Auguste Comte, autor da teoria positivista, afirmava que, por meio do desenvolvimento tecnológico e do aumento do conhecimento científico, a sociedade atingiria o estágio positivo, isto é, o máximo grau de desenvolvimento, de modo que a ciência pudesse solucionar todos os problemas presentes, bem como possibilitar a previsão de entraves futuros.
Feita essa breve introdução acerca do pensamento de Comte, devemos, agora, associá-la à discussão realizada na palestra organizada pelo Centro Acadêmico de Direito da Unesp (Cadir), a qual teve como tema "a precarização, automatização dos processos e escala 6X1: a quem serve o direito do trabalho?"
Os tópicos abordados na palestra objetivaram ressaltar como o avanço da tecnologia e, sobretudo, da inteligência artificial tem substituído a força de trabalho em empresas, comércios e outros setores, uma vez que a automatização dos processos de produção e realização de serviços assegura um trabalho mais rápido, mais eficiente e mais lucrativo por meio do barateamento de custos. Nesse contexto, há tecnologia, na era contemporânea, para que a jornada de trabalho mundial seja reduzida para 4 horas diárias; todavia, observa-se a situação contrária, como visível do regime de trabalho 6X1 e na concentração dos empregos sob indivíduos que trabalham por 10 horas diárias, por exemplo.
Assim, sob a ótica de um positivista, a sociedade estaria, por fim, caminhando para a consumação de seu pleno desenvolvimento, sendo a ciência e a técnica os fundamentos do funcionamento universal e dos processos que permeiam nosso estilo de vida.
O positivismo, entretanto, concretiza sua teoria à revelia das implicações humanas e sociais do triunfo das máquinas e da exclusão do próprio ser humano dos processos fabris. Analogamente ao contexto da Revolução Industrial na Inglaterra do século XVIII, agravam-se as condições de sobrevivência tanto daqueles submetidos a extensas jornadas de trabalho em escala 6X1 quanto da massa de desempregados vítima do desemprego estrutural. O tão almejado progresso positivista tem, portanto, evidenciado os equívocos de sua teorização.
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