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sexta-feira, 15 de maio de 2015

A consolidação do positivismo e suas influências

Em 1848, a chamada Primavera dos Povos marcou a Europa – a disseminação de uma série de movimentos revolucionários liberais pelo continente caracterizou um momento de puro fervor social. Na época, não existia qualquer ciência que fosse responsável pelo estudo do comportamento da sociedade e, por esse motivo, não havia maneiras práticas de compreender ou interferir nesses acontecimentos. Foi diante de tal constatação que Augusto Comte, filósofo francês, criou as bases da física social, uma ciência positiva fortemente embasada na análise da sociedade real, tal como ela era.
            O positivismo, forma como é conhecida essa ciência social, foi amplamente disseminado pela Europa e pela América – pela primeira vez a sociedade era foco de estudo e análise formal e racional. A grande aceitação às ideias de Comte ocorreu também devido a um ideal contido em sua proposta: progresso. Tal progresso, segundo o pensador, só poderia ser atingido por meio da obtenção da ordem social – ou seja, seria preciso que a coletividade estivesse em harmonia e equilíbrio para que progredisse. Em um período de pleno fortalecimento do capitalismo, era tentadora a ideia de fazer uso de instrumentos sociais que pudessem sempre conduzir a sociedade ao amplo desenvolvimento, especialmente no sentido industrial.
            A grande questão é que Comte possuía uma concepção amplamente meritocrática da ideia de ordem. O positivista acreditava que para que a sociedade estivesse em pleno equilíbrio e harmonia e pudesse, portanto, seguir rumo ao progresso, ela deveria ser rigidamente hierarquizada, no sentido de que cada indivíduo cumprisse o papel social que lhe cabia. Isso significa que, para o positivismo, seria essencial que sempre existissem aqueles que exercessem as funções intelectuais e aqueles que exercessem as funções técnicas - caracterizando o darwinismo social, a ideia de que alguns indivíduos, por serem mais capacitados, devem atuar em atividades de maior destaque do que outros, que seriam menos capacitados.
            Por tratar do progresso sob tais perspectivas, o positivismo acabou por influenciar até mesmo o neocolonialismo – a justificativa de que se levava racionalização e desenvolvimento aos povos explorados foi, afinal, abundantemente empregada pelos países exploradores, embasada pela ideia de superioridade étnica. Ainda atualmente, dada sua grande incorporação, a ciência positiva comtiana está ativa na sociedade – o Direito positivado, por exemplo, restringe sua atuação às normais e leis, despindo-se da observância dos valores e causas profundas.
            Com isso, é possível concluir que a racionalização da sociedade proposta por Comte foi extremamente influente à época, como ainda o é nos dias atuais – apesar de admitir-se que o positivismo foi interpretado de muitas maneiras controversas, e nem sempre éticas ou justas, não se pode negar a imensa contribuição comtiana para as ciências sociais e humanas, para a concepção dos homens como seres sociais, para processo de emancipação do conhecimento e o desenvolvimento das sociedades contemporâneas.


Heloísa Ferreira Cintrão
Direito Diurno - 1º ano.

Positivismo e Brasil

O pensamento positivista teve grande influência na história brasileira, tanto que bandeira de nossa nação possui o lema “Ordem e Progresso”, ideias presentes na teoria de Augusto Comte. Mas quais seriam as consequências dessa inspiração?
O que pode ser considerado benéfico foi a revolução política que esse pensamento causou. Isso porque uma de suas ideias inovadoras é a de que as ciências humanas, a semelhança das exatas, precisam trazer soluções práticas para a sociedade. Isso deve ocorrer a partir da observação e formulação de regras gerais que regem o mundo, considerando o que é normal, e portanto passível de regulamentação. Esse caráter extremamente descritivo também deveria ajudar na formulação de mecanismos de controle da sociedade. Essa nova abordagem rendeu frutos: motivou muitos a lutarem pelo fim da monarquia no Brasil, por acreditarem que isso seria melhor para a sociedade.
Por outro lado, o caráter pragmático que essa filosofia possui acaba por ignorar a essência dos fenômenos, algo que pode ser muito mais importante e eficiente na resolução dos problemas da humanidade. Com essa premissa, há brechas para a sustentação de regimes autoritários como a ditadura militar, visto que a manutenção da ordem passa a ser uma justificativa para a repressão.
Assim sendo, a obra de Comte deve ter seu valor reconhecido, ainda que alguns grupos atuais critiquem veementemente seu conteúdo, e a existência da Igreja Positivista não ajude a exemplificar a importância desse pensamento.


Jansen R. Fernandes
1° Ano Direito Diurno
Introdução à Sociologia

O positivismo na história do Brasil

Baseado no pensamento de Augusto Comte, matemático que trabalhou intensamente na formação de uma filosofia positiva, conferimos que a construção de conhecimento ocorre em três etapas. O primeiro estágio é o teológico, onde os fenômenos são interpretados como produto da ação direta de agentes sobrenaturais; o segundo estágio é o metafísico, em que os agentes sobrenaturais do estágio anterior são substituídos por forças abstratas; o terceiro e último estágio é o positivo, onde o espírito humano busca descobrir as leis gerais do universo a partir da razão e da observação. A filosofia positiva marca então o amadurecimento da razão humana, sendo a última e mais avançada das ciências.
Assim sendo, o ideal positivista acreditava que considerando a sociedade como um organismo em constante evolução, bastava conhecer os mecanismos que a regulam, para assim organizá-la. Dessa maneira, a sociedade deve se assentar sobre determinados fundamentos (como a ética, a moral, as instituições, os valores) para garantir sua ordem, equilíbrio, coesão, acabando com a instabilidade. O objetivo positivista é acabar com essa anormalidade da sociedade, a partir da ordem (estática – aptidão para agir) e do progresso (dinâmica – ação efetiva) - que estão estritamente ligados - já que em meio à desordem não é possível evoluir.
Comte defendia o determinismo e assegurava que os papéis e lugares sociais são determinados, onde todos contribuem cumprindo funções diferentes para manter a normalidade e o equilíbrio do universo, obedecendo e respeitando as normas da sociedade para contribuir com o seu progresso.
É inegável que Comte e seus ideais positivistas influenciaram todo o decorrer da história do Brasil e da política nacional, onde sua atualidade é concreta. Observamos isso facilmente ao analisar o lema “Ordem e Progresso” na bandeira do Brasil, que possui forte relação com a máxima positivista “O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”, representando as aspirações a uma sociedade justa, fraterna e progressista. Outro momento que claramente teve influências positivistas foi, em 1964, quando os militares tomaram o poder e instauraram a Ditadura Militar no país, onde à população brasileira era necessário respeitar e aceitar as regras impostas pelo governo, que devia manter a ordem interna independente dos meios usados para atingir esse feito (incluindo a repressão violenta). Nesse mesmo período, a população não tinha voz, e era obrigada a aceitar sua posição e lugar na sociedade, sendo que qualquer protesto ou discordância era visto como “atraso” ao progresso do país.


Amanda Barbieri Estancioni
1º ano - Direito matutino

Introdução à sociologia - Aula 04

A filosofia positivista e a sociedade moderna

Em Curso de Filosofia Positiva e Discurso sobre o Espírito Positivo, Augusto Comte desenvolve toda uma tese sobre uma nova filosofia capaz de reorganizar a sociedade e encaminhar as pessoas a um estado ''viril'' da inteligência. Com o objetivo de criar uma nova forma de compreensão e controle da sociedade, a filosofia social de Comte busca compreender o mundo para assim poder altera-lo.  
Até hoje, essa filosofia apresenta grande influência em meio a tantas desigualdades sociais. Ela entra como meio termo ao liberalismo econômico e ao marxismo, sobre como restruturar a sociedade. Graças a esse método podemos ter uma visão mais acessível de como melhorar os problemas sociais. Não pretendo afirmar que ele seja o melhor caminho a seguir, mas sim o mais adequado frente aos extremos tomados pelas outras duas correntes econômicas.
Por que? Pensando na urgência de problemas sociais, como a fome e a miséria, a corrente positivista pretende não só resolve-los como também instaurar mecanismos para que ''livre concorrência'' possa funcionar de forma mais justa. Dessa forma, aqueles que passam necessidade podem ser ajudados. mantêm-se os papéis sociais e os que menos contribuem para o funcionamento da sociedade ganham menos, mas sem viver, como ocorre atualmente, em condições sub-humanas. 
Dessa forma, tendo a solidariedade como ordem social, a diferença entre as classes se basearia apenas nos papéis sociais exercido por cada um. Diferentemente do marxismo que emprega uma igualdade econômica, o positivismo propõe uma remuneração salarial de acordo com a contribuição de cada um à organização da sociedade. Nada mais justo aquele que teve que dedicar anos de sua vida estudando e desenvolvendo seu intelecto para ajudar a sociedade ganhar mais do que aquele que bem menos o fez. 
Contudo, é essencial ressaltar que para isso seja legítimo também é necessário que essa oportunidade de escolha, entre ajudar mais ou menos, seja a igual para todos, ao contrário do que acontece, hoje em dia, no neoliberalismo, quando uma classe de privilegiados monopoliza todo o sistema educacional e exclui todos aqueles de menor poder aquisitivo, tornando muito mais difícil sua ascensão econômica, e até mesmo impossibilitando sua evolução intelectual.
Social positivismo
Constantemente ouvimos de nossos professores o discurso de que um jurista é muito mais que um aplicador da norma, ele não deve se basear somente nos códigos e ter uma visão somente positiva (pautada nas leis positivas, efetivadas, transcritas) do Direito. Porém, é muito difícil nadar contra a corrente, principalmente quando se considera a lógica capitalista que pauta a vida mundial hoje e que força a universidade a preparar seu graduando para o mercado de trabalho e infelizmente esse mercado exige trabalhadores que não saibam contestar, que não tenham uma opinião crítica e que por fim se atenham basicamente ao lado positivo do ensino jurídico.
               Num grupo de extensão da UNESP Franca, foi proposto como pauta de estudos desse semestre o ensino jurídico. A partir dos poucos encontros/discussões que tivemos, além dos textos que nos foram propostos, pude concluir o quanto ainda somos encaixados nesse tipo de ensino e de certa forma forçados a ainda se ater a esse lado mais positivista do Direito, mesmo tendo maior espaço para disciplinas propedêuticas. Dessa forma, para nós, que já estamos considerando o Direito como algo muito maior que a norma, se torna essencial a busca por grupos de extensão que fomentem discussões como a proposta acima.
               Ainda, durante uma palestra com ex-alunos que tivemos (essa quarta-feira, dia 13 de maio), todos presentes reforçaram a ideia de não se deixar esvaziar essa nossa visão “propedêutica” da matéria; essa visão mais social, que trata do Direito não como uma física social ou puramente como uma ciência, com outras palavras nos foi pedido para aliarmos ao método rigorosamente científico a visão do ser humano, a visão social e assim conseguir enxergar de forma mais completa as normas e poder de forma crítica analisá-las e até quem sabe mudá-las, procurando dar mais voz e importância a uma parte ignorada pela maioria dos juristas e universidades atuais.


Tiago de Oliveira Macedo – 1º ano Direito diurno – aula 4 

Sobre Moluscos, Conchas e Beleza

Nasce, em meio ao “fervilhamento social” da “Primavera dos Povos”, em 1830/1848, uma ciência que almeja compreender a sociedade do jeito que ela é: o Positivismo ou Física social, de Augusto Comte. Com o principal objetivo de compreensão e intervenção social, essa nova ciência, da qual Descartes e Bacon foram precursores, visa mecanismos para conter os ânimos sociais da época, afim de estabelecer o equilíbrio, a normalidade e a coesão. 

Assim, com um viés extremamente pragmático, o Positivismo discute que cada elemento tem uma função na sociedade, e quando alguém deixa de exercê-la ocorre uma convulsão, um verdadeiro caos. 

Porém conforme discutido, por Rubem Alves em “Sobre Moluscos, Conchas e Belezas”, pode-se notar que a natureza e a sociedade não são essencialmente pragmáticas, mas sim verdadeiras artistas. Isso demonstra que muitas de suas obras são dignas de observação, são belas e “alimentam a alma”, não exercendo nenhuma função social. 

Vale ainda ressaltar que na obra Memorias Póstumas de Brás Cubas, quando Brás no fim do livro conclui que foi a óbito com um “saldo positivo” com a vida: por não ter filhos, não transmitiu a ninguém o legado da miséria humana, o autor adota um viés positivista, uma vez que espera que a vida tenha um saldo, tenha uma função.

Porém, a vida, diferentemente do Positivismo de Brás não tem que ter um saldo calculado, uma função a ser atingida. Mas sim, não medi-la, não criar categorias para avalia-la. Deve-se, segundo discutido por Rubem Alves, aproveitar todas as experiências, boas ou más, pois essas, contribuem para a formação da essência de cada um.




Heloísa C. Leonel
1º ano Direito Diurno

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Comte, Darwin e o imperialismo

            Num primeiro momento, talvez seja difícil observar a relação entre a obra A Origem das Espécies, de Charles Darwin, e Curso de Filosofia Positiva, de Augusto Comte. A obra do naturalista inglês discorre sobre a evolução das espécies a partir das observações feitas durante uma viagem, que durou cinco anos, a bordo do navio Beagle, que navegou pela costa do Pacífico e da América do Sul. Já o filosofo francês foi responsável pela criação uma nova corrente filosófica, o positivismo (sendo que, para se chegar ao pensamento positivo, também era preciso passar por uma evolução de estágios de construção de conhecimento, sendo o primeiro o teológico e o segundo, metafísico), e também foi o precursor das ciências sociais. Mas qual a relação entre ambos?
            Para Comte, o homem é produto do seu meio social. Para Darwin, o meio é agente selecionador dos indivíduos mais aptos. Ou seja, tanto um quanto o outro consideram o meio como protagonista das relações, sejam sociais ou naturais. Foi dessa relação entre ambos que fez surgir a expressão darwinismo social. A divulgação dessa teoria serviu para justificar o imperialismo europeu no século XIX.
            O darwinismo social prega que as sociedades evoluem de estágios inferiores para estágios superiores, nas quais as organizações sociais são mais complexas. Dessa forma, era dever do “povo civilizado” (nesse caso, os europeus) ocupar, dominar e explorar as regiões “mais atrasadas” (África e Ásia), levando esses povos de “culturas primitivas” ao desenvolvimento tecnológico, progresso e avanço social.

            Certamente, nem Comte nem Darwin imaginavam as consequências que suas teorias trariam. Mesmo porque, ninguém ainda tinha consciência do como o capitalismo era capaz de deturpar ideias brilhantes para sua consolidação e beneficio próprio.

Luiza Macedo Pedroso
1º ano de direito diurno
Introdução à Sociologia - aula 5

Gradação dos Métodos

     Augusto Comte, filósofo francês, defendia o emprego de três métodos de filosofar durante as investigações feitas pelo espírito humano. O primeiro seria o estágio teológico que defende a atuação direta de agentes sobrenaturais na produção dos fenômenos de modo a explicar as adversidades presentes no universo. Em seguida, vem o método metafísico que, basicamente, seria uma simples mudança no estado antecedente. Por fim, o pensador afirmou que o método positivo explica que a conexão feita entre os vários fenômenos particulares e alguns fatos gerais como esclarecimento do real.
    Simploriamente, pode-se relacionar os estágios propostos por Comte com a divisão do ensino desde a infância à vida adulta uma vez que o primeiro método é considerado o ponto inicial da investigação sendo essencial ao desenvolvimento da inteligência humana, o segundo método serviria como uma fase de transição e o terceiro método seria seu estado fixo e definitivo. Desta forma, há uma analogia entre o primeiro estágio e os Ensinos Infantil e Fundamental visto que ambos servem como uma iniciação do homem; no caso, do filósofo; ou do estudante; no caso, da escola; ao pensamento científico e ao estudo do universo e suas particularidades.
     Enquanto que o segundo estágio corresponderia ao Ensino Médio dado que ambos são considerados um período de trânsito entre uma fase de maturação intelectual e ingresso no pensamento científico. Por último, o terceiro estágio pode ser considerado equivalente, com ressalvas, ao Ensino Superior posto que ambos apresentam um maior acúmulo de conhecimentos pautados pela razão.
     Logo, percebe-se que os métodos propostos por Comte que seriam empregados pelo espírito humano em todas as suas investigação formam uma gradação em que a partir do desenvolvimento do pensamento, avança-se um estágio até alcançar o último estado considerado o ideal.


Camila Migotto Dourado
1º ano Direito - Diurno

Zoom

segunda-feira, 11 de maio de 2015

  A Realidade de Bacon      

Amparado  na teoria de Demócrito, a quem  julgava ser mais importante que Aristóteles e Platão, Bacon preconiza a interpretação do mundo pela experiência, a utilização da ciência para fins práticos, criticando a ciência como simples exercício da mente.Assim como Descates , tinha seu método a finalidade de dar ao homem poder sobre a Natureza, fazendo desta “uma simples provedora de matéria prima “  para a elaboração de bens e serviços benéficos ao  homem.
Embora com finalidades iguais, Bacon defendia o método indutivo, baseado no empirismo, no qual apenas através da investigação metódica e sistemática da realidade se poderia  alcançar conclusões.Contrariamente, Descartes defendia as premissas-verdades gerais já afirmadas- como base da obtenção de novos conhecimentos ( método dedutivo).
Mesmo que a indução fosse conhecida dos antigos, com Bacon o método ganha projeção, amplitude e eficiência (ciência da utilidade).
O método indutivo foi extremamente importante para o avanço das ciências e se tornou ainda mais contemporâneo do que o dedutivo de Descartes, porém a  simples observação da disposição ordenada feita nas três tábuas de seu método não poderia levar sempre a hipótese correta  ,além de que Bacon não pode prever que  as deduções matemáticas  seriam fundamentais  para o avanço das ciências modernas.
Bacon, em  seu antropocentrismo arrogante, desconheceu o fato, como bem aponta o filme Ponto de Mutação , de que o homem é como um órgão, unidade participante e interdependente com outros órgãos  de um complexo sistema;Natureza.
Não há como um órgão sobreviver enfraquecendo outros órgãos de um sistema cuja sobrevivência é causa da sua própria.

Eduardo Guercia- Direito Notuno
O empirismo Baconiano

A forma de criação de conhecimento próximo do qual é feita a ciência hoje em dia, em grande parte vem das ideias e conceitos de Bacon e de seu método, conhecido por método empírico endutivo. Esse método é importante, pois coloca a experiência como critério da verdade. Através de suas obras Bacon faz considerações importantes: o “Novum Organum” é uma crítica à obra de Arístoteles (ou “o organum”) e, por meio da reinterpretação dos conceitos Aristotélicos cria uma proposta de nova configuração da verdade e “The Advancement of Learning”  que mostra o comprometimento de Francis Bacon com a evolução da ciência buscando sempre o progresso através do domínio da natureza, e com intuito de desenvolvimento social.
Bacon rejeita o conhecimento metafísico, de mundos imaginários e na sua concepção os grandes filósofos antigos se perderam em meio a essa subjetividade, tornando o conhecimento pouco prático, pouco objetivo e pouco lógico. Mas apesar de defender o conhecimento empírico, Bacon cria a Teoria dos ídolos baseado no argumento de que a ciência que pode ser conhecida pelo homem tem um limite, para ele, os ídolos são distrações que podem prejudicar o processo de conhecimento do método empírico indutivo.

As ferramentas do método empírico indutivo são a experiência, observação, regularidade, análise e generalização, ferramentas essas que até hoje baseiam a ciência moderna.


“O conhecimento deve ser obtido para gerar o controle sobre a natureza”

“Saber é poder”

Débora Rayane Brandão Filadelfo, 1º ano Noturno - Direito

ídolos na Atualidade

     Francis Bacon foi um filósofo, ensaísta e político inglês. Sua principal obra filosófica é o Novum Organum, nesta obra Bacon critica os métodos de Aristóteles que prioriza o pensamento ao invés da experimentação, para Bacon o conhecimento vem da experimentação. Podemos notar a crítica a Aristóteles na citação a seguir : " Pois Aristóteles estabelecia antes as conclusões, não consultava devidamente a experiência para estabelecimento de suas resoluções e axiomas. E tendo, ao seu arbítrio, assim decidido, submetia a experiência como a uma escrava para conformá-la a suas opiniões."


     Bacon denomina dois métodos o da Antecipação da Mente( método aristotélico, do conhecimento contemplativo) e o da Interpretação da natureza (método da experimentação). Na Antecipação da mente ele cita as falsas percepções do mundo que ele chama de ídolos. Os ídolos podem ser divididos em quatro grupos, os ídolo da tribo, os ídolos da caverna, os ídolos do foro e os ídolos do teatro. O primeiro se refere as distorções que vem da própria mente humana , como a incompetência dos sentidos, o segundo se refere as relações estabelecidas entre o homem e ambiente em que vive, o terceiro as relações interpessoais e o quarto as representações equivocadas e teatrais.
     
    Esse conceito dos ídolos se mantem atual e mostra a base do senso comum, mesmo em pleno século 21 nos deparamos com preconceitos que se perpetuam por gerações, ideias plantadas pela mídia na mente da população. Devemos abandonar esses conceitos e buscar nosso próprio conhecimento, para sair do senso comum e nos tornarmos seres críticos.


Juliane P. Motinho  1° ano , Direito - Noturno
  

Apoderamento do Homem

      A Ciência Moderna era composta por dois pilares, o da Razão e o da Experimentação – já que o primeiro levava a dedução e o segundo, a comprovação – Descartes é um grande representante do primeiro pilar, ao passo que o segundo se vê muito bem ostentado por Francis Bacon.  Bacon surge trazendo á filosofia da Era Moderna a teoria do empirismo, sendo ele próprio o maior representante desta, que propõe uma análise do mundo baseada em  interagir com o mundo de forma experimental.
Ao propor o empirismo, o filósofo retira poder de áreas que possuíam grande influencia na época, como a astrologia, a alquimia e a religião, pois julga tais áreas como místicas e sem conhecimento comprovado. Criticando também a ciência como mero exercício da mente e que estava sujeita á influencias da razão, que poderiam “prejulgar” um fato, ou este fato ser distorcido pelos sentidos,    
      Bacon propõe um novo método de análise filosófica, chamado por ele de A Cura da Mente – e este era divido em duas fases: a antecipação da mente (conhecimento contemplativo) e a interpretação da natureza (conhecimento por exploração e experimentação).
      Tendo posto seus conceitos e métodos, Bacon define a ciência como a mais alta representação do mundo, diz que tudo que é digno de existir, é digno de ciência. Esse tipo de ideia revolucionou sua época, pois mudava a forma de se pensar o mundo que passou a ser visto como o que há de mais racional e dele as conclusões científica poderiam ser tiradas, o mundo como uma máquina.  Além disso, ele deixou fortemente explícito que Saber é Poder e a exploração da natureza é a única forma de compreende-la, e mais do que isso, de vencê-la – para ele, o homem deveria se sobrepor a natureza, conquista-la a ponto de usá-la a seu favor e não ser vitima de seus acasos.
      Embora a visão mecanicista e de sobreposição á natureza tenham sido importante para apoderar o homem moderno, como visto no filme Ponto de Mutação, estes conceitos se tornaram tão fortes que sobrevivem e dominam até hoje e acabaram por destruir muito do que é essencial e provém da natureza. O principio masculino de Bacon, continua a levar o homem cada vez mais perto do esgotamento de recursos naturais, da destruição do planeta e á submissão de outras pessoas e até mesmo países inteiros (os chamados terceiro mundo, por exemplo); pode-se dizer também, que o conceito de Bacon é visto hoje mais presente no mundo empresarial, pois o cunho dominador, avarento, se sobressai.

      Sendo assim, é preciso a consciência de que a visão de Bacon foi inovadora numa época impregnada de misticismo, na qual o homem ficava a deriva de catástrofes naturais, doenças, da Igreja; suas ideias mudaram a forma de ver e principalmente de interagir com o mundo, dando autonomia a humanidade. No entanto, mais de quatros séculos após o filósofo ter falecido, é hora de adaptar suas concepções, de ver que o mundo não é apenas uma máquina, mas sim um organismo vivo (assim como diz o filme Ponto de Mutação) e que cada ação afeta milhares de pequenos ecossistemas ligados á outros maiores. É necessária uma mudança no conceito de Bacon, uma reavaliação da postura humana quanto ao meio em que vive, para que, á longo prazo, não acabemos por nos destruir, destruindo tudo á nossa volta. 

Stephanie Bortolaso
Direito, noturno. 

Meus, Seus e Nossos Ídolos

O inglês Francis Bacon (1561-1626) rompe com a perspectiva escolástica – corrente de pensamento cristã apoiada pela Igreja até a Idade Média – e revoluciona com um novo método de pesquisa. Aquela doutrina imposta pelo clero conferia um caráter filosófico aos princípios religiosos e embutia um ideal de “providência”: Deus governa todo o universo. Para Bacon, o labor dos filósofos antigos se assemelhava ao das aranhas: magníficas teias de saber, mas sem proveito para o homem. O predomínio da fé em detrimento da razão impedia o progresso da ciência, pois essa perspectiva imaginária não resistia à experimentação. 

Em 1620, com o livro Novum Organum (“Novo Instrumento”), Bacon marca oposição às obras sobre lógica de Aristóteles, reunidas sob o nome Organon. Para o filósofo inglês, a essência do conhecimento seria alcançada pela observação dos fenômenos da natureza a partir do método empírico indutivo. A contemplação, meditação e divagação dos antigos dariam lugar à análise, investigação e contestação do “Novo Instrumento”. Assim, Bacon estabelecia as bases para a ciência moderna e submetia o conhecimento humano ao bem estar do homem. 

O ingresso nessa nova ciência se daria afastando a fixação pelos conceitos vigentes, que mascaravam e deturpavam a realidade. Para Bacon, essa falácia intelectual podia ser classificada em quatro grupos, que ele chamou de “Ídolos”. Ou seja, noções falsas que idealizamos e que bloqueiam o conhecimento objetivo e útil. 

Os “Ídolos da Tribo” sujeitam os homens à generalização e ao viés dos eventos favoráveis. Confraria de pensadores que se fortalece corroborando as mesmas ideias e percepções dos integrantes do grupelho. Para Bacon, “o intelecto humano é semelhante a um espelho que reflete desigualmente os raios das coisas e, dessa forma, as distorce e corrompe”. 

Os “Ídolos da Caverna” resultam da própria educação e da influência dos costumes à época, implicando em uma ótica extremamente particular. Fatos diversos oriundos de exames alhures são acidentes, jamais identidades. Os pensadores se tornam prisioneiros da escuridão da caverna e refratários às manifestações de outras análises. Bacon recorre a Heráclito, para o qual “os homens buscam em seus pequenos mundos e não no grande ou universal”. 

Os “Ídolos do Foro” vinculam-se às distorções no uso da linguagem. Seus adeptos insinuam-se no intelecto graças ao linguajar técnico e à deturpação dos significados; fundamentam-se na adjetivação dos fenômenos e se acobertam na ambiguidade gerada. Na concepção de Bacon, “as palavras, impostas de maneira imprópria e inepta, bloqueiam espantosamente o intelecto”. 

Por fim, os “Ídolos do Teatro” amparam-se às teorias em voga sem contestá-las. Os adeptos mesclam sua filosofia com a teologia e a tradição amparada pela fé. Bacon assevera: “não pensamos apenas nos sistemas filosóficos, na universalidade, mas também nos numerosos princípios e axiomas das ciências que entraram em vigor, mercê da tradição, da credulidade e da negligência”. 

A seu tempo, Bacon fundou os alicerces da ciência moderna, mas até hoje nos deparamos com esses “Ídolos”. Seja no próprio desenvolvimento intelectual ou na investigação das teorias alheias, tendemos a eleger nossas crenças. Disposição orgulhosa que afeta nosso intelecto e tardia o progresso da humanidade. Derrubemos nossos “Ídolos”.

Sobre a crítica de Bacon aos filósofos gregos

Em 1620, Francis Bacon publicou a sua obra intitulada "Novum Organum", revolucionando a ciência de sua época, reverberando até os dias atuais. Bacon pretende, por meio deste livro, relatar uma nova forma e, segundo o autor, correta para buscar e produzir ciência. Para tanto, o autor faz críticas pungentes à filosofia grega.

Desse modo, Bacon afurma que a filosofia clássica não serve ao bem-estar do homem, para ele as abstrações sobre a natureza "[...] ainda que correspondesse à verdade, pouco serviria ao bem-estar do homem."(p.29). Todavia, o autor não leva em consideração as reflexões produzidas pelos que gregos. As reflexões que os filósofos gregos propunham não se objetivava na melhoria da condição humana, porém ao inquirir sobre as mais variadas sortes de temas os gregos retiravam seus ouvintes e leitores do conforto de suas certezas e os inundavam de dúvidas e incertezas, ocasionando,pois,evolução intelectual.

Francis Bacon ainda afirma que a sabedoria grega é farta em palavras, mas é estéril de obras. Essa é uma afirmação infundada uma vez que a filosofia grega foi a base para grandes descobertas produzidas posteriormente. Deve-se considerar que descobertas científicas complexas eram irrealizáveis pelos filósofos antigos, devido á baixa especialização de seus instrumentos. Não obstante, as abstrações e as reflexões foram bases para estudiosos,que dotados de mecanismos mais tecnológicos proporcionaram grande avanço para a humanidade.

Em suma, ao negar á importância do pensamento do filósofos clássicos, Bacon não considera as bases do pensamento ocidental e as grandes obras produzidas pelos gregos.

Lucas Rezende de Melo 1º ano- Noturno


Francis Bacon e a Educação

Em sua obra, Novum Organum, Francis Bacon discorre sobre o fazer científico e os problemas que o envolvem. Analisando o livro, é possível não só encontrar similaridades com a atualidade, como também inserir diversas observações no ambiente educacional, principalmente universitário. Nesse texto, me proponho a expor duas dessas aplicações.
Em sua crítica aos filósofos gregos, Bacon afirma que o conhecimento produzido na filosofia clássica de nada servia para os homens, pois não possuía aplicação na realidade. Uma maneira de enfrentar esse problema na universidade pública foi a realização de grupos de extensão, que permitem que o conhecimento adquirido e produzido em ambiente universitário não se restrinja a esse círculo e que, de alguma forma, influencie positivamente na vida em sociedade.
Além disso, Bacon fala sobre os "ídolos do teatro": "ídolos que imigraram para o espírito dos homens por meio das diversas doutrinas filosóficas e também pelas regras viciosas da demonstração" (p. 14). Relacionando esse conceito com a educação atual, nos deparamos com as diversas doutrinas e pontos de vista que são ensinados aos alunos como verdades universais, não passíveis de questionamento.
Logo, a filosofia de Bacon se mantém atual graças ao seu novo método de fazer ciência, mas os problemas que o filósofo expõe e se propõe a solucionar continuam dificultando o a prosperidade no meio acadêmico.

Gabriela Alves Fontenelle
Direito - noturno

O novo instrumento

Nascido em Londres no século XVI e considerado fundador da ciência moderna, o pioneiro da filosofia empirista, Francis Bacon, expõe em sua obra mais conhecida – Novum Organum – que a verdadeira forma de se obter conhecimento seria através da experimentação. Bacon buscava um novo método de investigação que substituísse o modelo de Aristóteles e outros filósofos clássicos, pois afirmava que estes chegavam a conclusões sem antes colocarem suas teorias em prática, o que para ele era inválido.
Bacon exemplificava seu pensamento com a ideia de que ídolos são percepções falsas que temos sobre o mundo, que bloqueiam a mente humana de obter conhecimento, e propunha a não entrega ao senso comum e às deduções formadas pelo cotidiano e pelos costumes. Ele divide os ídolos em ídolos da tribo – que se refere à mente humana que através de suas percepções e paixões defendem o que lhe agrada – do foro – que é a influência familiar e social – da caverna – que é a influência da educação e da classe social do homem – e do teatro – que vincula-se às representações teatralizadas e impregnadas de equívocos e superstições (como a religião e a astrologia).

O mais interessante da obra de Francis Bacon é a sua atualidade, pois mesmo após mais de quatro séculos desde a formação de suas ideias, os ídolos atuam e influenciam na sociedade atual, na tomada de decisões e na vida de forma geral.

Julie Araujo
1º ano Direito
Noturno

Francis Bacon e seu legado.

      A obra de Francis Bacon  é um  de suma importância para se entender o desenvolvimento das ciências naturais no período histórico posterior a este . Autor do livro '' Novum Organum'',  cuja tradução significa ''novo instrumento'',  Bacon faz árdua crítica a respeito de temas como a filosofia grega e das escolas contemporâneas de seu tempo, tal como a escolástica. Defensor sincero de um novo método para se fazer ciência, Francis  propõe e introduz ao mundo de seu tempo o método empírico científico, na qual expõe que a verdadeira maneira de se criar conhecimento concreto seria através da experimentação, e nao através do racionalismo, segundo o qual era  em seu tempo  o carro-chefe da ciência, em que chega a afirmar que  o experimento seria escravo da razão. Para Bacon , a filosofia e os filósofos não tinham se encarregado de produzir utilidades para o bem estar e progresso da humanidade, fazendo conhecimento aplicável e verdadeiro, mas   haviam se preocupado em debater questões metafísicas em que os reais engimas das sociedades permaneciam sem resposta e interesse por parte destes. Ele chega a afirmar que muito do que se fez na filosofia era embasado na vaidade  da retórica e não se relacionava com teorias concretas
     Dimensionar a magnitude da obra de Bacon atualmente  consiste em observar  o mundo tecnológico e integrado que vivemos; um mundo em que diariamente surgem novas descobertas no meio acadêmico;  um ambiente  em que a medicina é uma ferramenta de constante atualização e médicos precisam igualmente se atualizar, um ambiente em que as normas jurídicas vigentes são  modificas ,debatidas e repensadas. Tais exemplos devem ser usados pois mostram algo que legamos de Bacon: seu método inovou o modo de se criar ciência  e as novas tecnologias,o Direito e a Medicina, se hoje aparentam grande avanço em suas utilidades, devemos em grande parte a este pensador que ao usar do empirismo como fundamento para a realização de ciência e geração de uso prático na sociedade , propiciou as grandes mentes posteriores se fundamentarem nao apenas na razão , mas também no experimento. 
                                                                                                                Rafael Cyrillo Abbud
                                                                                                           Direito noturno./ 1º ano.

domingo, 10 de maio de 2015

Sobre “Ponto de Mutação” e Descartes
         D bras uma verdade absoluta e incontestável. A razão cartesiana tinha como princípio duvidar de todo o conhecimento acumulado anteriormente para que se possa chegar a novas conclusões.
O filme “Ponto de Mutação retrata o diálogo entre três pessoas com diferentes perspectivas  sobre a vida e a sociedade. Um deles é um senador frustrado com a política, o segundo é um professor de literatura e a terceira é uma cientista da físca. Juntos, os três discutem, oferecendo seus dferentes pontos de vista sobre aspectos físicos da Terra, traçando um paralelo com a organização política da sociedade.
A partir do filme, é possível observar uma crítica a Descartes por parte da cientista, que afirma que os políticos enxergam o mundo segundo as teorias de Descartes, afirmando serem ultrapassadas e que o universo possui uma sistemática única e portanto não podemos encarar os problemas do mundo indivdualmente e sim tratá-los como parte de uma conexão global.
O diálogo do filme propõe diversos questionamentos a respeito do mundo que não são respondidos durante o filme, mas que devem ser pensados e analisados sob uma perspectiva da ciência política e da sociologia, de modo a tentar encontrar respostas ou ao menos relacionar esses questionamentos com os dos grandes pensadores da história humana.
Juliana Novaes Bueno de Camargo

1º ano -  Noturno
 Menos hipóteses e mais experimentação   

            Em seus textos, Francis Bacon afirmava constantemente que o conhecimento e a busca pelo saber eram compostos de dois processos, sendo um deles a experiência, a qual ele julgava fundamental para que fosse possível chegar ao outro processo, a conclusão, formada pelo conjunto de intelecto, saber prévio e a experimentação.
            “Nem a mão nua nem o intelecto, deixados a si mesmos, logram muito. Todos os feitos se cumprem com instrumentos e recursos auxiliares, de que dependem, em igual medida, tanto o intelecto quanto as mãos. Assim como os instrumentos mecânicos regulam e ampliam o movimento das mãos, os da mente aguçam o intelecto e o precavêm.” (Bacon, Francis)
            Bacon se punha contrário a Aristóteles e os filósofos clássicos pois afirmava que estes chegavam a conclusões sem antes ter testado suas teorias em prática. Para ele, o método da dedução utilizado por estes filósofos não era válido, uma vez que a experimentação era fundamental para a concepção das ideias e as técnicas da filosofia grega tradicional eram compostas de muitas discussões teóricas que não eram de fato postas em prática.
            Os gregos, com efeito, possuem o que é próprio das crianças: estão sempre prontos para tagarelar, mas estão sempre prontos para tagarelar, mas são incapazes de gerar, pois a sua sabedoria é farta em palavras, mas estéril em obras.”(Bacon, Francis)
            As ideias de Bacon podem ser comparadas a expressão popular “Fale menos e faça mais”, que é usada no Brasil com um significado similar, referindo-se àquelas pessoas que dizem muito, mas que na realidade fazem poucas das coisas que afirmam, que é justamente a crítica realizada por Bacon em seus textos, de que a prática deveria ser levada tão a sério quanto o intelecto, e que sem ela, é impossível chegar a conclusões realistas.
“Fale menos e faça mais” serve como uma mensagem de Bacon aos filósofos tradicionais, dizendo-lhes que apenas suas discussões não são suficientes para a assimilação do conhecimento e que é preciso pôr suas ideias em prática para que sejam geradas conclusões. 

          Juliana Novaes Bueno de Camargo
          1º ano – Direito Noturno


Uma Questão Humana

Um tema polêmico que é muito recorrente em nossa sociedade, atualmente, é a pena de morte. Como ponto de partida é necessário informar, que segundo a nossa Constituição Federal de 1988, não existe pena capital para civis. No entanto, esse assunto é sempre retomado pela opinião pública devido as atrocidades e crimes hediondos que são praticados no Brasil. Todavia, será da ótica de Francis Bacon que irei analisar esse assunto, no sentido de desconstruir a ideia para esse tipo de sanção.
 Bacon buscava um novo método de investigação da verdade que substitui-se o modelo de Aristóteles. Inicialmente ele se preocupou com as análises de noções falsas, que ele denominou como ídolos, que era responsáveis pelos erros cometidos pela ciência. Os ídolos eram divididos em 4 que são o ídolos da tribo, o ídolos da caverna, o ídolos do foro e o ídolos do teatro. No tema sobre pena de morte o ídolo existente para os favoráveis a esse tipo penalização é o ídolo da tribo, visto que esse ídolo está inerente a natureza dos seres humanos, onde agimos pelo sentimento e ou com parcialidade. E a relação da pena de morte e o ídolo da tribo é simples, pois os adeptos dessa pena são por diversas vezes movido pela raiva e pelo ódio, em função da dor causada pelo criminoso, porém a pena capital não faz justiça às vítimas, ela apenas fomenta a vingança.
 A relevância de Francis Bacon não se dá apenas sobre a teoria dos ídolos, mas também sobre a teoria do empirismo, no qual o homem apenas conseguiria o conhecimento através da experiência e da observação de mundo que o guiaria a sua razão. Nesse sentido a pena de morte seria inviável, pois os nossos legisladores e magistrados (na situação hipotética de existir pena de morte no Brasil) teriam de se basear nas experiências de mundo para escolher alguma direção, e a pena capital é baseada na ideia de que com a existência dela o crime seria reduzido, o que não é um fato, pois, por exemplo, nos EUA 38 dos 50 estados utilizam essa penalização. No entanto, estudos demonstram que o índice de assassinatos é pelo menos 30°/o maior nos estados que executam assassinos. Além de que em nenhum dos países que realizam a pena de morte tiveram dados positivos para a redução do crime. Isso fica evidente que a pena de morte não reduz a criminalidade, e se baseando nas observações de mundo os legisladores do Brasil jamais seriam adeptos da pena capital.
 Portanto, é evidente que a partir do método de Bacon é incoerente com a nossa realidade existir a pena de morte no Brasil, no ponto de vista do empirismo e da teoria dos ídolos. Além de que para um Estado de direito a pena de morte representa um fracasso do sistema, porque obriga a executar seres humanos em nome da justiça.




Cauê Varjão
1º Ano - Direito - Noturno
O Fotógrafo de Deus
(DEM L 190, disponível em Hubblesite.org)

Este ano o telescópio espacial Hubble completa 25 de atividade. Lançado em 1990, o Hubble passou a orbitar a Terra e a servir ao homem como uma espécie de periscópio espacial, permitindo “ver” acima da atmosfera e, assim, obter imagens e dados empíricos mais precisos dos mais distantes confins do universo.

Este sistema engenhoso permitiu à humanidade grandes avanços no conhecimento, trazendo luz aos grandes mistérios da astronomia. Mais de 10.000 artigos científicos foram produzidos a partir das informações coletadas pelo Hubble. Foi possível, por exemplo, determinar com mais precisão a idade do universo, identificar os quasares e verificar a existência da energia escura. Tais resultados são exemplos evidentes da importância, nos dias de hoje, de se extrair dados reais da natureza para fundamentar e desenvolver as teorias científicas. Mas essa concepção nem sempre foi aceita.

Há aproximadamente 400 anos atrás, Francis Bacon defendia que a ciência não deveria se guiar pelo mero labor da mente humana, mas, antes de mais nada, pela observação e experimentação da natureza. Segundo ele, os filósofos gregos, como Aristóteles, pregavam (incorretamente) que a experiência deveria ser escrava da razão e isso, na visão de Bacon, corrompia a ciência. Para ele, ao contrário, a experiência seria fundamental para regular a razão no caminho da construção das bases do conhecimento científico. Alertava ele, entretanto, que o método de se rejeitar o labor da mente seria difícil de implementar. De fato, quão difícil terá sido para os primeiros cientistas frear a imaginação para extrair algum dado concreto de uma noite majestosa salpicada aleatoriamente de estrelas.

Mas alguns seguiram na árdua tarefa, como Tycho Brahe, Johanes Kepler, Nicolau Copérnico e Galileu Galilei. Este último, no início do século XVII, por exemplo, deu contribuições importantíssimas à ciência ao apontar sua luneta artesanal para os céus e confirmar que era Copérnico, das observações, e não Aristóteles, do racionalismo, quem tinha razão na questão do papel da Terra no plano celeste. Desde então, muito se avançou no caminho científico apontado por Bacon e, nesse sentido, o Hubble é certamente um dos exemplos mais contundentes desse progresso. Mas, apesar disso, o exercício de outrora não parece ter ficado mais fácil, afinal, como olhar um céu estrelado ou as imagens do Hubble sem se pegar divagando sobre o milagre criado por Deus?    

Referências:

Fernando - 1º ano Direito noturno (Francis Bacon - Novum Organum)

quinta-feira, 7 de maio de 2015

    O filme "Ponto de Mutação" se passa em uma ilha na França e nos mostra um diálogo entre Jack Edwards,um candidato a presidência dos Estados Unidos da América, Thomas Harriman, um poeta, e Sonia Hoffman, uma cientista.
    Os três discutem sobre o modo mecanista de ver o mundo segundo o modelo cartesiano que analisa o todo em partes, para estudar cada uma isoladamente e buscando assim compreender o todo. Sonia discorda desse modo de pensar e acredita em uma visão mais sistêmica de pensar levando em consideração a interdependência entre os seres vivos e o ambiente.
  O filme nos leva a uma reflexão sobre o nosso modo de ver o mundo, a analisar nossas ações e suas consequências para o planeta e para as gerações futuras e apesar de ter sido lançado na década de 90 e ter sido baseado em um livro publicado na década de 80 continua atual.
    
Juliane Pereira Motinho , primeiro ano - Direito, noturno.



















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Conexões da ciência, da filosofia e da vida

Baseado na obra "The Turning Point", 1983, do austríaco Fritjof Capra, o filme "Mindwalk", 1990, dirigido por Bernst Capra incita a discussão em torno do conhecimento humano, balizada por conceitos de vida, moral, realização pessoal, desenvolvimento e futuro da humanidade. 

Os protagonistas escolhidos para essa temática ampla são o político frustrado Jack Edwards com sua postura pragmática; a desiludida cientista Sonia Hoffman, de visão multidisciplinar e racional e; o realizado poeta Thomas Harriman. O ambiente desse enredo não poderia ser melhor: o Monte Saint-Michel, França. O vilarejo medieval reúne a arquitetura aguda da abadia e fortes que cercam essa pequena porção de terra. Diariamente, a natureza manifesta sua exuberância através das marés, que inundam o charco e transformam o cenário em uma ilha. O homem resiste às contrariedades e interfere no ambiente hostil; a natureza se revela inflexível. 

Da observação dos engenhos por trás do relógio da abadia, os personagens evocam a ideia de que a hora exibida não é mais o tempo da natureza em nós; trata-se apenas do tempo mecânico, que marcou a ruptura do homem com a natureza. Para Descartes, o corpo dos animais poderia ser ilustrado como uma máquina; o do ser humano, talvez, como a mais sofisticada das máquinas até então: o relógio. Os personagens observam esse "homem" preciso, mas desconecto do mundo. 

Nesse novo período, as crenças cederam lugar ao método, à experimentação, à observação e às teorias científicas, que deveriam ser aplicadas para o bem do homem e na investigação de novos fenômenos. O conhecimento humano foi expandindo fronteiras e se acumulando como em uma caixa de ferramentas que, quando necessário, se abre para ser útil. 

Para Sonia, essa visão mecanicista sob os fenômenos naturais e os seres vivos foi positiva ao estabelecer o alicerce para o desenvolvimento das ciências. Desafios foram lançados e alcançados pelos cientistas; a vida na Terra melhorou. Mas, para Sonia, a ciência patrocinada foi corrompida pela ganância dos homens e colocada a serviço dos interesses econômicos. 

Os políticos, que poderiam alterar essa conjuntura, apenas reforçam o posicionamento econômico ao se alinharem ao capital, afinal, conhecimento é poder. Jack dá exemplos corriqueiros da aplicação científica em benefício dos homens e tenta defender a cooptação dos políticos pelo mercado, mas não responde à persistente dúvida da cientista: o que será das gerações futuras? Já que "os sistemas não encorajam a prevenção, só a intervenção". 

O poeta Thomas serve como um mediador nesse debate acerca do futuro da humanidade e promove a integração do raciocínio científico com a filosofia na vida mais pragmática. Ele evidencia, sobretudo, a possibilidade de que é possível alterar a trajetória da humanidade. Thomas é exemplo de alguém que teve a iniciativa de transformar o curso da própria vida ao abandonar o que lhe tolhia e buscar o novo; mesmo que não venha a encontrá-lo, a investigação lhe trouxe a realização de se descobrir. 

Sonia entende que uma nova visão de mundo é necessária para garantirmos o (novo) desenvolvimento e preservarmos a vida na Terra. Apesar de conceitos tão consolidados como o que os corpos interagem e trocam energia entre si, a relação desconexa entre a cientista e sua filha Kit denota para a necessidade de nos desvendarmos para manter o que é importante para nós: a vida. 


O Ponto de Mutação

O filme Ponto de Mutação mostra o encontro de três pessoas em discussão sobre condições físicas da Terra, das relações entre os homens, da mediação do conhecimento na sociedade e da necessidade de uma nova visão de mundo, visto que a humanidade passa por uma grave crise de percepção.
 Descartes criou o pensamento mecanicista, sendo a natureza, uma máquina que poderia ser desmontada para ser compreendida e Isaac Newton ainda teria contribuído com o pensamento cartesiano quando formulou as leis do movimento na física, que influenciou as artes, a política e toda a sociedade.

O que Descartes não previu, é que o homem, sendo parte da natureza, precisa estar ligado em algo, precisa se relacionar em sociedade para sobreviver, não podendo ser analisado de forma isolada. Por conseguinte, ao analisar a natureza, também deste modo, como propõe o francês, lhe causa grande dano, pois é a correlação de todos os elementos presentes no universo que pode fazer com que ele se mantenha sozinho, sem intervenção alguma. 
O filme diz que a essência da vida é a auto-organização para utilizar todas as potencialidades que o sistema possui e que não se evolui no planeta, mas com o planeta. Por fim, o poema de Pablo Neruda representa uma metáfora sobre o que vidas dos personagens representavam diante das ideias que se propuseram a pensar. O poema junta a teia de relações que é a humanidade.
O discurso do filme é uma realidade ainda hoje. As pessoas recebem tudo pronto em suas mentes e não percebem que todas as coisas criadas pelo homem podem e devem ser moldadas. Precisam pensar com maior relatividade a mediação do conhecimento diante de todas as descobertas que são impostas e modificam seu modo de agir na sociedade, que é parte de uma nação, parte de um continente, interligados a um sistema maior, toda a humanidade.

Gabriela Melo Araújo
1ºano - Direito Noturno
Introdução à Sociologia

Um Mundo em Crise

   Adaptado do livro homônimo, escrito por Fritjof Capra,”O Ponto de Mutação” é um filme que busca analisar os problemas contemporâneos por meio de uma série de discussões filosóficas e existenciais.Nele,há um político desmotivado pelo fato de os eleitores não se importarem e até mesmo desdenharem  a política;um poeta em crise e uma cientista com um dilema existencial,já que o seu trabalho fora usado para fins bélicos ao invés de ajudar a população.
  Em uma das primeiras cenas temos um debate acerca do mecanicismo.Sonia,a física,critica a forma de pensar dos políticos,pois estes,ao invés de analisar o todo,fragmentam-no em partes e as estudam separadamente para entende-lo,visando a conduzir as pessoas menos sábias e induzi-las.A esse pensamento ela compara o relógio,que ao analisar suas partes é possível entender o todo.Seguidamente,os três começam um debate sobre os problemas que afligem o mundo,como a fome e a superpopulação,demonstrando como estes poderiam ser amenizados caso o todo fosse priorizado,ficando nítido o impacto global de uma existência individual.
  Há,portanto,uma crise de sustentabilidade no planeta.Para que essa situação seja remediada é necessário que se ative a percepção.Assim,o mundo de recursos finitos,tanto na natureza quanto na camada social,seria visto da maneira como realmente é e novas possibilidades para ele poderiam surgir.

Ponto de vista

 No filme Ponto de Mutação, dirigido por Bernt Capra, as três personagens principais se encontram em um castelo medieval na França e discutem vários temas filosóficos, entre eles, o pensamento de René Descartes. Sonia, uma ex-física, ao começar a dialogar com o político, critica a visão mecanicista-cartesiana de mundo nos dias atuais, principalmente na política.
 De acordo com a teoria mecanicista, o mundo é composto por peças ligadas entre si, e ao conhecer o funcionamento dessas peças, para resolver algum problema basta apenas substituir a peça defeituosa. Para a cientista, no entanto, o mundo não funciona desse modo, mas de uma maneira interligada em que não adianta resolver apenas a consequência e sim a causa , ou seja, trocar só a peça pode não resolver o problema.
 O pensamento sistêmico, que se opõe ao mecanicismo, pode ser usado como ponto de vista para diversos problemas contemporâneos, como a desigualdade social, por exemplo, visto que ao olhar todo o conjunto, veremos que a pobreza extrema de grande parte da população deriva da acumulação excessiva de capitais por uma pequena parcela da sociedade e de alguns outros fatores, e para resolver esse problema a melhor maneira seria encarar todo o conjunto, não só uma ''peça''. Em suma, o filme deixa claro que a visão mecanicista e fragmentada ameaça a sobrevivência humana e para reverter esse quadro, uma visão mais abrangente e sistêmica é importante.

Luís André, 1° ano Direito Noturno

Visão

 O filme " O Ponto de Mutação", 1990, é baseado no livro de mesmo título, cujo foi escrito por Fritjof Capra. A longa-metragem possui um enredo simples, mas com ideias complexas, no qual durante o filme os personagens invocam intelectuais célebres, por exemplo, René Descartes, Francis Bacon e teorias de Einstein.
 Para uma análise maior do filme é necessário fazer um comentário sobre o senso-comum, cujo tem o costume de aceitar com certa facilidade as ideias dos filósofos que foram referência em certos temas de epistemologia, política, sociologia e etc. De imediato essa atitude já entra em confronto com o método cartesiano pela busca de conhecimento, cujo o próprio Descartes afirmava que o primeiro passo seria duvidar de tudo (sem agir com ceticismo). No entanto, um dos personagens do filme possui opiniões que entra em confronto com o filósofo francês, pois método de René tem um caráter mecanizado de analisar o mundo e os seus problemas, que infelizmente o faz se tornar limitado para investigar o nosso mundo atual.
 Em nenhum momento Descartes é descartado, muito pelo contrário ele foi considerado revolucionário e crucial para humanidade, visto que seu método foi muito útil para o trabalho de Sir Isaac Newton referente a mecânica que se torno um dos principais alicerces da física clássica. Todavia o método cartesiano se tornou limitado para a nossa contemporaneidade, em razão de que a nossa sociedade é muito complexa e, acima disso, ela possui um forte caráter de inter-relações, onde um setor da sociedade ou até mesmo uma única pessoa está interligada com outras áreas e a diversas pessoas, e essas interligadas com outras área e outras diversas pessoas, dessa forma criando uma verdadeira teia de relações.
 O maior problema é que analisando metodicamente apenas um pedaço do problema, estaremos vendo apenas um recorte do quadro, e dessa forma jamais conseguiremos enxergar a obra por completa. Apenas estaremos intervindo e não prevenindo os problemas da sociedade. Portanto é fundamental analisar e ver o mundo como um todo, respeitando sua a natureza e não ignorar as suas interligações, e obviamente utilizar o método cartesiano, pois ele jamais será inútil, apenas está limitado diante do nosso mundo. Nós precisamos é de um novo ponto de vista. De uma nova visão.




  Cauê Varjão
1º Ano - Direito - Noturno.

Ponto de Mutação

Dirigido por Bernt Capra e baseado no livro homônimo de seu irmão, Fritjof Capra, “Ponto de Mutação”, de 1990, discute a aplicabilidade de antigas ideias na atualidade através de vários diálogos no Monte Saint-Michel, na França, entre seus três protagonistas: Sonia Hoffman, uma cientista; Jack Edwards, um político e seu amigo Thomas Harriman, um poeta.
Os três iniciam a discussão frente a um antigo relógio: a ideia de que o homem e o mundo, tal como o relógio, é uma máquina, criada por Descartes, é criticada por Sofia, que ressalta a importância de uma nova perspectiva para se lidar com os problemas da contemporaneidade. Essa é a pauta que guia o filme: a necessidade de novas visões de mundo. Contudo, não só expondo isso, o filme também mostra os problemas decorrentes da mudança, sejam eles no campo da política ou da ciência. Através de exemplos como os malefícios de uma medicina que preza antes pela remediação do que pela prevenção, ou pela visão reduzida de governantes, que se espelham em fragmentos ínfimos da realidade para projetar suas gestões, a obra tenta convencer o espectador sobre quão fadada ao fim é nossa atual sociedade.
A discussão trazida pelo filme, mesmo depois de duas décadas, ainda é relevante. Mesmo que já se tenha considerável conhecimento sobre os problemas de hoje, há ainda obstáculos a serem superados para solucioná-los, sendo o principal deles a perspectiva egocêntrica e pouco ampla do homem contemporâneo, como sugerido por Sonia.

Victor Gabriel Suzumura Cintra 
Direito Noturno

O Ponto de Mutação

   O filme "Ponto de Mutação",de Bernt Capra,lançado em 1990,aborda uma tarde de embates filosóficos envolvendo três personagens,Jack Edwards,um candidato derrotado a presidência dos Estados Unidos,Sonia Hoffman,cientista cujo trabalho foi usado para fins militares,e Thomas Harriman,ex escritor de discursos políticos e poeta.A maior parte do enredo se concentra na discussão entre Jack,que demonstra um raciocínio mais próxima a visão mecanicista cartesiana,e Sonia,que demonstra uma percepção sistemática do mundo.
    Segundo Sonia,a percepção cartesiana do mundo,de que todas as coisas funcionariam como uma máquina,ou um relógio,onde problemas poderiam ser isolados e resolvidos como se trocam peças,é uma visão simplista,que aplicados na política,por exemplo,resolveriam alguns sintomas,porém o verdadeiro problema continuaria a existir.Sonia discorre utilizando a ecologia e a física quântica para demonstrar como tudo é um imensurável sistema formados por inúmeras relações,que se estendem desde o meio visível ao subatômico.
   Jack,apesar de ao decorrer do filme demonstrar uma tendência a concordar com Sonia,faz perguntas pertinentes à cientista questionando se o sua percepção do mundo possuía alguma finalidade prática.Em um trecho do filme,demonstra com um simples exemplo,como dificultar o consumo de carne vermelha afim de diminuir problemas cardíacos,é extremamente problemática nos meios democráticos,pois a maior parte das pessoas são guiadas por interesses pessoais e não possuem sequer uma visão próxima a cartesiana,e ainda mais distante de uma visão sistemática como a de Sonia.A dificuldade em se fazer alterações significante aos valores humanos utilizando uma visão tão complexa e aprofundada como a de Sonia pode ser vista na relação da cientista com sua filha no filme,que apesar de um vasto conhecimento se demonstra incapaz de ter um bom relacionamento com sua filha,algo que em tese é muito mais simples de se conseguir do que uma profunda mudança mundial para uma forma de vida mais sustentável,defendida pela cientista.
   Nos últimos minutos do filme,Thomas,que na maior parte contemplou mais do que opinou,utiliza o poema "Enigmas",de Pablo Neruda,para demonstrar sua opinião,de que tanto a visão cartesiana quanto a visão sistemática,para ele são simplistas demais para abordar a complexidade de um só indivíduo,e que a realidade continua a existir independente das abstrações humanas,e que por mais que tivesse contato com teorias elaboradas para descrever a realidade,ele se sente,no final,como um "peixe em preso no vento",impotente perante a complexidade universal.
 
Eduardo José Clementino - 1º ano Direito Noturno

Todo pela parte

Baseado no livro The Turning Point, do físico austríaco Fritjof Capra, o filme Ponto de Mutação discute a necessidade de uma nova visão de mundo por parte da humanidade diante de uma crise. O encontro entre três personagens distintas – um político desmotivado, um poeta em crise e uma cientista frustrada – serve como pontapé inicial para a discussão. 
É perceptível uma grande crítica ao método cartesiano. Ao relacionar Descartes com a política contemporânea, a especialista em física diz que o caminho não é mais analisar elementos segregados para entender o todo, mas, sim, o contrário; o mundo deve ser visto como um todo por meio das interconexões do universo, uma vez que, fisicamente, existe a troca de energia constante entre todos os seres. 
Partindo a ideia que a humanidade deve parar de lidar apenas com seus problemas individuais, o político discorre sobre o conceito de evolução. Como esclarece a personagem, não ocorre de forma isolada, já que todos os povos fazem parte do mesmo planeta. 
Por fim, o poeta propõe uma reflexão aos companheiros. Por meio da poesia, os três passam a refletir sobre o que tem feito ao mundo, ao todo. Eles relacionam o que suas vidas representam quando analisadas sob as visões de mundo apresentadas no debate. Com isso, negam os modelos sistêmicos e sugerem uma mudança na maneira de ver o globo. De fato, toda a ideia do crescimento sustentável e crítica à relatividade de um sistema liberal vigente é muito atual. Para que mudanças sejam feitas, é indispensável que a pessoa humana se identifique como parte de um todo e, consequentemente, interligada a um sistema em que se encontra a humanidade. 

Alexsander Alves,
Ingressante do Direito Noturno (XXXII, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais)

Análises e incertezas



Resultam em  incertezas a análise das constantes transformações ocorrentes no mundo,desde a forma como os homens têm se relacionado entre si e com o mundo, mas principalmente quais as mudanças necessárias no modo de pensar e de se relacionar em face  a essas transformações.
As idéias sistemáticas  de dominação e transformação da Natureza, utilização da ciência apenas para fins práticos, destinados sempre, em última instância, a fins econômicos; na realidade atual especialmente , mostram-se ultrapassadas. Não há  como solucionar problemas, dissecando-os em partes, sem considerar o todo, especialmente quando se é parte do problema ,relacionando-se com as demais..Se tudo  no universo (visão macro)  está relacionado, subordinado constantemente a lei de causas e efeitos,não há espaço para o homem ter domínio sobre a Natureza sem responder por seus efeitos maléficos, uma vez que não se pode dominar e sistematizar aquilo no qual se  está inserido como  um órgão , parte deste  sistema..Pensamento análogo se faz das relações humanas, do indivíduo com a sociedade.
Nesse panorama de incertezas, três pessoas se encontram e refletem sobre o papel do homem no mundo,em  suas relações interpessoais  e com  sistema natural (Terra,Planetas, Universo).Cada um deles  representa importante função na sociedade; o político,  determinando a forma  como os homens devem viver; a cientista, descobrindo ferramentas e instrumentos modificadores da forma como o homem pode viver ( ou morrer) e se relacionar  e ,finalmente, o poeta ou filósofo, capaz de transformar sua reflexão em palavras  influenciadoras dos sentimentos humanos e modificadoras de seus pensamentos.
Símbolos das incertezas da análise dessas transformações, encontram-se em crises existenciais. Desiludidos com relacionamentos interpessoais e com seus papéis na sociedade e no  mundo, buscam refúgio no isolamento,mas apenas conseguem alguma espécie de conforto, quando expões e discutem seus problemas, como elos de uma mesma corrente, como órgãos de um mesmo sistema.Não encontram respostas ao seus questionamentos, mas um caminho que determina mudanças, um ponto de mutação.


Eduardo Guercia-Direito Noturno-1º ano

Nova visão do mundo

                As pessoas observam o mundo de maneira desassociada, analisam uma parte do todo como se esta tivesse sentido por si mesma, estando desvinculada das outras partes, o que é causa de muitos problemas encontrados na atualidade. É isso que afirma Sonia, personagem do filme " Ponto de mutação" que desenvolve sua tese no diálogo com o político Jack e o poeta Thomas, os quais se identificaram com essas ideias ao passarem uma tarde com ela no litoral da França.
                A medicina, por exemplo, muitas vezes se preocupa com o tratamento de uma doença focando especificamente no órgão em que ela se expressa, sem levar em consideração o funcionamento do organismo por inteiro. Diante disso, retira-se os cristais acumulados nos rins, resolvendo o problema momentaneamente,  porém, não alerta-se para os hábitos da pessoa que levaram a essa aglomeração sólida. Assim, haverá grande probabilidade de voltar a ocorrer a enfermidade, já que não houve um olhar amplo sobre o fato, indicando como comportamentos, aparentemente desvinculados, influenciaram no aparecimento do cálculo renal.
                O método cartesiano teve grande participação na formação da ciência e, por isso, esta herdou esse pensamento fragmentado sugerido por Descartes. A física moderna, no entanto, ao estudar as partículas sub-atômicas tem aprendido bastante sobre a interdependência dos elementos, o que foi evidenciado por Sônia, cuja especialidade na área é reconhecida mundialmente. Quando ela transmite alguns de seus conhecimentos para os outros dois personagens, eles percebem tais relações e as trazem para outras áreas, como a música, a ecologia e a política.
                Desse modo, o diálogo dos três permitem reconhecer a crise de percepção que envolve o mundo, uma vez que a sociedade é acostumada a ignorar o sistema vivo da realidade, o qual é constituído de partes coesas e interdependentes. Então, no final da tarde, se despedem cientes da importância de, cada um em seu contexto de vida, utilizarem e compartilharem essa nova visão da realidade.

Diogo Heilbuth
Direito noturno

A Superação Cartesiana na Medicina

A ciência evoluiu lentamente até meados do século XVI, pois não havia um método de estudo concretizado. Com o advento dos ideais de Galileu, mestre da dedução teórica, Francis Bacon, criador do empirismo, Descartes,  fundador método cartesiano e Isaac Newton, criador dos princípios da mecânica, a ciência teve grande reconhecimento na sociedade.
O filme "Ponto de Mutação’’ baseado do livro homônimo de Fritjof Capra, aborda, em uma de suas criticas, o atual sistema utilizado pela maioria dos estudiosos no que se refere a compreensão de mundo relacionando suas análises ao método de Descartes o qual implica em avaliar os assuntos em partes, sendo consolidado por Newton o método Newtoniano-Cartesiano. Por exemplo, a medicina atual é completamente mecanicista, assim como Descartes, os cientistas enxergam a doença como algo a parte de todos os demais sistemas do corpo humano, ou seja é necessário fragmentar o máximo possível do ser humano para chegar ao local exato do problema a fim de compreender esse espaço específico. Para conhecer todo o corpo humano, seria necessário o entrelaçamento dessas pequenas partes estudadas separadamente. Observamos na sociedade atual as mais variadas formas de especialização na medicina; dermatologia, carcerologia, neurologia, cardiologia etc, entretanto a maioria dos médicos se especializam em uma ou algumas dessas áreas,  impossibilitando a concretização do método de Descartes, umas vez que torna-se impossível especializar-se em todas as partes da medicina.
As ideias presentes no filme sugerem a superação do pensamento reducionista-mecanicista apresentado por Descartes, Bacon e Newton, e divulga um novo pensamento denominado sistêmico, cuja ideia central consiste em compreender os sistemas que interligam-se, ou seja, avaliar as diferentes formas do saber abrangendo o maior campo de informações possível. O exemplo apresentado no "Ponto de Mutação’’ ocorre quando a cientista física  critica a forma como são estudados os problemas sociais no mundo uma vez que "ganhos econômicos e sociais reduzem as famílias grandes’’, portanto não são apenas os métodos contraceptivos os únicos responsáveis no planejamento familiar. 
Em suma, surge a necessidade de conhecer o ser humano de uma forma mais abrangente na qual deve-se ponderar o doente como um todo, uma vez que por trás do órgão doente exite um ser de alta complexidade, que além do corpo físico possui alma. Assim nasce o Paradigma Holístico o qual é a base das técnicas e terapias complementares ou alternativas, que veem o ser humano por completo, que analisa não apenas a doença, mas um ser humano possuidor de um corpo físico, mental e emocional.
Juliete Zambianco
1º ano Direito- Noturno
Introdução à Sociologia