é então verdadeiro ou não resume o método de Descartes.

Razão: Sentido Obrigatório

O Discurso do Método, de René Descartes, propõe um modelo quase matemático para conduzir o pensamento humano, uma vez que a matemática tem por característica a certeza, a ausência de dúvidas. Segundo o próprio Descartes, parte da inspiração de seu método deveu-se a três sonhos ocorridos nos quais lhe havia ocorrido “a idéia de um método universal para encontrar a verdade.”

Em toda a obra permeia a autoridade da razão, conceito banal para o homem moderno, mas um tanto novo para o homem medieval (muito mais acostumado à autoridade eclesiástica). A autoridade dos sentidos (ou seja, as percepções do mundo) também é particularmente rejeitada; o conhecimento significativo, segundo o tratado, só pode ser atingido pela razão, abstraindo-se a distração dos sentidos. Uma das mais conhecidas frases do Discurso é Je pense, donc je suis (citada frequentemente em latim, cogito ergo sum; penso, logo existo): o ato de duvidar como indubitável, e as evidências de “pensar” e “existir” ligadas. Além dessa conclusão, Descartes também prova a existência de Deus, especifica critérios para a boa condução da razão e faz algumas demonstrações.

O Método, em seu aspecto de dividir, ordenar e classificar, é a base de muitos conceitos científicos que vieram a ser desenvolvidos nos anos subseqüentes, de grande importância para a humanidade: o sistema de coordenadas cartesiano, o cálculo, a geometria analítica e a disposição estatística em histogramas.

Descartes e a Pós-Modernidade

Ao analisarmos o "Discurso do Método" de Descartes, percebemos, de imediato, a importância que a idéia de Deus tem para ele.Segundo a obra em questão, o mundo todo teria sido criado por um ser superior. Nós, portanto, também seríamos fruto dessa criação, embora dotados de tantos defeitos e imperfeições, e, por sermos configurados "a sua imagem e semelhança", também teríamos a mesma capacidade de criar que este ser.
Essa idéia de Descartes acerca da capacidade criadora do homem favorecia, e muito, o Renascimento Comercial do século XVI, época na qual viveu René. E o motivo desse favorecimento é evidente: como o lucro era o principal objetivo a ser alcançado naquele momento, ele seria maior se, em vez de se comercializar produtos"antigos", fossem negociadas as novas criações dos homens.
Hoje, este mesmo favorecimento é ainda percebido. A nossa sociedade pós-moderna é marcada por um forte processo globalizador que faz com que o capitalismo seja muito acentuado. Assim, as novidades, as invenções humanas mais modernas, são, a cada dia, mais necessárias à manutenção dos interesses econômicos de nosso meio social.
E é também por causa dos interesses referentes ao lucro que percebemos o quanto é relevante, em nossa vida cotidiana, um outro "princípio cartesiano" : a racionalidade. O homem da pós-modernidade, em geral, só pensa em trabalhar e acumular bens e riquezas. Por isso, percebemos que nos falta, cada vez mais,tempo para o lazer e para o convívio interpessoal. Assim, somos obrigados a ser racionais, tendo que recorrer a "personal friends" e "igrejas delivery" para nos satisfazermos. Esta racionalidade também fica evidente em outros aspectos de nossa vida. Não podemos, por exemplo, escolher nossa profissão somente por vocação. Temos que fazer um famoso "Gráfico Cartesiano" de valores econômicos para decidirmos qual é a carreira que rende mais.



Diante do exposto, fica fácil percebermos o quanto somos seguidores dos princípios de Descartes na atualidade. E é esse um dos grandes méritos de René: suas idéias ficaram "quase imortais" ao longo do tempo.

A aplicação do conhecimento

René Descartes, em o Discurso do Método, tem como objetivo apresentar o método usado por ele para conduzir a sua própria razão. A razão é comum a todos os homens e o que os diferencia é o modo de conduzi-la por cada um.

Ele propõe que haja critérios rigorosos, através da racionalidade, para o pensar humano e que esse conhecimento obtido transcenda o pensar, tendo sentido para aplicação na vida cotidiana.

Independentemente do modo a se obter o conhecimento, o que atrai a minha atenção é a aplicação do conhecimento obtido, é a forma como dirigimos os nossos pensamentos. Atualmente, de modo geral, há na sociedade certa acomodação em que as pessoas não priorizam mais o pensar humano e nem a aplicação do mesmo em suas vidas. Sabemos o quanto é necessária a busca contínua do conhecimento para tentarmos transformar as coisas ao nosso redor. Eu sugiro que gastemos uma parte do nosso tempo refletindo sobre a sociedade e o que podemos fazer para tentar melhorá-la.

Descartes em sua obra o “Discurso do Método” tenta comprovar a existência de um Ser perfeito e sobrenatural, Deus. Para isso, ele inicia seu raciocínio indicando perfeições no mundo real, como por exemplo, a esfera na geometria. Por dedução, Descartes conclui que a existência de algo perfeito no mundo sensível é um indício que há um Ser perfeito no metafísico.



Por meio dessa verdade, Descartes tenta comprovar outra hipótese, a de que tudo que provém do homem é verdadeiro, pois esse veio de Deus. Seu pensamento foi: existe um Ser perfeito; os homens são feitos a sua imagem e semelhança, portanto são perfeitos; qualquer falsidade existente no mundo é porque o homem não é totalmente perfeito.


Embora, Descartes seja um hábil defensor da razão, em sua obra ele comunga razão e religião, ao argumentar que existe um Deus que está por trás de toda a ciência feita pelo homem, ou seja, toda a verdade encontrada pelo homem é proveniente de um Ser perfeito.



Com vista no pensamento de Descartes, pode-se dizer que conflitos seculares entre Religião e Ciência, que até hoje fazem parte da sociedade, poderão apenas ser respondidos com a conciliação de ambos os lados. É necessária a aliança da razão e do sobrenatural.


A razão na busca da verdade científica

Inovador e marcante, René Descartes propõe em sua obra "O Discurso do Método" uma abordagem sólida do conhecimento. Enquanto poderia presumir-se que valorizar o concreto seria negar crenças religiosas, o autor quebra esse conceito ao provar a existência de Deus, tido como ser superior e perfeito.

A nova abordagem consiste na análise de informações, procurando prová-las de forma visíviel ou racional. Mesmo com relação ao que autores passados disseram, não devemos aceitar interpretações de suas falas - o idel é ler o texto íntegro para saber a defesa exata.

Além disso, outro ponto que nos chama a atenção é o modo praticamente matemático como o autor consegue tratar assuntos filosóficos e abstratos como alternativas de busca do conhecimento. Não é à toa que até hoje haja o "plano cartesiano" na área matemática, meio pelo qual a organização de dados facilita a visualização dos resultados e as consequentes conclusões.

Deixando de lado a alquimia, a magia, e a intuição no sentido de defender algo cuja existência não tem prova baseando-se apenas na suposição ou especulação de algum pensador, Descartes ganha seu papel iniciando um novo método de pesquisa e busca do conhecimento. A racionalidade e a razão devem a ele sua valorização em uma época na qual a religião possuía fortíssima influência nos pensamentos. Separando um e outro (justamente ao provar Deus, crê-se a liberdade de o filósofo propor seu método) o saber, que foi-se acumulando, conheceu novos caminhos com princípios consistentes que propiciaram tantas descobertas em prol de informações úteis à sociedade.

O método como instrumento na busca da veracidade dos fatos

A razão como único fundamento que nos diferencia dos animais, é o grande instrumento que constrói o método científico, permitindo a elevação do conhecimento. René Descartes, filósofo, físico e matemático francês, analisa em sua obra “O Discurso do Método” o caminho na busca da verdade dentro da ciência através da razão. Utiliza o método como meio de superar as superstições, criticando o “conhecimento sobrenatural” e o que foi adquirido apenas pelo hábito ou por exemplos.

A observação e os questionamentos são princípios fundamentais na construção de método científico e os fatos indiscutíveis, claros e confiáveis, sem nenhum tipo de suspeita, são os critérios da verdade. Descartes, devido a esse caráter claro e absoluto, propõe um modelo quase matemático para conduzir o pensamento do homem.

O autor evidencia também a existência de um Ser perfeito e soberano, que possui tudo o que dependemos e de quem recebemos tudo que possuímos. Esse ser é Deus, e sua existência é indubitável, e nós somos sua imagem imperfeita. Dessa maneira o autor cria certa contradição, visto que, apesar de seu caráter completamente racional, e de não acreditar em valores místicos, acredita piamente em Deus como ser superior.

Para Descartes, o que se diz pensante evidencia a própria existência, remetendo assim ao princípio filosófico “Penso, logo existo”. Visto que, não pode, ao refletir se os seus pensamentos são reais, negar que esteja pensando, pois a mente pode raciocinar sobre coisas de sonho e reais. Portanto, concluiu que tudo deve e pode ser posto em dúvida, exceto o fato de que pensa. É através do pensamento que a racionalidade origina os métodos que evidenciam a veracidade de seus argumentos.

Os limites do saber

A obra de René Descartes, mais especificamente o seu livro Discurso do Método deve ser vista como uma reflexão acerca do seu tempo e da crise que se vivia devido à contestação do paradigma aristotélico e ao avanço do ceticismo. Buscando uma nova maneira de olhar a realidade, esse grande filósofo, que foi também um gênio da matemática, iniciou a procura pela verdade utilizando um método orientado pela razão, o qual tornaria o pensar aplicável à vida humana.

Para isso, Descartes critica o ensino tradicional e a filosofia especulativa, a qual teria alicerces muito frágeis e passa a duvidar de tudo aquilo que poderia lhe enganar. Em sua dúvida metódica, o filósofo coloca em questão a observação direta, desconfiando do testemunho de nossos sentidos e também dos nossos sonhos, pois esses constantemente nos iludem.

Nesse ponto, René Descartes, surpreendendo grandes pensadores, conclui que Deus existe, pois se o ser humano possui o conceito da perfeição, alguém todo poderoso deve ter implantado essa ideia nele. A partir daí percebe-se que há duas coisas que podem ser inferidas com absoluta certeza: que apesar de não conhecer sua própria natureza, o ser humano existe e que ele tem consciência das experiências que vive. Descarte sintetizou essa conclusão numa frase latina que se tornou famosíssima: Cogito ergo sum, traduzida por "Penso, logo existo".

René Descartes, apesar do receio em relação às conseqüências da publicação de seus pensamentos, foi um dos grandes criadores do racionalismo e devido à sua influência, a busca da certeza dominou a atividade intelectual no Ocidente.

Das interrogações aos pontos finais

Magia, alquimia, astrologia, filosofia especulativa. Várias são as chamadas “más doutrinas”, “bases” pouco sólidas, que Descartes critica em seu livro Discurso do Método. Objetivando realizar um sistema (método) por meio do qual um conhecimento sólido e racional seja construído, o pai da filosofia moderna propõe descartar os alicerces do saber que não sejam firmes. Para essa tarefa, utiliza a dúvida: questiona a realidade sensível, os sonhos, toda “idéia” formada até então. Nesse instante, chega à conclusão de que pensa, logo existe; a partir da qual edifica o conhecimento, a busca de certezas claras e distintas. Defende, em seguida, um estudo sistemático: de início, analisam-se problemas ou partes menores de um assunto; após isso, aumenta-se a complexidade, até que, por fim, as partes são relacionadas.

Tal análise permitiu o desenvolver da ciência, tornando-se instrumento de grande utilidade no cotidiano, na vida. Como exemplo, a valorização do pensar propiciou o surgimento de máquinas, mercadorias, eletrônicos, além dos meios digitais, utilizados de modo amplo atualmente.
Ademais, o princípio da dúvida gerou questionamentos a respeito do que se conhecia até o momento. Dessa maneira, desenvolveram-se matérias como a medicina, química (o anseio pela cura de doenças levou à fabricação de medicamentos e à elaboração de técnicas cirúrgicas), biologia, física, as quais ainda hoje decifram a mecânica da natureza. Essa característica também expandiu-se para o campo das ciências sociais: duvidando de concepções antigas para com negros, portadores de necessidades especiais e idosos, formaram-se costumes, normas visando ao respeito a eles.

Observa-se, portanto, a contribuição da herança cartesiana no âmbito científico, permitindo um conhecimento seguro, livre de superstições no que se refere à dinâmica ambiental (sem negar Deus – ser perfeito de quem se originam os elementos evidentes e distintos, criador dessas obras). Desse modo, conclui-se que as dúvidas, interrogações, revelam a imperfeição humana, mas também o combustível, a vontade de se chegar à perfeição, aos incertos pontos finais da ciência.

sábado, 26 de março de 2011

Cartesianismo e ciências humanas

Ainda sob os paradigmas medievais que dominaram o mundo intelectual até então, René Descartes decide romper com as tradições de sua época. Em oposição à magia e à filosofia especulativa (que nenhuma aplicabilidade real possuía, servindo apenas à vaidade dos sábios), o pensador inaugura um novo método de aquisição de conhecimento, o qual deveria posicionar-se a serviço da humanidade, de suas necessidades e de seu progresso, ou seja, dotado de excepcional praticidade. Em seu método , puramente racionalista, ignora informações obtidas pelos sentidos e tenta atingir verdades absolutas através do princípio da dúvida metódica, utilizando-se unicamente de sua própria razão.
Em tempos de ascensão de uma classe burguesa, que se alicerçava na obtenção de lucros através do trabalho e do empreendedorismo, e não de benefícios concedidos, a ciência moderna (neutra, liberta de sentimentos, prática e aplicável) de Descartes passa a ser acatada, para que se pudesse otimizar os processos de um incipiente capitalismo.
Dispensável é dizer que a linha de pensamento promovida por Descartes conferiu inúmeros e inigualáveis progressos à sociedade, até o momento, carente de conhecimentos aplicáveis no mundo real. No entanto, é interessante observar a influência que ela exerceu e exerce no intelecto dos mundos moderno e pós-moderno, em variadas áreas do saber. A partir do momento em que uma classe industrial, e, portanto, geradora de conflitos sociais, coloca em voga uma filosofia metódica, que não se envolva em questões humanas, não estaria ela evitando o questionamento da ordem imposta por ela própria, da qual se beneficia em detrimento de outros? Favorecendo a disseminação de um raciocínio mais apropriado às ciências exatas, não estaria tentando manter distante o aprofundamento nas ciências que proporcionam condições de crítica quanto à ordem na qual se vive? E não seriam também essas as ciências mais imprescindíveis à formação cultural do indivíduo, sua proteção contra a alienação e contra a aceitação de tudo que lhe é imposto pela sociedade? São essas questões a se considerar acerca do apelo ao pensamento de linha cartesiana.

A Razão como Luz da Ciência

René Descartes, em sua grande obra, O Discurso do Método, estabeleceu parâmetros para a investigação cientifica que influenciaram pesquisadores das mais variadas épocas e lugares. Em seu livro é possível distinguir os três pilares fundamentais em que se assentaram o seu método de investigação cientifica: a dúvida, o uso da razão e a crença na criação, por Deus, do universo, do homem e do conhecimento.

Para Descartes a dúvida tinha papel fundamental na criação cientifica, pois através dela podem-se eliminar eventuais equívocos e erros, além de colocar em xeque mitos, tradições e costumes que em nada contribuem para a construção do verdadeiro conhecimento, mas podem gerar falácias que não devem ser consideradas pela ciência, pois a através dela deve-se chegar apenas à verdade e nada mais.

A Razão é a única forma para se chegar ao verdadeiro conhecimento na medida em que por ela é possível distinguir o verdadeiro do falso, analisas experiências e chegar a conclusões verdadeiras sobre os varias fenômenos da natureza. Dessa forma Descarte acreditava que a através da racionalização a ciência poderia construir as suas contribuições para a sociedade.

Deus, segundo Descartes, era o criador de tudo, pois para a criação da natureza, que é perfeita, e do homem, que é dotado da razão, é necessário a existência de um ser superior, criador de tudo. Se através da máxima “eu penso, logo existo” pode-se chegar à conclusão da existência do homem, e através da razão pode-se provar a existência das leis da natureza e, portanto, dela própria, conclui-se que Deus existe. Porém como não se pode comprovar que o ato da criação em si foi feito por Deus, a crença em sua existência continua tendo por fim ultimo a fé.

Assim, podemos concluir que Descartes fez uma contribuição de suma importância para a ciência ao descrever os métodos que essa deve usar para as suas investigações. Devemos, portanto, tirar proveito dos seus ensinamentos e nos guiar pela Razão e sempre duvidar daquilo que não se pôde comprovar, dessa forma nós poderemos, assim como Descartes, contribuir para a evolução da ciência e, consequentemente, da humanidade.

Razão, Fé e Verdade - O tripé do conhecimento cartesiano

"Poder de julgar de forma correta e discernir entre o verdadeiro e o falso." Foi em busca de aprimorar este poder que o filósofo, físico e matemático René Descartes (1596-1650) dispensou parte de sua vida e seu trabalho. Adentrando em diversas áreas do conhecimento humano, ou seja, as Letras, a Filosofia, a Teologia e a Matemática, Descartes desiludiu-se ao perceber falhas em cada uma delas no que diz respeito a atingir a verdade absoluta e inquestionável, pois eram ciências obscuras, confusas e "contaminadas" pela influência da Igreja.
Quando, por fim, decide estudar a si próprio, Descartes descobre a existência de um Ser maior, uma natureza perfeita. Ciente de sua imperfeição e também da possibilidade de criar a ideia de algo superior e perfeito, o pensador conclui que tal ideia só poderia ter sido semeada por um ente possuidor de tais características, ou seja, algo ou alguém superior e perfeito.
Todo e qualquer objeto, ou matéria, de estudo e análise que pudesse gerar a menor dúvida, deveria ser considerado falso. Em sua pesquisa pela verdade, Descartes chegou ao princípio de sua filosofia que então o tornaria, mesmo que este não fosse seu intuito primordial, um grande e admirado filósofo: "Cogito ergo sum.", ou "Penso, logo existo." Aceitando-se como algo não-falso, pelo fato de possuir e articular pensamentos, Descartes chegou a evidência de sua existência.
"(...) conhecer é perfeição maior do que duvidar". Assim, o pensador define como verdade absoluta aquilo que podemos conceber clara e distintamente, sem que nos provoque dúvidas ou questionamentos. Essa concepção sobre a Verdade, segundo Descartes, só é admissível se for aceita a existência de Deus, aquele ente superior do qual se origina tudo o que existe em cada ser. A concepção de uma ideia provinda do nada é inaceitável para ele, portanto Deus seria o responsável por nos implantar a ideia do perfeito e todas as verdades as quais se pode atingir. De outro modo, nada poderia garantir que as "verdades" possuem a perfeição de serem realmente verdadeiras.
Descartes declara também que não devemos nos deixar convencer por nossos sentidos ou imaginação, haja visto que eles podem não estar vinculados com a razão. Além do mais, aquilo que nossos pensamentos possuem de verdadeiro deve nos ser mostrado mais quando estamos despertos do que quando sonhamos.
O homem, para atingir um maior grau de conhecimento acerca de todas as coisas, deve esgotar-se em experiências. Dessa maneira, através delas conheceria a priori todo e qualquer efeito de toda e qualquer causa. Mesmo que um único homem seja incapaz de realizar todas as experiências por si só, poderia servir-se de outros. No entanto, devendo sempre ser cuidadoso ao aceitar os resultados, uma vez que cada um realiza sua experiência de acordo com seus princípios, podendo assim afastar-se do objetivo de atingir a verdade.
René Descartes transformou a forma de produzir conhecimento dentro da sociedade feudalista em que vivia, sendo considerado o "fundador da filosofia moderna". Seu pensamento, segundo especialistas, foi o ponto de partida para a corrente do Racionalismo, na Idade Moderna.

Ciência: Da inquietação ao limite


Descartes busca o tempo todo desvencilhar-se do senso comum, dos hábitos e do metafísico. Encontra, através da dúvida, algo de que não pode duvidar: a existência daquele que pensa; e a partir daí inicia sua procura por um caminho para a verdade.

O autor não consegue, no entanto, se livrar do ideal de que exista no mundo ou fora dele algo infinito, eterno, imutável, perfeito. Ele considera isso um ser, exterior a ele, e supõe que esse ser seja o mesmo o qual os outros chamam de Deus.

Ainda hoje, quando se busca o conhecimento verdadeiro, tem se de passar pelo metafísico. A ciência, ao fim, vai encontrando cada vez mais pontos em comum com a fé, da qual não sabemos se é realmente dissociável. A busca de um método baseado estritamente no pensar é boa por nos livrar de mitos e doutrinas que nos aprisionam, pois só percebe que está acorrentado aquele que se inquieta.

No entanto, esse método possui seus limites, visto que o homem ainda precisa crer em algo, seja por necessidade legítima da psique, seja pelo pavor de tornar-se dono de seu destino.


Fábio Augusto, 1º DN

Método Universal.


No livro "O Discurso do Método" René Descartes discorre sobre suas experiências de vida e sobre o que acredita ser o melhor meio de atingir o conhecimento. Seu método se baseia na desconstrução do universo, do universal, e analisar as verdades particulares para assim alcançar maior conhecimento do todo. Tal procedimento explica o mundo unicamente pela razão e pela lógica, talvez por isso sua reflexão sobre a existência da alma e de Deus causem estranhamento e sejam um tema controverso, já que ambos não podem ser somente explicados logicamente.
Seus pensamento e método servem para praticamente qualquer campo científico e por isso influenciaram várias gerações de filósofos, sociólogos, matemáticos, físicos, biólogos, etc e, o fizeram ser considerado "o pai da matemática" e um dos fundadores da filosofia moderna.



A Divindade da Razão em Descartes

No “Discurso do Método” de Descartes, o autor, entre as demais reflexões, propõem uma interpretação diferente daquela que crê no homem como produtor independente de todo conhecimento e possuidor da razão, como a que há no movimento filosófico iluminista, por exemplo. Para ele, as coisas e as conclusões do homem, tomadas como verdadeiras pelo fato de serem concebidas de forma distinta, segundo ao raciocínio adotado pelo autor (“as coisas que concebemos muito clara e distintamente são todas verdadeiras”), são providas de um ser perfeito e soberano, Deus para ele. Este nos daria a clareza das idéias através da alma imperfeita que temos; e esta mesma, por ora, seria feita a partir do próprio ser perfeito, sendo nós reflexos imperfeitos dele.

Isto é uma das exposições que o autor faz, principalmente no trecho quarto do texto. E por ela, ele concluiu como surgem os postulados verídicos e, principalmente, a existência de alma e Deus. Aspecto peculiar este último, pois mesmo Descartes sendo extremamente racional e apoiando uma nova ciência livre de todos os misticismos e suposições sem fundamentos, ele acredita ainda que haja algo de divino e supremo dentro dos homens.


Diogo de Souza Mazzucatto Esteves - 1º Noturno

Um método que permite alcançar a verdade?!

Descartes parte do princípio da negação das verdades absolutas, ao considerar que as percepções dos sentidos humanos não sejam realmente verdadeiras, mas apenas imaginações criadas pela mente humana, como ocorre nos sonhos; e a partir disso, desenvolve um método científico que possibilite a verificação dessas verdades. Um método que tem como base a razão, e que permite a ele a afirmação da existência de um ser Perfeito, um Deus, que é responsável por todas as coisas existentes, e também a afirmação de sua própria existência, por possuir a capacidade de pensar, elucidada pela célebre frase: “Penso, logo existo.”.

Novo estágio do pensamento filosófico


O conhecido filósofo francês Descartes (1596-1650) é considerado o fundador do racionalismo moderno, inaugurando, assim, uma nova postura do conhecimento humano.
Nessa perspectiva, a intuição passa a ser considerada um método inapropriado para chegar ao conhecimento e os critérios rigorosos tendo por base a razão são aqueles tidos como essenciais para chegar a tal finalidade.
Comitantemente, Descartes decidira colocar tudo em dúvida para ver se alguma proposição resistia a esse esforço, quando deparou com a tão conhecida frase " Penso, logo existo" ( Cogito, ergo sun). Nenhuma objeto do pensamento resiste a essa objeção. Portanto, observou-se que podia por tudo em dúvida, exceto o fato que pensava.
Assim, conclui-se que com esses pressupostos foi-se firmando o racionalismo moderno, que residi no sujeito o fundamento do ato de conhecer, sendo o objeto mero ponto de referência. O pensamento opera com ideias e não com coisas concretas; o objeto do conhecimento é uma ideia construída pela razão.

Fé x Razão

Podemos o considerar um clássico, estudá-lo como grande obra de sua época e dizer ser ele essencial para a formação acadêmica; mas não conseguimos suportar sua dedução de Deus. O "Discurso do Método", de René Descartes, é uma referência global para os estudos de todas as áreas do conhecimento, pois ensina o leitor à lançar fora todo preconceito já existente e alcançar a verdade através da razão. Enfim, por meio do racionalismo, Descartes prova a existência de Deus. Mas como pode isso acontecer? Após apelar tanto à razão, Descartes esbarra na metafísica!

Vários argumentos são tecidos acerca disso. Primeiro, poderíamos considerar que para Descartes, a existência de Deus é inquestionável, por ter ele vivido em um período medieval, onde o Cristianismo controlava todo o conhecimento. É válida tal afirmação, contudo, limitada. Descartes não foi o único que chegou a tal conclusão de modo racional. Para Aristóteles (antes de surgir Cristianismo), o mundo precisava de um primeiro motor, sendo então Deus um "ato puro". Sir. Isaac Newton, outro grande pensador, disse: "Os movimentos que os planetas têm hoje, não puderam originar-se através de causas naturais isoladas, mas, sim, lhe foram impostos por um agente inteligente". Atualmente, nos Estados Unidos, são ministradas aulas sobre Criacionismo, e não evolucionismo. Diferente do que se pode pensar, as crianças não usam bíblias nas aulas, mas livros científicos baseados nas mais recentes descobertas. Alguns brasileiros, que se acham erudítos, ousam dizer que o "Gigante do Norte" retrocedeu no ensino infantil; cegos não veem que o Brasil, em suas melhores escolas, utiliza pesquisas (quando recentes) com atraso de trinta anos.

Retomando Descartes, podemos afirmar que na impossibilidade de racionalizar, seu recurso final é a fé. Errado! Hoje, a ciência estuda um novo ramo, chamado "Desing Inteligente". Entende-se que apenas um "ser inteligente" pode criar "vida inteligente". Fé seria crer que um universo imenso, com toda sua complexidade e leis perfeitas, surgiu sem que alguem perfeito o tivesse planejado. Não se trata de um critério subjetivo, mas de uma impossibilidade de negar.

Entendam que meu intento não é prova que Deus existe, mentes superiores já o fizeram ao longo da História. Meu desejo é apenas levantar uma questão: "Por que, após tantos pensadores explicarem, é ainda tão difícil tratar desse assunto?". Falar sobre Deus é polêmico, sendo impossível para alguns, simplesmente, escutar qualquer afirmação. Talvez, ouvir falar sobre o Criacionismo fira a sua fé.

O método gradativo, cumulativo e racional de Descartes

Logo no começo de “Discurso do Método”, René Descartes evidencia a razão como sendo a única coisa que nos distingue dos animais, e inicia-nos em seu método, com o qual mostra-se muito exigente e crítico. É esse criticismo que o leva a duvidar de tudo e a usar a razão na busca da verdade. Busca essa que devia dar-se de forma gradativa até que se alcançasse a verdade plena.

Descartes pensa ser o homem o elemento central na construção do conhecimento, é dele a responsabilidade de explicar os fenômenos que envolvem sua vida. Por isso, a ciência deveria ser usada como um instrumento público e cumulativo a favor da sociedade, o que leva o estudioso a criticar a filosofia especulativa, que não traz um efeito imediato à vida humana.

Um diferencial na obra de Descartes é a relação que ele estabelece entre a racionalidade e a mecânica divina, ele considera que seria necessário desvendá-la para transformar o mundo, usando-a em favor do homem.

É o comprometimento de Descartes com a racionalidade, com a clareza na exposição das ideias, que torna seu estudo ainda atual, já que a aplicacão desses conceitos mostra-se útil em diversas áreas de nossas vidas até hoje.

O Método aplicado ao Discurso do Método

Temos como bastante evidente serem os indivíduos distintos entre si, não completamente, mas essencialmente, visto que suas formações não podem jamais coincidir por completo. Desse modo, a individualidade é esculpida de maneira única. Daí deriva que os pensamentos dos homens divergem entre si, pelo menos em parte. Segundo Descartes: "Dirigimos nossos pensamentos por caminhos diferentes".
Diante disso, diferentes homens têm como evidentes opiniões diferentes, e as consideram tão corretas que assim nos parece imperativo não considerar nehuma delas correta. Contudo, é estranho pensar que nehuma opinião seja, de fato, correta. Pode ninguém saber qual. de fato é a vertente correta, mas ela existe. E o método de Descartes se propõe a encontrá-la.
Nota-se que o método é voltado para o próprio indivíduo, istó é, a apreensão de mundo e resoluções acerca de suas verdades derivam da própria razão, e não da crença ignorante nos sentidos, que "corrompem" a realidade. Há que se dizer, a razão nem sempre é imparcial e, não raro, está sujeita às paixões humanas. Por isso, é sensato buscar primeiro uma verdade que seja evidente por si mesma, para depois estender-se em demais buscas, gradativamente mais complexas. Descartes chega à seguinte: "Penso, logo existo".
Ocorre que essa verdade parece, sim, evidente. Contudo, esse sentido de "existo", para ele, é essencialmente imaterial, ou seja, não depende de corpo ou lugar para "acontecer". E é daí que Descartes nos expõe sua ideia de que a alma é distinta do corpo. Ora, consideremos esses fatos mais detalhadamente. A capacidade de pensar, tal como a entendemos como a faculdade de elaborar raciocínios os mais sofisticados é, até agora, uma exclusividade humana. Ela deriva de um cérebro mais bem constituído, onde ocorrem reações químicas que possibilitam esse fenômeno. Esse "existo" precisa, então, ser material. O cérebro de um animal outro não é capaz disso. Tampouco uma pedra é capaz de raciocinar. Se, por acaso, o que acabo de dizer for uma inverdade, então começarei a ter sérias desconfianças em relação àquele peixinho que está logo alí, no aquário. Ele saberia como disfarçar sua inteligência superior. Quem sabe a Revolução dos Bichos não seja tão utópica assim. E ficaria até mesmo constragido, pois já disse muitas coisas idiotas perto de pedras. Devem ter feito chacota de mim.
Vê-se por aí que Descartes concebeu um método que, é certo, pode ser muito útil, mas necessita ser visto e revisto, por que, veja bem, para ser um método perfeito, ele mesmo deveria ser uma verdade. E isso faz pensar que ele deveria ter passado pelo crivo de outro método, e assim sucessiva e infinitamente. Então, parece de uma arrogância e presunção tremenda querer chegar à verdade.
Um outro enfoque, um tanto empolgante, sobre o pensamento cartesiano: a tentativa de provar a existência de Deus. Descartes parte do pressuposto de que o conhecimento é mais perfeito que a dúvida e que, por isso, não pode derivar da imperfeição humana, mas sim necessita ser inculcado em nossa mente por um ser superior. Parece óbvio que a perfeição necessita derivar da própria perfeição. Mas, se considerarmos que a dúvida é um meio segundo o qual o conhecimento, que é o fim, deve ser ser atingido(pois, se não há dúvida, não se pode conhecer nada mais), então temos que a própria dúvida deve ser perfeita, tal como foi concebida para uso de criaturas inteligentes. Sendo tanto a dúvida quanto o conhecimentos duas perfeições, o ser humano torna-se pleno, em termos de intelectualidade, em si mesmo. Essa é apenas uma refutação ao pensamento cartesiano.
De qualquer forma, entender o método de Descartes como uma tentativa de se chegar à verdade e a aceitá-la como tal sem fazer nenhuma contenstação parece uma estupidez tremenda. O cérebro humano possui capacidades que se esgotam e, por isso mesmo, existe um limite de complexidade para os pensamentos. Um homem pode pensar com mais clareza do que o outro, isso sabemos. E se sabemos isso então não há porque não acreditar que nosso entendimento acerca de determinado assunto estende-se até um limite que, a partir daí, não pode ser pensado, apenas especulado. Há que se observar que todas as considerações feitas até então em relação a determinado assunto podem cair por terra em vista de uma nova descoberta(e descoberta essa que pode permanecer oculta para todo o sempre). Podemos simplesmente considerar que a perfeição seja, humanamente, inatingível.
Haja vista o que foi dito, o método de Descartes parece ser mais uma ferramente para, de maneira bem fundamentada, estabelecer um paradigma decente para guiar a própria vida do que um modelo a ser utilizado no sentido de provar verdades absolutas.

Descartes e a política pós moderna

"Penso, logo existo.".Quem diria que tão celebre frase proferida por René Descartes em seu texto "Discurso do Método" poderia ser uma máxima totalmente aplicável aos dias atuais?Nesse texto, o autor defende a interpretação racional das coisas,criticando todo o tipo de pensamento especulativo,influenciado por religião,astrologia,ou qualquer outro fator além da razão.O autor também reforça a impotancia da dúvida e que ela deve ser o ponto de partida na resolução das questões,problemas e descobertas.Isso pode ser relacionado ,intimamente,a política brasileira:Votamos em politicos nos quais não confiamos e deixamos que controlem o nosso futuro político ainda que seja em total desacordo com as nossas opiniões!Reconhecemos essa situação mas sequer nos questionamos sobre isso ,e sequer nos revoltamos!Esquecemos que somos seres racionais,que devem dúvidar,pensar o tempo todo para chegar a verdade e que dessa maneira estariamos preferindo a mentira e o péssimo costume de banalizar a política como se ela não nos influenciasse diretamente.Devemos,assim como Descartes,descordar do modo de pensar que privilegiava o status dos sábios da antiguidade,no caso os nosso políticos!

Racionalização da fantasia.

Admiravelmente, uma das figuras-chave do movimento racionalista cria seu método em busca da verdade tendo em vistas seu “precário conhecimento” e reconhecendo sua “ignorância”. Esta mesma lucidez levou Descartes a concluir sua máxima: “penso, logo, existo ”, tornando o pensamento algo inerente à alma do homem.

Não satisfeito com o mundo dos sentidos, Descartes atribui à intuição do homem parte expressiva na busca pela verdade, assentindo com o fato de que o imaginável deve ser inteligível e que o “suprassensível” deve ser divorciado do sensível apenas por nossa razão.

Nesse interim, o método consegue abranger a existência de Deus a partir do pressuposto de que o homem tem em si um ideal de verdade e perfeição que não deve partir de si próprio, por ser constituído de matéria imperfeita e falível, assim necessita de algo supernatural que as tenha criado. Cria-se a partir da racionalidade um ciclo, no qual a evidência conduz à ideia, e a ideia, à evidência.

Conclui-se que Descartes conseguiu condensar fatos imaginários aos sentidos humanos. E ainda sim discute sobre continuar procurando batalhas que o levem a vencer suas dificuldades e erros, incentivando-nos a nunca aderir coisa alguma como absoluta até que não sejamos totalmente perfeitos, ou seja, que nunca deixemos de duvidar.