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segunda-feira, 30 de março de 2026

O positivismo jurídico a automação e o possível fim da escala 6x1. (Nicolli Lima Luiz)

 As discussões a respeito do positivismo jurídico, automação e o possível fim da escala 6x1 revelam um conflito central e pertinente do mundo contemporâneo. O direito, apesar de tentar regular relações sociais que estão sendo profundamente transformadas pelo capitalismo tecnológico, não consegue se inserir na prática, inaplicado fatores que contribuiriam para o bem estar social. A reflexão proposta por autores e debates atuais mostra que, muitas vezes, o direito não consegue ultrapassar certos limites estruturais e ideais positivistas da própria sociedade em que está inserido.

Primeiramente, é importante lembrar que o direito não é algo natural ou eterno. O direito é uma forma cultural e histórica, construída dentro de determinadas condições sociais e econômicas. Na atualidade, com a necessidade de agradar a elite social, as normas e modelos surgem para a valorização do capitalismo, ou seja, a valorização do lucro em detrimento do homem.

Na contemporânea tal comportamento não é observado criticamente, a ideia positivista e a crença de um progresso como bem social mais importante, faz com que o indivíduo se sinta bem em estar abaixo do lucro, pois, segundo a lógica em que estamos inseridos, é o lucro quem move as nossas relações e interesses. Tal ideologia possibilita que as empresas tenham maior controle do que é aceito e não aceito socialmente e legalmente, permitindo e criando jornadas de trabalhos excessivas e limitando debates que serão discutidos, debates como a escala 6x1.

Esse limite se torna ainda mais evidente quando observamos a precarização do trabalho, a automação e a manutenção de modelos como a escala 6x1. Em teoria, o avanço tecnológico poderia reduzir a jornada e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. Porém, muitas empresas preferem demitir trabalhadores e aumentar a produtividade com máquinas, em vez de diminuir o tempo de trabalho humano. Dessa forma, a tecnologia deixa de ser um instrumento de libertação e passa a intensificar desigualdades.

Estudos recentes indicam que grande parte dos empregos pode ser substituída pela automação nas próximas décadas, o que gera um dilema social. Além disso, o próprio direito do trabalho vem passando por transformações, reformas recentes passaram a tratar alguns trabalhadores como hipersuficientes, ampliando negociações individuais e flexibilizando direitos. Muitas vezes, essas mudanças são justificadas em nome da “modernização”, mas acabam escondendo interesses econômicos que favorecem a redução de custos trabalhistas.

Assim, o debate sobre o fim da escala 6x1 e os impactos da automação não é apenas trabalhista, mas profundamente político e social, revelando como o positivismo júridico é real e aplicado diariamente. Ele revela os limites do direito positivado: embora possa criar regras e garantias, muitas vezes não consegue transformar completamente as relações econômicas que sustentam o próprio sistema.

Em última análise, a questão central permanece: se a tecnologia evolui para aumentar a produtividade, por que ela não é utilizada para reduzir o sofrimento humano e ampliar o tempo livre dos trabalhadores? Talvez essa seja uma das maiores contradições do mundo contemporâneo, um mundo em que as máquinas avançam rapidamente, mas a emancipação do trabalhador continua sendo um desafio em aberto.


Nicolli Lima Luiz (1º ano matutino)


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