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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Um pequeno reflexo positivista

Falando mais uma vez de mundo atual, podemos destacar a ciência como o maior motivo de descobertas válidas ao mundo. E esse destaque dado ao método científico deve-se ao Positivismo. O Positivismo que influencia a humanidade hoje, foi criado pelo famoso filósofo Augusto Comte. Sua teoria proclamava como único conhecimento válido aquele que provem da Ciência, ou seja, aquele conhecimento que não é mera especulação, mas sim algo estudado, provado e comprovado.
Não se pode negar a importância que a maioria dos homens dá a algo que não é mera especulação. Talvez, as verdades do mundo girem em torno disso, pois o mundo científico afeta a todos.
Um exemplo disso é a generalização do conhecimento que vem da Ciência. Não é raro encontrar um homem comum, que leva uma vida distante do mundo científico usar como argumento em uma discussão alguma pesquisa feita por cientistas. Pois sendo uma "pesquisa científica" traz ao argumento uma credibilidade maior. O fator está nessa palavra: "credibilidade". Algo só tem valor se tiver base no método positivista. Pode ser um exemplo simples, mas é um reflexo comum que podemos encontrar no mundo hoje. É algo que essa principal característica positivista deixou de herança. 
A teoria do Positivismo abrange mais aspectos, até mesmo quando se fala de política; mas a questão da ciência acima das coisas é algo a ser mais observado. Com isso, não se pode negar a importância do pensamento de Comte para a sociedade.

Mislene dos Santos Alves - 1º ano, Noturno

O Positivismo, suas vantagens e seu conservadorismo progressista

Uma das principais e mais influentes escolas do pensamento moderno, a Escola Positivista foi e ainda é de primordial importância na vida do homem contemporâneo. Obviamente nem todos os seus aspectos, foram aproveitados no nosso dia-a-dia por serem talvez, incompatíveis com a nossa realidade de mundo Ocidental.
O Positivismo surge com Auguste Comte, que é também considerado por muitos o pai da Sociologia. Na época em que Auguste viveu, o mundo estava passando pela Revolução Industrial, e novas formas de pensar estavam em auge. Comte percebeu que a perspectiva filosófica que estava em voga na época, já estava ultrapassada e não seria capaz de sustentar e explicar a sociedade que então estava a nascer, a Sociedade Burguesa. Ele então propôs a fundação de uma Física Social, que seria o último degrau do conhecimento científico. Que seria a mais complexa das Ciências. Percebeu ele também que era necessário que o conhecimento evoluísse seu método para conseguir atingir o degrau complexo das Ciências sociais, afinal de contas, esta seria a responsável por analisar e estudar a complexidade humana e social. Comte então anunciou que era necessário que a sociedade deixasse  todo pensamento metafísico, pois a Filosofia que até então era a maior fonte de conhecimento, que se apegava à contemplação do mundo, não seria capaz mais de comprovar as novas tecnologias. De alguma maneira Comte se apegou às teorias de Descartes e Bacon, e formulou assim o princípio Positivista, que era então a fase mais desenvolvida do pensamento humano.
O Positivismo, juntamente com a Sociologia, valorizam o pensamento puramente científico e racional. Não basta mais olhar a essência das coisas, mas sim como isto se comporta na prática. Graças a essa perspectiva, o mundo pode evoluir do simples pensamento Filosófico Metafísico que vigorou por muitos séculos.
Um dos pilares do pensamento positivista é o estabelecimento da ordem. Somente por meio da ordem é que se chega ao progresso. Desta maneira despreza-se toda e qualquer manifestação que vá contra a ordem. Sendo este um valor difícil de "engolir" em uma sociedade que vive em constantes mudanças, manter-se sempre na "ordem" segundo o positivismo, poderia ser um dos argumentos para que o nosso país ainda estivesse na monarquia escravocrata, pois romper com a ordem é impedir o progresso.
Na nossa realidade social, esse é o argumento de muitos "conservadores", que vão contra as revoltas populares, os "rolezinhos". Para o positivismo cada um deve cumprir com seu papel social e a partir do momento que se há o rompimento disto, perde-se a perspectiva de progresso. Deve-se olhar para o pensamento positivo com precaução, afinal pode ser ele base para muitas visões racistas e ultraconservadoras que na verdade, querem apenas manter o status quo e não o progresso.

Otávio A. Mantovani Silva
1º Direito Diurno - Turma XXXI

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Influência do positivismo de Augusto Comte

Augusto Comte, como principal representante da filosofia positivista, influenciou diversos pensadores e correntes filosóficas. É considerado o criador da Sociologia e foi responsável por elaborar o fundamento conhecido como Lei dos Três Estados. Essa lei propõe que o ser humano passa por três estados e que, em cada um, os fenômenos observados no universo são explicados de uma maneira diferente. Esses estados são: Teológico (fenômenos resultam da vontade de um ser sobrenatural), Metafísico (a explicação dos fenômenos vem através de forças ocultas ou seres abstratos) e Positivo (busca das Leis Naturais que explicam como os fenômenos ocorrem, descartando as causas primárias e os fins últimos).
As ideias do positivismo estão atreladas à comprovação de teorias através de métodos científicos válidos. Essa corrente filosófica exerce influência até os dias de hoje em que  se fala em positivismo jurídico e também na frase ''Ordem e Progresso'' escrita na bandeira do Brasil. O positivismo de Comte também teve grande influência no sistema educacional não só por separar a religião da ciência mas por construir toda uma ideologia empírica quando se trata do estudo humano.

Positivismo, progresso e atualidade

Auguste Comte, em meio a decadência do feudalismo e ascensão do mundo industrializado, procurou estabelecer uma nova forma de pensamento capaz de promover o consenso social o qual permitiria o fim da crise e o restabelecimento da ordem e esta, por sua vez, abriria caminho para o progresso da sociedade; ou seja, a superação da crise e a reorganização da sociedade só seriam alcançadas com uma reforma intelectual, daí o desenvolvimento do positivismo por Comte. Para ele, todo o conhecimento passa por três estágios: o Teológico, o Metafísico e o Positivo, sendo este último o auge do conhecimento, pautado na observação, no empirismo e na verdade.
Comte na obra “Curso de filosofia positiva” demonstra-se contra a explicação de fenômenos externos - como a origem do homem - e a favor da busca pela explicação dos fatos presentes na vida do homem, a favor de “preocupar-se unicamente em descobrir leis efetivas do universo”. No entanto, essa ideia por si só se apresenta incompleta já que o homem não se resume unicamente a leis. O comportamento humano é muito mais complexo e mutável; a sociologia não pode ser comparada a uma ciência exata já que o homem não é previsível e acaba, muitas vezes, chocando-se com as leis – inclusive as mais simples e comuns.

Além disso, Auguste Comte relata a necessidade de substituir a educação europeia. Para ele a educação tem que deixar de ter um caráter teológico, metafísico e literário, para se tornar positiva (busca por um estudo objetivo, empírico e sem intervenção religiosa). Esse estudo positivista de Comte está extremamente e claramente presente na educação atual o que evidencia que, apesar das críticas e do desajuste de alguns ideais de Comte para a atualidade, o positivismo permanece bastante vivo na sociedade.

Gabriela Mosna - 1° Ano Direito Noturno

Bandeira positivista

       Conhecido como Pai do Positivismo, Augusto Comte foi um filósofo Francês que criou esse termo no século XIX.  O positivismo apresenta algumas teses fundamentais: a ciência é o único conhecimento possível e válido; o método da ciência é puramente descritivo, no sentido de descrever os fatos e mostrar as relações constantes entre os fatos expressos pelas leis, que permitem a previsão dos fatos; e o método da ciência deve ser estendido a todos os campos de indagação e da atividade humana, toda a vida humana, individual ou social, deve ser guiada por ele.  A filosofia positiva marca o amadurecimento do espírito humano e propõe uma profunda reforma no pensamento humano. Algo positivo é aquilo que o real está à frente ao quimérico, o útil frente ao inútil e o certo frente ao incerto.
        A partir da percepção do progresso humano, Comte formulou a Lei dos Três Estados. Observando a evolução das concepções intelectuais da humanidade, Comte percebeu que essa evolução passa por três estados teóricos diferentes: o estado 'teológico', o estado 'metafísico' e o estado 'positivo'. Cada ciência passa pelos três estados da evolução, contudo a sociologia do último seria a mais avançada das ciências.
       Além disso, Comte propôs o surgimento de uma nova ciência, a Física Social, que estudaria e reestruturaria as estruturas sociais visando o desenvolvimento da humanidade. A física social seria a última das ciências e resguardaria todo o conhecimento sem lugar para misticismos metafísicos e religiosos.
      Visto na bandeira nacional, “ordem e progresso” pode ser considerada a maior contribuição da filosofia positiva, já que, segundo Comte, para se chegar ao progresso (dinâmico) era necessária a ordem (estático). Pode-se dizer, ainda, que outra contribuição do positivismo às ideias tenha sido a preocupação do método. Além disso, há grande contribuição no Direito. Conhecido como juspositivismo, há uma corrente da teoria do direito que procura explicar o fenômeno jurídico a partir do estudo das normas positivas. Ao definir o direito, o positivismo identifica, portanto, o conceito de direito como aquele efetivamente posto pelas autoridades que possuem o poder político de impor as normas jurídicas.




Natalia Caetano - 1º ano - noturno


O positivismo de Comte

     Augusto Comte, na segunda metade do século XIX, influenciado por pensadores com Francis Bacon e Descartes e também pelo momento histórico (2ª Revolução Industrial) e as grandes transformações pelas quais a sociedade estava passando, elaborou uma nova filosofia, a filosofia positiva. Comte utilizou o mesmo princípio de seus precursores, o de que a ciência deve descrever os fatos, aquilo que é sujeito a comprovação empírica, e acrescentou que além disso esses fatos constantes nos levariam a descoberta das leis que os regem e seríamos, portanto, capazes de prever os próprios fatos.

     Para se chegar a esse estado, ou seja, o estado positivo foi identificado por Comte, de acordo com sua análise filosófica da história outros dois. O primeiro estágio seria o teológico, onde a explicação de tudo se atribui a entidades sobrenaturais. O segundo estágio seria o metafísico no qual o pensamento abstrato é substituído pelos desejos pessoais. O último seria o estado positivo onde já se teria todo o conhecimento das leis dos fenômenos aplicados ao bem da humanidade. Esse conhecimento levaria ao surgimento de uma nova ciência, a “Física Social” a responsável por estudar e reestruturar a sociedade para que essa progrida, desenvolva. Para fazê-lo ainda, ela deveria cobrir todas as outras ciências.

     A ideia de Ordem e Progresso do positivismo vem da ideia de que, como existem as leis imutáveis, deve-se existir também uma organização ESTÁTICA da sociedade (sociologia estática) para poder dar sustentação necessária a algum desenvolvimento, algum PROGRESSO (sociologia dinâmica).


     Nota-se nessa corrente ideológica elaborada por Comte que há uma “idealização”, uma “romantização”, pois ele a considera como sendo o a única forma de pensamento possível, válida e também única moral, pelo fato de a moral religiosa privilegiar o indivíduo enquanto que o positivismo valoriza o bem comum.


Helionora Mª C. Jacinto

A estratificação social como manutenção da ordem e do poder.

    August Comte criou a corrente política, filosófica e científica conhecida como Positivismo. Segundo ele o Estado Positivo seria o estágio final de amadurecimento do conhecimento enquanto explicação do mundo; ele era antecedido por estágios mais "primitivos" sendo, respectivamente, os estados teológico e metafísico. A sua proposta de uma física social, o Positivismo, tinha como princípio básico a manutenção da ordem e a reorganização dos centros urbanos que vivenciavam um período de regimes despóticos e revoluções como, por exemplo, na Inglaterra o movimento do Ludismo com a quebra das maquinas nas industrias devido a um contingente elevado de desempregados. Essas turbulências geraram não apenas um descontentamento político mas uma crise dos valores tradicionais. A teoria de Comte nasce como tentativa de reparação.  
   Comte propôs como método não mais a obtenção de noções absolutas mas o raciocínio por meio da observação estabelecendo relações invariáveis de similaridade que baseia-se em "leis lógicas" para a exposição dos fenômenos, ou seja, buscou formular leis que orientassem os homens na transformação da natureza. Os estudos dos ordenamentos do Estado deixa de ser idealizado e se concretiza como análise do imediado, essa sistematização é o Estado Positivista.
   Para o Pai do Positivismo, as ciências deveriam mediar a profilaxia social. A sociedade Comtiana é estamental, visto que, a colocação de cada indivíduo em determinada classe e, cumprindo sua respectiva função, mantém a ordem no âmbito social. A proeminência de um governo forte e uma educação adaptada as novas necessidades da civilização moderna são os precursores do progresso. Comte é considerado um conservador dos princípios, bem como o progresso dentro dos padrões pré-estabelecidos é deliberadamente exaltado por ele. Pode-se dizer, portanto, que a sua teoria foi historicamente utilizada para justificar a dominação de um povo sobre outro. Tendo em vista o progresso e a ciência avançada como justificativas da superioridade de determinado povo ou nação, permite-se, assim, sua colocação como dominador dos demais e evidencia seu poder.

Positivismo em foco


O positivismo valoriza de forma contundente a ciência como o único método e o único fim para se buscar conhecimento. Por isso, o método científico deve se estender a todas as esferas da vida humana, a fim de encontrar leis fixas para analisar o funcionamento da sociedade. Seu precursor foi Augusto Comte, que estabaleceu um paradigma para as ciências sociais, e é considerado o pai da Sociologia, pois aproximou sua análise sociológica da física newtoniana.

A filosofia positivista levou a uma grande reforma no pensamento humano ao propor a existência de três estados de desenvolvimento do conhecimento dos homens. São eles, ordenadamente, o estado teológico, metafísico e positivo. No estado teológico, os homens buscam explicar os fenômenos por meio da ação de seres sobrenaturais. Todavia, esse estágio, apesar de falho, é indispensável para dar início a construção do pensamento. O segundo estágio, metafísico, serve essencialmente como um momento de transição, onde os argumentos e explicações são racionais, entretanto abstratos. O estágio final e fixo é o positivo, quando a compreensão do mundo se torna verdadeira, e o conhecimento produzido é útil para melhorar a sociedade.

Comte defendia uma reforma na educação, de modo a estabelecer uma ordem de funcionamento e análise. Assim seria possível manter a coesão social. Seu pensamento influenciou a formação do cenário cultural brasileiro, assim como de alguns pensadores durante o surgimento da República, e mesmo após muitos anos ainda é possível observar traços positivistas no contexto educacional do Brasil. Entretanto, um ponto extremamente contestado atualmente no pensamento positivista é a manutenção da ordem e a análise da sociedade utilizando leis invariáveis, pois as mudanças ocorrem intermitentemente, de modo que não é possível ter uma única interpretação dos fatos, e muitas vezes a mudança precisa se dar rompendo com movimentos e instituições de pensamento e ação tradicionais.

Gabriela Passos Ramos Alves - 1º Direito Diurno

Comte e o positivismo

A filosofia positivista marca o amadurecimento do espírito humano; é a primeira a definir precisamente o objeto, a estabelecer conceitos e uma metodologia de investigação. As concepções positivas se desprenderam da mistura supersticiosa e escolástica que encobria o verdadeiro caráter de todos os trabalhos filosóficos anteriores. Seu primeiro representante e principal sistematizador foi o pensador francês Auguste Comte.

Comte defende que a construção do nosso conhecimento passa por 3 estados diferentes, são eles: teológico (fenômenos são explicados como produzidos pela ação de agentes sobrenaturais); metafísico (os agentes sobrenaturais são substituídos por forças abstratas) e positivo (nega as noções absolutas preocupando-se com a descoberta das leis que regem os fenômenos).

Segundo Comte, a filosofia positivista ainda não abrange todos os fenômenos. O uso dos métodos teológicos e metafísicos ainda são predominantes nos fenômenos sociais, essa é uma lacuna que o positivismo ainda não preencheu. Portanto, resta a fundação da física social para constituição definitiva da filosofia positivista.


A proposta positivista possui quatro propriedades fundamentais, são elas: a descoberta das “leis lógicas” dos fenômenos; a reforma geral no sistema educacional, acabando assim com o isolamento das ciências; a defesa de que a filosofia positiva exige a combinação de várias ciências; e por último, a consideração da filosofia positiva como a base sólida da reorganização social, culpando a coexistência de 3 filosofias opostas (teológica, metafísica e positiva) pela desordem natural.


Bruna Ianela Corrêa - 1º ano Direito Noturno

Pensamento Sistematizado

          Augusto Comte fundamentou uma nova forma de pensamento científico, além de criar uma nova ciência, a Sociologia. Seu pensamento baseava-se na descrição, na experimentação, no conhecimento concreto das coisas, daí provém o conceito do positivismo, ciência na qual tudo o que se é conhecimento deve ser "positivado", comprovado, não depender de conhecimento subjetivo.

          Nosso sistema de leis foi extremamente fundamentado no sistema positivista. Nossos militares, desde a fundação da República, sempre levaram em conta os preceitos de Comte, incluindo inclusive seu famoso conceito de "ordem e progresso" na bandeira nacional. O método de legislar baseado em Comte tem suas vantagens, uma vez que define a lei a ser seguida, cria uma legalidade sólida. O problema surge quando a sociedade muda e se necessita adequar as leis à nova realidade social. O autor acreditava que a sociedade poderia ser encarada como se encara uma ciência exata, mas que para isso seria necessário estudo aprofundado, afirmações facilmente questionáveis.

          As ciências humanas são consideradas "ciências menores" pelos estudiosos de ciências exatas por sua subjetividade. O que não conseguem ver é que na realidade, isso é o que as torna ainda maiores. As possibilidades regem as ciências humanas e é isso que as faz complexas e fascinantes. Não convém o pensamento positivista em nossa sociedade atual. O ser humano muda seu comportamento cada vez mais rapidamente, não há como se utilizar de uma descrição pré-definida, a sociedade é falta de definição, é isso que a faz grandiosa.

Victor Luiz Pereira de Andrade - Direito Matutino - 1° Ano
Comte e a Ordem Social

Augusto Comte considerado o pai do positivismo vivenciou a maior parte de sua vida durante o século XIX na França, período de inúmeras conturbações socias e políticas, como alternância de regimes despóticos e revoluções sucessivas, o que propiciou a criação de uma nova corrente filosófica visando a busca da interpretação real da sociedade.

O pensamento positivista pregava a Lei dos Três Estados, que compreendia a ordem social desvinculada da Teologia -animismo, politeísmo e monoteísmo- , isto é, a sociedade não mais estaria subordinada ao Poder Divino, mas sim conduzida ao Poder Metafísico -segundo Estado  que explica fenômenos provenientes de forças ocultas- e posteriormente, como fruto do progresso humano,  conduzida ao Estado Positivo, que, influenciado pela perspectiva racionalista sugere a busca do conhecimento absoluto inerente ao esclarecimento científico da natureza e seus fatos.


Portanto, Comte ao objetivar a ordem como instrumento fundamental do conhecimento humano intrínseco a lógica científica, teoriza não só a realidade social através de uma perspectiva cética, como também influencia a história do Brasil, sobretudo na criação do lema “Ordem e Progresso”. 

Adriane Oliveira, 1º ano - noturno

Evolução do pensamento científico

No pensamento de Augusto Comte a sociedade deve ser reorganizada por meio de uma completa reforma intelectual do homem, possibilitando aos mesmos novas formas de pensar de acordo com a ciência. Para tal, Comte desenvolve um sistema que se baseia em três pilares básicos: primeiro a Filosofia da história, segundo a fundamentação e a classificação das ciências baseadas na Filosofia positiva e terceiro a Sociologia que determina a estrutura e os processos de modificação da sociedade, permitindo a reforma das instituições. 
Dentro da Filosofia da história, Comte apresenta seu pensamento mais marcante, a Lei dos três estados. Essa lei compreende que as ciências, o espírito humano e o conhecimento desenvolvem-se a através de três fases diferentes: o Estado teológico(onde o homem busca explicar a natureza por meio de seres sobrenaturais), o Estado metafísico(onde "forças" são concebidas para explicar os diferentes fenômenos) e por último o Estado positivo, no qual ocorre a subordinação da imaginação e da argumentação a observação.
A visão positiva dos fatos não busca compreender as causas dos fenômenos como ocorre com as  visões teológicas e metafísicas que tentam explicar a "natureza íntima" das coisas, bem como sua origem. A visão positiva se concentra na pesquisa, na busca por compreender as relações existente entre os fenômenos observados. 
O desenvolvimento da ciência está condicionado a periodização dos três estados, sendo que a ciência jamais atingirá a compreensão absoluta dos seus objetos observados. Além disso, Comte classifica as ciências  de acordo com o seu grau de complexidade, sendo a Sociologia a ciência mais complexa para ele.

Júnior Henrique de Campos - 1º Direito noturno.

terça-feira, 15 de abril de 2014

HUMANIDADE NOSSA

Humanidade nossa, que estais na Terra
Santificados sejam os Seus Pensadores
Seja a imaginação subordinada à observação
Assim nas coisas práticas e presentes na vida do homem
O Positivismo que de Comte nos influência hoje 
Perdoai-nos a nossa teologia e metafísica
Assim como nós nos curvamos a
Quem nos mostrou o método positivo
E não nos deixeis pensar as ciências humanas fora das  leis gerais
Mas livrai-nos do pensamento sobre os acontecimentos exteriores ao homem

Venha a nós as Vossas Teorias 

Amém!


Louise Fernanda de Oliveira Dias
1º ano - Direito Noturno

Ordem e Progreso

Inspirado pela lógica Iluminista e pelo nascimento da sociedade industrial, Comte desenvolveu a doutrina do positivismo que tinha como base, afastar-se da teologia e da metafísica e embasar-se no empirismo a partir de dados concretos com objetivo de se chegar a um conhecimento verdadeiro.      
                                   
Ordem e Progresso, como diz a bandeira brasileira, são ideias positivistas que estão presentes na história do Brasil desde o processo de formação da República. Essas ideias chegaram ao Brasil por volta de 1850 trazidas por quem anteriormente estudava na França, muito influenciada por esta corrente de pensamento. O principal lema (positivista) inspirador foi: "o amor por princípio, a ordem por base, e o progresso por fim".

Além da bandeira do país, a separação de Igreja  Estado, a revogação de medidas anticlericais, a reforma educacional proposta por Benjamin Constant, o qual foi professor da escola militar e defensor dos princípios positivistas, o exercício do casamento civil e da liberdade religiosa foram características influenciadas e modificadas por essa corrente filosófica presente no país.

O  positivismo foi a principal corrente de pensamento das escolas militares,influenciando até o movimento Tenetista da década de 1920, alem de influenciar a criação de escolas como a Politécnica de São Paulo.

Desordem e Progresso
  Augusto Comte define o positivismo como o último estágio da construção do conhecimento, os outros estágios são o teológico (que explica os fenômenos através de seres sobrenaturais) e o metafisico (que busca o raciocínio argumentativo baseado em aspectos abstratos).  Sendo assim, o positivismo seria a observação e explicação útil/pontual dos fatos, e procura sempre uma ciência a favor do bem da humanidade.
    A filosofia positivista é, ainda, uma física social (sociologia), uma ciência mais complexa que a física, a matemática e a astronomia, pois, ao contrário delas, é incapaz de estabelecer leis e fórmulas que expliquem o comportamento da sociedade (que é imprevisível e instável).
    Além disso, Comte faz um paralelo com as leis newtonianas da Estática e da Dinâmica, afirmando que elas são aplicáveis à sociedade. A Estática seria o Estado, o Direito, as leis e a moral (que representam a ORDEM) e possuir essas instituições significa que o povo tem aptidão para agir (Dinâmica = PROGRESSO).
    Esse pensamento tem sido muito criticado atualmente, pois se acredita na necessidade de uma mobilização social (quebra da ordem) para que sejam mudados alguns panoramas de insatisfação popular e, assim, haver progresso.  

Letícia de Oliveira e Souza, Direito Matutino.

"Apenas mantenha a ordem"

               Inserto em um contexto cujo êxodo rural compunha-se como uma das principais consequências da Revolução Industrial, Comte tomou como necessária uma ciência vinculada com a realidade, preterindo o método contemplativo tradicional. Para tanto, a construção do conhecimento deveria passar pelos estados teológico e metafísico e, por fim, atingir o seu estado definitivo: o positivo.
               A partir da proposta de reorganização social fundamentada na apreensão do imediato, o positivismo pauta-se em um analogia newtoniana. Ao afirmar que a ordem é indispensável ao progresso, explicita que o definido como "destoante" é encarado como patologia social. Desta forma, prega o princípio da profilaxia, refletido até os dias atuais na sociedade brasileira quando se observam polêmicas como a "cura gay".
               Assim, Comte também vai contra os ideais burgueses, uma vez que o liberalismo define-se como desordem à medida que traz contrastes à realidade. Logo, são sentidos reflexos no sistema educacional a fim de se adaptar às necessidades modernas: em 1934 cria-se a Escola Politécnica da USP, para haver quem pense e articule, e, em 1938 cria-se o SENAI, para haver quem execute.
               Por conseguinte, o conhecimento como uno, exigindo a combinação de várias ciências, também designa os ideais positivistas como uma física social. O Estado de Direito deve seguir, portanto, um projeto de reorganização social a partir de leis para a manutenção de uma dada ordem.

Caroline Verusca de Paula - 1º Direito Diurno

Reforma da Sociedade

Em meados do século XIX, quando a sociedade fervilhava com novas teses e teorias a cada dia, um filósofo se destaca ao propor uma nova filosofia totalmente baseada no conhecimento científico, o positivismo.
Augusto Comte, ao julgar que todo o conhecimento deve servir para o progresso humano, propunha uma profunda reforma no pensamento e a supervalorização da ciência e de tudo que pudesse ser cientificamente comprovado. Para isso, o filósofo reclassificou as ciências de acordo com sua ordem de importância, sendo a matemática a menos importante e a sociologia a mais importante. Também propôs uma reforma na educação, rompendo com o isolamento das matérias, criando assim, certa interdisciplinaridade entre os conteúdos estudados nos centros acadêmicos.
O positivismo possui duas propriedades fundamentais:
  • Estática: condições orgânicas básicas para o ser humano; como propriedade, família, linguagem.
  • Dinâmica: condições para a evolução da sociedade; como um Estado forte.
Comte também divide o progresso da sociologia em três estados diferentes:
  • Teológico: em que a explicação para os fenômenos é pautada no misticismo e no sobrenatural.
  • Metafísico: em que há o surgimento da argumentação para a explicação dos fenômenos.
  • Positivo: em que a explicação dos fenômenos é pautada na observação e comprovação destes, visando sempre o bem da humanidade.
Para o pensador, existe uma ordem social que rege a civilização. Quando um fenômeno vai contra essa ordem ocorre um estranhamento na sociedade. Dois bons exemplos disso são as manifestações de junho de 2013 e a greve dos garis no Rio de Janeiro durante o carnaval de 2014.
Augusto Comte acreditava que a filosofia positiva iria transformar a sociedade em uma sociedade positiva, porém, apesar de muito bem aceito por muitas décadas, o positivismo nunca atingiu seu objetivo de reformar toda a sociedade.

Yeda Crescente Mela,
1º direito diurno

O positivismo de Comte

 Augusto Comte, tido por muitos como pai da sociologia, teve grande importância no desenvolvimento das ciências humanas. Iniciou seus estudos sociais em uma época notória, na qual a industrialização revolucionava a organização da sociedade, iniciando um processo de urbanização e de mudança na cultura, passando essa de uma cultura familiar e regional para uma capitalista e industrial.
    O positivismo, proposto por Comte, se fez díspare por tratar a sociedade como um objeto de estudo sujeito à Ciência, não sendo superior a essa (como muito ocorria devido à tradicional visão antropocêntrica). As leis responsáveis por manter a coesão social seriam, portanto, tão rígidas quanto as leis naturais (tais como a gravidade, por exemplo), o que permitia um estudo mais objetivo e livre da obscuridade, que tanto acompanhava as Ciências Humanas.
  Ainda se fundando no cientificismo, é proposta uma teoria responsável por classificar e separar as ciências com base em seu nível de desenvolvimento. A chamada Teoria dos Três Estágios (ou Teoria dos Três Estados) as divide , de forma progressiva, em teológicas, metafísicas e positivas. Aquelas ciências tidas como teológicas buscam a origem e o fim dos fenômenos, sugerindo que ambos seriam frutos de um agente sobrenatural, uma divindade. Aquelas que atingiram o estado metafísico se livram dos aspectos sobrenaturais, os substituindo por forças abstratas. O estágio final, dito positivo, abdica dessa busca em busca de leis efetivas, que auxiliam na compreensão do fenômeno em questão.
  É importante ressaltar que a passagem pelos três estágios se faz necessária. Caso uma ciência surgisse já no estado positivo, não haveria a formação de conhecimentos básicos e gerais, ocorrida nos estágios precedente. Dessa forma, Comte propõe a evolução do conhecimento, que possibilita a aproximação de uma verdade absoluta.

Victor Bernardo C. Dantas - Turma XXXI - Direito Diurno

A uniformização imposta pelo Positivismo

       Augusto Comte é considerado o pai do Positivismo. Tratando-o como desenvolvimento sociológico do Iluminismo, Comte acreditava que o Positivismo seria o último estágio da evolução do pensamento humano. Também propunha a reforma da educação por meio do rompimento com o isolamento das ciências, "compactando" as mesmas. O Positivismo, pelo ver de Comte, seria a necessidade de conhecer a sociedade a partir de sua dinâmica real, observando os fenômenos existentes e ao se opor ao racionalismo e ao idealismo, descobrir e aprofundar o estudo das leis. O conhecimento científico seria a única forma de conhecer verdadeiramente as coisas, sendo a busca das mesmas "insolúvel e inútil".
       Sem a regulação das relações e competições sociais pelo mercado impostas no liberalismo, a sociedade analisada pela visão positiva traria auxílio na organização social e política, além do amadurecimento do espírito humano. Orgânica, essa sociedade teria uma divisão de funções, onde cada indivíduo contribuiria de alguma maneira para o progresso do todo. Mas ao contrário do que a burguesia fez na Revolução Francesa, Comte acreditava que as mudanças deveriam ser feitas de maneira harmônica e com elementos imutáveis (Estado, Família..), para que o desenvolvimento se desse sem grandes alardes. A Ordem seria o divisor de águas entre o caos e o Progresso, mas só funcionaria se todos colaborassem na manutenção da sociedade e do seu bem estar.
      Ao afastar o teológico e o metafísico do conhecimento, Augusto Comte cria a religião positivista, que uniria a moral humana e regeneraria a "corrompida" sociedade. Seu Ser Supremo seria a Humanidade Personificada, que, como todo o pensamento positivista, seria a compactação de todos os seres que contribuíram na progressão do conhecimento humano.
     Sistematizando a sociologia, Augusto Comte buscou o desenvolvimento do conhecimento científico e da interpretação da sociedade, fazendo com que todas as ciências fossem unidas, tudo em nome de um Progresso. Porém, ao mesmo tempo ele formata a dinâmica social, não deixando margem para outras formas de interpretação e imaginação, tratando todas as sociedades de uma maneira uniforme, de modo que o status quo nunca se inverta. 

Vitória Schincariol Andrade - 1° Ano Direito Noturno 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O reformiso de Comte

                Augusto Comte, pai do positivismo, apontava, claramente, a necessidade de uma ciência que pudesse interpretar a sociedade como ela realmente é, por meio de sua dinâmica real e não mais se utilizando daquelas que, segundo ele, apenas a criticam de forma passiva sem nela interferir ou modificá-la. Dessa forma, aponta Descartes e Bacon como precursores da filosofia positiva, já que esses, desde há muito, denunciavam a filosofia Clássica, por exemplo, como apenas observadora do problema social sem efetivamente causar as modificações necessárias ao mundo. Tais mudanças, no entanto, afirma Comte, devem seguir uma direção que não desestruture a ordem social vigente e que permitam o bom funcionamento da ‘’Ordem`` e do ‘’Progresso``, pois só assim essa sociedade conseguiria seguir seu curso normal e se desenvolver.
                Evidencia, também, a relevância do positivismo em relação às outras ciências, na medida em que aquela seria supostamente mais avançada que todas as outras e, portanto, mais capacitada para estudar e reestruturar a sociedade, o que favoreceria seu desenvolvimento. Seu protagonismo se daria por uma idéia, talvez pretensiosa, de que conseguiria abranger todo o conhecimento acumulado na história da civilização, e assim, apresentando-se como a mais complexa.
                Essas idéias se fazem presente de forma marcante na nossa história, devido a sua defesa do ensino laico nas escolas e a fragmentação das formas de estudos, ambas figurando no cenário educacional brasileiro até os dias atuais, tornando os pensamentos de Comte mais contemporâneos de que muitos de nós gostaríamos.


Danielle Juvela- 1º ano Direito Noturno

A Interpretação Comtiana e a Organização Positiva da Ordem Social

Augusto Comte, vivendo em uma época conturbada na sociedade francesa, tomou como ponto de partida para seu pensamento a realidade história da época. O sistema feudal vivia a decadência enquanto uma nova ordem industrial e científica tomava as rédeas da organização social. O confronto entre essas duas formas de organização da sociedade provocavam o que Comte chamava de “desagregação moral e intelectual da sociedade do século XIX”. Esse confronto seria responsável pela crise vigente, pois a unidade social deveria ser formada por um conjunto de princípios, ideias e sentimentos partilhados por todos, o que não ocorria na época. Comte então sugere uma reforma intelectual, a qual não ajudaria somente a entender aquela sociedade da época, mas sim interferir na ordem social para permitir seu melhor desenvolvimento.
  A partir daí, dando enfoque às disciplinas científicas ele percebeu que elas sempre passavam por estágios de desenvolvimento do conhecimento, os quais seriam: o teológico – que representaria a ordem -, o metafísico – que representaria o progresso - e por fim o positivo que seria o auge do conhecimento – representando a ordem e o progresso juntos -, no qual “a observação dos fenômenos seria submetida a leis invariáveis e gerais da natureza”. Conquanto, as disciplinas se tornam positivas gradualmente, seguindo o critério de hierarquização dos fenômenos, levando em consideração seu grau de generalidade, simplicidade e independência. Assim eles são classificados em fenômenos: Matemáticos, astronômicos, físicos, químicos, biológicos e por fim sociais. O que, então, distinguiria a pesquisa positiva seria o método de investigação dessas disciplinas, observando a atuação das leis naturais, as quais deveriam ser imutáveis seguindo uma análise que Comte denominou de “física social”. Essa nova maneira de conduzir a pesquisa científica proporcionaria ao cientista à homogeneização e a unidade lógica do conhecimento.
  A filosofia positivista, além de contribuir para o estudo das ciências também determinaria uma ordem social. Para Comte, numa sociedade industrial era natural que os ricos detivessem o poder econômico e político, já que na sua visão tudo era traçado a partir de méritos morais. O esforço e o mérito, portanto, justificariam essa dominação. Contudo, Comte não despreza a classe operária, pois ela seria de extrema importância na manutenção da ordem e possibilitaria o progresso com o seu trabalho. Na visão do positivista, a sociedade se assemelha com um organismo, no qual cada parte, cada pessoa, teria uma função no todo. Seguir essa ideia da divisão do trabalho seria pré-requisito para a manutenção da ordem e para alcançar o desenvolvimento, ou o progresso, dessa sociedade.  
Comte vê o Estado como responsável por garantir a unidade, a divisão do trabalho e, consequentemente, a ordem e o progresso. O Estado centralizador e coercitivo seria responsável por realizar as “profilaxias” na ordem social, e evitaria as perturbações na divisão do trabalho e na hierarquização social.
  O positivismo foi de extrema importância para o desenvolvimento e pensamento da época, influenciou, por exemplo, o republicanismo no Brasil e até hoje se mostra presente no território nacional. Os “rolezinhos”, nos quais jovens da classe baixa adentravam nas catedrais de consumo da classe média-alta brasileira, foram considerados uma perturbação na ordem, como analisaria também Comte, e foram contidos pelo Estado. Assim pode-se ver que a influência positivista e muitas de suas propostas, como a de “profilaxia”, ainda podem ser observadas na sociedade contemporânea.

Ana Luiza Cruz A. - 1º Diurno.

Amadurecimento ou estagnação?

  O positivismo, que tem como pai Augusto Comte, filósofo francês, é um conceito filosófico e científico elaborado na época da Revolução Francesa, e prega que toda forma de conhecimento deve estar relacionada com a ciência para ser verdadeiro, tudo deve ser comprovado através de métodos científicos, sem a presença da teologia e da metafísica.
  Comte pensa em uma ciência que tenha como objeto de estudo a sociedade, pois ele queria saber as caudas dos problemas sociais, não a essência, para assim poder passar para as autoridades o que poderia ser feito, analisando a raiz dos fenômenos.
  Por adição, para ele, toda a confusão que a burguesia estava causando durante a Revolução Francesa não era um benefício social, porque a sociedade deveria possuir elementos imutáveis para que o progresso se desse de maneira tranquila e qualquer fator que saia da normalidade não é positivo, tanto que causa espanto nas pessoas.
  A filosofia positivista, para Augusto, seria o amadurecimento do espírito humano, porém o que ele pregava era a continuação das coisas como estavam, uma estagnação, que para ele proporcionaria o progresso sem confusões. As pessoas descontentes com a sociedade deveriam continuar com suas vidas subjugadas, assim como os brasileiros, que ficaram anos sem se manifestar e exigirem seus direitos, deixando apenas as elites e o Estado decidirem o que é melhor, como se dessa maneira tudo ficasse em harmonia.

Karen Yumi Saito
1°ano - Direito Noturno

Idealização Progressista

A corrente filosófica do Positivismo surge na metade do século XIX; seu criador e defensor o filósofo Augusto Comte a formula de acordo com o contexto de desenvolvimento cientifico da época marcada pela Revolução Industrial.
Para Comte há três estágios de construção do conhecimento: 1) teológico, no qual as explicações dos fenômenos se dão com base nas ações de agentes sobrenaturais; 2) metafisico, cujas explicações derivariam da força de entidades cada uma responsável por um fenômeno, este estágio seria de transição, e só existiria devido a impossibilidade dos seres humanos passarem do primeiro ao terceiro, e último, estágio já que as ideias de cada um seriam muito contrastantes; 3) positivo, onde através da combinação de raciocínio e observação, buscando uma explicações pontuais. Sendo um conhecimento amadurecido pelos estágios anteriores.
A filosofia positiva apresentaria também quatro propriedades fundamentais: 1) "o único e verdadeiro meio racional de por em evidência as leis lógicas do espírito humano"; 2) reforma na educação, "substituir nossa educação européia, ainda essencialmente teológica, metafísica e literária, por uma educação positiva", tornando a ciência acessível; 3) a filosofia positiva deve abranger todas ciências "conjunto de concepções positivas sobre todas as grandes classes de fenômenos naturais (...). Somente assim o ensino das ciências pode constituir para nós a base duma nova educação geral verdadeiramente racional."; 4) positivismo como base para a reorganização da sociedade moderna. Formulação de uma "física social" que transformasse a instabilidade advinda do capitalismo industrial recente.
O Positivismo muito influenciou o Brasil, sendo seu precursor Benjamin Constant que utilizou a corrente para reformar o ensino brasileiro. A corrente também influenciou fortemente os militares brasileiros, que na formação da república tiveram como lema "ordem e progresso", palavras fortes para os positivistas que viam um Estado forte como garantia de ordem que permitiria o progresso. 

Barbara Oliveira; Direito Diurno- 1° Ano

Positivismo Jurídico como faca de dois gumes

 O Positivismo de Comte trouxe de inovador uma forma de regrar as ciências existentes colocando as ciências sociais no topo dessa pirâmide, pois segundo ele, seria a mais complexa porquê envolveria todas as outras e suas aplicações práticas mais intensivas. As ciências positivistas não possuiriam erros pois seriam baseadas em lógica, experimentação e aplicação, o que configuraria um método "seguro" para que elas fossem efetivamente trazidas ao cotidiano do povo.
 A grande cartada que Comte joga para eliminar o poder dos ricos influentes é tentar jogar o poder nas mãos de uma elite intelectualizada, que teoricamente, por buscar a ciência como objetivo máximo, não estaria buscando senão o bem da humanidade e assim, nada de mal lhe poderia fazer. O melhor de tudo isso: para provar a loucura total em que se entravam aqueles que tentam por si próprios elaborar um sistema político novo, Comte se fez o favor de se denominar o "Líder" do Positivismo, assim, todas as autoridades que seguissem sua forma de governo se reportariam diretamente a ele.
 Como é possível que um home que trouxe uma nova forma de enxergar as ciências como interdependentes tornar-se louco a ponto de desejar o poder absoluto em suas próprias mãos, mesmo sendo um grande intelectual? Pode ter sido em conta da repercussão positiva de seu sistema, que passou a ser difundido e adotado em diversos lugares do mundo, e em diversos âmbitos, principalmente no campo jurídico. Nesse campo, fica mais claro dizer normas positivadas do que normas naturais, porque as primeiras já passaram por um processo de análise sociocultural e econômica para serem implementadas, como a obrigação de um contrato em uma locação, enquanto a segunda já é mais difícil, porque é dado a cada um interpretar ao sabor de suas fantasias.
 O Positivismo Jurídico foi um grande salto para o Direito, porque deu força às leis vigentes, mas é uma faca de dois gumes, pois por outro lado acaba se eximindo de usar de normas que de outra forma beneficiariam a população, mas que devem passar por um rigoroso processo de aprovação e que justamente nesse processo falham. O Positivismo deveria ser melhor estudado para ser mais inclusivo, pois não é de todo um sistema obsoleto, é muito antes um bem, pois promove o desenvolvimento científico e cultural em todos os âmbitos e não somente naqueles que são mais rentáveis.

domingo, 13 de abril de 2014

POSITIVISMO

A escola Positivista surge baseada da exaustão das tentativas fracassadas do conhecimento teológico e metafísico de explicar os fenômenos naturais e sociais. Ainda com o intuito de aplicar na prática a aprendizagem, pois, sem isso, segundo Augusto Comte, pioneiro deste movimento, de nada adianta o que é colhido.
O método desenvolvido incumbe na caracterização do estudo humano de forma científica e esquematizada. Com isso, utiliza a observação e racionalização dos acontecimentos cotidianos, estipulando uma regra. A partir disso, é analisado o potencial orgânico de evolução da sociedade em questão, para agir de forma correta, com vista em seu desenvolvimento.
O rompimento do isolamento das ciências e uma reforma na educação eram pregados. Um pensamento coletivo era instalado na cabeça das crianças desde cedo, de necessidade de colaboração perante a sociedade e seu bem-estar em comum, que é a grande finalidade, tanto que o bem-estar individual é até deixado um pouco de lado.
Sem os preceitos de justiça e liberdade inclusos, o método se torna uma imposição de ordem geral, sem admissão de quem não se incluísse nessa filosofia. A natural consequência é uma nítida desigualdade social. Muitas pessoas que acabam por exercer trabalhos primordiais para a sociedade, apesar de não ter tanto "status", não são valorizadas como merecem e passam por dificuldades, alguns em condições sub-humanas.
Apesar da importância deste movimento para a melhoria da coletividade, ainda há "peças" desta coletividade que não se beneficiam desta melhoria.

Weber Passos dos Santos    Direto Diurno, Primeiro Ano


Física social para construção da nova sociedade

Desde o princípio, a Sociologia era entendida como sinônimo de praticidade. Seu surgimento deu-se de forma a suprir a necessidade de organização que existia no século XIX, sobretudo na França. A sociedade se encontrava em meio a lutas de classes e crises econômicas, quadro propício para que Augusto Comte elaborasse sua filosofia, o positivismo.
Baseava-se na ideia de que, para que de fato fossem encontradas soluções para problemas sociais, era necessário encarar a sociedade como se faz em qualquer ciência exata: estabelecer suas leis imutáveis, desconsiderando quaisquer divagações acerca de ideais como justiça ou liberdade. Só assim, através de análises objetivas, restabelecendo a ordem nas ideias e nos conhecimentos, a sociedade alcançaria o estado ideal de equilíbrio.
Hoje percebemos que a importância do positivismo não se deu apenas no contexto de seu surgimento, mas ainda atualmente, como base de nosso sistema jurídico. Comte, embora não tenha se aprofundado tanto nas ideias sociológicas como Durkheim, foi o pioneiro no assunto, o que o faz ser conhecido, até hoje, como o grande sistematizador da Sociologia.

Isabella Abbs Murad Sebastiani - 1º ano Direito diurno

Do pensamento positivo

Augusto Comte, o pai do Positivismo e sistematizador da sociologia, foi responsável pela proposta de planejamento do desenvolvimento humano pautado em critérios das ciências exatas e biológicas. Comte viveu um contexto turbulento no território francês, no final do século XVIII e primeira metade do século XIX, no qual a França convivia com a alteração de regimes despóticos e revoluções, o que acarretou uma crise de valores na sociedade francesa. A máquina passava a ditar o ritmo de vida dos trabalhadores, o mercado regulava as relações sociais e a crescente crise social contrastava com o efervescente capitalismo. Tais mudanças acarretaram novos pensamentos, insatisfação e revolta social. Foi nessa perspectiva histórica que Comte desenvolveu a corrente filosófica Positivista, a qual propunha uma ruptura com o mero conhecimento dedutivo e uma ciência útil à sociedade. Tais preceitos foram muito importantes e exercem influência ainda no mundo hodierno.
O Positivismo seria o ápice do conhecimento humano e posterior ao conhecimento Teológico e Metafísico, os quais seriam primitivos, porém necessários para o progresso até o Positivismo. Comte baseou-se em Galileu, Descartes e Bacon para a elaboração de uma ciência que seria efetiva para a compreensão da sociedade a partir de sua dinâmica real. Segundo o Positivismo, a sociedade estaria pautada em instituições imutáveis- como a Família, o Estado e a organização social- e o desvio de tais seria responsável por convulsões sociais que ameaçariam o equilíbrio e o progresso e, por isso, deveriam ser solucionados para a “cura” social. Assim, Comte propôs um novo ramo científico, a Física Social, a qual analisaria os problemas sociais e proporia resoluções efetivas e seria pautada na exatidão e na neutralidade científica. A ciência seria a resposta para tudo.
A Ordem seria instrumento fundamental para a garantia do Progresso e sua manutenção dependeria do cumprimento, por cada indivíduo, de seu papel social sem reclamações ou alterações. Essa visão tornou-se a base para o lema da bandeira brasileira: “Ordem e Progreso”, para a Revolução de 1930 no Brasil- “Façamos a revolução antes que o povo a faça.” - e, atualmente, para a instalação de UPPs nas favelas brasileiras- eliminação de uma ordem paralela. É perceptível, assim, o quão influente é o Positivismo até hoje, e o Direito é exemplo disso. A positivação das leis é o esteio da ordem e a garantia de uma segurança pautada na estagnação social.

Não obstante, a crença cega em uma ciência neutra e capaz de solucionar toda e qualquer convulsão social é ilusória. Além disso, a proposta de que a ordem social deve ser mantida a qualquer custo e de que a dinâmica social não deve ocorrer é opressora e imprópria perante a crescente evolução tecnocientífica. Assim, é inegável a grande influência exercida pela corrente positivista, mas sua aplicação deve ser submetida a uma análise crítica para a não arbitrariedade e efetivo progresso social. 

Nicole Bueno Almeida
1º ano, Direito Noturno. 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Raciocínio Lógico-conclusivo, crítica.

O ser humano é dotado de determinadas características que fazem com que ele desenvolva o raciocínio lógico-conclusivo, que articula um processo de categorização, ou seja, que faz com que criemos, simbolicamente, relações entre determinadas ações e objetos, desenvolvidas a luz de um aspecto específico, que por vezes é analisado sob outros aspectos, e culmina em erros metodológicos e conclusivos. A construção de raciocínios que estruturam estes erros é de diversas origens e formas.
Desta forma, Comte desenvolve a Filosofia Positiva como uma crítica ao modo de pensar de sua época, ou pelo menos ao qual ele teve acesso, ao dizer que as relações sociais humanas podem ser estudadas por meio da Física Social. A procura por uma pesquisa efetiva, que realmente desenvolva melhorias sociais nas Ciências Humanas, de certa forma, é estruturada pelo autor símbolo, e fundador, de um pensamento que está em vigor até hoje, senão no aspecto geral, no mínimo em parcelas do desenvolvimento de determinados ramos científicos.
Mas, assim como o crítico desenvolve em sua época, é necessário que realizemos um questionamento metodológico. Comte faz uma análise nova e válida do contexto social, de forma a figurar entre uma das leituras mais importantes do curso de Direito, por exemplo, e de ter influenciado diversos segmentos políticos. O autor, entretanto, deixa de lado aspectos da paixão humana, da qual as maiores divergências se originam, além do aspecto axiológico e outros.
As mudanças sociais, econômicas e políticas pelas quais as sociedades passaram desde quando Comte escreveu, e a diversidade de culturas que estruturam uma Nação e o Estado, não permite que apliquemos acriticamente a filosofia do autor positivista. Há diversos aspectos válidos na perspectiva muito bem demonstrada do célebre escritor, que representam teorias metodológicas deveras importantes.

As contribuições do autor para a metodologia de pesquisa social é válida. Assim, a crítica que desenvolvo é acerca da maneira como se relaciona a Física Social com os distintos avanços científicos a que temos acesso. Por vezes, à luz de falsas ideologias, a aplicação contemporânea de preceitos desenvolvidos por diversos pensadores, não apenas Comte e, também, não principalmente Comte, são designadas ao bel-prazer do intérprete, erroneamente, desvinculando a real aplicação que obteria se bem raciocinado, para cair na cega negação e crítica. 

terça-feira, 8 de abril de 2014

Ponto de Mutação

O filme  "O Ponto de Mutação" nos leva a uma reflexão interessante acerca da realidade mundial. Ao afirmar que tudo está interligado no mundo, o filme leva a acreditar na impossibilidade do estudo e da resolução de problemas ao se estudar algo separadamente. Esta maneira de pensamento, chamado de Pensamento Sistêmico, rompe com a corrente mecanicista de autores como Descartes, que, por outro lado, acreditavam que cada questão teria que ser estudada a fundo de maneira separada. É, portanto, um filme que nos leva a considerar uma concepção de mundo totalmente diferente da que estamos acostumados.

Vinicius Bottaro -  1º ano Direito (Noturno)

Bacon e a Ciência Moderna


Francis Bacon e sua obra revolucionaram a ciência e a filosofia no século XVII. Por defender a importância do empirismo e do desenvolvimento de uma metodologia científica, Bacon foi considerado por muitos como o "pai da Ciência Moderna". Em sua obra, afirma que, da mesma maneira que o homem precisa de ferramentas para expandir sua força física, precisa também de ferramentas para a mente para a produção de conhecimento científico "verdadeiro", que para ele, seria o conhecimento embasado na experimentação. Desse modo, o filósofo inglês rompe com quase toda a filosofia anterior a ele, fundada no método indutivo e não na experimentação propriamente dita.

Vinicius Bottaro - 1 ano Noturno

Baconiano, Baconiano

Baconiano, Baconiano.


Digam-me, caros baconianos, caros colegas,
já que teu imperativo busca o saber.
é que tenho dúvidas quanto ao que legas
à nossa sociedade, no que tange ao poder.

Desdenham de meus amigos clássicos, de suas regras?
E pregam Demócrito à Bel prazer?
Ora, essas birrinhas a mim soam como piegas,
de crianças que o mundo não aprenderam a ver.

Mas caro amigo, baconiano,
sei que era boa tua intenção, quando domaste a natureza.
Só te peço, não sejas leviano!
Antes de dar teu palpite, tenha certeza!

Pois a certeza do homem é a razão,
e buscas completá-la com tua metodologia
vejo boa tua formação,
Só não transforme nossos pensamentos em orgia - em caos.


Adolfo Raphael Silva Mariano de Oliveira ---- 1º Ano Direito Unesp - XXXI Turma - Noturno

Ponto de estagnação

Ponto de estagnação


Que insustentável tua situação
de acomodado junto ao relento.
É que vejo a incontestável escravização
de um povo que de poder jaz sedento .

Reacionária, paradigmática por vocação
e o "progresso" é teu intento.
Mas tomado pelo viés das autoafirmação,
ainda busca na destruição teu sustento.

Ah, mundo focado na inovação
e que tomou a evolução como firmamento.
Vejo que é morta tua revolução
já que a estagnação é teu testamento.

Pois tu que do homem império espera
esforça-te para vencer a natureza. Ah, mas a certeza,
é que melhor que o homem só a fera, a quimera.

Pois buscas um novo método nessa nossa esfera
Que extraia dos pensamentos a certeza, a clareza.
Mas afinal, que sobrevida terá essa era?

De fato, talvez perdestes a mão em tua lógica, civilização.
Sempre criando pra dogmática um novo fomento.
Mas eis que o dogma agora é a tua situação
de escrava de uma razão vazia, fadada ao lamento.


Adolfo Raphael Silva Mariano de Oliveira ---- 1º Ano Direito Unesp - XXXI Turma - Noturno
PONTO DE MUTAÇÃO: a crise da ciência e a resposta holística.

“Como causas de sua confusão ou renúncia os intelectuais citaram "novas circunstâncias" ou "o curso dos acontecimentos" — Vietnam, Watergate e a persistência de favelas, pobreza e criminalidade. Nenhum deles, entretanto, identificou o verdadeiro problema subjacente à nossa crise de idéias: o fato de a maioria dos intelectuais que constituem o mundo acadêmico subscrever percepções estreitas da realidade, as quais são inadequadas para enfrentar os principais problemas de nosso tempo. Esses problemas, como veremos em detalhe, são sistêmicos, o que significa que estão intimamente interligados e são interdependentes. Não podem ser entendidos no âmbito da metodologia fragmentada que é característica de nossas disciplinas acadêmicas e de nossos organismos governamentais.” – Fritjot Capra

            A realidade é transcendente, dinâmica, sujeita às variações das mais determinadas ordens. Essa é a ideia que perpassa o filme “Ponto de Mutação”, baseado no livro de mesmo nome, do físico Fritjot Capra. No diálogo entre um político, um poeta, e uma cientista, todos em crise com suas existências, está a essência do livro de Capra, uma crítica ao pensamento fragmentado e a busca de um novo paradigma para a ciência.

PORQUE A CIÊNCIA ATÉ ENTÃO PRATICADA FALHOU? Capra x Descartes/Bacon.

            Até agora, no curso de sociologia, vimos basicamente dois autores: Descartes e Bacon. Os dois, cada qual a sua maneira, mas também cada qual complementando e percorrendo o pensamento do outro, fundamentaram a ideia de ciência que temos hoje: empírica, fragmentada, que olha a parte para compreender o todo. Mas porque então, Capra entende que essa ciência bem fundamentada e operante falhou?
            Bacon dizia que o propósito essencial da ciência é estabelecer o domínio do homem sobre a natureza. Entretanto, Capra afirma que esse domínio está sendo danoso. Percebamos que ao olhar para cada área científica separadamente, veremos que o progresso é inegável. Na medicina temos mais formas de salvar vidas, na engenharia, maneiras melhores e mais viáveis de construir prédios, navios, aviões, cada vez mais seguros, na química temos medicamentos melhores, produtos químicos mais eficientes e etc. Entretanto, se olharmos o todo, como propõe Capra, veremos que o sistema que compõe os indivíduos e o planeta vive uma crise grave. O progresso segmentado nos impediu de ter uma visão holística da realidade. São sinais da crise, para Capra, a miséria material de parte significativa da família humana, a crise de ideias na academia e especialmente a deterioração do meio ambiente e a crise nuclear do fim dos anos 70 e começo dos anos 80 (período em que escreve), com a iminente, porém nunca ocorrida, guerra nuclear entre URSS e EUA.

UM NOVO PARADIGMA: novas reflexões e o diálogo alegórico do filme “Ponto de Mutação”.

            Para resolver essa crise sistêmica, Capra propõe uma solução também sistêmica. É o que ele chama de “Concepção sistêmica da vida”, a ideia de que é possível ver a realidade de uma maneira distinta, corroer as velhas bases da ciência e iniciar uma nova forma de analisar o mundo, que abarque o conhecimento intuitivo e que não separe mais a matéria do espírito (antítese marxista-hegeliana). Capra propõe, de maneira bastante ambiciosa, o fim do pensamento linear, e o nascimento de uma nova forma de pensar, que não esteja amarrada ao método cartesiano.
            Tendo isso em mente, no filme “Ponto de Mutação”, observamos que os três personagens representam três alegorias. A cientista representa a própria ciência em crise, o poeta representa a subjetividade humana, também em crise e aparentemente sem espaço, e o político representa a identidade política humana. Ele é de certa forma aquele que media o debate, mas é também a alegoria do homem político, o homem social. A crise que os três vivem em suas vidas representa a crise catastrófica vista por Capra em seu livro. Nesse sentido, o diálogo que eles constroem, é a própria resposta sistêmica proposta por Capra. Principalmente na personagem que vive a Cientista, vemos uma profunda crítica ao método científico e a vontade de ver triunfar uma visão orgânica das coisas: tudo está ligado e tudo se renova.

A QUESTÃO QUE PERMANECE: E as ciências humanas? Qual a relação entre o ponto de mutação e o pensamento clássico?

            Sobre as ideias postas no filme e no livro, gostaria de lançar duas questões para a reflexão daquele que lê esse texto:

Na crítica ao empirismo, temos que achar o lugar das ciências humanas. Essas ciências nunca abraçaram por definitivo o método empírico e já apresentam, de certa forma, uma visão mais holística do mundo. São mais interdisciplinares, muito mais dinâmicas e menos fragmentadas que as ciências “naturais”, e vivem em constante crise com seus métodos. Portanto, qual o ponto de mutação das ciências humanas?

O que Capra propõe, em linhas muito grosseiras, é um pensamento holístico universal. Mas será que isso é possível, ou isso significaria o fim da ciência como conhecemos e uma volta ao pensamento clássico? Nesse sentido, as ideias de Capra se relacionam diretamente com a forma antiga de pensar as coisas ou não?

Victor Abdala – 1º ano de Direito (NOTURNO)
  Francis Bacon, assim como René Descartes, apresentou um novo método para a busca do conhecimento. Segundo o autor, a Verdade só seria alcançada através da observação e experimentação, pois o raciocínio lógico-dedutivo pode acabar gerando falsas crenças que freiam o processo de busca da verdade absoluta. Além da intensa crítica aos pensadores clássicos, rompeu com a tradição filosófica milenar e com a religião desta época.
  Para Bacon essa emancipação do pensamento humano seria o passo mais importante para o conhecimento. O abandono de verdades pré-estabelecidas e o uso do empirismo se tornaram então uma das principais ferramentas da ciência dali em diante. Para classificar os impedimentos do acesso à verdade, Bacon os denominou “ídolos”, sendo: ídolos da tribo, relacionado à superstições, preconceitos, etc.; ídolos da caverna (fazendo alusão ao mito da caverna de Platão), que se relaciona às visões individuais; ídolos do foro, que são as diferentes interpretações de discursos, podendo diferir da intenção de quem fala; e os ídolos do teatro, que são teorias que não harmonizam com a natureza humana, etc.
  Bacon acreditava em uma filosofia que pudesse favorecer a humanidade com seus métodos experimentais. Em sua máxima “saber é poder”, explica a subjugação da natureza em relação ao Homem, por este ser o detentor do conhecimento. Estes conhecimentos foram essenciais para o desenvolvimento da ciência e dos métodos de pesquisa, deixando o legado deste filósofo pelos próximos séculos.

Bruno Henrique Marques
1o ano Direito Noturno
  Baseado na obra de Fritjof Capra, o filme “Ponto de mutação” aborda diferentes críticas a cerca das visões de Descartes (cartesiano), Bacon (empirista) ou até mesmo de Newton na física. Explora a máxima “saber é poder” de Francis Bacon, discutindo sobre a perversão da ciência, tendo como exemplo a invenção do avião e o suicídio de Santos Dumont. Na prática, aplica-se o “dominar  é poder”, fazendo com que o homem foque no controle da natureza, e não no conhecimento acerca dela.
  A mutação então mostra-se necessária para o entendimento da contemporaneidade, com o abandono deste modelo mecanicista de Descartes, que fraciona o conhecimento, podendo se criar conexões, como uma teia de informações, entendendo a situação como um todo. Também nega-se o modelo baconiano que define a dominação da natureza pelo homem, por ser detentor do conhecimento, e que instalou a ideia de que o planeta deve suprir as necessidades do homem de maneira ilimitada.
  A verdadeira reflexão sobre este filme se encontra na prepotência humana, na tentativa de controle total de tudo o que conhece, explorando irracionalmente recursos naturais (até o esgotamento, se for necessário) em prol da evolução humana e sustentação de seus luxos. O entendimento da natureza como um todo, se incluindo nela e abandonando a antiga forma de busca do conhecimento, pode ser o caminho mais fértil para a humanidade.

Bruno Henrique Marques
1o ano Direito Noturno

Ciência dogmática

    O filme "Ponto de Mutação", baseado na obra de Fritjof Capra, traz uma perspectiva totalmente diferente de como vemos o mundo e seus problemas. Afinal, sendo o principal tema a própria perspectiva, o autor discorre sobre a necessidade de mudança em uma sociedade viciada no conceito cartesiano de análise.
     
    Um dos métodos de Descartes, que consista em dividir o conhecimento em frações, estudando assim parte por parte para posteriormente entender o todo, fora extremamente revolucionário em sua época. Seu conceito de conhecimento ajudou a romper com a dogmática promovida pela Igreja durante a Idade Média, dando curso ao estudo das ciências. No entanto, ironicamente, seu próprio método se tornou um dogma. A sociedade pós-moderna, cientificista, tomou o próprio método como o um paradigma imutável, e o mesmo se alastrou por todas as áreas do conhecimento e de ação humana.
    
   Embora tenha de ser reconhecida a importância de tal estudo, ele se torna seu próprio algoz. Por analisarmos tudo separadamente, por fragmentos, perdemos a capacidade de enxergar o todo, holisticamente, e de compreender como as coisa funcionam interligadas. A obra traz que a sociedade atual vive uma "crise de percepção", justamente por reconhecer a incapacidade de se solucionar os problemas amplos através de medidas pontuais.
     
    Portanto, fica a ideia principal de que não sejamos escravos de nosso próprio libertador, que a visão "mecanicista" do mundo saiba ser usada com parcimônia, afim de que o mundo não seja enxergado apenas como um grande relógio, mas sim, como o grande e complexo sistema que é, em que tudo está interligado.

Lucas Laprano – 1° ano Direito Noturno – Turma XXXI

Indução e método

Francis Bacon se destacou na filosofia por ser o precursor do empirismo, ou seja, da utilização do método e da experiência de forma essencial. O objetivo de Bacon é constituir uma nova forma de observar e de estudar os fenômenos naturais. Para isso, só seria necessário seguir o caminho exposto, que impõe o cumprimento de algumas regras, dentre as quais a de eliminar os obstáculos para instauração das ciências, que são os ídolos. Segundo o autor, são de quatro gêneros os ídolos que bloqueiam a mente humana a saber: Ídolos da Tribo; Ídolos da Caverna; Ídolos do Foro e Ídolos do Teatro. A formulação de noções pela indução é, indubitavelmente, uma forma de afastar os ídolos. Além disso, para ele, a descoberta de fatos não está relacionada ao método aristotélico, mas relacionada à experimentação baseada no raciocínio indutivo. A diferença da indução de Bacon para a de Aristóteles é que esta apenas ordena o já conhecido, enquanto a baconiana amplia o conhecimento. No método baconiano, ao buscar novas verdades, não há possibilidade de verdades inquestionáveis, sem submetermos as hipóteses pelo análise experimental. Dessa forma, a instância negativa tem grande importancia, pois, a indução certa é aquela em que se procede por exclusão, por meio da eliminação de possibilidades concomitantes.

Eric Imbimbo - 1º ano - Direito noturno

 Experimentar para crer

    Francis Bacon, filósofo e político inglês propôs um novo método de estudo dos fenômenos naturais. Em contrapartida do pensamento aristotélico, Bacon ressalta a importância do empirismo para atestar a ciência, o raciocínio indutivo.
    Para tanto, adota-se a verificação sistemática de fenômenos e a sistematização de dados, pontos confluentes com a teoria descartiana, além disso, outra semelhança entre os métodos dos dois filósofos é o rompimento com as ciências consideradas metafísicas ou de revelação para preservar a idoneidade do experimento.
    Entretanto, Bacon não considera a hipótese, ou seja, supõe que desde que haja a conferência estrita com seu método, ela será verdadeira, o que no ambiente científico atual raramente ocorre. E, ainda, o filósofo inglês aliena-se da matemática para o avanço científico, minimizando a amplitude e concretude de seus experimentos.
Kalinka Favorin Rodrigues - 1° ano - Direito Noturno

Revolução da percepção de mundo 

    Uma cientista, um candidato à presidência dos Estados Unidos e um dramaturgo encontram-se na França, e abordando questões metafísicas e existenciais formam o enredo de O Ponto de Mutação. Através de diálogos, os personagens criticam a visão multifacetada e fragmentada do mundo, isto é, buscam a interrelação de tudo.
    O título da obra faz referência ao momento de renovação daquilo que é ultrapassado, gerado pelo individualismo e pela percepção errônea e segregativa dos fenômenos naturais e interações e, com isso, visando uma nova perspectiva embasada na física moderna. 
     Esse cenário que é considerado obsoleto pelo filme, chamado newtoniano-cartesiano foi responsável pelo rompimento com o subjetivismo e sobrenaturalidade no contexto científico, porém mostra visíveis sinais de desgaste ao supor o mundo como uma caixa de engrenagens que funcionam separadamente e independentemente.
     Conclui-se que a interrelação entre eventos, pessoas e fenômenos naturais é plausível à realidade atual e que o sistema em vigor precisa ser radicalmente mudado para assegurar uma melhor convivência do homem com seus iguais e seu habitat.

Kalinka Favorin Rodrigues - 1° ano - Direito Noturno