Total de visualizações de página (desde out/2009)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Da utopia à conquista épica

Vendo essa imagem do clássico filme de Charles Chaplin, Tempos Modernos (1936), poderíamos ingenuamente inferir, no sorriso da personagem, que a situação dos trabalhadores braçais “apertadores de parafusos” não era lá tão ruim assim. Entretanto, como estudamos nas aulas de história, a situação dos trabalhadores pós Revolução Industrial era muita precária: carga horária de no mínimo 13 horas diárias; mulheres e crianças trabalhando exaustivamente dentro das fábricas e até mesmo em minas de carvão; trabalhadores sem o mínimo de conforto e segurança, entre outros fatores aterrorizantes. Essa realidade tenebrosa viu, pelo final do século XIX, uma faísca de esperança emergir com homens como Fourier, Owen e Saint-Simon, que observando a realidade social de suas épocas viram no socialismo a melhor forma de acabar com o jugo dos operários fabris. Todavia eles não possuíam a sabedoria de como realizar efetivamente a mudança na vida da sociedade moderna, sabedoria esta que Friedrich Engels, junto com seu companheiro Karl Marx, iria contemplar a humanidade com suas obras ditas científicas, mostrando ao mundo que o proletariado tinha plenas condições de “virar o jogo” contra a burguesia e viver com plenas condições de serem senhores de si mesmos.
Engels, em sua obra “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico” analisa criticamente junto com o leitor a história do capitalismo, as ideias dos autores utópicos e tece vários de defeitos, segundo ele, acerca do capitalismo. No fim de seu texto, diferentemente dos socialistas ditos utópicos, Engels mostra o caminho para a libertação dos proletários e para a mudança da história, com a extinção do Estado e a posse dos meios de produção pelo proletariado. Final épico, porém não muito fácil de ser concretizado.
Essa obra é de extrema importância para qualquer pessoa, indiferente de sua ideologia política, para entender as ideias reinantes à época acerca do modelo econômico e social, e para poder fazer um paralelo com a situação econômica atual. Ademais, a leitura desse texto é um ingrediente importante na construção de uma ideia pessoal sobre a melhor forma econômica para se obter um melhor convívio social entre nós, pois, mesmo com mudanças significativas no modo de produção capitalista, continuamos sendo “apertadores de parafusos”, porém, do século XXI.

Radicais ou “Revolts” ?

Radicais ou “Revolts¹” ? 
            Atualmente nos deparamos com o paradoxo da superprodução e da fome, da tecnologia de ponta e da miséria, que muitas vezes passam desapercebidos pelo cidadão brasileiro comum: taxa de desemprego a 6%, 50% da população na classe média, juros a 8,5%. Todos esses fatores contribuem para que as pessoas acreditem que a economia e suas vidas vão bem. Além disso esses benefícios contribuem para a formação do imaginário ideológico do sonho americano: livre concorrência, iniciativa, trabalho árduo e pouca intervenção do Estado na economia são os pilares do desenvolvimento.

Contudo, outras partes do mundo são testemunhas da instabilidade do sistema capitalista: A Europa, baluarte do capitalismo, hoje sofre com os efeitos do sistema bancário e da especulação. Ásia e África ainda lideram a fome e a miséria em um mundo onde 1 em cada 7 pessoas não consegue se alimentar. 
Eis que surge a antítese deste sistema: os partidos de esquerda, os quais teoricamente zelariam por promover a redução das desigualdades e promoveriam o Estado de Direito, apesar de terem conseguido vitórias nas últimas eleições (por exemplo na Europa de hoje, no Brasil desde 2002.), são tachados de traidores, por não se revoltarem contra o sistema. Ora, se estão usando o próprio sistema (a dita democracia burguesa) para fazer modificações sociais, por qual motivo o implodiriam? Será que o povo apoiaria também essa mudança brusca e incerta, promovida pela extrema-esquerda? Talvez, na Ásia ou África  onde não há perspectiva ao menos de alimentação, mas na Europa apesar das dificuldades, o sistema se adaptou mais uma vez. No Brasil BRIC também não, em "desenvolvimento", sede da copa e das olimpíadas não há espaço para "malucos".
É justamente o embate entre esses dois modos de transformação que norteará esta comparação com a teoria socialista científica de Engels, discutida em "Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico". Para Engels, a síntese é a formadora da história humana: teses e antíteses se chocando todo o tempo e criando modificações, sínteses, que abrem caminho para novos choques. Portanto, a metafísica, a teoria, não poderia ser o motor da história, mas sim, os atos. O idealismo não seria uma ferramenta eficiente, e poderia tornar a visão dos fatos distorcida, focando-se num ponto, não poderíamos ver o quadro geral.
            Não seria justamente esse o erro da auto-declarada esquerda revolucionária no Brasil? Focar-se no idealismo revolucionário, enquanto não admite as conquistas inseridas no próprio sistema e insiste em afirmar uma antítese sem síntese? Esta antítese muitas vezes pautada numa realidade fixa, a qual, na verdade, se modificou ao longo do último século?
Agindo dessa forma, somente negando o sistema e sua transformação  –  e ao mesmo tempo não conseguindo cooptar pessoas para a causa revolucionária – a extrema-esquerda se enfraquece e é tida como anacrônica e esquizofrênica, enquanto poderia ser a fiscal das transformações governistas e promover ataques mais diretos ao sistema, agindo por dentro dele, através do Direito, da Democracia, da conscientização e das conquistas constantes, em vez de pregar o tudo ou nada maniqueísta habitual. Que se lute por uma economia com intervenção estatal, pelo bem-estar social, sem que sejam denominados esses agentes de pequenos-burgueses ou “sociais-democratas”, mas que essas medidas sejam compreendidas como fases de uma transformação maior, com o apoio de uma massa politizada e educada, algo que não existe hoje, como demonstrado no início do texto.
É tempo de renovação e de criação de sínteses compatíveis com os desafios do século XXI. Que admitam os erros do passado e que criem novos caminhos para o futuro de forma realista e científica, não agindo de forma passional. A esquerda tem que ser radical no sentido de ir ao ponto central dos problemas e não de ficar num guerra cega,“revoltada” contra tudo e contra todos agindo como “revolts¹”.


¹ Revolts é um termo empregado pelos jovens para descrever seus colegas que agem como se não gostassem de nada, sem uma solução aparente. Simplesmente não concordam, e agindo passionalmente não resolvem seus problemas, ficando mau-humorados com todos ao seu redor.
Será que da data da publicação desta pirâmide (1911) até hoje, não houveram modificações positivas?

Raul da Silva Carmo. Aluno do 1º Ano do Curso de Direito Noturno da UNESP Turma 2012-2016.

Camaleão


O poder econômico, desde sempre, domina as instituições nas quais estamos inseridos. O direito é uma delas.
Nos fins da Idade Média, surgia uma nova classe de comerciantes, aparentemente inofensiva: a burguesia. Com o decorrer do tempo, ela se liga à monarquia – uma vez que precisava de um poder centralizado – ganhando mais e mais poder.
Ao perceber que o absolutismo gerava insegurança aos seus negócios, a burguesia idealizou e concretizou a Revolução Francesa, utilizando-se para isso do povo como massa de manobra. Dessa forma, surge o Estado Liberal de Direito, uma das maiores conquistas burguesas, porque o contrato – instrumento essencial da propriedade privada – estava sob a égide da lei. Assim, essa classe consegue a segurança que tanto almejava, não dependendo mais da vontade do soberano, uma vez que esse se encontrava submisso à lei.
Nesse mesmo período, ocorria a Revolução Industrial, que resultou em uma intensa exploração dos proletários pelos burgueses. Havia jornadas exaustivas e ambientes degradantes. Essa situação foi se agravando de tal modo que doutrinas socialistas começaram a despontar, reivindicando uma tomada de poder pelos trabalhadores.
Assim, a burguesia, percebendo ser essa doutrina um perigo iminente ao seu poder, principalmente pós-Revolução Russa, se adapta novamente à nova situação, criando o Estado Social de Direito como forma de abafar os ideais socialistas. Nesse novo modelo estatal, há uma preocupação com as políticas públicas, pois seria preferível que se perdesse parte do lucro pagando impostos – tornando possível um mínimo de dignidade à população - a perder toda mais-valia.
Além desse mínimo de dignidade ser necessário para evitar uma revolução, havia outro ponto fundamental para que essa mudança ocorresse: transformar o proletário, de mera engrenagem da máquina capitalista, em consumidor do que ele mesmo produzia.
Essa sede da burguesia pelo consumo do proletário foi ficando tão intensa que foram criadas as estratégias de marketing. Assim, hoje em dia, somos constantemente manipulados pelas propagandas, presentes em outdoors, televisão, rádio, enfim, em todos os lugares que observamos.
Dessa forma, conclui-se que a burguesia foi se adaptando a todas as situações que surgiram – tal qual um camaleão – de forma a sempre dominar as instituições nas quais vivemos com sua ideologia, evitando qualquer possível tomada de poder pela classe explorada. Assim, enquanto não houver uma verdadeira revolução, com o extermínio da classe burguesa, não será possível uma verdadeira melhora nas condições da população, pois como já dizia Cazuza, “enquanto houver burguesia, não vai haver poesia”.

Metamorfose


                
É no contexto de desenvolvimento do capitalismo, com toda a exploração à classe trabalhadora que surge, inicialmente, o chamado Socialismo Utópico. Vislumbrando o Iluminismo, que há pouco fora difundido na Europa e no mundo e que, apesar de ter sido uma ruptura com o passado, se converteu apenas em privilégios à burguesia, Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen tentam “destruir” as diferenças de classe, para que a liberdade tanto pregada na Revolução Francesa se estendesse a todas as classes. Porém, foi exatamente a falta de ideias que pudessem ser postas na prática – o que justifica chamá-lo de “utópico”- que lhes renderam críticas.
                Numa evolução desse Socialismo, já visto de forma mais prática e até como Ciência é que aparecem os nomes de Friedrich Engels e Karl Marx, que criticam a metafísica, a fragmentação dos objetos e a projeção de ideias da dialética hegeliana, apresentando possibilidades mais concretas. Mais profundamente, Engel acredita, na verdade, que o socialismo é uma consequência histórica diante das contradições contidas no próprio capitalismo.  Consequência, esta, representada pelo ápice das lutas de classes que resultaria em mudança.
                Aliás, a própria luta de classes pode ser considerada um pensamento dialético. Sendo a dialética a contraposição de ideias, o que é a luta de classe senão a contraposição de burguesia e proletariado? Portanto, para superar o capitalismo, como vem propor, o socialismo deve compreender as forças produtivas, para racionalizá-las e, na prática, o Estado, antes burguês, deve ser apropriado pelos proletários, que, em tese, fariam com que as forças produtivas fossem usufruídas por todas as classes.
                Diante disso tudo, podemos partir para uma apresentação do Socialismo na realidade. Durante a segunda metade século XX, o mundo permaneceu dividido sob duas potências: os EUA, que representavam o capitalismo e a antiga URSS, representante do Socialismo.  E, como sabemos, o socialismo, pelo seu fracasso em pôr suas ideologias em prática, sendo substituído por um governo essencialmente ditatorial, foi sobreposto pelo próprio capitalismo em praticamente todo o mundo. Vale ressaltar que esse capitalismo também sofreu suas adaptações, de acordo com o momento histórico.
                Enfim, atualmente, vivemos a crise do próprio capitalismo. E é nesse novo contexto que a “metamorfose capitalista” pode ser vista mais uma vez: num mundo neoliberal, de acirrada concorrência, as políticas sociais que enchem as campanhas eleitorais e as políticas empresariais para o bem-estar dos funcionários e da população em geral foram formas encontradas para amenizar - ou apenas mascarar?! - a desigualdade provocada pela eterna luta de classes.
A origem do socialismo
Segundo Engels, o segredo da produção capitalista está no conceito de mais-valia, que nada mais é do que a exploração do operário. Engels escreve em sua obra que o capitalista sempre retira mais valor da força de trabalho do operário, mesmo pagando todo o valor que ela representa no mercado.
A mais-valia é a base do modo de produção capitalista, as grandes empresas estão sempre a procura de mão-de-obra barata, pois assim vão conseguir diminuir o custo de produção de seus produtos e, consequentemente, atingirão um maior lucro. Muitas empresas se instalam em países onde podem explorar ao máximo à força de trabalho dos operários, países onde o governo não fiscaliza a exploração do trabalhador, onde há falta de incentivo na qualificação dos trabalhadores, tais lugares podem ser encontrados nos países asiáticos como a China e outros do sudeste asiático.
Mas isso não ocorre somente na Ásia, podemos encontrar esse tipo de exploração no Brasil, ainda, na cidade mais rica do país, São Paulo. As empresas da moda servem de exemplo, elas vão em  busca do baixo custo da mão-de-obra dos bolivianos que ficam enclausurados trabalhando até 12 horas por dia.
As engrenagens do capitalismo dependem da exploração do trabalhador, isso é o que vai causar a luta entre as duas classes formadas historicamente: o proletariado e a burguesia. Engels afirma que o socialismo não aparecia de forma casual, mas como o produto necessário dessa luta.
Matheus da Silva Mayor
    A eterna e incessante luta de classes, o capitalismo e suas facetas.

É impressionante como um ideal tão libertário e igualitário como o Iluminismo, se tornou ideologia social burguesa, com a finalidade de proteger e criar suas próprias prerrogativas políticas e econômicas. Para contrariar essa ideologia dominadora, surge o Socialismo em seu estado primitivo, que tem como premissa a abolição das diferenças das classes sociais. Que tiveram um grande impacto com as mudanças promovidas por   Saint-Simon, Fourier e Owen, esses precursores foram responsáveis pela criação das bases fundamentais do socialismo, que mais tarde, seriam melhores desenvolvidas por Engels e Marx.

Com o desenvolvimento da burguesia industrial, surgiu também o proletariado, como consequência disso diferenças foram surgindo, como baixa remuneração, longas jornadas de trabalho e situações precárias de trabalho. Aliado a isso, a concentração do capital em torno da burguesia, vez com que concentrasse o poder político da mesma forma. Assim, o proletariado não teria condições de subverter a ordem social configurada na época. Alguns acontecimentos como a Revolução Francesa, a Comuna de Paris e a socialização da Rússia feita por Lênin, mudaram o panorama econômico local, porém nunca apresentaram uma ameaça muito grande ao sistema capitalista.

O grande triunfo do capitalismo é a sua capacidade de mudar conforme a economia se desenrola, possuindo muitas facetas e sendo mutável conforme as situações. Podemos citar fatos na história como o Crash da bolsa de Nova York em 1929, onde o Estado capitalista interviu na economia e ajudou em sua recuperação. Porém o sistema capitalista é regido pela ideologia do liberalismo econômico, onde o Estado intervem o mínimo possível na economia, fazendo com que as leis do mercado controlem a manutenção do regime.

Há casos como a China, em que se denomina um regime político comunista, porém o regime econômico é denominado como socialista de mercado. Nos últimos anos, é o país que apresenta maior crescimento econômico, perto de desbancar os Estados Unidos da América. Nota-se que na história mundial, o capitalismo predomina quase completamente os sistemas econômicos dos países, graças a sua capacidade de mudar conforme o andamento da economia mundial. Sempre existirão as lutas de classes por uma melhor qualidade de vida ou obtenção do poder, porém creio que o capitalismo é difícil de ser desbancado como sistema econômico graças as suas facetas.

Vítor Augusto Momma Portioli 

Instintos

      O capitalismo, de acordo com Fredrich Engels em sua obra “Do socialismo utópico ao socialismo científico”, ao decorrer de seu desenvolvimento segue um círculo vicioso que é prejudicial, tanto ao burguês e à economia, quanto ao proletariado. ”Um desenvolvimento inaudito das forças produtivas, excesso da oferta sobre a procura, superprodução, abarrotamento dos mercados, crise cada dez anos, círculo vicioso.”
      Esse círculo vicioso ocorre ainda hoje, tanto que ocorrera uma crise mundial há pouco e que foi causada por um liberalismo econômico – do capitalismo. No modelo burguês permanece a ideia de exploração do trabalhador através da exploração da mais -valia, que tem sua manutenção exercida pela constante oferta de mão de obra na forma do desemprego. A burguesia mantém parcela da sociedade desempregada para que o proletariado (empregado) não exija aumento do salário ou melhorias nas suas condições de emprego; uma vez que há outros trabalhadores desejando tal ocupação.Com isso, o burguês regula o proletariado, mantendo este à mercê daquele ininterruptamente.
      Além da concorrência humana, propriamente falando, há também uma concorrência entre trabalhador e maquinário. As máquinas, em substituição ao trabalho manual vêm a cada vez mais tomando o espaço do proletariado nas fábricas; ao passo que exercem maior produtividade, não fazem greves, não adoentam, não se organizam em sindicatos para exigir melhores condições de emprego, não tiram férias e não são assalariadas. Dessa maneira, o proletário tem de se submeter às condições exigidas pelo dono dos meios de produção, condições essas que tendem a ser cada vez mais exploratórias.
      É consenso que o capitalismo agrava as desigualdades sociais. No entanto, na prática pouquíssimas pessoas abririam mão de sua vida de capitalista, de seu individualismo em prol de uma melhoria geral,de um socialismo,de um comunismo. Quem iria se dispor a trabalhar para uma coletividade? Quem se disponibilizaria a compartilhar aquilo que possui por um bem comum? Na teoria tudo é muito lindo e solidário; porém na prática aquele que trabalha mais ou é mais eficiente em seu cargo se sentiria prejudicado ao ter que repartir sua produção com outro menos produtivo, e talvez até deixasse de ser tão eficiente ao pensar que os lucros seriam divididos uniformemente entre a população. Ninguém gosta de se sentir prejudicado. É inerente ao homem o espírito do individualismo, da competividade e o egoísmo. Instintos não são “quebrados” tão facilmente assim.

Controle e ilusões




Em torno de meio século a frente de uma das maiores demonstrações de força do capitalismo, a revolução francesa, que consolida a burguesia como classe detentora de poder, Friedrich Engels consegue ver ainda mais a frente de seu tempo.
            Filho de um rico industrial alemão, Engels começa a seguir um caminho diferente de seu pai e juntamente com Marx, desenvolve o chamado socialismo científico, criando uma analise mais profunda tanto do antigo socialismo utópico quanto do próprio capitalismo, seus mecanismos de defesa e controle. Tal analise foi de suma importância para a criação de uma maior praticidade no pensamento socialista (objetivo claro de ambos os autores) e também de gerou mais força para antítese capitalista.
            Para Engels e Marx, a base econômica de uma determinada sociedade influência diretamente na visão de mundo das pessoas que nela vivem e não existe maior comprovação disto do que a enorme influência que o capitalismo cria sobre as pessoas que nele convivem. Sentimentos como a felicidade são confundidos com um simples desejo de obtenção de lucro e a visão crítica e educação de uma grande parcela da população, a dita classe média, é sugada e transformada em trabalho altamente sistematizado e propaganda com o objetivo de gerar mais e mais lucro.
            É facilmente observado aos olhos do quem realmente deseja ver o domínio que a burguesia exerceu e exerce sobre as classes ditas como “inferiores”, a mecanização do trabalho, a exploração, a manipulação e a criação de uma falsa noção de desenvolvimento da humanidade em seu aspecto humanitário jogando para outras parcelas da sociedade a responsabilidade de corrigir erros do passado que até hoje se repetem e marginalizam o proletariado que continua sofrendo os mesmo abusos de sempre, só que agora com um poder de compra criado para a própria manutenção do sistema.

Viver é morrer



Desde que Heráclito de Éfeso proferiu a frase “um homem nunca se banha no mesmo rio duas vezes”, abriu precedente pra uma forma de pensamento que sempre se lançaria como questionadora acerca de uma dada forma de se compreender os fenômenos ao longo da história da filosofia. Com isto, acrescentou ao patrimônio filosófico que as coisas estão em constante transformação, a lei da contradição veio substituir a lei da identidade (de que um fenômeno só pode ser idêntico a si mesmo).                                            Hegel deu continuidade à dialética de forma majestosa durante o período do idealismo alemão. O cerne da dialética repousa no conceito do movimento, ou como Hegel preferiu abordar, sobre um movimento em espiral que apreenderia tese, antítese e síntese. Sob este ponto de vista, a idéia converte-se em seu contrário.  
 Para Engels e Marx, a dialética segundo Hegel estaria posta para constituir o materialismo histórico-dialético, um dos fundamentos centrais para a teoria marxista, exceto pelo fato de a dialética hegeliana estar de “cabeça pra baixo” segundo Marx, por ser essencialmente idealista. Desta forma, a dialética materialista tornou-se o estofo para fomentar o pensamento de Marx e Engels para a compreensão do desenvolvimento histórico, isto é, das relações sociais e econômicas.                                                                                                      Assim, toda a evolução real ocorre de forma contraditória, pelo conflito de forças opostas que rodeiam e formam parte do todo existente. Nada é inalterável e está acabado em si mesmo. Uma coisa não é somente ela, mas ao mesmo tempo, é o seu oposto. O homem é o eterno vir-a-ser. A contradição, a tensão entre os contrários constituem a fonte fundamental do desenvolvimento da matéria e da consciência. A cada dia que se vive, é um que se chega mais perto da morte.

"Para converter o socialismo em ciência era necessário, antes de tudo, situá-lo no terreno da realidade”


Em “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico” Engels, pai do Socialismo Científico, ao lado de Marx, faz referência à importante e pioneira contribuição dos pensadores utópicos do século XVIII, como Owen, Fourier e Saint-Simon. Estes pensadores acreditavam que a sociedade iria criar condições para o alcance do socialismo por meio do cooperativismo, do prazer e da liberdade de escolha. Owen, por exemplo, defendeu a melhoria das condições de moradia e educação, além de diminuir a jornada de trabalho de seus funcionários. Fourier falava a favor do fim da distinção de papéis assumidos por homens e mulheres, enquanto Saint-Simon resguardava a ideia de cumprimento da responsabilidade social, o que equilibraria os interesses sociais.
Apesar de reconhecer a contribuição dos socialistas utópicos, Engels os criticava, alegando que suas ideias idealizavam uma sociedade, definindo a natureza do homem sem considerar suas raízes já formadas no capitalismo. A ideia de Socialismo Científico rompe com os preceitos anteriores justamente aí, no ponto em que se faz uma análise crítica da realidade política e econômica da época, defendendo uma ação mais prática contra o capitalismo ascendente, através da organização da classe proletária

Os ideias socialistas adaptados ao capitalismo


Na primeira Revolução Industrial se deu início a uma das maiores discussões idealistas sobre as ciências humanas na nossa sociedade, com intenso abuso da classe trabalhadora, surgiram pensadores que defendiam essa classe oprimida pelo sistema capitalista que imperava nessa época. Friederich Engels era um deles, que juntamente com Karl Marx desenvolveu e apresentou a teoria do socialismo, que pregava a extinção da propriedade privada, a divisão igualitária de bens e renda.

                Na atualidade, existem pensadores que defendem que o socialismo realmente é a solução dos problemas da sociedade, e outros que acreditam que o capitalismo é a melhor maneira de se desenvolver, a mais justa e que oferece mais liberdade, porem não é essa discussão que será apresentada. O socialismo hoje em dia é um sistema político ultrapassado que dificilmente voltará a existir, e os países que são adeptos a ele já estão cedendo ao capitalismo.

                Porém, o capitalismo está distante de ser perfeito e cabe analisar uma proposta diferente para a melhora do sistema.  Os ideais da distribuição igualitária de renda e propriedade privada podem ser impossíveis, mas medidas adotadas no Brasil nos levam a crer que algumas idéias pregadas por Engels e Marx podem ser usadas em nossa sociedade. Um exemplo claro disso é o bolsa família, bolsa escola entre outros, que é a ajuda de renda aos indivíduos das classes mais baixas da sociedade, uma vez com essa ajuda, essas pessoas, que os escritores do livro ‘’O Capital’’ chamavam de ‘’proletariado’’, conseguem consumir, e assim fazer parte do sitema capitalista efetivamente.

                Ao participar efetivamente do capitalismo, cosumindo e gerando mais renda, essas pessoas podem crescer financeiramente, juntamente com o país, pode-se então observar que alguns ideais socialistas aplicados com algumas adaptações podem ajudar o capitalismo a se tornar menos ‘’arrasador’’ e gerar maiores oportunidades, sendo mais justo e trazendo maiores oportunidades de uma melhora mútua na sociedade.
Ivan Nasser

O Capitalismo e sua capacidade de adaptação

     A principal diferença entre o Socialismo Utópico e Científico é a busca por provas e por fatos que o comprovem, ao invés de suposição e 'desejos'. É, portanto, o Socialismo explicado pela realidade. Um dos dados que se dizem 'comprovarem' a validade de tal é a existência do Ciclo dos meios de produção. Mas seria este realmente um argumento ainda válido?
     Em cada época, existe um modo de produção vigente. Na Antiguidade, escravista. Na Idade Média, feudal. Nos tempos modernos, o modo de produção capitalista. Ao mesmo tempo que muito diferentes, eles se relacionam por possuírem inúmeras similaridades. Todas tiveram seus tempos de ápice, sua decadência e sua transição lenta para o próximo modo de produção.
     O Capitalismo, no entanto, é o único modo de produção que consegue se adaptar quando está em decadência. Diferente dos outros, ele é um modo altamente mutante, capaz de satisfazer todas as necessidades do seu tempo enquanto tenta ao máximo evitar o fechamento do ciclo. Houve, por exemplo, a Crise de 29. Mesmo passando muito perto de seu fim, o capitalismo conseguiu se adaptar e sobreviver ao seu primeiro grande baque. Mais tarde, já no Séc. XXI, a Crise Imobiliária dos Estados Unidos, que carregou consigo os maiores bancos do país, mesmo deixando um rastro de destruição, não foi o suficiente para tirar o Capitalismo. 
     Então, mesmo que os ciclos representem uma comprovação histórica para ascensão do Socialismo, o Capitalismo se mostra altamente ardiloso e difícil de se derrubar.

Engels faz elogio ao Iluminismo, pois afirma que a partir de então há uma ruptura com o passado. No entanto, as intenções iluministas se convertem a propósitos burgueses, uma vez que a razão iluminista visa os interesses de uma liberdade de mercado e dessa forma, os princípios de liberdade iluministas resumiram-se apenas à essa liberdade de mercado e às suas relações. Buscando a destruição dos privilégios de classes a burguesia acaba compondo sua própria antítese a partir da criação dos seus privilégios.
Analisando a situação social surgem pensadores acerca do socialismo, entretanto Engel os considera como filósofos criadores do socialismo primitivo, capazes apenas de revoltar a sociedade expondo aquilo que nela há de ruim e criar assim uma consciência coletiva, uma ação coletiva para a revolta. Contudo, apesar de sua importância, esses filósofos utilizam ideias superficiais e utópicas.
Segundo Engel, para a construção real de uma mudança é necessaria uma análise científica, ou seja, um estudo profundo capaz de observar as condições e possibilidades da implantação do socialismo em determinada sociedade. Critica, dessa forma, a metafísica e a filosofia, pois afirma que ambas fazem análises abstratas quando, na verdade, é necessário que se observe todos os elementos relacionados e nao apenas o fragmento, para que seja possível um ainterpretação real.  Surge então o socialismo científico.
Engels, assim como Marx opõem-se à Hegel quanto aos conceitos de dialética, pois defendem que a dialética deve basear-se no material e não nas ideias. Para eles uma realidade projetada no mundo das ideias não passa de uma ideologia falseada, assim como a religião. Sendo assim, rompem com a dialética idealista pregando uma outra baseada no mundo material capaz de desvendar leis e o desenvolvimento histórico, pois é na historia que encontra-se as respostas para os males da sociedade.
Engels afirma ainda que a luta de classes é um conflito essencial a todas as sociedades e que ao revisar-se a história é nítido que, exceto no Estado Primitivo, ela sempre esteve presente. Assim, o socialismo torna-se para ele  um "percurso incontornável da história" resultante dessa luta de classes.


Giovanna Cardassi

Deselvolvimento Socialista

 Engels acreditava que a resposta para os problemas da humanidade estava na própria história, ou seja, que essa resposta não estava em ideias abstratas, mas sim em "leis históricas" reais. Acreditava que  a evolução da sociedade carrega em si as soluções para os próprios conflitos, criando a missão do homem de interpreta-la e enxergar o que ela está apontando. Engels, como muitos outros, enxergou o que considera fim inevitável da história: àquilo que mais tarde foi denominado Socialismo.
 O socialismo propõe a extinção das diferenças de classe. Dentro de um mundo socialista as pessoas trabalhariam no que lhes fosse preferível, e toda a produção seria dividida entre todos. A propriedade privada não existiria, e tudo seria feito em prol do bem e da igualdade geral. Veio no século XIX para afrontar o Capitalismo e Iluminismo em que o mundo estava (e continua) mergulhado. Iluminismo este inicialmente elogiado por Engels, por ter surgido para romper com o sistema anterior, embora só procurasse a ascensão de uma classe social. 
 Para Engels, o Socialismo é o produto que o próprio desenvolvimento social aponta como necessário. O que diferencia a abordagem de Engels da de outros autores socialistas, é que ele o enxerga como ciência. Como algo a ser estudado levando em consideração a prática e a visão da sociedade como um todo, devido à importância da funcionalidade do sistema. 
 Apesar do fato incontestável de que o atual sistema capitalista não pode ser sustentado sem que o equilíbrio do mundo seja abalado, o socialismo não se mostrou eficaz na prática. Os países que hoje se consideram socialistas não correspondem em quase nada com as ideias de Engels, por exemplo. A incapacidade do homem de abrir mão de privilégios em nome do bem comum, o egoísmo e ganância que movem a humanidade são fatores que impedem e, infelizmente, impedirão por muito tempo o avanço da sociedade para o estágio de harmonia social que o Socialismo sugere.

Nicole Gouveia Martins Rodrigues
            Com a primeira Revolução Industrial, iniciou-se a utilização da maquina como forma de produção aumentando-a drasticamente. Para Marx, essa utilização não tinha como fim baratear as mercadorias, nem diminuir a carga horária dos proletariados, sendo que estes produziriam mais, com a mesma carga horária, mesmos salários e terríveis condições de trabalho, aumentando assim a mais-valia.
            O melhoramento do maquinário, não era visado como forma de melhorar as condições de trabalho do operário, ou de baratear o custo do que se era produzido para torná-los acessíveis a todos, mas sim de tornar o grande burguês mais rico com a mais-valia. Dessa maneira tivemos a segunda Revolução Industrial, as novas formas de produção o Fordismo, o Taylorismo e o Toyotismo.
            Analisando o Fordismo, notamos como esta forma de produção deteriorava ainda mais a condição do proletariado que permaneceu estagnado em uma linha de montagem executando um único movimento, repetidamente. Crítica que pode ser observada no filme "Tempos Modernos" de Charles Chaplin, na qual Chaplin assume o papel de um operário que executa um único movimento de apertar parafuso, e por fazer isso repetidamente, em uma cena cômica continua a fazê-lo mesmo fora da fábrica.
            Assim entre um exemplo e outro, observamos uma péssima condição humana, que mesmo com a evolução do maquinário e aumento da produção, não se pode dizer haver uma melhora na condição de vida do operário que continuava sendo apenas a maneira do dono de fábrica ganhar sua mais-valia.



Grupo 5, diurno.

Promessas não cumpridas

 É claro que em tempos de grande necessidade, busca-se algo em que se acreditar, só para os dias se tornarem um labor menos penoso. Contudo, numa sociedade inebriada pelo culto à razão, buscar fontes inexplicáveis de esperança se torna difícil. Mas eis que, para renovar a fé do ser humano em sua própria raça, surge o socialismo utópico.
 Sua proposta era maravilhosa, sua execução jamais ocorreu. Pois, embora fossem pronunciadas promessas de igualdade, o que se via era a exploração. Embora o que se prometesse fosse o fim dos privilégios, uma burguesia iluminada os retinha para si. Embora a espada perdesse sua força, o dinheiro tomava se lugar.
 Em seu âmago, os antagonismos presentes na sociedade se mantiveram os mesmo, uma classe explorando a outra, apenas sendo modificado o meio pelo qual a exploração se dava. E tal resultado era certo se partirmos do fato de que os movimentos sociais da época foram encabeçados pelos pensadores da época, que se pautavam pela razão. Embora acredite ser esse o melhor meio do homem se deixar guiar, é incontestável o fato de que a razão defendida por tais pensadores estava impregnada com seus pontos de vista, aqueles intrínsecos a sua personalidade e formação.
 Em contrapartida, surge com Engels e Marx a ideia do socialismo científico. Ora, se os homens antes deles haviam sonhado com uma sociedade livre de antagonismos, a dupla traria uma explicação de como se daria a mudança do capitalismo então vigente para o socialismo, para uma sociedade mais avançada, livre da exploração, de classes sociais e de um estado como esse era concebido na época.
 Suas idéias pareciam compatíveis com a situação em que se econtrava a sociedade capitalista, com a exploração a níveis extremos do proletário. O que não ocorreu, contudo, foi a revolução deste. embora se visse a caminho da condição tida por Marx como ideal para o nascimento de uma revolução, esse dia ainda não chegou, e provavelmente jamais chegará, uma vez que o capitalismo já superou as expectativas de Marx no que diz respeito a sua capacidade de se manter firme não importando o quanto pareça próximo de seu fim.

A Luta de Classes como o “Motor da História”




Tentando se afastar do idealismo dos socialistas utópicos, Engels e Marx buscam, através de estudos da história das sociedades, encontrar um Socialismo concreto, possível. Dessa busca surge a teoria do Socialismo Científico.
Segundo Engels, o Socialismo não é uma criação humana, mas sim o resultado final da luta de classes, onde um grupo ordena e outro obedece. No contexto da Revolução Industrial, por exemplo, o grupo que ordena é a burguesia, e o grupo que obedece é o proletariado. Essa luta de classes existe desde muito tempo, servindo como “motor da história”, responsável por todas as grandes mudanças que nela observamos.
É inegável a influencia que a luta de classes exerce na Sociedade, vários exemplos podem ser citados para comprovar isso. A Revolução Francesa, por exemplo, surgiu em razão do descontentamento do chamado Terceiro Estado com a situação na época, em que apenas essa camada era obrigada a pagar impostos, enquanto o clero e a nobreza apenas usurpavam desses tributos.
Outro exemplo são os movimentos sociais, em que determinado grupo exige certos direitos do Estado. Este, em razão da grande pressão exercida pelos movimentos, encontra-se em uma situação em que não há opção a não ser conceder, total ou parcialmente, os direitos que esse grupo exige. Caso contrário a tensão na sociedade irá aumentar, ameaçando a estabilidade do Estado.
Ou seja, quando há uma tensão muito grande entre diferentes grupos da sociedade, o Estado, deve tomar medidas com o objetivo de reduzir essa tensão, alterando sua estrutura se necessário, para que não haja o colapso. Caso o Estado se recuse a cumprir com seu dever, a tensão irá aumentar até chegar a um ponto em que uma revolução seja inevitável, e então os revolucionários, ao tomarem o poder, não farão apenas pequenas alterações na velha estrutura do Estado, mas erguerão uma nova, onde eles serão os novos soberanos.

A Síntese Contemporânea


 

             A palavra “dialética” remete-nos , etimologicamente, à ideia de discussão entre elementos. Daí vem a aplicabilidade desse conceito para as ideias de Engels. Segundo o autor, do conflito ocasionado pela opressão de uma classe sobre outra é que a engrenagem da sociedade se move, reestruturando-se o contexto sócio econômico.
                O grande salto de Engels, todavia, é em preocupar-se com a aplicabilidade prática das ideias socialistas de seus antecessores. Justamente por isso é que se discerne o socialismo utópico do científico.
                As gerações que nos antecederam mostraram que, de fato, a Dialética parece ser algo recorrente em nossa história. Ademais, uma das discussões possíveis na atualidade seria sobre o capitalismo atual: resistência de uma tese ou síntese do choque com o capitalismo?
                Enquanto tese, o capitalismo hodierno deveria guardar as características de outrora, conservando-se qual foi antes do choque com as ideias que pretendiam subvertê-lo. Em contrapartida, enquanto síntese, deveria preservar parte de seu conteúdo original, combinado ao de sua antítese, as doutrinas socialistas.
                As doutrinas socialistas surgiram em virtude da opressão da classe burguesa sobre o operariado, a fim de buscar maior justiça social a essas pessoas. Reduzir a desigualdade é hoje uma das metas do nosso Estado, e o reconhecimento de direitos que se propõe a impedir que opressões como as dos séculos anteriores se repitam, bem como medidas reais de combate a essas injustiças, de fato se tornaram realidade no mundo contemporâneo graças, sobretudo, às lutas do operariado.
                Essa análise levaria a crer que, de fato, hoje vivemos um momento diferente do anterior às ideias socialistas, em que o capitalismo repaginou-se, adquirindo uma roupagem que o limita através dos direitos de cada indivíduo, da busca pela redução da miséria e da desigualdade. Todavia, se assim for, infelizmente os elementos da antiga síntese que nosso sistema guarda, ainda são cruéis. São fonte das mazelas do mundo contemporâneo, e como tais, hão de ser contestados, talvez em breve, já que vivemos atualmente crises nesse modelo. Quando lhe vier a contestação, aí será nova tese, e na busca por nova antítese far-se-á mover a engrenagem da evolução social.

Estratificação social            Ao longo dos séculos, vários foram os conflitos ocorridos entre os homens, causados por diversos fatores, mas tendo sempre um denominador comum, a desigualdade. Fator esse que ao longo da historia se desenvolveu junto com os avanços na tecnologia, e hoje é um dos fatores que consolidaram a nossa atual sociedade.            A partir do século XV tem-se o rompimento com o período medieval e inicio da chamada indústria capitalista, ou seja, ate então o trabalhador criava o seu produto, sendo o seu dono, mas com o inicio da indústria, o trabalhador passa a não ter direito sobre o que faz, promovendo assim um distanciamento social cada vez maior entre dois grupos, os burgueses donos das fabricas e bancos, e o proletário que é a mão de obra.            Temos com isso uma separação entre duas classes que a partir de então vão se distanciando cada vez mais, e desencadeando conflitos ao longo da historia, onde no final o resultado é a morte excessiva da classe mais pobre.            Essa indústria capitalista passa a funcionar como uma pilha, composta por dois polos sendo um o que tem a sua massa aumentada, enquanto o outro polo tem sua massa reduzida, e onde esse ciclo gera a energia, da mesma forma os burgueses tem seu dinheiro aumentado, enquanto o proletariado trabalha mais e ganha menos, e gera com esse ciclo o lucro.            Muitos foram os pensadores e filósofos que tentaram romper com esse ciclo, onde o grupo que mais trabalha, é o que menos ganha, enquanto o outro grupo desfruta dos lucros, e tentando assim romper com essa “sociedade estamental”, diluindo a desigualdade que é à margem de inúmeros problemas. Mas o maior problema encontra-se no homem, que sempre acaba agindo de forma egoísta e com isso continua a salientar uma desigualdade que não deveria existir.

A perpetuação de um padrão


Na teoria, a Revolução Francesa seria perfeita o lema igualdade, liberdade e fraternidade abraçaria a todos, no entanto não foi o que aconteceu, uns eram mais iguais do que outros, a razão iluminista se converteu em racionalidade burguesa, dessa maneira a burguesia criou novos privilégios para si, conseguiu subir ao poder e acabar com a estrutura vigente no Antigo Regime, dando continuidade ao “ciclo-vicioso”explicado por Fourier.
Os indivíduos que presenciaram a revolução burguesa e viam nela esperanças para uma nova configuração social, após  essa viram-se presos a uma nova estrutura, diante dessas novas amarras há o nascimento da ideia de se criar uma sociedade diferente, uma sociedade socialista.
O socialismo Utópico ultilizado por Henri Saint-Simont, Charles Fourier, Robert Owen como o próprio nome diz era utópico, ou seja, sua prática não seria possível, essa corrente era tanto quanto metafísica diferentemente do socialismo cientifico pregado por Marx e Engels.
O Socialismo Científico não será como o Utópico q dependia da pura vontade mas será sim feito a partir de uma análise criteriosa da sociedade. Marx e Engels querem descobrir o que faz, causa, produz a miséria em um âmbito geral, dentro de um contexto.
A luta de classes será para Marx e Engels o combustível da sociedade, portanto proletariados e burgueses jamais estarão do mesmo lado, sempre lutarão por coisas distintas, e essa luta perdura e perdurará em todas as épocas. Assim o socialismo para Engels é um percurso incontrolável da história e não uma obra do gênio humano.
Sendo a luta de classes o combustível para a sociedade como será possível acabar com a desigualdade entre as classes?  A desigualdade sempre existirá uma vez que sempre haverá um grupo no poder e este será o detentor dos meios de produção e do dinheiro, sempre existirá aquele que apenas terá a sua força de trabalho para vender, mesmo que a revolução do proletariado ocorra a história mostra que aqueles que conquistam o poder tornam-se egoístas e continuam perpetuando a desigualdade. Sendo em minha opinião a desigualdade inerente à sociedade espero que ao passar dos anos ela diminua que uns não permaneçam sendo tão iguais quanto outros, espero que aqueles que são diferentes possam ser menos diferentes.

domingo, 3 de junho de 2012

O grito social


      Não foram poucos os abusos desferidos pela burguesia ao proletariado: carga horária desumana, condições de trabalho deveras precárias e salário irrisório são exemplos consistentes. Além disso, o proletariado passava gradativamente por um processo de divisão do trabalho, aos poucos, tornava-se cada vez mais limitado como que sucumbindo a amarras e vendas. A sociedade transformara-se num paradoxo maldoso: uma parcela minúscula e ociosa da sociedade gozava de riquezas enquanto a parcela majoritária se caracterizava por trabalhadores que sofriam na penúria.
     Como é costumeiro na história humana, uma situação de extrema injustiça leva a pensamentos, ideias e revoltas. A problemática do abuso da burguesia não teve fim diferente. Surge o socialismo, vertente que visava  ao fim dessa tirania econômica e pregava a igualdade entre os homens. Inicialmente, foi considerado utópico, pois, seus defensores, ainda que mostrassem uma sociedade ideal, não apontavam meios para que tal sociedade se concretizasse; a posteriori, passa a receber um caráter científico proposto por Marx e Engels, assim, o socialismo, ao invés de simplesmente descrever a situação ideal de sociedade, procura entender a dinâmica do capitalismo para, dessa forma, poder sobrepujá-lo.
      Mais importante do que conceituar o socialismo, entretanto, é saber que tal pensamento não surgiu por simples bel-prazer e sim pela extrema necessidade de se superar um sistema econômico opressor. Dessa forma, o socialismo deve ser considerado como o grito desesperado de uma sociedade infeliz, a flor que desabrochava em meio à miséria, injustiça e todo o negrume do capitalismo propiciando ao povo uma esperança revolucionária.
    

Sono onírico

No início do século XIX emergiram na Europa diversos pensadores que tinham uma proposta de socialismo pautado nas ideias, que pretendiam socializar a riqueza, e receberam o nome de socialistas utópicos. Uma percepção nova, porém, impossível, já que não davam uma maneira de se chegar ao idealizado, e nunca haveria um acordo entra a burguesia e o proletariado; essas ideias eram tão luminosas quanto as iluministas, que, segundo Engels, foram importantes para a autonomia dos homens, porém a ideia de liberdade restringia-se ao mercado, e assim novas amarras aparecem, as amarras do mercado.
O capitalismo surge global e complexo, falar de capitalismo é absurdamente atual, e afetou a vida dos homens de tal forma que os levou a pensar de uma maneira diferente. Engels foi o primeiro a acabar com essa sistematização e compreensão superficial e traz uma ideia socialista de exercício da compreensão da realidade social, é necessário mais do que boa vontade e ideias, como podemos perceber nas nossas experiências cotidianas, as coisas não acontecem sem que hajam condições para elas acontecerem, deve haver uma reflexão profunda, complexa e refinada, e por isso Engels inaugura o socialismo científico, que era pautado no real.
Para chegar, então, ao desejável, seria necessário um novo método de construção do socialismo, o materialismo dialético, o qual não se encontra fora da nossa realidade e sim é uma ferramenta para a interpretação desta. O materialismo desvenda o desenvolvimento histórico, e é justamente o material que nos caracteriza, e sem nossas características não existimos; a dialética traz consigo as contradições, nascendo assim uma ciência que faz avaliações para o futuro a partir do presente, não enxergando as partes, sem rupturas. Sempre houve afirmações (teses) e negações (antíteses), mas é no capitalismo que as antíteses acontecem mais expressivamente, e toda síntese tornar-se-á uma tese, pois ela vai ser contestada, gerando, assim, um ciclo. 
O que caracteriza todas as passagens históricas são as lutas de classe, sendo essa a principal lei histórica existente, e portanto a maneira de se chegar ao socialismo científico, o qual, para Engels e Marx, seria inevitável. Na verdade, as ideias socialistas trouxeram consigo, primeiramente, um momento de euforia, como podemos notar na "Primavera dos Povos", que teve forte influência das ideias sociais, mas que foi seguido por um sono onírico.

Uma questão de prioridades

       Assim como as máquinas contemporâneas à Marx eram um dos grandes tópicos sociais, hoje a tecnologia é uma das maiores engrenagens de toda a economia, de todo o mundo. O avanço tecnológico pode englobar áreas como, saúde, educação entretenimento etc. Para tanto, torna-se ferramenta fundamental na resolução de problemas básicos da população. 
        Alia-se então aos diversos aspectos sociais o capital, já que este de uma forma ou outra manipula o desenvolvimento tecnológico e dá base ä estrutura social. Para a análise da relação entre capital e ciência partindo da interpretação marxista, é necessário primeiro considerar que este era um filósofo e não um economista. Sua visão era muito mais teórica do que prática, destacando-se durante a obra o conceito da alienação. A alienação do trabalhador com relação ao fruto do seu trabalho e ao próprio trabalho mostra-se constante nao apenas no trabalho braçal, mas também no intelectual, devido a mecanização dos processos. Perde-se a noção de uma alteração não apenas física e exterior, mas uma interior, a que transforma o transformador, conceito já antecipado por Marx, mesmo que apenas para o trabalho físico e não para o intelectual. 
       Outro ponto interessante que vale a pena ressaltar é análise das ciências. Partindo do princípio que a ciência engloba tanto o campo das exatas e biológicas como da humanas, podemos afirmar que elas se moldam pelo capital investido. Um exemplo é o investimento das pesquisas voltadas para a área da medicina e estética: a aplicação do capital em serviços voltados para produtos e cirurgias que prometem beleza e rejuvenescimento é muito maior que a aplicação do capital na investigação da cura de certas doenças como chagas, que acomete pessoas de baixa renda. 
            A grande dialética é que se o Estado pouco se intervém, a sociedade fica a mercê das decisões de empresas transnacionais, e, se o Estado muito se inervem, acaba degenerando-se por excesso de poder e transfigurando uma intenção de auxilio social em ferramenta de manipulação da classe que detêm o poder. Há, além disso, o problema de que os investimentos privados apresentam resultados mais imediatos, efetivos -mas dependem da decisão de mercado - e com excelência, já que estimulam os profissionais com prêmios e também criam uma instabilidade devido a competitividade, o que não acontece nos investimentos públicos, permeados por nepotismos e morosidade, mas que também tem uma prioridade social, não apenas comercial. Cuba, por exemplo, é um país socialista, de regime autoritário que possui ótimos investimentos educacionais de origem estatal, possibilitando, assim, que a medicina seja uma das mais avançadas do mundo. Mas resta a dúvida: há a possibilidade de se ter o assistencialismo cubano com o desenvolvimento tecnológico e a liberdade dos paises capitalistas?
 


Anna Carolina Kuusberg 
Camila Bastos 
Fernanda Marcondes 
Karine Hungaro Cunha 
Mariana Moretti 
Rafaella Salomão

Do socialismo utópico ao presente


                Com o florescer da revolução industrial tem início o processo de melhor definição entre o trabalhador e o detentor do meio de produção, tendo como fundo a quantidade de problemas nas condições básicas no trabalho e vida da nova, porém numerosa, classe do proletariado europeu.
                Frente a essa nova realidade, muitos pensadores como o francês Saint-Simon e o inglês Robert Owen, começaram a elaborar ideias sobre o modelo de uma sociedade mais justa, em relação a propriedade, a economia e a situação do trabalhador em geral, um modelo com o nome de socialismo. Esses pensadores viriam a ser chamados de “socialistas utópicos” por Karl Marx e Engels, este em  que através de sua obra, “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico”, buscavam desvincular e mostras as diferenças entre o socialismo científico, exposto pelos dois, e o socialismo utópico.
                Na obra, existe a imposição do autor sobre os motivos que devem ser esclarecidos para a superação do socialismo utópico pelo científico, que por esta característica a qual lhe da nome, deve seguir um certo rigor, evidenciado na analise histórica, política e econômica da sociedade por parte dos socialistas científicos na elaboração dessa nova visão de socialismo.
                Mesmo 132 anos após a sua publicações, essas ideias ainda continuam a ser debatidas, sendo o socialismo como um dos meios para uma sociedade mais justa, fugindo do padrão capitalista, e também da forma de socialismo aplicada na União Soviética, que apesar de garantir diversos avanços sociais, foi pautada por uma intensa política repressiva e violenta por parte do estado.

Já não há tempo para utopias.

    



   Mesmo que paradoxalmente, Frederich Engels, filho de um rico industrial ingles, associa-se com o pensador esquerdista Marx, e dessa associação com traços simbióticos, estende o pensamento marxista solidificando-o e colaborando para edificação do socialismo científico, em contraponto ao fluido e inconstante socialismo utópico.
     Seu pensamento, refiro-me à síntese simbiótica entre os supracitados, transcende o campo da expectativa de melhoras intangíveis e parte da ação como meio efetivo de combate a cada vez mais acentuada divergência social.
    Não há tempo para aguardar melhoras, elas devem ser militadas e alcançadas de maneira labutar. 
    Tomemos os movimentos sociais, bem exemplificados pelo atual e famigerado "Occupy Wall Street", como representações contemporâneas da busca, tida como efetiva, para melhorias sociais. Mesmo que a solução tarde a chegar ou seja, antes de mais nada, abortada brutalmente pelos mantenedores da "equidade social", não estaremos de braços cruzados, aguardando que a exploração se acentue e que um semelhante, vulgo humano, morra de carência de algo que apodrece e se prolifera e aterros alheios.
    Em suma, que tomemos consciência de nossa situação e condição e que dessa tomada, epifânica ou não, construamos um ímpeto de mudança, seja essa agindo positivamente na pacificação e diminuição da, talvez eterna, luta de classes.
 
 
 

O antagonismo do século XXI

     A contradição existente na época da publicação de "Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico", foi a fonte de inspiração para o desenvolvimento da teoria de Friederich Engels nessa obra. Apesar dela datar de 1880, e representar a crítica ao sistema capitalista da época. É possível aplicá-la atualidade, em suas devidas proporções.
     A tecnologia evoluiu de modo surpreendente nesses 130 anos em todos os setores existentes, as fábricas têxteis se transformaram em modernos laboratórios de biotecnologia, entretanto o contraste exorbitante social ainda está presente no sociedade.
     A sociedade pode ter evoluído de maneira geral, mas ainda percebe-se resquícios de um tempo marcado pela divisão social. Os trabalhos insalúbres ainda existem, assim como escravidão e trabalho infantil. Obviamente não é como na época de Engels, trabalho infantil é ilegal, mas ele ainda existe. Há a CLT, mas ainda acontecem abusos em carga horária e salário inaceitáveis. Gerando, assim, uma camada social que fica à margem da sociedade, vivendo em condições inaceitáveis.
     Em contrapartida existe a ínfima parte da população que usufrui dos avanços tecnológicos, que através da "proletarização" de muitos, obtém a qualidade de vida para poucos. A parcela da população que tem acesso a um emprego digno está cada vez meno, devido a fatores como procura por mão de obra especializada e robotização. Como a camada mais baixa já não tem acesso a uma educação de qualidade, não tem acesso a empregos dignos.
     Esse antagonismo está presente de forma marcante. Entretanto as teorias socialistas não causam mais impactos como causaram em 1880 devido a todo processo histórico no qual o socialismo se mostrou impossível de implantar, através do fracasso da URSS. É preciso então não apenas ações filantrópicas, mas sim uma mudança completa na mentalidade humana para que haja uma mudança positiva e real em relação a esse problema.