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segunda-feira, 30 de março de 2026

Mais uma?


Mais uma segunda-feira em que a TV e as redes sociais tratam do mesmo assunto, uma mulher foi morta por um homem. O pai, o padrasto, o marido ou um desconhecido para o qual ela simplesmente disse “não”. 

Todos os dias, pelo menos quinze de nós perdem a chance de viver. Mas, o país continua. 

Apesar dos jornais, apesar dos números, apesar dos órfãos e da dor que não passa. Ironicamente a vida continua, só não para todas nós. 

Enquanto eles justificam a violência dizendo que a honra foi ferida, que agiram sob forte emoção e que não poderiam viver sem a mulher amada. Todas essas justificativas foram acolhidas pelo Estado brasileiro até o ano de 2023 como legítima defesa da honra. 

Nós vivemos com medo, buscando conhecer mais sobre autodefesa, identificar atitudes que possam denotar perigo em relacionamentos e tentando cuidar umas das outras. Precisamos nos esforçar tanto que parece que o erro está em nós e não nos nossos algozes. 

É uma eterna busca por sobreviver enquanto se tenta viver. 

Muito mais perguntas do que respostas mas, a certeza que tenho é que a culpada não é a mulher que se apaixonou, constituiu família e foi morta quando decidiu pedir o divórcio. Assim como Gisele não estava errada, Tainara não mereceu, Alana não deu a entender nada e a adolescente não estava pedindo. Não somos responsáveis pelas violências às quais somos acometidas, o Estado e a sociedade são. 

Indubitavelmente se houverem rupturas nas estruturas patriarcais que regem este país, passarmos a criar meninos e meninas para se respeitar mutuamente, e reconhecermos as nossas falhas como sociedade caminharemos para uma vala social nunca antes vista. 

Algumas das questões que ficam são: quem protege a honra da mulher? Por que homens se sentem no direito de matar? De onde vem tanto ódio? Onde vamos parar? Quem mais tem que morrer para que isso acabe?

Letícia Maria Ferreira Pedro  

Direito (noturno) 



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