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domingo, 10 de abril de 2011

Integração

O filme Ponto de Mutação, baseado no livro homônimo de Fritjof Capra, compara o pensamento cartesiano ao paradigma que surgiu no século XX. Há um contraste entre o método científico reducionista e o sistêmico, para o qual o mundo é um todo indissociável.

Na discussão feita no filme, os personagens abordam a evolução do pensamento humano, desde Descarte até a contemporaneidade, na qual ainda vemos líderes pensando e agindo de maneira mecanicista, aplicando o modelo cartesiano, o qual prega a divisão de todo em partes, para entendendo cada uma delas, procurar entender o todo. Certamente essa contribuição, que na época foi um grande salto para interpretar o mundo para além do misticismo, hoje já está ultrapassada.

Porém, os reflexos da utilização desse mesmo modelo hoje são prejudiciais à sociedade em geral, pois ignoram os custos sociais e só visam os ganhos econômicos de suas ações. Os sistemas existentes não encorajam a prevenção, só a intervenção, que não consideram que só se constrói um modelo de sucesso no presente, se estimularmos o futuro. O roteiro faz também uma crítica à inexistência de uma ciência pura, justificada em si mesmo, a partir da autonomia dos cientistas em fazer a escolha dos assuntos que mais os fascina isentos de qualquer influência externa de caráter político ou mercadológico.

Na atualidade, podemos verificar que existe uma pauta de prioridades da produção científica no mundo que é definida pelo Estado ou pelos agentes privados, que detém o poder econômico. Essas instituições públicas e privadas em toda parte do planeta, determinam a sua estratégia, o que deve ser pesquisado.

O filme defende que o mundo seja pensado como um processo integrado e não como estruturas. O pensamento cartesiano elabora a sua percepção mecanicamente. A metáfora do relógio perfeito já não serve para analisar os padrões globais complexos do mundo comtemporâneo.

Com a mudança radical dos ideais e valores da humanindade, poderemos promover o avanço de um novo padrão de ciência que proponha a efetiva resolução de parte dos problemas da humanindade sem criar outros mais nocivos. Desta forma, a ciência alcançará um patamar ético aceitável para a convivência entre homem e natureza, entre a vida e a sua reprodução saudável.

A parte contra o todo

O filme "Ponto de Mutação", baseado na obra de Fritjof Capra, certamente provoca uma reflexão sobre diversos problemas da nossa sociedade, inclusive sobre as maneiras equivocadas através das quais tentamos resolvê-los, incorporando comparações biológicas, psicológicas e econômicas. O diálogo entre a cientista, o poeta e o político (que vivem todos diferentes crises existenciais), começa a partir de uma discussão sobre um relógio e as associações que podem ser feitas entre o objeto e a sociedade de maneira geral. A cientista critica a maneira cartesiana de se ver o mundo, ou seja, uma visão mecanicista que é adotada pelos políticos e que os faz querer analisar as peças separadamente, sem se dar conta de que o todo é que realmente necessita de conserto. Dessa maneira também é vista a natureza, da qual retiramos imprudentemente todos os recursos de que necessitamos, numa busca obsessiva do crescimento.

A maior mensagem do filme está na ideia de que estamos vivenciando uma crise de percepção, pois aceitamos de bom grado o que nos é proporcionado e não questionamos os sistemas; não estimulamos a prevenção, só a intervenção dos problemas. E a solução dessa crise é, primeiramente, compreender que na realidade o que estamos tentando resolver de maneira independente é uma teia inseparável de relações e interconexões. Dessa maneira, é possível conceber uma sociedade sustentável pensando a longo prazo e considerando as gerações futuras. Entretanto, a maior dificuldade dessa proposta, como aponta o político, seria fazer com que as pessoas compreendessem essas ideias e as concretizassem na política. Sem dúvida é algo difícil de se alcançar na prática, mas o ponto de partida é procurar mudar nossa maneira de ver o mundo, e é isso que a cientista tenta explicar na maior parte do filme.

Além disso, também é importante ressaltar que a vida não pode ser vista de maneira simplória, ela se mantém e se renova, mas não podemos ignorar sua verdadeira essência, o fato de que ela sente a si mesma e que, como é muito bem colocado no filme, nós não somos sistemas que evoluem no planeta, nós evoluímos com ele, através da criatividade que existe dentro de cada um. Em suma, o ponto de mutação é na realidade a compreensão, e não o controle, de algo que vale tanto para a época em que a obra foi escrita quanto para os dias atuais: que "nenhum santo se sustenta sozinho", e que não existe parte sem o todo.

Um mundo globalizado de fato.

O filme "O Ponto de Mutação",de Fritjof Capra trata de aspectos interessantes sobre a necessidade da mudança na visão do mundo de hoje e os problemas que o abrangem. Trata-se de uma discussão de diferentes pontos de vista sobre a evolução histórica e científica, entre um político,um poeta e uma cientista(ambos passando por crises existenciais em suas vidas).Nela faz-se uma crítica ao modo parcial de se ver as coisas e em particular aos principais problemas do mundo como a miséria, problemas na área da saúde e principalmente a destruição do meio ambiente. A essa parcialidade atribui-se a visão que herdamos de Descartes,de que as questões devem ser analisadas em partes, quando na verdade não se pode olhar separados os problemas globais, tentando resolvê-los separadamente, e sim entender as conexões para melhor resolve-los depois. Quanto ao meio ambiente faz-se crítica a Francis Bacon que pregava que deviamos "escravizar a natureza" a qualquer preço para obter benefícios a favor do homem e da melhoria de sua vida,quando na verdade sabemos que hoje é necessário um desenvolvimento sustentável,também em benefício de nós mesmos,respeitando os limites da natureza e não super explorando-a. Fala-se ainda do conhecimento atual sobre física quantica,no qual existem tendências abstratas no que diz respeito ao conceito de matéria e suas dimensões e que esta estaria se tornando mais uma probabilidade do que algo realmente sólido como se acreditava no passado.

Análise sob uma nova ótica

No filme "Ponto de mutação", somos levados a refletir acerca de nossa forma de pensar o mundo e seus problemas. Essa reflexão é inaugurada por meio da discussão travada entre três personagens, mas que se concentra no embate entre o modo de pensar contrastante do político e da cientista. O político representa a maneira de pensar tradicional que está arraigada na sociedade contemporânea e é fruto da teoria cartesiana. Já a cientista propõe uma forma inovadora de compreender a realidade e os seus problemas, uma forma que se mostra contrária ao método proposto por Descartes.
A cientista afirma que tudo no cosmos tem uma ligação física. E a partir deste raciocínio, explica que analisar a realidade por meio da ótica cartesiana, a qual se propõe a separar meticulosamente o objeto de estudo; é um erro, pois essa separação nos impede de compreender com exatidão o funcionamento do todo interligado. E isso é um obstáculo para a solução de problemas.
Ao compreender a linha de raciocínio da cientista, o político a aceita, mas diz que é quase impossível colocá-la em prática, pois estamos acostumados a olhar para os problmeas de uma maneira individualizada.
Penso que a cientista está correta em suas afirmações, mas acredito que a nossa maneira de compreender a realidade tem mudado. A globalização é um fenômeno notável de que tudo está em constante inter-relação e para perceber isso não é necessário grande esforço, apenas temos que buscar entender as origens dos problemas, e nessa busca fica clara a inter-relação entre causas e consequências.

Um novo método científico

O filme O Ponto de Mutação (baseado na obra de Fritjof Capra) expõe uma discussão interessante sobre os pontos de vista dos temas por ele abordados. Nele, há três personagens que dialogam entre si sobre, principalmente, a situação atual da espécie humana e sua relação com o planeta em que vive. É dito por uma personagem (que representa o lado científico da discussão, sendo ela uma física) que o método do conhecimento de René Descartes e de Francis Bacon influenciaram grandemente na maneira em que o homem explora selvagemente, desde a Revolução Industrial, os vários tipos de recursos, até mesmo a própria Ciência.


O primeiro, ao pensar o mundo como uma metáfora de um relógio. Ao querer entendê-lo, divide-o em partes e analisa-as separadamente. Essa visão prejudica a compreensão entre a parte e o todo, além de fragmentar o conhecimento em diversas disciplinas. Essa visão mecanicista do mundo foi reforçada pelas descobertas inovadoras de Newton sobre as características do movimento de todos os objetos, que depois foram intituladas de leis seguidas de seu próprio nome. Já o segundo, ao argumentar que a Natureza deve estar ao serviço do homem, que ele deve explorá-la e até "torturá-la" para obter benefícios a serem utilizados ao seu bel-prazer, serviu como base e pretexto ideológicos para a devastação que o planeta sofre pelas mãos humanas.


Seguindo o raciocínio da discussão, somando-se ambas perspectivas, obtém-se o quadro atual, em que o homem é um ser extremamente individualista, egocêntrico, egoísta, ambicioso e cruel. Não se quer satanizar esses dois grandes intelectuais citados (nem mesmo o ser humano), mas sim reconhecer as limitações de seus métodos e suas partes de responsabilidade nesse cenário. Isso tudo deriva, de acordo com aquela mesma personagem, de uma "crise de percepção" por parte das pessoas. É proposto a via do pensamento sistêmico (chamado também de Teoria dos Sistemas Vivos), no qual há a identificação da existência de sistemas gigantescos de relações entre os seres vivos (entre eles mesmos também) e o ambiente; e a descoberta de que se deveria acabar com os problemas do mundo a partir dessa visão, além de evitar novos por meio da premeditação de suas causas.

Porém, outro personagem (que representa o lado político, demagógico da discussão, sendo ele um político) expõe a dúvida quanto a forma de se por em prática esse novo pensamento/método. Realmente, é díficil de se pensar, no âmbito das políticas públicas, o cumprimento de atos que deveriam ser feitos para solucionarem não somente a crise de percepção, mas as crises de todo tipo que o planeta sofre. Já que, conforme dito pelo mesmo, não haveria um apoio prontamente explícito a essa causa por parte da maioria da população. Além do mais, o terceiro personagem (que representa o lado bucólico da discussão, sendo ele um poeta) explicita a questão de uma provável coletividade/unidade extrema do pensamento sistêmico (que diminuiria a individualidade de cada um), uma vez que todos os indivíduos e seres estariam ligados entre si e pertenceriam a um mesmo propósito, que seria a vida, auto-organizadora por si mesma. Fica como conclusão a necessidade de se buscar aquela forma prática e discussão das questões paradigmáticas de tal pensamento que ainda deve vir a ser revolucionário.

Embate entre visões

Reflexões deveras nos são despertadas pelo filme "O Ponto de Mutação". Nele, há um debate entre uma cientista, um político e um poeta. Dos assuntos tratados, evidencia-se a maior importância dedicada à apreciação do legado mecanicista de Bacon e Descartes.
A nós nos é apresentado uma ideia um tanto pejorativa acerca desse legado. Segundo o método mecanicista, deve-se dividir um problema em partes para então buscar respostas para ele. No filme, questiona-se a validez desse método. Eis que então, em um processo de substituição a ele, deveria-se adotar um visão holística acerca do problema.
A consideração de que vivemos em uma "teia de relações" é ponto fundamental na defesa dessa visão. Desse modo, um problema estaria necessariamente interligado ao outro, tanto que, para solucioná-lo, seria preciso ter uma visão do todo e procurar um solução para este, e não para as partes em separado. Bem, isso causa inquietações, no mínimo.
Vamos por partes. Suponhamos que haja uma situação, o nosso todo, que precisa ser analisada, e que não sabemos nada sobre suas partes em separado. Está ali o todo, bem à nossa frente. Ainda, suponhamos que, de algum modo, essa situação compreenda algum conflito, e que queremos resolvê-lo. Que remédio aplicar no todo, sem desmembrá-lo? Como entendê-lo efetivamente? Se eu não tiver algum conhecimento das partes, simplesmente não há como entender o todo. Para elucidar o caso, usemos um exemplo do próprio filme. Têm-se um relógio. Quer-se entender o funcionamento do relógio. Faremos isso a partir do todo ou a partir de cada peça? Como, pergunta-se, COMO pode-se querer entender um relógio a partir do todo? Porque, inevitavelmente, em algum momento, em algum momento MESMO, surgirá uma pergunta mais ou menos assim: pra que serve essa engrenagem? Opa, que me conste, a engrenagem é uma parte. A apreensão do todo provém da análise das partes, simplesmente.
Ainda, outro exemplo do filme. Para acabar com a fome no Terceiro Mundo, seria necessário analisar não apenas a questão da fome, mas também da dívida externa desses países. Sim, claro. Parece bem razoável que essa análise deva ser feita. Agora, com cautela. Se um indivíduo pouco entendido acerca das questões da fome no Terceiro Mundo e da dívida externa deles tentar chegar a uma solução para o todo, dificilmente conseguirá. Entretanto, se um outro tiver vasto conhecimento das duas questões, veja bem, se ele tiver AGUÇADO conhecimento das partes do problema, então ele estará muito mais apto a resolver a questão do que o outro.
Diante disso, é incrivelmente tentador afirmar que a visão holística não pode vir a ser mais do que uma espécie de visão cartesiana maquiada para aparentar um sentido de maior abrangência. Entretanto, não é isso, apesar de algumas semelhanças; Ambas devem considerar as partes de um problema, o que muda é apenas a abrangência do todo. Por exemplo. Ainda sobre a questão da fome. O método cartesiano pode ser empregado para se analisar, isoladamente, tanto a fome quanto a dívida externa. Na concepção holística, as duas seriam analisadas em interligação. Mas, note bem, na análise da fome de acordo com o método cartesiano considerar-se-ia a fome(o todo) e seus pormenores (as partes), enquanto na análise de acordo com a visão holística teríamos a fome relacionada à divida externa (o todo), mas isso implicaria na compreensão de cada uma isoladamente (as partes). Muda-se, apenas, o todo.
Entratanto, é imperativo notar como as partes são analisadas nas duas visões. Na mecanicista, são separadas de fato umas das outras, enquanto na holística elas são integradas. Ora, isso torna algo estranho tentar, então, se chegar a uma compreensão verdadeira das partes nessa última visão, pois elas estarão sempre condicionadas por aquelas com as quais se relacionam, recebendo suas influências e se moldando a elas, enquanto na primeira visão, a partir do momento em que se chega à verdade, ela é fixa. Parece haver, então, na segunda, uma relativização da compreensão das partes. Elas são de um modo ou de outro de acordo com as circunstâncias. Pode-se dizer que há flexibilidade, num sentido otimista. Por outro lado, pode-se dizer que, por ser muito difícil avaliar aí a veracidade de algo, haja alguma falha que não foi verificada e que, por isso, deva haver motivo para desconfiança em relação à compreensão que se faz do todo, enquanto que, da junção das diversas partes que foram previamente constatadas verdadeiras segundo o método mecanicista, só pode resultar outra verdade.
Diante disso, vê-se que o método mecanicista, na verdade, é que proporciona a possibilidade de compreender o todo e expandi-lo, sem margem para erro, desde que verificadas realmente serem verdadeiras as partes. E mais, quanto melhor se conhece cada uma das partes, melhor pode-se determinar o todo. Esse método não causa rupturas na "teia de ligações", não gera um individualismo, um conhecimento fragmentado. O individualismo, nele, existe enquanto busca das verdade acerca de uma parte. Entretanto, uma vez atingida essa verdade, ela passa a ser divulgada para servir de suporte à busca de verdades mais complexas, como frisou o próprio Descartes em "O Discurso do Método". Isso possibilita a ampliação cada vez maior, além de mais exata, da lucidez com que problemas são enxergados.

Bacon com pitadas de Capra

Nos últimos quatro séculos, observou-se uma explosão de conhecimentos científicos, de inovações que muito contribuíram para o progresso da humanidade. Dentre elas estão a máquina a vapor que alargou a produtividade, o desenvolvimento da medicina que contribuiu para prolongar a existência humana, o avião que “encurtou” distâncias. Diante delas, Descartes e Bacon ficariam extremamente satisfeitos e orgulhosos. Porém, essas mesmas inovações que trouxeram tantos benefícios a nossa espécie também nos causaram algumas desgraças. A máquina a vapor, no século XVIII, substituiu a força de trabalho de muitos homens que, inevitavelmente, tornaram-se miseráveis; as novas tecnologias da medicina foram desviadas para a criação de armas biológicas; o avião foi utilizado como ferramenta bélica (vale destacar que tal feito provocou o suicídio de Santos Dumont, seu inventor).

Não pretendo aqui tecer um discurso contrário ás inovações; somente faço um parênteses para analisá-las e chegar à conclusão que elas são uma “faca de dois gumes” e que, portanto, devem ser aplicadas com extremos cuidados. Contudo, acho difícil que, diante de uma situação em que a aplicação das tecnologias seja favorável àqueles que as detêm , exista cautela e preocupação com as consequências do uso delas, em âmbito global. Um exemplo disso foi a bomba atômica que, sendo favorável naquele momento aos EUA (o detentor da tecnologia), foi utilizada, dizimando Hiroshima e Nagasaki.

Fritjof Capra, na obra “Ponto de Mutação”, defende a Teoria dos Sistemas Vivos, segundo a qual existe uma relação de interdependência entre todos os seres e os ambientes. Assim, se constitui uma teia viva formada por conexões. Um desequilíbrio no inicio da teia gera reflexos em todo o seu curso, sendo perceptível pelo último ser que a integra. Voltando ao exemplo da bomba atômica e seguindo a Teoria dos Sistemas Vivos, Capra diria que a ação dos EUA (utilizar a inovação) promoveria um desequilíbrio do sistema e seus reflexos seriam sentidos até mesmo por esse país.

Outro exemplo mais simples e atual seria a construção da Usina de Belo Monte. Bacon defenderia com unhas e dentes a execução do projeto, afinal o pensador o analisaria como uma forma de domar a natureza em favor do progresso humano. Já Capra, a partir de uma nova perspectiva, seria contrário ao projeto, visto que a feroz intervenção na natureza poderia provocar desequilíbrios (ecológicos e sociais) em âmbito global.

Acredito ser extremamente difícil conciliar os paradigmas defendidos por Bacon e Capra. Este defendendo um sistema sustentável e aquele as inovações sem limites. Enfim, cabe a cada um decidir se estamos diante de um “Ponto de Mutação”, isto é, se ainda é válido seguir, cartesianamente, a ciência proposta por Bacon ou se chegou o momento de inserir pitadas das ideias de Capra na vida científica.

Toda ação equivale uma reação



O filme baseia-se no livro de mesmo título, de autoria de Fritjof Capra, sendo que o baluarte do enredo é uma discussão e troca de experiências entre uma cientista, um político e um poeta sobre as questões existenciais. Tal fato diverge para uma gama de celeumas em relação à percepção que os homens tem perante o mundo e a necessidade de mudança. Ao longo da trama, são usados pelos personagens diversas citações, sendo que a mais recorrente é de John Donne. Vale ressaltar um parte do poema utilizada por um dos personagens:


" Nenhuma homem é uma ilha isolada


cada homem é uma partícula do continente, uma parte da Terra (...)


E por isso não perguntes por quem os sinos sobram;


eles dobram por ti."


Tal poema pode se relacionar com uma teoria bastante analisada, a Teoria dos Sistemas. Um conhecimento desta Teoria pode nos ajudar a intender a interrelação existente entre o sistema humano, agroindustrial, o sistema natural, meio ambiente, bem como as interrelações existentes dentro de cada um destes sistemas e suas interações. Sendo assim, é necessário analisar o mundo como um todo e não como uma estrutura feita por materias independentes entre si, por isso utilizar o relógio como metáfora analogo ao início do filme, fez como que essa visão se tornasse arcaica nos dias de hoje.


Todos as questões abordadas no filme, serve para refletirmos como somos individualistas em uma era globalizada, assim, o pensamento de Edward Lorenz na qual afirma que o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo deveria ser o lema nas nossas vidas, pois sentimos na pele o quão verdadeira é essa afirmação como por exemplo em êpocas de crises financeiras mundiais. Comitantemente, as nossas ações, atualmente, devem ser repensadas, pois damos grande valor apenas no presente e não nos preocupamos com aquilo relacionado a longo prazo; assim, o sistema integrado nos obrigam a planejar e repensar de maneira diferente, visando, tambem, o crescimento sustentável do planeta.


Partes interligadas

Revolução Industrial, Conferência de Berlim, Guerras Mundiais. Vários são os momentos históricos reveladores de um individualismo humano. Hoje, ainda, ideologias como a consumista e a de (apenas) “eu ser feliz” reforçam essa característica. Todavia, conseqüências dessas atitudes chegaram a tal ponto que provocaram “mutações” no pensar de parte da população. Ao mesmo tempo em que persiste o individualismo, estão em alta debates educacionais a respeito do contato entre as pessoas - convivência que se mostra de maneira intensa em sites de relacionamento (orkut, twitter) e, de certa forma, de modo relativo no mundo concreto.


O filme “Ponto de Mutação”, por sua vez, baseado no livro de Fritjof Capra, vai de encontro a esse tema. Trata-se, basicamente, de uma conversa entre um político, um poeta e uma cientista. Esta defende uma nova percepção do mundo na “teoria dos sistemas vivos”: a vida seria uma probabilidade de conexões em que todos (homens e natureza) fariam parte de uma teia de relações, sendo interdependentes. Assim, propõe a análise de um todo, a coletividade. Segundo a cientista, tal método opõe-se ao de Descartes, que restringe os problemas, provocando a eliminação de outros fatos, considerações importantes ao focar-se em apenas um. No que se refere a tal comparação, ela exemplifica de modo simples a impossibilidade de analisar apenas a "parte", com uma árvore: é preciso relacionar seus diversos componentes juntamente com fungos, pássaros, as trocas gasosas que realiza para entender todo seu funcionamento.

Diante dessas considerações, acredita-se que, a respeito do método cartesiano, ele não é de todo inválido, sendo muito útil no conhecimento científico. Contudo, também é fundamental a análise do “todo”, cujas partes estão interligadas. Dessa maneira, sob esta última perspectiva, promove-se maior atenção ao o meio em que se vive, bem como valorizam-se os relacionamentos pessoais, gera-se o altruísmo, contribuindo, assim, para um movimento a favor da trajetória humana.

“Talvez alguém aqui em baixo fale a sua língua, Jaguadarte”


O filme “Ponto de Mutação”, dirigido por Bernt Capra, é baseado no livro de mesmo nome escrito por Fritjof Capra. Nele há uma discussão entre um político, uma cientista e um poeta a cerca do entendimento do mundo, da vida. Abordam temas sociais, políticos, científicos, poéticos. Desencontram-se em suas opiniões, muitas vezes distintas, mas encontram-se na aceitação do que seria melhor para a humanidade.

O legado mecanicista deixado por Descartes fez do homem um ser que não evolui. Este não poupa sua própria vida e com isso destrói o ambiente, torna-se preconceituoso, explorador, individualista. Como uma máquina, vive em um mundo de “Saber é poder”. Tal sistema serviu para quebrar com as correntes eclesiásticas, mas atrofiou-se, deixando de acompanhar a evolução do mundo. Deve-se perceber que o ser humano é dependente da natureza e de outros seres. Como disse John Donne e assim foi retratado em filme pelo político, “No man is na island” (Nenhum homem é uma ilha). Fere-se a natureza, fere-se a si mesmo.

Os problemas são mudados de lugar e nunca resolvidos. Tem-se uma visão fragmentada e cartesiana. A mudança somente virá quando se mudar a maneira de enxergar o mundo. Uma nova visão. Holística.

“Somos todos parte de uma teia de relações”. Vivemos atados em dependências, seja para com outros homens ou para com outros seres. Até Jaguadarte, em Alice no País das Maravilhas (Lewis Carroll), tem alguém que fale sua própria língua.

O Desencantar dos Homens


A busca incessante pela verdade tornou-se princípio fundamental na obra de Descartes. "O Discurso do Método" explora de maneira não impositiva conceitos que, popularizados pelo autor, traduzem a melhor forma de se encontrar o que é a verdade. Representa a ruptura com o conhecimento medieval e origina a Filosofia Moderna.

Mostrou que tudo o que se aprende por meio de outros é duvidoso. A cultura em geral não oferecia subsídios para o conhecimento concreto, era necessário um novo método, uma reforma na maneira de pensar, fundamentado em uma base sólida e nova.
O novo método resume-se em: não aceitar o evidente e evitar o precipitado; dividir o questionamento em diversas partes, organizando a análise (regra de análise); conduzir o pensamento, começando pelo mais simples e direcionando aos mais complexos (regra de síntese); enumerar para não esquecer.

Para se chegar ao verdadeiro, portanto, é preciso reconstruir o pensamento a partir de suas próprias razões. É necessário conhecer a si próprio. “Cogito ergo sum” (Penso, logo existo). “Pensar” e “existir” estão diretamente ligados no método cartesiano.

Descartes propõe com a nova filosofia o desencantamento do mundo.

"Ponto de Mutação" e a Ciência

O filme “Ponto de Mutação”, de Bernt Capra, baseado no livro homônimo de Fritjof Capra, traz-nos uma reflexão bastante construtiva a respeito da ciência e dos problemas atuais. Ao relatar uma conversa entre um poeta, uma física e um ex-candidato à Presidência dos Estados Unidos, o filme mostra diversificados pontos de vista a respeito dos temas abordados.

Um dos temas discutidos surge na “sala do relógio”. Ele refere-se à visão cartesiana de ciência. Para Descartes, não seria possível conhecermos o todo se, antes, não conhecêssemos muito bem as partes que o compõem. Assim, do ponto de vista de René, todo o conhecimento existente deveria ser fragmentado em partes mínimas e cada uma dessas partes deveria ser estudada isoladamente. Só após o estudo isolado dessas partes é que conseguiríamos chegar a um conhecimento total, pleno e verdadeiro.

No entanto, para a especialista em Física do filme, as ideias cartesianas não são mais adequadas na atualidade, embora tenham servido aos interesses do século XVII. Para ela, os problemas atuais fazem parte de um sistema, sendo intrinsecamente conectados, não podendo ser considerados separadamente. Assim, por exemplo, como ela mesma argumenta, não conseguiremos resolver o problema da fome no Terceiro Mundo se não consideramos que a dívida externa destes países em relação aos países desenvolvidos deve acabar.

E aí entram em choque duas visões sobre a busca pelo verdadeiro conhecimento: a reducionista, defendida por Descartes, e a holística ou sistêmica, tida como a mais correta pela cientista do filme. Será que seria melhor, atualmente, conhecermos as peças de um relógio, primeiro, para, depois, entendermos o seu funcionamento ou seria melhor analisá-lo, de imediato, como um todo?

X

Retirado de:http://arquivo.relogiosmecanicos.com.br/www.forumnow.com.br/vip/mensagens3f2e.html?forum=51071&grupo=73836&topico=2645830&nrpag=8 em 09/04/2011, às 17h05min.

Uma resposta exata para esta pergunta, provavelmente, não obteremos. O que devemos considerar é que essas duas formas de pensamento apresentam “obstáculos”. Se por um lado a visão cartesiana é muito fragmentária e não consegue abarcar os problemas atuais de maneira concreta, uma vez que vivemos em um mundo interdependente, por outro, a ideia holística é, de certa forma, “ilusória”. O próprio ex-candidato à Presidência menciona a "ilusão" contida nesta última visão. E é diante dos comentários dele que compreendemos que ,embora o mundo esteja interligado, há uma divergência exagerada entre os vários países do globo. Assim, não seria possível, por exemplo, esquecermos a dívida externa dos países subdesenvolvidos para que eles pudessem viver sem fome. Certamente, os países credores não aceitariam tal mecanismo.

E diante dessas considerações, podemos perceber que o filme, intencionalmente, é um grande motivador do conhecimento: muito mais do que apenas mostrar divergentes modelos científicos, ele nos fornece questionamentos. E estes sim são os propulsores máximos da ciência.

Multidisciplinaridade

Apesar dos 28 anos, o filme “O Ponto de Mutação”, dirigido por Bernt Capra continua atual e não perdeu sua importância reflexiva. A conversa de um político, um poeta e uma física cativa o público ao usar exemplos práticos e didáticos, facilitando compreensão e visualização dos pontos de vista defendidos.

Não apenas tratando de filosofia, toca-se em assuntos como perder sua moral para render-se ao sistema, reforçado quando adiante, ainda sobre o campo político, questiona-se “seguir a corrente”, mesmo que não seja coincidente com as crenças para conseguir apoio.

O primeiro filósofo mencionado é Descartes. A protagonista ilustra suas proposições como se fosse um relógio: para compreender o todo, seria necessário separar as partes para estuda-la, como se desmontássemos um relógio para estudar cada peça e assim entender seu funcionamento. Chamaram-no mecanicista. Não devemos tirar seus méritos, pelo contrário, como já discutimos a importância na época valorizando a razão. Entretanto, essa minúcia foi criticada em proposição de integrarmos as partes para melhor compreendermos os fenômenos. Em questões atuais, poderíamos exemplificar com o objetivo da reformulação gradual dos vestibulares: cobrar a interdisciplinaridade e a capacidade da correlação de fatos.

Em seguida, Francis Bacon entra em cena e sua defendida escravização da natureza. O argumento é rebatido com base na sustentabilidade do planeta: não podemos fazer tudo o que queremos sem responsabilidade, é preciso cuidar o que restará às gerações futuras. A demonstração é feita com a falta de recursos e, na opinião da física, o aquecimento global (hoje há pesquisas que indicam outros fatores para tal, como a variação da atividade solar com dados gráficos coincidentes – e aqui vemos a importância dos dados, defendida por Descartes).

Levanta-se também a questão dos padrões da vida, os ciclos históricos. Chega-se à conclusão de que nossas vidas são permeadas por probabilidades e conexões. Voltando ao aquecimento global, por exemplo, dados demonstram a variação drástica de temperatura da Terra muito antes de o homem começar a castiga-lo. Para tantos anos existentes desse planeta, iniciamos seu estudo há relativamente pouquíssimo tempo para conhecer e assimilar os ciclos.

Já quanto a assuntos mais práticos, há belas discussões físicas que nos remetem ao Princípio da Incerteza de Heisenberg (é impossível determinar, simultaneamente, a posição e a velocidade de uma partícula) e a probabilidade de onde seria possível encontrar os elétrons em um átomo (os orbitais). Faz-se pensar, ainda mais na sala destinada no passado a torturas, sobre as novas tecnologias, tanto a inacessibilidade no momento em seguida ao seu lançamento quanto a forma de seu uso, podendo ser boa ou ruim. Questiona-se a ciência pelo saber ou pelo seu uso ou verdade, implicando uma relação finalidade/comércio.

Crê-se, afinal, na união da ciência específica com uma visão geral para total compreensão, o que pode ser exprimida por duas frases recorrentes ao longo do filme: “no saint stands alone” e “Nenhum homem é uma ilha”, do mesmo modo que nosso conhecimento não precisa sê-lo.

O Mundo Interligado


O filme Ponto de Mutação tem como cenário principal um castelo medieval localizado na França onde se desenrola uma conversa entre uma cientista, um político e um poeta, que apesar de terem opiniões diferentes sobre a vida estão abertos a novas concepções e ideias. Através desse diálogo o filme trata de assuntos ligados a sustentabilidade e a melhoria da qualidade de vida do ser humano, ao abordar temas como a visão cartesiana do Mundo, o impeto destrutivo das ciências, que tanto afeta a natureza, e a necessidade da preservação do meio ambiente para a manutenção da vida na Terra.

Segundo o método científico proposto por René Descartes, no século XVII, e que vêm sendo empregado até hoje, deve-se estudar separadamente cada parte do fenômeno para depois entende-lo por completo. Essa visão é duramente criticada pelo filme, pois esse tipo de método talvez tenha sido eficaz há séculos atrás, porém atualmente deve-se olhar o mundo como um todo e não resolver os problemas apenas pontualmente e sim de uma maneira global para que eles não mais se repitam.

Outra visão criticada no filme é a de Francis Bacon, ao propor que a tarefa da ciência é vencer a natureza, a explorando e a destruindo. Essa visão, em certos casos, predomina até hoje, porém atualmente o homem não deve mais destruir e explorar a natureza com tanta voracidade como acontecia antigamente, pois com o aumento da população e do consumo se continuarmos destruindo a natureza dessa forma em breve estaremos em uma situação crítica onde faltará os gêneros básicos para a sobrevivência humana.

O principal ponto abordado pelo filme sem dúvidas é a sustentabilidade, pois o homem está explorando a natureza cada vez mais em busca de recursos naturais, além de desrespeita-la poluindo as águas, o solo e o ar. Todavia essa interferência é maléfica para o próprio homem, pois desencadeia problemas em todo o globo. Se não repensarmos a nossa maneira de utilizar a natureza, a nossa e as futuras gerações sofrerão as consequências.

Portanto, podemos retirar do filme a ideia de que tudo é interligado, diferentemente do que pensava Descartes, que uma determinada ação pode afetar uma área totalmente distinta do globo, além disso vemos que na atualidade, de maneira oposta ao que propunha Bacon, o objetivo da ciência não é mais vencer, explorar e destruir a natureza e sim preservá-la para o benefício do homem.

relativização das ideias

O filme "Ponto de mutação" retrata a história de um político, um poeta e uma cientista que se interessa por filosofia e ciências.
Em sua maior parte, o filme é constituído por cenas de diálogos entre esses três personagens principais, que discutem as ideias de cientistas como Descartes e Bacon.
Durante uma discussão sobre as ideias de Descartes, a cientista critica a concepção cartesiana de muitos políticos acerca da natureza. Ela afirma que diversos políticos descrevem a natureza como um relógio que pode ser desmontado e que cada uma de suas peças , quando analisada, pode explicar o todo. Ela critica esse posicionamento, propondo que a natureza deve ser vista como um todo através das relações existentes entre cada objeto e que fazemos parte dessas relações. A cientista afirma que, para resolvermos os problemas do mundo, não podemos analisá-los separadamente, devendo compreender as conexões existentes entre eles.
Em discussão sobre as ideias de Francis Bacon, a cientista critica a intervenção na natureza pregada por esse pensador. Ela alega que esse tipo de conduta, a longo prazo, pode ocasionar a carência de recursos naturais, podendo provocar um desequilíbrio ambiental.
As críticas às ideias de Descartes e de Bacon evidenciam que as teorias desses pensadores apresentam limitações, assim como boa parte das teorias filosóficas. Tais limitações se devem sobretudo aos seguintes fatores: a formação teórica de seus idealizadores e o vínculo existente entre elas e o período em que foram elaboradas. Portanto, para a análise de tais ideias é importante levar-se em conta seu caráter relativo, que se deve aos dois fatores supracitados. Estes, por sua vez, são responsáveis pelo surgimento de tais ideias, e, consequentemente, determinantes das limitações destas.

Gustavo Batista Direito Noturno

A busca por uma percepção sustentável

No filme “Ponto de Mutação”, baseado no livro de Fritjof Capra, o encontro de uma física, um poeta e um político no castelo de Saint Michel promove uma grande discussão em torno da vida, das condições físicas da Terra, das relações entre os homens e do conhecimento na sociedade.

Na discussão sobre os mecanismos que regem o mundo, aborda-se a evolução do pensamento humano, começando por René Descartes que, embora muito útil para a sociedade em que viveu, acaba por atrapalhar a sociedade atual, pois o pensamento cartesiano explica a natureza de modo mecanicista, em que se estuda cada parte para então procurar entender o todo. Isaac Newton também teria contribuído com este pensamento quando formulou as três leis do movimento da física, influenciando diversos aspectos sociais.

Guiados por esse raciocínio, os sistemas existentes não encorajam a prevenção, e sim a intervenção, ficando presos a modelos econômicos que só pensam nas teorias e negociações, independente do custo social. Os inúmeros problemas que cercam o mundo são sistêmicos, pois um é conseqüência do outro, assim tal abordagem mecanicista não resolverá uma das dificuldades, mas se limitará a transferí-la de um lugar para outro.

Chega-se, então, a conclusão de que só passaremos adiante do “ponto de mutação” se houver uma mudança na percepção do mundo, passando a enxergar o presente na sua totalidade, de modo que não há nada no universo em que não haja conexões, ou a troca de energia a todo tempo. Porém os homens só pensam em seus problemas isolados e não entendem que tudo faz parte de um todo e que para desenvolver oportunidades sustentáveis para o futuro é preciso nos auto-organizar.

Todas as ideais que os três personagens se propuseram a discutir são uma realidade ainda hoje, já que as pessoas estão acostumadas com o conforto da modernidade e não pensam em modelar aquilo que recebem pronto em suas mentes. Desse modo, é necessário interligar conhecimentos e agir na busca por um progresso equilibrado, que preserve a vida em detrimento das injustiças.

sábado, 9 de abril de 2011

O ponto de mutação

No filme " O Ponto de mutação" de Bernt Capra ( baseada na obra de Fritjof Capra ) são discutidas diversas teorias , em um enredo contemporâneo de acordo com teses de filósofos do passado e do presente , mas , principalmente discutindo as teorias cartesianas e baconianas . Entre tantas teorias , há reflexões sobre : a parte e o todo; o empirismo e o cientificismo; as relações do homem para o homem ; a IRREALIDADE DO REAL e o PONTO DE MUTAÇÃO ( com a renovação de velho , isto é , formação do novo )
Observemos os seguintes enunciados , a reflexão e conclusão , os quais envolvem um dos principais temas do filme :
" O tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia , Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia , Porque não é o rio que corre pela minha aldeia ..." " Isto continua a não ser um cachimbo "
Somos educados para aceitar que existe uma separação radical entre as visões de mundo : realidade e ilusão , fantasia , sonho, alucinação. Estes conceitos devem ser tomados como absolutos e indiscutíveis ; além disso , deve-se " viver no real " como nos ensinam os chavões " cai na real ! " ou " você está viajando ! " , que castram a nossa realidade individual e forçam-nos a aceitar um padrão de realidade absoluta.
Tal absolutização , do ponto de vista científico , é irreal. Freud afirmou que tanto há realidade no sonho quanto há sonho na realidade. A teoria Platônica discorre que o mundo em que vivemos é o reflexo ( Mímese ) do Mundo das Idéias ( que é o da realidade absoluta ). Logo, nada nos confere autoridade para classificarmos as coisas em reais ou irreais porque nós mesmos somos irreais , conforme Platão.
Einstein provou, matematicamente, que mesmo o tempo é relativo ; portanto , nada é absoluto. A pseudorrealidade em que vivemos só é real a partir de um único referencial, o qual somos obrigados a acatar , abdicando de nossos próprios referenciais, ou seja, de nossa personalidade.
Portanto, tudo isso não passa de um mecanismo de exploração, onde quem tem o poder constrói a realidade. É real o que nos impõe o Jornal Nacional, a Folha de São Paulo , a Veja ?Mas não deixam de ser reais as alucinações do menor abandonado que, geralmente, cheira cola na Praça da Sé ou os delírios de fome e sede das crianças do Nordeste ou os sonhos do trabalhador oprimido com uma sociedade igualitária. Como se vê, estamos diante de mais um instrumento de massificação, censura e manutenção do " status quo ".
Para complementar a idéia do filme , um grande sábio oriental disse :
" Ao término de um período de decadência sobrevêm o ponto de mutação. A luz poderosa, que fora banida, ressurge. Há movimento, mas este não é gerado pela força...O movimento é natural, surge espontaneamente. Por essa razão, a transformação do antigo torna-se fácil. O velho é descartado, e o novo é introduzido. Ambas as medidas se harmonizam com o tempo, não resultando, portanto, nenhum dano. " ( I.Ching )

Tudo em todos

O filme "Ponto de Mutação" aborda um diálogo entre três pessoas: um político, um poeta e uma física; que, embora tenham opiniões divergentes, estão dispostos a ouvir e pensar sobre novas ideias. A física é convidada a participar da conversa que os demais estaõ tendo sobre um relógio,e logo faz uma dura crítca a visão cartesiana com a qual muitos políticos analisam o mundo, a natureza...
A crítica ao pensamento de Descartes não tem por objetivo sua condenação, mas o reconhecimento de suas limitações, ainda mais nos dias atuais, em que esta visão mecanicista do mundo, além de errônea, é verdadeiramente nociva. Na realidade de globalização não se pode olhar para os problemas mundiais tentando entendê-los e resolvê-los separadamente. Há a necessidade de uma nova visão de mundo, na qual se estabeleçam conexões (a exemplo da mostrada no filme: a diminuição do consumo de carne vermelha, que além de melhorar vários aspectos da saúde humana, diminui o desmatamento causado pelas pastagens).
O político então aponta uma questão aos seus colegas de debate: como concretizar essas novas ideias na política, como fazer com que as pessoas (eleitores) consigam entender? A resposta recebida é a mudança da nossa percepção de mundo, atingida através da educação, tanto no âmbito de acumulação de conhecimentos, como no âmbito ambiental, econômico, social, científico... partindo da noção de que todos nos relacionamos ao todo. Logo esta é a única forma de trocarmos a intervenção pela prevenção, o individual pelo coletivo, o "saber perigoso" por aquele em benefício de todos.

A busca por um consenso

Dividir o objeto de estudo em partes isoladas e tratá-lo de forma mecanicista visando à resolução de seus problemas foi, basicamente, o método proposto por Descartes. É a partir de sua oposição que tem início a discussão que se baseia o filme "Ponto de Mutação.

Uma cientista, personagem do filme, critica de forma enfática a visão cartesiana adotada por políticos em geral.
O que ela expõe, faz-nos pensar que o mundo talvez não possa ser estudado com base em tal visão.
Sobretudo em nosso contexto geopolítico, fica evidente que a opinião de Sonia, de que o mundo está todo interligado e de que cada indivíduo nele presente depende de todos os demais, bem como do meio em que estão dispostos, é tão atual e verdadeira que, em um primeiro momento, parece-se perder tudo o que foi proposto por René Descartes.

É fato que todas as relações interpessoais travadas pela espécie humana, bem como a relação com a natureza, dispõem de uma maior complexidade do que a simples análise deste ou daquele fenômenos e, por isso, estudá-las cartesianamente torna-se inviável. Porém, não se pode afirmar que o método do filósofo, baseado no experimentalismo, seja de todo inútil. É válido ressaltar que ainda hoje esse método é útil para o desenvolvimento da ciência.

A tendência daqueles responsáveis pela administração de nossas sociedades de buscar as soluções para os males que as afligem no método mais simples existe.É aí que residem a dificuldade e o problema para sanar irregularidades e estabelecer benefícios definitivos por todo o globo, já que muitas vezes se ignora o sistema de conexões que nos regem.Nesse aspecto, o emprego da visão cartesiana se mostra como uma forma de comodismo, algo nocivo à estabilidade global.

Outro aspecto discutido na obra, a ciência como elemento destrutivo, revela indagações polêmicas. De quem é a culpa dos danos causados por contribuição da ciência? Dos criadores dos instrumentos de destruição ou de quem os patrocina?
A comercialização do conhecimento, que torna isso possível, é um fator determinante do uso bélico das aquisições científicas.Isso passa a ser visto apenas como mais um contrato bilateral, a já clássica relação produtor-consumidor.

Essas questões, discutidas no filme, são de fato recorrentes à nossa realidade.Contudo, chegar a um consenso sobre elas é algo, a curto prazo, irrealizável.

Nos bastidores da observação

O filme “O Ponto de Mutação” discute intensamente a importância de se analisar o contexto geral de cada questão específica estudada. Nos tempos contemporâneos, quando a globalização é real e ocorre o aumento da dependência de uns para com os outros, não é mais possível separar qualquer coisa que seja de sua peça como um todo, desde alguma característica humana que deve ser analisada juntamente com o perfil humano até um fato que precisa ser entendido dentro das circunstâncias socioeconômicas em que ele ocorreu. O objeto que analisamos está vinculado a muitas outras coisas que não podemos desprezar e que muitas vezes não enxergamos de imediato.

A vida é repleta de relações entre seus vários aspectos. Há, por exemplo, interconexão entre os seres vivos, entre os seres vivos e o meio ambiente, entre as peças para se construir uma máquina, entre as matérias, entre os sons, dentre muitas outras relações. Uma boa ilustração é a maneira como é construída a harmonia musical. Uma nota musical é apenas uma nota quando tocada sozinha, mas quando tocada com outras notas musicais, o som se modifica dando início a um acorde musical (relação dos sons simultâneos). Vários acordes, em sequência, relacionam-se entre si, formando assim um encadeamento dos mesmos, dando origem à harmonia musical, caracterizando a beleza da arte de expressão chamada “Música”. Da mesma forma é a vida, e a sua beleza está nas diferentes maneiras como são correlacionadas suas características, sendo sua essência, a interdependência entre as mesmas.

Um cientificismo e uma racionalidade tão exagerados que se tornam irracionais.

O filme aborda uma discussão saudável entre três pessoas com profissões e ideologias completamente diferentes. Sonia, uma dos protagonistas, expõe a tese de um método cartesiano ultrapassado, assim como um relógio mecânico, e confia na ideia de que a humanidade vive, atualmente, uma crise de percepção, que as pessoas, influenciadas por metodologias como a de Descartes e a de Bacon, tendem a picotar as coisas, analisar parte por parte, e não percebem que elas estão interligadas, que há conexões entre tudo e todos, e por isso é preciso ter um olhar focado no sistema, no geral, no todo.

Acredita em uma teia de relações, e que se essa fosse perceptível a maioria, não haveria a necessidade de se resolver problemas, já que esses teriam sido anteriormente evitados, se as idéias, hábitos e ações que os provocaram tivessem sido diferentes, se houvesse uma maior preocupação em evitar as causas do que em solucionar suas consequências. Crê que o sonho cartesiano de um mundo como uma máquina perfeita tornou-se realidade com as leis de Newton, e que essas ferramentas físicas e intelectuais criadas pelo homem causaram um desequilíbrio na natureza.

Por fim, apresenta uma reflexão sobre a frase: “saber é poder” considerando o conhecimento como algo perigoso, porque ao mesmo tempo em que esse traz muitos benefícios à vida, também é o responsável por bombas, ferramentas e armas mortíferas causadoras de dor e danos irremediáveis. E, do mesmo modo, julga ser necessário ter cuidado com o poder alcançado, pois esse deve ser um poder pessoal, usado em benefício próprio, mas também do outro e não um poder que permita apenas dominação de um sobre o outro.

Com o fim dessa abordagem, pode concluir-se que por mais diferentes que sejam as pessoas, suas crenças e suas ideologias, é bastante importante saber ouvir, conviver e aprender com o outro, com o novo, com o diferente. Porque é através dessas diferentes posições pessoais, sociais e culturais que se pode buscar um maior desenvolvimento e usá-lo em benefício de todos.



Assim como ocorre com essa figura, o conhecimento adquirido é interpretado por cada um de forma diferente, resultando na emissão de comportamentos singulares que podem ser usados tanto para o bem quanto para o mal.