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segunda-feira, 30 de março de 2026

A máquina sem tempo.

 O despertador toca às 5h, anunciando a longa jornada que viria. Ao entrar no ônibus, olho para a tela do celular e me deparo com as notícias sobre a Inteligência Artificial. Essas inovações trouxeram a ideia de que as máquinas chegaram para fazer o trabalho pesado e que o homem finalmente iria descansar. Na teoria isso pode até ser verdade, mas na prática não é isso que acontece, pelo menos não comigo. A máquina não trouxe descanso, ela acelerou o ritmo. Agora, o chefe não é mais só uma pessoa, ele está comigo em todo o momento, na tela do computador, ou até em casa, nos emails que recebo em horários esporádicos. Até quando era para eu já estar fora do emprego, ainda recebo trabalho para fazer. Após uma hora em pé no ônibus, devido à superlotação, preparo-me para caminhar por mais 20 minutos até a empresa na qual trabalho 6 dias por semana. O tal do “fim de semana” é algo de comercial da TV, é muito distante da minha realidade. Enquanto a maioria das pessoas está descansando, eu preciso estar aqui, batendo o ponto.

As leis deveriam garantir que trabalhadores como eu não fossem tratados como peça de uma máquina que, se quebrar, é jogada fora. Mas a lei parece sempre atrasada, tentando achar uma solução enquanto as empresas inventam jeitos novos de nos explorar. O meu descanso é na quarta. Enquanto a correria das cidades acontece, eu tento dormir o sono que a rotina me roubou. Após longas 8 horas de trabalho, eu ainda faço mais 5 horas de hora extra para completar a renda e garantir uma vida básica para minha esposa e para meu filho. Chego em casa após às 22h e me preparo para o dia seguinte, que seguirá dessa mesma forma. No fim das contas, eu só peço que o Direito do Trabalho possa garantir uma coisa bem simples: que a gente trabalhe para viver, e não viva só para trabalhar.

Mariana Moraes Lobato Rodrigues - Matutino

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