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segunda-feira, 30 de março de 2026

O positivismo e a contenção das mobilizações trabalhistas

    Na contemporaneidade, a sociedade é regida nos moldes do liberalismo econômico, o qual se apropriou de elementos da lógica positivista desenvolvida por Auguste Comte no século XIX. Nesse contexto, o sistema liberal, pautado na busca pelo lucro, alinha-se ao positivismo na supressão das mobilizações sociais, como a luta pelo fim da escala 6x1.

    Em uma leitura clássica do positivismo, o progresso provém do apreço pela ordem e pela coletividade, em que a manutenção do status quo é valorizada por representar estabilidade. Assim, os movimentos sociais que exigem mudanças nas estruturas vigentes tendem a ser associados à desordem. As propostas de reforma trabalhista reivindicadas pelo proletariado são rejeitadas sob a perspectiva positivista, que enxerga nessas demandas uma ameaça à norma vigente, posicionando-se, portanto, contra o que se entende como progresso. Dessa forma, instaura-se um medo da desordem social, que resulta na contenção dessas mobilizações.

    Nessa linha, intensifica-se a propagação de discursos de descredibilização e inviabilização da luta trabalhista. Para os positivistas, o modelo da escala 6x1 pode ser tratado como inquestionável; difunde-se a ideia de que é inevitável que a inteligência artificial elimine empregos em nome do avanço econômico, mas inviável que a tecnologia seja aplicada para reduzir as jornadas de trabalho. Tudo isso para manter a ordem, a estabilidade e uma ideia de progresso vinculada a um viés liberal de acúmulo de capital e manutenção das estruturas sociais.

    Além disso, o positivismo comtiano estimula a negação do “eu” em favor do amor à humanidade. Trabalhar incessantemente é construído como um bem coletivo, enquanto o cansaço é tratado como uma dor individual, dissociada da ideia de progresso. Dessa maneira, em nome do coletivo, da ordem e do progresso, incentiva-se que a classe trabalhadora permaneça desarticulada, sem a intenção de alterar as estruturas sociais vigentes ou de buscar jornadas de trabalho reduzidas.

    Portanto, um positivista, ao assistir à palestra realizada pelo Centro Acadêmico de Direito sobre o fim da escala 6x1, afirmaria que essa luta representa uma ameaça à ordem e, por isso, deveria ser contida por meio de mecanismos de reorganização social.

 

 

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