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segunda-feira, 30 de março de 2026

Ordem, Progresso e Exaustão

 Durante o século XIX, na Inglaterra, em um momento em que a classe operária começava a se organizar nas fábricas durante a Segunda Revolução Industrial, os trabalhadores manifestavam-se, de maneira considerada ingênua por Eric Hobsbawm, destruindo as máquinas que estavam substituindo a mão de obra humana. Paralelamente, na sociedade atual, marcada por um avanço científico exponencial, como nunca antes presenciado, os trabalhadores seguem enfrentando dificuldades e opressões impostas por uma classe hegemônica, evidenciando que a luta de classes jamais cessou.

 Nesse sentido, na conjuntura contemporânea, mesmo após conquistas importantes de direitos, surgem novos desafios para que a classe trabalhadora alcance uma plena qualidade de vida. Entre eles, destacam-se a busca por mais dias de descanso na semana, por meio da redução da jornada de trabalho, e a tentativa de garantir o emprego diante de uma nova máquina - mais complexa e intangível  que não pode simplesmente ser destruída: a inteligência artificial. Não por acaso, esses temas foram centrais na palestra do Centro Acadêmico de Direito da UNESP de Franca (CADIR), intitulada “Entre a precarização, automação dos processos e a escala 6x1: a quem serve o Direito do Trabalho?”.

 Entretanto, caso um indivíduo positivista - isto é, alguém com uma visão conservadora em relação aos costumes e, simultaneamente, progressista perante as inovações científicas e tecnológicas  assistisse a essa palestra, na qual há uma clara crítica ao sistema de produção capitalista neoliberal, que favorece a classe dominante e perpetua formas de opressão por meio da manutenção da escala 6x1 e da substituição do trabalhador pela inteligência artificial, esse indivíduo tenderia a discordar veementemente de grande parte das ideias apresentadas. Isso porque acreditaria em uma doutrina na qual o progresso é imprescindível e inegociável, defendendo que a sociedade deve se adaptar a essas transformações, ainda que isso implique a manutenção de relações desiguais, em nome do desenvolvimento econômico e científico.

 Portanto, é possível afirmar que, para um positivista, o avanço econômico, científico e tecnológico de um país, mesmo quando associado à deterioração da qualidade de vida da população - que passa a competir de forma desigual com tecnologias e entre si por vagas de emprego -, constitui parte necessária da construção da ordem e do progresso social. Assim, é necessário que a sociedade preserve sua organização, garantindo a estabilidade social e orientando o trabalho coletivo rumo ao avanço científico.

 Pedro Raszl Malerba de Oliveira - Direito, 1° ano matutino

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