No ano de 2009 o relacionamento da cantora Rihanna entrou em grande evidência, principalmente após a exposição de uma agressão física cometida por seu parceiro, o cantor Chris Brown. Após o ocorrido, de forma inesperada a cantora decidiu reatar seu relacionamento com o agressor, alegando sentir necessidade de proteger e ajuda-lo, demonstrando sentir-se responsável pelas proporções tomadas pelo assunto. Além disso, afirma ter tido dificuldades em compreender que já era vítima de violências antes mesmo de sofrer a agressão física, por meio de ataques psicológicos, vivenciando manipulações emocionais e comportamentos/falas agressivas.
Este é um espaço para as discussões da disciplina de Sociologia Geral e Jurídica do curso de Direito da UNESP/Franca. É um espaço dedicado à iniciação à "ciência da sociedade". Os textos e visões de mundo aqui presentes não representam a opinião do professor da disciplina e coordenador do blog. Refletem, com efeito, a diversidade de opiniões que devem caracterizar o "fazer científico" e a Universidade. (Coordenação: Prof. Dr. Agnaldo de Sousa Barbosa)
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segunda-feira, 30 de março de 2026
Violência contra a mulher, questão ou perturbação?
A exposição do caso evidencia que mesmo mulheres com melhor instrução e influencia estão sujeitas a não identificar que estão inseridas em relacionamentos abusivos, ou mesmo quando percebem, sentem dificuldades a dar um fim neles, chegando até mesmo a pensar que seus casos são individuais e comuns nas relações de outras pessoas. Este é somente um exemplo capaz de demonstrar os efeitos gerados na vida das mulheres em sociedades patriarcais, em que o ódio ao feminino é estimulado, e as vítimas de violências físicas, psicológicas e verbais, são culpabilizadas, oprimidas e invalidadas por estarem inseridas nesses relacionamentos abusivos.
Para fazer uma análise mais aprofundada a dificuldade na identificação de um relacionamento abusivo e de onde esse paradigma surge, os termos: 'questões' e 'perturbações', definidos por Mills, na obra "A imaginação sociológica", podem ser utilizados. O autor determina que as perturbações são assuntos relacionados a esfera privada dos indivíduos, enquanto as questões são os assuntos que atingem toda a esfera pública. Dessa maneira, em muitos casos, as mulheres tendem a acreditar que as situações abusivas em que estão inseridas são problemas individuais, quando na verdade são parte de uma questão, que tem suas raízes nas construções de sociedades marcadas pelo machismo estrutural e misoginia, e portanto, causam um impacto generalizado na vida de muitos indivíduos do gênero feminino.
Posto isso, é evidente a necessidade da tomada de um olhar mais amplo sobre essa questão, não apenas observando e buscando soluções para casos isolados e específicos, mas ao invés disso, por meio de mudanças nas estruturas politicas e econômicas nas sociedades afetadas por um patriarcado enraizado, tornando assim essa questão passível de ser solucionada ou ao menos amenizada, e por fim possibilitando a alteração as atuais condições de vida dos indivíduos do gênero feminino na sociedade contemporânea.
Giovanna de Andrade Paiva - 1⁰ ano Direito Matutino
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