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segunda-feira, 30 de março de 2026

Um Positivista na Palestra do CADIR: Automação, Legislação e a Liberação do Tempo Humano

 Um positivista após assistir a palestra do CADIR, concordaria com alguns dos pontos apresentados na palestra devido ao caráter positivo dos mesmos, mas também iria em contra de alguns argumentos.

A automação, a produtividade crescente e a tecnologia atual são fatos irrefutáveis do estágio positivo da humanidade. Elas representam o triunfo do espírito industrial e científico sobre as etapas anteriores. Ricardo Nunes está correto: com o nível atual de desenvolvimento técnico, a jornada de trabalho deve ser reduzida. Isso não é uma reivindicação moral ou “direito natural”, mas uma lei sociológica de correspondência entre progresso técnico e reorganização social. Se a produtividade aumentou, a carga horária deve cair — isso é simples observação científica, não ideologia.

Palestra também apresentou dados concretos e vivências empíricas que merecem registro científico: o número de assalariados cresce, a escala 6×1 persiste, o poder de compra real estagnou ou regrediu para muitos, e a automação avança enquanto o trabalho se assemelha, em precarização, ao século XIX. Esses são fenômenos positivos — no sentido comtiano: observáveis, mensuráveis, passíveis de lei sociológica.

O erro se encontra quando trata a tecnologia como inimiga ou quando propõe proteção automática do trabalhador ‘contra’ a automação. A automação é o próprio progresso da humanidade na fase positiva. Ela multiplica a produtividade, reduz o tempo necessário de trabalho e libera o homem para a vida intelectual, moral e afetiva — exatamente o que o Movimento Vida Além do Trabalho intui, mas ainda não formula cientificamente.

O ludismo (ou neo-ludismo) que aparece aqui é reação teológico-metafísica: medo irracional do novo estágio industrial. A supremacia do empregado via legislação coercitiva, sem base na observação da produtividade real, é artificial e temporária. A verdadeira solução não é ‘garantir presença mínima de trabalhadores’ por decreto, nem criar normas que protejam o homem como se ele fosse vítima da máquina. A máquina é extensão racional da inteligência humana, não sua negação.

A precarização com tecnologia não é fatalidade da máquina, mas desorganização transitória da transição entre eras. O trabalho deixa de ser ‘humano’ no sentido antigo exatamente porque deixa de ser servidão física e passa a ser coordenação intelectual. O operário que hoje é ‘extensão da máquina’ amanhã será coordenador de máquinas, ou simplesmente viverá além do trabalho — desde que a educação positiva forme cidadãos capazes dessa passagem.

Portanto, não se trata de ‘auxiliar o trabalhador’ com leis paternalistas, mas de reorganizar cientificamente a sociedade para que o avanço técnico se traduza em bem-estar mensurável para todos. Ordem e Progresso: ordem na transição (leis racionais baseadas em dados de produtividade e automação), progresso na redução efetiva da carga horária e na elevação da condição humana.

A palestra descreveu sintomas reais; falta-lhe apenas a terapêutica positiva. A automação não é o problema — é a solução que ainda não foi administrada com ciência.

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