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domingo, 26 de abril de 2015

Bacon na vida de José

    Todo dia José faz tudo sempre igual: levanta com seu despertador às 5:00 da manhã, prepara o café, busca pão enquanto seus filhos e sua esposa se levantam; tomam todos juntos. Ele leva os filhos para a escola enquanto sua esposa vai para o trabalho. Ele chega à empresa às 7:00, a tempo de se preparar para seu trabalho como metalúrgico, que dura o dia todo. Chega a sua casa por volta das 18:00, e seus filhos e sua esposa já estão lá. Ele ajeita algumas coisas da casa, toma banho e passa o resto da noite vendo TV e lendo jornal. Sua vida já assim há 25 anos.
    José é um homem trabalhador, e merece todos os direitos que podem ser assegurados a essa classe. Merece sua jornada semanal, receber por horas extras, feriados e férias remuneradas. Merece tudo o que o sindicato o garante. Mas José queria uma vida melhor, claro. Queria um carro do ano, uma casa na praia, viajar para outro país nas férias, os filhos em faculdades boas. A vida de José vai além de seu trabalho, mas nem sempre isso é levado em conta.
    José é um exemplo do pensamento do filósofo Francis Bacon, que, em sua obra Novum Organum, diz que o experimento dá fundamento à razão. O pensador propõe uma análise do mundo a partir da experiência, na observação e na constatação do que nele há de real; um olhar empírico sobre os eventos mundanos, para, a partir daí, entender e definir o que é a sociedade, e o que ela demanda na prática, e não somente na análise de mundo a partir do resultado que se quer obter. Defendendo a interpretação do mundo do mundo a partir de seus fatos reais, José se é um exemplo, pois suas vontades são vistas e garantidas com base no que se deduz sobre a rotina de homem trabalhador, e muitas vezes são esquecidas a profundidade e complexidade que se adquire quando se leva em conta suas vontades e ambições.

    José é um homem trabalhador que vive sua vida tranquila e assegurada. Mas claro, José queria mais.

Júlia Veiga Camacho
1º ano Direito Diurno
Introdução à Sociologia - aula 3

Loira burra

Questionado por Francis Bacon em sua obra Novum Organum, o chamado método de "antecipação da mente" pode ser relacionado com a criação de estereótipos. Muito utilizado pelo filósofos da Antiguidade, esse método remete ao conhecimento contemplativo:  "consiste no saltar-se das sensações e das coisas particulares aos axiomas mais gerais e, a seguir, descobrirem-se os axiomas intermediários a partir desses princípios e de sua inamovível verdade".  

Estereótipo por definição é a criação de um padrão baseado em uma opinião simplificada. Desse modo, esse conceito se relaciona com o método de antecipação da mente, já que o conhecimento contemplativo também não tem, de acordo com a filosofia baconiana, um embasamento experimental relevante para se obter a verdade.

O enraizamento de certos estereótipos em nossa sociedade pode ser explicado, justamente pelo fato das antecipações da mente serem o alicerce do senso comum, pois estão fundamentadas em experiências familiares. Ademais, nas palavras de Bacon: " erros radicais perpetrados na mente, na primeira disposição, não se curariam nem pela excelência das operações nem pelos remédios subsequentes".

Assim, o conhecimento baseado na experiência se mostra muito importante para a quebra de padrões. "A lógica tal como é hoje usada mais vale para consolidar e perpetuar erros, fundados em noções vulgares, que para a indagação da verdade, de sorte que é mais danosa que útil".

Isabela Ferreira Sastre
1º ano Direito Diurno
Introdução à Sociologia - aula 3

A afirmação inviolada da classe média e o esquecimento da experiência própria

         Grande pensador que viveu entre os séculos XVI e XVII,o filósofo inglês Francis Bacon é considerado,graças à defesa do uso do método científico que se utilizava da experimentação e da observação guiadas pelo raciocínio lógico para a obtenção de fatos verdadeiros,um dos fundadores da ciência moderna.
         Na obra "Novum Organum",Francis Bacon aponta um interessante fato sobre o intelecto humano,no qual diz que esse,quando assente uma convicção (ou por já bem aceita e acreditada ou porque o agrada),tudo arrasta para seu apoio e acordo.E,ainda que em maior número,não observa a força das instâncias contrárias;despreza-as,ou,recorrendo a distinções,põe-nas de parte e rejeita,não sem grande e pernicioso prejuízo.Dessa maneira,a autoridade daquelas primeiras afirmações permanece inviolada.
         Tal reflexão descreve com maestria a maneira de pensar,de ser de parte da população brasileira que teima em criticar a aplicação de programas sociais governamentais em prol dos menos favorecidos economicamente do país.Recentemente realocados em classes com maior acesso a produtos e serviços graças à melhora do desempenho do Brasil no cenário econômico mundial,principalmente nos últimos 13 anos,a nova classe média parece ter esquecido seu recente passado não tão vistoso nem farto ao classificar como vagabundos àqueles mais carentes que hoje dependem de programas sociais como o "Bolsa Família" a fim de conseguirem sobreviver.
         Sendo tão bem descrita por esse ponto do filósofo,esta camada egocêntrica e egoísta da sociedade brasileira deveria amparar-se no método da experimentação de Francis Bacon a fim de não esquecer as experiências pelas quais passaram e assim compreender,finalmente,que os programas sociais do governo não são "sustento de vagabundos",mas sim um trabalho que busca ampliar a classe média que tem acesso ao básico para viver;um trabalho que via esmiuçar a quantidade de sobreviventes e aumentar a de viventes no país. 

Rafael dos Anjos Souza
Turma XXXII -Direito Noturno.

Os Ídolos da caverna e as massas.

Em sua obra Novum Organum, Francis Bacon defende que a razão sozinha não é o bastante para o alcance da verdade. Isso ocorre porque a razão gera respostas não práticas, devendo, portanto, ser guiada pela experiência e utilizada de modo indutivo: ir gradualmente, do conhecimento particular ao geral.
Segundo o Bacon, há outro obstáculo na obtenção do conhecimento científico, que ele denomina de “Ídolos”, os quais são enquadrados em quatro pilares: Ídolos da tribo, relacionam-se às distorções da mente humana; Ídolos da caverna, vinculam-se às relações estabelecidas pelo homem com o mundo ao seu redor; Ídolos do foro, os quais referem-se ao indivíduo e suas relações sociais; Ídolos do teatro, que se situam nas representações teatralizadas e impregnadas de equívocos e superstições.
Todos estes pilares são muito atuais e visíveis em nossa sociedade, como, por exemplo, na estreita relação existente entre o conceito dos Ídolos da caverna e as informações que o mundo ao redor do indivíduo fornece, como a sua formação, educação, leituras, e a influência midiática no pensamento das massas. Tal fenômeno pôde ser notado na última eleição presidencial ocorrida no Brasil, quando o antipetismo foi semeado pela grande mídia através de notícias com teor selecionado e publicadas em momentos estratégicos. A execução mais óbvia desta manobra foi a publicação, pela revista Veja, na semana anterior ao segundo turno, da matéria de capa a qual dizia que Lula e a presidenta Dilma sabiam sobre as transações corruptas ocorridas na Petrobras. A revista, entretanto, não possuía provas concretas para sustentar as acusações, portanto tinham o objetivo de ferir a imagem de Dilma Rousseff e, assim, influir no resultado das votações. Mesmo com a reeleição da presidenta vemos o desenrolar do sentimento antipetista nos pedidos de impeachment, ainda alimentados pela grande mídia.
Logo, podemos notar que conceitos baconianos, como a presença dos Ídolos e a antecipação da mente, são ainda bastante atuais e relevantes na sociedade pós-moderna e influenciam e se fazem presentes nos fenômenos sociais hoje. Fazendo, assim, com que a teoria de Bacon não se torne ultrapassada e continue válida como instrumento de análise dos fatos contemporâneos.

A importância da experiência para o estudo do Direito

Francis Bacon em sua obra Novum Organum, de 1620, discute a importância da experiência e do experimento para a ciência, considerando-os como parte essencial do caminho até a razão e apresentando uma nova maneira de se fazer ciência, considerando que um experimento não deve ser feito para provar uma tese e sim a tese que deve ser formulada a partir dos experimentos para que não haja manipulação dos resultados.
Ao considerar o Direito como uma ciência social aplicada, podemos observar a importância de experiências anteriores: é indispensável ao estudo jurídico a análise das necessidades que a sociedade apresenta em determinada época e a resposta que o Direito elabora para essas questões, de um “caso” e a maneira como os códigos são aplicados e interpretados.
Podemos, a partir desse exemplo, perceber que o pensamento de Bacon continua atual mesmo depois de quase 400 anos, evidenciando a grandeza de sua filosofia.


Giovanna Narducci Turoni
1º Ano Direito Diurno

Idolatria Manipulativa


     Importante filósofo inglês  do século XVI,Francis Bacon desenvolveu um significativo método de pesquisa  baseado na experiência,inovando o cenário filosófico.Para ele,assim como para René Descartes,os sentidos ludibriam o intelecto humano,já que este é cheio de falhas e fraquezas.Assim,em sua obra intitulada “Novo Organum” ,são apresentadas diversas formas que impedem a razão humana de se manifestar plenamente,tratando principalmente da mais perigosa:a idolatria.
     Segundo o autor, os ídolos possuem quatro vertentes: os da tribo; os da caverna; os do foro e os do teatro. Na realidade contemporânea, o senso comum domina com seus falsos silogismos, visto, por exemplo, na teoria socialista. Nela, os sentidos humanos demonstram-se enganosos ao buscarem uma integração inalcançável e baseada, portanto, principalmente em um dos piores ídolos- os da caverna. Este se guia pelos homens enquanto indivíduos, trilhando uma caverna que os priva da luz da natureza, o que impossibilita aos homens ver a verdadeira realidade.

     Assim, a idolatria, alojada profundamente no intelecto humano, é um mal a ser combatido. Para o filósofo empirista, ”o homem se inclina a ter por verdade o que prefere”, portanto para que essa realidade mude -ou ao menos diminua- é necessária uma intervenção profunda no intelecto humano, por meio de doutrinas que prezem a experiência e não silogismos.

Cibele Lasinskas Machado-direito noturno

Francis Bacon e a experimentação

Bacon se consagrara um grande filósofo e pai do empirismo moderno ao propor seu novo método, o indutivo, para se atingir o conhecimento. Tal instrumento se servia, sobretudo, da experimentação da natureza para tentar chegar a uma ideia que pudesse ser repetida.

Mesmo tendo antecipado o Discurso do Método, já fazia críticas ao uso exclusivo do racionalismo proposto por Descartes, uma vez que considerava os esforços da mente, pautados pela dialética, passíveis de erros. Isso se deve ao fato da mente humana dispor do que ele chama de “ídolos”, isto é, falsas percepções do mundo.

No campo das relações sociais, dois desses ídolos estão constantemente presentes: os da caverna e os do foro (ou comércio). Primeiramente, os ídolos da caverna se baseiam na questão da formação de cada indivíduo, pois cada qual dota de pré-juízos dos quais, muitas vezes, não se desfaz, mesmo com provas contrárias a eles. Já os ídolos do comércio, se dão devido as divergentes formas de interpretação sobre informações vindas de contatos pessoais.

Além disso, também critica a filosofia tradicional, tal como René, afirmando que esta era meramente contemplativa e, não visando promover possíveis benefícios aos homens.


Por fim, Francis Bacon compara um bom empírico a uma abelha, já que ele aproveita o que a natureza e as experiências o oferecem, e por uma arte própria racionaliza tais informações e as organiza de forma ascendente, visando uma base confiável para o conhecimento adquirido.

Gabriel Gonçalves Zanetti - Direito Noturno

Cura da mente?

Sei que dois e dois são quatro.
Porém, que efeito possui tal conhecimento e prudência
Se a mais inestimável das coisas, a experiência,
For subestimada – como fez Descartes
Valendo-se sobretudo da razão e suas partes?

Um novo método seguirei então:
De Aristóteles, refutarei o paradigma
Onde as ciências naturais, sua dialética corrompia
E subordinava a experiência à razão.
Seria a cura da mente a indução?
De tudo, serei atento aos experimentos
E hei de buscar, portanto,
Elucidar o mundo e condenar os santos.

Visto que o século é XXI, ídolos
Eclodem em cada esquina e vilarejo;
Menos fastidioso é ater-se às distorções
Pela mente humana provocadas. Ídolos
Do mundo, falsas percepções.

Isabelle Elias Franco de Almeida
1˚ ano - Direito (noturno)
Introdução a Sociologia - aula 3

                     Os âmbitos das falsas percepções do mundo 


     Na obra “Novum Organum” , Francis Bacon , fala da interpretação do mundo pela experiência e sobre quatro ídolos que são falsas percepções do mundo.Para esse filósofo, a razão estava ligada intrinsecamente a experiência , a qual deveria explicar a natureza. 

       Entre os ídolos de Bacon, existe o ídolo da tribo , em que é a interferência das paixões e da incompetência dos sentidos distorcendo a mente humana. O ídolo do foro , ou da feira ( espaços públicos que envolvem o comércio ) , em que o bloqueio da mente ocorre por causa das relações pessoais, sociais e das associações desse indivíduo . Há também o ídolo do teatro , que se vincula às representações teatralizadas , as quais possuem equívocos e superstições  , como o sistemas filosóficos, a astrologia e a magia. 

       Por último , existe o ídolo da caverna , o qual se relaciona com a interação do indivíduo com o mundo, está ligado à formação do indivíduo , às leituras e `a educação. Isso pode ser concretizado pelo fato de um indivíduo ter seu conhecimento e percepção do mundo apenas pelo prisma de sua formação inicial , aos do que os seus pais ensinaram , ao do que ele visualiza, a educação recebida , atualmente ,pelos os meios de comunicação ( os quais , na maioria das vezes massificam a informação e transmite parte do verdadeiro conhecimento , alienado a população )  que influenciaram na formação daquela pessoa. Esse ídolo da caverna pode também ser relacionado com o Mito da Caverna de Platão , em que os homens , os quais viviam na caverna , conheciam o mundo por apenas o que viam através das sombras, tendo falsas percepções do mundo . 

Beatriz Palhares 
Primeiro ano diurno 

Bacon na educação contemporânea

         Francis Bacon, colocado por alguns historiadores como o “profeta da técnica”, propõe ao longo de sua obra uma Instauratio Magna – a grande restauração. A partir dela, buscava substituir a metodologia vigente desde Aristóteles, apresentando uma nova forma de ciência não mais contemplativa, mas que sirva para o bem estar do homem. Para isso, desenvolve um método a ser seguido a partir da indução (ponto de divergência com relação a Descartes, que segue a linha dedutiva), no qual se chega à verdade a partir do estudo e da observação, sendo a experimentação imprescindível nesse processo. Bacon torna – se, dessa forma, o pai do método experimental.
            Isso representa uma ruptura com o modelo de educação medieval, fortemente influenciado pela metafisica, na qual o ensino vivia em simbiose com a igreja. Inaugura um novo modelo, aplicado até hoje, mais objetivo e baseado na experiência. Enquanto Aristóteles defendia que “a experiência é escrava da razão” e, portanto, visava adequar suas experimentações a aquilo que sua razão propusera, Bacon defendia exatamente o contrário: a pesquisa não deve ser feita para provar uma teoria, a teoria deve ser formulada a partir da experimentação.
            A área de pesquisa científica segue – ou deveria seguir – essa linha. É claro que a pesquisa se dá a partir de uma ideia, mas essa ideia não pode não pode levar a manipulação de dados em uma pesquisa. Esse preceito é fundamental para que se busque a neutralidade do conhecimento, mesmo que este ideal seja utópico. Além disso, a experimentação como referência para a veracidade do conhecimento parece, de fato, mais válida do que a razão humana, tão variável.
            Bacon, em Novum Organum, descreve dois métodos para alcançar o conhecimento: o primeiro consiste no cultivo da ciência, método proposto até sua influência e de Descartes, caracterizado pela antecipação da mente: a partir dela, o ser humano cria o senso comum, tido hoje como um dos maiores inimigos da ciência e da razão plena; o segundo método, da descoberta científica, visa a interpretação da natureza e é a partir do qual se fazem novas descobertas, uma vez que o homem se liberta do senso comum e busca conhecimento por vias ainda não exploradas. É a partir do segundo método que a ciência contemporânea deve ser desenvolvida, seguindo o ideal de uma ciência que sirva para o bem do ser humano, e não meramente contemplativa.

            Vale lembrar que a relação de Bacon com a figura divina é semelhante a de Descartes: apesar de sua crítica a influencia religiosa na educação, Bacon não defende o ateísmo ou quaisquer afastamentos do homem de Deus. Do contrário, ele defende a facção de uma ciência que, a partir da experiência (para Descartes, como defensor da dedução, a partir da razão), aproxime o homem do “arquiteto da natureza”. Sua crítica, portanto, não é a Deus, mas a forma com que a igreja prega sua busca. Pode – se utilizar suas ideias para defender, por exemplo, o ensino laico, sem influencia da religião, mas nunca de um ensino ateu

Heloisa Areias
1º ano de Direito diurno

Ídolos baconianos e sua relação com o fenômeno dos justiçamentos


     Desde meados de 2013 observamos no Brasil um fenômeno crescente de violência, os justiçamentos. Tal fenômeno ocorre quando um grupo de indivíduos auto-intitulados ‘homens de bem’ resolvem fazer justiça com suas próprias mãos,ou seja,julgar e punir com a agressão física e verbal indivíduos considerados infratores.
    O fenômeno dos justiçamentos pode ser explicado pela idéia de dois dos ídolos que,segundo Francis Bacon,deveriam ser evitados: os ídolos da caverna e os ídolos do foro.
    Os ídolos da caverna são as relações estabelecidas pelo homem com o mundo a sua volta e age ,no ato da justiça com as próprias mãos, quando o individuo usa de violência para combater a violência uma vez que não sente-se seguro com o mundo no qual está inserido já que o Estado não proporciona a devida segurança. O justiceiro,guiado por esse ídolo,tem sede de mudar o meio a sua volta e por isso torna-se cego e comete o mesmo crime que julgou.
   Já os ídolos do foro(feira) fazem referencia ao individuo e suas relações sociais. Tal idolo permite que haja uma consciência coletiva de vontade de justiça,a qual envolve um grupo social que acaba sendo levado pela massa e cometendo as agressões,esse fato nos permite entender o motivo dos justiçamentos serem frequentemente realizados por mais de um justiceiro,geralmente por um grupo deles.

    Conclui-se então que o pensamento baconiano se faz presente na contemporaneidade já que seus ídolos continuam presentes na sociedade trazendo falsas percepções do mundo que acabam por culminar em atos vazios de razão como os justiçamentos e,portanto,devem continuar sendo combatidos a fim de que se construa um pensamento mais racional e humano ao contrário daqueles que nos encaminha de volta à barbárie como faz esse fenômeno de justiça pelas próprias mãos.
                                                               
                                                              Bruna Krieck Farche,1º ano,diurno

Meus sentidos dizem que sim, então provavelmente não é

Desde o surgimento de um ser racional na Terra há a criação de proposições e axiomas. Nesse sentido, Francis Bacon, em sua época, percebe que muito daquilo que se aceitava como verdadeiro traduziam falácias enrustidas, introduzidas por noções falsas (Ídolos Deletérios) e aceitas pelo intelecto do ser humano.
Assim como antigamente, a sociedade está permeada de tais noções. Contudo com o avanço da tecnologia os, denominados por Bacon , Ídolos do Foro ampliaram o campo de atuação através da evolução da mídia, que possibilitou a maior transmissão de palavras distorcidas por classes dominantes afim de manipular o povo.
Ademais, os avanços na forma de encaminhar a informação também permitiram uma maior presença dos Ídolos da Tribo, envolvidos com os sentidos das pessoas, fazendo o indivíduo aceitar tudo aquilo que aparenta ser verdadeiro, sem a comprovação por experimentos, aproximando-se do Senso Comum.
No Novo Organum redigido por Francis Bacon há uma clara crítica a essa aceitação visto que os sentidos humanos não são confiáveis e por isso deve-se atentar para não ser induzidos a escolhas erradas.
                       Victor Lugan - 1 ano de Direito- noturno

Bacon e a ciência moderna

            Na história da filosofia, diversos pensadores elaboraram teorias do conhecimento, como Descartes(racionalista), Kant(criticista) e David Hume(empirista). Sobre esta ultima corrente, outro filósofo se destacou, não apenas por defender o experimentalismo, mas principalmente pela contribuição que sua tese concedeu para o surgimento da ciência moderna. Essa é uma referência a Francis Bacon, pensador do século XVI.
            Ao valorizar o método indutivo, parte da análise da natureza, observando a realidade íntima das coisas, para se chegar a verdades gerais. Diferente disso, o silogismo aristotélico parte de afirmações mais amplas para se deduzir algo específico e, por esse motivo, Aristóteles foi tão criticado por Bacon. Assim, a ciência moderna segue sua proposta, pesquisando sobre os fenômenos naturais, entendendo o funcionamento de cada ser vivo para se chegar ao conhecimento da ampla e complexa dinâmica da natureza.
            No âmbito do direito, uma semelhança perceptível com o experimentalismo baconiano está no fato de as leis serem revistas de acordo com as mudanças da realidade social. Ou seja, as normas se adaptam à medida que a sociedade passa por transformações e isso só é possível a partir da observação e  interpretação dos acontecimentos, algo previsto por Bacon a séculos atrás.
            Desse modo, a razão deve ser guiada pela experiência, no sentido de que o homem deve estar sempre aberto para perceber o que está diante dele, através do uso dos sentidos para que ele possa depois, por meio da razão, formular suas conclusões. Com isso, evita-se as antecipações da mente que levam a formação de ídolos, os quais constituem noções falsas.


Diogo Heilbuth
Direito Noturno

Bacon e "The Corporation" - as modificações na natureza




      A intervenção na natureza, característica da sociedade burguesa, é sempre relacionada à filosofia positivista - que de fato guiou os pensamentos capitalistas -, porém antes destes pensadores, Francis Bacon em seu "Novum Organum" já afirma que a ciência tem a capacidade de mudar os meios físicos. Tal afirmação revela uma valorização da mente (razão) humana, pois esta é considerada agora capaz de entender processos físicos e adaptá-los, transformá-los conforme se deseja. Esse pensamento atrelado à busca ao capital, nos encaminhou a um mundo totalmente voltado às aspirações do mercado, em que tal habilidade de intervir na natureza perdeu controle.
      As constantes mudanças nos meios naturais, resultantes dessa filosofia, causaram um grande desequilíbrio no planeta, pois foram desconsideradas peças importantes em cada sistema orgânico; em detrimento destes, o homem buscou sempre o enriquecimento e o status. No capitalismo surgiram as empresas (corporações) que potencializaram o poder econômico, político e destruidor do homem.
      O documentário "The Corporation" trata das influências, importâncias e do poder dessas grandes empresas atualmente; mostrando, também,  como que seu crescimento chegou a um patamar em que suas ações ultrapassam limites éticos e morais da sociedade. Além disso trata sobre a devastação causada pelo avanço dessas organizações, que descartam lixo e resíduos tóxicos em rios e poluem o ar com substâncias perigosas, mesmo tais ações sendo proibidas e as empresas dizendo-se sustentáveis.
      Vê-se que o pensamento "baconiano" foi - de certo modo - deturpado, pois para Bacon a experiência deve guiar a razão, ou seja, os resultados obtidos de cada movimento deveriam ser considerados e reavaliados para uma nova interpretação do "experimento". Porém o valor dado ao capital é muito maior do que o da natureza (dos recursos ainda disponíveis) e da destruição causada e cada vez mais lucramos em detrimento dos sistemas orgânicos.



                                                                                                                             Roan Dias
                                                                                                                            1ºano Direito-diurno
                                                                                                                            Aula 3

Francis Bacon e o movimento socialista

   Ao final do século XIX, os sociólogos e economistas Karl Marx e Friedrich Engels elaboraram um novo sistema de governo, numa pequena brochura chama "O Manifesto Comunista". O livro, considerado um opúsculo por alguns, revolucionou a forma como a Europa pensava a ciência política e abalou as estruturas sociais do continente ao longo do próximo século.
  O discurso socialista foi amplamente difundido e apoiado pela classe operária ao longo dos próximos 50 anos, Ele permitiu que a Revolução Russa de 1917 triunfasse e desse início a um verdadeiro império, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, que reuniu diversos países do Leste Europeu e norte asiático sob suas asas. Devido à fé que a classe trabalhadora colocou no socialismo, o capitalismo, representado pelos Estados Unidos da América, deu início a uma guerra ideológica a partir de 1945, que não terminaria até a ruína da URSS, em 1991.
    Os 46 anos de Guerra Fria esfriaram a ânsia revolucionária que, antes, empolgava operários de todo o mundo. Atualmente, vê-se, no Brasil, uma grande rejeição da classe mais pobre ao socialismo. Parte desse nojo pode ser colocado na conta da falta de propaganda do socialismo, que se fechou ao mundo depois da queda de seu principal pólo representativo. Outra parte, no entanto, podemos justificar usando o discurso de Francis Bacon, um filósofo inglês do século XVII.
   Bacon propôs o "Novum Organum" - um novo instrumento para a transformação do mundo; um novo método de pesquisa científica. Nele, ele criticava duramente as constatações a que se chegam apenas pela dedução, sem ter um substrato na vida real. Isso, para todos os efeitos, inclui o socialismo - uma teoria bonita, mas que tem dificuldade de ser assimilada pelo trabalhador médio, devido à ausência de experiências práticas, ou informações sobre elas. O socialismo é, na prática, nada além de retórica. Tem, portanto, uma grande distância em relação à vida dos trabalhadores, que são os que mais se beneficiariam dele.
   O problema da teoria socialista não é a teoria em si. Ela representa, para a maioria das pessoas, o mundo ideal. A grande dificuldade do socialismo é a sua distância. Ao contrário do capitalismo, facilmente palpável e visível em todos os cantos do mundo em que vivemos, o socialismo é algo distante na história e na geografia; isso afasta o cidadão médio das informações disponíveis sobre o sistema socialista, e facilita sua manipulação por meio da mídia. Para engajar o trabalhador na luta, os ramos atuais do socialismo deveriam expandir as informações sobre a experiência prática do socialismo de forma imparcial, ainda que barulhenta.

Limite empírico

Anti-aristotélico, Francis Bacon criou um novo método científico baseado em induções graduais e progressivas. Empirista, o filósofo buscou conceituar duas vias de investigação, sendo a primeira a antecipação da mente – ineficaz para atingir o conhecimento – enquanto a segunda refere-se à interpretação da natureza, limitada pelo alcance das percepções trazidas pelos sentidos. O inglês condena a ciência que baseia em descobertas anteriores e busca uma ciência investigativa, pragmática e aplicável, sem teorias exaustivas e pouco conclusivas, tais como os “estéreis” silogismos aristotélicos.
A fim disso, Bacon disse ser impossível atingir o conhecimento se houvesse em nós a influência dos ídolos. Estes conceituados como falsas percepções e divididos em quatro: tribo, caverna, foro e teatro. Se os próprios sentidos não são sempre confiáveis, deve-se entender como e quando se prevenir, usando a razão como guia.
Posto isso, percebe-se o avanço do fazer ciência nos vários âmbitos da sociedade, dentre eles, a medicina. Então, como Bacon influenciou as novas descobertas científicas? Ao citar o exemplo hodierno da inseminação artificial – técnica criada para deposição mecânica do sêmen no útero da mulher - a criação pode ser entendida pelo método baconiano, uma vez que  John Hunter realizou diversas experimentações e observações em busca de meios que se adequassem a sobrevivência do líquido masculino e assim fez o uso de suas percepções, ao realizar testes nunca antes tentados, já que se achava impossível gerar um feto sem o próprio ato sexual. O querer “ir mais além” de Hunter é visto como essencial, pois significou uma grande vitória sobre a natureza, além de beneficiar diversos casais.
Contudo, deve-se ressaltar alguns erros acometidos pelo o londrino, tais como a inutilidade dada as teorias e a invalidação das descobertas anteriores como base para as novas descobertas. Atualmente, sabe-se que a ciência é tal como é, muito em virtude de estudos anteriores, sendo a linguagem matemática e teórica de grande valia para entender o mundo no seu espaço-tempo. Assim, como nem tudo pode ser comprovado empiricamente, desconsiderá-las empobreceria a evolução científica. Por isso, o método concedido pelo o autor de "Novum Organum" seria criticado posteriormente e aperfeiçoado por outros filósofos como David Hume.

                               Leonardo Borges  Ferreira - 1ºano - direito noturno

                               Introdução a Sociologia - aula 3

EXPERIÊNCIA, GUIA DA RAZÃO

Francis Bacon, importante filósofo e político inglês do século XVII, propõe em sua obra “Novum Organum” que a observação e a experimentação são as chaves para a ciência pura. Por inaugurar o empirismo –conhecimento alcançado através da observação– Bacon é considerado, juntamente a Descartes, pai da ciência moderna.

Enquanto Descartes privilegia a razão, Francis Bacon crê que esta deve ser guiada pela experiência. Ambos são influenciados pelo contexto em que estão inseridos, havendo a ascensão da classe burguesa e, assim, a necessidade de sistematizar o conhecimento com a finalidade de transformar e civilizar o mundo.

A partir desse ideal de empreendimento do mundo, Bacon é contrário aos antigos filósofos, que apenas contemplam, sem um objetivo prático. Para o filósofo, este método, chamado de Cultivo das Ciências, por estar na consciência humana e ser de fácil assimilação, é a base para o senso comum. Ele se opõe também à magia, já que não podemos vê-la, interpretá-la pela experiência.

A Descoberta Científica, outro método da ciência, é o que possibilita a interpretação da natureza, ao combater os chamados ídolos (da tribo, da caverna, do foro e do teatro), falsas percepções impregnadas no conhecimento humano. Esses estão, ainda hoje, presentes na sociedade, como exemplo a grande parte dos brasileiros que são desfavoráveis ao aborto de anencéfalos devido à crenças religiosas.

Na atualidade, a ciência jurídica é exemplo da influência dos ideais de Bacon. Os códigos, de acordo com as experiências íntimas sociais, são interpretados de maneiras distintas. É por essa contemporaneidade que Francis Bacon é, até hoje, um dos filósofos mais estudados e discutidos.

Uruguai não tem mortes ligadas ao tráfico desde que legalizou maconha

    Intitulando meu texto, ponho uma manchete publicada no Jornal O Globo no ano passado. A dita notícia chama a atenção do leitor para a ausência de mortes ligadas à venda de maconha desde que o governo uruguaio regulamentou o cultivo, o comércio e o uso da droga no início de 2014. Minha intenção ao citar tal notícia é clara: Não deveríamos, ao tratar das drogas, basear nossas políticas em experiências concretas, ao invés de tomá-las com base no senso comum, em uma clara e típica antecipação da mente, a de achar de que a solução para o problema das drogas é a sua proibição?
      Francis Bacon, em sua obra Novum Organum (1620), propõe que a solução apropriada para repelir os ídolos — noções falsas arraigadas no intelecto humano, dificultando o acesso à verdade — seja, em suas próprias palavras, “a formação de noções e axiomas pela verdadeira indução”. Há décadas o combate às drogas é um dos principais assuntos em voga na Sociedade. Também por décadas os governos vêm tentando combater esse problema de saúde pública com a proibição e repressão de seu comércio e uso. Todavia, é óbvio na atualidade que tal método apenas reforça o poder do tráfico e causa prejuízos para o Estado e para a Sociedade. Certos países como Uruguai e Holanda e estados americanos como Washington já impuseram medidas alternativas de combate, que vêm, como demonstrado na notícia que dá nome a esse artigo, tendo resultados muito mais satisfatórios que a velha ideia da repressão.
    Esse texto não deve ser tratado como uma ode ao consumo de drogas. Deve, sim, ser visto como a constatação de que, nos baseando em noções falsas, temos tomado decisões erradas no combate aos narcóticos ilícitos que, por sinal, são tão nocivos quanto muitos fármacos facilmente comprados em farmácias e outras drogas como o tabaco e o álcool, amplamente aceitos pela sociedade brasileira. Deveríamos, logo, fazer maior uso de experiências bem sucedidas e concretas no embasamento de nossas decisões, como já defendido por Bacon quatro séculos atrás.


Paulo Cereda
1º ano - Direito (diurno)
Introdução à Sociologia - Aula 03

Os ídolos de hoje

O filósofo empirista Francis Bacon tinha como grande objetivo de sua vida realizar uma reforma no conhecimento. Para ele, a filosofia até então produzida não apresentava nenhum resultado prático para a vida humana. O conhecimento deveria ser utilizado pelo homem para controlar a natureza através do uso de um método científico.
Esse método baseava-se  na experimentação, investigação e observação do mundo como instrumentos  para posterior explicação das coisas como elas realmente são apresentadas. Além disso, o homem precisava expurgar suas falsas crenças, seus preconceitos e sua ignorância. Ou seja, os ídolos.

Fazendo um panorama com o mundo atual, podemos identificar os ídolos como algo constante em nossa sociedade. Diariamente, somos “alimentados” com notícias sensacionalistas,  opiniões rasas e falsos silogismos. Além disso, podemos observar que a maior parte da população não se interessa por assuntos essenciais para a vida em sociedade. Política, educação e cultura são assuntos esquecidos enquanto a indústria cultural é um grande polo de “consumo”. Para Bacon, isso é um tremendo erro, são perigos que nos afastam do conhecimento pleno.

Fernando Risso
Direito diurno 

Reflexões sobre o estado da produção científica nacional

No contexto atual brasileiro, a ciência é uma das últimas prioridades do governo, enquanto deveria estar entre as primeiras. Sempre com o discurso de economizar recursos para áreas mais "importantes" da sociedade, congressistas e governadores cortam de uma só vez a credibilidade científica do país. Dessa maneira, já fomos expulsos de vários projetos internacionais de cunho científico, como da Estação Espacial Internacional (ISS, em inglês); e estamos prestes a nos ver expulsos do Observatório Europeu do Sul, projeto que colocaria o país no meio da maior comunidade astronômica do planeta. É percebível então a visão de que as ciências em geral, principalmente a astronomia, são vistos como "inúteis" aos olhos dos políticos brasileiros, uma vez que não produziriam resultados digamos, pragmáticos e consequentemente populistas. 
Todavia, isso não passa de hipocrisia por parte de muitos desses políticos, pois enquanto o Congresso Nacional custa R$ 20 bilhões por ano, o orçamento inteiro do Ministério de Ciência e Tecnologia não passa dos R$10 bilhões. Seria cabível então ressaltar aos gestores públicos, que a ciência é crucial na construção de uma democracia realmente livre, pois essa mesma ciência tem, segundo Francis Bacon, o papel de desmistificar a realidade. Ao acabar com o senso comum, a ciência eleva o ser humano,e em contraponto ao próprio senso comum, pode ser sim muito pragmática e trazer resultados palpáveis. O próprio ramo da Astronomia que esses políticos julgam ser tão desnecessária no contexto atual do país, nos trouxe de satélites aos sucos em pó.

Túlio Tito Borges - Primeiro Ano Diurno

O pragmatismo científico de Bacon

Possivelmente o mais conhecido filósofo desde a Antiguidade, Aristóteles, e seu raciocínio silogístico foi criticado em Novum Organum, de Francis Bacon. A partir daí, já se pode notar a grandiosidade  de sua obra, na qual Bacon analisa e  examina o percurso da filosofia e o método da pesquisa até sua época.
Pode-se afirmar que a busca de uma pesquisa  confiável é temática central da obra. Para alcançá-la, seria necessária a observação e experimentação pautada pelo raciocínio indutivo. Bacon entendia que a neutralidade absoluta era impossível, mas afirma que o cientista não deve se deixar levar por  falsas  percepções do mundo - os ídolos, os quais o autor divide em: ídolos da tribo, que vinculam-se às distorções provocadas pela mente humana; ídolos do foro, referentes ao indivíduo e a influencia de suas associações; ídolos do teatro, que são as representações teatralizadas e impregnadas de equívocos e superstições; e os ídolos da caverna, que vinculam-se às relações estabelecidas pelo homem com o mundo a sua volta.
Francis Bacon defendia um método de pesquisa  voltada para a praticidade, sendo que os estudo não poderiam ter um fim em si mesmo - uma visão pragmática  para a ciência. O filósofo critica, assim, a finalidade meramente teórica e pouco contemplativa da ciência, comparando os filósofos  anteriores a ele com aranhas que tecem teias maravilhosas, mas com material extraído de si mesmos, permanecendo alheios  a realidade.
Com a obra Novum Organum, Bacon revolucionou a ciência, a filosofia e influenciou até os estudos jurídicos, sendo o primeiro a formular o princípio da indução científica, a partir de que suas ideias permitiram, hoje, um  método capaz de chegar mais perto da verdade e da busca pela razão a partir da observação e da experiência, fugindo do proposito tão somente teórico e pouco pragmático da filosofia anterior a ele.

Alexandre Bastos
1º ano -Direito Diurno
Aula 3

A contemporaneidade do pensamento baconiano  



Francis Bacon foi um importante filósofo londrino, cujo principal legado foi o livro "Novum Organum", no qual ele apresenta um método de pensar guiando-se pelos fatos observados, o que revolucionou a pesquisa científica. Esse procedimento foi além da ciência , influenciando diversas áreas do conhecimento , dentre elas o direito. 

A ciência jurídica , no geral, teve sua forma de raciocinar inspirada em Bacon porque o direito baseia-se  nas demandas sociais ,ou seja, estuda-se a sociedade e com base nos  dados adquiridos , se aprova um norma que garantirá uma melhor vida em sociedade.Um bom exemplo disso é o direito inglês , no qual a experimentação é crucial, sendo as doutrinas existentes tiradas de casos passados.

No entanto, a influência dessa forma de raciocinar não se limita aos países anglo-saxões, ela se estende inclusive ao Brasil. Nele,ocorre um processo antropofágico, no qual são absorvidos o pragmatismo e o empirismo dos ingleses e americanos, juntando isso ao jeito nacional de se utilizar a razão, criando assim uma forma distinta de se trabalhar o direito.

Portanto, a tese do Bacon afetou imensamente a atualidade, não só no âmbito científico,mas também em várias áreas , como o direito. Com isso , percebe-sea contemporaneidade do pensamento baconiano.  

                                                                     rafael oliveira de miranda 
                                                                     1 ano de direito

Bacon, a dialética e os ídolos atuais

    Francis Bacon inovou o cenário filosófico. Destacou enfaticamente os poderes da mente humana, muitas vezes, segundo ele, utilizados de maneira errônea. Em sua obra “Novum Organum”, o filósofo propõe um novo método de ciência, pautado essencialmente pela experimentação. Acreditava, assim como René Descartes, que os sentidos poderiam apresentar uma visão errada da realidade, mas, apesar desse fato, para Bacon, eles eram importantes para julgar os experimentos. Os dois filósofos concordavam, ainda, da necessidade de dominação do homem sobre a natureza, para benefício próprio.
   Bacon nega a ciência da época, que para ele se caracterizava como “combinações de descobertas anteriores”, e não um novo método. Criticou ferrenhamente a dialética demonstrada por Aristóteles, tida em seu tempo como ferramenta de chegada à verdade absoluta. O empirista diz que esse processo servia unicamente para o exercício da mente, e não haveria concepção de qualquer verdade, pelo contrário, firmariam-se os erros do pensamento. Detalhou o caminho ao saber: o ser, nas vias de se atingir o intelecto, primeiramente se apoia na dialética, por essa ser uma forma de obtenção de conhecimento mais geral. Depois, tenta seguir para o meio correto, porém, não há um proveito adequado, pelo vício da dialética, a qual recrimina a experiência, fundamental para Bacon na criação de uma erudição. Com seu novo método, então, haveria a cura da mente daqueles simpatizados com o pensamento aristotélico, podendo finalmente conceber a ciência.
    Existem noções falsas, contudo, que podem atrapalhar essa concepção: os ídolos. Eles podem existir de três maneiras, dependendo da forma com que agem na mente e a partir de onde agem. Ídolos da tribo são aqueles surgidos da limitação da natureza humana quanto aos sentidos e sentimentos, atrapalhando o recebimento de impressões. Os Ídolos da caverna são os vindos da individualidade de cada um: o nível de conhecimento irá depender da visão de mundo, da educação e habilidades obtidos ao longo da vida. Os Ídolos do foro são os dependentes da interpretação e manipulação de palavras, podendo o homem alienado e insinuado chegar a conclusões “fantasiosas”. Há, por fim, os Ídolos do teatro, os quais são caracterizados pelo mundo irreal que demonstram, mostrados para Bacon na filosofia tradicional e na ciência que estava em vigor. 
  A filosofia baconiana nunca foi tão atual. Na sociedade contemporânea, possuímos, principalmente, os ídolos do foro e do teatro. Vivemos em um mundo completamente influenciado por marcas e pessoas. O dito por uma propaganda, por exemplo, logo se torna uma máxima, sem qualquer espécie de verificação, deixando o ser humano cada vez mais debilitado intelectualmente. Governos ditadores também usufruem deles, alienando toda a população através da manipulação de palavras e da criação de um “mundo perfeito” que só se encontra ali, a exemplo do que ocorre na Coreia do Norte. A eliminação de todos os ídolos e o estabelecimento da ciência, portanto, nunca estiveram mais difíceis, grande parte devido ao papel da mídia hoje e ao bombardeamento de informações, em sua maioria, imprecisas.

Arthur Augusto Zangrandi 
1º ano Direito noturno

Bacon e ídolos do teatro


          Francis Bacon, em seu livro Novo Organum afirma que a razão deve ser escrava da experiência e que esta seria o único caminho para a verdade, portanto toda fantasia deve ser deixada de lado inclusive a religião e a astrologia.
         Os ídolos do teatro, como são 'classificados os estudos religiosos e astrológicos, para Bacon, são representações teatralizadas e impregnadas de equívocos e superstições que atrapalham o indivíduo em sua interpretação da natureza.
         Abrir o jornal para ler o horóscopo é enganar a mente e desviar-se da verdade. Estes são desenvolvidos apenas com o intuito de "dizer o que o público quer ouvir", escondendo a realidade mas criando certa esperança nessas pessoas.
         Apesar de não deixar explícito, percebe-se em sua obra que Bacon acredita que que assim como a astrologia, a religião deixa a mente do homem nebulosa e o distancia do caminho para a verdade, pois impõe dogmas que inibem o questionamento e assim, a descoberta científica.
                                                                                              Ana Flávia Ribeiro - 1º ano direito diurno
         

Como nossos pais

Na tradição clássica, especificamente para Aristóteles, o poder dividia-se, sobretudo, em poder paterno, poder despótico e poder político. O primeiro tipo, do qual trataremos em particular nesta postagem, baseia-se no domínio que os pais exercem sobre os filhos, a partir, além da natureza de genitor e rebento e da força física, da experiência e sabedoria daqueles.
Francis Bacon estabelece, em sua obra Novum Organum, um método científico para atingir o conhecimento verdadeiro do mundo à sua volta. Este método consiste no uso dos sentidos, na observação e análise racional da realidade. Podemos estabelecer uma relação entre este método e o conceito de sabedoria, que é o conhecimento adquirido através dos anos, ou seja, da experiência.
Tendo experimentado as mesmas situações dos filhos, diferindo em uma coisa ou outra, os pais são a razão daqueles pequenos indivíduos ingênuos e com pouco discernimento entre o certo e o errado, entre o bom e o mau. No caso da adolescência, fase da experimentação e do descobrimento, os genitores são de vital importância para o aconselhamento e a condução da prole para sua própria segurança.
A privação por parte dos pais em relação aos filhos quanto a algumas situações gera um conflito de interesses. Aqueles visam a proteção destes de circunstâncias perigosas que certamente irão gerar, de alguma forma, dor ou constrangimento. Os jovens, por sua vez, sentem frustração e revolta, uma vez que anseiam por ter as próprias experiências.
Bacon interviria a favor dos filhos, argumentando que estes teriam conhecimento sobre o mundo e sua realidade somente se "sentissem na pele", ou seja, se passassem por situações que mostrem empiricamente o que é bom e mau, certo e errado. O filósofo defenderia que somente os conselhos dos pais, por mais que estejam recheados de experiência própria, não bastariam para que os filhos fizessem esta distinção e definissem os caminhos que devem trilhar.
As experiências vividas por nossos pais, que deram a eles a sabedoria e o conhecimento que lhes dão o poder sobre nós, filhos, são também por nós vividas, para que tenhamos, também, nossa própria sabedoria e conhecimento, que serão passadas às próximas gerações. Assim, aqui cito uma conhecida música de Belchior, que dá título a esta postagem: "Apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais."

Hiago A. Cordioli
1º ano de Direito, período noturno
Disciplina de Introdução à Sociologia, aula 03.

Fazer ciência é obter uma finalidade prática

     Em sua obra "Novum Organum", Francis Bacon, filósofo londrino, reflete sobre um "novo instrumento", como o próprio nome da obra já diz, para auxiliar a mente humana a realizar novas descobertas e a corrigir as "falsas noções". Para ele, os homens têm a tendência de aceitar como verdadeiro somente aquilo que lhes convêm, sem submeter o conhecimento às experiências devidas.
Bacon afirma que existem dois métodos, "um destinado ao cultivo das ciências e outro destinado às descobertas científicas". O primeiro, chamado de "antecipação da natureza" consiste na tradição, em noções prematuras, e em ideias preconcebidas; e o segundo, a "interpretação da natureza", constitui o método verdadeiro, que tem como base o empirismo.

Este segundo método defende tanto o abandono das "falsas noções", que Bacon chama de "ídolos da mente humana", quanto a realização de um grande número de experiências consecutivas para assim poder se extrair um axioma. Os "ídolos" são quatro: os "ídolos da tribo humana", que são falhas dos sentidos e do intelecto do homem; os "ídolos da caverna", distorções da relação do homem com o mundo à sua volta por conta de suas individualidades, sejam elas sua história de vida, seus hábitos, sua formação ou suas leituras; os "ídolos do foro", falhas na linguagem e na comunicação entre os homens; e os "ídolos do teatro", que são as falsas filosofias e teorias aceitas.

     O filósofo londrino faz críticas à filosofia tradicional como um todo, por ser esta uma filosofia de palavras e não de obras; e principalmente à dialética aristotélica, por ter um método estéril à produção de resultados práticos que beneficiem a vida dos homens, um método que serve somente para alimentar discussões. Ainda nesse meio, ele se opõe ao saber mágico-alquimista, que só alcança algum conhecimento ao acaso e não como resultado de procedimento metódico de experiências.

O conceito de ciência atual tende a concordar com o de Bacon no quesito finalidade prática. As ciências que trabalham com o exercício da mente e com as discussões existencialistas, sofrem grande preconceito na contemporaneidade. Já as ciências que contribuem para o desenvolvimento da tecnologia são vistas com enorme louvor.

                                                       Beatriz Mellin Campos Azevedo
                                                       1º ano Direito Diurno
                                                       Introdução à Sociologia, aula 3.

In Bacon we trust

  Recentemente, o presidente da câmara dos deputados, Eduardo Cunha, desarquivou o Estatuto da Família. Criado, pelo mesmo relator da “cura gay”,em 2013, Anderson Ferreira, deputado membro da bancada evangélica.  O que provocou uma grande mobilização por parte de ativistas nas redes socias. Isso porque, tal estatuto reconhece um único tipo de família: aquela decorrente da união de um homem e de uma mulher. Essa tentativa de supressão dos direito individuais e conquistas sociais da comunidade LGBTT é apenas uma entre várias. Outra medida que causou polêmica diz respeito à pressão pela retirada do kit escola sem homofobia, que visava a esclarecer as diversidades sexuais, combatendo, dessa forma, o preconceito.
 Isso mostra a influência dessa bancada na configuração atual. Tendo em vista que muitos dos deputados que a compõe não conseguem assimilar a ideia da relação homoafetiva, bem como a constituição de uma família a partir dessa relação. Tanto é que, o terceiro deputado mais votado nas eleições de 2014 foi o pastor Marco Feliciano, expressamente contrário à homossexualidade, que certa vez, em seu twitter, publicou: "A podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime, à rejeição". Usam, portanto, desse corporativismo para defender projetos conforme  sua crença.
  Mas por que isso ainda é recorrente na sociedade atual? E por que se permite que os governantes ajam dessa forma depois de tantos avanços na pesquisa empírica do Direito?  Francis Bacon, filósofo britânico, em sua obra “Novum Organum”(1620), explica:  o espírito dos homens é dominado por falsas impressões da mente, dificultando o acesso à verdade e a instauração da própria ciência. Uma vez que, o exercício da mente por si só não é suficiente, por isso é preciso buscar mecanismos de experiências que viabilizem observações concretas da vida social.
  Diante disso, é possível designar, nesse caso, a crença religiosa como elemento delimitador. Isto é, aquilo que domina a mente dos eleitores, os quais, por sua vez, elegem os representantes que compartilham da mesma. Tal perspectiva, então, exerce controle sobre a visão social, visto que prescinde das demandas advindas das diferentes formas de família e de relações. Indo de encontro ao princípio de dignidade humana consagrado na Constituição e à recente aprovação da união estável entre homoafetivos por parte do Superior Tribunal Federal.

 Assim, na visão baconiana, a realidade seria incompatível com a idealização normativo-dogmática e a superação disso repousaria na pesquisa empírica no campo do direito, a qual busca através de um exame empírico realizar práticas que viabilizem transformações positivas que atentandam às necessidades sociais.


Yasmin Commar Curia - Primeiro ano do Direito noturno

Os ídolos de Bacon e a legislação brasileira

     Francis Bacon foi um renomado filósofo inglês, famoso por contribuir à ciência por meio do empirismo, escola pregada por ele em sua obra "Novum Organum". Segundo Bacon, a compreensão do mundo se dá principalmente por meio da experiência, deixando menos espaço para análises puramente racionais, as quais resultariam em meras "antecipações da natureza".
     Ademais, encontra-se em Bacon um discurso extremamente atual, quando o mesmo diz que "a lógica tal como é hoje usada mais vale para consolidar e perpetuar erros, fundados em noções vulgares, que para a indagação da verdade, de sorte que é mais danosa que útil". A partir desse princípio, surgem os ídolos baconianos, os quais constituem falsas percepções que ocupam o intelecto humano, distanciando o homem da verdade. 
     Nesse contexto, podem-se relacionar os ídolos pregados por Bacon com o atual cenário político brasileiro, no qual grandes líderes políticos e religiosos - dois conceitos cada vez mais fundidos - lançam mão de artifícios ideológicos, via manipulação da realidade, como instrumento de legitimação do poder e manutenção de hegemonia política. Exemplo disso foi a aprovação do projeto de redução da maioridade penal no Brasil e o consequente apoio da maioria da população, quando a experiência vivida pelos países que já adotaram tal medida mostra a ineficácia da mesma.
     Portanto, percebe-se a atemporalidade dos ídolos baconianos e seu impacto em diversas sociedades. Deve-se, acima de tudo, afastar e repelir os ídolos, fazendo uso do remédio apontado por Bacon: a indução. A partir dela, a ciência pode fazer o estudo correto da natureza, visando ao desenvolvimento técnico-científico, enquanto que a sociedade pode promover um maior esclarecimento do homem como animal político.


Renan Djanikian Cordeiro
1º ano do Direito Noturno

Experiência e manipulação


Ao contrário da filosofia tradicional, o pensamento baconiano afirma que a razão é importante, porém é guiada pela experiência. Bacon, em seu livro "Novum Organum", propõe uma ciência empirista, onde a retórica não tem vez, dando espaço para a investigação dos fatos como método mais adequado para atingir o conhecimento. Ou seja, explorar o mundo é mais vantajoso e construtivo para a ciência que criar teses a respeito dele com base apenas na razão. 
Além da defesa da experimentação como base para o conhecimento científico, o filósofo afirma que nossas falsas percepções do mundo, as quais ele chama de "ídolos", não nos permitem chegar a uma imparcialidade. Somos o tempo todo influenciados por nossas paixões, sentidos, leituras, relações pessoais, sistemas filosóficos, crenças e, também, por nossa educação e criação ao longo da vida. Desse modo, apenas conhecendo esses ídolos e nos despojando deles ao máximo, podemos nos aproximar de um pensamento imparcial. 


A atualidade das ideias de Bacon pode ser percebida ao observarmos a parcialidade na formação do pensamento ocidental, onde desde pequenos somos bombardeados por ideologias e preconceitos, incutidos em nossas essências pela mídia, pela formação acadêmica e pelo senso comum. Somos incentivados desde muito cedo a criar e nos agarrar a ídolos, de maneira que somos responsáveis por uma ciência pessoal extremamente parcial. Sendo assim, a inovação do discurso baconiano se faz presente no mundo contemporâneo, mostrando a perduração de suas ideias através dos séculos. 

Giovana Galvão Boesso
1º ano- Direito diurno, aula 3.

A experiência, o saber e o poder

     Quando crianças nossos pais tentam nos preparar para o mundo da melhor forma possível, ensinando a diferença do certo e do errado, ensinando como agir diante das diferentes situações. Porém,quando chega a hora de usar algum conselho ou ensinamento, muitas vezes não o fazemos e acabamos passando por situações difíceis,para depois vermos como nossos pais, na maioria das vezes, estavam certos. Só então que conseguimos perceber que eles já haviam aprendido por meio de suas experiências anteriores e repassaram esse conhecimento para seus filhos. Assim como fizeram os pais, Francis Bacon acreditava que deveria ser feito com a ciência, uma interpretação do mundo  através da experiência, aquilo que pode ser vivido, e que esta guiaria a razão.
      O filósofo quebra com a filosofia racionalista até então em prática. A razão deixa de ser suficiente, é necessário o uso da experiência para se chegar a ciência útil que pode ser aplicada na realidade do mundo. Para isto, ele lida com o empírico e confronta tudo aquilo que é fantasioso, como a astrologia, a magia e  superstição.Em adição, o autor do "Novo Organum", formula uma crítica as constatações feitas somente pela razão, sem o domínio do real, daquilo que vivemos, defendendo ainda que a mente não pode guiar-se por si mesma, devendo ser regulamentada pela experiência.
     Para Bacon os filósofos gregos são como nossos políticos atuais, falavam muito mas pouco colocavam em prática. As palavras destes não tinham a natureza transformadora necessária a classe emergente da época: a burguesia. Uma vez que esta demandava por uma ciência dominadora, que pudesse colocar a natureza a favor das necessidades humanas. Era necessária uma ciência transformadora, não contemplativa.
         Assim como o burguesia, que, por possuir o saber, teve meios para dominar a natureza e tudo ao seu redor de acordo com seus interesses, atualmente países que possuem mais conhecimentos científicos nas diversas áreas, como da medicina, da engenharia, da educação, de armamentos bélicos, são também aqueles que possuem maior poder em âmbito mundial, fazendo com que seus interesses prevaleçam sobre os das outras nações. E ao mesmo tempo, constitui-se uma disputa entre os diversos países pelo domínio cada vez mais profundo das diversas ciências, instituindo-se assim, uma competição pelo poder. Verifica-se,pois, a atualidade da visão baconiana, onde o saber é sinônimo de poder.
                                                                       Mariana M. Carneiro
                                                                       1ºano direito-Noturno
                                                                       Aula 3

Bacon e a inauguração da ciência pragmática

É perceptível que, assim como afirmou Francis Bacon no século XVII, “o intelecto humano se deixa abalar no mais alto grau pelas coisas que súbita e simultaneamente se apresentam e ferem a mente” e, dessa forma, é comum que os homens se deixem tomar por certos ídolos. Os Ídolos da Tribo são naturais da formação humana e referem-se à interferência das paixões na construção de juízos e à incompetência dos sentidos em fazer analogias não com o universo e sim com a natureza humana, o que é extremamente prejudicial à ciência até hoje; os Ídolos da Caverna consistem naqueles que todos possuem individualmente e os detêm como uma cova particular, fruto de leituras e da educação, e que resultam em hierarquias que produzem pequenos mundos; por sua vez, os Ídolos do Foro são consequência das relações humanas, do diálogo e do comércio, determinando, assim, o poder da Palavra como instrumento de perturbação humana, visto, por exemplo, nos conhecidos resultados que obteve a oratória e retórica de Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial; e, por fim, há os Ídolos do Teatro, que figuram mundos fictícios e teatrais, como a magia e a astrologia e conseguem inúmeros adeptos a essa crença do poder sobrenatural.
Todos esses ídolos foram determinados por Bacon como os responsáveis pelo bloqueio da mente humana e a conseqüente dificuldade em fazer ciência daqueles que se pautam unicamente nas perspectivas da razão. Dessa forma, o pensador critica veementemente o racionalismo proposto por Descartes afirmando que este institui a ciência como um “mero exercício da mente humana”, a exemplo do grego Aristóteles que – também crente na razão como único instrumento para alcançar o conhecimento científico- “está sempre pronto para tagarelar, mas é incapaz de gerar, pois, a sua sabedoria é farta em palavras, mas estéril de obras”. Com isso, o pensador busca a materialização do conhecimento científico, isto é, que fosse considerado empírico apenas o que pudesse ser observado, perscrutado, investigado e, dessa forma, aplicado pelos homens na dominação da natureza, como feito pela emergente burguesia da época que iniciava suas primeiras manufaturas.
É evidente, então, que limitar a ciência ao suposto conhecimento inato dos homens (razão) é uma forma de ANTECIPAÇÃO da mente que desconsidera o contexto e resulta inevitavelmente no senso comum e no dogmatismo dos ídolos. Assim, o real conhecimento científico, para o pensador, seria proveniente da INTERPRETAÇÃO da natureza, capaz de antecipar o acaso e o futuro por meio do método indutivo e que geraria, de fato, descobertas científicas, e não apenas o cultivo das ciências. É importante ressaltar também que essa capacidade de interpretar a natureza em seu contexto é um instrumento para o aprimoramento da mente e do intelecto – como um tear que facilita o trabalho do tecelão – resultando na supressão das lacunas da mente humana e na consequente constituição da verdadeira ciência, que seria, para Bacon, a representação das reais intenções divinas.

Dessa forma, aplicando o pensador no Direito, vê-se, por exemplo, que a atual perspectiva de união homoafetiva (formação de famílias) - modificada pelo Judiciário há três anos - levou o Legislativo a modificar também o Estatuto da Família, em uma evidente adaptação das leis diante do contexto que pode ser interpretado. Da mesma forma, a ciência moderna não se faz de antecipações, e sim de explorações, observações e interpretações ilimitadas, consistindo em um dos maiores legados de Francis Bacon ao conhecimento científico. Assim, conclui-se que a falácia dos sentidos – da qual os homens rodeados por ídolos são tão vulneráveis – é o maior obstáculo ao avanço da ciência e que minimizá-la diante da importância de submeter a mente a caminhos empíricos é, então, a melhor maneira de evitar o descartável cultivo das ciências para que a própria possa, enfim, cultivar frutos pragmáticos aos homens.



O Empirismo nas sociedades indígenas

A sociedade atual conta com os grandes avanços da medicina para o tratamento e a cura das mais diversas doenças, de modo que à ciência pouco falta descobrir sobre o corpo humano e o que pode afetá-lo. A evolução tecnológica é grande aliada da medicina nesse aspecto, uma vez que esta possui grande dependência daquela numa série de procedimentos importantes.
Apesar disso, sabemos que há séculos atrás, no Brasil, antes da colonização, os indígenas possuíam grandes conhecimentos a respeito da saúde humana, utilizando apenas da sua vasta experiência e produtos fornecidos pela natureza.

Francis Bacon foi um importante filósofo inglês defensor do Empirismo. Este método aponta que o saber é limitado às experiências e o aprendizado é fruto de testes de tentativa e erro. Bacon acreditava que ícones da ciência ou verdades alcançadas exclusivamente a partir da razão eram ineficazes na construção do conhecimento. A partir disso, podemos associar os ideais baconianos com a sociedade brasileira anterior à chegada europeia.

As tribos indígenas do Brasil muitas vezes associavam seus males (no clima, na saúde, na caça ou na agricultura) a divindades, buscando respostas num plano superior, nos deuses e seus respectivos desejos. Faziam oferendas e rituais para agradar as entidades e acreditavam que desta forma poderiam obter sucesso em seus objetivos. Além disso, os nativos tinham uma imensa sabedoria da Medicina Natural, tanto que esses ensinamentos são valorizados e respeitados até a contemporaneidade. Os índios adquiriam todo o seu aprendizado a partir de gerações passadas e também por suas próprias experiências. Suas tentativas tiveram, de fato, êxitos e fracassos, contudo, esse método possibilitou que aquelas sociedades perdurassem por muitos anos vivendo na simplicidade de suas próprias teses.

Concluímos, então,  que o Empirismo defendido por Bacon é uma maneira brilhante de aprendizagem. Ele não é imune de falhas, mas é construído a partir de cada indivíduo e suas vivências, transformando seu conhecimento em algo que pode ser comprovado, compartilhado e levado através de várias gerações que poderão testá-lo novamente em diversas circunstâncias.

Gabriela Melo Araújo
 1º Ano - Direito Noturno