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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Weber contemporâneo

Weber se preocupou muito com a essência do conhecimento, incluindo a ciência jurídica, e em como construir o conhecimento dentro das ciências sociais. Procurou aprofundar sua análise ao afirmar que muito do conhecimento parte da assimilação do abstrato, que é de onde surge o pensamento racional.

Ele compreendia a ação social como algo guiado por valores, e possuia a perspectiva de uma única lei histórica: a de que as ações humanas possuem raízes irracionais; ao contrário de Marx, que acreditava ser a Economia a única guia para as relações humanas.

Weber afirmava que, para além da racionalidade capitalista, existe anteriormente uma raiz imaterial que predispõe os homens a racionalizar a vida. Por exemplo,a racionalização do trabalho provém da ambição pelo lucro. Pode-se citar a crença protestante na predestinação, pela qual os crentes se sentem na função de almejar um trabalho que lhe rende frutos materiais, pois devem tornar concretos os sinais recebidos por Deus de que eles foram os 'escolhidos'. Um símbolo caricaturado dos protestantes é o personagem da Disney, Tio Patinhas, que deixa a ambição sempre se sobrepor a qualquer outro valor



No que Marx vê racionalização, Weber vê uma semente irracional. São as raízes irracionais que levam os homens a possuir determinado tipo de conduta.

A perspectiva da sociologia weberiana não é partir de leis já estabelecidas, mas apreender o sentido da ação social humana [sociologia compreensivista = compreender a ação social, que é movida por valores, e não somente por uma força que emana da estrutura da sociedade].

Weber critica a receita pré-estabelecida do materialismo histórico, que deriva das determinações econômicas. Não que ele não de atenção às determinações econômicas, mas acredita que elas não definem todos os aspectos da ação social humana. Para ele, existe uma aplicação forçada do materialismo histórico às análises sociológicas.

Em sua teoria, Weber acredita existir uma margem para que o indivíduo deixe superar a coletividade pelos seus valores, o que não acontece na concepção marxista. É a teoria chamada Individualismo Metodológico, e com isso a sociologia weberiana supõe conseguir apreender melhor a realidade concreta.

Weber faz uma crítica à objetividade, pois acredita ser impossível ao homem fugir de suas paixões, de sua subjetividade. É algo que deve ser domado a todo o momento pelo cientista, ou seja, deve controlar seus juízos de valor [auto-superação dos juízos de valor próprio para olhar para os juízos de valor do indivíduo analisado] . Para sua análise, deve-se analisar o individuo não a partir da perspectiva do cientista, mas a partir da perspectiva dos valores que orientam os atores. Se se analisa um movimento revolucionário é para compreendê-lo dentro de seus valores específicos que orientam os homens que se engajam nesse movimento, e não para julgá-lo.

Enfim, a produção teórica de Max Weber no âmbito da Sociologia é de grande valor e extensão, podendo ser aplicada ao contexto atual sem prejuízo de suas intenções primeiras.

Idealismos individualistas


O Manifesto Comunista não é uma obra científica, mas um panfleto político escrito a pedido da liga dos comunistas, em que são explicitadas a visão da História e a perspectiva de análise do capitalismo por parte de Marx e Engels. Alguns argumentos estão ultrapassados, como aqueles que prevêem a Revolução. Porém muitos podem ser considerados atuais.

Quando falamos em Direito como mediador da luta de classes não quer dizer que ele atua como um eliminador da luta de classes, mas sim como garantia das conquistas, como elemento de incorporação de novos direitos a uma das partes e, sobretudo, no que diz respeito a antítese (direito de cidadania, direitos sociais do trabalhador etc.)

Ao defender o interesse de uma classe em detrimento de outras, o Direito deixa de ser um fator de equilíbrio e passa a ser fator de desequilíbrio. E para Marx, quanto mais o capitalismo avança, a norma jurídica cada vez mais acentua as desigualdades.

Ainda é difícil, à época da obra, falarmos objetivamente em luta de classes, mas é possível falar de contradições, ainda que não expressem necessariamente uma luta de classes, ainda que a luta da classe trabalhadora não seja meramente para eliminação da tese (capitalismo), mas para integrar-se a ela.

Em face das insuficiências no modo de produção feudal ou manufatureiro, afirma-se que esse sistema desmoronou-se em virtude das próprias condições internas. Com o Capitalismo, a Economia deixa de ter quaisquer grilhões políticos, religiosos, de hábitos e costumes; pressupõe-se que a Economia não deva ser mais controlada ou coibida por nenhuma outra coisa que não seja as próprias relações econômicas.

No modelo Capitalista implantado, só o mercado é o regulador da Economia, e são as relações de mercado que regem toda a sociedade. A expansão do modo de produção capitalista é possível pois é financiada pela classe burguesa, que torna possível empreendimentos antes nunca vistos. Ao invés de catedrais, a burguesia financia a construção de indústrias, ferrovias, máquinas, instrumentos de produção. Revolucionaram as relações e as condições de produção, consequentemente transformando a sociedade, toda a civilização e o modo de viver.

É notável que a evolução constante do mercado e sua necessidade de expansão impõem ao homem necessidades que acabam por ser incorporadas, a ponto de se mascararem como necessidades reais. A expansão de possibilidades, de ferramentas, abre espaços antes inalcançados e, ao adentrá-los, o homem os vêem como caminhos únicos.

Impressiona a contemporaneidade da obra, em que os pensamentos poderiam todos ser transferidos para a atualidade que bem caberiam na situação atual.

Eis que surge a crítica: Como superar os limites de um modo de produção que gera riquezas, mas ao mesmo tempo enrijece as possibilidades dos homens de acessarem essas riquezas? É fato que houve não só a exploração física do homem, mas uma subtração de suas capacidades cognitivas. Se o Homem será capaz de superar as consequências negativas advindas do Capitalismo, nada se pode afirmar. Nas perspectivas diversas, cada qual deseja ver o futuro de acordo com aquilo que idealiza, e o individualismo se sobrepõe às questões de cunho social.

Antítese às avessas

"Em uma palavra, [a burguesia] substituiu a exploração velada por ilusões religiosas e políticas, pela exploração aberta, impudente, direta e brutal." É dessa forma que Marx e Engels se referem a essa camada da sociedade chamada burguesia, contra a qual lutam e pretendem ensejar uma reação social, munidos pelo seu Manifesto Comunista.

Em oposição ao poder e à exploração burguesa do proletariado, Karl Marx e Friedrich Engels elaboraram "O Manifesto Comunista" para gritar aos quatro ventos e tentar chamar a atenção da população para essa relação desigual existente entre a burguesia e a classe trabalhadora, opressores e oprimidos, respectivamente. Os proletários de todos os países são convocados a se unirem e a lutarem contra a opressão que sofriam; esta relação entre dominantes e dominados apenas pode ser desfeita, segundo Marx e Engels, através da derrubada violenta de todas as condições sociais existentes e da tomada do poder pelo proletariado.

Neste sentido, os comunistas lutam para alcançar os objetivos imediatos, ou seja, para dar força aos interesses momentâneos da classe trabalhadora e, para que esta saia da sua posição desfavorecida e possa almejar uma situação de mais igualdade e menos opressão.

Marx e Engels não poderiam supor, no entanto, que as tais contradições intrínsecas ao capitalismo, que seriam, segundo eles, responsáveis pela culminação da exploração e, consequentemente, pela ocorrência da esperada revolução social, seriam dribladas pelo consumismo e pela vontade da antítese de também fazer parte da tese.

Embora existam pessoas, e não são poucas, que acreditam que a nossa sociedade, em breve, viverá a revolução social - aquela velha conhecida ideia de Marx, explicada acima - , as relações sociais estão muito bem integradas e, apesar de haver diferenças sócio-econômicas entre os indivíduos, estes, independentemente da classe social da qual fazem parte, querem consumir. Esses mesmos indivíduos que clamam pela revolução e pela ascensão da classe trabalhadora, liderados por ideais socialistas não se privam, muitas vezes, das roupas da moda, dos tênis de marca, dos alimentos rápidos das grandes redes e dos equipamentos tecnológicos cada vez mais avançados.

Atualmente, não se luta para suprimir a tese, mas para incorporar-se a ela. A antítese, mesmo em desvantagem, está mais integrada às inovações tecnológicas e, podendo consumir, ao menos um pouco, não se revolta contra a tese, ao contrário do que previa Marx e Engels. Na verdade, a antítese quer fazer parte da tese, quer incorporar direitos dentro do Estado capitalista. Essa nova antítese, pacífica e consumista, certamente, seria uma decepção para os espíritos revolucionários marxista e engeliano.

Sociologia weberiana

Weber, em "A objetividade do conhecimento na ciência social e na ciência política", propõe uma análise da sociedade que possa ir além do que se apresenta, da simples aparência, adotando, assim, uma perspectiva de caráter mais profundo. Leis já estabelecidas não devem ser adotadas como ponto de partida. A análise deve partir da compreensão da ação social que envolve juízos de valor. Dessa forma, analisa-se o outro não para julgamentos prévios, mas sim para entendê-lo por meio dos valores que ele carrega consigo. O que vemos largamente, porém, é a visão do outro pela nossa janela, ou seja, a ompreensão deste sob o prisma dos valores que se possui. Para Weber, seria necessário a superação dos próprios juízos de valor, a fim de que o outro seja visto como realmente ele é.

Mas, ao admitir os juízos de valor indissociáveis e inerentes ao homem, como a imparcialidade seria, então, possível? Para Weber, não se admite a imparcialidade, na medida em que temos opiniões, crenças e preferências, apenas busca-se a comprensão do outro pelos valores que este possui, como já dito anteriormente, o chamado método comprensivo. A objetividade, no entanto, pode e deve ser adotada, por meio da metodologia científica de caráter universal.

Weber também levanta críticas ao dogmatismo proveniente do materialismo histórico marxista, críticas estas ainda extremamente pertinentes e aplicáveis ao atual contexto. Até hoje, a mais-valia, a alienação, a exploração do operariado, a análise a partir da economia, verdadeiros ícones do pensamento de Marx, são tomados por muitos como verdades incontestáveis (dogmas), capazes de explicar absolutamente tudo o que se desdobra ante nossos olhos. E, assim, talvez a principal contribuição de Marx, a análise crítica da realidade, acaba ficando renegada. Não mais se questiona, já que se tem , na mente de muitos, o principal causador de todos os distúrbios sociais: o sistema capitalista e, dessa forma, "passam a se contentar com as hipóteses mais frágeis e com as formulações mais genéricas".

Celulares e fones de ouvido

Opressores e oprimidos, dominantes e dominados. Luta constante de classes devido a seus interesses e caráter antagônicos. Esses são os contornos dados por Marx e Engels à história de todas as sociedades.

Com o advento da burguesia, vinda dos resquícios feudais, crescem as divergências, estabelecendo-se "novas classes,novas condições de opressão, novas formas de luta no lugar das antigas" e a "sociedade se divide cada vez mais em dois campos inimigos, em duas classes que se opõem frontalmente: burguesia e proletariado". De um lado, a classe dos detentores dos meios da produção social e empregados assalariados à sua disposição e de outro, aqueles que apenas possuem a força de trabalho para ser vendida; divisão esta fortemente acentuada pelo capitalismo.

O mercado, que não suporta por muito tempo as fronteiras nacionais, expande-se, já que a economia não se prende mais ao severo regramento das antigas corporações de ofício. Tudo passa a ser mercantilizado, até os próprios trabalhadores " que precisam vender a si próprios aos poucos, são uma mercadoria, como qualquer outro artigo de comércio". E assim, todos são arrastados por esse mercado, fruto de um capitalismo global e dinâmico.

Todo esse avanço burguês é acompanhado de perto pelo Estado, como uma mãe que vela os primeiros passos de seu filho. E, aos poucos,a burguesia tem seus interesses assegurados por este, tranformando-o em um simples "comitê para gerenciar os asuntos comuns de toda burguesia" enquanto outros tornam-se cada dia mais miseráveis e "a pobreza cresce mais rápido do que a população e a riqueza".

Será que é possível detectar diferenças nos dias de hoje ou tudo continua ordinariamente semelhante ao pensamento de Marx e Engels? Os tempos são outros, as situações e conflitos mudaram, mas há ainda contradições em nossa sociedade. Pode-se ainda ver oprimidos e opressores, mesmo que de forma velada. A miserabilidade e o luxo não conseguiram soltar as mãos e permanecem caminhando juntos. O mercado, mais do que nunca globalizado, não conduz apenas a economia, mas rege também os demais âmbitos, controlando condutas e nos levando com força impetuosa. Consumo e inovação são as melhores amigas do homem moderno. E o Estado? Ainda é, muitas vezes,instrumento de manipulação e garantia de interesses de uma minoria detentora da riqueza e de prestígios. Há aqueles, muitos por sinal, que continuam recebendo " o mínimo necessário para a conservação e a reprodução de sua vida humilde" como o antigo proletariado .

"Uni-vos" então para as mudanças mais que necessárias. Mas como? Estão todos envolvidos pela doce alienação que sustenta o capitalismo, com seus celulares de mil e uma funções e fones de ouvido.

Manifestação comum

Proprietário e escravo, senhor e servo, opressor e oprimido. Segundo Marx e Engels, na obra O Manifesto Comunista, a história da humanidade pautou-se sempre pela da luta de classes. Assim, em cada época, com essa luta, uma classe caía em ruína e outra prosperava. Nesse ponto, relacionando-se ao seu período, destacam a burguesia. Surgindo da sociedade feudal, ganhou espaço no mundo moderno; de classe de servos, fez-se classe privilegiada no ambiente urbano, sustentando os antagonismos.

De início, o referido grupo social deu passos significativos na economia: o sistema corporativo fechado do passado cedeu lugar às manufaturas em virtude do crescimento do comércio. Como o mercado não paralisou sua expansão, mas pelo contrário, intensificou-a, juntamente com a demanda, a produção manufatureira tornou-se insuficiente para atendê-lo. Coube então, à grande indústria satisfazer essas necessidades mercadológicas ao aumentar a técnica e o ritmo de produção e, quanto a isso, o vapor, aliado à máquina, deu impulso a tal feito.

As mudanças na economia, por sua vez, também foram acompanhadas de transformações políticas. A burguesia, ascendeu ao poder e utilizou-o a seu favor: de “terceiro estado” tornou-se peça fundamental no Estado que surgia. Satisfazia seus interesses, usava-o como instrumento de garantias concernentes à sua realidade. Assim, denominava-se o Estado Liberal, identificado pela não intervenção, pelo “deixa estar, deixa fazer”, pela liberdade econômica tão desejada, provocando mudanças significativas nas relações interpessoais.

Essa liberdade conferida às indústrias, empresas, ante o seu crescimento, possibilitou um viver sem fronteiras para elas: “indústrias que não mais trabalham com matéria-prima nacional, mas matéria prima extraída das zonas remotas; cujos produtos são consumidos não só no próprio país, mas em todo o canto do globo” (Marx e Engels, O Manifesto Comunista, p.14). O que era um sistema de subsistência transformou-se num sistema de dependência: produção material e intelectual se entrelaçam, criando uma teia global, uma gama de conexões, a globalização. Essa característica permaneceu, sendo observada de forma mais intensa (o que difere é um estado mais intervencionista, por exemplo, na questão de direitos humanos): empresas somente mantêm a sede em seu país de origem, e deslocam as unidades produtoras para aqueles que ofereçam melhores privilégios, auxílios fiscais, bem como onde a mão de obra se encontra barata, expandindo ainda mais o mercado. Essa característica, por conseguinte, para Marx, demonstra a capacidade de criação do mundo à imagem burguesa, e o próprio poder de empreendimento burguês: “(...) maquinarias, aplicação da química na indústria e na agricultura, navegação a vapor, estradas de ferro, telégrafos(...)” (Idem, p. 16). Tais dados aperfeiçoaram, e muito, nossa qualidade de vida no que se refere à praticidade e conforto, sendo inegável a contribuição da referida classe.

O problema, porém, residiria na exploração intensificada do operário, tanto na mais valia quanto na tentativa de incitá-lo ao consumo: “tão logo o trabalhador é explorado pelo fabricante, e, no fim, recebe seu salário em dinheiro, ele é atacado pelas outras porções da burguesia, o senhorio, o lojista, o penhorista etc.” (idem, p.21). Assim, retoma-se a questão da capacidade de criação: para que houvesse consumo, seria necessária constante inovação. Mas, diante disso, perguntamos se o inovar constante provém do capitalismo, ou de uma necessidade real para melhorar a vida. Pensa-se, que, na verdade, como foi dito em sala, trata-se de uma necessidade interna do homem de sempre produzir algo, de aperfeiçoar-se, desenvolvendo seu intelecto. Tal fato pode, por vezes, destinar-se também a suprir sua necessidade real. Porem, o sistema pode apropriar-se dele criando e convencendo o uso de coisas supérfluas ou inconsumíveis.

Dessa forma, como Marx percebe existência de luta de classes em toda a história, podemos identificar também a necessidade de criação, de expansão da capacidade humana, intrínseca ao homem, principalmente na contemporaneidade. Tais feitos, por fim, incitam perguntas: até que ponto que vai a criatividade humana? Do que mais o homem é capaz diante de condições de poder que lhe são oferecidas? E, a partir disso: é manifesto por todos um caráter e capacidade comuns, seja no poder, seja nas relações pessoais? E, por fim, não seria melhor aperfeiçoar primeiro a célula e consequentemente o funcionamento de todo o tecido humano?

Inovações revolucionárias

Um fantasma ronda a Europa: o fantasma do comunismo. Essa famosa frase anunciada por Marx e Engels em "o Manifesto Comunista" refere-se como o próprio enunciado explicita ao fenômeno do comunismo, que tem em si caráter revolucionário pois seu fito é pôr termo a toda sociedade capitalista. Não obstante, além do entendimento do comunismo em seu papel revolucionário também deve-se assim qualificar a burguesia, que per si desconfigurou toda a história quando do seu advento.
A partir da fragilização das instituições feudais, da reabertura comercial,eleva-se um novo modo de produção, o capitalismo, cuja característica primária é a formação de duas classe antípodas, o proletariado e a burguesia, ambas revolucionárias.
No contexto da formação da burguesia o sistema produtivo alterou-se, a força humana ou animal foi substituída pela máquina que a princípio empreendeu como força motriz elementos como o vento, a força da água, o vapor e com o advento da tecnologia a eletricidade.Além disso, são inovações concomitantes à ascensão da burguesia, a introdução de toda a família atuando como mão-de-obra na fábrica, cuja consequência foi a falência dessa instituição; novos valores foram preponderantes como o individualismo, a propriedade, a lógica de mercado,responsáveis por secundarizar ou dirimir valores de cunho religioso e até mesmo cultural.A classe em questão promoveu ainda intenso êxodo urbano, seguido da formação de cidades; integrou as diversas nações estimulando, sobretudo, no século XIX o colonialismo também com fins mercadológicos, o que foi o primeiro passo da globalização. E a mais contundente fabricação da burguesia é seu germe extintor, o proletariado.
O proletariado é uma classe cuja única propriedade é a força de trabalho, a qual é vendida aos proprietários dos meios de produção, os burgueses. O que estes pagam é o mínimo necessário para a sobrevivência e reprodução daquela classe, que assim observa sua condição aviltada com o passar do tempo e isso propicia a união, principalmente em tempos de desenvolvimento no qual as comunicações são facilitadas.A classe proletária quando reconhece que é explorada inicia movimentos contra a burguesia, primeiro dentro do próprio país e à medida que o capitalismo continua sua expansão e é concomitante o crescimento da massa explorada o movimento atinge notoriedade nacional, ele se transforma em uma luta nacional.
Há um grupo à frente dos proletários que 'dirige' a revolução, é o dos comunistas. Estes expressam o interesse de todo o movimento, o de excluir a propriedade burguesa e consequentemente o antagonismo de classes. Para tal, seria necessário que o proletariado alcançasse o poder, retirasse dele os burgueses, concentrasse todos os instrumentos de produção no Estado e ampliasse a potência máxima de todas as forças produtivas. À fim de pragmatizar tais eventos seria necessário agir despoticamente no primeiro momento, em seguida a propriedade seria descaracterizada estruturando-se em uma propriedade social e o poder não mais seria de um subjugando o outro, mas de uma associação em que reinaria efetivamente a liberdade.
Inúmeras tentativas socialistas foram delineadas como o socialismo feudal,o socialismo pequeno burguês, o socialismo alemão, o socialismo conservador, o socialismo utópico, porém, adentrando ao ramo da Ciência Política, a afirmação desta área do conhecimento é de que nos votos de Marx a sociedade que estaria mais organizada para desligar-se do modelo da sociedade capitalista seria a alemã pois a Constituição desta a partir da República de Weimar possuía uma série de direitos positivados como os sociais e econômicos. Já os russos que passaram pela revolução de 1917 eram tidos como uma sub-raça, incapazes de concluir algum projeto da esfera revolucionária.
Assim, caminhando à conclusão, afirmo haver muitos os que cantam o marxismo sem , no entanto, conhecê-lo profundamente. É, pois, de fundamental importância compreender a teoria deste autor além do vulgar e principalmente observá-la de diferentes óticas como a do sociólogo e a do cientista político para defender ideologias fundamentadas racionalmente e perceber questões mais inteligentes como o caráter revolucionário da burguesia ou as objeções ao comunismo.

Obs.: A postagem foi feita nessa semana pois assisti a aula do Diurno.

Confrontando visões históricas

Ao contrário das duas obras analisadas anteriormente, o Manifesto Comunista não é uma obra científica, e sim, um panfleto político escrito por Marx e Engels a pedido da Liga Comunista, no qual eles expressaram a visão, história e análise do capitalismo, a idéia da história da luta de classes, assim como uma perspectiva do avanço das contradições da realidade rumo à superação do capitalismo pela classe trabalhadora, representando a sistematização da visão dos principais pontos da história do capitalismo.

Para Marx, a história da luta de classes é “a história de todas as sociedades que já existiram”, sendo a perspectiva de uma dinâmica histórica, a ideia de luta de classes, das próprias contradições e transformações contínuas do Direito. Já que o capitalismo e a sociedade burguesa aprofundaram a luta de classes ao longo do tempo, o Direito foi tido como mediador dessa situação, não eliminando a luta de classes, mas a fim de trabalhar em favor da garantia das conquistas como elemento da incorporação de novos direitos a uma das classes.

Hoje não se pode falar objetivamente em uma luta de classes, e sim, em contradições numa dialética de antíteses, ainda que a luta da classe trabalhadora não seja meramente para eliminação do capitalismo (a tese), mas para a incorporação a ela, ou seja, é a luta pela liberdade para se engajar de modo mais consistente nesse sistema. E então quem confronta diretamente com o Estado? Hoje, essa perspectiva de Marx exclusiva da luta de classes já se encontra finda, pois na contemporaneidade existem outros aspectos de contradições, sendo a perspectiva do capitalismo de uma nova síntese em relação às anteriores.

Antigamente, as corporações de oficio eram regidas por leis fixas com preços fixos, estabelecendo entraves não relativos à produção. No entanto, esse novo modo de produção não mais permitia grilhões políticos, já que se pressupõe que a economia não deve ser controlada por nenhuma outra coisa a não ser as relações econômicas. A possibilidade de só o mercado ser o regulador dos modos de produção fez emergir uma nova força civilizatória, em que só as relações de mercado são o limite.

Logo, toda transformação não se dá sem uma classe revolucionária, e neste caso, a burguesia faz com que essa transformação histórica seja possível num processo civilizatório como nenhum outro agente social havia conseguido. No modo de produção feudal, ainda que a capacidade militar fosse sua característica mais forte, ela não era acompanhada por uma melhoria tecnológica que possibilitasse transformações na vida cotidiana de modo significativo. No entanto, a burguesia “foi a primeira a dar provas do que a atividade humana pode empreender”.

A famosa frase do Manifesto Comunista “Tudo o que é sólido derrete-se pelo ar, tudo o que é sagrado é profanado e os homens são por fim compelidos a enfrentar de modo sensato suas condições reais de vida”, mostra a capacidade do novo processo civilizatório de criar constantemente, empreender para criar o improvável. A condição de revolucionar a cada momento o próprio modo de produzir é a maneira pelo qual o capitalismo irrompe cada vez mais seus limites e se renova a cada dia, fazendo com que a mercadoria deixe de ter uma forma material, e possua diversas naturezas, como o mundo virtual. Atualmente essa descrição de mercado é uma realidade ainda mais impetuosa aos nossos olhos, caracterizando-se como uma força que se intensificou com a globalização econômica e consequentemente gerou um receio à instabilidade do sistema como um todo.

Desde o principio, Marx já percebia uma prerrogativa global do sistema, como uma vocação para o mercado mundial. Todo o desenvolvimento dos meios de produção teve o estímulo de ligar o mercado, assim como os meios de comunicação se desenvolveram de uma maneira fantástica, mas não meramente como uma necessidade do homem. Desse modo, a perspectiva de uma economia globalizada não é uma característica exclusiva do nosso tempo, pois isso já vinha como parte da interpretação de Marx e Engels na perspectiva de interdependência mundial composto por um mercado que se impõe, e um Estado que funcione como gerenciador das relações de mercado.

Contudo, a superação do capitalismo ocorre no momento em que ele não consegue mais suprir as necessidades das pessoas, alias, quando não for possível extrair mais forças do trabalhador para suprir o próprio sistema. Tais limites estreitos da economia capitalista devem ser extintos, justamente quando a contradição entre superabundância e fome generalizada torna-se mais visível, como um ponto de estrangulamento do sistema.

Diante disso, pode-se finalizar dizendo que tal obra constitui um magnífico instrumento para o pensamento da humanidade, compondo um ponto de convergência de várias tendências políticas e ideológicas, que viriam a influenciar posteriores gerações e lutas pelas organizações dos homens.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

No manifesto comunista Marx e Engels explicita sua visão da historia e sua perspectiva do capitalismo da época, com isso em vista, representa um ponto de partida onde está sistematizada a visão do socialismo nascente e a critica ao capitalismo. Desde o início do manifesto, fica claro a visão dialética da historia, quanto à luta de classes, entre dominantes e dominados.


É importante ressaltar que no momento contemporâneo, a luta contra o capitalismo e a luta de classes perde força e a perspectiva marxista. Entretanto, destaca-se o capitalismo sustentável, por exemplo, na sociedade atual.


Marx afirma que o homem precisa se acomodar em todos os lugares, estabelecer conexões em todos os lugares. Entretanto, o que Marx vê como algo ruim, o capitalismo encara como uma necessidade real do homem, o qual precisa estar em constante desenvolvimento, a fim de não estagnar-se em uma realidade constante.

O homem é consciente quando a necessidade do progresso. Marx afirma que quanto mais o capitalismo avança mais o trabalhador é oprimido. Em contrapartida a Marx, a tecnologia é desenvolvida justamente com a intenção oposta. O desenvolvimento do aparato tecnológico auxilia o proletariado, e torna seu trabalho mais digno. Assim, necessita-se cada vez menos da exploração desse trabalhador.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Manifesto Comunista e o Consumismo

No Manifesto Comunista Marx e Engels afirmam que a história sempre foi marcada pela luta de classes e que a de sua época era a do proletariado contra a burguesia. Marx ressalta o caráter revolucionário da burguesia, o que diferenciava o Capitalismo dos sistemas que o precederam, dependentes da manutenção dos meios de produção para a sua prorrogação enquanto que o Capitalismo somente se sustenta pela revolução constante e cada vez mais acelerada da produção. Marx, como bom economista, não combatia o avanço tecnológico, pelo contrário, defendia-o.

De tal afirmação decorre que cada vez mais surgem novidades e inovações. Até que ponto elas realmente são necessárias e até que ponto é apenas uma manipulação do mercado?

Julgar que o ser-humano deveria ater-se às suas necessidades básicas é inocente e pressupõe que estaríamos todos satisfeitos vivendo isolados e nos sustentando com a nossa própria produção de subsistência. Assim como julgar que tudo que existe é absolutamente necessário é igualmente inocente.

Tomemos um exemplo simplista: roupas. Roupas foram inventadas por uma necessidade óbvia: proteger o ser humano das adversidades da natureza. Entretanto, com o passar dos anos tal “invenção” foi agregando novas funções e significados, sendo que atualmente poderia ser considerada fator determinante no julgamento de uma pessoa, seu status social e previsão de suas atitudes. Um casaco da marca A, do mesmo material e modelo do casaco da marca B, que custa o dobro, protege seu dono igualmente do frio. A maior parte dessa convenção social é orientada pelo mercado auxiliado pela indústria da propaganda.

Novamente, é simplista e infantil julgar que o mercado é um “ente superior” alheio ao homem. O mercado é a expressão de uma vontade comum. Só é fabricado um sapato X, de cor Y e formato Z por que existe quem o queira consumir e é essa vontade comum à maioria que requer e implora por inovações. A partir do momento que vemos o mercado como vontade humana, vemos que a revolução e inovação constante do capitalismo parte naturalmente do homem. É inerente ao homem a busca por algo melhor, que supere o existente e isso impulsiona o desenvolvimento em todos os campos. Marx, como bom economista, não combatia o avanço tecnológico, pelo contrário, defendia-o.

Contudo, Marx preconizava que o Capitalismo trazia em si a sua destruição. A polarização entre Burguesia e Proletariado chegaria a um ponto em que a revolução seria inevitável. A meu ver, o Capitalismo traz em si a sua perpetuação, justamente pelo seu caráter revolucionário. Começando pelo fato de que a polarização prevista não ocorreu, cada vez mais há uma desconcentração de poder em classes intermediárias e grupos de influência. Não que as lutas de classes tenham deixado de existir, apenas não acontecem de forma maniqueísta.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Um mundo a ganhar

O tema central do “Manifesto Comunista” de Karl Marx e Friedrich Engels é a luta de classes, que comporta o antagonismo de opressores e oprimidos e termina com uma transformação revolucionária ou com a ruína de uma das classes em disputa. A sociedade burguesa moderna que suplantou a sociedade feudal, não colocou fim a essas diferenças de classes, pelo contrário ampliou-as. A luta agora, porém, havia se polarizado em dois grandes campos inimigos: a burguesia e o proletariado.

As relações de produção capitalistas desenvolveram-se, primeiro, no seio da sociedade medieval. A Revolução Francesa se deu no momento em que essas novas relações de produção haviam chegado a um certo grau de maturidade. Os mercados cresceram, as demandas aumentaram e o sistema de manufatura ganhava cada vez mais espaço. A burguesia, agora classe dominante, era incapaz de sustentar seu reino sem revolucionar sempre os instrumentos de produção.

A dialética da história, formulada por Marx e presente no “Manifesto Comunista” se constitui na contradição entre as forças produtivas e as relações de produção, isto é, as relações de propriedade e a distribuição de rendas entre os indivíduos ou grupos da coletividade. A burguesia cria meios de produção mais poderosos, mas a repartição das rendas e as relações de produção não se transformam no mesmo ritmo. O regime capitalista é capaz de produzir cada vez mais riqueza, mas a miséria permanece para a maioria. Nessa contradição entre forças e relações de produção, é fácil introduzir a luta de classes, que sugere a teoria das revoluções.

A burguesia “substitui a exploração velada por ilusões religiosas e políticas, pela exploração aberta, impudente, direta e brutal”, alterando não apenas as relações trabalhistas, mas também as relações familiares, reduzindo tudo a relações de dinheiro, “resumindo, cria um mundo à sua imagem”. Tomada por uma concorrência implacável, a burguesia não pode deixar de aumentar os meios de produção, fazendo crescer o número de proletários e sua miséria, assim o crescimento dos meios de produção, em vez de aumentar o nível de vida dos operários, gera proletarização e pauperização.

O uso extensivo de maquinarias e a divisão do trabalho transformou o trabalhador em um “apêndice da máquina”, colocando fim ao seu caráter individual e separando-o do produto final do seu trabalho. Prolonga-se as horas de trabalho do proletariado, ou aumenta-se o trabalho exigido durante um lapso de tempo determinado. Crianças e mulheres são usadas como mão-de-obra nas indústrias, não há mais distinção de sexo e idade para a classe trabalhadora. O proletariado, que vende a si próprio aos poucos, torna-se então uma mercadoria, exposta à competição e as flutuações do mercado.

Dessa forma, segundo Marx, “a burguesia não só forjou as armas que trazem a morte para si própria, como também criou os homens que irão empunhar estas armas: a classe trabalhadora moderna, o proletariado”. O proletariado, que constitui imensa maioria da população deveria tomar o poder como classe verdadeira para transformar essas relações sociais, uma vez que a burguesia mostrara-se inapta a ser a classe dominante da sociedade, já que foi “incompetente para assegurar uma existência para os seus escravos dentro da escravatura”. Diferentemente das demais revoluções do passado, feitas por minorias, em benefício de minorias, a revolução do proletariado seria feita pela imensa maioria, e em benefício de todos, marcando assim o fim das classes e do antagonismo da sociedade capitalista.

Marx afirma que “a característica distintiva do comunismo não é a abolição da propriedade em geral, mas a abolição da propriedade burguesa”, uma vez que é ela a responsável pelo sistema de produção e apropriação de produtos (apropriação de trabalho alheio), que gera o antagonismo de classes e a exploração do homem por outro. Marx justifica a abolição da propriedade privada alegando que a maior parte da população (nove décimos) já não a possui, devido à apropriação desta por apenas um décimo da sociedade.

Em “O Manifesto Comunista” Marx se refere ainda ao problema da educação, que sob monopólio e influência da classe dominante, não exerce o seu papel social e cultural, o que diminui ainda mais as oportunidades das classes baixas, contribuindo para sua alienação. Alega ainda que “As ideias dominantes de cada época sempre foram as ideias da classe dominante”, sendo assim a revolução comunista também provocaria uma ruptura radical com as ideias tradicionais.

Os comunistas lutaram para alcançar objetivos imediatos, mas também para dar força aos interesses da classe trabalhadora, formando nesta uma consciência clara do antagonismo hostil entre burguesia e proletariado. Assim apoiam universalmente os movimentos revolucionários contra a ordem política e social existentes, nos quais se destacam a questão do capital e da propriedade, afirmando que “Os proletários nada têm a perder fora as suas correntes. Têm o mundo a ganhar.”. É importante ressaltar que uma característica marcante de toda obra de Marx é a crítica ao servilismo. Assim ele certamente se indignaria ao ver seus pensamentos usados de uma certa maneira por tantos espíritos servis e tirânicos, que adotaram regimes ditos “socialistas”.

A consolidação da luta de classes e a libertação do proletariado

Marx escreve o Manifesto Comunista com o intuito de mostrar os ideais que defendem, escreve também como resposta as concepções falsas de comunismo que se espalhavam pela Europa.

Sua tese principal é o próprio comunismo, o texto é escrito para defini-lo, para demonstrar como as relações estabelecidas na sociedade burguesa liberal são cruéis e como o proletariado pode vir a ser organizar para lutar contra estás instituições, a lutar por um novo sistema econômico, este mais justo.

Para construir sua tese, Marx divide o manifesto em três partes. A primeira trata-se de uma retrospectiva histórica, é mostrado como a luta de classes perpassa por todas as sociedades. Assim ele demostra como as relações de trabalho evoluíram ao longo dos séculos, até chegar na relação entre burgueses e proletários. Sendo está a mais cruel, baseada na “exploração aberta, única, direta e brutal”. Ele vai falar sobre a reprodução do capital, a necessidade de um mercado cada vez maior para absorver o excedente industrial, e como essa necessidade leva o capitalismo para as mais distintas partes do globo.

Após, Marx começa a demostrar as instabilidades da sociedade burguesa, e vê no proletariado o elemento transformador da sociedade, aquele que lutará e trará o fim das relações de exploração estabelecidas. Para Marx, com o desenvolvimento industrial, o proletariado também se desenvolve, aumenta em numero e adquirem uma maior consciência de sua condição, a partir disto os trabalhadores começam a se organizar em sindicatos contra os burgueses. Podemos falar que a sociedade capitalista se encontra em uma guerra civil, esta guerra é a luta de classes, e para o autor, ela explodirá em uma revolução que derrubará a burguesia.

Marx destina a definição do Partido Comunista, suas distinções e semelhanças com os outros partidos operariados, responde as concepções falaciosas lançadas sobre o comunismo. Ele ressalta que “A característica particular do comunismo não é a abolição da propriedade em geral, mas a abolição da propriedade burguesa”. Demonstra como seria a passagem para uma sociedade sem classe, uma sociedade na qual “o livre desenvolvimento de cada um é a condição do livre desenvolvimento de todos”.


segunda-feira, 13 de junho de 2011

Um fantasma ronda a Europa

O célebre documento histórico, revolucionário aos padrões da época, e de suma importância no que tange à compreensão sobre as origens da ascensão burguesa, a luta das classes sociais e da missão do proletariado, foi publicado no dia 21 de Fevereiro de 1848, por Karl Marx e Friedrich Engels, sobre a insigne frase: “Um fantasma ronda a Europa: o fantasma do comunismo.”
Trata-se de um documento cujo intuito é o de denunciar o regime capitalista e incitar o proletariado, descontente com as circunstâncias nas quais se encontravam, a reivindicar seu espaço na sociedade.

No primeiro capítulo, Marx afirma que a história da sociedade humana é impulsionada pelas lutas das classes sociais, tendo, como conseqüência, as revoluções. E mais, faz-se mister apresentar o contexto histórico da classe burguesa, descrevendo as enormes transformações que a burguesia industrial provocava no mundo, representando na história um papel essencialmente revolucionário. Ademais, relata-se o fenômeno da globalização que a burguesia implementava no comércio, na navegação e nos meios de comunicação.

Nota-se, no segundo capítulo, o ideal de aproximar comunistas de proletariado, cujo objetivo seria a derrocada do poderia burguês e a conseqüente conquista do poder pelo proletariado, tendo como pilar fundamental a ausência de propriedade privada. Ressaltam-se, ainda, os problemas decorrentes da exploração capitalista através da utilização das mãos de obras baratas – principalmente de crianças e mulheres e da excessiva jornada de trabalho. Consequentemente, tem-se a destruição das relações familiares além das deploráveis condições de higiene nos interiores das diversas fábricas.

Aprofunda-se, no terceiro capítulo, a discussão sobre os três tipos de socialismos, quais sejam: o reacionário, o conservador-burguês e crítico-utópico. Dentre estes, pode-se atentar para o fato de serem correntes socialistas que tiveram significado pelos ideais que traziam como o fim da exploração, da reprodução social, e a vitória da classe operaria.

Ressalta-se, por fim, através da expressão "proletários de todos os paises, uni-vos", sobre a importância crítica de um movimento em que todos os explorados economicamente que necessitavam realizar o quanto antes, já que a exploração do capitalismo crescia a cada momento, tornando-se a cada dia mais perverso em suas raízes.

Revolução e Distribuição

“A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes” (Karl Marx e Friedrich Engels, O Manifesto Comunista)


É assim que se inicia o texto do Manifesto Comunista, escrito por Marx e Engels. Nele, discute-se que na evolução da história, sempre houve a exploração de uma classe por outra, sendo o capitalismo mais um exemplo disso. Contudo, este sistema possui particularidades, e Marx aponta duas: a burguesia é revolucionária, transformando constantemente os meios de produção; criaram-se forças produtivas nunca antes imaginadas. Por essa natureza revolucionária, vinda da cobiça de enriquecer a cada dia mais, a burguesia incentiva a criatividade humana a inovar sempre, gerando desafios a serem superados intelectualmente. Marx elogia esse aspecto. Os avanços trazidos e a riqueza gerada são maravilhosos!


Mas o desenvolvimento é uma necessidade que vem de onde? O mercado criou uma cobrança, pois se não há inovação, não há consumo, o sistema quebra. Porém, trata-se de uma cobrança apenas. A verdade, e até Marx e Engels concordariam comigo, é que essa é uma necessidade do próprio homem de crescer, desenvolver-se, criando mais e mais, não por causa do consumo, e sim pelo seu próprio desejo de evoluir. E isso é bom, Marx elogia tal aspecto em sua obra. Na idade média, o senhor feudal deveria ser auto-suficiente, vivendo apenas dos impostos pagos por servos. Houve avanços nesse período? Sim! Mas foi uma verdadeira Idade das Trevas se compararmos com os avanços trazidos pela burguesia no renascimento (a própria expressão renascimento mostra o período de dormência que foi a Idade Média). Finalmente há um estímulo para a produção.


Provo o que acabei de dizer. Quando a pintura evoluiu? Havia pintura nas igrejas medievais? Sim. E nas igrejas renascentistas? Sim. Qual é superior? Aquela em que o artista foi pago para pintar. Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Giotto, Verrocchio, respectivamente, “La Gioconda”, Capela Sistina, Capella degli Scrovegni, “Batismo de Cristo”. Diga-me agora um grande nome da pintura medieval. Pintura anônima, coletiva, feita por servos sem remuneração. Um exemplo moderno, mais evidente, é a Guerra Fria. Os Estados Unidos e a URSS disputavam o posto de maior potência econômico-científica. Contudo, as descobertas feitas nos Estados Unidos eram introduzidas no mercado, enquanto a Rússia (por não haver mercado consumidor) transformava tudo em sucata. Enfim, o sistema soviético foi superado e, posteriormente, veio à falência. Não digo que todo ser humano seja um mercenário, mas há muito mais interesse em produzir quando há expectativa de retorno. Os cientistas soviéticos receberiam o mesmo salário, independentemente do que produzissem. Os servos medievais trabalhavam para saldar uma dívida com o senhor feudal. Não há interesse na produção.


E se não houver mercado? E se o homem se contentar com o que foi criado até aqui e não desejar produzir mais nada? A medicina atual é suficiente. Não precisamos desbravar o espaço, nosso planeta é suficiente. Nossas bibliotecas estão abarrotadas, não precisamos mais escrever, tudo já foi dito. Por que motivo construir aviões maiores, prédios mais seguros? Responda-me tudo isso quando seu filho estiver doente, quando você olhar para o céu à noite (em um lugar afastado da poluição luminosa) e encontrar uma imensidão estrelada, quando em suas entranhas penetrar o desejo de se expressar, quando você desejar ir a algum lugar distante e precisar disso rapidamente, ou quando sua casa desabar. Voltaremos à Idade das Trevas? Retrocederemos séculos? Karl Marx deve se revirar em seu túmulo ao ouvir algo do tipo. Um homem revolucionário, que odiava o servilismo. Todo avanço É necessário!


A grande questão, no entanto, não é esta. É claro que o homem precisa produzir. A natureza hoje necessita que o homem desenvolva novas fontes de energia, utilize cada vez mais recursos virtuais (dinheiro imaterial, em um cartão de crédito, ao invés de metais e papel; arquivos digitais, no lugar de gigantescos bancos de dados inutilmente guardados ao mofo em porões; etc.). A questão essencial, para Marx e Engels, é a contradição criada pelo capitalismo. Discute-se a pobreza que ainda existe no âmago desta riqueza, a carência em meio à abundância. Por que uma classe possui tanto, enquanto a maioria, tão pouco?


E ninguém seja tolo de negar tal fato. A desigualdade é evidente até hoje. Algum dia será resolvida? Para os autores do Manifesto Comunista, será resolvida quando vier a revolução. E eu concordo, quando vier a Revolução Proletária tudo será nivelado... ou seja, nunca. A revolução dos sonhos não veio até hoje, pois na classificação de Marx, o que ocorreu até este momento foi a disseminação do modo de produção asiático, onde o Estado submete todos ao mesmo julgo exploratório. Se o capitalismo cria uma pauperização das classes subalternas (o que não é verdade), o socialismo real apenas socializou a pobreza e aumentou a exploração pelo governo.


Todavia, se o capitalismo não gera a pauperização das classes subalternas, conforme eu disse agora, por que há então acentuado aumento da desigualdade social? Isso se deve ao fato do aumento da riqueza generalizado de forma desigual. O industrial investe em máquinas, reduz custos, e aumenta seu lucro. E tais produtos vão para onde? Toda a sociedade deve consumir, o que implica em possuir dinheiro, e no caso do proletário, receber um bom salário. O salário deve assim aumentar, garantindo o consumo. O dono da fábrica recebe mais, aumentando, com maior rapidez, seu patrimônio. Quanto ao proletário, este também aumentou seu patrimônio e qualidade de vida. Por ocorrer de forma desigual (e não digo injusta, pois é mérito do dono dos meios de produção administrar bem seu negócio) tem-se a impressão de que uma classe sugou a outra, o que não é verdade. Não se pode comparar, em dois momentos diferentes, apenas a distância entre dois grupos, mas a evolução de cada grupo de um momento para o outro. Todos cresceram, diferentemente apenas em quantidade.


Dessa forma, concluo dizendo que Marx e Engels estavam certos, as inovações trazidas pelo capitalismo são incríveis; e discordo em dois pontos: Não há progresso sem o estímulo do mercado; não há pauperização de uma classe. Uma sociedade não pode caminhar sem o mercado. A China Socialista só se desenvolveu ao investir capital na indústria para aumentar sua produção e invadir o mercado global. A URSS, quando se aproximou da falência, abriu seus portões para empresas transnacionais, com os planos de Gorbachev. E todos enriqueceram com o advento do capitalismo, cada um conforme sua contribuição (o industrial investiu tempo, capital, intelecto e esforço; o proletário investiu sua força). O mercado é rotulado sempre como o vilão, talvez seja em muitos casos, mas sem o qual eu não estaria publicando neste blog.

Comte – o positivismo e o estímulo à vida social

No texto DISCURSO SOBRE O ESPÍRITO POSITIVO, de 1844, Auguste Comte propõe uma maneira geral de como o ser humano deveria compreender e pensar no estado positivo.
Comte caracteriza as instituições de sua época pela “anarquia” intelectual (influência da filosofia metafísica) e pelo retrocesso (influência da igreja).
Faz uma crítica à especialização das ciências, como se cada homem devesse estudar apenas itens referentes à profissão que desempenhará, e apresenta a necessidade de uma visão que priorize o todo, o conjunto, que pode ser obtido por uma educação universal.
Esta educação não deve ser oferecida somente às classes superiores, as quais se concentram nas questões literárias e metafísicas, afastando-se do real, do útil. Deve sim ser universal, estendida aos proletários, os quais assimilam com mais facilidade esta instrução pública positiva, justamente por terem mais contato com a natureza e com o mundo real.
Assim, a educação positivista possui uma abrangência maior do que a simples cientificidade de seu tempo, pois enquanto esta abrange somente as questões intelectuais, aquela engloba os sentimentos, o equilíbrio entre objetividade e subjetividade, as ações práticas, além da própria inteligência.
O saber positivo valoriza os trabalhos manuais, as funções simples, diferentemente da educação metafísica. Com o saber positivo, o foco passa a ser a participação popular através da cobrança da moral, agindo como verdadeiros fiscais do cumprimento dos deveres atribuídos aos políticos, principalmente no campo social.
A moral católica, apesar de ter tido importância para uma universalização da moral, prega que cada homem está preocupado com sua própria salvação. Diferentemente, o positivismo enxerga a supremacia da sociedade sobre o indivíduo, valorizando o conceito de humanidade. Dessa forma, ganha força a temática da solidariedade, da felicidade associada à coisa pública. A preocupação é a formação de uma moral essencialmente humana, estimulando o desenvolvimento de uma vida social.
POSTADO POR ALYSSON PIMENTA RODRIGUES – 1º ANO – DIREITO NOTURNO

Comte – Filosofia Positiva no contexto da Revolução Industrial

Comte afirma que a sociedade só pode ser convenientemente reorganizada através de uma completa reforma intelectual do homem. Acredita que, antes de proceder à ação prática imediata, seria necessário fornecer aos homens novos hábitos de pensar de acordo com o estado das ciências de seu tempo.
O autor alega ter descoberto uma lei fundamental pela qual passa cada ramo de nosso conhecimento. Esta lei seria dividida em três estados históricos: estado teológico ou fictício, estado metafísico ou abstrato, estado científico ou positivo. Seriam métodos de filosofar do espírito humano.
O primeiro deles, o estado teológico ou fictício, explica os fenômenos por meio da atuação de agentes sobrenaturais. O metafísico ou abstrato apenas substitui os agentes naturais por forças abstratas, entidades personificadas inerentes aos seres do mundo. Por fim, no estado positivo, o espírito humano busca descobrir, através do raciocínio e da observação, suas leis efetivas, deixando de lado as causas íntimas dos fenômenos.
Auguste aponta o curso de filosofia positiva como o único meio racional capaz de pôr em evidência as leis lógicas do espírito humano. Como propriedades fundamentais da proposta positivista, podem ser destacados a reforma da educação, a combinação de várias ciências para atingir melhores resultados, observação das leis gerais da sociedade, reorganização social da sociedade moderna.
O positivismo é visto como a conclusão da revolução iniciado por Bacon e Descartes. A física social (posteriormente Sociologia), nova ciência de Comte, experimenta, observa, compara e classifica, baseando-se no conhecimento consolidado das demais ciências, ou seja, busca a compreensão da realidade social. Os fenômenos sociais devem ser explicados em termos sociais. Estes fenômenos, com o cuidado de se evitar o materialismo, podem também ser percebidos como outros fenômenos naturais.
O positivismo encara a ciência como investigação daquilo que é real, relacionando o abstrato e o concreto, o objetivo e o subjetivo. A ciência é concebida não apenas de forma técnica, mas principalmente para possibilitar uma interpretação de mundo.
Esta filosofia positiva de Comte propõe uma reorganização política, social e econômica dentro do contexto social da revolução industrial.
POSTADO POR ALYSSON PIMENTA RODRIGUES – 1º ANO – DIREITO NOTURNO

Bacon e seu método baseado na experiência e na natureza

O texto do inglês Francis Bacon, publicado em 1620, é considerado a ata inaugural da filosofia inglesa moderna. Insere-se no contexto de grande ascensão inglesa nos campos político e econômico no reinado de Elizabeth I. Era o período do absolutismo inglês em vias de consolidação, sustentado pelas atividades comerciais.
Logo no prefácio do “Novo Organum”, nota-se a importância atribuída à natureza para alcançar o conhecimento filosófico e científico. Bacon busca formar um método experimental para interpretação de dados, que consiste em “estabelecer os graus de certeza, determinar o alcance exato dos sentidos e rejeitar, na maior parte dos casos, o labor da mente”, criticando a ciência obtida pelo simples exercício da mente e a filosofia grega, cuja sabedoria seria “farta em palavras, mas estéril de obras”. O método proposto implica em “levar os homens aos próprios fatos particulares e às suas séries e ordens, a fim de que eles, por si mesmos, se sintam obrigados a renunciar às suas noções e comecem a habituar-se ao trato direto das coisas”.
O autor pede respeito aos antigos e alerta que seu trabalho não tem por objetivo “colocar por terra as filosofias ora florescentes ou qualquer outra que se apresente”, mas defende a existência de duas linhas filosóficas, de dois métodos, sendo “um destinado ao cultivo das ciências (antecipação da mente) e outro destinado à descoberta científica (interpretação da natureza)”. Esta segunda forma de proceder atende aos que visam alcançar a vitória sobre os adversários não apenas pela argumentação, mas pela ação, pela vitória sobre a natureza, pelo conhecimento da verdade clara.
Através de textos simples (aforismos), Francis manifesta a necessidade de observação da natureza, a qual supera em complexidade o intelecto e os sentidos, e somente pode ser vencida quando obedecida; destaca a utilização de instrumentos pelo intelecto e pelas mãos; faz críticas à ciência de sua época, cujos resultados seriam apenas combinações de descobertas anteriores; aponta o que seria o verdadeiro caminho para a investigação e descoberta da verdade, que consistiria em recolher os axiomas dos sentidos e dos dados particulares para, continuamente, ascender até o alcance dos princípios de máxima generalidade.
Em virtude da maior profundidade da natureza em comparação com a força dos argumentos, estes não podem valer para a construção de axiomas. Dessa maneira, a dialética, que ocupou grande destaque no período escolástico, recebe forte crítica. As antecipações seriam mais fáceis de agradar, pois partem de poucas instâncias e logo empolgam o intelecto. De outro lado, as interpretações originadas de muitos fatos dispersos apresentam-se duras e dissonantes, não agradando à opinião comum num primeiro momento.
São apontados quatro gêneros de ídolos bloqueadores da mente humana, os quais destoam gritantemente das ideias da mente divina. A saber: ídolos da Tribo (falsa atribuição das medidas das coisas aos sentidos do homem, os quais distorcem e corrompem o verdadeiro significado dos fatos); ídolos da Caverna (além das distorções da natureza humana em geral, cada indivíduo possui seus próprios mitos, medos, fantasias, suas próprias cavernas ou covas, que são oriundas de sua educação, de sua história de vida, etc.); ídolos do Foro (são os mais perturbadores, causados pelo relacionamento entre os indivíduos, cujas palavras bloqueiam o intelecto e geram controvérsias e fantasias) e ídolos do Teatro (“incutidos e recebidos por meio das fábulas dos sistemas e das pervertidas leis de demonstração”).
Para o autor, “a verdade não deve ser buscada na boa fortuna de uma época, que é inconstante, mas à luz da natureza e da experiência, que é eterna”.
POSTADO POR ALYSSON PIMENTA RODRIGUES – 1º ANO – DIREITO NOTURNO

Descartes e a condução metódica do conhecimento

O Discurso sobre o método é “um tratado matemático e filosófico de René Descartes, publicado na França em Leiden em 1637. Propõe um modelo quase matemático para conduzir o pensamento humano, uma vez que a matemática tem por característica a certeza, a ausência de dúvidas... O Método, em seu aspecto de dividir, ordenar e classificar, é a base de muitos conceitos científicos que vieram a ser desenvolvidos nos anos subseqüentes, de grande importância para a humanidade: o sistema de coordenadas cartesiano, o cálculo, a geometria analítica e a disposição estatística em histogramas”, segundo a Wikipédia.
Passando à análise do texto propriamente dito, em sua primeira parte, é abordada a questão do bom senso. Para Descartes, todos o possuem (o bom senso) e pensam possuí-lo na medida certa. Este senso ou razão seria a única coisa capaz de diferenciar os homens dos animais. Utilizando-se de suas experiências, seu senso e caminhos, afirma ter formado um “método capaz de aumentar de forma gradativa seu conhecimento, e de elevá-lo, pouco a pouco, ao mais alto nível” possível. A explicação do tal método constitui o objetivo principal do referido texto do autor. Como base para seu trabalho, ressalta a importância de conhecer as ciências (sarcasticamente, complementa justificando que seria simplesmente para conhecer seus exatos valores e evitar ser enganado por elas) e os benefício de viajar (para saber alguma coisa dos hábitos dos diferentes povos e entender que ser diferente não significa ser contrário à razão). Distinguir o verdadeiro do falso sempre foi um grande desejo do autor.
Na segunda parte, destaca ser necessário rever suas opiniões ou ainda desfazer-se delas, o que seria melhor do que se apoiar apenas sobre princípios a respeito dos quais se convencera em sua juventude, sem nunca ter analisado a veracidade dos mesmos. Também julgava essencial ir lentamente e usar muita ponderação, pois, “mesmo que se avançasse muito pouco, ao menos evitaria cair”.
Chega a pensar na possibilidade de utilizar-se da filosofia, da lógica e das matemáticas – geômetras e álgebra, mas resolve buscar algum outro método que tenha as vantagens dessas três ciências, mas não os seus defeitos. (sobre a lógica, por exemplo, relata: “seus silogismos e a maior parte de seus outros preceitos servem mais para explicar aos outros as coisas já conhecidas, ou mesmo, como a arte de Lúlio, para falar, sem formar juízo, daquelas que são ignoradas, do que para aprendê-las”).
Assim, resolve utilizar apenas quatro preceitos da lógica para formar o seu método:
O primeiro seria o de nunca aceitar como verdadeiro algo que não conhecesse claramente, evitando cuidadosamente a pressa e a prevenção. O segundo tratar-se-ia de proceder a uma modularização da análise, dividindo cada “dificuldade” em quantas parcelas fossem exigidas para uma melhor compreensão. Já o terceiro seria o de conduzir os pensamentos por ordem, sintetizando-os, partindo do mais simples até atingir os níveis mais complexos, enquanto que o quarto e último garantiria que nada fosse omitido nas conclusões, através do uso de relações metódicas completas e de revisões gerais.
Visando a prova de sua existência e também a de Deus, na quarta parte, considera a máxima “penso, logo existo” como o primeiro princípio da filosofia que procurava, como uma verdade no meio de tantas coisas falsas (o autor julga como falso tudo aquilo sobre o que possa supor a menor dúvida), concluindo, sobre si mesmo, que: ”sou uma substância cuja essência ou natureza consiste apenas no pensar, e que, para ser, não necessita de lugar algum, nem depende de qualquer coisa material”.
Para finalizar a justificativa sobre sua existência e também a de Deus, traça um paralelo entre este (um ser perfeito) e si mesmo (ser imperfeito), concluindo que a sua própria existência (e, assim, a existência da razão) é resultado de uma origem divina, de Deus, de uma perfeição capaz de gerar todas as outras coisas que existem.
Na sexta e última parte, solicita às futuras gerações que não acreditem nas coisas que lhes forem apresentadas como provindas dele, se ele mesmo não as tiver divulgado, pois crê que não existe no mundo alguma obra que possa ser tão bem executada por outra pessoa que não seja quem a iniciou e criou.
POSTADO POR ALYSSON PIMENTA RODRIGUES – 1º ANO – DIREITO NOTURNO

Do advento da burguesia à ideológica revolução proletária

Karl Marx, em "O Manifesto Comunista" discorre sobre a luta de classes, da missão do proletariado e também são aí especificados as noções constitutivas do materialismo histórico.
Marx inicia o manifesto nos mostrando o contexto histórico pelo qual a burguesia foi se inserindo na sociedade. De acordo com ele, essa classe tem seu advento a partir da evolução comercial e a partir do aumento das relações econômicas entre países.
O avanço político também é atrelado junto ao desenvolvimento da burguesia.O estado se tornou uma das ferramentas de dominação da burguesia, que serviu como "comitê político burguês". Dessa forma, pode-se dizer que houve a dissolução de outras classes em função do estado burguês.
Nesse texto, deve-se levar também em consideração o destaque dado à frieza do sistema político capitalista. A burguesia "converteu mérito pessoal em valor de troca". Marx demostra como houve a transformação da liberdade coletiva em liberdade individual, nos faz enxergar como vivemos m um sistema em que a livre concorrência corre solta, onde é cada um por si e todos por ninguém mais.
O modo de produção, além de dissolver o sistema feudal, aumentou os problemas de diferenças entre classes. As máquinas reduziram a oferta de empregos braçais e o salário do trabalhador.Além disso, surge ao capitalismo mais um ferramenta de dominação: a constante novidade; pois "tudo que é sólido, se dissolve no ar". Quem consegue comprar mais tem sempre algo mais novo e mais moderno, e quem não o tem fica para trás no sistema de competição. O advento da tecnologia fez com que os produtos fossem cada vez mais banalizados. Enquanto um produto mau entrou em circulação, outro de mesma classe já está sendo lançado, desvalorizando o anterior. Marx toma a burguesia como uma classe revolucionária. Esta surge sempre com novas maneiras de dominação de mercado, abrangendo tudo a sua volta, transformando o mundo em um sistema único de comércio. Ela remove tudo o que não é racional, que não tem cálculo, de sua economia, voltando, assim, à discussão da frieza do sistema. A burguesia possui um ímpeto transformador que não pode ser freado. Se a estrutura se baseia em trocas, essas trocas devem ser permanentes.
Marx viu, desde sua época, uma eminente globalização. A burguesia opera em todas as relações, transformando tudo à sua imagem. Dessa forma, surge a interdependência entre os países do globo. Não se pode dizer com veemência que alguma economia é autossuficiente, pois sempre haverá uma interconexão entre as nações, obrigando-as sempre a manter uma relação diplomática eficiente entre outros governos para manter estável o seu próprio.
Marx descreve como surge uma situação de crise. Essa é caracterizada pelo aumento exacerbado dos meios produtivos e da produção, gerando uma superlotação de produtos e indústrias, culminando, assim, em uma crise criada pelo mercado, que o próprio mercado não consegue suprir. A solução buscado pela burguesia acaba sendo a maior destruição da massa de forças produtivas e a conquista de novos mercados e maior exploração da classe mais fraca.
Podem ser vistas inúmeras formas de contradição no capitalismo; Marx, porém, ainda via perspectivas para solucioná-las. As forças produtivas ao mesmo tempo que movimentam uma enorme economia, também deixam pessoas morrendo de fome nas ruas; ao mesmo tempo que conseguimos obter mais e mais riquezas, mais e mais pessoas ficam pobres, pois todo esse lucro é concentrado na mão de poucos; o momento em que a pobreza se intensifica, é justamente nos momentos de maior prosperidade. A partir dessa análise, Marx vê que, agindo desta forma, a burguesia cria as armas para sua própria dissolução e as pessoas para usar de tal arsenal. Os operários, enquanto unidade, não possuem grande força revolucionária; porém, quando se unem, podem destruir o sistema burguês. Essa união seria efetivada no centro de produção das fábricas, onde os operários vêem a banalização de seu trabalho e criam uma relação de identidade entre si. Assim, a tecnologia poderia ser utilizada a favor dessa classe, para efetivar uma união mais contingente entre os trabalhadores de todo o mundo.
Toda essa revolução, porém, não conseguiu ser consumada.Atualmente, a força operária se forma apenas por meio de sindicatos locais ou nacionais. Não poderia ser considerada uma total revolução para Marx; mas não podemos dizer que não é (quando verdadeiramente funciona e é levada à sério), contudo, uma pequena vitória.

Marx e Engels: a revolução operária e a derrocada burguesa

O Manifesto do Partido Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, publicado em 21 de fevereiro de 1848, constitui-se num dos tratados políticos de maior influência planetária, no qual seus autores apresentam suas concepções de filosofia e história das sociedades.
Logo na primeira parte, a frase “a história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas das classes” demonstra a ênfase depositada no texto sobre a questão dos antagonismos entre os segmentos (classes) de uma sociedade. Desde os primórdios da humanidade, essa sistemática assim funcionou e a burguesia dos tempos modernos não agiu de forma distinta. Ademais, esta intensificou a disparidade entre dois extremos: a burguesia e o proletariado.
Os autores destacam o histórico da classe burguesa, do final do feudalismo à grande indústria mundial, seus aspectos políticos e revolucionários, a substituição das formas de exploração (por exemplo, da religiosa para a comercial), a universalização da produção material e intelectual, a submissão do campo à cidade, etc. Mas também passam logo a apontar tópicos negativos dessa classe, tais como as revoltas contra as relações de produção e de propriedade, a repetição das crises comerciais, a epidemia da superprodução, entre outros, enfatizando que a burguesia deu origem não só as armas que causariam a sua própria morte, mas também aos homens que manejariam tais instrumentos: os proletários.
Marx e Engels passam então a falar sobre essa classe, a dos operários. Lembram que estes são tratados como mercadoria, artigos de comércio, sujeitos assim às vicissitudes da concorrência e às flutuações do mercado. Quanto mais progride a indústria moderna, menos importância têm as diferenças de idade e sexo para os trabalhos (mulheres e crianças podem desempenhar as mesmas funções de qualquer outro homem). O texto ressalta também as fases de desenvolvimento do proletariado, das primeiras revoltas à organização política; o conservadorismo das classes médias; o “movimento proletário como o movimento espontâneo da imensa maioria em proveito da imensa maioria” e a necessidade da derrubada (violenta) da burguesia, por ser a existência desta incompatível com a da sociedade.
Na parte 2, o texto aproxima comunistas e operários, listando os principais objetivos de ambos: “constituição dos proletários em classe, derrubada da supremacia burguesa e conquista do poder político pelo proletariado”. Como teoria comunista, destacam uma única fórmula: abolição da propriedade privada. Apontam também, como a primeira fase da revolução operária, o advento do proletariado como classe dominante (a conquista da democracia), listando medidas a serem adotadas nesta fase (por exemplo, centralização do crédito e dos meios de transporte nas mãos do Estado, instituição de impostos progressivos, etc).
Já na parte 3, fazem críticas ao socialismo reacionário (por sua manutenção das relações de troca, de produção e do ponto de vista burguês), ao socialismo conservador ou burguês (considerado reformador, e não revolucionário) e ao socialismo e comunismo crítico-utópico (pois utilizavam exemplos burgueses, sem partir para a luta política). A solução seria o Socialismo Científico.
Por fim, na quarta e última parte, Karl e Friedrich resumem o apoio prestado pelos comunistas em toda parte a qualquer movimento revolucionário contra o estado de coisa social e político existente, tratando da questão da propriedade e trabalhando pela união e pelo entendimento dos partidos democráticos de todos os países, conclamando os operários de todo o mundo à união transnacional e à revolução comunista através da mensagem: “PROLETÁRIOS DE TODO O MUNDO, UNI-VOS!”.
POSTADO POR ALYSSON PIMENTA RODRIGUES – 1º ANO – DIREITO NOTURNO

O desenvolvimento da classe proletária

Em o "Manifesto do Partido Comunista" Marx faz uma crítica ao sistema capitalista e suas consequências para a sociedade da época, principalmente a respeito da classe operária, que vive nessa época em más condições de vida, vendo isso, Marx propõe uma organização do proletariado em uma classe social capaz de mudar essa situação.

Para Marx essa mudança seria a revolução, mas para que esta seja alcançada seria necessário um desenvolvimento da burguesia industrial para que a partir deste, o proletariado industrial se desenvolva.ou seja, é preciso que a burguesia cumpra seu papel para que a revolução proletária seja possível.

O desenvolvimento da burguesia industrial, causa do desenvolvimento do proletariado, seria baseado na transformação dos meios de produção, mas que isso se daria à custa da exploração do trabalho operário, e o texto contribui para a tentativa de se achar uma solução para os problemas causados por essa exploração.

A revolução partiria de uma luta com bases na organização social de uma classe, onde seria pregado o fim da propriedade privada, o que gerou diversas interpretações incorretas, e que se multiplicaram entre a população geral temente ao comunismo. sobre suas metas. Porque na realidade este não visa acabar com o poder de conquista dos produtos sociais, e sim elimina o tipo de trabalho que é submisso aos detentores dessa conquista.Causando a destruição do conceito de divisão das classes sociais.

Concluindo, O Manifesto do Partido Comunista visa a substituição da sociedade capitalista burguesa, pelo desenvolvimento dela própria, onde o proletariado industrial também se desenvolveria, organizando-se e partindo para a revolução. Após essa revolução a nova sociedade comunista seria baseada em uma associação onde cada indivíduo poderia se desenvolver livremente e que esse desenvolvimento seria a condição para o desenvolvimento de todas as outras pessoas.

domingo, 12 de junho de 2011

Ao proletariado:a consciência de seu poder

Ao analisarmos o Manifesto Comunista, elaborado por Karl Marx e Friedrich Engels, é interessante notarmos que logo no início do texto, fica claro que para seus autores a burguesia é uma classe essencialmente revolucionária, que apesar de sempre estar se reinventando não aboliu de forma alguma os antagonismos de classes. Isso fica claro ao constatarmos que há um evidente violento conflito: o da burguesia contra o proletariado.

Outro ponto da abordagem de Marx e Engels que merece destaque é a análise que ocorre sobre a evolução dos meios de produção através da história. A princípio, temos o sistema feudal, em seguida surge a manufatura e finalmente, com o aumento da demanda, a manufatura dá lugar à indústria. Dessa evolução anteriormente relatada, há a produção de uma nova classe: a burguesia moderna.

Essa nova classe “substituiu a exploração velada por ilusões religiosas e políticas, pela exploração aberta, imprudente, direta e brutal.”. Ou seja, essa classe, ao utilizar-se dos novos meios de produção, fez com que o trabalhador trabalhasse pelo aumento da produção, pela eficiência e não pela esperança em alguma recompensa de caráter metafísico ou algo do gênero. Além disso, houve uma “globalização” da produção, pois, como podemos constatar vislumbrando os atuais meios de produção, há uma dispersão dos locais onde se produz e idealiza partes integrantes de um mesmo produto.

Existem duas consequências bastante visíveis ao analisarmos a burguesia e seus efeitos sobre a sociedade como um todo: a primeira resume-se no fato de haver um significável aumento nas aglomerações urbanas (urbanização), e a segunda é encontrada nas periódicas crises que o sistema capitalista enfrenta durante sua existência. A crise imobiliária de 2008 iniciada nos EUA exemplifica perfeitamente a segunda consequência mencionada. E o atual crescimento vertiginoso de cidades por todo o globo concretiza o que foi dito na primeira consequência.

O desenvolvimento burguês, no entanto, acarretou o desenvolvimento de outra classe poderosíssima, o proletariado. É ele que opera as máquinas dos patrões burgueses, ele é a força produtora e, por essa razão, se dá seu poder. Sua exploração é evidente a todo momento na história capitalista e por tal razão é compreensível que essa classe ora ou outra manifeste-se contra um sistema que somente a oprime. Tais manifestações são de certa forma, organizadas através de instituições que representam os interesses proletários dentre os quais se destacam os sindicatos.

Voltando à questão da luta de classes, pode-se dizer com certeza que a proposta mais agressiva em relação a seu enfrentamento é a dos comunistas. Segundo Marx e Engels, “a teoria dos comunistas pode ser resumida em uma sentença: abolição da propriedade privada”. Essa propriedade baseia-se no antagonismo de capital e trabalho assalariado. Baseia-se, portanto, na exploração do proletariado que sofre entre outros abusos o da mais-valia.

Apesar de a proposta parecer violenta, os autores ressaltam que na verdade a propriedade privada é um privilégio de uma minoria social e que, dessa forma, extingui-la seria um benefício para a maioria dos integrantes da sociedade. Essa melhoria social é expressa na seguinte sentença do texto: “Na proporção em que a exploração de um indivíduo por outro termina, a exploração de uma nação por outra também terminará. Na proporção em que o antagonismo entre classes dentro da nação desaparece, a hostilidade de uma nação para outra terminará”.

Em síntese, o que Marx e Engels procuram explicar no Manifesto Comunista é que o proletariado é a classe social com mais potencial revolucionário e com maior força que existe. É a classe que torna a produção em larga escala algo viável e, portanto, sua existência é fundamental para que a burguesia se mantenha íntegra. Por essa razão, os autores defendem através de pressupostos do Manifesto e de grandes argumentos e exemplos, que o proletariado deve se unir e atuar em prol de seus interesses e de melhorias que beneficiem a maior parte da sociedade. Pois, segundo eles “os proletários nada têm a perder fora suas correntes. Têm o mundo a ganhar”.

Sonhadores de todos os países, uni-vos?

"Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada pelo que lutar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz

(...)

Imagine não existir posses
Me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade de humana
Imagine todas as pessoas
Compartilhando todo o mundo

Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Eu tenho a esperança de que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo será como um só."

Estes são trechos traduzidos da música "Imagine" de John Lennon. É Lennon, mas poderia ser Marx.

Ao ler "O Manifesto Comunista" de Karl Marx é possível observar os ideais do autor. Ele não fala exatamente sobre o fim dos países ou da religião, mas trata estes como consequência do desenvolvimento real do socialismo. Já o fim das posses, da propriedade privada, da ganância e da fome e a formação de uma sociedade igualitária são ideais já amplamente conhecidos do socialismo, também sendo facilmente observáveis no manifesto. Por fim a chamada para que as pessoas se juntem em prol deste ideal na música de John Lennon, da mesma forma como Marx encerra seu texto com a célebre frase: "Proletários de todos os países, uni-vos!" Sim, são palavras diferentes, são contextos diferentes, Marx chama os proletários e John Lennon chama a todos. Mas no fim das contas as ideias dos dois não eram as mesmas? O intuito nos dizeres e até a forma como foram colocados não seriam os mesmos? Claramente sim.

Marx e Lennon foram grandes sujeitos de grandes ideais. Entretanto o fim dos pensamentos de Marx na prática e a morte do próprio John Lennon fazem com que certas análises sejam necessárias:

Ambos tratam religião e nacionalidades como passíveis de causarem diferenças. A diferença é necessária para o ser humano, as pessoas tendem a ser diferentes e não são esses dois fatores que causam a briga entre elas, mas sim a intolerância em volta deles. E também não é necessariamente a posse que causa as desigualdades. Como o próprio Marx diz, a posse de terras na época dele era de cerca de 90% nas mãos dos grandes latifundiários e isso não é por culpa da posse, mas por culpa da ganância humana! Nenhum ser humano acharia ruim se o outro tivesse posse do suficiente para viver e ser feliz com dignidade e até mesmo um algo a mais se achasse necessário, desde que não faltasse para os outros. O problema é que a ganância cega o ser humano e a posse dá suporte para essa ganância. Mas a verdade é que religião, nacionalidades e posse não são os culpados, mas sim a intolerância e a ganância humanas. Aqueles são só pretextos para a necessidade humana de praticar o mal para os outros. Não há socialismo que resolva isso.

E é aí que entra a questão do fim dos ideais de Marx na prática e da morte de John Lennon: o fim dos ideais de Marx na prática pode ser entendido como a experiência soviética, claramente fracassada. A antiga URSS não conseguiu nunca levar à prática todos os ideais de Marx. E por incrível que pareça, a ganância e a intolerância de alguns no regime podem ser facilmente citadas como algumas dentre as diversas causas do fracasso. Chega a ser irônico...

Já a morte de John Lennon deveu-se a um fã. O extremo da paixão fez com que o fã matasse o próprio ídolo. E isso acontece diariamente: paixões doentias que terminam em tragédias. Mas voltando ao contexto, a relação disso com o tema é que simplesmente o extremismo causou essa morte. E o extremismo é, querendo ou não, presente nos pensamentos de Lennon e Marx e todo tipo de extremismo, sem exceção, causa isso: destruição. A tolerância deve ser sempre levada em consideração, ela é simplesmente primordial!

Liberdade sem igualdade como vemos atualmente em muitos lugares do mundo é claramente ruim. Mas igualdade sem liberdade e cheia de extremismos também não é tanta vantagem. É como escolher entre a AIDS e o câncer...

Eu particularmente não acredito que essa ou aquela forma seja o perfeito ou o total imperfeito. Só gosto do respeito à liberdade e à igualdade e prefiro fazer minha parte a defender ideais impraticáveis. Talvez se vários fizessem sua parte, no fim uma consciência social, coletiva fizesse do mundo um lugar realmente melhor. E por mais que eu tente viver na prática, na realidade, eu ainda posso ser considerado um sonhador por acreditar que mais possam pensar como penso. Mas quem sabe algum dia mais sonhadores se juntem a mim? Não é impossível. Utilizando de outro trecho traduzido de música, de
outro John, "Belief" de John Mayer: "A convicção é uma bela armadura(...) convicção pode, convicção pode..." Que essa convicção esteja presente em mais mentes.

Já seria um começo...

O Manifesto da Revolução

Partindo de outras obras de Marx, como O Capital, para analisar o contexto mais corretamente podemos entender a importância e necessidade do Manifesto Comunista na época em que foi confeccionado. Marx afirmou em O Capital que o regime capitalista é revolucionário por duas razões. A primeira delas é o fato de a burguesia, com suas virtudes, ter aumentado os meios de produção em um século mais do que a humanidade fizera em milênios, fato esse que Marx exaltava de certa maneira. A segunda é a própria base revolucionária do sistema, que passa por uma transformação incessante, conquistando, expandindo e trocando de rumos e setores de acordo com as variações do mercado.

Essa transformação incessante dos meios de produções seria, para Marx, fecunda e necessária, mas isso se dá à custa dos operários. Ele diz isso porque os operários se especializam em apenas uma parte limitada da produção, correndo risco de perder seu meio de subsistência ao serem substituídos por máquinas, por exemplo. Os economistas respondem a isso afirmando haver ‘compensação’, ou seja, sempre que se criam novos empregos para absorver essa classe, mas Marx diz que isso só ocorre em longo prazo e acaba gerando grande numero de desempregados, o exército de reserva industrial.

Tendo esses aspectos da situação econômica e social em mente, surge o manifesto comunista, partindo de uma análise histórica que distingue a opressão exercida pela burguesia moderna. É possível assimilar que o texto contribuiu de forma muito significativa na busca pela solução de problemas como a miséria, a exclusão de uma massa marginalizada pela sociedade e a exploração do trabalho.

O manifesto critica veementemente o modo de produção do sistema capitalista e as conseqüências à sociedade, que acabou por se moldar por meio desse modo. A intenção era instigar o proletariado a uma organização como classe social capaz de reverter a ordem vigente em favor de sua situação e, para isso, o texto define os princípios do socialismo científico.

A revolução partiria da luta embasada no conhecimento histórico da organização social, com vistas à abolição da propriedade privada, o que acabou por gerar diversas interpretações errôneas acerca dos objetivos finais da implementação do comunismo. Afinal, este não privaria o poder de apropriação dos produtos sociais, e sim anula o poder de submissão do trabalho de outros proveniente dessa apropriação. Enfim, a separação social em classes ruiria assim como a opressão do poder público, culminando com a criação da sociedade comunista.

Em suma, o Manifesto Comunista visava desconstruir a sociedade burguesa, substituindo-a por uma associação de pessoas na qual o livre desenvolvimento de cada um de seus membros seria a condição para o simultâneo desenvolvimento de todos os outros.