Este é um espaço para as discussões da disciplina de Sociologia Geral e Jurídica do curso de Direito da UNESP/Franca. É um espaço dedicado à iniciação à "ciência da sociedade". Os textos e visões de mundo aqui presentes não representam a opinião do professor da disciplina e coordenador do blog. Refletem, com efeito, a diversidade de opiniões que devem caracterizar o "fazer científico" e a Universidade. (Coordenação: Prof. Dr. Agnaldo de Sousa Barbosa)
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quarta-feira, 8 de junho de 2011
Construção da ciência moderna
É objetivo do autor criar uma ciência livre de abstrações infrutíferas, seguindo um método racional e experimental na construção do conhecimento. Em seu primeiro aforismo já deixa claro que o homem é intérprete da natureza, portanto não sabe nem pode fazer mais do que lhe é permitido com a "observação dos fatos ou pelo trabalho da mente".
Outro ponto importante é o aperfeiçoamento da técnica de pesquisa científica, pois assim como treinamos as habilidades manuais, também o fazemos com a mente. Defende ainda que nada se descobrirá de novo sobre a natureza se continuarmos a utilizar os mesmos métodos.
Para Bacon, a ciência é um conglomerado de descobertas que se faz com observação e experimentação, e só assim se controi o conhecimento - daí sua classificação como fundador da ciência moderna. Descarta silogismos e deduções, por confundirem-se devido à combinação das coisas. Elabora duas maneiras de pensamento: uma consiste em partir de princípios pessoais (sensações) para axiomas mais gerais, ou seja, certa antecipação da mente quanto aos eventos; a segunda, ascender de dados das sensações até a verdade mais generalizante através de experimentação e observação dos fatos.
O autor contraria toda a construção da filosofia grega, porque ela parte de abstrações para construção do conhecimento e não usa nenhuma doutrina. Para Bacon, o intelecto sem apoio é incapaz de chegar à verdade. Sua negação da dialética advém ademais do uso de axiomas constituídos pela argumentação pelos gregos, posto que a profundidade da natureza lhe é muito superior ao alcance dos argumentos.
Considera a antecipação a forma corrente de pensamento científico à sua época e a faz seu objeto de crítica. Alerta para a dificuldade de instaurar novo paradigma na ciência quando o corrente questiona não só os resultados, mas até o próprio método, principalmente porque a analogia é o principal meio de compreensão de tudo que é novo.
Bacon conceitua também os ídolos, que são bloqueios à mente humana, em 4 tipos: os da tribo, que fazem o intelecto humano, de maneira geral, funcionar como um espelho que deforma toda imagem que passa por ele; os da caverna, que distorcem a realidade pela natureza individual do ser humano, que busca no seu mundo reduzido, não na amplitude do universo; os do foro, que são ilusões dos humanos em decorrência do discurso; e os do teatro, que representam fábulas e mitos. Para exemplificar um ídolo do foro, utiliza algumas palavras tomadas como concretas que têm múltipla significância, como terra, leve, denso, etc.
Bacon descreve minuciosamente as imperfeições da sofística (que pode levar a enganos ao deturpar a experiência, quando se quer chegar a determinado resultado), o perigo do empirismo (que com seu experimentalismo excessivo pode perder o objetivo) e a redundância da escolástica (que abandona de todo a experimentação ao creditar tudo ao plano divino).
Polêmico, visionário e questionado em seu tempo, Francis Bacon foi um brilhante filósofo que elaborou um eficiente método científico. Embora seja hoje demasiadamente pragmático, aplicado à sua realidade, foi uma verdadeira revolução. Bacon foi um verdadeiro filósofo da ciência.
A divisão do trabalho na visão de Durkheim
sábado, 4 de junho de 2011
Família Capitalizada
- O modelo familiar baseado na divisão sexual do trabalho, em que o homem trabalha fora e a mulher educa os filhos, foi rapidamente capitalizado, as mulheres passaram a trabalhar nas indústrias, deixando os afazeres domésticos e o cuidado dos filhos pequenos para empregadas. Se por um lado essas alterações contribuiram para a emancipação da mulher, por outro representaram diminuição dos vínculos afetivos no seio familiar e da qualidade da criação das crianças.
- Com mãe, pai e filhos submetidos à longas jornadas de trabalho, a instituição familiar na sociedade industrial vê-se resumida a um teto comum ao fim do dia.
Mário Jonas da Silva
A influência industrial no seio da família
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Relações humanas: um produto das máquinas
- Amanda Rufino Leite;
- Danielle Tavares;
- Gustavo Batista;
- Jaqueliny Moraes Larangeiras de Lima Guimarães;
- Natalia Bueno Bárbara;
1º Ano de Direito noturno 2011.
Tema: campo/cidade/novas formas de viver
Já em um segundo momento ( manufatureiro), além da força humana, passam a ser utilizadas forças naturais (vento, água, animais) que se caracterizam como forças motrizes mais eficiêntes, as quais garantem o aumento da produtividade. Entretanto, essa forma de produção ainda se mostra dependente do campo, já que necessita de forças naturais.
O advento da máquina a vapor (segunda máquina a vapor de Watt) revolucionou o sistema produtivo, uma vez que a força motriz ( vapor- água e carvão) passou a ser controlável e móvel. Sendo assim, essas caracteristicas da nova invenção possibilitaram o desprendimento da produção do campo do campo para a cidade, onde houve a intensificação do uso da maquinária.
Esta, por sua vez, gerou mudanças no comportamento do homem. O aumento da utilização de máquinas e a modernização tecnológica destas teve como ambiente produtivo, ou seja, uma menor quantidade de força humana era necessária. Assim, o trabalhador também provava um maior isolamento em sua função no ambiente de trabalho, o que incentivou o individualismo. A alienação do homem dos meios de produção fica evidente nestes trechos do livro "O capital" de Marx: "Quando a máquina-ferramenta, ao transformar a matéria-prima, executa sem ajuda humana todos os movimentos necessários, precisando apenas da vigilância do homem para uma intervenção eventual." "Esse emprego como qualquer outro desenvolvimento da força produtiva do trabalho, tem por fim baratear as mercadorias, encurtar a parte do dia do trabalho da qual precisa o trabalhador para si mesmo, para ampliar a outra parte que ele dá gratuitamente ao capitalista. A maquinária é meio para produzir mais-valia."
feito por: Camila Martinelli Sabongi, Camila Salles Figueiredo, Giovana Stella Suniga, Giovanna Turtelli, Jackeline Ferreira da Costa.
Da subjetividade a objetividade no trabalho

Tem-se o trabalhador, em uma época anterior à industrialização. Sem as máquinas, invenção da contemporaneidade, a criação de produtos depende inteiramente dele, produzir é uma coisa artesanal, livre, flexível. Toda a produção é conhecida pelo artesão que cria desde as ferramentas que utiliza até o produto final, ele é a engrenagem motriz de toda a produção, já que tudo dele deriva. Seu trabalho não é padronizado, há a variação entre os produtos, sendo que estes são todos personalizados.
Com a revolução industrial acontece uma mudança dos paradigmas. A produção deixa de ser subjetiva convertendo-se para objetiva; os artesãos, junto a outros homens, para sobreviver em meio à concorrência desleal das máquinas, largam suas ferramentas e dirigem-se às fábricas tornando-se meros operários, deixam de ser criadores e passam a ser uma pequena parte da produção; inserem-se em um trabalho mecanizado que tem apenas o lucro e a produção para abastecer o mercado como objetivo. Há a alienação do trabalhador, já que este trabalha em apenas uma pequena parte da produção e muitas vezes desconhece o produto final, todo seu talento e inventividade são postos de lado para enriquecer burgueses detentores dos meios de produção, do maquinário.
Assim o trabalho subjetivo é substituído pelo objetivo. Vale ressaltar que são duas formas de produção diferentes e não opostas, do mesmo jeito que o operário não é o oposto do artesão. Nessa mudança, portanto, nota-se que o homem deixa de vender seu trabalho, seu produto e passa a vender sua mão-de-obra, característica mais marcante do capitalismo como o conhecemos atualmente.
Arthur Costa Pontes (diurno)
Bruno Alvarenga Vieira (noturno)
Diogo de Souza Mazzucatto Esteves (noturno)
Guilherme Fernandes Porto (noturno)
Leonardo Mendes Freitas de Lima (noturno)
Matheus Morales Banjai (noturno)
Moacyr de Oliveira Melo Neto (noturno)
A máquina e as transformações sociais
GRUPO: Amanda Bessoni Boudoux SalgadoAna Beatriz Taveira Bachur
Denis Robera Alves
Maria Eduarda Rodrigues
Mateus Perussi de Jesus
TEMA: Dialética e a vida cotidiana
A dialética é o método de análise científica no qual se consideram todas as conexões anteriores que levam a um fragmento final sobre determinado assunto. Seus elementos, basicamente, são: a tese, a antítese e a síntese. O confronto entre as duas primeiras conduz a uma nova idéia com o poder de modificar a concepção vigente das coisas, e assim sucessivamente, gera-se um eterno ciclo de contradições.
Analisando o capitalismo sob uma perspectiva dialética, observamos que a introdução da máquina ao sistema de produção, ao final do século XVIII, gerou profundas mudanças nas estruturas sociais e econômicas da época. Durante o feudalismo, os meios de produção eram adaptados ao uso individual. Cada homem trabalhava com suas próprias ferramentas e a produção era destinada ao consumo familiar. O produto final o pertencia e, portanto, o possível lucro gerado pela comercialização do excedente era seu também.
Com o uso da máquina, a força física do trabalhador já não era necessária como antes, podendo agora crianças e mulheres ser empregadas na produção. Assim a oferta de mão-de-obra multiplica-se. Encontra-se ai uma grande mudança na estrutura familiar dos trabalhadores. O pai da família passava a ganhar menos do que antes, pois sua força e trabalho têm menor valor de mercado, porém tendo a renda familiar complementada com a mãe e as crianças. Entretanto, o custo para sustentar a família cresce, já que mais comida e remédios (necessários pelas condições insalubres do trabalho) são necessários. Havia também crianças que não trabalhavam nas fábricas, mas as mães sim, sendo as crianças deixadas sozinhas, abandonadas e mal cuidadas, fato que também levou ao aumento da mortalidade infantil. Também se via o emprego de narcóticos para aquietar as crianças, prática extremamente perigosa que poderia levá-las a morte.
Ai está a contradição, a medida que se multiplicava o trabalho do operário, sacrificava a estrutura econômica e familiar. Enquanto o dono da fábrica lograva mais lucro, com a enorme produção advinda das máquinas e com a maior oferta de mão-de-obra. O emprego do maquinário alterou mais do que a quantidade de mercadorias, mas também a sociedade.
Como vemos, tese e antítese se confrontaram, e infelizmente, assim gerou-se a síntese da exploração do homem pelos meios de produção, que continua beneficiando uma pequena elite em detrimento de toda uma classe trabalhadora.

Máquinas: fabricando uma nova forma de viver
A transformação da manufatura em maquinofatura trouxe consigo inúmeras mudanças na forma de viver das sociedades da época.
O cotidiano era antes estruturado em torno da família, que se utilizava basicamente da terra ou da renda da produção manufatureira para sua subsistência. Com o desenvolvimento da maquinofatura, mudam as relações de poder dentro do núcleo familiar, que passa a se organizar em torno da força de trabalho.
A importância da força de trabalho obrigou os então operários ao êxodo rural, mudando-se para locações mais próximas das fábricas e alterando a estrutura de seus lares.
Para exercer as funções fabris, não era mais necessária a força física, o que possibilitou o trabalho feminino e o infantil, desvalorizando o papel do homem na função de trazer a renda para a família.
Os operários passam a se moldar a situações extremas de exploração, por diversas vezes, como cita o texto “atestados médicos aumentavam a idade das crianças para satisfazer a ânsia de exploração capitalista e a necessidade de traficância dos pais”, além disso, as condições de trabalho eram agora precárias, com pouca segurança e longas jornadas de trabalho.
Essa transformação dos adolescentes em máquinas, cria uma nova forma de ignorância, diferente da ignorância natural, do espírito que não recebe a devida cultura. A nova ignorância faz com que o adolescente perca sua capacidade de desenvolvimento intelectual, acreditando servir apenas para a produção de mais-valia.
Os meios de comunicação e transporte são um exemplo de nova forma de viver que influencia a vida do operário, mas principalmente a do burguês. Os antigos modos de comunicação e transporte tornam-se obstáculos à industria moderna devido principalmente à sua “velocidade febril de produção em grande escala, ao contínuo deslocamento de massas de capital e trabalhadores de um ramo de produção para outro e com as novas conexões que criou no mercado mundial”. É dessa maneira que vemos surgir os navios a vapor, as vias férreas, os transatlânticos e o telégrafo, filhos da industria moderna, que nunca teriam existido se não fosse pelo desenvolvimento tecnológico exigido e possibilitado pelo desenvolvimento da indústria.
Integrantes:
Katiucia Borssato Cortapasso
Vinícius Orso de Brito
Gabriela Bezerra Pucci
Jéssica Costa
A automatização do ser humano
No capítulo XIII, “A Maquinaria e a Indústria Moderna”, do livro “O Capital”, há um momento em que Marx descreve a diferença entre o trabalho subjetivo e o objetivo.
O trabalho subjetivo consiste na realidade da manufatura, isto é, no fato de o trabalhador desempenhar suas atividades de forma completa para, então, gerar o produto final. Como exemplo, basta analisar uma mesa construída pelo marceneiro. Ele terá de lixar a madeira, cortar todas as partes, pregá-las e pintá-las ou fazer o acabamento da maneira que lhe convier.
Em outra ocasião, já no aspecto objetivo do trabalho, a manufatura é substituída pela grande indústria, a qual fragmenta todos os processos e coloca-os nas linhas de montagem (termo este cunhado após a morte de Marx, mas que exemplifica a automatização dos procedimentos), onde cada funcionário desempenha uma função específica (como o pregar de cada peça ou o corte das madeiras pela máquina, bastando o correto posicionamento delas, entre outros.).
Na primeira situação, a pessoa detém todo o conhecimento das fases de construção do produto. Assim, ela torna-se única por poder criá-lo à sua maneira. Na segunda, cada indivíduo atuará de forma mecânica, focando apenas uma atividade. Neste caso, fica fácil substituí-lo porquanto qualquer outro sujeito pode cumprir suas atribuições.
Dessa forma, o que se percebe é a transformação do ser humano em autômato, pois sua capacidade intelectual é desperdiçada ao converterem-no em mera máquina de repetições.
Foi a partir de tais raciocínios e de tamanha miséria gerada por essa conjuntura que Marx, Engels e outros estudiosos da sociedade formularam propostas de subversão, as quais até hoje influenciam de maneira contundente o nosso cotidiano.
Integrantes:
Gustavo Ronconi
Luiz Antônio Dias
Maciel Oliveira
Rahman Kassim
Renan Mello
Wagner Shiroma
Revolução Industrial: uma transição social

Grupo com o tema 4:
A partir da leitura do texto “A maquinaria e a indústria moderna”, podemos compreender que Marx explana as modificações que ocorreram no processo produtivo na transição do campo para a cidade.
No campo, o trabalhador era peça fundamental no processo produtivo, uma vez que dominava todas as etapas da produção, sendo que esta era artesanal e de pequena escala. Para realizar o seu trabalho, o camponês utilizava ferramentas, sendo que a força motriz era sempre proveniente da natureza ou o próprio homem. O trabalhador tinha menor carga horária e trabalhava com o intuito de suprir suas necessidades mínimas de existência.
Já na fase transitória, houve o aperfeiçoamento técnico, e assim, o desenvolvimento da manufatura graças ao capital acumulado pela burguesia. Isso demandava uma mão-de-obra, que estava disponível na cidade, uma vez que a produção feudal estava em declínio. Portanto, os principais motivos para essa transição foram: o surgimento das máquinas, modificando a força motriz; a mão-de-obra disponível devido ao êxodo rural; matéria-prima de fácil acesso graças à evolução dos meios de transporte.
Por fim, na cidade, com a consolidação da manufatura primordialmente urbana, tivemos como conseqüência a inserção das mulheres e das crianças no mercado de trabalho. Antes, no campo, o homem era a força motriz da produção e somente seu trabalho era necessário. A partir do deslocamento para a zona urbana houve a necessidade e a facilidade de inserção das mulheres e crianças no processo produtivo devido ao fato das máquinas poderem ser manuseadas por qualquer pessoa (sem necessidade de força física). Além da elevação do custo de vida que exigiu que toda a família trabalhasse para que houvesse aumento da renda.
Nesse contexto, o trabalhador deixa de ser peça fundamental do processo produtivo, pois a máquina substituiu seu trabalho. Portanto, a máquina passa a ser a força motriz da produção em oposição ao modo de produção artesanal.
Outra observação é que o homem não domina mais todas as etapas da produção, então, o trabalho especializa-se e tem como conseqüência a alienação.
Com a máquina, a produtividade aumenta, uma vez que é possível produzir em maior escala em menor tempo, junto com o aumento da jornada de trabalho, tendo por conseqüência o barateamento da mercadoria. Com essa nova estruturação do modo de produção, o menor tempo de trabalho é designado para atender às necessidades do trabalhador, enquanto a maior parte corresponde à mais-valia, que é apropriado ao patrão. Não tendo escolha o trabalhador vende sua força de trabalho ao burguês, ficando vulnerável ao sistema capitalista.
Essa situação carrega uma contradição, visto que, apesar da produtividade e dos lucros terem aumentado, a população em geral empobreceu.
Para ter uma melhor perspectiva desse processo, disponibilizamos um pequeno vídeo que demonstra o processo evolutivo de produção. Para visualizá-lo clique aqui.
MÁQUINA PELA MÁQUINA: CATALISANDO A EVOLUÇÃO

A ferramenta difere-se das máquinas pois a primeira é movida pela fora humana enquanto a segunda por qualquer força natural, diferente da humana. Como coloca o autor a ferramenta é uma máquina simples, enquanto a máquina é uma ferramenta complexa, ou seja, ambas se completam e são necessárias para o bom funcionamento da outra.
Não se pode esquecer que diferente do pensamento comum, as máquinas são anteriores às ferramentas, uma vez que a aplicação da força animal é uma das mais antigas da sociedade.
Historicamente, o homem só poderia recorrer, anterior à Revolução industrial às ferramentas como força de trabalho, mas no século XVIII com a invenção da máquina, como conhecemos hoje, criou-se novos de produção, onde em menos tempo , era produzido mais.
O progresso da Revolução industrial é produto da própria revolução, pois teve como elementos fundamentais e evolução da força motriz, a máquina se transforma fazendo com que o homem perca sua função de força motriz, atuando apenas na operação da máquina, podendo em alguns casos, apenas supervisionar o funcionamento das máquinas. Como exemplos existem as bombas utilizadas pelos holandeses de 1836 a 1837, onde estas foram construídas de acordo com as bombas comuns, se diferenciando simplesmente que as máquinas passaram a ser movidas à vapor e não com mãos humanas. e aprimoramento das condições das máquinas.
Vale lembrar que existem dois sistemas de produção principais, o sistema de manufaturas e o sistema de fábricas mecanizadas. O primeiro implica na necessidade da separação e possível interrupção das etapas do processo de produção, afinal o trabalho implica maior dificuldade e um caráter manual, implicando em uma menor quantidade de produtos em mairo tempo. Já a fábrica mecanizada, exige a continuidade das etapas de produção para assim haver um produto mais rápido e em maior escala. Pois a máquina trabalha de forma mais perfeita e eficaz.
A evolução das máquinas claramente criou a necessidade e propiciou o progresso dos meios de comunicação e transporte, que figuravam empecilhos para o desenvolvimento da atividade industrial. Dessa forma, a própria revolução das máquinas voltou-se para o aprimoramento dessas tecnologias.
Com a introdução das máquinas, o valor do trabalho humano diminui, pois o esforço do homem decresceu. Passou-se a valorizar os trabalhos intelectuais em detrimento dos trabalhos braçais.
Por fim, não podemos descartar a relevante importância da manufatura, a qual serviu como base para o advento das indústrias modernas, afinal a máquina deve sua existência à força e habilidades pessoais de certos indivíduos.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Máquina, Ferramenta, Tecnologia (em Marx)
Máquina: para o bem ou para o mal?

Karl Marx num primeiro momento no 13° capítulo de sua obra, O Capital, busca a priori discorrer da forma mais clara possível sobre as relações de maquinário, tecnologia e ferramenta no âmbito do meio de produção capitalista.
Tratando-se das dependências entre o que é a máquina e o que é a ferramenta, Marx passa a seguinte definição: ‘’... a ferramenta é movida pela força humana e a máquina por uma força natural diversa da força humana...’’; a partir deste ponto é apresentada uma forte tese que da base a teoria central defendida pelo autor, a pertinência da existência de um maquinário e de uma tecnologia cada vez mais avançada para a sobrevivência do método de exploração burguês para com os proletários numa sociedade voltada ao rendimento do mercado. Tal método é nomeado pelo autor como ‘mais-valia’, que tem por essência a apropriação dos bens de produção sociais por parte do patronado (leia-se burguesia ou donos dos meios de produção).
No entanto, é necessário depreender que a máquina não afeta somente a questão burguês-lucro, ela também atinge de forma direta e incisiva a relação entre o trabalhador e a produção assim como a relação entre trabalhador e o produto de sua força de trabalho. O desenvolvimento do maquinário através da tecnologia condiciona cada vez mais o trabalhador a se alienar de seu próprio trabalho, retirando dele suas especialidades e capacidades próprias, assim tornando-o vulnerável à substituição.
É inegável também que quão maior for a tecnologia empregada no método de produção, maior será o acúmulo patrimonial gerado, logo o maquinário desenvolvido ao menos em tese não se versa de todo o mal, uma vez que permite a produção de riqueza necessária para o cumprimento da demanda social.
Em suma, Marx apresenta em sua obra uma crítica profundamente dialética sobre o desenvolvimento tecnológico de produção permitido pelo capitalismo e suas influências. Ao passo que notamos uma máquina que substitui, aliena, incapacita em termos e banaliza a força de trabalho proletária, temos também uma máquina geradora de riquezas em escalas jamais vistas e que pode, com o devido empenho servir ao bem comum dos mais diversos estratos da sociedade.
Sobre a subjetividade e a objetividade do trabalho
Pode-se então citar Dejours para ilustrar a diferenciação da subjetividade e a objetividade do trabalho:
” A subjetividade do trabalhador tornou-se fragmentada na atual sociedade capitalista. A busca por pequenos gozos narcísicos, os novos modelos de produção e gestão, representados atualmente pelo toyotismo, e a disseminação de uma ideologia tipicamente alicerçada nos valores sociais e econômicos capitalistas, foram capazes de propiciar o sequestro da subjetividade do trabalhador e, consequentemente levá-lo a enfrentar condições físicas e psicológicas de trabalhos cada dia mais precárias.”
A apropriação dos meios de produção pela burguesia. Êxodo rural gerou um grande exército de reserva, discurso ideológico baseado na produção e consumo. -> Divórcio entre o produto e os meios-de-produção e o conhecimento.
Quanto a objetividade, o êxodo rural, consequência da maquinização do trabalho rural, gerou um grande exército de reserva pronto para atuar na indústria da cidade. Isso leva a um meio de produção mecânico, onde o homem se torna apenas um instrumento de produção para assegurar a manutenção do novo sistema capitalista da sociedade. No entanto isso gera insegurança ao trabalhador da cidade em relação à estabilidade de seu emprego, que sabe que pode ser facilmente substituído por novos maquinários. E então, já não tendo grande influência sobre o produto final, somente obedecendo ordens da classe que realmente detém os meios de produção (burguesia), e ainda desestimulado pela insegurança, a subjetividade dentro de seu trabalho diminui cada vez mais.
postado pelo grupo:
Gabriel Emir Maia Quadrado
Guilherme Augusto Cardoso
Kamila Meneghini Bradan
Lucas Takahashi Tashiro
Luis Felipe Hetem
Maira Barbim
Marina Ferreira Segatti
Matheus Grisolia Elias de Andrade
Direito Diurno
As engrenagens da dialética
A Dialética é um conceito baseado na ideia da existência de três eixos centrais. São eles: a tese, a antítese e a síntese. A tese consiste em uma afirmação; a antítese em uma contra- afirmação e a síntese em um resultado da oposição entre estes. É importante ressaltar que a síntese é estritamente relacionada ao contexto histórico no qual um fato é analisado.
Na capitulo XIII da obra em questão (O Capital), a tese estaria caracterizada pelos donos dos meios de produção. Com a incorporação do maquinário na sociedade industrial, percebemos um fortalecimento da tese. A produção cresceu muito e os operários passaram a trabalhar mais (intensificação do trabalho), sem um respectivo aumento dos seus salários e benefícios. Este aumento produtivo enriqueceu, portanto, somente os donos dos meios de produção (tese).
Com este fortalecimento da tese, a opressão sobre o proletariado, sendo este a representação da antítese, aumentou sobremaneira. A mão de obra era constituída de forma a não fazer distinção entre gênero e idade. Os operários trabalhavam sob carga horária abusiva, condições insalubres e baixa remuneração e tinham sua vida cotidiana e o viver de suas famílias alterado, o que causava descontentamento da população e fazia com que esta se revoltasse. Temos aí, portanto, uma intensificação da antítese.
A expressão do embate entre tese e antítese é a luta de classes, e à medida que ela se energiza, a consequência histórica muda juntamente com a síntese. Em um primeiro momento, no qual a tese prevalece absolutamente, o Estado é liberal e permite o crescimento apenas da burguesia, a síntese tem basicamente o conteúdo da tese. Durante o processo de enrijecimento da antítese, a burguesia se vê pressionada a ceder à demanda por meio de estatutos sociais, efetivação da garantia de direito fundamentais e a tutela de direitos coletivos.
É diante dessa análise que percebemos a importância da dialética marxista sobre a vida cotidiana e sua contribuição para a transformação do viver.
Grupo: Bruna Martins Federici, Carolina Sabbag Salotti, José Arthur Fernandes Gentile, Osvaldo Rodrigues Junior, Victor Nobrega de Abreu.
DIMENSÕES SUBJETIVA E OBJETIVA DO TRABALHO

Anteriormente à Revolução Industrial, o trabalho era desenvolvido por artesãos e produtores manufatureiros, cuja produção estava inteiramente submetida ao seu domínio, sobretudo organizados na forma das corporações de ofício. Nesse formato, o trabalhador tinha grande liberdade de criação, flexibilidade de horário e podia conhecer sua identidade no produto concebido por seu labor.
Com o advento da máquina a vapor e de tantas outras inovações tecnológicas, as relações de trabalho sofreram distorções: o homem perdeu seu papel ativo nos ditames da produção, ficando submetido ao ritmo imposto pelas máquinas e tornando-se o seu mero operador. Deixa de ter autonomia sobre a criação, partindo-se exclusivamente de modelos predeterminados, além de estar restringido a apenas fragmentos do processo produtivo. Como consequência disso, enxerga a sociedade sob uma visão reduzida, como se tentasse observar uma paisagem por uma ínfima fresta de uma janela. Como Marx explica: “O capital faz o operário trabalhar agora não com a ferramenta manual, mas com a máquina que maneja os próprios instrumentos”.
Na medida em que essas transformações ocorrem, o trabalho deixa de lado seu fim social de caráter subjetivo, isto é, que parte da iniciativa humana, e assume um aspecto objetivo que prioriza a dimensão econômica da atividade, vendendo, assim, a força produtiva do homem, bem como de toda sua família. “A maquinaria transformou-se imediatamente em meio de aumentar o número de assalariados, colocando todos os membros da família do trabalhador, sem distinção de sexo e de idade, sob o domínio direto do capital. O trabalho obrigatório para o capital toma o lugar dos folguedos infantis e do trabalho livre realizado, em casa, para a própria família, dentro de limites estabelecidos pelos costumes”.
Portanto, numa conjuntura em que o capital impera e determina a máquina como senhora do processo produtivo, o homem reduziu-se a um simples apêndice da mesma, sem ao menos ter consciência disso – o que é fruto da alienação que decorre do capitalismo e o sustenta, ao lado da mais-valia, instrumento de exploração e garantia do lucro do proprietário dos meios de produção.
Grupo: Ana Carla Pessin de Souza, Henrique Lima de Almeida, Laura Melo Zanella, Laura Soriano Infante França e Letícia Buranello Moura.
O Capitalismo e seus impactos sociais

A Revolução Industrial modificou a estrutura sócio-econômica da Europa, e, posteriormente, do mundo, com a passagem do capitalismo mercantil para o capitalismo industrial. A introdução da máquina provocou o expurgo dos camponeses em direção às cidades, que não conseguiram absorver tamanho contingente populacional, a exemplo dos cercamentos na Inglaterra.
A mecanização das forças produtivas trouxe profundos impactos sociais e familiares devido à reificação do proletariado que ela promoveu. Condicionados às vilas proletárias, sem condições dignas de vida, os proletários se empobreciam à medida que a acumulação capitalista se ampliava, no chamado processo de “pauperização” com o qual Marx trabalha. Ele defende a constante intensificação da mais-valia, com a qual o capitalista é favorecido sempre em detrimento do proletário.
A pauperização e o desemprego contribuem para a modificação das relações familiares e sociais. As longas jornadas de trabalho provocam o distanciamento entre os membros da família e entre os membros da própria sociedade, além do esgotamento físico e psicológico, afetando também a divisão sexual do trabalho então vigente. Os baixos salários geravam a necessidade de complementação da renda familiar pelas mulheres e crianças; as mulheres passam a levar uma jornada dupla de trabalho – nas fábricas e no lar – e se distanciam de seus filhos.
As crianças são forçadas a ingressar precocemente no mercado de trabalho, no qual exercem funções degradantes, inadequadas para sua faixa etária, o que se assemelha ao trabalho escravo. Marx lembra que muitas crianças eram traficadas ou alugadas por seus pais e orfanatos, criando um grande círculo de exploração infantil, muitas vezes anunciada até em jornais.
Tudo isso contribuiu para a deterioração da educação, que já não é mais considerada prioridade, em função da acumulação do capital e da exploração gerada por ela, ensejando uma cultura de consumo e exploração que promove a decadência da cultura das sociedades.
Vale lembrar que houve alguns movimentos em prol de modificações da estrutura capitalista, como o ludismo (quebra das máquinas) e cartismo (movimento operário organizado por maior participação política), mas que ficaram apenas na história, sem obterem grandes resultados.
No entanto, o regime capitalista modificou-se, uma vez que atualmente há leis trabalhistas e políticas sociais que barram parte da brutalidade do sistema, no chamado “Estado de bem-estar social”. Ainda assim, permanece a tendência de esfriamento dos laços familiares e sociais.
Grupo: Ana Cristina Alves de Paula
Edilberto Marassi
Gabrielle Ota Longo
Henry Suzuki
Tema da discussão: Família e relações socias
A influência das máquinas na vida cotidiana
O capitalismo criou um mecanismo que permitiu uma ampliação da produção, através das maquinas foi possível inserir mulheres e crianças nas fábricas.
A máquina, ao aumentar o material humano dentro do sistema de produção, amplia, ao mesmo tempo, o grau de exploração dos trabalhadores. O aumento da produção causou diminuição da qualidade de vida e estabeleceu condições precárias de trabalho.
Nesse contexto, havia “ruina física das crianças, dos jovens, das mulheres, submetidos diretamente pela maquina à exploração do capital nas fabricas mecanizadas”, como por exemplo, “a imensa mortalidade dos filhos dos trabalhadores, nos primeiros anos de vida” que havia.
Nos primórdios do capitalismo, teoricamente, a máquina deveria amenizar a exploração dos trabalhadores e melhorar as condições de trabalho que influem na qualidade de vida dos mesmos. Contudo, percebemos, que o que ocorreu foi o contrário, pois o trabalho foi ainda mais desvalorizado visando o aumento do lucro dos capitalistas com a mais-valia.
O contingente de pessoas em busca de empregos era grande. Apesar dos baixos salários, os trabalhadores se submetiam às péssimas condições, pois, se não fizessem, haveria quem os substituíssem nas fábricas. A remuneração insuficiente obrigava todos os membros da família a ingressarem no mercado de trabalho.
Amanda Mubarak de Oliveira, Maiara Motta, Melina de Araújo Lima, Thalita Moreira.
Família/Relações Sociais
O surgimento do Capitalismo e as alterações provocadas por esse sistema transformaram a dinâmica familiar, tornando todos os membros da família, sejam eles homens, mulheres ou crianças, força de trabalho em potencial. Esse fato acabou por usurpar o sentido da família existente até então.
O valor do trabalho passa a estar vinculado ao tempo de trabalho, não somente à sua qualidade, fazendo com que os trabalhadores fossem submetidos a uma exploração sem limites, enfrentando jornadas de trabalho que se estendiam por um longo período do dia. Sendo o trabalho exploratório o único meio de sobrevivência, cada membro da família exercia uma função ou era inserida em um cargo.
A ânsia dos detentores dos meios de produção para que ela fosse intensificada impulsionou o desenvolvimento tecnológico. Ao longo do tempo, portanto, o trabalho braçal foi substituído pela maquinaria. O trabalhador passa a ser o apêndice da máquina, sendo que sua função passa a ser de controlá-la. Assim, “a maquinaria desde o início amplia o material humano de exploração, o campo propriamente de exploração do capital, assim como ao mesmo tempo o grau de exploração.” (MARX, Karl. “O capital”)
Na concepção de Marx, as relações sociais não passam de relações econômicas. Dessa maneira, o âmbito econômico regia o âmbito social. Da época da análise de Marx até os dias atuais, o Capitalismo se modificou, o que garantiu sua sobrevivência como modo de produção predominante. Sua estrutura, no entanto, conservou-se. Ainda hoje as relações econômicas determinam as relações sociais.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Necessário "ponto de mutação"
Esse cenário de conflitos propicia uma rica discussão filosófica, na qual são abordados alguns temas como a teoria filosófica de Descartes e a sua visão ultrapassada, o que conclui a cientista. Sonia Hoffman acredita que o Cartesianismo não é vantajoso, sendo, até mesmo, prejudicial ao desenvolvimento do ser humano; o mundo deve ser compreendido como um todo no qual os entes que o compõe (do qual fazemos parte) estabelecem relações entre si, ao contrário do que propunha Descartes com sua ideia de separação das partes para melhor compreender o todo. Deve-se, portanto, entender as conexões para depois resolver os problemas.
Nessa perspectiva, consegue-se pensar em um mundo com crescimento sustentável e melhores condições de vida para todos. Uma das maiores preocupações do filme, e que se aplica muito à atualidade, é a questão ambiental e o desenvolvimento econômico, questionando se é possível atender às necessidades da sociedade atual sem comprometer as gerações futuras e o atendimento de suas próprias necessidades, como também, sem comprometer o desenvolvimento econômico e tecnológico.
Deve-se, assim, mudar a maneira de ver o mundo e apostar na educação ambiental, trabalhando-a interdisciplinarmente em uma grande teia interligada a diferentes disciplinas, tendo como intuito a análise de fenômenos. Apenas dessa forma, rompendo com modelos clássicos, seria possível evoluir e se preparar para o futuro.
Para concluir, o "ponto de mutação", ao qual se refere o título da obra de Fritjof Capra e a que corresponde, consequentemente, o nome do filme, consiste na capacidade que o ser humano tem de evoluir e de se adaptar às diferentes situações, ou seja, é, basicamente, a essência da superação do indivíduo.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
O nascimento e desenvolvimento do socialismo
Eles percebem muitas injustiças no cenário industrial, como a exploração e , quase escravidão, cometida sobre os operários. Com base nisso, começaram a pensar nos prováveis caminhos pelos quais isso poderia seguir. Foi então que usaram a ideia do Socialismo. Esse termo não foi invenção nem de Marx nem de Engels; ele já havia sido usado por Henri Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen. Apesar disso, ele foi introduzido de maneira diferente.
O socialismo primitivo, ou o anterior ao de Engels e Marx foi chamado de Utópico. Esse nome foi dado pois eram modelos idealizados, fora da realidade. Para exemplificar, eles esperavam que a solução não viesse do proletariado, pois este seria incapaz . Um ponto a ser destacado a cerca de Saint-Simon é sua visão sobre a disputa entre "trabalhadores e ociosos". Já por parte da Fourier, é louvável a sua crítica à sociedade burguesa, pois muitos tem pouco e poucos tem muito. Na visão de Owen, o trabalho digno e a educação levam a uma coesão social.
Depois de analisada essas questões acima, vieram as ideias de Engels e Marx, e com elas a do Socialismo Científico. Em sua brochura, Engels faz críticas explícitas ao capitalismo e à Revolução Industrial," o mundo burguês , instaurado segundo os princípios dos enciclopedistas, é injusto e irracional e merece, portanto, ser jogado entre os trates inservíveis, tanto quanto o feudalismo e as formas socias que o antecederam".
No trecho acima, é facilmente observado a rejeição de Engels às diferenças sociais existentes ou que já existiram, apesar de ele ser filho de um rico industrial de Barmen. Essas diferenças sociais eram muito fortes na Idade Média,no qual o senhor feudal gozava de uma grande riqueza, enquanto que aos servos sobrava o trabalho árduo e a pobreza; na época onde os principados estavam no auge, também havia uma grande diferença entre os reis e nobres quanto aos burgueses , o camponeses e trabalhadores. Porém, essa diferença gritante foi diminuida no periodo da Revolução Francesa e no começo da era industrial.
Com o passar dos anos, a diferença de renda entre burgueses e o proletariado só crescia. Essa lacuna do estado socio-econômico tende a crescer ainda mais e de uma maneira surpreendente.
O QUE MARX NÃO PREVIU

Marx e Engels iniciam uma nova perspectiva acerca da história, essa é dialética (como já disse Hegel), mas se transforma não a partir da Cultura e sim da estrutura econômica. Funda-se então o Materialismo Histórico que tem como lei principal a luta de classes como motor da história, sua função é desvendar as leis do desenvolvimento histórico.
O que esse pensamento não previu, e o que levou à sua “ineficácia”, é a capacidade do capitalismo de se transformar. O socialismo para se concretizar precisa que o antagonismo burguesia/trabalhadores esteja em seu grau máximo, tornando-se, portanto, insustentável e viabilizando a transformação social através da revolução e não da reforma.
O capitalismo, no entanto, se mostrou mais astuto, e para continuar existindo reduziu as contradições sociais ao longo tempo e contou com diversas ferramentas. Num primeiro momento tem-se: a incorporação dos sindicatos e seu reconhecimento, o aumento dos salários (e conseqüente aumento de produtividade e consumo), e mais tarde, o abandono do sistema muito especializado, o trabalhador passou a compreender o processo total da produção e participar dele.
O capitalismo contou também ao longo do tempo com a sedução das massas, cria-se no povo o desejo de consumir os produtos do capital, fazer parte da tecnologia. A ideologia consumista e reconhecimento de alguns direitos contribuíram muito para a aceitação do capitalismo e alienação da massa em relação à exploração, o trabalhador não mais se vê como classe explorada.
Erra-se ao pensar, no entanto, que o pensamento socialista é, hoje, inútil. A forma de pensar de Engels e Marx é usada até hoje para compreender a história, a economia e o direito como faces de um mesmo sistema, cuja concatenação segue um foco comum. O socialismo não se concretizou como previram os autores, mas ele deve continuar a ser estudado e sua “impotência” não é definitiva, ele pode voltar a ter força efetiva quando for percebida a ainda existente contradição capitalista que foi apenas maquiada.
Utopia: "lugar incomum", "lugar que ainda não é"!
Foram os sans-culottes que invadiram o Arsenal dos Inválidos, o depósito de armas do exército, e depois a fortaleza da Bastilha, um presídio político que simbolizava a natureza violenta do regime contra seus opositores. De Paris, a insurreição popular alastrou-se para todo o país, ecoando na Constituinte. O clero e a nobreza acovardaram-se diante do Terceiro Estado e na noite de 4 para 5 de agosto de 1789 (noite do Grande Medo), todas as propostas encaminhadas pelo Terceiro Estado foram aprovadas, sem qualquer veto. Nesta noite, foi aprovada a abolição de todos os privilégios feudais, dentre eles os privilégios com base no nascimento. Era o fim da estrutura social do Antigo Regime. Diante disso, será mesmo que foi apenas a burguesia quem fez a revolução?
O que é verdade, porém, é que apenas os interesses dessa classe social foram atendidos. Em 26 de agosto a Assembleia proclamou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, garantindo o direito à liberdade (sobretudo a liberdade à propriedade privada, inviolável de acordo com os ideais burgueses), à igualdade jurídica de todos (de todos que pudessem pagar por ela, uma vez que a burguesia estabeleceu um critério censitário de participação popular) e o direito de resistir à opressão (opressão esta exercida pelo clero e pela nobreza que colocava obstáculos aos interesses burgueses). Assim fica claro que a vitória representada pela ampla participação popular foi canalizada para a burguesia, que buscou realizar seu projeto de revolução da forma menos “revolucionária” possível.
Fruto direto do surgimento de um novo mundo capitalista e burguês, de novos anceios de superação da ordem vigente, e das perspectivas de progresso material e social, o Iluminismo foi quem estabeleceu a relação entre sociedade e produção cultural que marcaram a Idade Moderna, caracterizando o predomínio de uma tendência crescente à visão racionalista do mundo, que traduzia a afirmação da burguesia como classse social hegemônica. Paralelamente a isso, a própria consolidação do capitalismo, trouxe, como contrapartida, a consolidação do proletariado urbano enquanto classe. Assim, ao mesmo tempo em que se verifica a supremacia burguesa, temos também a ação política do proletariado ganhando um peso cada vez maior.
Segundo Fredrich Engels e Karl Marx a luta de classes seria a força motriz por trás das grandes revoluções na história. É com base nesse pensamento, que eles fundamentam o materialismo histórico, segundo o qual a resposta para os males de qualquer época não estão nas idéias, mas na própria história. Sendo assim, o pensamento marxista se estrutura, principalmente, por meio da inversão do pensamento Hegeliano. O propósito de uma história pautada no materialismo aparece como uma oposição ao idealismo. Assim Engels afirma que o socialismo moderno é fruto dos antagonismos de classe que imperam na sociedade entre possidores e despossuídos, capitalistas e operários assalariados.
Engels afirma que para converter o socialismo em ciência era necessário, antes de tudo, situá-lo no terreno da realidade. Na obra “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico”, Engels parte de uma análise científica do capitalismo e de uma visão metodológica da histórica para se chegar a uma conclusão acerca dos rumores e dos mecanismos da luta operária. Assim, atribui aos elementos econômicos, à produção da riqueza material e à sua apropriação o papel determinate na estrutura da sociedade.
É importante percebermos que Engels não considera o modelo feudal superior ao modelo capitalista, mas faz uma análise histórica sobre a organização social, política e econômica da época para entendermos como se deu a mudança dos meios de produção e sua apropriação, que geraram o divórcio entre e produtor e os meios de produção, e condenou o operariado a ser assalariado por toda a vida.
A análise detalhada e minuciosa sobre o capitalismo levou Marx à conclusão de que a essência do lucro capitalista localizava-se no que chamou de mais-valia. Consiste ela na diferença, em valor, entre a mercadoria que o trabalho do operário cria e sua remuneração, diferença essa básica para a extração de exedente econômico do capitalismo, e para a reprodução do sistema. Assim, conclui-se que a sobrevivência do Capitalismo está diretamente condicionada ao grau de exploração da massa trabalhadora, o que gera o inevitável conflito entre a burguesia e o operariado. Para que o operariado triunfasse, portanto, era preciso a superação do capitalismo e a instalação de uma sociedade sem classes. Esses objetivos seriam alcançados através de uma revolução socialista. Em um primeiro momento, haveria a socialização dos meios de produção e o controle do Estado pela ditadura do proletariado. Assim, à medida que desaparecesse a anarquia da produção social, diluiria-se também a autoridade política do Estado. Os homens, donos por fim de sua própria existência social, tornariam-se senhores de si mesmos, homens livres. Bom, para muitos, uma grande utopia.
“Utopia” é uma palavra de origem grega, antítese de topoi (“lugar comum”), indentificando-se, portanto, como “lugar incomum”. Sendo assim, procuro acreditar na ”busca desse “lugar não comum”, ou seja, desse lugar “que ainda não é”, mas que poderá vira a ser: a sociedade justa e igualitária, tal qual como proposta pelos mais autênticos ideais socialistas.”Antônio Alberto Machado. Para mim, um mundo enganoso e irrealizável é aquele que justifica desigualdades e explorações, não aquele que busca melhorias e tranformações.
Se podemos afirmar que o socialismo, da forma como foi implantado, na antiga URSS, na China, em Cuba, na Coréia do Norte, não funcionou, também podemos afirmar que em nenhum desse países os ideais socialistas de Engels e Marx foram usados de maneira fiel. Começando pelo fato de que em nenhum deles o capitalismo se encontrava desenvolvido se forma plena, e ao invés de uma socialização do lucro, ocorreu uma socialização da pobreza. O progresso advindo das revoluções industriais e do avanço da ciência e da tecnologia é indiscutível. Seria praticamente impossível, hoje, imaginar um mundo sem esses avanços. No entanto, não devemos maximar o capitalismo, ignorando seus efeitos negativos e muitas vezes desumanos.
