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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

É o direito que garante a livre expressão de opiniões, é ele que vai ser responsável por garantir que diversas opiniões sejam expressas sem que os lados extremos se confrontem de forma violenta, pois caso se utilizem dessa forma o direito também irá puni-los.

O direito, apesar de garantir que expressões pessoais sejam possíveis, ele as vezes se mantém por muito tempo numa visão extremamente tradicionalista em alguns casos, e não consegue alcançar a modernidade em que a própria sociedade se encontra. De certa forma, isso pode ser considerado paradoxal porque o direito deveria refletir a sociedade e fornecer garantias para que ela possa estar sempre mudando a partir de uma discussão saudável, mas isso não ocorre por diversos motivos.

Um exemplo do direito como liberdade são os homossexuais se utilizando da liberdade que o direito proporciona para poderem se beijar em lugares sem que alguém tenha o direito de expulsá-los de lá. Por outro lado, vemos o atraso do direito, mesmo na questão da liberdade, quando os próprios homossexuais não possuíam a liberdade, a possibilidade, de se casarem. Apesar de hoje ser possível o casamento e a união estável, considero ainda essa questão um atraso porque não foram os legisladores que absorveram e se propuseram a se modernizar, foi uma aprovação através do poder judiciário, que é quem teria na verdade a função de interpretar as leis, e não se utilizar de “deslizes” ou criar leis, mesmo que seja, como foi nesse caso, por um bom motivo.

Outra questão que se deve tomar cuidado por ser extremamente subjetiva e depender apenas da interpretação pessoal e de sua forma de pensar o mundo é quando o direito poderia estar garantindo “maiores liberdades” para certas pessoas, empresas, ou grupos. Normalmente, quando se trata de grupos, os direitos que esses adquirem são apenas direitos que lhe eram negados, e não necessariamente um favoritismo. É apenas a reivindicação de algo básico que não era atribuído a eles por mero tradicionalismo e pensamentos retrógrado dos legisladores. Em outros casos, devido tristemente a corrupção e a má índole de alguns advogados e presidentes de grandes empresas, que visando apenas o lucro, ou o ganho pessoal através de possíveis meios ilícitos se utilizam de várias brechas e interpretações duvidosas e de muita propina para conseguirem regalias, alegando como se fossem livres em pedir por tais direitos, que seria legítimo fazer isso em nome também da liberdade de interpretarem da forma como quiserem. Exatamente por causa desses casos que o direito visando uma liberdade absoluta deve ser vista também com cuidado, porque algumas medidas devem ser tomadas, para que pessoas de má-fé não consigam legalizar atos que de forma geral jamais poderiam adquirir tais direitos, pois eles não são garantias de liberdade, mas sim uma forma maldosa de se aproveitar do próprio direito. Triste ainda é saber que apesar de qualquer coisa que seja dita essa prática continuará.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Chegamos a um ponto em que a liberdade como um direito natural é a base da sociedade e do direito, ao menos de forma ideológica, pois nem sempre isso ocorre na prática, mas não é esse o centro da discussão. O foco deste texto é mostrar que a revolução que está ocorrendo dentro das próprias pessoas também é consequência da grande liberdade, entendida sob várias formas que temos hoje.

A possibilidade de nos depararmos com pessoas se drogando, com drogas, com pessoas de diferentes ideologias, das mais extremas até as mais calmas, com pessoas de orientações sexuais diferentes nos incita ao menos a pensar se o que nós somos hoje é de fato a melhor síntese de tudo que já vimos e vivenciamos. Acredito que as pessoas que realmente tem interesse em se conhecer conseguem hoje chegar a um ponto do autoconhecimento que em outros momentos jamais foi possível. Além da vida “física” a vida virtual, a internet, ajuda a se chegar nesse autoconhecimento ao proporcionar de forma muito mais fácil o contato com outras culturas, algumas vezes culturas com bases totalmente diferentes das nossas, e nem por isso seriam “erradas”.

Com isso tento mostrar que a revolução está acontecendo dentro de nós num primeiro momento, ou ao menos deveria acontecer em nós primeiro porque a partir de um costume, de uma rotina em pensar e analisar nossas atitudes podemos então ter maior segurança em alterar nossa forma de agir e pensar, seriam verdadeiras revoluções dentro de nós mesmos, e que de preferência, e provavelmente na sua maioria, são revoluções em que o indivíduo melhore como pessoa em si e na sua relação com o mundo e a sociedade. É possível que essas alterações sejam tão bruscas que por isso digo que seriam grandes revoluções, pois a forma como se entendia o mundo passa a ser totalmente diferente, e isso vai se manifestar nas percepções e nas novas ações.

Acredito que a primeira revolução deve ser feita dentro de nós mesmos, ou mesmo que não ocorra, ao menos devemos pensar então e reafirmar a forma como nos percebemos e o resto do mundo para que sejamos pessoas melhores e mais felizes, sem a necessidade de nos agarrarmos ao consumismo, e se formos nos prender a algo que seja então apenas à pessoas que realmente valem a pena.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O sagrado no direito deve ser respeitado, pois o que é considerado divino ou não, apenas depende de quem o considera, e a liberdade de se escolher o que cada um acha que é sagrado deve ser assegurada pelo direito.

Entretanto, os dois não devem ser vistos como uma coisa única, porque a religião e tudo o que envolve o “sagrado” são baseados a partir de dogmas, que são conhecimentos, ensinamentos imutáveis, mas o direito não pode ser estático dessa forma, pois ele reflete a sociedade e não existe sociedade que não mude em nenhuma característica ao longo do tempo.

Com as mudanças naturais que ocorrem na sociedade, se tivéssemos um direito extremamente ligado à religião teríamos uma sociedade que não respeitaria novas visões de mundo, uma sociedade engessada pela preocupação em manter vivo o que seria considerado certo e o que seria a verdade, normalmente essa verdade é considerada única pelos que possuem e são os representantes do conhecimento dogmático.

Por isso acho que hoje o sagrado apenas deve ser respeitado, e não deve ser levado em consideração nas atitudes de um Estado, nem de nenhum dos três poderes. Considero um absurdo termos cruzes em lugares públicos que deveriam desconsiderar a religião para fazer um trabalho mais justo e eficiente. Ás vezes nos deparamos com cruzes imensas em tribunais, ou em câmaras de deputados e vereadores. Nos espaços onde ocorre discussão pública, ou seja, fora do gabinete de cada funcionário público, não deveria ter espaço para o sagrado, pois pessoas que não dividem essa mesma visão ficam na desvantagem pela possibilidade de serem diminuídas em suas reivindicações ou na forma como o Estado olha para ela.

domingo, 30 de outubro de 2011

Na sociedade pós-moderna acredito que tenhamos alcançado um grau de liberdade incomparável com outros períodos da humanidade, principalmente entre o Estado, ou o governante, e a sociedade.

Em certos momentos os direitos da sociedade eram muito pequenos e “engessados” pelos governante. Essa seria então a “ação”, a tese.

Com fortes pressões, e algumas causando até verdadeiras revoluções o Estado e/ou os governantes tiveram que propor mudanças para que conseguissem se manter de certa forma com o poder que possuíam e conseguir acalmar a população, daí então essa resposta à busca de novos direitos que apenas seriam considerados novos por não existirem antes mas seriam mesmo assim direitos, muitas vezes, básicos. Esse sentimento revolucionário seria a antítese, a reação.

Normalmente o que é proposto pelas partes sempre tende a valorizar a si próprio e a ceder pouco, por isso que mesmo com reivindicações e alterações na forma do Estado “ver” a sociedade surge uma discussão em torno do assunto que irá resultar no novo direito de fato, que será então aprovado por ambos, ao menos pela maioria, e será normatizado para dar, normalmente, mais liberdade para a população. Essa nova produção seria a síntese, que seria o que de fato propõe o tema, pois a síntese está entre a ação e a reação, próximo do “meio termo”.

Os “novos direitos” na sociedade pós-moderna seria então sínteses de várias articulações entre grupos de pressão, movimentos sociais, grupos organizados dentro da sociedade, e indivíduos com grande impacto social forçando que o Estado normatize esses direitos para que sejam então efetivados e sua proteção passível de ser reivindicada pela população.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O meio ambiente por ser algo indispensável a todos os seres vivos apenas consigo ver que sua proteção e sua regulamentação pertencem ao direito público. É de interesse de todos que ele seja mantido, ou que seja utilizado de forma sustentável.

Apesar de alguém possuir um terreno ou uma construção e então a responsabilidade com esses patrimônios estão na esfera do direito privado acho que caso tenha mata, ou algo que mereça proteção ambiental, acho que deveria ser normatizado pelo direito público, pois aquela área verde não irá refletir apenas na vida do dono do imóvel, terá reflexões, em certos casos, em até cidades vizinhas.

Mesmo que seja permitida a extração de certos recursos naturais para uso comercial a proteção, e tudo o que promove a sustentabilidade do ambiente, deveria ser tratado ao menos de forma geral pelo direito público.

Na minha visão o máximo que poderia acontecer seria uma ponderação do direito público em certos casos apenas para garantir a propriedade ao proprietário e o uso dela com o menor impacto possível, mas que essa medida também não fosse obrigatória, porque em alguns momentos a necessidade de se proteger o patrimônio ambiental se faz mais importante que qualquer projeto de apartamentos de luxo em lugares “afastados” do ambiente urbano.

domingo, 18 de setembro de 2011

Privado é público

Na sociedade capitalista a individualidade cada vez mais forte faz com que o direito privado tenha grande importância, porque é ele que irá regular boa parte das ações desses indivíduos, e de certa forma ao regular individualmente todas as pessoas ele passa a ser também público. A diferença entre as duas formas de direito são muito entrelaçadas e pouco perceptíveis em vários momentos e são muito complicadas para serem separadas uma da outra.

Dessa forma pode-se dizer que o privado está no público, porque apesar do regramento ser específico ele deve ser levado em consideração todas as vezes que ocorrer, independente de quem seja os envolvidos.

Em alguns momentos na administração pública o direito público é substituído pelo direito privado como, por exemplo, quando o Estado cria empresas que apesar de serem estatais são administradas como empresas particulares. Assim, o direito usado é o direito privado, o que também é mais um ponto de conexão entre os dois tipos de direito, fortalecendo a ideia de que ambos são intimamente ligados.

Além de serem intimamente ligados podemos dizer que como o privado é “absorvido” pelo público para essas ações se fortalece a ideia de que o privado está no público e não o inverso. Diria ainda que isso é mais lógico porque como vivemos numa sociedade precisamos de um direito que seja abrangente, mas também que saiba reconhecer as diferenças, o que entra então o direito privado como uma forma mais específica de direito público.

sábado, 3 de setembro de 2011

Percepções de justiça

Eu acredito que a frase “alguma justiça é melhor do que nenhuma” serve muito bem pra descrever o sentimento de quem foi vítima de alguma situação em que o responsável pelo ato desagradável não recebeu as devidas consequências na visão da vítima.

Entretanto a justiça de que a frase fala na minha concepção deve ser a justiça aplicada pelo Estado, ao julgar e prender o responsável pelo ato ilícito. A justiça feita pelas próprias mãos, como por exemplo, quando vemos, principalmente, em programas sensacionalistas criminosos sendo espancados pela população. Essa forma de se fazer justiça apesar de eu ser contra acho totalmente compreensível a raiva que a população sente pelo ato que o criminoso fez, não necessariamente raiva contra o criminoso, mas raiva contra a situação, contra a ação.

A partir do momento no filme em que o personagem principal começa a ir fazer justiça com as próprias mãos no calor do filme podemos até a chegar a pensar que o que ele estava fazendo era válido, mas ao começarmos a analisar o que ele fez de forma mais técnica, nos voltando novamente para um pensamento mais racional chegamos à conclusão de que ele estava errado. A justiça que seu país poderia fazer contra os dois meliantes já tinha sido tomada, não cabia mais a ele querer fazer um jogo de crimes e perseguições e assassinatos para fazer o que seria sua própria concepção de justiça. Outro ponto que também me força a pensar que essa forma de se fazer a justiça a partir de suas ideais não é correto, é que somos, por exemplo, no Brasil, para dar um exemplo numérico pequeno se considerado com o resto do mundo, cerca de 200 milhões de pessoas no país. Caso cada um desses 200 milhões de indivíduos fossem atrás de fazer a partir da sua própria concepção a sua justiça não conseguiríamos ter o que chamamos de Estado, pois é o Estado o detentor do monopólio da força, é ele que deve regrar a sociedade, e não cada um escolhendo o que e como seguir.

Assim finalizo dizendo que a frase é válida, mas que se consiga ter percepção e tato para saber de forma mais racional avaliar se a decisão do Estado, que é o responsável por julgar as ações “erradas” é a mais justa possível, a partir duma síntese dos fatos ocorridos.

domingo, 28 de agosto de 2011

Direito como mediador das relações

Na modernidade, para Durkheim, os indivíduos não estão unidos por conta das crenças comuns, mas pela individualidade de seus ofícios de seu trabalho. Portanto pode-se dizer que nas relações contratuais entre os indivíduos há uma característica da modernidade, dessa forma é possível dizer ainda que o direito funciona como mediador entra as expressões da razão moderna.

O direito também se torna a expressão da modernidade porque a especialização que decorre da modernização do trabalho faz com que as pessoas percam parte da consciência que possuem de outros temas, já que estão acostumadas, e foram levadas a fazer tarefas específicas. O direito como uma matéria bastante abrangente e intimamente ligada aos contratos que são formados entre as pessoas no trabalho passa então a mediar essas relações da modernidade.

domingo, 21 de agosto de 2011

Capitalismo: choque cultural

O capitalismo é um sistema econômico que para se sustentar deve incitar o consumo. Para que o “dinheiro continue a rodar” praticamente tudo é válido. Desde usar o dinheiro de contribuintes para salvar empresas gigantes privadas em momentos de desestabilização da economia mundial, ou mesmo deixar de pagar trabalhadores, que são os mais fracos financeiramente dessa corrente, portanto, nesse sistema, são os mais fracos politicamente quando comparados individualmente com pessoas mais abastadas.

Por causa principalmente desses fatores pode-se dizer que o capitalismo não respeita as culturas e costumes e nem as pessoas que o constitui, as pessoas e os Estados que não o aceite e o receba de “portas abertas”, ou que não seja atrelado à ele. Nos lugares que esse sistema não tenha se fixado de forma bastante sólida ainda, o capitalismo chega com grandes propagandas, experts em marketing, tudo para mostrar e aparentar que tais produtos são de extrema importância, ele pretende mostrar que algumas necessidades materiais são reais, que são de fato necessárias, mas elas não são. Esse seria o primeiro passo do capitalismo; seria mudar a percepção das pessoas sobre o que deveria ser tido como básico e necessário. A partir do momento que essa ideia já foi “vendida”, o capitalismo passa a querer vincular a satisfação ao comprar algo com uma elevada felicidade, sensação de plenitude, para então estimular de forma mais clara e puramente o consumo exagerado, independente do produto e da finalidade.

Dessa forma percebemos que o desenvolvimento do capitalismo no mundo, fazendo suas ligações diretas com quase todos os Estados, se globalizando para adquirir novos mercados e novas mercadorias esbarram diretamente com a tradição dos lugares e na percepção das necessidades reais do ser humano. Nas regiões onde o capitalismo não é aceito, o sistema cria empecilhos para que esses lugares sejam marginalizados. E são nessas ocasiões que conseguimos ver ainda mais claro o embate cultural, porque conseguimos analisar dessas situações que de fato nem tudo que nos é ofertado pelo capitalismo é necessário. Pessoas ao redor do mundo conseguem viver sem um “Ipod”, ou sem uma “Coca-Cola” e são felizes.

Hoje é comum pessoas dizerem que seria impossível ficar 24h sem olhar algum tipo de rede social, mas isso não é uma necessidade real, isso é apenas uma ilusão. A cultura de ligarmos pra alguém e marcar de sair apenas para conversar, o ato de “jogar papo fora” passou agora a ser chamado de “comentário”, e as pessoas se prendem à isso. Não conseguem se desvencilhar desses novos costumes.

Apesar dessas ideias comuns ao capitalismo, hoje surge um novo tipo de pensamento que cresce bastante que seria exatamente o inverso ao consumismo desvairado, que é a preocupação pela sustentabilidade e a nova percepção de que a vida com o contato humano, as relações humanas, sociais, são mais importantes e mais gratificantes em vários sentidos do que a vida virtual, ou de uma vida escondida por futilidades. Espero que ao longo dos anos e da nossa necessidade, essa sim real: a de que precisamos mudar nossos conceitos, pois o planeta não aguentará por muito mais tempo nesse ritmo consumista e egoísta divulgado por muitos “materialistas”, consumistas de carteirinha e capitalistas extremistas.

EMBATE DE IDEIAS

Acredito que o embate de ideias, a discussão em si é um meio saudável para que as pessoas consigam expor seu ponto de vista de forma mais clara, e sem a necessidade de tentar se sobressair pela força bruta. A discussão gerada em cima de algum tema polêmico pode gerar conflitos e violência entre os integrantes do debate, mas com essa “resposta” não conseguimos alcançar nenhum objetivo, não conseguimos alcançar nada de positivo para a causa de ambos os lados.

É somente com o debate, e o embate, e com as ideias sendo confrontadas que se consegue alcançar um menor grau de intolerância ou até total aceitação de grupos marginalizados. Em alguns casos esses grupos reivindicam por direitos que na visão deles são direitos fundamentais que não estão sendo respeitados. Um exemplo bem claro desse tipo de discussão que envolve a intolerância de grupos é o caso do embate entre, principalmente, grupos ligados à religião e o grupo dos homossexuais.

Acredito que nessa discussão o foco dela não é a questão de aceitação ou não dos homossexuais, já que os religiosos acreditam em dogmas, que são preceitos imutáveis, e afinal cada um acredita no que quiser. Nesse ponto o problema está como se exterioriza essa opinião.

A discussão teria como melhor foco, nesse caso, na tentativa de diminuir a intolerância. Seria chegar a conclusão através de saudáveis discussões que “ceder” direitos aos homossexuais não tiraria em nenhum momento direitos dos heterossexuais, e principalmente dos religiosos extremistas. A vida deles dentro de seus templos, dentro de suas cabeças fechadas continuariam as mesmas, sem alteração ou alguma forma de perjúrio à eles. Dessa forma poderia ocorrer a liberalidade de certos atos que são tão comuns para heterossexuais e que poderiam ser cedidos aos homossexuais, como o casamento. Seria uma atitude tão simples que não mudaria a vida de ninguém a não ser a dos próprios homossexuais, que provavelmente se sentiriam mais felizes e se sentiriam menos como cidadãos de segunda classe.

A intolerância nesse caso, e em outros casos, acredito eu que não passa de bobagem, preconceito e enraizamento à ideia de que simplesmente “não era assim”, algo totalmente desnecessário e pequeno, pois pessoas com esse tipo de pensamento deixam de aproveitar oportunidades únicas, deixam de conhecer pessoas maravilhosas, simplesmente porque tais pessoas são “indignas”, ou “não são como a maioria”. Acho muito interessante as pessoas ainda hoje no século XXI ficarem com vergonha de falar sobre sexo, algo que COM CERTEZA sempre aconteceu, ou simplesmente possuem receio de dizer a palavra sexo. Existe certa intolerância hoje, exatamente no sentido inverso que Durkheim imaginava que é a intolerância contra o corpo, contra a ideia de sexualidade, de forma geral a intolerância contra coisas que a Igreja, que as religiões ainda hoje são muito conservadoras.

Além desse tipo de intolerância temos outras intolerâncias que possuem reflexos diretos sobre o direito, como o já citado casamento homossexual, mas há outros casos, por exemplo, como antigamente era com o racismo, e que hoje foi possível se “liberalizar” a ideia de ser negro e não ser também, como os homossexuais hoje, cidadãos de segunda classe, por causa principalmente da criminalização do racismo que forçou ainda mais a mudança de hábito das pessoas.

Seguindo uma ordem bem simples de ato-consequência pode-se dizer que quando há intolerância se deve usar do embate intelectual para se chegar à uma melhor condição para os grupos minoritários e dessa forma lutar pela liberalização do ato que está sendo reprimido, sem nenhum motivo realmente plausível pelos grupos majoritários.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Marx e Engels iniciam o manifesto comunista dizendo que esse texto foi feito a partir das opiniões dos comunistas de várias nacionalidades. Se inicia então o manifesto dizendo que a história de todas as sociedades que já existiram é a história da luta de classes, que o opressor e o oprimido sempre existiram e sempre foram dessa forma, ou seja, um grupo tentando submeter o outro aos seus interesses.
Com a chegada da burguesia Marx e Engels dizem que os antagonismos de classe foram simplificados, porque foi ficando cada vez mais claro a existência de apenas duas classes significativas, a burguesia e o proletariado. A cada avanço que a indústria, o comércio, as tecnologias faziam as classes provenientes da Idade Média iam desaaparecendo ou se enfraquecendo.
Ao dizer que a burguesia encontrou na preguiça seu complemento perfeito e que essa foi a primeira prova de que a atividade humana pode empreender, o que poderia ser entendido como a valorizaçao de um terreno que um empresário compra para esperar um tempo e vendê-lo depois e obter lucro. A crítica é que mesmo não criando empregos e sem trabalhar ele obtem lucros.
Um outro ponto abordado pelos dois autores e que pode ser entendido como a globalização que possamos fortemente no século XX é quando eles dizem que há a necessidade, para a burguesia, de um mercado em constante expansão, que ele precisaria instalar-se em todos os lugares do globo, e dessa forma criariam um "mundo à sua imagem", e de fato é o que ocorre hoje e chamamos de homogeneização da cultura, tendo o exemplo mais comum a música norte americana como um dos maiores meios de disseminação de cultura, costume e que alcanço o mundo interior.
Outra relação que pode ser feita com o que está escrito no Manifesto e os dias de hoje é a passagem que diz que o país se tornou "dependente das cidades". Se considerarmos que hoje o setor terciário é o que de fato faz a economia girar e responde, nos países desenvolvidos e mais ricos do mundo, como a principal fonte de dinheiro, é a maior parcela do PIB desses países, e o principal local de atuação dos trabalhadores do setor terciário são as cidades.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Máquina: para o bem ou para o mal?


Karl Marx num primeiro momento no 13° capítulo de sua obra, O Capital, busca a priori discorrer da forma mais clara possível sobre as relações de maquinário, tecnologia e ferramenta no âmbito do meio de produção capitalista.

Tratando-se das dependências entre o que é a máquina e o que é a ferramenta, Marx passa a seguinte definição: ‘’... a ferramenta é movida pela força humana e a máquina por uma força natural diversa da força humana...’’; a partir deste ponto é apresentada uma forte tese que da base a teoria central defendida pelo autor, a pertinência da existência de um maquinário e de uma tecnologia cada vez mais avançada para a sobrevivência do método de exploração burguês para com os proletários numa sociedade voltada ao rendimento do mercado. Tal método é nomeado pelo autor como ‘mais-valia’, que tem por essência a apropriação dos bens de produção sociais por parte do patronado (leia-se burguesia ou donos dos meios de produção).

No entanto, é necessário depreender que a máquina não afeta somente a questão burguês-lucro, ela também atinge de forma direta e incisiva a relação entre o trabalhador e a produção assim como a relação entre trabalhador e o produto de sua força de trabalho. O desenvolvimento do maquinário através da tecnologia condiciona cada vez mais o trabalhador a se alienar de seu próprio trabalho, retirando dele suas especialidades e capacidades próprias, assim tornando-o vulnerável à substituição.

É inegável também que quão maior for a tecnologia empregada no método de produção, maior será o acúmulo patrimonial gerado, logo o maquinário desenvolvido ao menos em tese não se versa de todo o mal, uma vez que permite a produção de riqueza necessária para o cumprimento da demanda social.

Em suma, Marx apresenta em sua obra uma crítica profundamente dialética sobre o desenvolvimento tecnológico de produção permitido pelo capitalismo e suas influências. Ao passo que notamos uma máquina que substitui, aliena, incapacita em termos e banaliza a força de trabalho proletária, temos também uma máquina geradora de riquezas em escalas jamais vistas e que pode, com o devido empenho servir ao bem comum dos mais diversos estratos da sociedade.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Engels começa seu texto fazendo uma alusão muito positiva ao Iluminismo, e a época do séc. XVIII seria a época da razão pensante, e esse império da razão era idealizado pela burguesia. Nesse momento a igualdade se reduziu à igualdade burguesa. No século XVIII a reivindicação da igualdade não se limitava aos direitos públicos políticos, mas se estendia às condições sociais, já não era suficiente para a população abolir os privilégios de classe, mas sim destruir as diferenças de classe.

O antagonismo entre os explorados e exploradores permitia aos representantes da burguesia se fixarem no poder diante da falta de expressão social do proletariado. Engels diz ainda que se até “agora” a verdadeira razão e a verdadeira justiça não chegaram ao poder ainda é porque o destino assim o quis, e o homem certo para conduzir essa chegada ao poder só apareceu “agora” e não antes também por causa da vontade do destino.

O efeito da indústria, da revolução industrial na pobreza foi que ela foi convertida em condição de vida da sociedade como um todo. Assim, o começo do séc. XIX já se iniciava conturbado e com um proletariado totalmente oprimido. Como já dizia Saint-Simon, antecipando uma das ideias marxistas, que o governo expressa o mundo econômico, o universo da administração domina a política, então quem comandava o governo era a burguesia, e ela continuava a oprimir os trabalhadores. Engels via a indústria como utópica para o bem comum, porque o avanço que os donos das empresas teriam só seria possível sobrepondo os assalariados.

Fourier faz críticas fortes à civilização burguesa, e faz propostas como: cooperativismo, dizendo que é possível despertar o sentimento de colaboração entre as pessoas, ele diz também que a pobreza brota da abundância, e o grau de emancipação geral se mede pelo grau da emancipação da mulher. Ele propõe ainda a formação de grupos que fossem viver juntos sob um sistema cooperativista e de autossuficiência chamado de Falanstérios.

Para Owen se chegaria à coesão social por meio de condições dignas de trabalho e educação ás crianças, e a riqueza criada pelas máquinas seria exclusivamente apropriada pela burguesia. Para ele as novas forças produtivas, no caso as máquinas, deveriam servir à edificação de uma nova sociedade onde o trabalho existisse em função do bem coletivo. Robert Owen exerceu papel bastante importante no progresso das leis trabalhistas e no aprimoramento das cooperativas. A educação deveria ser usada para clarear os trabalhadores e empresários para que entendessem as necessidades da sociedade moderna e industrial sem oprimir os trabalhadores. Com a cooperação e a educação seria possível ampliar os horizontes e aumentar a capacidade de gerar riquezas para todos.

Engels crítica a metafísica com o materialismo dialético, pois para ele deve se enxergar primeiro de forma aberta, ampla, e depois ir minuciosamente buscando outros pontos a serem considerados. Assim como na dialética marxista, que seria buscar as conexões anteriores ao fato para que se possa chegar até o ponto final. Para o autor a história natural é uma constante dialética, porque a todo instante o ser orgânico se renova assimilando matérias, ou produzindo novas células, está numa permanente transformação.

Para Engels o real como uma projeção de ideias, pode levar a conexões falsas, artificiais, pois nem tudo que é lógico é verdadeiro, principalmente porque para se chegar a alguma conclusão apenas se leva em conta as ideias próprias, que não possuem garantias de total certeza. Dessa forma ele conclui que a forma de se encontrar um melhor entendimento para uma época não está nas ideias, no abstrato, mas sim na própria história, e a evolução do conhecimento, da ciência possibilita o material necessário para fundamentar as análises.

Por causa da luta de classes a história teve que ser revisada, porque pode-se perceber que em nenhum momento, com exceção do estado primitivo, toda a história foi baseada em lutas de classes. Por isso que o socialismo seria um percurso incontornável, já que a própria história converge para os mesmos problemas, e ele enxerga como única solução o fim das classes, ou seja, da mudança de sistema para o socialismo.

O novo socialismo proposto tinha sua cientificidade em decifrar as leis históricas e as contradições inerentes ao capitalismo. Dentro das definições há a de mais-valia que era a diferença entre o valor do produto produzido pelo trabalhador e o seu salário. Considerado pelo autor como o principal mecanismo de exploração da classe trabalhadora, porque o trabalho que seria o objetivo de vida passa a ser apenas um meio para se alcançar um objetivo de vida que foi implantado pelo capitalismo que seria o de consumir. No socialismo não é o fato de consumir, não é o produto o mais importante, é o produtor, o trabalhador que é valorizado.

domingo, 22 de maio de 2011

Descartes inicia o “Discurso do método” dizendo que a diversidade das opiniões ocorre por causa das diferentes considerações que as pessoas fazem para chegar ao que acreditam ser a verdade. E as qualidades que ele diz serem necessárias para o aperfeiçoamento do espírito, e que envolve a procura da verdade, são o pensamento rápido, a imaginação clara e a memória boa.

Ele complementa ainda que é exatamente a razão que nos difere dos animais e nos torna humanos.

Na busca pela verdade Descartes faz uma ressalva que diz que estamos sujeitos a nos enganar em relação aos juízos de outras pessoas, devemos estar sempre atentos para ver se o que lhe é dito é de fato a verdade. Deve se ter um olhar de desconfiança, que não deve ser entendido como um olhar de presunção.

Outro ponto levantado por ele é a sua decepção com o ensino, pois mesmo após a conclusão de seu curso superior ele ainda estava embaraçado em perguntas, dúvidas e erros, e que sua instrução apenas teve como função para ele de se autodescobrir ignorante.

Numa vontade de conhecer outras formas de pensamento e culturas Descartes compara a leitura de livros a uma conversação com o autor, e chama ainda de conversação premeditada, pois ao ler o livro são ali retratados os melhores fatos, os melhores pensamentos e abordados de forma bastante clara. Entretanto não era ainda suficiente para ele, que resolveu então viajar pelo mundo, pois funcionaria da mesma forma como ler um livro, ao viajar se conheceria os hábitos diferentes dos povos para que julgasse os próprios pensamentos de forma mais justa e não pensasse que tudo quanto é diferente dos nossos costumes é ridículo e contrário à razão. Contudo, ele diz, caso passemos muito tempo viajando nos tornamos em estrangeiros em nossos próprios países e que quando ficamos excessivamente curiosos das coisas do passados nos tornamos ignorantes das coisas que acontecem no presente.

Dessas viagens ele tira a lição de que se deve desconfiar do conhecimento passado pelo hábito, e que dessa forma ele conseguiu se livrar de alguns enganos que o atrapalhavam na busca pela razão e a razão seria o caminho para a verdade, e a ciência seria o elemento voltado para o bem do homem.

Descartes monta também seus preceitos básicos da razão científica, que são: nunca aceitar algo como verdadeiro que não se conhecesse como tal; o de repartir cada uma das dificuldades para que facilitasse a solução dos problemas; conduzir os pensamentos do mais simples e ir elevando aos poucos até os pensamentos mais complexos; e por fim efetuar em toda parte relações metódicas tão completas e revisões tão gerais nas quais se tivesse a certeza de não estar omitindo nada.

Além desses preceitos ele monta também o que seriam as máximas da moral provisória: obedecer as leis e os costumes de seu país se mantendo a religião na qual Deus o concedera, e que se deveria levar em consideração mais o que as pessoas praticavam do que aquilo que elas diziam; a outra máxima consistia em ser o mais firme possível nas ações, e caso não seja possível distinguir entre o que é verdade e falso deve seguir o que é mais provável se libertando dos arrependimentos e remorsos; a terceira máxima era de procurar sempre antes vencer a si próprio do que ao destino.