A corrente
filosófica consolidada por Auguste Comte, positivismo, estabelece que a
humanidade atinge seu ápice no Estado Positivo, onde a ciência experimental e a
técnica regem a organização social. Sob essa ótica, a sociedade é compreendida
como um organismo vivo que depende estritamente da harmonia e da ordem para alcançar
o progresso, visão sintetizada na célebre máxima de Comte: "O Amor por
princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim".
Na palestra do
CADIR, temas como a escala 6x1, a automatização, pejotização, foram apontados
como preocupações sociais, onde para um positivista, esse fenômeno não
representa um problema real, mas uma etapa necessária da evolução técnica, tal argumento
que é despido de questões humanitárias, pois a tomada de decisão deve basear-se
em dados concretos e na produtividade, e não em preocupações com o bem-estar
emocional dos trabalhadores.
Tal rigidez se
aplicaria também à discussão sobre a escala de trabalho 6x1 e ao fenômeno da
pejotização. Para o positivista, a ordem social é o pressuposto absoluto do
progresso, e qualquer tentativa de mudança em valores ou leis consolidadas. A
reivindicação pelo fim da escala 6x1, embora busque garantir uma vida digna e
tempo de lazer, seria interpretada como um risco à organização social e à
perspectiva empresarial, uma escolha política que sacrifica o indivíduo em prol
de uma máquina social que funciona para poucos
Da mesma
forma, a pejotização surge como uma "inovação administrativa" que
transforma o trabalhador em uma unidade prestadora de serviço técnica e
intercambiável. Sob o pretexto de desburocratização e fluidez do capital,
ignora-se a precarização do vínculo e o desamparo jurídico do indivíduo,
focando apenas na agilidade econômica que essa "evolução" dos
contratos proporciona.
Assim, ao
rotular como "desordem" qualquer movimento que reivindique direitos
básicos ou melhores condições de vida, o positivismo acaba por servir aos
interesses das classes dominantes, colocando o lucro e a estabilidade sistêmica
acima das demandas humanas. Karl Marx contrapõe essa imobilidade positivista quando
oferece uma visão onde a mudança não é desordem, mas libertação, afirmando que:
"Os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras; o que
importa é transformá-lo".
O verdadeiro
progresso não pode ser medido apenas por índices de produtividade ou avanços
industriais, deve, obrigatoriamente, passar pela melhoria da qualidade de vida
de quem sustenta, com seu suor, a engrenagem da sociedade, pois ordem mantida
através do esgotamento humano não é harmonia, é estagnação moral.
Daniel Leonel Alvarez - Direito Matutino (1º ano).
Nenhum comentário:
Postar um comentário