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segunda-feira, 30 de março de 2026

Um positivista assistindo à palestra do Cadir, diria que...

A corrente filosófica consolidada por Auguste Comte, positivismo, estabelece que a humanidade atinge seu ápice no Estado Positivo, onde a ciência experimental e a técnica regem a organização social. Sob essa ótica, a sociedade é compreendida como um organismo vivo que depende estritamente da harmonia e da ordem para alcançar o progresso, visão sintetizada na célebre máxima de Comte: "O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim".

Na palestra do CADIR, temas como a escala 6x1, a automatização, pejotização, foram apontados como preocupações sociais, onde para um positivista, esse fenômeno não representa um problema real, mas uma etapa necessária da evolução técnica, tal argumento que é despido de questões humanitárias, pois a tomada de decisão deve basear-se em dados concretos e na produtividade, e não em preocupações com o bem-estar emocional dos trabalhadores.

Tal rigidez se aplicaria também à discussão sobre a escala de trabalho 6x1 e ao fenômeno da pejotização. Para o positivista, a ordem social é o pressuposto absoluto do progresso, e qualquer tentativa de mudança em valores ou leis consolidadas. A reivindicação pelo fim da escala 6x1, embora busque garantir uma vida digna e tempo de lazer, seria interpretada como um risco à organização social e à perspectiva empresarial, uma escolha política que sacrifica o indivíduo em prol de uma máquina social que funciona para poucos

Da mesma forma, a pejotização surge como uma "inovação administrativa" que transforma o trabalhador em uma unidade prestadora de serviço técnica e intercambiável. Sob o pretexto de desburocratização e fluidez do capital, ignora-se a precarização do vínculo e o desamparo jurídico do indivíduo, focando apenas na agilidade econômica que essa "evolução" dos contratos proporciona.

Assim, ao rotular como "desordem" qualquer movimento que reivindique direitos básicos ou melhores condições de vida, o positivismo acaba por servir aos interesses das classes dominantes, colocando o lucro e a estabilidade sistêmica acima das demandas humanas. Karl Marx contrapõe essa imobilidade positivista quando oferece uma visão onde a mudança não é desordem, mas libertação, afirmando que: "Os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras; o que importa é transformá-lo".

O verdadeiro progresso não pode ser medido apenas por índices de produtividade ou avanços industriais, deve, obrigatoriamente, passar pela melhoria da qualidade de vida de quem sustenta, com seu suor, a engrenagem da sociedade, pois ordem mantida através do esgotamento humano não é harmonia, é estagnação moral.

Daniel Leonel Alvarez - Direito Matutino (1º ano).

 

 

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