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segunda-feira, 30 de março de 2026

Um positivista, assistindo a palestra do CADIR, diria que não há problemas com o cenário trabalhista atual.

     Ao refletir-se a cerca da “precarização do trabalho, automatização dos processos e a escala 6x1” duas formas de análise surgem. Na primeira as problemáticas, e suas causas, são analisadas de forma mais profunda tendo em vista as diferentes camadas e minúcias que compõem esse todo. Em contrapartida, a segunda perspectiva que pode ser chamada de positivista é mais superficial e imediatista na resolução dessas problemáticas, visando o bem da sociedade acima de tudo. Todavia, por mais agradável que parte da segunda perspectiva possa parecer, ela traz consigo alguns dilemas dentre eles a superficialidade da resolução de problemas bem como uma visão obtusa da realidade.

    Tendo isso em mente, o cenário atual brasileiro demonstra, no âmbito trabalhista, uma imensa antítese entre o nível de tecnologia e a realidade trabalhista no país. O processo de automação, que consiste na substituição da mão de obra humana pela máquina, tem desencadeado um cenário de desemprego tecnológico ou tecnologicamente induzido. A partir desse contexto, aqueles que possuem uma visão positivista analisariam a situação com base naquilo que essa linha de pensamento coloca como sendo concreto e não imaginativo. Ou seja, um positivista não enxergaria a situação de desemprego tecnologicamente induzido como um problema real para a sociedade já que há, nesse processo, um avanço tecnológico e as pessoas, ainda que de forma precarizada visando a manutenção da própria sobrevivência, exercem algum tipo de trabalho. Dessa forma, ao ver-se diante da inegável precarização dos Direitos trabalhistas, em sua aplicabilidade, e sentir a necessidade de solucionar essas questões, que podem desencadear em conflitos que abalariam a chamada “ordem” social, um positivista buscaria uma solução imediatista, consequentemente superficial, para que o bem-estar social fosse reestabelecido. Mas vale destacar que apesar dessa linha de pensamento ter como princípio o bem da sociedade acima de tudo, na prática, o que existe é o bem de uma parcela da população em detrimento da outra, pois estes não procuram enxergar o cenário como um todo e suas nuances o que gera uma visão míope da realidade.
    Portanto, a linha de pensamento positivista apesar de apresentar alguns pontos válidos, e em determinadas áreas aplicáveis como no própria concepção de Direito positivado, é limitada já que demonstra uma evidente superficialidade na análise e resolução de problemáticas bem como uma visão obtusa da realidade desconsiderando as minúcias que essa apresenta.

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