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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Estudo da sociologia


            Em seu texto, “A ‘objetividade’ do conhecimento na ciência social e na ciência política”, Max Weber explica a forma como deve ser estudada a sociologia, de forma que esta seja a melhor forma de informar a politica sobre as estruturas sociais naquele momento histórico em determinado lugar. Garantindo assim, um governo que possa desenvolver-se atendendo às necessidades da população.
Fugindo da linha pela qual caminhava o desenvolvimento da sociologia, Weber busca ir além da ciência que estuda as regras de funcionamento (contrariando vertentes da sociologia, como por exemplo o positivismo de Augusto Comte, que entende o estudo da sociedade como uma ciência precisa, com leis gerais que regem nossas ações). Este estudo cabe às ciências da natureza e às ciências exatas. A sociologia, no entanto, deve estudar o individuo, tentando entender suas ações, através de suas motivações, suas virtudes, seus sentimentos, sua cultura etc.
Nos dias de hoje, a Antropologia (estuda do homem, analisando, por exemplo, sua cultura) complementa os estudos feitos pela sociologia, que assumem muitas vezes o sentido proposto por Weber (estudar o individuo e suas ações). Recebendo, neste aspecto, cada vez mais destaque devido ao crescente contato e mistura de culturas.

Max Weber e a crítica à generalização

A mim parece que temos uma vocação, quase inata, para generalizar tudo. Frases do tipo “ah, mas tinha que ser de tal classe”,“ sabia que isso aconteceria, afinal filho de peixe peixinho é”, “os políticos todos pertencem ao mesmo balaio”, são extremamente frequentes. Na máxima marxista da divisão da humanidade em classes, acredita-se que todo proletário, por exemplo, apresenta uma “consciência de classe”, ou seja, se reconhece em seus pares e é tido com um revolucionário em potencial, uma visão generalizada. Weber vem desconstruir essa ideia de analisar a sociedade pela classe a qual pertence, evidentemente, ele não nega que essa seja sim uma etapa do processo, entretanto não é o fim. O fim, segundo ele, é a ação social, é o indivíduo em si. Para fundamentar essa visão, Max Weber explica que toda ação social tem um sentido, que é movido por valores, que podem ser variáveis de indivíduo para indivíduo. Assim, ele critica também a ideia de Durkheim dos “fatos sociais”, fatores externos que determinam o comportamento dos homens. Tão diversa pode ser a motivação e os resultados da ação social que ela torna-se uma verdadeira incógnita para o cientista social. Assim, Weber preocupa-se em desvendar a realidade de forma crítica e elástica, sem estabelecer leis fixas (próprias das ciências nomológicas) e tipos ideais imutáveis. Além disso, reconhece que nas ciências sociais e humanas torna-se missão difícil chegar à neutralidade, separar o homem de sua subjetividade, entretanto, merece ao menos um esforço por parte do cientista, que deve colocar-se no lugar do outro.



Webber questionava a construção de valores a partir de dogmas pré-existentes, à sua visão era imprescindível que se obtivesse um conhecimento sociológico de maneira objetiva e válida universalmente.

Segundo Webber, quando se estudasse determinado assunto sociológico, necessitava-se distinguir o juízo de valor e o saber empírico no decorrer do estudo. A “ciência” social representava para ele, pois, uma derivação de um método de estudo racional com vistas a se chegar a um resultado prático e objetivo, enquanto que uma posição política ou dogmática tendia para uma concepção de deveres e ideias pré-determinadas.

Webber enxergava a simplificação e a generalização da realidade como modelo ideal a fim de se construir um pensamento a respeito de um fato real.


João Paulo Gabriel Braga de Oliveira – Direito Noturno

A Inconstância Humana Vista por Weber

        


            Weber trata em um de seus textos - A Objetividade do Conhecimento na Ciência Social e na Ciência Política - da objetividade que se faz necessária nas Ciências Políticas e Sociais. O pensamento do autor se aproxima do de Durkheim ao considerar necessário - para que se possa falar em ciência social - o afastamento entre observador e objeto. No entanto, para Weber, a aplicação dos métodos usados no estuda das ciências da natureza não deve se difundir nas ciências políticas e sociais além desse ponto.

            O autor percebeu que as ciências ligadas ao homem não conseguem sobreviver sobre afirmações dogmáticas. As ações humanas e os fatos que ocorrem social e economicamente não possuem certeza matemática. Nas ciência sociais nem sempre dois mais dois são quatro. Aliás, raramente essa conta terá o mesmo resultado, independente de qual ele for já que um dos fatores a ser considerado é o homem - ser inconstante e passional por definição. 

            Sendo assim, Weber se afasta tanto quanto possível de Comte e sua física social porque se faz crente de que qualquer "lei" retirada da análise do resultado das ações humanas, seria falha.
            Cada época, local e pessoa influencia de maneira única nos resultados das "contas" ligadas à Ciência Social. São infinitas variáveis, principalmente se considerarmos - como Weber o faz - que as decisões tomadas pelos homens são frutos de juízos de valor e não há nada mais intrínseco do que isso.
        Logo, segundo o pensamento weberiano, é impossível retirar a subjetividade da Sociologia, já que aquela é, e deve sempre ser, um dos objetos de estudo desta para que seja possível alcançar, de fato, uma verdadeira compreensão da sociedade. 


Carolina Paulino Fontenla
Direito Diurno

          


A dinâmica de Weber

Afirmando ser uma ciência da realidade, Max Weber, em sua obra, declara que a Sociologia não deve seguir as ciências nomológicas, que buscam leis básicas que regem os fenômenos. Denominando-a de Sociologia compreensiva, ela deve compreender a ação social e criticar o mundo a partir da realidade observada, sendo, assim, inviável a busca de denominadores comuns nessas ações, pois, movidos por valores e sentimentos que variam de acordo com contexto, cultura, consciência de cada indivíduo, as ações se tornam inesperadas. Assim, não é finalidade dessa matéria prescrever uma situação, nem fazer juízo de valor, não devendo estar aprisionada a estruturas sociais.
Weber também realiza uma intensa crítica contra o materialismo histórico dogmático e sua aplicação forçada. Ele acredita que utilizando esse método como instrumento de análise de explicações causais de situações históricas, prejudica a real compreensão dos atos sociais, já que há a interferência de uma ideologia, levando a um contentamento por hipóteses mais frágeis.
No que tange a ciência e política, para o sociólogo, elas devem ser devidamente separadas, para que aquela seja suficientemente rigorosa em sua análise para informar bem esta. Além disso, deve-se levar em conta que as leis que regulamentam o sistema não devem ser levadas em conta como fim de uma análise, apenas como meio, sendo utilizadas como instrumento de interpretação para situações concretas.
Percebe-se então, a contrariedade do pensador em relação a ideias fixas. Para ele, deve haver neutralidade por parte do observador para então haver a compreensão da realidade, sendo ele capaz de reconhecer outras realidades diversas e aceitando ações sociais lá realizadas, já que são movidas por sentimentos e valores formados em contextos diferentes.
            Eu queria falar, não, eu não queria, mas precisava falar...
Minha mão se ergueu num ato que até a mim espanta. Habituado à vergonha que me acompanha desde os mais verdes anos de minha vida, falar naquela sala inundada em letargia e sanha entre dois seres tão esparsos. Sim, eu precisava falar...
            Um proferia que eles, tão distantes na sala, e os distantes somos nós, filhos da classe média alta, o amedrontavam como futuros juristas, pois como os riquinhos do interior ultrapassariam seus berços esplêndidos e enxergariam o brilho dos olhos fundos de quem guarda tanta dor, quiçá a dor de todo esse mundo?
            Já no oposto, o mais devasso filho da família Eulálio Montenegro d'Assumpção tentava, num escárnio, facejar como seu escritório, erguido com o mais nobre suor de seus antepassados, cujo nome conta mais de três séculos, acudiria tudo que é nego torto, errantes, retirantes, lazarentos, os quais ouvia boatos que existiam, mas certeza, nenhuma.
            Eu precisava falar... Eu sabia, sabia sim o que falar. Mas, se errasse, falando às paredes, aos conflitos que não tinham...
            Eu precisava falar.
            E falei... Despejei ali toda minha certeza de quem acredita nessas criaturas como são, e como são edificadas.
            Balbuciei palavras que já não são novas a esse mundo, mas que desmantelou a atroz sentença de meu algoz. Bradei a mais weberiana das escritas por Sartre. Não somos só filhos dessa classe média burguesinha, mas somos nós, e um pouco nós, um pouco eles... Quem sabe, não fazemos o que queremos?

            “Não importa o que fizeram de mim, importa o que eu faço com o que fizeram de mim.” (Jean Paul Sartre)

Marcus Vinícius de Faria, Direito Noturno.




Sociedade definida ou não definida?

    O início do texto "A 'objetividade' do conhecido na ciência social e na ciência", de Max Webber, trabalha com uma certa desconstrução da ciência ao analisar o quanto a fé pessoal e o juízo de valor de cientistas se confundem no entendimento e divulgação de pesquisas empíricas. Partindo desta ideia de Webber, de que a ciência estaria contaminada com certas visões políticas e religiosas que acabam por firmar dogmas e conceitos dentro da sociedade, saltamos para a sociologia e o homem da atualidade. Na atualidade, a necessidade de se prever, definir e conhecer as variáveis de um fato estão encerrando o homem em uma lata com um rótulo. É neste ponto que Webber torna-se assustadoramente atual ao criticar as velhas e pretensas tentativas da ciência, que são frutos do dogmatismo e do materialismo histórico, de tentar definir o ser humano e sua sociedade para dar uma dimensão exata do que se estuda. Tentando finalizar assuntos tão abrangentes, e com um vasto campo, como o próprio homem e sua sociedade, para se produzir uma definição que atenda a um padrão ou a um ideal. Algo que, segundo Webber, não existe.
    A partir desta crítica, e trazendo-a para a realidade, podemos observar que a ânsia para se determinar os rumos do mundo e da sociedade não nos deixam pensar sem um certo envolvimento no objeto no qual se concentra. Exemplos práticos disso são opiniões no âmbito da geopolítica que são expressadas de forma apressada, e no final demonstram ser apenas uma aposta errada. Ou podemos esquecer que o mundo praticamente bateu palmas para a Primavera Árabe, e depois percebeu que o show não era o que muitos venderam no início?
    Tais enganos ocorrem devido ao fato de se fazerem análises nos moldes que Webber contestava. Estes moldes consistem em partir de pre-supostos e dogmas para a análise de objetos. Assim, uma situação qualquer não é vista como algo novo e possível de variáveis desconhecidas, mas sim como uma situação que pode ser encaixada em algum contexto teórico e histórico que não possui outros pontos a serem apresentados. Assim, após "enlatar" e comparar esta situação com outra, tem-se a análise das combinações de fatores com conexões anteriores. Só observando os pontos predeterminados por esta análise excludente. Devido a fatores como estes, Webber chega a conclusão de que a ação de um indivíduo ou evento não tem nada predeterminado. Sendo complicado se encontrar um ator ideal, aquele membro de uma classe ou evento que possua todas as características que confirmem uma tese ou uma previsão.
    Por isso é imprescindível ter em mente que teorias, nas quais certas teses eram pré-moldadas, não podem ser tidas como absolutas em análises da sociedade e de fenômenos pela sociedade. Assim como novos valores e direitos podem nascer e serem defendidos todos os dias, também é possível que novas teorias nasçam e refutem antigas afirmações que eram tidas como dogmas. Situação assim que facilitaria na percepção de novos horizontes no âmbito da sociologia. Com muitas opiniões deixando de ser previsões ou definições enlatadas, para serem apenas opiniões que buscam entender novos pontos e situações de certas situações.

Leonardo de Morais Oliveira Lima - Direito Noturno

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Análises e explicações weberianas a respeito da inevitável subjetividade na ciência social.

            O ser humano não possui um modus operandi. Dessa maneira, uma ciência que se pressupõe estudante dos seres humanos e suas características não pode agir de maneira dogmática no seu elaborar de ideias e montar e concluir de pesquisas.
            Essa concepção sobre como deve ser uma ciência humana, responsável por analisar os homens e seus diferentes modos de pesar, agir e, principalmente, de ser é uma das bases da teoria de Max Weber, sociólogo e filósofo alemão. Nela, Weber nos deixa muito claro a real incapacidade de a sociologia, por exemplo, ter um caráter “objetivo” – mesmo que tal característica seja buscada e desejada pelos cientistas sociais através de uma análise suportada por um “tipo ideal”, ferramenta psicológica criada por Weber para ajudar na edificação de pesquisas empíricas mais neutras – em suas buscas sociológicas.
            Diferentemente das chamadas “ciências nomológicas”, atuais ciências biológicas – caracterizadas pela elaboração de leis que regem os fenômenos da Terra de maneira dogmática e absoluta, como é o caso da biologia, física, astronomia – as “ciências sociais têm como objeto de estudo o ser humano, que é inconstante em todos os seus âmbitos.
            Uma interessante explicação de Weber no que diz respeito ao por que da dificuldade de obtenção de uma “objetividade” do conhecimento na ciência social está no conceito de “individualismo metodológico”. Para o sociólogo alemão, um coletivo é analisado segundo a observação de suas unidades, isto é, para adquirir conhecimento sobre, por exemplo, um Estado, temos que ter um conhecimento sobre o que o compõe, ou seja, seus cidadãos. O indivíduo sente, pensa, age, vê, realiza, entende, enfim, existe. Assim, ao sabermos cada uma de suas características, podemos interpretar e criar características do que seria o coletivo desses indivíduos.
            Numa análise mais profunda sobre as ações dos seres humanos, vemos e nos é explicado que essas são carregadas de certo juízo de valor, ou seja, toda ação de todos os homens é movida por valores intrínsecos e pessoais. Disso discorre uma conclusão de Weber que, numa observação de um indivíduo em específico, vemos que, em seus diversos ciclos de convivência – como no núcleo familiar, de amizade, profissional, etc. – diferentes e novas maneiras de ser são utilizadas. Exemplificando, nos é nítida a diferença, num estudo pessoal, entre nossa maneira de agir e ser num núcleo de amigos e nossa maneira de agir e ser num núcleo profissional. Weber, através de exemplos parecidos com o utilizado acima, nos mostra que o mundo subjetivo é, portanto, um domínio do juízo de valor.
            Sabendo, então, dessa presente subjetividade da sociologia – ou qualquer outra ciência humana – Weber nos cria uma ferramenta: o “tipo ideal”. Funcionando como um tipo de parâmetro,

Um conceito ideal é normalmente uma simplificação e generalização da realidade. Partindo desse modelo, é possível analisar diversos fatos reais como desvios do ideal: Tais construções (...) permitem-nos ver se, em traços particulares ou em seu caráter total, os fenômenos se aproximam de uma de nossas construções, determinar o grau de aproximação do fenômeno histórico e o tipo construído teoricamente. Sob esse aspecto, a construção é simplesmente um recurso técnico que facilita uma disposição e terminologia mais lúcidas (WEBER, citado por BARBOSA; QUINTANEIRO, 2002: 113).

facilitando, portanto, a classificação dos objetos de estudo dessa inevitavelmente subjetiva ciência humana e social.

        

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Desumanização


É muito comum que ouçamos a associação entre Marx e o Socialismo chamado Socialismo Real. Tal “análise”, ou talvez, seja melhor dizer, tal discurso tenta conectar a queda dos países do Leste Europeu com as ideias supostamente retrógradas de Karl Marx. Sob essa linha de pensamento, a inutilidade, ineficiência, a irrelevância ou ainda a não aplicabilidade das ideias de Marx ficam garantidas ante a queda de sistemas de Governo que não resistiram à utilidade, eficiência, relevância e pragmatismo do Capitalismo.
Uma leitura sem preconceitos de Marx pode nos levar a questionar tal percepção de coisas. Aquele pensador lança um olhar analítico, detalhista para a experiência real dos homens, e em especial da massa de homens que geram riqueza no dia a dia das fábricas. Ao relatar fatos visíveis como o trabalho – e dissemos aqui “trabalho” e não “trabalho excessivo” - de crianças, por exemplo, consegue relacioná-los inteligentemente com a demanda da máquina, com a demanda da técnica, com a demanda criada pelo uso impensado daquele que detém o poder econômico. É possível ver através de Marx a exploração que o ser humano pode provocar em seu par, quando norteado apenas pelo desejo de produzir mais, de competir, de ganhar mais. Diante disso, fazer uma conexão entre a queda de regimes que se firmaram colocando o Estado como senhor de uma massa de trabalhadores - que o serviam como súditos- e os textos que denunciam a exploração dos homens fica, de início comprometida. Uma coisa é um Estado proclamar que se apoia no Marxismo ao tentar justificar suas políticas de governo... Outra coisa é, de fato, tais políticas serem justificadas pelo Marxismo. Qual a diferença entre um trabalhador que tem sua criatividade roubada pela meios de produção pós revolução industrial do trabalhador que exerce seu papel numa sociedade controlada por um Estado onipotente e ditador? Tanto num como no outro, a natureza humana é sufocada.
Marx precisa ser lido, primeiramente como alguém que nos desafia a reconhecer o valor do Homem em TODOS os Homens, e a partir disto como uma mola que nos provoca a pensar meios de fazer valer a Dignidade do ser Humano para TODAS as pessoas. Marx precisa ser lido como um autor que nos impele a agir contra a desumanização, inclusive aquela proporcionada por Estados que, no senso comum, foram construídos baseados no seu pensamento.

                  Tema:“A indústria e o modo de vida: entre o rural e o urbano."


Grupo: Fabio Bozolan, Gustavo Lelles de Menezes, Mauricio Lopes, Yasmim Fortes, Cesar Ribeiro, Andre Cesar S.A Costa, Fernando Rezende e Caroline Castilho. 


Direito noturno.


Diário de um Wretch*

Venho manifestar aqui, neste diário, meu horror e minha repulsa à atual situação em que me encontro. Escrevo aqui para que gerações futuras possam ler isso e garantir melhores condições de vida e para que não parem nunca de lutar pelos seus direitos. Sou um operário na indústria de tecelagem e vivi todo esse tempo de transição entre o rural e o urbano.

No começo, eu e minha família trabalhávamos no campo com boas condições de vida. Vivíamos bem com máquinas para nos auxiliar, que, naquela época, eram movidas à força motriz animal, humana ou natural, como o vento e a água. Mas, com a vinda de máquinas a vapor, tivemos que largar o nosso trabalho no campo e migrar para a zona urbana para conseguir dinheiro para viver. Essa foi a nossa pior escolha e vou-lhes dizer o porquê.

Com essa vinda das máquinas a vapor, não era mais necessária a força muscular humana, surgindo a procura de crianças e mulheres para empregos nas fábricas. Só eu e minha esposa trabalhando não conseguíamos dinheiro o suficiente para nos mantermos e foi assim que tive que vender a mão-de-obra do meu filho para complementar a renda e mesmo assim vivíamos quase na miséria. Sentia-me muito mal por isso, por estar colocando meu filho inocente nessa realidade tão cedo, me sentia um verdadeiro traficante de escravos. Por causa disso, procurei o ópio e outras drogas para tentar, numa tentativa estúpida, esquecer os meus problemas. Vi colegas meus perderem seus filhos, porque não tinham tempo para cuidar deles, para alimentá-los, para dar carinho e afeto. Alguns me diziam que davam drogas aos filhos para acalmá-los para que ficassem “bem” sozinhos em casa.

O governo, numa tentativa ridícula de melhorar as condições de vida das crianças, introduziu a escola nas fábricas, porém ou os professores não tinham qualificação nenhuma para ministrar aulas ou os alunos ficavam tanto tempo sem ter aulas que, quando voltavam, já não se lembravam de nada que tinham aprendido antes de voltar a trabalhar. Tudo isso que conto é a verdade, não invento nada, apesar de assim o parecer. Entretanto, o que mais me incomodava e me despertava o ódio era a existência de abastados ociosos. Enquanto estávamos, literalmente, nos matando de tanto trabalhar, havia outros que ficavam o dia inteiro sem fazer nada e ainda lucravam muito com a exploração de operários.

Enfim, espero que isso não se prolongue por muito tempo, porque não quero que minha família continue enfrentando esse tipo de situação. Vejo meu filho enfrentar situações dificílimas de trabalho e ainda passar fome às vezes. Peço aos céus para que meus netos e bisnetos não sofram dessa forma, porque me arrependo muito de ter largado minha vida no campo para vir morar aqui na cidade.

*Wretch: miserável, termo que fazia referência ao trabalhador agrícola.

Grupo:
Dayana Dezena
Dianety Silva
Flávia de Paula
Isadora Ribeiro
Juliane Siscari
Micaela Amorim
Paola Yumi
Suzana Satomi

Tema: O homem e o modo de vida: entre o rural e o urbano.



O homem obsoleto: um infortúnio estrutural

Com os escritos de Marx podemos observar o desmedido desvencilhar entre o homem e a máquina que veio sendo intensificado de acordo com o passar do tempo, principalmente após o advento da Revolução Industrial, inicialmente na Inglaterra e depois no resto da Europa.

O filósofo econômico deixa claro que, no introito, o homem era responsável pela produção de forma integral, ou seja, não efetuava apenas uma atividade repetitiva ou construía apenas uma peça que comporia o resto do produto, mas compunha todo o produto sabendo, no final das contas, o que havia produzido. Entretanto, com o advento das máquinas, o homem foi substituído deixando de ocupar o papel central na produção e passando a ser uma ferramenta da própria máquina, já que esta tinha uma capacidade produtiva muito superior a do homem.

Nota-se que, a partir do momento em que o homem torna-se uma ferramenta da máquina este deixa de conhecer o fruto de seu trabalho, pois ele se torna apenas uma pequena parte de um sistema da linha de produção. Desta forma, o homem perde sua identidade com o produto final, já que não se encontra o reflexo de  suas características e expressões no produto.

Há também uma crítica de Marx aos economistas burgueses que tentam demonstrar que esta análise é uma crítica as máquinas, para tanto, este explica que as máquinas não são o problema, mas o uso capitalista destas que subjugam os processos de produção à impessoalidade e mecanicidade das máquinas e retiram de seus postos diversos trabalhadores.





Tema: Divórcio entre o homem e seu instrumento de trabalho

Grupo: Lucas Oliveira Faria
Luis Eduardo Simplicio de Lima
Giuseppe Falco
Tiago Trindade
Marcus Vinicius de Faria
Tiago Fernando Carvalho 
Renan Rosolem Machado
Fabio Augusto Ribeiro Abyazar 


domingo, 1 de setembro de 2013

Grandes Revoluções, Gigantescas Transformações


Segundo o historiador Mario Schmidt, durante o período de pré Revolução Industrial, "menos de 10% da população europeia vivia nas cidades", ou seja, o meio urbano era praticamente inabitado, pouquíssimo desenvolvido, apenas marcado por pequenas trocas comerciais que ocorriam entre a diminuta população de produtos artesanais ou primários. 


A sociedade rural era agrícola, artesanal e ainda com resquícios de servil fruto do período feudal; a variação do modo de vida de uma geração para outra era mínimo, pois a maioria dos filhos seguia o ofício dos pais dando continuidade à tradições familiares. 


Entretanto, a partir das pequenas trocas, a burguesia crescente começou a acumular riquezas, a investir mais na produção de artefatos que facilitariam a tecelagem de roupas, entre outras manufaturas, substituindo a mão de obra humana.

Com esse investimento, a esperança de melhoria de vida passou a emanar do meio urbano. O êxodo rural foi significativo, visto que a mão de obra advinda do campo era mais barata, a população mundial foi aumentando e, assim, os núcleos urbanos foram se fortalecendo. 

Todo esse crescimento não poderia deixar de ser atribuído, em partes, à máquina. O investimento na indústria deixava evidente as limitações humanas: a máquina poderia fazer o serviço de 60 homens em menos tempo; a máquina poderia ser manejada por homens, mulheres e crianças; a máquina aumentou a porcentagem de lucros e mudou a configuração de densidade populacional em diversos locais. E com tanta eficiência atribuída à esse objeto, o desemprego começou a aumentar: “os efeitos da maquinaria sobre os trabalhadores que ela mesma elimina e substitui”.

Como o desenvolvimento capitalista abrevia o tempo necessário para a produção de mercadorias e a massa de trabalhadores, esse acaba contribuindo para o processo de mais-valia. O valor individual das mercadorias produzidas pela introdução geral da maquinaria põe-se diferentemente de seu valor social. O trabalhador passa a ser desvalorizado, alienado, explorado e fazendo o mesmo com sua família. São crescentes os números de favelas, cortiços, e de violência doméstica. Assim vai se formando a sociedade capitalista, das classes opostas burgueses e proletariados, marcada pelo desenvolvimento material dos meios de produção e consumo, porém de decréscimos sociais.



 TEMA: A indústria e o modo de vida: entre o rural e o urbano

Ana Clara Tristão, Bárbara Borges, Joingle Viotto, Júlio César Medeiros, Lucas Palhares, Maisa Brandão - 1º ano Direito diurno

Equipamentos desenvolvidos, homens substituidos


Em sua obra “O Capital”, pode-se perceber no capítulo XIII que Karl Marx se preocupa com a desumanização do trabalho nas fábricas. Resultante do processo de Revolução Industrial, a maquinaria consolidou-se como um meio utilizado para produzir mais-valia (denominação dada à desapropriação do homem e do valor produzido pelo seu trabalho), conduzindo à alienação do trabalho humano da indústria moderna.
Diferentemente do período manufatureiro, no qual o homem era o objeto central na fabricação, com o advento das máquinas, ele se torna mero coadjuvante no processo produtivo, retirando toda a subjetividade pré-existente (característica da então manufatura) desde a concepção do produto até a sua concretização final. Assim, o período de mecanização do trabalho tornou-se mais eficiente do que um agrupamento humano desempenhando a mesma função. A máquina-ferramenta surge para suprir a crescente demanda por força motriz, uma vez que somente a mão de obra humana não é mais suficiente para cumprir todas as etapas da produção.
A maior critica a esta nova forma de produção não consiste no aumento da produtividade, pois este é benéfico, mas no fato de que tal processo retira a especificidade do produto criado e transforma o operário em um instrumento da produção. Aquele que antes manejava a ferramenta criando um artefato singular, agora é subordinado ao maquinário como mero operador das peças que o compõem. Tal processo conduz à alienação do trabalho humano, uma vez que o trabalhador não se reconhece mais em seu produto final.
Contudo, deve-se considerar que esse fenômeno caracterizado como um “divórcio” entre o homem e sua ferramenta de trabalho - que teve início na Revolução Industrial e que parece estar culminando na realidade contemporânea do processo de produção - vem sendo fortemente contestado por alguns grupos e movimentos sociais. Tais, a despeito da imponente força do capital em sentido favorável ao do trabalho alienado, lutam pela reumanização do processo produtivo através da valorização da força de trabalho do homem perante a máquina, contestando a exploração abusiva do trabalhador, e atribuindo-lhe a possibilidade de reconhecimento pessoal no produto final mais uma vez.





Tema: Divórcio entre o homem e seu instrumento de trabalho
Grupo: Bruna Giabardo Tendolo Alves, Laís Machado Ribeiro, Luisa Loures Teixeira, Luíza Scarabuci de Almeida, Paulo Henrique Reis de Oleveira
Os crimes e castigos da sociedade pós-industrial

O conjunto de obras O Capital, de Karl Marx, começou a ser publicado em meados de 1860, mesmo período de publicação do romance Crime e Castigo, do escritor russo Dostoiévski, são duas obras incrivelmente distintas, mas que possuem alguns traços em comum. Em parte de O Capital,Marx descreve como a Revolução Industrial tornou o homem e sua individualidade dispensáveis para o trabalho fabril, a força muscular já não era necessária, dando espaço para a inserção de mulheres e crianças no mercado de trabalho. A desvalorização do trabalho do homem adulto faz com que seja indispensável que todos os membros da família estejam empregados para que haja a manutenção da própria família, sendo assim, Marx compara o trabalhador com um traficante de escravos. Já em Crime e Castigo observa-se uma situação semelhante, há intensa degradação do núcleo familiar como fica claro quando uma das personagens femininas é obrigada a se prostituir com o consentimento da família, inclusive do pai, justamente pela manutenção da família.

A transformação nas relações familiares, na estrutura social produzida pelo momento de ápice do capitalismo com advento da máquina, é verificada por Karl Marx a partir da análise da classe operária, a qual é diretamente atingida pelas mazelas dessa forma inovadora de sistematização da produção. Marx identifica nessa classe uma situação de vulnerabilidade, decorrente das condições de exploração, de alienação e de deterioração da própria condição humana. O processo de reificação do homem, transformando-o em mercadoria, assim como o de desumanização, pode ser verificado inclusive nas relações afetivas. A exemplo disso, Marx cita os trabalhadores que vendem seus próprios filhos, denominando-os “traficantes de escravos”. Dessa maneira, verifica-se a imersão da lógica do capital até mesmo no cerne familiar, isto é, comprova-se que a funcionalidade desse sistema de produção a seu bel prazer se insere nas mais diversas formas de relações sociais.
A degradação familiar representada pela personagem Sônia, que se envereda no mundo da prostituição para manter os parcos recursos familiares, é um claro exemplo da apropriação da força de trabalho humano pelo capital. A desvalorização do trabalho manual decorrente da revolução maquinaria desvela uma transformação tão intensa na sociedade européia do século XIX, que até mesmo a constituição familiar, uma das instituições mais sólidas do corpo social, sofre com os seus efeitos. Dessa forma, Marx discorre sobre uma degradação moral e intelectual advindas dessas transformações sociais, que ocasionaram um embrutecimento do homem, resultando em altos índices de mortalidade infantil, esfacelamento do núcleo familiar, tráfico de crianças e tantas outras mazelas que se manifestaram na sociedade pós-industrial imersa pela nova lógica do capital.


GRUPO: José Roberto B. Bettarello, Palloma Comti, Samantha Yabiku, Amanda Verrone, Ana Beatriz Nunes.
1º ano - Direito/ Noturno.

Os limites se alteram, mas nunca terminam

A leitura de parte do capítulo XIII de “O Capital”, de Karl Marx, permite-nos refletir sobre por que o homem começou a buscar outros mecanismos para sua produção. Até aquele momento o pequeno desenvolvimento tecnológico bastava. Porém, a medida que seus anseios crescem, ele necessita de algo a mais, algo que não seja limitado tão somente pelas condições naturais. E mais, algo que ultrapasse o próprio limite humano. As máquinas foram criadas para suprir esses anseios. Foi a partir de então que houve uma quebra dessa barreira orgânico-natural, possibilitando a realização de tarefas em um curto espaço de tempo, aumentando significativamente a produção e, inclusive, diminuindo o número de trabalhadores nas fábricas. Surgiria aí, então, uma barreira criada pelo próprio homem? Teria ele desenvolvido uma ciência que pôde otimizar ao máximo seu trabalho ao ponto de transformá-lo em peça dispensável na produção? Justamente porque as máquinas superaram demasiadamente suas capacidades físicas. Hoje não se vê a completa extinção do indivíduo na produção. Foi ocorrendo uma perda gradativa de sua importância, chegando ao ponto de uma total alienação em relação ao processo produtivo.
Começou assim a luta do homem contra o homem e saber tornou-se sinônimo de poder, visto que quem tivesse mais conhecimento e habilidades teria também mais facilidade de se inserir no novo mercado de trabalho. Sua força física tornou-se insuficiente para o mercado. Passou-se então para um estágio em que se necessita, pois, de força intelectual, para aprimorar mais ainda as tecnologias que excluíram o homem desse meio.
Nota-se, portanto, que é necessária uma superação constante de barreiras que surgem frequentemente em relação ao processo produtivo. Iniciou-se com as barreiras naturais, e hoje busca-se quebrar a barreira do próprio homem , que necessita se aperfeiçoar  intelectualmente para poder se inserir em um mercado competitivo e que não valoriza mais o trabalho manual como se via antigamente, na época dos artesanatos.

Texto referente ao livro "O Capital”, mais especificamente ao capítulo XIII “Maquinaria e grande indústria”.
Tema: “A técnica diante das determinações orgânico-naturais”
Grupo: Amanda Silva Trevisan, Ana Carolina Trofino, Ana Claudia Gutierrez Kitamura, Graziela da Silva Rosa e Letícia Roberta Santos.

A indústria e o modo de vida: entre o rural e o urbano


N’O Capital, observa-se a grande exploração da mulher e da criança nas fábricas. Já não era mais viável que apenas o homem da família trabalhasse, uma vez que se todos os membros desta prestassem serviços, seria muito mais vantajoso para a produção.

Vê-se também a diferença entre a vida das crianças do meio rural e do meio urbano: enquanto as primeiras não trabalhavam, as segundas já eram inseridas no meio fabril, sofrendo as mazelas de tal ambiente hostil, sendo sujeitas a limpar as chaminés e enfrentar excessiva carga horária. Era comum que as crianças do meio urbano fossem “vendidas” em anúncios de jornal semelhantes aos da época da escravatura. Apenas com a lei fabril de 1833 é que as crianças tiveram sua carga horária reduzida (continuando, entretanto, exagerada) e, para que pudessem trabalhar, deveriam estar estudando. Contudo, a escola daquele tempo não se assemelhava à que vemos atualmente. Crianças de diversas faixas etárias eram postas em uma sala, onde o professor que ministrava aulas sequer sabia escrever ou ler. O número de crianças era muito superior ao que o espaço permitia e as condições em que se encontravam também eram precárias. Com isso, a escola era apenas um meio da criança poder trabalhar.

Conquanto as crianças do meio rural não trabalhassem, suas mães, por outro lado, já estavam inseridas no mercado de trabalho. Com isso, essas crianças ficavam abandonadas em casa, sem cuidados e assistência. Desta forma, a taxa de mortalidade era alta em ambos os meios (rural e urbano). A distinção entre criança e adulto já não era mais reconhecida em nenhum dos meios, já que a criança era, se não explorada, abandonada.

Conclui-se, portanto, que apesar das diferenças entre os meios rural e urbano, a Revolução Industrial atingiu e modificou o modo de vida em ambos, pois os dois meios foram explorados e sofreram com as mudanças causadas pela revolução.
 
Steffani de Souza, Daniele Zilioti, Gabriela Watanabe, Virginia Melo, Gabriela Giaqueto, Fernanda Nogueira
(1º ano Direito Noturno)

A Máquina e a Nova Dinâmica da Família

Com a atuação da máquina, a força muscular humana deixa de ser essencial e passa a ser supérflua. Adentram nas indústrias aqueles com capacidade física inferior - no quesito “força”-, mas com maior flexibilidade. Ou seja, o uso do trabalho feminino e infantil, sem distinção de idade ou sexo. Assim, a família do trabalhador também começa a fazer parte da linha de produção industrial. Aumenta-se a quantidade de assalariados, com o domínio direto do capital.
Num primeiro momento, o valor da força de trabalho era estabelecido pela necessidade de sobrevivência do trabalhador e de sua família. Mais tarde, porém, com todos os membros familiares dentro das fábricas, desvaloriza-se a força de trabalho do homem, que passa a ser repartida entre a família. Isso faz com que, para o explorador, aumente a quantidade de jornadas disponíveis, enquanto o valor da força de trabalho despenca na proporção em que se eleva o trabalho excedente. Ao ampliar o material humano, a máquina eleva o seu grau de exploração.
O contrato entre o capitalista e o explorado é renovado, pois embora o primeiro continue a fornecer os meios de produção, o último passa a entregar não somente sua força de trabalho, mas também a vender incapazes e parcialmente incapazes, pela visão normativa do direito. Pode-se então concluir que o trabalhador torna-se traficante de escravos, por vender seus filhos e esposa.
Embora na época existisse a lei fabril de limitação de 6 horas de trabalho para meninos com idade inferior a 13 anos - com atestado de idade qualificado por um médico -, eram frequentes os casos de crianças dessa faixa etária que acabavam dentro das fábricas por meio de atestados falsos, os quais satisfaziam a ambição do capitalista dominante.
Relata-se ainda a degradação física dos jovens, além de elevada taxa de mortalidade dos filhos dos trabalhadores em seus primeiros anos de vida. Isso resultava, principalmente, da ausência materna dentro de casa, a qual desencadeava na referida taxa de mortalidade, tendo em vista que as crianças mal cuidadas e abandonadas não recebiam a alimentação adequada e a atenção necessária.
Dentre todas as formas de sofrimento e degradação, a mais marcante para essas famílias era a moral. As crianças eram obliteradas intelectualmente através da coisificação de suas vidas, o que implicava numa deterioração da vida escolar e educativa, pois nem os próprios professores tinham capacidade para ensinar.
Por fim, o próprio Karl Marx fecha afirmando que “com o afluxo predominante de crianças e mulheres na formação do pessoal de trabalho combinado, quebra a maquinaria finalmente a resistência que o trabalhador masculino opunha na manufatura, ao despotismo do capital”.

Trazendo essa configuração capitalista do momento em que Karl Marx escreveu para a nossa realidade do século XXI é possível perceber claramente os traços desse sistema exploratório, mesmo porque ainda vivemos o capitalismo. Assim, temos que nas famílias da classe dominante os filhos representam gastos a mais, enquanto que naquelas de inclinação mais humilde eles significam mão de obra extra para garantir o sustento da entidade familiar. Desse modo muitos jovens ingressam no trabalho cada vez mais cedo- em situações raramente dignas- e acabam por abandonar os estudos perpetuando, portanto, o esvaziamento intelectual relatado por Marx.

- Iara da Silva, Elisa Néri Ribeiro de Carvalho Romero Rodrigues, Monyele Beretta Martins, Iris Acácia Crusca, Maria Beatriz Cadamuro Mimo, Nathália Melazi Caobianco - Direito Noturno 

Maquinário Familiar

Em seu livro, O CAPITAL, Karl Marx analisa a diferenciação de ferramentas e maquinas, relacionando à força de trabalho humana e não humana e a sua produtividade. Critica o sistema, e define o que ele chama de mais valia. Em sua visão, a máquina não serve para diminuir a labuta do trabalhador, serve apenas para diminuir a quantidade de tempo que o trabalhador levará para pagar seu trabalho. A máquina é, simplesmente, o instrumento de produção da mais valia. Sendo FERRAMENTA aquela impulsionada por FORÇA HUMANA e a MÁQUINA impulsionado por ANIMAIS, FORÇAS NATURAIS, ou outro tipo de força não humana (um tear, movido por um trabalhador, constitui uma ferramenta. Se este mesmo tear fosse movido por vapor, seria uma máquina). Marx também estuda dados sobre o trabalho infantil e feminino e as consequências sociais destes nas famílias do mundo industrial. Com a introdução da maquinaria, pessoas menos aptas fisicamente passaram a poder realizar serviços que antes seriam inacessíveis a eles. Assim, mulheres e crianças foram inseridas no contexto industrial nesse momento de mudança e logo famílias inteiras faziam parte do grupo de trabalhadores de determinada fabrica. Apesar de algumas leis tentando regulamentar a venda de trabalho infantil, muitos pais o faziam para aumentar a receita, que era uma ilusão, já que famílias inteiras passaram a trabalhar para receber o que antes um homem recebia sozinho. Dentre essas leis, existia, na Inglaterra, uma norma que só permitia crianças até 14 trabalharem caso elas frequentassem a escola. No entanto, não havia infraestrutura para isso, muitas vezes as crianças eram colocadas em salas muito cheias, e os professores eram despreparados (sendo analfabetos). Ou seja, era só mais um disfarce. O índice de mortalidade infantil na época era muito alto tanto pela exploração que sofriam nas fábricas, quanto pelo fato de as mães trabalharem fora e deixarem as crianças em estado de abandono e sem cuidados em casa. As taxas de mortalidade eram reduzidas nos sítios agrícolas, onde o emprego de mulheres na força de trabalho era reduzido. O afastamento das mulheres em relação aos seus filhos criava um real distanciamento e muitas matavam seus filhos envenenados, davam narcóticos para acalma-los ou os deixam morrer de fome.

Grupo: Carolina Paulino, Isabella Carvalho, Júlia Rosa, Juliana Casagrande, Marina Cavalli, Mayara Michéias - Direito Diurno

A Evolução Tecnológica no Sistema de Produção

       Tecer, costurar, colar, remendar... etapas antes feitas apenas com as mãos de artesãos sofrem inúmeras modificações por conta do aperfeiçoamento das máquinas.Com isso, o homem passou de trabalhador manual a simples força motriz, cuja função, além de alguns fáceis movimentos, passa a ser vigiar a máquina e corrigir possíveis erros.
       Já trabalhos em que se exigia maior força física como mover o braço de um fole, bater com um pilão e girar a manivela de um moinho são executados através das forças naturais: a água, o vento e os animais.
       Com o passar do tempo, a superação da barreira orgânica ocorre, de fato, com a criação do motor, instrumento capaz de ser a máquina motriz de diferentes máquinas-ferramentas, componentes de todo o sistema maquinário agora apto a ultrapassar os limites da força humana e da inconstância da velocidade, da obediência e do volume das forças naturais.
       Através dessas modificações percebe-se a importância da Revolução Industrial que exacerbou os lucros através do barateamento da produção por conta da velocidade, da praticidade e da exploração do trabalhador. Este, então, torna-se mero objeto que não pode mais se reconhecer no produto de seu trabalho.

       Em síntese, apesar de a máquina mecanizar a função do homem no processo produtivo, avanços tecnológicos continuam a ocorrer até os dias atuais e,embora distancie o trabalhador cada vez mais dos trabalhos manuais, também nos afasta da dependência das determinações orgânico-naturais.   

Tema: A técnica diante das determinações orgânico-naturais.
Grupo: Otavio Meneghel Bastos, Marcela Helena Petroni Pinca, Ricardo de Carvalho Mendes Júnior, Rodrigo Tittoto Acra, André Torres Pinheiro de Souza, João Filippe Rossi Rodrigues.

Máquina e homem: a dialética da dominação

Durante séculos o homem desenvolveu meios que o permitissem dominar a natureza, meios esses que caracterizaram o seu trabalho. O simples fato de realizar uma atividade que propiciasse o seu sustento e desenvolvimento o diferenciaram dos outros animais, pois estes agem por instinto. O trabalho desta maneira deu ao homem subsídios para que dominasse o meio natural, até o aparecimento da maquinaria.

Enquanto o homem era “dono dos seus próprios meios”, através da manufatura, via em seu trabalho um fim, um produto em que se reconhecia. No entanto, os séculos XVIII e XIX são marcados pelo desenvolvimento de máquinas, uma ruptura com as ferramentas manufatureiras e uma divisão entre o dono dos meios de produção e o trabalhador. As consequências da Revolução são sentidas inclusive no conceito de tempo. Se antes o homem agia de acordo com as determinações naturais, identificando o tempo através do sol, de astros, ou ainda realizando seu trabalho no ritmo da natureza, era possível, a partir deste momento, “controlar” o tempo, realizar atividades cada vez mais numerosas em um tempo cada vez mais curto. Mera ilusão, a máquina domina o tempo. Deste modo o tempo passa a não mais ser controlado pelo homem, mas sim pela máquina. Ou seja, torna-se um meio, não mais um fim.

Assim como um animal de tração, o homem faz um trabalho já previamente definido, sem espaço para o uso de sua criatividade, em um ritmo definido pela máquina e acelerado pelo detentor do meio de produção, que visa o lucro. Daí o estranhamento do homem e seu produto, aquele não tem mais a faculdade de criar, a partir do próprio esforço, o seu produto, muitas vezes ele não tem nem acesso ao fruto de seu trabalho. O homem que tem uma importante função em uma linha de produção de carros, não gera renda o suficiente para comprar sequer uma única unidade do próprio produto.


Destarte , o trabalho é a essência do homem , responsável por diferenciá-lo dos outros animais ,porém a máquina inserida no meio capitalista acabou por subtrair esta essência causando um abalo no autoconhecimento do ser humano. A natureza cria o homem , o homem domina a natureza , o homem cria a máquina , a máquina domina o homem, a máquina cria o homem.

Grupo responsável: Angelo Caberlin, Júlio Fujioka, Karina Lima, Lucas Degrande e Lucas Sato Gamez.
Tema: A técnica diante das determinações orgânico-naturais

sábado, 31 de agosto de 2013

Influências da maquinaria na realidade do homem e de seu núcleo familiar

Como ponto de partida para o entendimento do texto, Marx nos explica e explicita a diferença dentro dos meios de produção. No que diz respeito às maquinarias, entendemos que a máquina é assim chamada por não possuir uma força motriz oriunda de esforços humanos, enquanto a ferramenta, outro muito utilizado meio de produção, diferencia-se da primeira por funcionar a partir do homem como força motriz. Desse entendimento, evoluamos a interpretação. Com o advento da Revolução Industrial temos um nítido desenvolvimento científico no sentido de construção de máquinas e elaboração de projetos que visavam um avanço cada vez maior dentro da cadeia de produção, culminando com um avanço cada vez mais largo dos lucros e, de acordo com Marx, da mais valia, no entanto, temos um segundo lado, a deterioração da relação homem-trabalho.
Uma leitura um pouco irônica cabe nessa “ode” à não tão revolucionária Revolução Industrial. Antes desse desenvolvimento desenfreado do nascimento das máquinas, no artesanato - até mesmo na manufatura - o homem era portador da força motriz de sua pequena ferramenta. Assim, poderia confeccionar seus objetos, de sua família e alguns objetos destinados ao comércio, para a obtenção de moeda que, mais tarde, seria utilizada para a compra de alimentos e afins que o núcleo familiar precisasse. Com a entrada das máquinas, vemos que essas passaram a fazer exatamente a mesma coisa que homem já fazia. O martelo continuava batendo no prego, a manivela rodando o moinho e a lã sendo tecida. A diferença dessas realidades encontra-se na força motriz, ou seja, se antes a força motriz utilizada era o homem, animal, ou forças da natureza – como vento, água, etc. - agora era a máquina e é nisso que se fundamenta a tão louvada “revolução”. Em essência, de nada muda o produto, apenas sua quantidade e seu tempo de confecção. A leitura irônica encontra-se justamente nesse ponto de termos “Revolução” como nome de um período que nada mudou a realidade de produtos, mas, inegavelmente, mudou a realidade só ser humano. Mas não para melhor.
É correto pensar que antes da máquina o homem, por ser dono de seu tempo, ser dono de sua ferramenta e, principalmente de suas escolhas, controlava a manufatura dos produtos. Após a Revolução Industrial temos uma nova adaptação. O homem passa a ser controlado, nítida e diretamente pela máquina. Sua velocidade deve servir à velocidade das esteiras que passam incessantemente,, os pregos devem ser pregados num ritmo certo e sem erros. A manufatura dos produtos que passa a controlar o homem, mesmo ele já não tendo primordial papel nesse processo por não ser mais a força motriz.
Analisando a parte “otimista” desse avanço industrial e evitando tocar, nesse momento, em repercussões e consequências sociais, podemos concluir, de maneira positiva, que de fato a produção aumentou, melhorou e otimizou. Essas novas máquinas, chamadas por Marx de maquinas-ferramentas – por não serem geridas pela força motriz humana e possuir, como parte de sua competência, a ferramenta utilizada, antes da Revolução Industrial, pelo homem somente – são agora, com o encaminhar dos avanços, autossuficientes no sentido de serem, basicamente, autogeradas, ou seja, automáticas. Inevitável reconhecer o avanço industrial presente nessa breve análise.
Entrando, agora, numa interpretação das consequências sociais, os avanços industriais repercutiram de maneira muitíssimo negativa nas vidas dos trabalhadores que acabaram virando escravos das máquinas e de seus detentores, que, numa ânsia de adquirirem infinitos lucros, acabam por usurpar, muitas vezes o controle pessoal de cada mão de obra considerada “não-pensante” das fábricas. Os núcleos familiares passaram a ser considerados “úteis” no sentido de que seu tamanho influenciava direta e infelizmente na obtenção do salário ao final de um ciclo fabril/febril de trabalho. Por não ser necessário o porte físico forte como utilização de força motriz das novas máquinas, mulheres e crianças também passaram a ser utilizadas nas jornadas de trabalho de duravam do nascer ao pôr-do-sol. Disso temos um desenvolvimento insustentável e constante que perdura e tem seus reflexos nos nossos tempos da destruição sociedade, seus valores, virtudes e núcleos, sejam profissionais, de amizade, mas, principalmente, familiares.


GRUPO
: Dalisa Aniceto, Juliana Galina, Lucas Barosi e Victória Iori
   A gênese da dialética

   Marx em sua obra O Capital, ao tratar da questão da técnica diante das determinações orgânico-naturais, busca fazer uma síntese sobre o papel dos avanços da ciência nos meios de produção.
   Quando escreve sobre os limites naturais, o autor demonstra a verdadeira impotência do homem em relação aos fenômenos da natureza, como o caso dos moinhos, que por funcionarem por rodas hidráulicas, causavam a limitação da produção do trabalho e a permanência do homem no campo, pois era onde o recurso estava disponível.
   No ponto das limitações orgânicas, Marx argumentava que devido ao não desenvolvimento contínuo do homem juntamente com as máquinas, chegou-se ao ponto limite da produção.Um exemplo disso seria a adaptação do tear para os pés, que demandava uma habilidade quase impossível de ser encontrada no ser humano.
   Em relação à transformação do trabalho humano, Marx descreve a passagem do homem que inicialmente era produtor, posteriormente se tornou uma mera peça da máquina e por fim, operador. Essa transição foi possível graças à invenção da máquina, que possibilitou a libertação em relação aos limites naturais, aumento da produtividade e diminuição do tempo de produção.
   Diante disso observou-se o aprimoramento dos meios de produção; se anteriormente a manufatura limitava a obtenção de capital, a maquinaria por sua vez trouxe a produção em massa, em detrimento da valorização do trabalho humano e da ordem social vigente.

Tema: A técnica diante das determinações orgânico-naturais.
Grupo: Cesar Felipe Simão Cano, Eduardo Matheus Ferreira Lopes, Renan Innocente, Thaís Ferrari Bastos e Vinícius Domingues.

Consequências de um divórcio

O livro "O Capital" ("Das Kapital"), de Karl Marx, consiste numa crítica à economia política capitalista. Uma forte crítica feita na obra é em relação a mais-valia, para Marx esta é agravada com a chegada da máquina e gera consequências diametralmente opostos para o burguês (dono dos meios de produção) e para o operário.
A partir da análise feita por Marx a respeito do desenvolvimento cada vez maior das fábricas e dos respectivos meios de produção, nota-se que aquele momento representou o ponto de cisão entre dois panoramas: o primeiro, no qual o trabalhador conhecia todas as etapas necessárias para a produção de determinado produto; e o segundo, no qual o trabalhador não passava de um operador de máquinas totalmente alienado em relação ao processo geral de produção. Toma-se conhecimento também da relação cada vez mais antagônica entre o trabalhador e o proprietário dos meios de produção. Um grande exemplo é a mais-valia, através da qual o operário sofre um aumento na jornada de trabalho, sem receber por isso um aumento proporcional em sua remuneração. Juntamente com o aprimoramento das máquinas, nota-se como já foi dito, um grande aumento na jornada de trabalho dos operários e a deterioração da qualidade de vida destes. E essa relação cada vez mais prejudicial em relação ao operário em seu meio de trabalho pode ser indicada como principal razão para o movimento de contrariedade manifestado por esses em relação às maquinas e seus patrões.
O divorcio entre o homem e os meios de produção ou as ferramentas de trabalho, mais especificamente, ocorrr a partir do momento em que sua atividade (do homem) nao passa de mera força motriz para o funcionamento da maquina. Ele apenas fornece força à máquina, que transforma matéria-prima em objeto. E a força humana ainda pode ser substituída por outras forças, como hidráulica, dos eólica, entre outras, distanciando mais ainda ele dos meios de produção.
Por fim, podemos concluir que obviamente esses fatores acarretariam em revolta por parte dos trabalhadores. A primeira forma de resistência tem início com o inglês Ned Luddman com o lema "Quebrai as máquinas.", mas os capitalistas aliados ao Estado reprimiram o movimento alegando que violava a propriedade privada. O segundo momento foi a montagem de sindicatos e a realização de greves, porém como a massa de desempregados era cada vez maior - a máquina substituiu boa parte da mão-de-obra empregada - os grevistas eram demitidos e substituídos. Por fim, tivemos a proposição de uma nova sociedade, o socialismo; inicialmente tivemos os socialismo utópico, como o de Robert Owen (coletivização de sua fábrica) e o deCharles Fourier ("Os Falanstérios"), e depois o socialismo científico/real formulado pelo Marx em união à Friederich Engels.


André Mateus Pupin, Bento Salgado, Bruno Leme, Caio Minoru, Gabriel De Bonito, Leonardo Mussin e Lucas Surjus.

A Máquina e a Nova Dinâmica da Família

      De acordo com o pensamento de Marx, o surgimento da Indústria Moderna, fez com que o Capital se apropriasse de formas suplementares de trabalho, como a de mulheres e crianças, isso porque com o emprego da maquinaria a força muscular se tornou uma característica supérflua, colocando assim todos os membros da família para trabalhar. Desse modo repartiu o valor do trabalho do homem adulto pela família inteira, fazendo com que a exploração aumentasse e o trabalho do homem adulto fosse desvalorizado. O declínio dos salários fez com que todos os integrantes da família tivessem que trabalhar para poderem se sustentar. Com isso, o homem deixa de vender sua força de trabalho para vender a de sua mulher e seus filhos, ou seja, torna-se um traficante de escravos.
      Uma das principais consequências desse fato é o aumento da mortalidade infantil nos primeiros anos de vida devido à falta de cuidado com as crianças pelo fato das mães trabalharem fora de casa, especialmente nas fábricas capitalistas. Muitas vezes, mesmo as leis criadas para proteger crianças e adolescentes, eram facilmente burladas, como a que limitava o trabalho de meninos com menos de 13 anos de idade, em que os médicos escreviam atestados aumentando a idade das crianças para que elas pudessem trabalhar por mais de 6 horas. Outro exemplo foi a criação da lei fabril que previa a instrução elementar de menores de 14 anos para so assim poder emprega-los, a qual sofreu oposição dos fabricantes que usavam de trapaças para burla-la.

Bianca Bastos, Emmanuelle Nasser, Felipe Rotolo, Guilherme Reis, Leonor Rabelo e Rodrigo Nadais - Direito Noturno

Efeito dominó: escala industrial

Marx já diria que a máquina motriz atua como força motora de todo mecanismo. Mecanismo esse que antes era regido pelo homem. Do artesão ao operador, da mano à maquinofatura, o salto onde a técnica prevaleceu para vencer as barreiras orgânicas, os limites do homem, do artesão, da manofatura, e as barreiras naturais, impostas pelo ambiente, pelo condicionamento das fontes de energia, do filete de água que faz a roda d´água girar.
A técnica aprimorava as máquinas, dotadas de uniformidade, de harmonia e de força. Essa técnica então fez com que a máquina se desenvolvesse, evoluísse, gerando assim um enorme efeito dominó. A máquina "x" evoluía, a máquina que fabricava peças para a "x" vinha então a evoluir, a máquina que arrematava o que a "x" fabricava se via na obrigação de evoluir, e essa cadeia, esse dominó era a evolução gerando mais evolução.
Ainda assim, com toda evolução, as máquinas em certo momento se desgastariam, estragariam, necessitando de reparos, que claro, demandariam capital para tais reparos. O produto então fabricado pela máquina "x" passava a valer o seu preço mais o preço do desgaste da máquina, para que esse desgaste fosse pago automaticamente, sem prejuízos ao industrial, numa espécie de valor agregado.
E nesse efeito dominó, nessa evolução geratriz de evolução, o homem se viu cada vez mais excluído pela técnica, vencido pela máquina, mais harmônica, mais forte e que pagava seu próprio desgaste. Aquele que antes era a força, passou a somente operar a detentora da força.

Postagem sobre a temática "A técnica diante das determinações orgânico-naturais" 
Integrantes: ANTÔNIO ROGÉRIO LOURENCINI, JOÃO PAULO GABRIEL BRAGA DE OLIVEIRA, LEONARDO DE MORAIS OLIVEIRA LIMA, MARCELO FERREIRA ROSA FILHO, WEBER PASSOS DOS SANTOS

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A máquina é o lobo do homem

     “Cérebro”, “mãos”, “parafuso”: eis as marcas do processo de divórcio entre o homem e seu instrumento de trabalho que se intensificaram com a evolução do sistema capitalista.
     Cérebro. Nos primeiros processos de produção eram os próprios trabalhadores que criavam e desenvolviam artesanalmente o produto final, sendo assim o ápice da união entre o homem e sua criação. Mãos. Na manufatura o trabalhador era caracterizado apenas como um tipo de força motriz, sendo comparado assim à tração animal, ao vento e até mesmo à água, não participando do processo criativo do produto.
    Parafuso. Na maquinofatura a força humana já não importa mais, tampouco sua capacidade criativa. Esse é o ponto máximo de coisificação do homem e divórcio com seu instrumento de trabalho. Nessa etapa o cérebro deixou de ter importância, aliás, muitas vezes este nem sabia o que estava sempre produzido, demonstrando assim a completa submissão do homem pela máquina.
   O pensamento egocêntrico do capitalista burguês transformou proletários, parafusos e engrenagens em cifras se multiplicando a todo vapor, sendo esta busca incessante pelo lucro severamente criticada por Karl Marx em sua obra “O Capital”. A mais valia é primordial nessa etapa, passando por cima de qualquer obstáculo, suprimindo até mesmo as necessidades humanas para transformar os trabalhadores em peças para as máquinas, como salientava Marx. A luta pelo lucro de uns desencadeou na luta pela sobrevivência de outros. A máquina tornou-se o lobo do homem.




Tema: Divórcio entre o homem e seu instrumento de trabalho.
Integrantes: Ana Carolina Alberganti Zanquetta, Camila Gabriele Pereira de Faria, Daniela Nogueira Corbi, Elisa Kimie Miyashiro e Giovanna Gomes de Paula.