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segunda-feira, 30 de março de 2026

Um positivista assistindo a palestra do CADIR: A escala 6x1 e o positivismo

 

A luta por direitos trabalhistas percorre a história do capitalismo; a preservação e a cultivação dos bens materiais pelos meios de produção levam à desvalorização da vida humana, visando apenas ao lucro. O debate ao redor da jornada atual de trabalho 6x1 é um dos exemplos do estágio atual do capitalismo.

O debate referente à atual escala traz duas óticas contrárias: a do trabalhador, que vende sua força de trabalho cumprindo horários durante seis dias da semana e podendo descansar apenas um, o que o impede de ter uma vida plena fora do ambiente laboral; e a visão de que essa escala seria necessária para a manutenção da economia e do bem-estar social. Do ponto de vista positivista, o bem-estar está fundado a partir do cumprimento de funções baseadas na moral e no que pode ser visto e sentido; porém, no contexto social atual, a voz do proletariado não é ouvida, fundamentando, assim, a exploração como um meio para o desenvolvimento.

Sob a ótica do sociólogo alemão Karl Marx, a desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas. Ao colocar o ser humano e sua individualidade abaixo da significância do capital, reforça-se a ideia positivista tão recorrente em nossa sociedade atualmente, que é ainda mais opressora quando direcionada a minorias sociais que constantemente são invisibilizadas.

O debate para o fim da escala 6x1 representa o que pode ser um grande avanço nos direitos trabalhistas, porém uma evolução contrária ao pensamento positivista. A situação apenas deixa claro que os movimentos conservadores, em diversas vezes, não prezam pelo bem-estar social, sendo fundamentados apenas por ideias elitizadas.

Dessa forma, o debate pelo fim da escala 6x1 representa uma reforma civilizatória necessária para transformar a força de trabalho, indo além da lógica que reduz o indivíduo a uma máquina ou a um mero "insumo de produção". Essa mudança deve enfrentar o pensamento que demoniza o descanso como "ócio em demasia" e acaba por legitimar a exploração e a exaustão do trabalhador. Portanto, a resistência a esse avanço revela um conservadorismo que prioriza a racionalização econômica do capital em detrimento do bem-estar social e da saúde mental.


Yasmin Moreira de Sousa Paulo
1º Semestre de Direito 2026 

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